sexta-feira, 26 de março de 2010

Música do Dia - Faroeste Caboclo - Legião Urbana


Ricardo Icassatti Hermano

Amanhã, Renato Russo, vocalista e compositor da banda Legião Urbana, faria 50 anos de idade. Morreu cedo demais. Criativo e genial como era, ainda teria muito a deixar para nós. Ele fez de tudo um pouco, mas foi na música que se realizou e nos deu sua maior obra.

Meninos geniais

Suas músicas são a cara de Brasília. Ou melhor, são a cara de uma determinada época de Brasília, de uma determinada geração. A minha geração. No meu caso, as músicas Eduardo e Mônica, Pais e Filhos e Faroeste Caboclo são a trilha sonora da minha adolescência. Já para o meu irmão Bily a trilha sonora deve incluir necessariamente Índios.

Renato Russo compôs para a sua geração, contando as histórias que rolavam entre aquela juventude meio perdida entre o "Paz e Amor" dos hippies e a realidade punk da ditadura militar. Nossas histórias e memória estão todas registradas para sempre na obra da Legião Urbana.

Ah, a juventude que essa brisa canta ...

Aquela "Rockonha" da música existiu mesmo e foi uma armadilha para pegar filhos de parlamentares. Os flyers da festa foram passados de mão em mão no estacionamento da extinta lanchonete Chaplin, onde milhares de jovens iam nas tardes de sábado e domingo para zoar, paquerar, comer, conversar ou não fazer nada. Dizem que um deles caiu nas mãos de um agente da Polícia Federal infiltrado no meio da garotada.

Na época, eu tinha uma Brasília arregaçada, que nos finais de semana era o transporte de amigos e amigas em busca de diversão. Estávamos a meio caminho da"Rockonha" quando alguém sugeriu um programa melhor que ficar chapado no meio do mato. Acho que era outra festa mais divertida. Fizemos meia volta e escapamos da prisão certa.

Adivinhem quem é o invocado aí na foto

Os jovens de hoje não conheceram outra coisa que não fosse a democracia e suas liberdades garantidas. Ainda bem. Nós vivemos a obrigatoriedade de portar algum documento de identidade sob pena de prisão. Vivemos a censura que nos afastava da arte, da cultura, da informação e do conhecimento. Vivemos o abuso de autoridade que prendia sem precisar de motivo. Vivemos a prisão, tortura e morte de amigos e parentes. Vivemos a incerteza e a porrada.

Mas, também vivemos a coragem, assumimos riscos, colocamos nossas vidas em jogo. Vivemos no fio da navalha e nos forçamos a aprender. Apesar de tudo, também tivemos nossa cota de amores, alegrias, descobertas, esperanças, realizações, tristezas e decepções. E tivemos o rock'n roll para nos salvar da insanidade. O nosso maior presente por todo o sacrifício foi a genialidade de Renato Russo.

Renato Russo

Mas, nem ele escapou da censura. Na música Faroeste Caboclo, a parte em que fala:"E não protejo general de 10 estrelas, que fica atrás da mesa com o cú na mão", era editada e retirada nas rádios. Mas, sempre era possível fazer alguma coisa. A gente cantava nas ruas, nas festas, nos colégios.

O Brasil inteiro gosta de Renato Russo, mas aqui em Brasília ele é amado por tudo o que nos deu. Por isso, o Café & Conversa não poderia deixar de prestar sua pequena e humilde homenagem, mas feita com o coração. Valeu Renato Russo! Valeu Legião Urbana!

Com vocês, Faroeste Caboclo, numa animação bem bacana feita pelo Leonardo Amaral de Souza, lá de Itapevi/SP. Ele é a prova viva de que não é preciso muito para fazer arte, mas é imprescindível ter imaginação e vontade de fazer.


Faroeste Caboclo
Renato Russo e Legião Urbana

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu

Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda

Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido

Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu

Era o terror da sertania onde morava

E na escola até o professor com ele aprendeu

Ia pra igreja só prá roubar o dinheiro

Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar

Sentia mesmo que era mesmo diferente

Sentia que aquilo ali não era o seu lugar

Ele queria sair para ver o mar

E as coisas que ele via na televisão

Juntou dinheiro para poder viajar

De escolha própria, escolheu a solidão

Comia todas as menininhas da cidade

De tanto brincar de médico, aos doze era professor.

Aos quinze, foi mandado pro o reformatório

Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.

Não entendia como a vida funcionava

Discriminação por causa da sua classe e sua cor

Ficou cansado de tentar achar resposta

E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.

E lá chegando foi tomar um cafezinho

E encontrou um boiadeiro com quem foi falar

E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem

Mas João foi lhe salvar

Dizia ele: "Estou indo pra Brasília

Neste país lugar melhor não há

Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"

E João aceitou sua proposta

E num ônibus entrou no Planalto Central

Ele ficou bestificado com a cidade

Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal

"Meu Deus, mas que cidade linda,

No Ano-Novo eu começo a trabalhar"

Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro

Ganhava cem mil por mês em Taguatinga

Na sexta-feira ia pra zona da cidade

Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador

E conhecia muita gente interessante

Até um neto bastardo do seu bisavô

Um peruano que vivia na Bolívia

E muitas coisas trazia de lá

Seu nome era Pablo e ele dizia

Que um negócio ele ia começar

E o Santo Cristo até a morte trabalhava

Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar

E ouvia às sete horas o noticiário

Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar

Mas ele não queria mais conversa

E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar

Elaborou mais uma vez seu plano santo

E sem ser crucificado, a plantação foi começar.

Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:

"Tem bagulho bom ai!"

E João de Santo Cristo ficou rico

E acabou com todos os traficantes dali.

Fez amigos, freqüentava a Asa Norte

E ia pra festa de rock, pra se libertar

Mas de repente

Sob uma má influência dos boyzinho da cidade

Começou a roubar.

Já no primeiro roubo ele dançou

E pro inferno ele foi pela primeira vez

Violência e estupro do seu corpo

"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês"

Agora o Santo Cristo era bandido

Destemido e temido no Distrito Federal

Não tinha nenhum medo de polícia

Capitão ou traficante, playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina

E de todos os seus pecados ele se arrependeu

Maria Lúcia era uma menina linda

E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar

E carpinteiro ele voltou a ser

"Maria Lúcia pra sempre vou te amar

E um filho com você eu quero ter"

O tempo passa e um dia vem na porta

Um senhor de alta classe com dinheiro na mão

E ele faz uma proposta indecorosa

E diz que espera uma resposta, uma resposta do João

"Não boto bomba em banca de jornal

Nem em colégio de criança isso eu não faço não

E não protejo general de dez estrelas

Que fica atrás da mesa com o cú na mão

E é melhor senhor sair da minha casa

Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"

Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:

"Você perdeu sua vida, meu irmão"

"Você perdeu a sua vida meu irmão

Você perdeu a sua vida meu irmão

Essas palavras vão entrar no coração

Eu vou sofrer as conseqüências como um cão"

Não é que o Santo Cristo estava certo

Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar

Se embebedou e no meio da bebedeira

Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar

Falou com Pablo que queria um parceiro

E também tinha dinheiro e queria se armar

Pablo trazia o contrabando da Bolívia

E Santo Cristo revendia em Planaltina

Mas acontece que um tal de Jeremias,

Traficante de renome, apareceu por lá

Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo

E decidiu que, com João ele ia acabar

Mas Pablo trouxe uma Winchester-22

E Santo Cristo já sabia atirar

E decidiu usar a arma só depois

Que Jeremias começasse a brigar

Jeremias, maconheiro sem-vergonha

Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar

Desvirginava mocinhas inocentes

Se dizia que era crente mas não sabia rezar

E Santo Cristo há muito não ia pra casa

E a saudade começou a apertar

"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia

Já tá em tempo de a gente se casar"

Chegando em casa então ele chorou

E pro inferno ele foi pela segunda vez

Com Maria Lúcia Jeremias se casou

E um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio por dentro

E então o Jeremias pra um duelo ele chamou

Amanhã às duas horas na Ceilândia

Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

E você pode escolher as suas armas

Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor

E mato também Maria Lúcia

Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor

E o Santo Cristo não sabia o que fazer

Quando viu o repórter da televisão

Que deu notícia do duelo na TV

Dizendo a hora e o local e a razão

No sábado então, às duas horas,

Todo o povo sem demora foi lá só para assistir

Um homem que atirava pelas costas

E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir

Sentindo o sangue na garganta,

João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir

E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e

A gente da TV que filmava tudo ali

E se lembrou de quando era uma criança

E de tudo o que vivera até ali

E decidiu entrar de vez naquela dança

"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"

E nisso o sol cegou seus olhos

E então Maria Lúcia ele reconheceu

Ela trazia a Winchester-22

A arma que seu primo Pablo lhe deu

"Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é

E não atiro pelas costas não

Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha

Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"

E Santo Cristo com a Winchester-22

Deu cinco tiros no bandido traidor

Maria Lúcia se arrependeu depois

E morreu junto com João, seu protetor

E o povo declarava que João de Santo Cristo

Era santo porque sabia morrer

E a alta burguesia da cidade

Não acreditou na história que eles viram na TV

E João não conseguiu o que queria

Quando veio pra Brasília, com o diabo ter

Ele queria era falar pro presidente

Pra ajudar toda essa gente que só faz...
Sofrer...


quinta-feira, 25 de março de 2010

A Música do Dia - Eduardo e Mônica - Legião Urbana


Romoaldo de Souza

Admito que nunca tive muita queda por esses roques nacionais que tanto sucesso fizeram na década de 80. Mas não sou besta nem nada e vou reconhecer que apesar da melodia um tanto quanto pueril,
Eduardo e Mônica é uma história do cotidiano de muita gente interessante que chegou em Brasília no começo da cidade ou que nasceu aqui, como Don Diego de León, artista, produtor e diretor de teatro, que nas horas interessantes, é meu filho.

Renato Russo faria 50 anos, neste sábado e certamente tem sua legião de fãs. Dia desses, conversando com o jornalista Geraldinho Vieira e ele me convenceu a prestar mais atenção às letras do líder da Legião Urbana. “Esquece a música, pensa na letra”, recomendou. E olha que Geraldinho Vieira é protagonista, indireto, dessa Eduardo e Mônica inspirada na artista plástica Lea Coimbra com quem o jornalista foi casado.

A primeira animação é de Leandro Amaral, do Peixe Aquático. Ele é autor de outras versões animadas de hits da banda Legião Urbana. A segunda é de autoria de Miuki Lemos. Ah, e não esqueçam de que o Café & Conversa pode ser “escutado” também no Twitter. www.twitter.com/CafeConversa.


Eduardo e Mônica
Renato Russo

Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
Noutro canto da cidade
Como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse
- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir
Festa estranha, com gente esquisita
- Eu não tou legal, não agüento mais birita
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
- É quase duas, eu vou me ferrar
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemã
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes
Do Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda estava
No esquema "escola, cinema, clube, televisão"
E, mesmo com tudo diferente
Veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia
Como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro e artesanato e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa
Que nem feijão com arroz
Construíram uma casa uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação
E quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?





Queijo Quente com Tomate


Ricardo Icassatti Hermano

Tem hora que a gente fica apertado e só quer matar a fome com rapidez e simplicidade. Nem por isso precisamos abrir mão da sofisticação no sabor ou da apresentação. Afinal, o prazer tem o seu valor, mesmo nas horas de aperto.

Vejam o meu caso por exemplo. Nasci com uma anomalia chamada "acrômio ganchoso". Um osso do ombro que deveria ser reto, nasceu com a ponta torta na forma de um gancho. Esse acrômio (o nome do tal osso) protege um tendão, mas no meu caso ele fere o tendão quando faço determinados movimentos repetitivos.

Nas artes marciais - ou em qualquer outro esporte - é só o que fazemos, movimentos repetitivos. Por incrível que pareça, esse meu problema só foi detectado depois de 30 anos de treino e quando passei a praticar o Ken Jutsu, luta com espada. No meu caso, o movimento que fere o tendão é justamente o de levantar os braços acima da cabeça, agravado pela pancada final da espada no adversário.

Por causa disso, tive duas lesões, uma em cada ombro. Quando o ombro direito bichou, passei a lutar com a mão esquerda. O que acabou sendo bom, porque hoje posso lutar com duas espadas, uma em cada mão, ou com uma espada e trocar de empunhadura durante a luta.

A lesão que andava quieta, resolveu aparecer para uma visita e eu tive que fazer uma ressonância magnética no ombro. Vestindo um camisolão absolutamente ridículo, fui colocado dentro de um tubo apertado. Não dá nem para coçar o nariz porque os braços ficam presos ao lado do corpo. Ainda recebi a instrução de não me mexer.

Devo ter algum grau de claustrofobia porque não gostei nada daquilo. Me senti sendo enterrado vivo dentro de um caixão que não era exatamente o meu número. Eu iria ficar ali por 20 minutos. Pensei no que fazer para distrair a mente e tirar o foco da agonia de estar preso. Inventei um truque. Busquei na memória a imagem de uma mulher conhecida e a imaginei completamente nua. O tempo voou : )

É a mesma situação da fome que precisa ser matada rapidamente. Você pode matar a fome comendo farinha e rapadura ou pode matar a fome comendo algo mais elaborado, saboroso. Como um mingau feito com a farinha e adoçado com uma calda feita com a rapadura. E ainda ter uma boa experiência para guardar na lembrança. Sacô?

A nossa receita de hoje é um clássico da comida mata-fome. Fácil de fazer, rápido e com muito sabor. Uma verdadeira comfort food. Vamos à receita.

Queijo Quente com Tomate

Ingredientes

- Pão de forma (integral ou não)
- Fatias de queijo Mozzarela de Búfala
- Fatias de queijo Golda
- Fatias de tomate maduro
- Folhas de manjericão
- Manteiga (opcional)


Preparo

Coloque duas fatias de queijo Mozzarela de Búfala sobre uma fatia de pão. Coloque duas fatias de queijo Golda sobre outra fatia de pão. Sobre uma delas, coloque duas fatias de tomate e algumas folhas de manjericão.

Junte as duas fatias de pão e coloque numa sanduicheira de alumínio. Feche e leve ao fogo baixo até tostar o pão e derreter o queijo.

Opcionalmente, você poderá untar levemente o sanduíche por fora com a manteiga antes de levar ao fogo. Para quem não tem uma sanduicheira, pode usar uma frigideira com revestimento anti-aderente.

Coma acompanhado de café ou uma bebida gelada.

Esse aqui foi feito na frigideira. Sentiu o aroma?

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Música do Dia - Lágrimas Negras - Bebo Valdes & Lopes Cachao


Romoaldo de Souza

Dois gênios do jazz. Dois destinos.
Bebo Valdes, cubano de Quinvican e Lopez Cachao, natural de Havana. Ambos nascidos em 1918 estão juntos hoje, no Café & Conversa, nesta Lágrimas Negras, que outro dia já esteve em cartaz, aqui mesmo, com Valdes & Cigala.

Bebo Valdes se consagrou como "um dos gigantes da música cubana", conforme o New York Times desde os anos 50. Com a chegada de Fidel Castro ao poder em Cuba, Valdes se refugiou na Suécia ao lado do filho, o também genial pianista, Chucho Valdes.

Israel López Cachao foi muito popular em Cuba, na orquestra de Pérez Prado, o rei do mambo. É de Cachao a então inovadora idéia de jam sessions em Havana, até a chegada do regime comunista. Antes de Fidel Castro espalhar seus tentáculos nada democráticas pela Ilha, López Cachao ainda tentou criar "clubes de jazz", mas se decepcionou com as prioridades do governo castrista. Mudou-se para Nova Iorque depois tocou em Las Vegas e hoje, está com o leitor de Café & Conversa, nessa maravilhosa Lágrimas Negras.

Perceba que o baixo de
Cachao faz o papel da voz que na versão anterior é de Cigala. E, para não perder o ritmo, Café & Conversa está no Twitter. www.twitter.com/CafeConversa



Lagrimas Negras

Y aunque tu
me has echao en el abandono.

Y aunque tu
has muerto todas mis ilusiones.

En vez
de maldecirte con justo encono
en mis sueños te colmo,
en mis sueños te colmo de bediciones.

Sufro la inmensa pena de tu extravio
siento el dolor profundo de tu partida.

Y lloro sin que tu sepas que el llanto mio
tiene lagrimas negras,
tiene lagrimas negras como mi vida.

Que tu me quieres dejar
que yo no quiero sufrir
contigo me voy gitana aunqe me cueste morir




terça-feira, 23 de março de 2010

A Música do Dia - Padre Marcelo Rossi e Belo - Noites Traiçoeiras


Romoaldo de Souza

Lendo o comentário de ontem, do leitor que assina com o pseudônimo de “
Mais e Mais Cafés”, quando ele afirma que o Café & Conversa está “a um passo do padre Marcelo Rossi!” e como não gosto de intermediários, assim como não gosto de canudinhos, por exemplo, nem de “aviões”, achei por bem ir atrás de dois intermediadores. Padre Marcelo Rossi e seu pupilo, Belo. O “avião” da droga no Rio de Janeiro.

Padre Marcelo Rossi é uma dessas criaturas, no sentido lato da palavra. No stricto senso como bem preconiza o latim que sua reverendíssima deve conhecer. Sem entrar no mérito se ele tem ou não dom para a música, pelo menos para espetáculos Marcelo Rossi é um pop star. É um astro. Vende como ninguém, reúne milhares de fiéis. Milhares mesmo. Os primeiros discos do padre venderam mais de 1,5 milhão de cópias. As letras, bem, as letras não são necessariamente uma poesia de Leonard Cohen, mas tem quem goste.

Belo está ao lado do padre do porque os negócios de ambos exigem. O padre quer converter. Belo precisa aparecer ao lado de um nome, por assim dizer, limpo! Belo tem sua legião de fãs, assim como Marcelo também o tem. Como Café & Conversa também. Basta ver que estou fazendo este post provocado que fui pelo leitor Mais e Mais Cafés. É assim, Marcelo Rossi é um padre, um intermediador.

Belo ligou-se ao tráfico intermediando drogas.

E não esqueça.
Café & Conversa também pode ser “bebido” no Twitter.
www.twitter.com/Cafaconversa


Noites Traiçoeiras
Padre Marcelo Rossi e Belo

Deus está aqui neste momento
Sua presença é real em meu viver
Entregue sua vida e seus problemas
Fale com Deus, Ele vai ajudar você.
ÔôôôDeus te trouxe aqui
Para aliviar o seu sofrimento
ÔôôôÉ Ele o autor da Fé
Do princípio ao fim
De todos os seus tormentos
(refrão)E ainda se vier, noites traiçoeiras
Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo
O mundo pode até
Fazer você chorar
Mas Deus te quer sorrindo (bis)
Seja qual for o seu problema
Fale com Deus, Ele vai ajudar você
Após a dor vem a alegria
Pois Deus é amor e não te deixará sofrer
ÔôôôDeus te trouxe aqui
Para aliviar o seu sofrimento
É Ele o autor da Fé
Do princípio ao fim
De todos os seus tormentos
(refrão)E ainda se vier, noites traiçoeiras
Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo
O mundo pode até
Fazer você chorar
Mas Deus te quer sorrindo



segunda-feira, 22 de março de 2010

Sorvete de Manga


Ricardo Icassatti Hermano

Well, o Outono começou, mas o frio e o calor ainda estão brigando pra ver quem fica. Uma hora chove. Em seguida, venta e faz frio. Logo depois, o calor volta como o bafo de um dragão. Por isso, o Café & Conversa vai alternar as receitas. Quando estiver frio, faça um prato quente. Quando esquentar, vá direto às receitas de comida fria ou gelada.

Hoje, trazemos uma gelada. No passado, seria difícil executá-la porque seu principal ingrediente é uma fruta de época. Mas, a tecnologia "muderna" conseguiu disponibilizar as frutas fora das suas respectivas épocas também. Você vai encontrá-la com facilidade em qualquer bom supermercado.

Hoje também deveria haver uma crítica de cinema, mas o Cinemark resolveu aprontar novamente. Comigo já é a terceira vez. Após um belo e farto almoço, estávamos todos sentados para assistir O Livro de Eli (não é o Peixeira), novo filme de Denzel Washington, estilo ficção científica/fim do mundo/pós apocalíptico. O filme começou e ... acabou. Parece que botaram a culpa no operador do projetor. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco ... Fica para a próxima.

A boa notícia é que o restaurante Carpe Diem, no Pier 21, mudou a marca do café horrível que serviam. Agora podemos tomar ali um excelente Café Arte. Tudo indica que a nossa campanha por bons cafés nos restaurantes está dando resultado. Vamos continuar botando pressão. E o Café do Ponto continua ruim.

Agora, vamos à receita, que é light e tem apenas 80 calorias por porção. Portanto, não precisam se preocupar com a forma, apenas com o sabor e o prazer.

Sorvete de Manga
4 porções

Ingredientes

- 1 manga grande descascada e cortada em pedaços
- 1 clara de ovo
- Suco de 1 limão
- 1/2 xícara de chá de Stevita Culinária


Preparo

Misture o STEVITA CULINÁRIA em 2/3 de xícara (chá) de água. Dissolva em fogo baixo - mexendo de vez em quando - e deixe ferver por 3 minutos (criando uma calda) após levantar fervura. Deixe esfriar.

Passe os pedaços de manga por um processador e, em uma vasilha, junte a essa massa a calda e o suco de limão. Misture e despeje essa mistura em uma vasilha baixa e leve ao freezer.

Após congelar, bata na batedeira até ficar um creme. Coloque de volta no freezer por 30 minutos.

Bata a clara em neve e acrescente ao sorvete, misturando. Guarde no freezer até o momento de servir.

O enfeite fica por sua conta