sábado, 26 de dezembro de 2009

A Música do Dia - Miles Davis Quintet - 'Round Midnight


Luiz Orlando Carneiro, um dos jornalistas que mais entende de jazz, que me perdoe, já que o espírito do Natal ainda está pairando no ar, por esses dias, mas essa versão do quinteto de Miles Davis, para ‘Round Midnight, está memorável. Eu diria, "Luiz Ó", insuperável. Talvez tenha sido a vodka "Absolut-Negra", assim na fonte, não perde nem para a "Stolichnaya".

O grupo reúne Davis, no trompete; Way ne Shoter, no sax tenor; Ron Carter, no baixo; Herbie Hancock, ao piano; e, Tony Williams na bateria. Aqui ninguém canta. Mas abaixo eu deixo a letra interpretada por Ella Fitzgerald. Vai que você se anima de compõe o sexteto. Isso se não deu um tiro no ouvido depois do show de Roberto Carlos, ontem na TV, ao lado de asneiras como Aviões do Forró.

Voltando a ‘Round Midnight, a apresentação, segundo informa Ian Carr, um dos biógrafos de Miles Davis teria acontecido no Grand Hotel de Estocolmo, na Suécia, logo após as festividades natalinas de 1967.

‘Round Midnight

It begins to tell,
'round midnight, midnight.
I do pretty well, till after sundown,
Suppertime I'm feelin' sad;
But it really gets bad,
'round midnight.
Memories always start 'round midnight
Haven't got the heart to stand those memories,
When my heart is still with you,
And ol' midnight knows it, too.
When a quarrel we had needs mending,
Does it mean that our love is ending.
Darlin' I need you, lately I find
You're out of my heart,
And I'm out of my mind.
Let our hearts take wings'
'round midnight, midnight
Let the angels sing,
for your returning.
Till our love is safe and sound.
And old midnight comes around.
Feelin' sad,
really gets bad
Round.....Round.......Round....Mid.....night....

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A Música do Dia - Charlotte Gainsbourg - IRM


Quem deve chegar às principais casas de discos do mundo, e chega primeiro, aqui no Café & Conversa, é Charlotte Gainsbourg e seu mais visceral trabalho, IRM, pela Warner Internacional.

Para quem não está ligando o nome à criatura e o respectivo sobrenome, Charlotte é filha do cantor e poeta francês Serge Gainsbourg e da atriz Jane Birkin. Não? Ainda não? No finalzinho dos anos 60 e início dos 70, Jane Birkin foi ícone sexual quando protagonizou o primeiro nu frontal do cinema em Blow-Up. Ela, a mãe, é responsável pela versão mais sensual de Jet’Aime...Moi non plus. Fui longe... O pai foi um dos poetas vanguardistas mais incensados pelos franceses.

Bom, mas vamos voltar à filha, Charlotte Gainsbourg, que é de quem falávamos, nesse terceiro trabalho. O primeiro, foi um single, composto pelo pai, Lemon Incest (1985), quando Charlotte tinha ainda, 13 aninhos. O segundo, foi 5,55, gravado três anos atrás.


Antes, porém, de falar do novo disco da moça, é bom lembrar que Charlotte Gainsbourg ganhou, este ano, o prêmio de melhor atriz no festival da Cannes, em sua participação no filme O Anticristo de Richard Friedman.

IRM é a sigla de ressonância magnética em fracês, e que dá título a esse trabalho que a Warner acaba de lançar no mercado internacional, sem previsão de chegada ao Brasil.

Charlotte quis lembrar, em IRM, um acidente de lancha que sofreu, dois anos atrás quando foi hospitalizada com hemorragia cerebral, passando por “moderados distúrbios sensoriais”. conforme escreveu Luciano Buarque de Holanda no Valor Econômico.

Córtex, medula, raios-x. Guitarras e bateria. Fazem a junção perfeita nessa IRM. Bom dia! Confira, também Café & Conversa no twitter. www.twitter.com/CafeConversa

Romoaldo de Souza

IRM

Take a picture what’s inside

Ghost imaging my mind

Neural pattem like a spider

Capillary to the center

Hold still and press the button

Looking through the glass onion

Following the x-ray eyes

From the cortex to medulla

Analyze EKG

Can you see a memory?

Register all my fear

On a flowchart disappear

Leave my head demagnetized

Tell me where the trauma lies

In the scan a pathogen

Or the shadow of my sin.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A Música do Dia - Bunbury - Sacame de Aquí


Sacame de Aquí, a Música do Dia, nesta quinta-feira, de Natal, é dedicada a você que está curtindo uma praia, onde Aécio Neves gosta de ir. Aí, mesmo em Florianópolis.

A quem está em Pirenópolis, pagando refeição a preço de Paris, tomando café de terceira, tendo atendimento de quarta, e sendo obrigado a ouvir música sertaneja que sai desses carrões que circulam pelas ruas charmosas da cidade.

Sacame de Aquí, do espanhol (Enrique) Bunbury, também está dedicada a quem pode passar o Natal na neve da Suíça; nas ruas de Barcelona; num quarto em São Paulo; nas cachoeiras da Chapada Diamantina, agora, sim, tomando Piatã, o melhor café do Brasil; a para quem ficou em Brasília.

Ouvi Sacame de Aquí, pela primeira vez, numa daquelas coletâneas do Café del Mar, seguramente a de número 12. Antes, já acompanhava a carreira de Bunbury, um leitor assíduo de Oscar Wilde, ainda à época que ele integrava o grupo Héroes del Silencio.

Na nova fase, Bunbury está mais psicodélico, mais eletrônico, sem perder o estilo orquestra que sempre marcou suas canções. Nesta Sacame de Aquí, Bunbury agregou acordeón, guitarra, baixo, bateria, percussão, dois trombones, piano, violino além de sua voz flamenca e o chapéu preto que faz parte do cenário por onde passa. Tire me d'aqui.

Romoaldo de Souza

Sacame de Aquí
Bunbury 
sácame de aquí
no me dejes solo
o todo el mundo esta loco
o Dios es sordo
dicen que si continuas
algún un lugar llegarás
debe hacer falta
bastante caminar
no soy mala yerba
sólo yerba en mal lugar
cabeza de calabaza
el martes de carnaval
hubo un momento en que pudimos
decir que no, que lo sentimos
nos debimos confundir
escribiremos nuevas reglas
esta es la primera de ellas
está prohibido prohibir
sácame de aquí
no me dejes solo
o todo el mundo está loco
o Dios es sordo
sacamé de aquí
no me dejes solo
no entiendo que nos pasa a todos
hemos perdido la razón
nos hemos equivocado
teniendo toda la razón
aun podemos ser libres
dentro de una canción
hubo un momento en que pudimos
decir que no, que lo sentimos
nos debimos confundir
escribiremos nuevas reglas
esta es la primera de ellas
está prohibido prohibir
sácame de aquí
no me dejes solo
o todo el mundo esta loco
o Dios es sordo
sácame de aquí
no me dejes solo
no entiendo que nos pasa a todos
hemos perdido la razón
sácame, sácame...
sácame de aquí
no me dejes, no me dejes...
tan solo...
sácame de aquí


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Música do Dia - Tom Jobim - Anos Dourados


Anos Dourados em inglês, espanhol, castelhano ou até mesmo em português é uma bela poesia. Essa memorável apresentação de Tom Jobim, ao piano; algumas vezes arranhando o “espanglês”; com Danilo Caymmi, na flauta e Edu Lobo ao violão, me fez lembrar que que faz muito tempo, mas muito mesmo, que a Música Popular Brasileira está devendo uma bela melodia.


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Grenat está servindo o Café Piatã e Passo-a-Passo da Aeropress


Desde sábado, a Grenat Cafés Especiais (CLS 201 Bloco "A" Loja 5) está servindo e vendendo o Café Piatã, já analisado pelo Café & Conversa. Um café que não tem nada de "gourmet", uma denominação que oficialmente não existe e nada significa. É um café Especial com todas as honras que essa classificação máxima oferece.

Eu já me rendi. O Café Orfeu perdeu o lugar que tinha no meu coração, que agora pertence ao Café Piatã. Não sei se foi a barista, a máquina ou se a cada vez que tomo eu gosto mais. O negócio é que o Piatã é tão bom que chega a ser viciante. Até a falta de untuosidade já está passando despercebida. Vejam na foto abaixo a razão de tantos elogios.

Vejam as listras do tigre

Fomos até lá tomar um café da manhã e também aproveitamos para experimentar e registrar o desempenho da cafeteira Aeropress, que prometeu desbancar a lendária French Press (Prensa Francesa). Sei não. Vamos mostrar o passo-a-passo gentilmente demonstrado pela barista Luciana Sturba da cafeteria Grenat Cafés Especiais.

A cafeteira segue o princípio de uma seringa hipodérmica, com um cilindro ôco onde entra o êmbolo que, pressionado, força a saída do líquido pelo outro lado. Ela vem com duas colheres, uma de medida e outra para mexer a mistura de água e café. Além disso, o kit ainda traz um funil e filtros redondos de papel.

Aeropress completa


Coloque o filtro sobre essa pequena grade


Filtro de papel colocado


Encaixe a peça na base da Aeropress


Retire o êmbolo


Encaixe o funil no corpo da Aeropress


Coloque o pó de café, a gosto


Posicione o funil numa xícara grande ou caneca


Encaixe a base da Aeropress na boca do funil


Coloque água quente até o número indicado de xícaras


Misture


Introduza o êmbolo


Empurre para baixo o êmbolo, com pressão constante


Eis o resultado


Mas, cadê a crema prometida?

Pois é. A Aeropress prometia mais crema que a French Press. Mas, o que vimos foi um café coado sob pressão, que não é ruim. Não me entendam mal. Só acho que promessas devem ser cumpridas ou então não prometa. Aliás, para mim seria uma grande surpresa obter crema com um filtro de papel no meio do processo. Mas, quem gosta de café coado, não deixa de ser uma boa opção.

Ricardo Icassatti Hermano

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Avatar, uma experiência alucinante e alucinógena


Esqueça tudo o que você já viu sobre animação digital, efeitos especiais, realidade virtual, computação gráfica e realismo fantástico. Sem isso, você correrá sérios riscos ao assistir o novo filme Avatar, escrito, produzido e dirigido pelo espantoso James Cameron.

Lula é o cacete! James Cameron é que é o cara!

Sempre pensei que obras de arte fossem uma manifestação egoísta dos seus criadores, feitas unicamente para o seu próprio prazer. Com o tempo, passei a pensar que se tratava de um monte de obsessões e impulsos irrefreáveis de mentes criativas, que precisavam abrir espaço para uma enxurrada sem fim de imagens, sons, palavras, cores, formas, texturas, sabores e aromas.

Bem mais tarde, descubro que essas criações geniais, divisoras de águas, são na verdade um grande gesto de generosidade. E sou fã dos grandes gestos. A descoberta se deu ao assistir, junto com a filharada, o Avatar.

Avatar, você não pode perder essa experiência

O enredo não é original. Já vimos essa história em outros filmes, como "Um Homem Chamado Cavalo"; "Dança com Lobos"; "O Último Samurai"; e até mesmo o recente "Distrito 9". Um ocidental (geralmente branco) é levado a conviver com um povo cuja cultura é completamente diferente e estranha a sua própria.

Com o tempo, o ocidental começa a perceber o mal que o seu povo de origem está fazendo e passa a se interessar por alguns pontos do povo que o abrigou. Em seguida, passa a admirar o modo de vida daquele povo e a querer fazer parte dele. O passo seguinte é se apaixonar por uma nativa e assumir aquela cultura de uma vez.

O casal protagonista

O que difere Avatar de todos os outros é a tecnologia e a imaginação. O roteiro estava pronto, mas não podia ser produzido. Foi preciso esperar 20 anos para que houvesse a possibilidade de criar a tecnologia necessária para ser filmado. Somente para criar o planeta em computador, com sua geografia, flora e fauna, foram gastos quatro anos.

Cameron e a câmera 3D criada para rodar o filme

Para criar os Na'vi, que são os habitantes de pele azul do planeta Pandora, o diretor se juntou a técnicos e engenheiros para criar micro sensores que, colados aos corpos e faces dos atores e atrizes, reproduzissem com fidelidade expressões e movimentos antes impossíveis. Com isso, conseguiu atingir um nível de realismo inédito nas animações computadorizadas.

A imaginação de James Cameron não sofre de anorexia criativa. Tudo o mais foi criado a partir do zero. O diretor fez o que se chamava no século passado de "caldeirão de culturas". São evidentes as referências às culturas africana, indígena americana, indígena brasileira, oriental e islâmica. Além do visual rainforest que é um misto de Amazônia, África e Tailândia. Os bandidos, é claro, são impiedosos mercenários americanos, uma espécie de Blackwater interplanetária.

Rainforest fluorescente

Mas, por que eu disse que esse filme é um gesto de generosidade do seu criador? Alguém poderá dizer que o fator financeiro é um incentivo que não se pode desprezar. Pode até ser, desde que o envolvido não fosse James Cameron, o diretor que abriu mão do seu salário millionário para poder terminar o filme Titanic.

Eles também estão azuis, mas é de frio

A generosidade está na persistência com que Cameron perseguiu esse projeto e compartilhou com o mundo uma obra prima que dividiu a história do cinema em antes e depois de Avatar. Algo tão bom que, como bem observaram meus filhos, nem precisava ser em 3D. Mas, também não seria completo se não utilizasse esse recurso. Melhor que isso, só se tivéssemos em Brasília salas IMAX, com as telas em 180º.

Ele vai ganhar dinheiro com isso. Claro que vai. Aliás, já está ganhando. E muito. Mas, não foi a sua principal motivação. Ninguém se entrega tão obstinadamente a um projeto como esse e supera tantas adversidades apenas por dinheiro. É preciso ser muito generoso para dividir fantasias que geralmente fazemos questão de guardar para nós mesmos, como um porto seguro que buscamos nos momentos difíceis.

Assistam Avatar e contem depois aos seus netos: "Eu estava lá e assisti a essa revolução na arte de contar histórias. Antes, era muito diferente".

Ricardo Icassatti Hermano

A Música do Dia - Maceo Parker - Let's Get It On


Romoaldo de Souza

Maceo Parker tem sobrenome de saxofonista, sangue de músicos e experiência de quem tocou com o rei da soul music, James Brown.

Parker, no sax alto; Fred Wesley, no trombone; e Pee Wee Elis, no sax tenor (esse sax maior), prestam uma homenagem a Marvin Gaye, nesta Let's Get It On. E Café & Conversa dá um empurrãozinho aos apaixonados.

Let's Get It On

(Marvin Gaye)

I've been really tryin', baby
Tryin' to hold back this feelin' for so long
And if you feel like I feel, baby
Then come on, oh, come on
Whoo, let's get it on
Ah, babe, let's get it on
Let's love, baby
Let's get it on, sugar
Let's get it on
Whoo-ooh-ooh

We're all sensitive people
With so much to give
Understand me, sugar
Since we got to be
Let's live
I love you

There's nothin' wrong
With me lovin' you
Baby, no, no
And givin' yourself to me can never be wrong
If the love is true
Oh, babe, ooh, ooh

Don't you know
How sweet and wonderful life can be?
Whoo-ooh
I'm askin' you, baby
To get it on with me
Ooh, ooh, ooh

I ain't gonna worry, I ain't gonna push
Won't push you, baby
So come on, come on, come on, come on, come on, baby
Stop beatin' 'round the bush, hey

Let's get it on, ooh, ooh
Let's get it on
You know what I'm talkin' 'bout
Come on, baby, hey, hey
Let your love come out
If you believe in love
Let's get it on, ooh, ooh
Let's get it on, baby
This minute, oh yeah
Let's get it on
Please, please, get it on
Hey, hey

I know you know
What I've been dreamin' of
Don't you, baby?
My whole body is in love
Whoo

I ain't gonna worry, no, I ain't gonna push
I won't push you, baby, whoo
Come on, come on, come on, come on, come on, darlin'
Stop beatin' 'round the bush, hey

Gonna get it on
Beggin' you, baby, I want to get it on
You don't have to worry that it's wrong
If the spirit moves you, let me groove you good
Let your love come down
Oh, get it on, come on, baby

Do you know I mean it?
I've been sanctified
Hey, hey
Girl, you give me good feelings, so good

Nothin' wrong with love
If you want to love me
Just let yourself go
Oh, baby
Let's get it on