segunda-feira, 31 de maio de 2010

Copa do Mundo - Caneca do Café & Conversa já está viajando


Romoaldo de Souza

Partiu! Foi! Deixei há pouco a caneca do Café & Conversa com o jornalista Corban Costa da EBC. Ele vai a África do Sul levando dois pacotes de Café Cristina e muita vontade de voltar com a caneca e o Caneco.

Corban Costa é tão exigente que para ir ao aeroporto tinha de ser de land rover,
com café especial e a caneca do Café & Conversa

- Ah, vou comemorar muito se o Brasil ganhar a Copa do Mundo, mas se não ganhar vamos comemorar, também, tomando um bom café do Sul de Minas na caneca do Café & Conversa, destaca.

Corban Costa é jornalista e nas horas vagas é navegador na equipe de Mauro Guedes no Rally dos Sertões a mais importante competição da categoria, no Brasil.

L-200 praticamente voando, no Rally dos Sertões, com Corban e Mauro

Boa viagem, Corban Costa espero que você traga a caneca, para fazermos uns trilhas, tomando um excelente café.

A Música do Dia - Pata Pata - Miriam Makeba


Romoaldo de Souza

Confesso que essa onda de Copa do Mundo não me comove. Mas também não vou ignorar o oba-oba. Não estou entre aqueles que colocam uma bandeirinha do Brasil pendurada na antena do carro, mas admito que estou de olho no campeonato mundial.

Makeba cantou de Paul Simon a Luiz Bonfá. Ativista política foi exilada, envolveu-se com os Panteras Negras e morreu antes de cantar na abertura da Copa do Mundo deste ano, no seu país natal

Agora mesmo, estava preparando uma pesquisa para o quadro "Música do Mundo", na rádio Cultura FM, e escrevendo sobre Miriam Makeba, lembrei de trazer essa importante cantora sul-africana para o leitor do Café & Conversa. Afinal de contas, se tudo der certo, a caneca do blog embarca hoje rumo a África do Sul, levada pelo jornalista Corbam Costa.

Na adolescência, Zenzile Miriam Makeba se engajou em campanhas pelos direitos humanos e em defesa das liberdades, cantou para os negros, no coral da igreja, se envolveu com o folk e o blues das américas.

Envolveu-se, também com o ativista político Stokely Carmichael, criador do movimento Black Power, e porta voz dos Panteras Negras, com quem esteve casada por longos anos.

Gravou a bossa nova de Luiz Bonfá, cantou em Graceland com Paul Simon e aqui canta Pata Pata com a filha Zenzi Makeba, essa vocalista de azul, e dançando com a neta também chamada de Zenzi.

Miriam Makeba seria uma das cantoras que se apresentaria na abertura da Copa do Mundo. Morreu em novembro de 2008, aos 76 anos.

1.Strophe:

Sat wuguga sat ju benga sat si pata pat (Chor: „Pata Pata")

Sat wuguga sat ju benga sat si pata pat ...(Chor: Sat wuguga sat ju benga sat si pata pat...(Chor: „Pata

Sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

1. Refrain

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pa ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

2. Strophe

Aya sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Bridge:

„Pata Pata" is the name of a dance ... we do down Johannesburg way.

And everybody ... starts to move ... as soon as „Pata Pata" starts to play - hoo ...

3. Strophe

Aya sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

2. Refrain

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

4. Strophe

Haji-a sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga jo-ho ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si ...(Chor: „Pata Pata")

Bridge

Hoo, every Friday and Saturday night ... it's „Pata Pata"-time.

The dance keeps going all night long ... till the morning sun begins to shine - hey!

Aya sat wuguga sat - wo-ho-o ...(Chor: „Pata Pata")

5. Strophe

Aya sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

3. Refrain

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

6. Strophe

Huh- a sat wuguga sat - hit it! ...(Chor: „Pata Pata")

Aah- sat wuguga sat - aim not si - hit it! ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata"




Comidas para a Copa em sua Casa


Ricardo Icassatti Hermano

A Copa do Mundo de Futebol está chegando. Voce é daqueles que bota fé na Seleção Brasileira, com Grafite e tudo o mais. Mas, a fé foi virando empolgação. Daí virou fervor, que logo se tornou insanidade porque você resolveu convidar um bando de amigos e amigas para assistir os jogos do Brasil na sua casa.

Aqui no Café & Conversa você já encontrou dicas preciosas sobre quais cuidados deve tomar em relacão ao seu jardim ou àquele vasinho de violetas que a sua avó lhe deu. Também já sabe o que fazer com seus bichinhos de estimação para que não fiquem traumatizados com a experiência.

Hoje vamos abordar o quesito comida e como gostamos muito de todos os nossos leitores e leitoras, fomos buscar uma chef que é simplesmente a crème de la crème da gastronomia brasiliense e quiçá mundial. O nome dela é Adriana Nasser, mais uma colaboradora saída diretamente das Mil e Uma Noites.

Como não podia deixar de ser, Adriana é jornalista de política, mas a paixão pela culinária a levou a se Pós-Graduar em Gastronomia e Segurança Alimentar pela Universidade de Brasília (UnB). Também fez cursos com os renomados chefs Claude Troigros, Emmanuel Bassoleil e Luigi Tartari, entre outros.

Ela já preparou seus deliciosos pratos para gente como o ex-secretário do Tesouro Americano, John Snow, o técnico da Seleção Brasileira de Vôlei Masculino, Bernardinho, o jogador de vôlei Giba e esposa, o compositor e cantor Paulinho Mosca, o ator Paulo Cesar Grande e as atrizes Cláudia Magno e Helena Ranaldi.

Após uma feira de alimentos na Alemanha, Adriana foi relaxar em Milão

Para nossa sorte, Adriana ainda ministrou diversos cursos bacanas. Eu mesmo já fiz dois com ela e uma degustação harmonizada com vinho. Foi com ela que aprendi aquela estória do CRÉU! Além de tudo isso, a moça tem um par de olhos cor de mel-esverdeados que parecem dois farois, ou as águas do Mar do Caribe, ou esmeraldas saídas do tesouro de algum sultão, ou ... deixa pra lá.

Mas, já me estendi demais nesse introdutório. Fiquem com as saborosas dicas da chef Adriana Nasser e transforme seu evento num sucesso internacional.


Faltam poucos dias para o início da Copa e não se fala em outra coisa no "País do Futebol". Mas, a época de Copa é também um bom período para conhecer o que cada país tem de melhor para oferecer na área gastronômica. Assim sendo, vamos aos pratos típicos dos países que a nossa Seleção irá enfrentar.

Nosso primeiro adversário é a fraquinha Coreia do Norte. Tão difícil quanto citar o nome de um bom atacante norte-coreano é tentar pronunciar os nomes dos pratos típicos deles. Esses carinhas de olhos puxados que irão jogar de uniforme vermelho, não têm tradição nem nos gramados e nem na cozinha. Eles têm tradição de fome.

Ainda assim, o país que é governado por uma mega-ditadura há quase 70 anos, surpreende por seus bons e interessantes temperos. Há alguns anos, os jornais televisivos de todo o mundo mostraram imagens dos norte-coreanos comendo capim, devido à escassez de alimentos no país. Se estiver muito bem temperado, quem sabe.

Vou falar de um tempero e um prato. O tempero Kimchi é uma mistura de pimenta e couve picada que fermenta por vários dias. O prato é o Pajeon Sob Deiji Galbi, uma panqueca de vegetais com ovos, cenoura, cebolinha, cebola e costeletas de porco grelhadas.

Para o Kimchi, basta pegar esse monte de pimenta e ...

Vale lembrar que a culinária dessa região da Ásia está muito associada ao chá. Lá, cada prato vem acompanhado da bebida. No Oriente, o chá é harmonizado com a comida - tanto quanto se recomenda o vinho por aqui. Para o Pajeon, o chá recomendado é o de Ginseng.

A panqueca de vegetais não leva capim

É bom deixar claro que, a pedido dos meninos (leia-se Romoaldo e Ricardo) preciso dar receitas adaptadas para cada uma das "turmas" inventadas por eles. Ou melhor, uma dica de como receber bem os amigos para assistir os jogos em sua casa.

Vamos às classes sociais. São elas: o Rico, o Classe Média B, o Emergente da D para a C e o Lascado de E par abaixo. Tarefa nada fácil essa ...

Para os mais abonados, não tem nem o que falar, né? Basta ligar para um(a) personal chef e encomendar o buffet completo, com direito a garçom e tudo o mais.

A galera da Classe Média B sempre tem uma tia que cozinha pra caramba. Basta vestir a tiazona com um belo avental e colocá-la na cozinha para tirar onda.

No caso dos Emergentes, o negócio começa a complicar. Entre os ingredientes das receitas está o molho de soja Shoyu, que não é barato, a pêra asiática cara pra casseta e a própria costeleta de porco, que se for de qualidade também sai cara ... e por aí vai.

Dá para fazer algumas substituições e encaixar no orçamento mais apertado. Mas, não fica a mesma coisa, vou logo avisando. Para fazer o Shoyu render, adicione e misture água e molho inglês, bem mais em conta.

No lugar da pêra asiática, use a nacional mesmo. Mas, escolha uma bem verde e firme para manter o efeito da crocância. Por fim, no lugar da costeleta de porco, compre costela de vaca ... Afffff!!!

Agora, para o pessoal Lascado, a saída é investir no Baconzitos e incrementar com molho de pimenta, molho inglês com gengibre ou aquele molho agridoce industrializado. Cada convidado leva umas cervejas e você enfeita a mesa com um monte de potinhos com salgadinhos diversos e molhos.

Ah! Ainda tem o Kimchi, aquele molho norte-coreano que citei lá no começo e que mistura pimenta malagueta com couve. É baratinho, baratinho e vai garantir o sucesso do seu evento futebolístico.

Depois de tanta firula, vamos ao que realmente interessa: as receitas!

Pajeon Sob Deiji Galbi

Ingredientes para a Panqueca - Pajeon Sob

- 2 xícaras de farinha de trigo
- 2 ovos batidos
- 1/5 xícara de água
- 1 molho de cebolinha cortado ao meio e em pedaços de 6 cm
- Pimenta Vermelha
- 1 Colher de chá de sal
- Óleo de soja para cozinhar

Preparo

Misture todos os ingredientes e deixe descansar por 10 minutos. Verifique a consistência antes de cozinhar. A massa deve ser um pouco mais líquida que a massa de panqueca americana para que o Pajeon cozinhe por igual.

Esquente uma frigideira em fogo médio e cubra o fundo com uma fina camada de óleo. Derrame a massa até cobrir o fundo da frigideira com uma fina camada (1/3 da massa deve cobrir uma frigideira média).

Cozinhe por 3 ou 4 minutos, até que a parte de baixo esteja dourada. Vire com uma espátula e termine o cozimento por mais 1 a 2 minutos, adicionado mais óleo se for necessário. Sirva com Shoyu.

Ingredientes para a Costeleta de Porco - Deiji Galbi

- 6 costeletas de porco com 1,5 a 2 cm de espessura (contra-filé com osso)
- 1 xícara de Shoyu
- 3/4 xícara de açúcar
1/2 xícara de água
- 1 pêra asiática
- 1 cebola picada
- 2 colheres de sopa de alho picado
- 4 colheres de sopa de óleo de gergelim
- 1 colher de sopa de pimenta do reino
- 1 colher de sopa de gengibre ralado

Preparo

Deixe as costeletas de molho em água por 1 hora, depois enxague.

No processador de alimentos, coloque a cebola picada e a pêra asiática. Bata até atingir a consistência de purê. Transfira para uma tigela grande. Adicione os demais ingredientes e misture bem.

Deixe as costeletas marinando nessa mistura por 8 a 10 horas. Grelhe numa frigideira com óleo bem quente por 2 a 3 minutos de cada lado. Sirva com a panqueca.

domingo, 30 de maio de 2010

Saudade do Futuro


Ricardo Icassatti Hermano

Domingo é um bom dia para falar de saudade. Essa palavra que tem um significado único para nós brasileiros. No resto do mundo esse sentimento é descrito como tristeza ou sentir falta da terra natal. Nós ampliamos o seu sentido para caber tudo o que nos cerca. Temos saudade até do futuro, como cantava Renato Russo.

Na noite/madrugada da última quinta-feira, assisti na TV a cabo um show do James Taylor, uma lenda dos anos 1970. Compositor e cantor de mão cheia, fez sucesso com baladas country românticas que falavam das suas saudades, especialmente da sua terra, o estado norte-americano da Carolina do Norte.

Mas, foi uma outra canção sua que fez história e marcou a época em que os jovens eram hippies cabeludos pregando a paz e o amor. Um sonho bonito que durou pouco, como é da essência dos sonhos. Essa canção de James Taylor chama-se You've Got a Friend. No vídeo abaixo, ele ainda tinha cabelão e bigode.




Ao ouvir a canção, lembrei de um grande e velho amigo. O nome dele é Wagner Rossi, ou Guna, como eu o chamo. Ele sempre diz que toda vez que ouve essa música lembra-se imediatamente de mim. Para nós dois, essa música faz todo o sentido. Acredito que para chamar alguém de "amigo" é preciso comer um prato de sal juntos.Wagner e eu comemos alguns pratos de sal juntos.

Nos conhecemos por acaso no início das nossas adolescências. O colégio onde eu havia estudado toda a infância organizou uma festinha para os alunos e meus antigos colegas me convidaram.

Chegando lá, dei de cara com umas figuras que andavam em bando arrumando confusão em festas. Nunca fui de andar em bando. Gosto de andar sozinho. Em bando, todo mundo é valente e já botei muito bando para correr.

Naquela época, um outro amigo, Eduílton "Bocão", já havia me apresentado a Soul Music americana e o pop dançante da banda Jackson Five. Foi como uma droga altamente viciante. Tentávamos pentear os cabelos no estilo "Black Power" e imitávamos os passos do Rei James Brown e dos irmãos Jackson, cuja estrela maior era o pequeno Michael com sua voz poderosa.

E, naquela festa, as tais figuras que andavam em bando não gostaram do baixinho meio patolinha que dançava no salão como um negão americano. As figuras vieram até mim e tentaram me atiçar a ponto de brigar com o baixinho dançante. É claro que dei risada. Disse a eles que se não haviam gostado do sujeito, que fossem lá e quebrassem a cara dele. Eu não tinha nada a ver com aquilo.

Aí prestei atenção no jeito que o baixinho dançava e mudei de ideia. Disse para as figuras que se encostassem a mão no cara eu encostaria a minha mão neles. Sem entender nada, as figuras me perguntaram por que. Respondi que havia gostado dos passos de dança do baixinho e fui lá dizer isso a ele e pedir que me ensinasse.

Como vocês já devem ter notado, não fui muito popular na minha adolescência. Mas, tinha a meu favor o fato de ser um lutador de Karatê. O que me ajudou bastante, devo confessar.

Mas, desde então Wagner e eu somos amigos. Montamos uma equipe de competição para correr de Kart. Minha carreira de piloto terminou um ano depois num acidente espetacular, que envolveu um piloto bêbado e o Roberto Pupo Moreno. Depois ajudei o Wagner a conseguir patrocínio para correr de Fórmula Ford. Fizemos uma série de viagens hilárias. Aliás, as nossas viagens sempre foram hilárias.

Ele continuou e fez carreira no mundo automobilístico de competição. Eu virei jornalista e me apaixonei pela política. Ele casou com a Junia. Eu me casei quatro vezes. Eles não quiseram ter filhos. Eu tive três e ajudei a criar outros sete. Eles foram morar nos Estados Unidos. Eu morei em Natal e Boa Vista, mas acabei voltando para Brasília. Hoje, eles moram uma parte do ano em Maceió e a outra em Miami.

E nossa amizade só se fortaleceu em todos esses anos. Mesmo quando deixamos de nos falar. Brigamos porque ele terminou com a Junia, quando ainda namoravam, e eu lhe disse que estava perdendo a mulher da sua vida. Uns dois anos depois, voltamos a nos falar quando ele e ela me procuraram para entregar o convite de casamento.

Mas, eu estava falando de saudade. Há alguns anos, recebi a notícia de que o Wagner estava indo às pressas para São Paulo para se submeter a uma cirurgia de ponte de safena. O quadro dele foi considerado gravíssimo por ninguém menos do que o Dr. Adib Jatene. Liguei imediatamente, apesar de ter sido advertido que ele não poderia atender telefonemas para não se emocionar.

Junia atendeu e me disse exatamente isso, que as condições dele eram péssimas, que ele não poderia falar e que estavam fechando as malas e correndo para o aeroporto.Wagner perguntou quem era e quando soube que era eu atendeu o telefone. Fui a única pessoa com quem ele falou por telefone naquele dia. Choramos por 20 minutos antes que pudéssemos dizer qualquer coisa.

Agora mesmo, lembrando aquele momento terrível, volto a sentir o mesmo medo, a mesma falta de chão e a chorar copiosamente. Quando consegui falar novamente, disse que ele estava proibido de morrer porque tenho poucos amigos de verdade. Conto nos dedos de uma mão. Ele não poderia me sacanear daquela maneira. Iria embora para um lugar melhor e me deixaria aqui ralando. Assim não dá.

Felizmente, deu tudo certo e ele ficou novo em folha. Fui com outro amigo nosso, o Sérgio Ilha "Botinha", visitar o Wagner no hospital em São Paulo. Passamos o dia lá e voltamos à noite. Foi mais uma porrada emocional. Um ano mais tarde, encontrei o Dr. Adib Jatene nos corredores do Senado. Agradeci a ele por ter salvo a vida do meu amigo. Ele já havia parado de operar, mas abriu uma exceção devido à gravidade do caso.

Depois de todas essa recordacões, saio do trabalho na sexta-feira, chego em casa, abro meu e-mail e lá está uma mensagem do meu amigo Wagner. Não nos falávamos a mais de um ano. Nessas horas é que podemos ver como tudo está conectado, como os laços emocionais se mantêm e fazem contato quando sentimos saudades. Que força poderosa é essa.

E a saudade é um negócio estranho, porque quando sentimos ela se espalha. Bastou sentir saudade do meu amigo e comecei a sentir saudade de outras pessoas e coisas, do passado, do presente e do futuro. Senti saudades dos meus filhos ainda pequenos. Eram crianças lindas e hoje são homens lindos. Mosfí Indo!

Senti saudades dos bons momentos e até dos nem tão bons assim. Afinal, todos eles me trouxeram até aqui, até esse texto que escrevo com enorme prazer. Senti saudades das festas, das meninas sempre cheirosas, das roupas coloridas, da inocência, das loucuras, das tolices, das brigas, das viagens de mochila nas costas, da velocidade, das aventuras, das descobertas, da vida simples, descomplicada ...

Senti saudade da minha infância, das fazendas, de galopar montado em pelo nos cavalos feito um índio apache, das corridas de autorama, de encarnar o Tarzan nas mangueiras, de pescar bagres para o almoço e nadar nas cachoeiras geladas. Senti saudade da minha avó Arcângela. Senti saudade do seu filho, meu pai Manduquinha.

Senti saudade das motocicletas, do vento, do sol, da lua, das nuvens, das estrelas, dos veleiros, do alto mar. Lá fora, tudo é tão diferente, imenso. Senti saudade da areia nas solas dos pés e do silêncio no fundo do mar. Senti falta das gargalhadas, das palhaçadas e do descompromisso. Senti saudade da Lolita e do Black.

Senti saudade de pessoas que conheço e que ainda vou conhecer. Senti falta da liberdade que enche os pulmões e nos dá a certeza que vale a pena viver intensamente, corajosamente, sem medo do amanhã, sem medo de nada. Tenho visto tanta gente acovardada, deprimida, desanimada, acomodada, achando que não há saída.

Acho que preciso de férias. Tirar a poeira da minha mochila e cair na estrada. O Wagner está me enviando um mapa rodoviário dos Estados Unidos. Quem sabe? Antes, preciso dar uma passada em Campinas ...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dulce de Leche Coffee


Ricardo Icassatti Hermano

Em novembro do ano passado, postei aqui uma receita de Bolo de Café, retirada de um blog sensacional: The Pioneer Woman. Este blog é mantido por uma dona-de-casa chamada Ree Drummond, que reside junto com a família (maridão e quatro filhos) numa fazenda no interior dos EUA. A história dela é do tipo garota da cidade que se apaixona por um cowboy do interior e larga tudo para viver no rancho.

A pioneira e seus quatro filhotes

Mas, ela levou as habilidades adquiridas na cidade. Por isso, além de boa cozinheira, ela toca um blog bem feito, cheio de informações, e é uma excelente fotógrafa. Vale a pena dar uma passeada por lá, porque a mulher simplesmente ama a vida que tem e tudo o que faz. A cozinheira perfeccionista faz questão de fotografar cada passo das suas receitas. É cada passo mesmo!

Ree Drummond e seu cowboy vivem um Brokeback Mountain hetero

Na época em que vi a receita do Bolo de Café, ela estava às voltas com seu primeiro livro de receitas. Fazia tempo que eu não visitava o blog e fiquei feliz em saber que o livro ficou pronto e Ree Drummond se prepara para uma turnê de lançamento. Vamos torcer para que alguma editora se interesse em traduzir e publicar a obra por aqui. Caso contrário, vou ter que comprar a versão em inglês mesmo.

Esse livro é o máximo! Cozinhe como os pioneiros!

Nessa visita, acabei me deparando com mais uma receita saborosa que leva o café como um dos seus ingredientes. Trata-se de uma bebida para os dias frios que estão chegando. Vai bem com qualquer um dos bolos já postados por aqui. Vamos a ela então.

Dulce de Leche Coffee

Ingredientes

- 4 xícaras de café bem forte
- 170g de doce de leite (em barra ou creme)
- 6 colheres de sopa de licor de café
- 1 xícara de creme de leite fresco
- 2 colheres de sopa de açúcar
- 6 colheres de sopa de chocolate meio amargo ralado


Preparo

Faça o café bem forte e, ainda quente, adicione o doce de leite (se for em barra, corte em pedaços pequenos) aos poucos e misture bem até dissolver completamente. Mantenha o café quente retornando ao fogo sempre que for preciso.

Junte o creme de leite e o açúcar. Bata até obter o creme chantily.

Em cada caneca que for servir a bebida, coloque uma colher de sopa de licor de café. Se preferir, adicione 1 1/2 colher ou use outra bebida, como whiskey, bourbon e brandy.

Em seguida, coloque a mistura de café e doce de leite nas canecas. Coloque uma colher de sopa de creme chantily e polvilhe chocolate ralado por cima.

Agora só faltam a fogueira, o céu estrelado, os cavalos, as vacas ...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pelas ruas de Recife - Café & Conversa


Romoaldo de Souza

Ufa! Quanta ladeira. Quantas ruas. Quantos buracos. A caneca do Café & Conversa ainda arrumava as malas para uma nova aventura, enquanto se preparava para seu último dia nessa turnê pela capital de Pernambuco.

O sol tinha dado uma abrandada geral. Manhã! Café com tapioca, pamonha e bolo-de-rolo. Que aliás não é a mesma coisa que rocambole. Você pode até não saber a diferença entre o coreano e o japonês, mas não cometa a besteira de chamar bolo-de-rolo como se fosse um rocambole.

Isso é um café-da-manhã arretado

Perceba, que ao contrário do rocambole, o bolo-de-rolo é bem mais fininho... Pronto! Não erre mais. Quer deixar um pernambucano arretado? Chame bolo-de-rolo de rocambole... Chame que você vai ver só "o que é bom pra tosse..."

"Simbora", pensou a caneca. "Simbora" que o dia é curto, e pela roupa que a moça colocou, não vai dar praia, nem em Boa Viagem.

Primeira parada, Recife Antigo. De repente, me encontro diante da estátua do poeta Ascenso Ferreira.

Catimbó - Cana Caiana - Xenhennhém

"Hora de comer - comer! Hora de dormir - dormir! Hora de vadiar - vadiar! Hora de trabalhar? - Pernas pro ar que ninguém é de ferro"! Ao fundo, a Ponte Maurício de Nassau que liga Recife Antigo ao bairro de Santo Antonio.


Abre a rodinha, meu amor/ Abre a rodinha

De repente, a surpresa. Estava diante da polêmica escultura fálica do escultor Francisco Brennand que se encaixou perfeitamente bem, na asa da caneca (ou "aseia", como dizem os pernambucanos)

Torre de Cristal, fica no parque de esculturas junto com 90 peças do artista. ela é uma homenagem a Burle Marx.

No fim do arco-íris tem um pote de ... café!

Ciganos da Romênia, como Alexandre Mariano, contavam histórias segundo as quais, no fim de um arco-íris tem um pote cheio de ouro. Casou perfeitamente a lenda com o real. Cheia de café, essa caneca vale ouro

Santa e pecadora, a caneca do Café & Conversa deu
uma passadinha na Igreja da Madre de Deus


Dizem os historiadores que foi a partir desse ponto que a cidade do Recife começou a se expandir. Atualmente, o Marco Zero ponto de shows e onde acontece a apoteose do carnaval noturno da cidade.


Na dúvida, para garantir a ecumenismo, passamos na primeira
sinagoga das américas, construída na rua Bom Jesus. Esses judeus...


Pois não é que essa "renca" de meninos fez questão de
compor o cenário para a caneca se exibir?


Outro grande poeta, Manuel Bandeira

Grande, Manuel Bandeira. Só mesmo quem tomou um café consistente para ter tamanha inspiração "Vou-me embora pra Pasárgada. Lá, sou amigo do rei. Lá, tenho a mulher que eu quero. Na cama que escolherei".

Bom, é hora de ir. Grato a Ana Paula Figueirêdo que me ciceroneou pelas ruas e avenidas de Recife. A gente se encontra. E Assim como o Café & Conversa prestou essa homenagem ao Recife, o pernambucano Lenine também canta a cidade.



quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Música do Dia - Bibi Ferreira - Canta Piaf


Romoaldo de Souza

A trajetória da caneca personalizada do Café & Conversa sobe hoje, o Morro da Conceição. Mas antes de seguir a peregrinação que fazem os fiéis devotos da Virgem, muito querida na cidade, queria lembrar que ontem nossa caneca andou pelo Derby, no centro da cidade de Recife, foi à faculdade Maurício de Nassau, onde acabou sendo paparicada pelas amigas Natasha e Simone.

Hoje, a caneca acordou cedo, serviu de recipiente para um bom café da manhã, deixou o bairro de Espinheiro e seguiu viagem. O Morro da Conceição e as histórias dos devotos estão servindo de base para um trabalho de conclusão de curso de Jornalismo, da nossa repórter, correspondente, espiã e nas horas vagas, guia de turismo, Ana Paula.

Lá vamos nós!

- A bênção, mainha! - disse Ana Paula.

- Deus te abençoe! - respondeu quase no automático a dona Zélia, zelosa mãe da futura jornalista.

Na subida do Morro da Conceição, a vista do Recife é explêndida. A cidade se curva nos braços dos rios Capibaribe e Beberibe.

E lá vai a caneca. Passa por um banca, encontra uma amiga e chega ao topo. No oitão da igreja. Pede uma graça.


Aos pés da Virgem, muita gente treme. Pede uma graça.
A minha parte eu quero em café...

Nem a pau Ana Paula disse o que pediu à Virgem, mas nossa devota romeira nos conta que "a Festa do Morro acontece todos os anos, entre 29 de novembro e 8 de dezembro, quando se comemora a festa de Nossa Senhora da Conceição. Milhares de devotos sobem o morro. São pagadores de promessa, pessoas que querem curtir os bares, tirar uma grana no comércio e há aqueles que vão para as duas coisas".

Fitinhas no braço para fazer um pedido. O que será que ela pediu?


Alô mainha. Tô indo. Antes, vou passar no Teatro, visse?

E assim, depois de pagar uma promessa, a caneca despenca do Morro da Conceição, rumo ao Teatro Santa Isabel, lugar de memoráveis espetáculos.


Teatro Santa Isabel , como o que vi, recentemente, com Bibi Ferreira


Daqui, fomos até o Palácio Campo das Princesas. Aqui, é a sede do governo estadual.




E antes, de voltar para casa, demos uma parada na ponte Duarte Coelho. Observando o por do sol enquanto uma brisa suave trazia energias para a caminhada de amanhã.


A ponte Duarte Coelho, as luzes como se iluminassem
a necessidade de limpeza do rio Capibaribe

Para fechar este post, Bibi Ferreira canta um Poup Pourri de musicas de Édit Piaf.