quarta-feira, 21 de outubro de 2009

No Cafezinho da Câmara


O blend Antonello Monardo, servido a R$ 2,00 a xícara no “Cafezinho” da Câmara dos Deputados, continua sem personalidade, apesar do esforço da barista. O curto é inconsistente, ácidoNegrito e com sabor de torra velha.

A jornalista Jamila Gontijo achou que o café, “tem certa acidez, mas só a partir do segundo gole”. Isso porque ela entulhou a xícara com um envelope de açúcar, apesar de estar tomando um curto.

A barista se desculpou dizendo que "acidez não é sinal de café ruim". Ela lembrou que o "novo" blend tem grãos da região da Mata de Minas, como se essa informação fosse suficiente para definir o padrão de um café.

A Música do Dia - Sin Condiciones - San Telmo Lounge


A música para esta quarta-feira, é Sin Condiciones, com o grupo argentino San Telmo Lounge.

Quando se apresentou em Brasília, 9 e 10 de outubro, o líder do San Telmo Lounge, Martín Delgado, foi tomar café espresso, no Eldorado Café, acompanhado da reportagem do Café & Conversa.



Veja o clipe:


Romoaldo de Souza

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Genesis, by R. Crumb


Todo gênio tem um tanto de loucura embutida. Faz parte do pacote. Somente essa loucura é capaz de fornecer o grau de obssessão, perfeccionismo e foco que um gênio precisa para levar adiante e terminar uma obra.

Este é o caso de um dos ícones da contra cultura dos anos 1970, o desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos Robert Crumb. Acabo de receber o seu mais recente trabalho, O Livro do Genesis. É aquele primeiro livro da Bíblia mesmo, com todos os 50 capítulos!

Auto retrato

Crumb havia pensado em fazer algo apenas com a história de Adão e Eva, mas ficou fascinado com a linguagem da Bíblia: "a text so great and so strange that it lends itself readly to graphic depictions". Assim, decidiu ilustrar todo o Livro do Genesis, mantendo o texto original.

Capa do livro

Quem conhece o trabalho de R. Crumb, dono de um traço único, sabe que não foi uma tarefa qualquer. O quadrinista dedicou cinco anos a esse livro e nos presenteou com uma obra de arte. Ainda não consegui fechar a boca e tirar meu queixo do chão. Seguem algumas das ilustrações.


Em seu site (http://www.crumbproducts.com/) Crumb avisa que a obra está sendo traduzida para várias línguas, inclusive o português, e deve ser editada em breve no Brasil.

Quem, como eu, não conseguir esperar até lá, pode comprar na Amazon:

Custa apenas US$ 13.72. Caro é o frete. Imagine o preço aqui no Brasil ...

Ricardo Icassatti Hermano

A Música do Dia - All in One - Bebel Gilberto



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tempo fechado



Essa bela imagem captada pela fotógrafa Márcia Foletto, de O Globo, retrata bem o atual momento vivido pelo Rio de Janeiro. Clique na foto para vê-la em tamanho maior.

Mousse de Cappuccino


Confesso que não provei dessa mousse que o pessoal do R7 está recomendando, mas é sempre bom provar uma Mousse de Cappuccino. Quem provar primeiro, mande considerações e uma fatia aqui para a redação do blog.

Ingredientes

- 2 envelopes de gelatina em pó incolor;
- 4 xícaras (chá) de café bem forte;
- 1 ½ xícara (chá) de leite condensado;
- 3 colheres (sopa) de leite em pó;
- 3 claras em neve

Para a calda

- 1 xícara (chá) de creme de leite fresco;
- 2 xícaras (chá) de chocolate meio amargo picado

Modo de Preparo

Mousse - Prepare 4 xícaras (chá) de café bem forte. Separe 1 xícara (chá) de café e hidrate a gelatina. Misture ao restante do café. Misture bem a gelatina com o café. Em uma tigela, misture o leite em pó com o leite condensado. Junte a mistura de café e gelatina. Incorpore, por último, as claras em neve. Unte uma fôrma de pudim, com furo no meio, com óleo. Despeje a mistura na forma, cubra com filme plástico e leve ao freezer por aproximadamente 40 minutos para firmar. Retire do freezer e leve à geladeira por mais uma hora antes de servir. Desenforme em um prato e cubrar com a calda de chocolate.

Calda - Aqueça o creme de leite até começar a levantar fervura. Desligue o fogo, junte o chocolate picado e mexa bem até obter um creme liso e brilhante.

Fran's Café

Estive ontem (domingo, 18) no Fran’s Café, localizado no Deck Brasil, à QI 11 do Lago Sul. Fui tomar meu café da manhã e avaliar o local para os leitores do Blog Café & Conversa. Um dos motivos da escolha foi que o Fran’s tem um cardápio específico para café da manhã.

A palavra “café” incorporada ao nome dos estabelecimentos comerciais foi perdendo a sua conotação original e hoje significa algo entre um bistrô e uma lanchonete, pois o foco principal não é mais a bebida café e sim a comida servida. O café passou a ser um mero coadjuvante.

Embora sirva um blend de marca própria, o Fran’s não é diferente e oferece uma grande e saborosa variedade de comidas, que vai do onipresente pão de queijo, passa pelos sanduíches quentes e frios e chega a refeições completas como saladas, caldos, cremes e massas.

Os doces também chamam a atenção pela beleza, gostosura e quantidade de opções. São tortas e mais tortas, sorvetes, mousses, creamcheeses e pudins. As mulheres e as crianças adoram.

Mas, apesar da ênfase na comida, o Fran’s não tem cozinha. Todos os produtos são semi-prontos refrigerados e/ou congelados.

As bebidas são igualmente abundantes, com sucos, sodas, refrigerantes, cervejas, vinhos e destilados. O café é apresentado de diversas formas, desde o espresso – que o Fran’s chama de “expresso” – e o cappuccino até outras misturas mais exóticas.

O estabelecimento tem Wi-Fi, mas segundo uma das atendentes, é para uso exclusivo dos proprietários. As moças também não sabiam explicar como se faz a conexão com um certo provedor “Vex”, que me parece ser o Wi-Fi do Deck Brasil, se entendi direito. Mas, na terceira tentativa, consegui descobrir a senha para o roteador "exclusivo".

O atendimento é simpático, feito apenas por moças. Mas, o conhecimento sobre café não é lá essa Brastemp. Após uma breve entrevista, fiquei sabendo que as funcionárias passaram por um “curso” com uma barista de São Paulo chamada Estela. As moças me disseram que o tal “curso” as fez baristas, mas não receberam qualquer certificado. Hummm... Eu classificaria esse “curso” algo como um treinamento.

Seguindo o questionamento, descobri que duas das moças não fizeram o treinamento e uma delas é que fez os meus cappuccino, espresso e espresso curto, sobre os quais tratarei mais adiante.

O Fran’s tem como slogan: “Estilo e arte de servir café”, e garantem servir café gourmet. Infelizmente não foi o que experimentei.

O café propriamente dito também é vendido em grão e moído. Segundo informação contida na embalagem, é distribuído por Andorinha Comércio Importação e Exportação Ltda., de São Paulo, e industrializado por Irmãos K Ltda.

Tomei o café em três versões: cappuccino, espresso e espresso curto. Nenhum dos três me agradou, mas devo destacar que a temperatura estava correta. Todos tinham sabor extremamente ácido, pouquíssimo aroma e apenas no curto, crema inconsistente que não durou 30 segundos e, duas horas depois, gosto de carvão.

O espresso curto ocupava mais da metade da xícara, o que descaracteriza completamente o “curto”, que deve ter 30ml. Certamente o café não é gourmet.

Acredito que parte do problema está no fato da moça que os preparou não ter feito nem o tal treinamento e a desculpa que outra atendente me deu foi que “a máquina está desregulada”. Também me pareceu que os grãos tenham sido torrados além da conta e que o tempo na máquina não foi observado.

Além disso, vi que o recipiente do moedor estava um tanto embaçado. Sinal de que não havia sido devidamente limpo recentemente.

O Fran’s Café aceita todos os cartões de crédito e fica aberto 24h todos os dias.

Ricardo Icassatti Hermano

domingo, 18 de outubro de 2009

Batman



Foto magnífica do final de semana, tirada pelo fotógrafo Ricardo Moraes, da Reuters, na favela do Jacarezinho após a batalha entre polícia do Rio de Janeiro e traficantes, que deixou mais de 14 mortos e um helicóptero destruído. Realmente, a foto é o olho do fotógrafo. Foi publicada na Folha On Line. Parabéns!

Dica da Roseann


Dica bacana da jornalista Roseann Kennedy no domingão. Excelente matéria na revista Época desta semana sobre o "Barismo Doméstico" :



sábado, 17 de outubro de 2009

Cafeína, ou porque as conversas são mais interessantes com café

Ricardo Icassatti Hermano

Compare uma conversa regada a bebida alcoólica e outra conversa acompanhada de café. Qual é a mais interessante e duradoura? Claro que é a conversa com café. A responsável por isso é uma substância chamada cafeína, uma droga poderosa, mas inofensiva e muito saborosa.

Ao contrário do que o próprio nome sugere, a cafeína não está presente apenas no café. Ela faz parte dos chás e do chocolate, é adicionada a refrigerantes e, mais recentemente, às chamadas “bebidas energéticas”, que exageram na dosagem.

A cafeína é um composto químico bastante estudado pela ciência: a trimetilxantina ou C8H10N4O2, que atua diretamente no sistema nervoso central dos humanos, estimulando o sistema normal de vigília, aumentando a atenção, a concentração e a memória.

Fórmula da cafeína

Uma xícara média de café coado ou uma xícara de espresso pode deixar uma pessoa desperta e produtiva por um período que varia de três a seis horas, sem grandes riscos e com efeitos colaterais leves. Levando-se em conta também a idade, o peso e a capacidade do fígado da pessoa de processar a substância.

Como qualquer estimulante, não se pode exagerar no consumo. O limite de ingestão é 150mg por quilo de uma pessoa. Ou seja: uma pessoa de 50 quilos pode morrer ao ingerir em um dia 7,5 gramas de cafeína, algo próximo a 100 latinhas de energético. Mais de 500mg de cafeína – ou três xícaras de café expresso forte – podem levar a um processo de intoxicação.

Assim, é melhor consumir várias doses pequenas em intervalos de duas horas, pois a cafeína age rápido, mas, em três horas, sua presença no organismo cai pela metade. Se você repor a cafeína antes disso, consegue manter a adenosina longe dos receptores cerebrais e se mantém alerta.

A adenosina é a grande responsável pela sensação de sono. Esse neurotransmissor, que se acumula no cérebro ao longo do dia, diminui a atividade dos neurônios e dilata os vasos sanguíneos. O que a cafeína faz é impedir a ação da adenosina, dando uma turbinada na atividade neural e voltando a contrair os vasos sanguíneos. É por isso que muitos remédios para dor de cabeça trazem cafeína na sua formulação.

Não é por acaso que qualquer conversa fica animada. O que levou o café a ser utilizado como aditivo para rituais religiosos ou para estudar e trabalhar noite adentro. Na Inglaterra, os homens trocavam a bebedeira nos pubs por empolgadas reuniões em cafeterias, a ponto de, no século 19, o rei proibir o consumo de café por medo de conspirações.

Como se vê, não é de hoje que o "rei" da hora tenta impedir a liberdade de expressão, a reunião de pessoas inteligentes, a livre troca de conhecimento e o direito de informar e ser informado ...

Desde então as cafeterias ficaram menos perigosas - para os governantes -, mas não menos animadas. Durante boa parte dos séculos XIX e XX, as cafeterias eram o ponto de encontro obrigatório de intelectuais, filósofos, artistas, escritores, pensadores, e serviram de cenário para obras de arte e momentos que entraram para a história.

Hoje em dia, as cafeterias são mais democráticas, mais populares. Ainda bem, porque mais gente tem acesso a essa delícia. Mas, as cafeterias ainda reúnem cabeças pensantes em torno de incontáveis xícaras de café e sua substância mágica, aguçante das mentes e dos corações.

E, francamente, quem aguenta conversa de bêbado?