domingo, 11 de abril de 2010

Café com pamonha, uma receita de simplicidade


Romoaldo de Souza

Sabe essas coisas mínimas, que às vezes, a gente enche os pulmões de razão para dizer que não têm a menor importância e quase sempre são marcantes? Determinantes nos valores humanos que a vida vai nos ajudando a construir?

Pamonha, $ 2; chapéu, $ 10; cafeteira, $ 29; caneca, um presente.
O encontro não tem preço

Pois a história de hoje, tem alguns personagens principais, como Alexandre de Souza, um caminhoneiro, ex-plantador de café, vendedor de feiras livres e cigano nas horas que precisou; uma caneca de Café Orfeu e uma pamonha doce. Tem também personagens secundários, como Alexia Deschamps; uma bicicleta Peugeot ano 2000 e um chapéu de nylon, de R$ 10.

Neste domingo, depois de passar a noite velando a sono de Francisca Pereira, mulher de Alexandre e minha mãe, fui despertado por meu pai, dizendo que daria uma "saidinha" e que voltaria antes das 8h para tomarmos café juntos.

- Se bem que, como você sabe, eu não tomo café. Mas vamos papear juntos! - alertou.

Olhei o meu Tommy Hilfiger marcando 6h19. Vi que daria para puxar um cochilo até que dona Francisca despertasse novamente. Ela me acordou 11 vezes entre a meia noite e as 8h da manhã.

Nos anos de 1960, meu pai trabalhou na colheita de café no noroeste do Paraná, no município de São João do Caiuá. Deve ser dessa época que passou a detestar café. Foi aí, também, que minha mãe ficou grávida e ganhou de presente essa caneca. Era abril de 1960. A tinta já foi pro espaço, mas esteve escrito, durante esses anos todos a palavra "Felicidades!"

Romoaldo, já tomou seu café da manhã, hoje? Venha, querido!!!

Em maio de 1991, a TV Globo botou no ar a novela "O Dono do Mundo", contando a história de Felipe Barreto (Antonio Fagundes) um cirurgião plástico, com uma flexibilidade moral de fazer inveja nos dias de hoje. Nessa novela, aparecia de vez em quando, Liliane, a secretária do doutor Felipe, na clínica de cirurgia plástica. Foi paixão à primeira vista pela atriz argentina Alexia Deschamps.

Ei, veja como ainda monto nessa Alexia. Hummm, Alexia

Anos depois, uma amiga, a jornalista Márcia Turcato, me deu de presente uma bicicleta que trouxe de Porto Alegre. Pronto! "Batizei" minha bicicleta de Alexia Deschamps. Foi nessa Peugeot que meu pai foi comprar a pamonha, na praça do Bicalho, em Taguatinga, para o café da manhã. O café Orfeu foi servido na caneca que minha mãe ganhou no Paraná.

Hoje pela manhã, reuni esses personagens, tomei café da manhã com meu pai, recordando os tempos em que morávamos nas fazendas de café no interior do Paraná. Tomei o meu Orfeu, feito na cafeteira French Press, enquanto meu pai comia pamonha tomando uma vitamina de abacate, que eu detesto.

Assim como ele não sabe bem porque não gosta de café, que eu acho que foi por causa do período em que viveu no Paraná, eu também não sei porque não gosto de abacate. Vai ver que é por causa da queda de tomei de um pé, quando era adolescente, em Petrolina, na garagem da Joalina, empresa de ônibus, em que trabalhei como cobrador, fazendo a linha Juazeiro (BA) Petrolina (PE).

- Vai ver que é por isso - disse meu pai.

- É. Não duvido - concluí.

Nossas histórias de hoje, não se resumiram a esse diálogo sobre o cafezal paranaense e o abacateiro de Petrolina. Mas, que foi um ótimo começo de semana, ah isso foi!

Vem logo, rapaz! Comprei 3 pamonhas e não quero que sobre, heim!!!

Bom, e para completar a história e falar, também da música do dia, recordo bem, que em "O Dono do Mundo" fazia uma sucesso danado o "dueto" de pai e filha: Nat King Cole & Natalie Cole, interpretando Unforgettable.

Bom domingo! Estou agora, no twitter. www.twitter.com/CafeConversa


Unforgettable

Nat King Cole & Natalie Cole


Unforgettable, that's what you are


Unforgettablethough near or far

Like a song of love that clings to me

How the thought of you does things to me

Never before has someone been more


Unforgettable in every way

And forever more, that's how you'll stay

That's why, darling, it's incredible

That someone so unforgettable

Thinks that I am unforgettable too


Unforgettable in every way

And forever more, that's how you'll stay

That's why, darling, it's incredible

That someone so unforgettable

Thinks that I am unforgettable too




sábado, 10 de abril de 2010

Guerra de Informação em Brasília


Ricardo Icassatti Hermano

Brasília vive um momento difícil. Depois do vexame de termos um governador preso praticamente em flagrante e da desmoralização do Poder Legislativo local, os brasilienses enfrentam agora uma guerra de informação.

É preciso eleger um governador para substituir o preso que renunciou. Candidatos foram lançados. Mas, os únicos eleitores nessa "eleição" demonstram incapacidade para gerenciar o processo e permitem a interferência mal intencionada de interesses desesperados com a perspectiva de afastamento do poder. Os espertos de plantão.

O caso é inusitado e, por isso, não há legislação específica nem está previsto na Lei Eleitoral. Os responsáveis pela "eleição" decidiram utilizar como balizamento legal, justamente a Lei Eleitoral. O problema é que essa lei é inaplicável, devido às muitas incoerências que se criam.

Dois exemplos. A Lei Eleitoral diz que o candidato deverá ser escolhido em convenção partidária, que obrigatoriamente deve acontecer no meio do ano, de 10 a 30 de junho. A lei obriga ainda que os partidos solicitem o registro das candidaturas até as 19h do dia 5 de julho. A "eleição" do novo governador de Brasília está marcada para o próximo dia 17 de abril. Portanto, seria ilegal.

O presidente da Câmara Distrital, Cabo Patrício, se baseou na mesma lei para exigir que os candidatos sejam filiados há pelo menos um ano. Mas, o Direito prevê que quem pode o mais, também pode o menos. O candidato que for concorrer em outubro está dentro do prazo de um ano de filiação. Portanto, está apto para concorrer agora em abril, pois trata-se de uma excepcionalidade.

Outras dezenas de situações contraditórias e até inconstitucionais surgem quando se aplica a Lei Eleitoral ao caso de Brasília. Como resolver? Para isso existe o que é chamado no Direito de "interpretação da lei". Se a legislação não se aplica ao caso, ela é interpretada e aplicada naquele caso. A Lei Eleitoral foi feita para eleições ordinárias e não para eleição indireta.

Nenhuma das candidaturas postas até o momento pode ser rejeitada como se tem noticiado. Pelo menos não antes de haver uma definição coerente e transparente das regras que serão utilizadas. O que vimos até agora foi apenas o despreparo da Câmara Distrital para lidar com a situação.

Em princípio, todas as candidaturas estão valendo e, como prega o Direito, um fato extraordinário deve ser tratado de forma extraordinária. Os aliados do governador preso tentam confundir os brasilienses com uma guerra de informação. Vocês vão ler, ver e ouvir muita gente falando sobre decisões "definitivas". Nada está definido.

Nós devemos continuar defendendo os nossos respectivos candidatos, falando, gritando, escrevendo, exigindo, reclamando, esperneando. Temos que usar todos os meios que estiverem ao nosso alcance. Vamos influir nesse eleição mesmo que não possamos votar. Os políticos estão atentos ao que fazemos e como reagimos.

O meu candidato é o advogado Luiz Filipe Coelho. Um grande profissional, com longa lista de serviços prestados ao Distrito Federal e um homem de bem. Ele tem todas as qualidades necessárias para elevar o nível da política, tem boas ideias para sanear a administração pública e devolver nosso orgulho de viver em Brasília.

Força Filipe!

A Música do Dia - Obladi-Oblada - The Beatles


Romoaldo de Souza

Hoje faz 40 anos que Paul McCartney anunciou numa entrevista, que publico na integra a seguir, o fim dos Beatles. Foi dolorido para milhões de fãs. Eu mesmo, fiquei triste. Sentindo-me órfão. E olha que eu não admirava os Beatles, quando era criança. Hoje gosto muito mais.

Escolhi essa O-bla-di O-bla-da, porque tive uma professora de inglês, que em toda aula levava um disco dos Beatles e ia traduzindo verso por verso.

A melodia de O-bla-di O-bla-da é simples. Sem muito rebuscado, mas a história de amor eterno entre Desmond e Moly me comoveu.

Quando a gente é jovem acredita em amor eterno, pensa em dar um diamante de presente. Quanta ingenuidade. Fica velho, jå não acredita mais no amor eterno, mas continua pensando em dar um diamante. E ainda chamam isso de evolução.

Bom, leiam essa entrevista dada por Paul McCartney, escutem O-bla-di O-bla-da e sigam o Café & Conversa no twitter: www.twitter.com/CafeConversa. Não necessariamente nessa ordem!

O Fim dos Beatles

A data tida como oficial para o fim dos Beatles é 10 de abril de 1970 - data do lançamento do Álbum McCartney. Nele, Paul inseriu uma auto-entrevista, na qual deixa bem claro que os Beatles não mais existiam.

Há essa entrevista que os biógrafos se referem quando dizem que Paul quebrou o trato que tinha feito com John para não divulgar o fim do grupo. John ficou furioso, e se sentiu traí do. Veja o motivo:

Por que você decidiu fazer um disco solo?
Paul: Porque eu tenho um gravador Studer de 4 canais em casa, treinei nele, gostei dos resultados e decidi fazer um Álbum.

Você foi influenciado pelas aventuras de John com a Plastic Ono Band?
Paul: Um pouco, mas realmente não.

Todas as canções são somente de Paul McCartney?
Paul: Sim, senhor.

Elas serão assim creditadas?
Paul: Não, um pouco tolo que elas sejam creditadas como Lennon/McCartney, então à “McCartney”.

Você gostou de trabalhar como um artista solo?
Paul: Muito, uma vez que eu só tinha a mim mesmo para pedir uma decisão e eu geralmente concordo comigo mesmo! Lembre-se de que Linda está nele também, então na realidade é um trabalho em dupla.

Qual foi a contribuição de Linda?
Paul: Falando estritamente, ela faz a harmonias, mas, claro que é mais que isso, porque ela é um ombro para me apoiar e uma fotógrafa de renome. Mais que isso tudo, ela acredita em mim o tempo todo.

Não se sabia do disco até ele estar quase completo. Isso foi proposital?
Paul: Sim,porque normalmente um disco já está velho antes mesmo dele ser lançado. Veja o caso de “Let It Be”.

Por quê?
Paul: Eu sempre quis comprar um disco dos Beatles como o ‘povo’ (pessoas comuns) faz e ficar tão surpreendido como ele fica. Linda e eu somos os artistas e já estaremos cansados dele na data do lançamento. Mas nós realmente o adoramos.

Deduzindo que todas as canções são novas para o público, elas também eram novas para você?
Paul: Uma era de 1959 - “Hot As Sun” - duas da Índia - “Junk” e “Teddy Boy” - e o restante são bem recentes.

Por que você mesmo tocou todos os instrumentos?
Paul: Eu acho que sou bastante bom.

Paul e Linda serão como John e Yoko?
Paul: Não, eles serão como Paul e Linda.

O que gravar sozinho lhe ensinou?
Paul: Que tomar suas próprias decisões sobre o que você faz não fácil e que tocar com você mesmo é muito difícil, mas gratificante.

É verdade que nem Allen Klein nem a ABKCO estiveram ou estarão de qualquer forma envolvidos com a produção, fabricação ou promoção deste novo disco?
Paul: Não se eu puder evitar.

Você sente falta dos outros Beatles e George Martin? Houve algum momento em que você pensou, “Gostaria que Ringo estivesse aqui nesta parte?”
Paul: Não!

Supondo que seja um disco de muito sucesso, você faria outro?
Paul: Mesmo que não seja sucesso, continuarei fazendo o que eu quiser,quando eu quiser.

Você planeja um novo disco ou single com os Beatles?
Paul: Não.

Este disco é uma pausa nos Beatles ou o início de uma carreira solo?
Paul: O tempo dirá. Sendo um disco solo significa “o inicio de uma carreira solo…” e não sendo feito com os Beatles significa que é apenas uma pausa (um descanso). Então, na realidade é as duas coisas.

Sua separação dos Beatles é temporária ou permanentemente, devida a diferenças pessoais ou musicais?
Paul: Diferenças pessoais, diferenças comerciais, diferenças musicais, mas, acima de tudo, porque eu me divirto mais com minha famí lia. Temporária ou permanente? Realmente não sei.

Você antevê algum momento quando Lennon/McCartney se tornariam uma parceira ativa novamente?
Paul: Não.

O que você acha dos esforços de John pela paz? A Plastic Ono Band? A devolução de sua MBE? A influência de Yoko?
Paul: Eu amo John e respeito o que ele faz, mas não me dá muito prazer.

Alguma das canções no disco foram escritas originalmente pensando nos Beatles?
Paul: As antigas foram. “Junk” era para o “Abbey Road”, mas alguma coisa aconteceu. “Teddy Boy” era para o “Let It Be”, mas novamente alguma coisa aconteceu

Você ficou contente com “Abbey Road”? Ele foi musicalmente restritivo?
Paul: Foi um bom disco (número um por um longo tempo).

Qual seu relacionamento com (Allen) Klein?
Paul: Não há relacionamento. Não estou em contato com ele e ele não me representa de forma alguma.

Qual seu relacionamento com a Apple?
Paul: Há o escritório da companhia que eu parcialmente possuo com os outros 3 Beatles. Não vou lá porque eu não gosto de escritórios ou de negócios, especialmente quando estou em férias.

Você tem planos de montar sua própria companhia de produção independente?
Paul: Sim, a McCartney Productions.

Quais são seus planos agora? Umas férias? Um musical? Um filme? Aposentar-se?
Paul: Meu único plano é crescer!


Obladi-Obla-da
John Lennon e Paul McCartney

Desmond has a barrow in the marketplace
Molly is the singer in a band
Desmond say to Molly, girl I like you face
And Molly says this as she takes him by the hand
Obladi, oblada,
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Desmond take a trolley to the jewelers store
Buys a twenty carat golden ring, (rin-ring)
Takes it back to Molly waiting at the door
And as he gives it to her she begins to sing (sin-sing)
Obladi, obla-a
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Yeah, In a couple of years they
have built a home sweet home
With a couple of kids running in the yard
of Desmond and Molly Jones
Happy ever after in the market place
Desmond lets the children lend a hand (arm... leg...!)
Molly stays at home and does her pretty face
And in the evening she's a singer with the band
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
In a couple of years they
have built a home sweet home
With a couple of kids running in the yard
of Desmond and Molly Jones
Happy ever after in the market place
Molly lets the children lend a hand
Desmond stays at home and does his pretty face
And in the evening she's a singer with the band
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
And if you want some fun
take Obladi blada




sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Música do Dia - Fullgás - Marina Lima


Romoaldo de Souza

Dia desses, eu conversava com a amiga Jéssica Macêdo sobre MPB, sobre pessoas, cafés e comportamentos. Temas que muitas mulheres inteligentes gostam de falar. Elas falam de outros assuntos também, como roupa, comportamento e homens. Mas, com ela e nesse dia, falamos sobre gente. E ai veio a sugestão para usar, como referencia desse dialogo, um videoclipe que Marina Lima gravou na MTV.

O internauta que segue Café & Conversa vai entender do que falamos. Note que Marina Lima chama ao palco um dos mais influentes instrumentistas brasileiros, o baixista Liminha produtor de grupos como as Frenéticas. Ele também com passagens pelos Mutantes, Banda Black Rio e Raul (Santos) Seixas.

A pessoas assim, no diário que guardamos em nossa mente, sempre nos referimos com a letra "a" antes do nome. Assim como os cristãos usando o AC e o DC para marcar a passagem de Cristo pela terra. São assim as pessoas queridas. São referências, como bem disse ssica.

Sobre Fullgás, acho que Jéssica Macêdo me disse algo como era "uma música que diz muito sobre aquelas pessoas que têm total influência em nossas vidas." É verdade. Tem gente que é simplesmente marcante. Como Liminha é na carreira de Marina, como você pode ser na vida das pessoas que estão próximas. E nem sempre a gente percebe.

Boa sexta-feira e fique no Café & Conversa, aqui e no Twitter: www.twitter.com/cafeconversa


Fullgás
Marina Lima & Antonio Cicero

Meu mundo você é quem faz
Música, letra e dança
Tudo em você é fullgás
Tudo você é quem lança
Lança mais e mais
Só vou te contar um segredo
Não nada
Nada de mal nos alcança
Pois tendo você meu brinquedo
Nada machuca, nem cansa

Então venha me dizer
O que será
Da minha vida
Sem você

Noites de frio
Dia não há
E um mundo estranho
Pra me segurar
Então onde quer que você vá
É lá, que eu vou estar
Amor esperto
Tão bom te amar

E tudo de lindo que eu faço
Vem com você, vem feliz
Você me abre seus braços
E a gente faz um país
Você me abre seus braços
E a gente faz um país



Chegou a Hora!!!


Ricardo Icassatti Hermano

Como brasiliense, há muito tempo venho segurando um suspiro de alívio na garganta. Estava aguardando o dia em que poderia ter novamente alguma esperança na política. A hora chegou.

Nos últimos momentos da ditadura militar, fomos para as ruas e fizemos um "buzinaço"; das janelas das nossas casas protestamos com o "panelaço". Convocados para vestir verde e amarelo, nos vestimos de preto e apeamos um presidente do poder. Gritamos, esperneamos, choramos, sorrimos e exercemos nossa cidadania.

Meus filhos cresceram vendo e ouvindo tudo isso desde bem pequenos. Estavam no carro comigo no "buzinaço" e bateram tampas de panelas em nossa janela. A democracia veio e com ela uma espécie de apatia que nos trouxe até aqui. Até esse vergonhoso escândalo de corrupção no Governo do Distrito Federal, na cidade que meu pai ajudou a levantar do nada, onde eu cresci, me casei e descasei, tive filhos, me formei, trabalho e vivo até hoje.

Essa apatia é culpa nossa mesmo. Poderíamos ter gritado novamente, esperneado mais. Ficamos apáticos. As pessoas se desconectaram. Deu no que deu. Mas, agora podemos nos mexer. Se antes precisávamos ir para as ruas e fazer barulho, hoje a internet nos deu vez e voz. Ela é a nossa rua, a nossa praça, o lugar onde nos reunimos. As pessoas que estavam dispersas, agora estão a um clique de distância.

No próximo dia 17, será escolhido (não dá pra dizer que será eleito) um governador para o Distrito Federal. Ele vai completar o mandato interrompido pela renúncia do outro. Os deputados distritais que vão fazer essa escolha estão acuados pela realidade. Não podem escolher outro da mesma laia do anterior, senão começa tudo outra vez. Ou pior, vem a intervenção federal para nos taxar definitivamente de incompetentes.

Por obra dessa pressão inusitada, foram procurar alguém decente para ocupar o cargo. Alguém que não faz parte de curriolas, que não tem passado mal cheiroso e que tem competência suficiente para implementar mudanças radicais no padrão de governo que tínhamos até então. E finalmente surge a esperança em meio ao pântano.

Dessa infelicidade toda, dessa sujeirada toda, poderemos tirar algo de bom. Mas, é preciso que exerçamos a tal cidadania. Embora não possamos votar, chegou o momento de firmar posição, de assumir responsabilidade, de falar alto: "eu apóio fulano ou ciclano".

Cada brasiliense precisa agora decidir entre a apatia e a participação. Não importa quem você vai apoiar. Participe, defenda, exija, fale. Senão, como os políticos ficarão sabendo o que nós queremos e que estamos de olho neles?

Esse é um momento raro. Nós podemos influenciar essa escolha. Escreva no seu blog, no seu Facebook, no seu Orkut, no seu Twitter ou qualquer outra rede de que participe. Envie e-mails para todo mundo que você conhece. Diga o que pensa e quem você quer ver sentado na cadeira de governador. Cidadania não se exerce apenas no dia da eleição, como ouvimos na TV.

Eu vou dizer quem quero ver sentado naquela cadeira, quem eu boto fé que irá mudar o padrão ético dessa estrutura montada para a corrupção.

O nome dele é Luiz Filipe Coelho. Filho de Brasília, advogado brilhante, ex-presidente da OAB-DF e político de boa estirpe. Um homem de bem que possui todas as qualidades e méritos necessários para pavimentar a estrada que levará Brasília a dias melhores.

Luiz Filipe Coelho. Foto capturada no blog Fotos by Paulo Ajuz

Estive com ele hoje. Tomamos um café e conversamos um bocado. Ele me contou as ideias que tem para mudar o GDF. Caso venha a ser governador mesmo, ele pretende exigir de todos os candidatos a cargos de confiança, em todos os níveis, a "Ficha Limpa". A mesma que a Câmara dos Deputados adiou para votar em maio.

É uma medida fácil, administrativa, que depende unicamente da vontade política do governador. Quem quiser ocupar cargo de confiança no GDF - qualquer cargo - deverá ter o nome limpo na praça.

Outra ideia boa que ele tem é o estabelecimento de critérios estritamente técnicos no uso do dinheiro público. Com isso, acaba a maior fonte de corrupção em qualquer governo, o critério "político".

Parece que finalmente vou poder soltar aquele suspiro de alívio preso na garganta há tantos anos. Espero que a pressão da realidade e a dos brasilienses faça os deputados distritais decidirem em nosso favor. Não gritamos atoa.

Força Filipe!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Música do Dia - One Day - Matisyahu


Romoaldo de Souza

Quem está chegando ao Rio de Janeiro para um show imperdível é o inquieto e performático
Matthw Paul Miller, que nas horas de reflexão atende pelo nome de Matisyahu. Sua música está fazendo sucesso pela fusão do reggae clássico, que incorporou do ídolo Bob Marley, com o judaísmo ortodoxo. Os resultados são mais que surpreendentes sem necessariamente serem chatos, como é a maioria dos que fundem fé e música.

Natural da cidade de West Chester, na Pensilvânia, e criado no subúrbio de Nova York,
Matisyahu – versão hebraica de Mateus, o evangelista, que ele adotou depois da conversão – junta hip-hop, reggae e rap sem precisar falar palavrão, sem simular uma arma na cabeça nem para matar muito menos para ser morto.

Nessa
One Day, Matisyahu tenta ser um mensageiro da paz, como “meta prioritária, como caminho”.

No sábado,
Matisyahu se apresenta no Circo Voador, no Rio de Janeiro, se o grande deus da chuva deixar. Para abrir o show ele vai cantar essa One Day, que tem versos como “Às vezes, eu me afogo em minhas lágrimas, mas não deixo isso me abalar”.

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One Day
Matisyahu

Sometimes I lay
under the moon
and thank God I'm breathing
then I pray
don't take me soon
cause I am here for a reason
sometimes in my tears I drown
but I never let it get me down
so when negativity surrounds
I know some day it'll all turn around
Because
all my life I've been waiting for
I've been praying for
for the people to say
that we don't wanna fight no more
they'll be no more wars
and our children will play
one day x6
it's not about
win or lose
we all lose
when they feed on the souls of the innocent
blood drenched pavement
keep on moving though the waters stay raging
in this maze you can lose your way (your way)
it might drive you crazy but don't let it faze you no way (no way)
sometimes in my tears I drown
but I never let it get me down
so when negativity surrounds
I know some day it'll all turn around
Because
all my life I've been waiting for
I've been praying for
for the people to say
that we don't wanna fight no more
they'll be no more wars
and our children will play
one day x6
one day this all will change
treat people the same
stop with the violence
down with the hate
one day we'll all be free
and proud to be
under the same sun
singing songs of freedom like
one day x4
all my life I've been waiting for
I've been praying for
for the people to say
that we don't wanna fight no more
they'll be no more wars
and our children will play
one day x6
ooooooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!




A vida sempre fica melhor com Glauco


Ricardo Icassatti Hermano

Acabei de falar lá embaixo sobre Comfort Food e seus efeitos na alma. Tem outra coisa que também nos tira de qualquer buraco que a vida possa nos colocar. Essa coisa é rir, dar gargalhadas até chorar, perder o ar.

Quem conseguia detonar esse efeito em mim era o cartunista Glauco e seus personagens pra lá de alucinados. Sempre me identifiquei com eles, especialmente o Geraldão.

O humor é ótimo para derrotar ditadores porque esse tipo de gente autoritária não tem o menor senso de humor e, ridiculamente, se levam a sério. Não sabem a diferença entre autoridade e autoritarismo.

Hoje também trouxe um pouco da esculhambação que eles odeiam e ofereço ao Lula, ao Chávez, ao Evo, ao Fidel Castro, ao Raul Castro (que é uma bichona, segundo os próprios cubanos), ao Mahmoud Ahmadinejad e aos demais protótipos de ditadores sanguinários de todo o mundo.

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Viva Glauco!

Purê de Batata, uma verdadeira Comfort Food


Ricardo Icassatti Hermano

Provavelmente vocês já ouviram o termo "Comfort Food". Não existe um termo correspondente em português, mas seria algo como "comida reconfortante" ou "comida para a alma".

Naqueles momentos de tristeza, cansaço ou dificuldades é a comida que nos conforta como um afago, um chamego, um porto seguro momentâneo, que nos permite descansar e nos dá um pouco de alegria.

Geralmente esse tipo de comida está associada às boas lembranças da infância, tipo quando ficávamos doentes e nossas mamães ou vovós preparavam algo bem gostoso para nos ver comer. Mães adoram ver seus filhos comerem e se desesperam quando caem doentes e perdem a fome.

Pois é. Temos visto uma sucessão de imagens e relatos dramáticos no circo da notícia espetaculosa sobre as chuvas no Rio de Janeiro. Como jornalista, me deprime ver esse tipo de "jornalismo" prosperando. Se estivesse lá no Rio de Janeiro, certamente iria preparar uma das minhas "Comfort Food" prediletas.

Esse prato realmente me deixa feliz como uma criança brincando : ) Abro logo um sorriso e posso comer apenas isso numa refeição. Tudo acalma e fica em paz. Assim, hoje dou a minha receita para quem quiser experimentar ou precisa de um calorzinho na alma.

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Purê de Batatas


Ingredientes

- 1 kg de batatas
- 2 colheres de sopa de manteiga
- 1 pitada de noz-moscada (ou pimenta branca moída na hora)
- Sal a gosto


Preparo

Descasque as batatas, corte em pedaços médios e vá colocando numa panela com bastante água fria para evitar que oxidem e escureçam.

Adicione um pouco de sal à água e leve as batatas ao fogo alto. Depois que a água ferver, deixe cozinhar por aproximadamente 20 minutos ou até que as batatas fiquem bem macias. Espete com um garfo, que deve penetrar sem dificuldade.

Retire a panela do fogo e escorra a água. Passe as batatas ainda quentes por um espremedor na mesma panela.

Coloque o leite em outra panela menor e leve ao fogo baixo até aquecer, sem deixar ferver. Deve ficar mais ou menos na mesma temperatura das batatas. Com isso, o purê não empelota.

Junte a manteiga e o leite quente à batata espremida. Se ficar muito seco, coloque um pouco mais de leite.

Tempere com sal e uma generosa pitada de noz-moscada ou pimenta branca. Misture bem. Leve a panela ao fogo baixo e mexa bem até o purê começar a borbulhar. Sirva bem quente.



Só de olhar, minha alma se aqueceu e meu coração se encheu de esperança : )

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Música do Dia - La Gloria - Gotan Project


Romoaldo de Souza

O trio franco-suiço-argentino Gotan Project lança em 19 de abril, o álbum Tango 3.0, mas o leitor, seguidor, admirador e nas horas vagas apreciador do Café & Conversa já vai tomar conhecimento da faixa de trabalho e o videoclipe de La Gloria, dirigido por Prisca Lobjov.

Gotan Project chega aos dez anos de carreira, desde que Philippe Cohen Soal, Eduardo Makaroff e Christoph Muller lançaram o álbum de estréia, La Revancha del Tango, misturando o tango das ruas de Buenos Aires com a sensualidade argentina e mostrando ao mundo que os portenhos são mais que um povo que ultrapassa as fronteiras do futebol.

Hoje, Gotan (preste atenção que Gotan é tango ao contrário) Project é chique, é cool. É jazz, como no Lunático de 2006 e performances ao vivo, com uma parafernália de luzes e sons para mexer a alma de qualquer incrédulo, como mostrou o grupo em La Revancha...

Após ultrapassar a casa dos 2 milhões de discos vendidos e mais de 400shows pelo mundo a fora, Gotan Project está de volta com o disco de estúdio Tango 3.0.

A coreografia de Prisca Lobjov mostra bailarinos
tatuados de Gardel e brincando de ampulhetas

A bordo dessa expectativa, Café & Conversa tem o link para La Gloria, enquanto aguardamos, impacientemente, Tango 3.0.

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http://www.fubiz.net/2010/04/01/gotan-project-la-gloria/

Mariinha, a primeira caneca a gente nunca esquece


Ricardo Icassatti Hermano

Temos novidade na área. As canecas do Café & Conversa finalmente estão prontas e o sorteio vai rolar entre os leitores do blog. Mas, antes de tudo, uma pessoa muito especial ganhou a primeira caneca como um presente de agradecimento pela generosidade de compartilhar conosco os segredos culinários guardados a sete chaves pelas mulheres de Pedralva, aquela bucólica cidadezinha lá no Sul das Minas Gerais.

Ela é a incrível Mariinha (veja o post aqui), a guardiã da receita de pão de queijo que está fazendo enorme sucesso na Europa, França e Bahia. Além de Portugal, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Através do blog e da nuvem de eléctrons, o Pão de Queijo da Vó Ordália se incorporou aos menus de cafeterias em todo o mundo civilizado.

Assim, nada mais justo que a Mariinha recebesse a primeira caneca com toda a nossa admiração e carinho. E a encarregada de entregar o presente do Café & Conversa foi a Raíssa Abreu, jornalista galeguinha do zóio azul e filha ilustre de Pedralva, que relata agora a emoção da aventura.

Mariinha, a Caneca e o Pão de Queijo

A nossa querida Mariinha – aquela, do pão de queijo de Pedralva (Sul das Minas Gerais) – começou a lida do domingo de Páscoa toda toda. É que, além de ser Páscoa, era seu aniversário, e ela já dava a partida tomando seu cafezinho de todas as manhãs no primeiro presente que ganhara: a caneca personalizada do blog Café & Conversa.

O presente, peça quase que de colecionador, foi uma homenagem dos amigos Ricardo Icassatti e Romoaldo de Souza àquela que compartilhou sem titubear os segredos de gerações de fazedoras de pães de queijo, biscoitos, bolos, doces e outras delícias da culinária sul-mineira com os seguidores do blog.

Os tesouros da Mariinha, segundo contam, chegaram até as bandas de Portugal, embora ela não leve essa história de internet muito à sério, não.

Tímida que só, ela teve que ser ludibriada pra tirar a bendita foto encomendada: Mariinha e a caneca. De repente, eis que alguém lembra: “Tem pão de queijo na mesa!”. Então, de Pedralva diretamente para o Café & Conversa, Mariinha, a Caneca e o Pão de Queijo (dessa vez, fazendo pose).

Raíssa Abreu

Mariinha degustando seu café na caneca do Café & Conversa,
acompanhada do seu internacionalmente famoso pão de queijo

Quanto ao sorteio, aguardem. Estamos esperando apenas que o nosso designer Pablo Hermano, faça a arte. Daí vamos sortear algumas (poucas) canecas entre os nossos fiéis leitores.