Ricardo Icassatti Hermano
Após 25 dias sem internet em casa, finalmente retorno aos trabalhos de abastecimento do blog Café & Conversa. Aproveitei para fazer nesse período uma espécie de desintoxicação de internet, mas não resisti muito tempo. Apelei para o meu iPhone e para o computador da "firma". Como nossa amiga Amy Winehouse canta: They tried to make me go to rehab / But I said 'no, no, no'.
A internet virou artigo da cesta básica, produto indispensável como arroz, feijão, sabonete e pasta de dente. Todo mundo está pendurado nela e a nossa memória também. Antes dela, eu sabia de cor os telefones de todos os amigos e parentes. Hoje, essa memória foi transferida para as agendas eletrônicas. Assim como uma enorme parte do meu trabalho. Está tudo lá nessa nuvem de elétrons.
Mas, comemorando o retorno ao que se assemelha a um vício, o Café & Conversa vai recomendar o filme Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans), que entrou em cartaz na última sexta-feira em poucos cinemas de Brasília. A obra tem direção de ninguém menos que o alemão Werner Herzog (Invencível, Fitzcarraldo).
Cartaz do filme
Estrelado por Nicolas Cage e pela beleza latina do momento, Eva Mendes, o filme conta a história do detetive Terence McDonagh, da Divisão de Homicídios da Polícia de New Orleans e a sua filosofia um tanto confusa de vida. Prestem atenção na cena em que o detetive prende um traficante dentro de casa e escondido no armário. Os dois têm uma conversa em que o detetive explica essa filosofia de vida.
E tem gente que me pergunta porque gosto tanto de cinema ...
O pano de fundo é a investigação de um massacre feito por traficantes e a relação pouco republicana do detetive Terence McDonagh com a prostituta de luxo Frankie Donnenfeld (Eva Mendes). Isso tudo turbinado por um consumo cavalar de drogas que vão de analgésicos que exigem prescrição médica até heroína pura. Nada de café.
Quanto Buscopan é preciso para invadir um asilo e ameaçar velhinhas com um Magnum 44?
A crítica derramou elogios à atuação de Cage neste filme. Ele estava devendo mesmo. Notório fã do gênero Ficção Científica, o ator andou produzindo um seriado para TV chamado Eureka, que foi um fiasco e não passou da primeira temporada. Deve ter perdido uma boa grana e, nos últimos anos, optou por ganhar dinheiro atuando num monte de filmes trash com produção cara e excelentes bilheterias.
Com os bolsos novamente cheios, Cage pôde se dedicar a um bom roteiro nas mãos de um excelente diretor e se redimiu com o papel de detetive alucinado. Pela primeira vez vi no cinema uma atuação convincente dos efeitos de uma tragada num cachimbo de crack. A transformação facial, corporal, os olhos, Está tudo lá. É aterrorizante. É diversão garantida. Pelo menos para a plateia que ria a cada assassinato na tela. Povo estranho ...
E a trilha sonora? A história se passa em New Orleans, lembra? Blues de primeira linha. Já coloquei o CD da trilha sonora desse filme na minha lista de auto-agrados em 2010. A lista completa das músicas está logo abaixo, nos comentários.
Veja o trailer do filme:






