quinta-feira, 11 de março de 2010

Café com Salgado


Ricardo Icassatti Hermano

O fato de termos consumido café ruim por tanto tempo, nos levou ao péssimo hábito de adoçar a bebida. Na maioria das vezes, excessivamente. Basta ver o povo adoçando xícaras de 50ml. Outro hábito é o de acompanhar o café com guloseimas doces, como tortas, bolos, geléias etc.

Mas, o próprio café - estou falando de café especial - já contém açúcar suficiente para ser degustado. A comida doce impede que esse açúcar seja sentido no paladar, ressaltando outras características como acidez, adstringência, torra, amargor. Daí adoça-se mais ainda o café.

Felizmente um outra linha de pensamento começa a se firmar no Brasil. Acompanhar o café com guloseimas salgadas. No interior de Minas Gerais e Goiás, já existe o costume de tomar o café com pães de queijo, mas ainda persiste o hábito de adoçar o café.

O Café & Conversa experimentou na cafeteria Grenat Cafés Especiais, acompanhar o espresso com um acepipe servido ali. Trata-se de tirinhas de queijo de coalho ou de minas levemente grelhados no forno. Como o queijo é bem salgado, o doce do café simplesmente explode na boca, enriquecendo todos os outros sabores que um bom café produz.

Como fazer tirinhas grelhadas de queijo não traz qualquer dificuldade, procuramos outra receita salgada de petisco perfeito para turbinar a sua experiência com o café. A criação é do chef Rodrigo Oliveira, do Restaurante e Cachaçaria Mocotó, em São Paulo. Vamos a ela.


Dadinhos de Tapioca com Queijo de Coalho
8 porções

Ingredientes

- Tapioca granulada 250g
- Queijo de Coalho 250g
- Leite quente 500ml
- Sal 8 g (pode variar de acordo com o sal do queijo)
- Pimenta branca 1 pitada


Preparo

Ferva o leite. Desligue o fogo e junte o queijo ralado e a tapioca já misturados, mexendo sempre para não formar grumos. Acrescente os temperos e mexa até a mistura começar a firmar. Despeje em uma assadeira forrada com plástico (para facilitar o desenformar) e cubra com papel filme. Deixe resfriar em temperatura ambiente e leve à geladeira por pelo menos 3 horas. Corte em cubos e frite por imersão a 180ºC até dourar. Sirva com molho de pimenta (sugestão: Sweet Chilli Blue Dragon)

Se isso fica bom com café quente, imagine com cerveja gelada : )


Se você não for dotado das qualidades necessárias para entender e concretizar a receita, o chef Rodrigo Oliveira fez um vídeo para a TV UOL. Assista e siga o passo-a-passo.



quarta-feira, 10 de março de 2010

Música do Dia - Serge Gainsbourg - Je T'aime Moi Non Plus


Romoaldo de Souza

Corria o ano de 1968. A efervescente e sempre libertária Paris tinha cheiro de sexo livre. Sexo e liberdade, uma onda irresoluta de determinação de felicidade. Nessa época começavam a fazer sucesso os escritos de Serge Gainsbourg, poeta, cantor, produtor, compositor e, nas horas vagas, amante de Brigitte Bardot. Era o casamento perfeito. Um poeta de língua solta e uma mulher que exalava sexo.

Ah! Paris e suas meninas ...

"Pronto", pensou Gainsbourg, essa é a "mulher ideal, a fêmea perfeita" para uma canção que una apelo sexual com melodia. Sentou-se diante da velha Remington e escreveu os primeiros versos de Je T'aime Moi Non Plus:

"Oh meu amor... Você é a onda, eu a ilha nua, você vai, você vai e você vem entre meu dorso. E eu junto a ti. Eu te amo".

Correu até Montparnasse, certo de que Brigitte Bardot toparia a empreitada e gravaria a canção. Foi sua maior decepção. Feio que só ele, Serge Gainsbourg estava saindo com uma das mulheres mais exuberantes de Paris e do mundo. Mas, no bom português, Brigitte Bardot negou fogo e Je T'aime Moi Non Plus quase foi parar na lata do lixo.

Como assim "negou fogo" ??????

Como homem inteligente que era, Serge sabia que mais cedo ou mais tarde encontraria quem tivesse coragem suficiente para gravar Je T'aime Moi Non Plus, não como quem grava uma bossa nova, que fala das bobagens do barquinho e o violão. O compositor queria mais. Queria que a interpretação fosse acompanhada da simulação de um orgasmo.

"Deve ser por isso que Brigitte não tenha aceitado fazer ou viver esse papel", recordou mais tarde. Logo ela, logo Brigitte Bardot que tantos orgasmos provocou mundo afora, não aceitou viver seu mais visceral papel. Gozar enquanto cantava.

Mais tarde, Brigitte chegou a gravar a canção, em parceria com Alain Delon, mas aí Serge Gainsbourg já estava em outra. Ou melhor, com outra. Com a lindíssima Jane Birkin com quem veio a se casar e ter uma filha, Charlotte Gainsbourg, lançada em primeira mão aqui no Café & Conversa.

É, a troca não foi ruim não ...

Seis anos depois, Je T'aime Moi Non Plus, que no Brasil ganhou o moralista nome de Paixão Selvagem, virou filme estrelado por Jane Birkin. No elenco tinha também Joe Dallesandro e Hugues Quester. Vejam um vídeo raro dessa música interpretada por Jane Birkin.


Je T'aime Moi Non Plus
Serge Gainsbourg

Je t'aime
Je t'aime
Oh oui je t'aime
Moi non plus
Oh mon amour...
Comme la vague irrésolue
Je t'aime
Je t'aime
Oh oui je t'aime
Moi non plus
Oh mon amour...
Tu es la vague, moi l'île nue
Tu vas
Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Et je te rejoins
Je t'aime
Je t'aime
Oh oui je t'aime
Moi non plus
Oh mon amour...
Comme la vague irrésolue
Je vais
Je vais et je viens
Entre tes reins
Je vais et je viens
Entre tes reins
Et je me retiens
I love you
Moi non plus
I love you
Moi non plus
Retiens moi
Tu vas
Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Je vais et je viens
Je me retiens
- Non ! maintenant
Viens...




Panqueca de Chocolate com Frutas Vermelhas


Ricardo Icassatti Hermano

Eu sei, eu sei. Sou mau e cruel. Mas, fazer o que? Eu gostcho!!! As meninas em dieta eterna estão me odiando porque o Café & Conversa não disponibiliza receitas de pratos menos calóricos, como Chuchu com Água, Alface com Rúcula, Ricota Desnatada, Torrada Defumada e outros pesadelos.

Sinto muito meninas. Vão malhar, praticar um esporte, ter saúde e poderão comer o que quiserem. Só aconselho deixar as frituras e refrigerantes de lado, porque não são bons para nada. Entreguem-se às boas guloseimas porque quem gosta de osso é cachorro. Essa magreza anoréxica de top model é coisa de boiola. Mulher tem que ter curvas. Não existe nada mais sensual que uma bela curva.

Eu fico com a gordinha e você fica com a magrinha

Por isso, trazemos hoje mais uma delícia das deusas roliças do Olimpo. Essa receita veio do site Dona Benta, que tem um livro de receitas bem legal. Esse prato não pode ser feito por/para qualquer gata(o). Tem que ser aquela(e) gata(o) especial e deve ser servido na cama, após uma boa farra, para recuperar as energias ou dormir profundamente e gostoso. Conforme me contou a Sheyloca ... Mas, vamos à receita.


Panqueca de Chocolate com Frutas Vermelhas
10 unidades

Ingredientes

Massa
- 1 ½ xícara (chá) de leite
- 2 ovos
- 1 xícara (chá) de farinha de trigo com fermento Dona Benta
- ½ xícara (chá) de chocolate em pó
- 4 colheres (sopa) de açúcar

Recheio
- ½ xícara (chá) de açúcar
- 300g de morangos picados
- 300g de framboesa
- 300g de cerejas frescas picadas

Cobertura
- Calda das frutas
- 2 colheres (sopa) de rum
- 1 colher (sopa) de farinha de trigo com fermento Dona Benta

Para decorar
Folhas de hortelã


Preparo

Massa

Bata no liquidificador o leite, os ovos, a farinha com fermento Dona Benta, chocolate em pó e o açúcar até obter uma mistura homogênea. Aqueça uma frigideira com 16cm de diâmetro, unte e coloque uma porção da massa (suficiente para formar uma camada fina que cubra o fundo da frigideira). Frite de um lado e vire para fritar o outro. Passe para um prato e continue a operação até terminar a massa.

Recheio

Reserve duas frutas de cada para decorar. Em uma panela, coloque o açúcar e o restante das frutas e leve ao fogo médio. Cozinhe por cerca de 7 minutos ou até as frutas ficarem macias. Escorra e reserve a calda separadamente - deverá sobrar ½ xícara (chá) de calda. Coloque um pouco de recheio em cada panqueca e enrole. Reserve em lugar aquecido.

Cobertura

Em uma panela, misture a calda das frutas, a farinha de trigo com fermento Dona Benta e o rum. Leve ao fogo médio, mexendo sempre até encorpar. Arrume as panquecas em um prato, cubra com a calda e decore com as frutas e as folhas de hortelã. Sirva quente com sorvete de creme.

Tá vendo porque tem que ser para alguém especial?

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Música do Dia - Granpa Elliott & Oscar Castro - Only You


Romoaldo de Souza

Pense na mistura do blues genuíno de Nova Orleans e a bossa de Only You. E quando falo do blues de Nova Orleans, estou me referindo ao blues de rua, cantado nas calçadas de cidade, por gente do naipe de Granpa Elliott.

Vovô Elliott Pequeno, toca gaita, canta, improvisa e passa o chapéu na Royal Street em Nova Orleans. Um ícone de rua, revelado ao mundo no genial projeto, Playing for Change. Granpa Elliott foi uma das grandes sacadas de Mark Johnson, idealizador e diretor de Playing... Sempre de macacão jeans, chapéu, barba grisalha, gaita e uma voz encantadora, Granpa Elliott é quem dá o ritmo de Stand by Me.

Only You é uma canção ganhou versões em português, espanhol, francês. Foi cantada por gente como, Raul Seixas, The Platters e Elvis Presley.

Essa mistura do inglês das ruas de Nova Orleans com o sotaque mexicano de Oscar Castro, que mora hoje no Mississipi, é a música do dia, no Café & Conversa.

Encontre a gente também no Twitter: www.twitter.com/CafeConversa.


Only You
(Buck Ram and Andre Rand)

Only you can make this world seem right
Only you can make the darkness bright
Only you and you alone
Can thrill me like you do
And fill my heart with love for only you

Only you can make this change in me
For it's true, you are my destiny
When you hold my hand
I understand the magic that you do
You're my dream come true
My one and only you

Only you can make this change in me
For it's true, you are my destiny
When you hold my hand
I understand the magic that you do
You're my dream come true
My one and only you



Oscar 2010 e a Alma Americana


Ricardo Icassatti Hermano

Eu sou dependente químico de cinema, mas acho a festa do Oscar muito chata. Aquilo tudo poderia ser tranquilamente reduzido a 1 hora. A cada ano aumentam mais o tempo. Agora existe até uma festa pré-Oscar. A coisa está caminhando para a insanidade. Só gosto da premiação propriamente dita e das piadas dos apresentadores.

Oscar 2010, uma festa longa demais

Ontem mesmo, tentei assistir mais uma vez a festa do Oscar. Comecei com o pré-Oscar e quando passou para a passarela onde as atrizes posam com jóias e vestidos emprestados, mais uma vez apaguei e dormi o sono dos justos. Pelo menos tentei. Mais uma vez. Sempre tem a reprise.

Além disso, as opções televisivas são terríveis. Pensei que conseguiria assistir com som original no canal TNT em High Definition, que ainda não tem dublagem e outras atrocidades. Engano meu. Lá estava a tia Rubens Ewald Filho falando mal das roupas das mulheres ... outra opção seria assistir a festa narrada e comentada pela tia José Wilker ... Dormir acabou sendo a única opção.

A tia em noite de gala

Mas, hoje vi as notícias sobre quem ganhou etc. Ainda não entendi porque criaram a falsa disputa entre o diretor de Avatar, James Cameron, e sua ex-mulher, a diretora de Guerra ao Terror, Kathryn Bigelow. Os dois se dão muito bem e não estavam engajados numa disputa pessoal. Deve fazer algum sentido para os americanos, mas o resto do mundo boiou.

O que ficou claro para mim é que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deu uma guinada e optou por reforçar a alma americana, um retorno às origens por assim dizer. Vejamos os premiados nas principais categorias. O melhor filme (Guerra ao Terror) é sobre a guerra que os Estados Unidos travam no Afeganistão. A melhor diretora é do mesmo filme. O melhor ator interpretou um cantor de música country (Coração Louco). A melhor atriz viveu a história real (Um Sonho Possível) de uma mulher milionária, texana, loira, e republicana, que adota um garoto negro sem-teto e o transforma num grande jogador de futebol americano.

A guerra faz parte da alma americana

Aliás, vamos abrir um parêntese aqui. O Oscar de melhor atriz foi dado a Sandra Bullock. O papel que interpretou e a indicação ao prêmio parecem ter incomodado os liberais americanos. Ela também recebeu o prêmio Framboesa de Ouro, na categoria pior atriz, pela comédia romântica Maluca Paixão. O seu vestido na festa foi comentadíssimo pelas tias liberais, mas não sei porque perdem tanto tempo com roupas quando a Sandra Bullock mostrou muito mais belos atributos no filme A Proposta. Chôse de lóc ...

Quem diria que a Sandra Bullock fosse dona desse corpão ...

É claro que Avatar levou o Oscar de efeitos especiais; que Precious levou o de melhor atriz coadjuvante; e Bastardos Inglórios levou o de melhor ator coadjuvante. Mas todos esses filmes trazem mensagens "alienígenas". Nenhum deles reforça as principais características americanas. Para entender o que é isso, é preciso passar um tempo lá nos Estados Unidos, conviver com os americanos, conhecer seus valores mais arraigados.

O Oscar acaba sendo um grande termômetro cultural, que dá indicações sobre o que vai pela cabeça dos americanos. E vendo as mais recentes pesquisas de opinião para medir a popularidade do presidente Barack Obama, fiquei com a impressão - forte - de que ele não se reelege.

domingo, 7 de março de 2010

Simplesmente Complicado e Divertidíssimo


Ricardo Icassatti Hermano

Assim como para um espresso, a fórmula para conseguir um bom filme é conhecida. Junte um roteiro, um diretor e um elenco. Pronto, nasceu um blockbuster. Errado! Você pode até conseguir o acidente de fazer um bom filme, mas para ter a mínima esperança de sucesso será necessário unir um excelente roteiro, um diretor genial e um elenco soberbo. Ainda tem que pedir a proteção e a benção dos deuses da película.

Foi o que aconteceu com o filme Simplesmente Complicado (It's Complicated), que conseguiu a façanha de reunir Nancy Meyers, como roteirista e diretora, ao elenco estelar composto por Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski e Lake Bell.

Cartaz do filme

A comédia romântica é sobre um triângulo amoroso envolvendo a ex-esposa Jane (Meryl Streep), seu ex-marido Jake (Alec Baldwin) e o arquiteto Adam (Steve Martin) que vai reformar sua casa. Após 10 anos de divórcio, Jane se encontra com o ex-marido na formatura do filho. Ex-marido que a havia traído com uma mulher muito mais jovem e com quem se casou. Conversa vai, conversa vem, quatro garrafas de vinho, algumas taças de conhaque e o encontro termina, é claro, na cama.

Nunca misture ex-marido cafajeste com vinho e conhaque

Como dizia o afamado colunista Richard Cledeman: "O álcool é a perdição da humanidade". Daí pra frente vem a parte complicada dessa relação engraçadíssima entre adultos na casa dos 60 anos de idade. O fato de uma comédia romântica não ser protagonizada por um casal de jovens lindíssimos, passa completamente despercebido.

Little Mary e eu saímos do cinema com dor de barriga de tanto rir. Não há quem não se reconheça em alguma das situações que se sucedem no filme. A cena em que Jane e Adam fumam um baseado, vão completamente "chapados" para a festa do filho e encontram Jake com a nova e jovem esposa, é hilária, além de forte candidata a clássico do cinema. Como eu nunca fumei essas coisas, não posso avaliar se os efeitos são aqueles mesmo. Pela quantidade de risadas, não ponho a mão no fogo por Little Mary ...

Os dois "chapados" (é assim mesmo que fala?) na festa

Nessa mesma cena da festa, toca uma música que fez muito sucesso nas pistas de dança em 1976. A música chama-se You Make Me Feel Like Dancing e era interpretada por um cantor inglês chamado Leo Sayer. O sujeito conseguia alcançar uns agudos que, hoje, soam estranhos. Mas, na época, todo mundo achava normal um homem cantar daquele jeito e corria para a pista de dança no primeiro acorde. Duvida? Assista o vídeo.


Nunca fui fã do trabalho do Alec Baldwin, mas tenho que dar a mão à palmatória neste filme. O ator dá um show e revela uma rara e até então desconhecida veia cômica. Perdeu tempo tentando a carreira de ator dramático, estilo em que não conseguiu convencer por ser um tremendo canastrão. Mas, na comédia, a sua canastrice e o tipo físico se encaixam como uma luva. Antes tarde do que nunca.

Alec Baldwin, a canalhice levada ao estado da arte

Meryl Streep não é uma dessas atrizes super bonitonas, mas ela tem aquele poder mágico de, com um sorriso, um olhar, um tom de voz, se fazer absolutamente linda. É uma característica que sempre me impressionou nela. Neste filme, ela exercita esse poder e nos fascina, apesar de já ter passado dos 60 anos de idade. Meryl foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pela interpretação de Julia Child, no filme Julia & Julie. Por mim, já levava só pelas risadas que me proporcionou em Simplesmente Complicado.

Meryl Streep em pleno ato de lindeza

Se você está triste, deprimido, arrasado, chateado ou baixo astral com todos esses escândalos de corrupção, tipo Mensalão e Bancoop, e quer ficar curado de vez, assista Simplesmente Complicado. É 100% garantido. O Café & Conversa assistiu, deu nota 10 e recomenda. Assista o trailer.



sábado, 6 de março de 2010

A Música do Dia - A Véia Debaixo da Cama - Os Trapalhões


Romoaldo de Souza

Ouvindo o advogado falar que o governador-preso, José Roberto Arruda, “virou bode expiatório” quando o Supremo Tribunal Federal negou o habeas corpus e manteve o chefe da organização atrás das grades, eu me senti obrigado a concordar com o causídico. “Cadê os outros?” das outras organizações, dos outros crimes contra o dinheiro do cidadão. Pergunto, por que o STF não põe na cadeia o chefe da “organização criminosa” daquele outro “mensalão”?

Lendo a Wikipedia, sobre a expressão “bode expiatório” usada pelo advogado Nélio Machado, me lembrei da música de Genival Lacerda, cantada aqui pelos Trapalhões, “A Véia Debaixo da Cama”. A Véia em questão era criadora de vários animais, entre eles um bode.

Segundo o ritual Koranot, dois bodes e um touro eram levados a um altar para serem sacrificados. Mas, um deles era escolhido para “receber” os pecados do povo de Israel e ser solto. Não era queimado não. Caso conseguisse sobreviver... E alguém acha que essa gente mesmo carregando “os pecados” do povo nos bolsos, nas sacolas, no saco de supermercado, nas meias e nas cuecas não saberia sobreviver no Miami Beach Shopping?

Miami e os corruptos brasileiros sons of bitches

Deve ser por isso que o advogado disse que Arruda é o “bode expiatório”. O governador quer ser solto para tentar a própria sorte. Talvez em Miami ou nas Ilhas Cayman.


Café & Conversa também está no Twitter: www.twitter.com/CafeConversa


A Véia Debaixo da Cama

(Genival Lacerda)


A véia debaixo da cama

A véia criava um rato

Na noite que se danava

O rato chiava, e a véia dizia:

"ai meu deus, que acabou tudo

Tanto bem que eu te queria"

A véia debaixo da cama

A véia criava um gato

Na noite que se danava

O rato chiava, o gato miava

E a véia dizia:

"ai meu deus, que acabou tudo

Tanto bem que eu te queria"

A véia debaixo da cama

A véia criava um cachorro

Na noite que se danava

O rato chiava, o gato miava,

Cachorro latia e a véia dizia:

"ai meu deus, que acabou tudo

Tanto bem que eu te queria"

A véia debaixo da cama

A véia criava um macaco

Na noite que se danava

O rato chiava, o gato miava,

Cachorro latia, macaco pulava

E a véia dizia:

"ai meu deus, que acabou tudo

Tanto bem que eu te queria"

A véia debaixo da cama

A véia criava um porco

Na noite que se danava

O rato chiava, o gato miava,

Cachorro latia, macaco pulava,

O porco fuçava e a véia dizia:

"ai meu deus, que acabou tudo

Tanto bem que eu te queria"

A véia debaixo da cama

A véia criava um bode

Na noite que se danava

O rato chiava, o gato miava,

Cachorro latia, macaco pulava,

O porco fuçava, o bode berrava

E a véia dizia:

"ai meu deus, que acabou tudo

Tanto bem que eu te queria"

A véia debaixo da cama

A véia criava uma cobra

A cobra mordeu o rato,

Mordeu o gato, mordeu o cachorro,

Mordeu o macaco, mordeu o porco,

Mordeu o bode... ihhhh

E a véia

Dedé, a veia

A veia

- que que tem a véia?

A veia

- a véia??

A véia

- a véia morreu?

Não, a cobra...

A cobra morreu..

A cobra mordeu a veia

E a cobra morreu, dedé

Por que a véia tinha que criar uma cobra?