domingo, 8 de novembro de 2009

Armazém do Café, como será o espresso?


Comprei a Veja Rio na minha rápida passagem pela cidade, na semana passada, e decidi conferir, por recomendação do Café & Conversa, o vitorioso na categoria café espresso.

Abri a revista e fui direto saber qual seria meu destino: Armazém do Café. Foi a segunda vez que a casa, aberta em 1997, foi premiada. A loja oferece oito tipos de café, cultivados em São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Entre eles está o blend exclusivo da casa, que serve de matéria prima para os demais.

Fui à loja de Ipanema no meio da tarde. Pedi, naturalmente, o tal blend exclusivo. Percebi, ao servirem um cliente que estava ao meu lado, que não traziam água com gás. Por isso, vi-me obrigado a pedir uma garrafa. Veio o café, estava bem tirado, cremoso. Mas o aroma já denunciava que o café não seria uma maravilha.

O espresso parecia ter algumas lacunas, alguns vazios de sabor. Era como se houvesse um grão verde no meio dos torrados. Enfim, não gostei.

Pensei até em provar outro café, mas não estava muito interessado em ouvir as histórias das funcionárias do Armazém, que discutiam as tatuagens que uma havia feito dias antes. Também não achei agradável ver que faziam piadas com as clientes assíduas:

- Lá vem ela -, dizia uma em tom de ironia à outra.

Voltei à Veja para saber afinal como o melhor café do Rio de Janeiro poderia ser aquele. Daí veio minha surpresa. Os dez convidados pela revista votaram em sete estabelecimentos distintos.

O Armazém do Café foi eleito com três votos. Houve quem votasse no Starbucks, algo impensado para mim. Fui ver ainda quem eram os jurados e me surpreendi ao ver que Ana Maria Braga estava no rol das eminências que indicariam os melhores estabelecimentos do Rio. Aí entendi tudo.

Felipe Recondo

A Música do Dia - Geni e o Zepelim - Chico Buarque


No final dos anos 70, Chico Buarque de Hollanda escreveu "A Ópera do Malandro" que tinha como uma das personagens, a prostituta Geni e refrões que vão mudando no decorrer da história.

Quando a moral dos cidadãos exige, de acordo com a necessidade do bispo e do banqueiro, todo mundo canta Vai com ele, vai Geni/ Vai com ele, vai Geni/ Você pode nos salvar/ Você vai nos redimir/ Você dá pra qualquer um/ Bendita Geni.

No dia seguinte, a descartável prostituta já não interessa mais ao projeto da Igreja nem da instituição financeira, e o refrão passa a ser outro: Joga pedra na Geni/ Joga pedra na Geni/ Ela é feita pra apanhar/ Ela é boa de cuspir/ Ela dá pra qualquer um/ Maldita Geni.

Qualquer semelhança não é mera coincidência com o que aconteceu na Uniban.

Romoaldo de Souza

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni



Código de Conduta


Ontem, Xanxão (meu filho) e eu fomos assistir "Código de Conduta", estrelando dois pesos pesados de Hollywood, o escocês Gerard Butler e o ganhador do Oscar pela brilhante interpretação no filme Ray, Jamie Foxx.

Cartaz do filme

É um filme de ação com o pano de fundo da vingança, que tenta questionar o sistema da Justiça americana. Um pai de família (Butler) assiste sua mulher e filha serem assassinadas. Em seguida vê o assassino sair livre devido a um acordo com a Promotoria (Foxx). Ele resolve partir para a vingança desmascarando o "sistema".

Mulheres também gostam de filmes de ação

Até quase o final, pensamos que atingiria o objetivo. Infelizmente, não conseguiu porque prevalece - sempre - o final feliz hollywoodiano e a certeza reconfortante - para os americanos - de que tudo continuará exatamente do jeito que é. Ficou devendo.

Mas, para quem gosta de ação é um bom filme. Tem ritmo e a dose certa de suspense, explosões, tiros, mortes violentas e sangue, tanto dos bandidos quanto dos mocinhos(as). Jamie Foxx está mais canastrão do que nunca.

Parece galã de novela mexicana

Somos levados a torcer pelo good guy que se transforma em bad guy quando põe em marcha seu plano de vingança. Mas, continua simpático devido à luta por uma boa causa. Um anti-herói.

O cinema caiu na gargalhada quando o chefe da Promotoria é assassinado de maneira muito semelhante ao que estamos acostumados a ver no Rio de Janeiro. E essa é apenas uma das muitas mortes de autoridades.

Por um breve momento de devaneio, minha cabeça imaginou algo semelhante acontecendo aqui no Brasil. Um anti-herói como aquele, revoltado com mensaleiros e aloprados ...

Deixa pra lá. Os brasileiros são uma gente pacata, ordeira e obediente.

Ricardo Icassatti Hermano

O filme é puro entretenimento. Vejam o trailer:


Cai o pano


Com a expulsão da aluna Geisy Vila Nova Arruda, começa a se revelar o que há por trás daquele absurdo e vergonhoso quase linchamento.

Já se sabia que o episódio foi insuflado por outras mulheres, o que não exime de reprovação o comportamento idiota dos homens. Será que aquelas alunas ouviram falar de um movimento chamado "feminismo"? Duvido. Até porque a revelação seguinte explica tudo.

Agora, descobrimos que a diretoria da Uniban, campus São Bernardo, é composta por fascistas. O cenário finalmente clareou. Estávamos curiosos sobre quem eram os responsáveis pela falta de educação daquelas moças e rapazes completamente apalermados. São fascistas criando novos fascistas.

Vamos aguardar e ver a reação das nossas "autoridades", lembrando que boa parte delas saiu daquela região ...

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. A fotógrafa Marlene Bergamo, da Folha Imagem, conseguiu falar mais que um milhão de palavras com essa foto simplesmente magnífica:


Olhos de Geisy

Café com iogurte


A inusitada combinação de café com chocolate crocante e iogurte me deixou com água na boca e sabor de quero mais.

A Yogen Früz, no Brasília Shopping, primeira loja da franquia a se estabelecer no Brasil, está desenvolvendo um sistema que as simpáticas empreendedoras Roberta Fernandes e Elina Magnan chamam de blend it, combinando o iogurte com um variado cardápio de frutas congeladas.

Mas o Café & Conversa além dessa deliciosa mistura de café com chocolate, ainda provou amora com iogurte e, banana com canela. Tirando a que tem o café, que para mim é hors concours, outro frozen maravilhoso é o de lichia, iogurte com chá verde. Inesquecível.

Com uma voz de cantora lírica, Elina Magnan adverte que Yogen Früz “parece sorvete, mas é iogurte”. Já Roberta Fernandes, que largou a engenharia para administrar a franquia, desfila simpatia enquanto comanda um time de atendentes de primeira. E olha que bom atendimento é coisa rara, em Brasília.

Romoaldo de Souza

sábado, 7 de novembro de 2009

O Pagador de Promessas - Anselmo Duarte


Nesta madrugada, morreu Alselmo Duarte, prestigiado ator e cineasta brasileiro, que em 1962 filmou e dirigiu O Pagador de Promessas, o único filme a ganhar a Palma de Ouro, no Festival de Cinema de Cannes, da França.

Romoaldo de Souza


Momento poético


Capivara nadando no espelho d'água do Senado ...

A foto é da Márcia Kalume.


Comercial de Shampoo que não fala em cabelo


O leitor e colaborador do Café & Conversa, Paulo de Tarso, mandou esse filme produzido na Tailândia. É a história de uma menina surda-muda que aprende a tocar violino contra todos os reveses, principalmente de uma colega pianista.

É um comercial de shampoo, da Pantene, com a temática "lição de vida", mostrando o que se pode fazer com o coração. Nenhuma referência é feita ao produto, até o fim do comercial: Você pode brilhar. A música tema é Canon in D, de Johann Pachelbel.

Romoaldo de Souza


Revertendo expectativas - Frost/Nixon


Filmes contam histórias, trechos de vidas. As histórias trazem personagens, seus dramas, escolhas, erros e acertos. Mas, toda história precisa ser baseada em algo além daquilo que vemos e ouvimos.

Ontem, assisti o filme Frost/Nixon na SKY, dirigido pelo competente Ron Howard. Trata-se da história de uma entrevista feita em 1977, que ficou famosa em todo o mundo. Nessa entrevista, feita em três dias, o ex-presidente norte-americano, Richard Nixon (interpretado por Frank Langella) finalmente admitiu o abuso de poder e o crime de obstrução no caso Watergate.

Cartaz do filme

O entrevistador não era um jornalista. Nem mesmo americano. Era o britânico apresentador de talk show David Frost (interpretado por Michael Sheen) Apesar disso, ele foi o único que conseguiu essa "confissão" de Nixon, que já havia renunciado e sido perdoado pelo seu vice, então presidente, Gerald Ford. Nunca foi a julgamento.

Mesmo assim, Nixon não se desculpou pelos crimes. Acreditava ter o direito de, como presidente, cometer ilegalidades se decidisse que o fazia pelo bem do país. Lembra alguns discursos recentes aqui no Brasil, em que o "patriotismo" foi lançado aos quatro ventos, e outros episódios que igualmente envolveram grampos, dossiês, mensalão e aloprados ...

David Frost e Nixon

O filme é muito bom e o episódio entrou para a história do jornalismo e da política. Mas a base, a essência de tudo é a reversão de expectativas. É onde o filme mostra a sua força e beleza narrativa.

Quando resolve tentar a entrevista, David Frost tem uma visão do resultado final e suas consequências. Dessa visão nasce a fé que sustentará todo o esforço que virá em seguida.

Cena do filme

Mas, seus colaboradores não compartilham essa fé, duvidam todo o tempo da capacidade de Frost. Até ele mesmo tem seu momento de "Pai, afasta de mim esse cálice". A fé prevalece. A dele e a de uma belíssima jovem que conhecera no avião a caminho do primeiro encontro com Nixon, na Califórnia.

O resto é história. O importante é a lição de como se reverte a expectativa negativa que as pessoas possam ter.

Toda carreira profissional tem seu ápice, seu momento máximo, que pode acontecer na juventude ou na maturidade. Não importa. Frost teve o seu ápice nessa entrevista.

A entrevista real

Jornalistas americanos de política que haviam ridicularizado a pretensão daquele apresentador com pinta de playboy, bateram palmas e pediram desculpas. Frost ficou famoso e milionário com o feito. Recebeu da Rainha Elizabeth o título de Sir e continua em atividade, aos 70 anos de idade.

Ricardo Icassatti Hermano

Aqui, o trailer do filme:


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Garotada de futuro


Tem uma garotada em Brasília que passa longe dos patetas de uma UNIBAN. Além de não compartilharem idéias e comportamentos preconceituosos e fascistas, a meninada difere dos patetas por esbanjar talento e criatividade. Vejam esse curtinha ("Picolé") feito por alunos de Publicidade do IESB para um trabalho escolar. Os nomes dos responsáveis pela obra fantástica aparecem nos créditos finais. Essa garotada tem um futuro brilhante.