sábado, 8 de maio de 2010

A Música do Dia - Blue Rondo à la Turk - Dave Brubeck Quartet


Romoaldo de Souza

Estava lendo, havia alguns instantes, antes de escrever esse comentário, uma reportagem no Correio Web, sobre um cliente que foi no restaurante do chefe Dudu Camargo e saiu de lá satisfeito por pagar R$ 6,00 por um café da Nespresso.


É de deixar qualquer um de queixo caído. Nespresso não é café espresso. É uma cápsula, com um café preestabelecido, o grão de procedência ignorada e a dosagem padronizada. Tem quem goste. Mas não é espresso.


Duvido que um barrista, por melhor que seja, consiga esse creme num Nespress


Um dos mais importantes critérios para saber se o café é bom, é saber seu DNA. De onde vem, quando foi torrado, que prêmios recebeu. Essas informações são importantes. Tão essenciais, como a temperatura da máquina, a torragem, o preparo e o tratamento que o barrista dar ao café.


Grãos selecionados...

...procedência conhecida


Na noite desta sábado, fui ao Café com Vinil, na Comercial da 413 Norte, em Brasília, provar "um grão especial", segundo me disse o barrista de lá, Juscelino Medeiros e uma água com gás, São Lourenço do Sul de Minas Gerais.


O Café Pessegueiro - apesar do nome marqueteiro de "gourmet da Mogiana" - tem as características de um café especial. 100% arábico, é um café de qualidade, acidez equilibrada, encorpado e aroma marcante.


Juscelino Medeiros prepara o espresso com maestria



Enquanto Duda dá o colorido nas noites do Café com Vinil


Depois de provar o Pessegueiro, eu dei uma entrada na sala do Café com Vinil, para uma rápida conversa com o DJ. Como o sugestivo nome diz, lá toda a música vem de dois picapes, ontem, operados por Rolando Martinez, um salvadorenho, que mora na Flórida.


Um dos meus discos prediletos: Time Out


Já que Martinez rodou Time Out, gravado no Studio Rua Comumbia, em 25 de junho, 1º de julho e 18 agosto, 1959, eu escolhi Blue Rondo à la Turk, para a música do dia, deste domingo.


Certa vez, o saxofonista Paul Desmont ouviu um inusitado ritmo 1-2 1-2 1-2 1-2-3 numa das ruas de Stanbul. O músico turco disse ao saxofonista do Dave Brubeck Quartet "Esse ritmo é para nós, o que o blues é para vocês". Daí o título da música Blue Rondo à la Turk .


Bom dia! Café & Conversa também pode ser degustado no Twitter. www.twitter.com/CafeConversa.



Blue Rondo à la Turk

Dave Brubeck Quartet




A Música do Dia - Jewish Klezmer x Gipsy Music

Romoaldo de Souza

Hoje, o fim da Segunda Guerra Mundial completa 65 anos. É o Dia da Vitória. Quantas vidas foram ceifadas o mundo jamais saberá ao certo, mas o curioso, é que a imprensa é que estragou a festa, antecipando a notícia.

Havia sido acordado que 9 de maio seria o dia da Celebração da Vitória. Para dar tempo das autoridades tomarem banho, se pentearem, e fazer comemorações oficiais.

Deve ser por isso, que ainda hoje, qualquer panaca quando chega ao poder, pega logo a caneta e começa a escrever teses e mais teses de controle da mídia, democratização dos meios de comunicação. Eufemismos para disfarçar a sede de censura.

Schlomo, o bobo que quer salvar a comunidade do ataque nazista

Para este sábado modorrento, pelo menos aqui nas imediações do vilarejo chamado Vicente Pires, distante 26km do centro de Brasília, minha recomendação é o filme O Trem da Vida. Sim, porque todo mundo fala nos judeus que foram mortos, e foram mesmo. Não é essa a questão.

O que quero lembrar é que outros grupos sociais e etnias também foram perseguidos durante a 2a Guerra Mundial, abençoada pelas igrejas. Quantos ciganos foram mortos. Quantitativamente não é possível prever se foram mais ou menos que os judeus, mas eu quero lembrar esse povo. Os ciganos romenos, os que se negavam a aceitar o cristianismo. O Estado. O nazismo. A democracia!

O Trem da Vida se passa em um vilarejo da Europa Ocidental prestes a ser invadido pelos nazistas. A solução para escapar das tropas de Hitler foi dada por Schlomo, o bobo da aldeia. Pena que no Brasil, os "bobos da corte" tenham idéias menos edificantes.

Ele sugere forjar um trem nazista, com personagens da própria localidade. Só que no caminho da fuga os "atores" se revelam e passam a incorporar a personagem dos algozes que vivem.

Nessa Jewish Klezmer versus Gipsy o cineasta Radu Mihaileanu reconstitue uma festa com músicas de improviso, tocadas pelos ciganos que então também no Trem da Vida.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Música do Dia - Homeless - Ladysmith Black Mambaza


Romoaldo de Souza


Toda manhã, Dedeus se prepara para sua grande aventura: observar a madame. Isso mesmo. O escrivão do Cartório de Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco, era tão desatento, que Dona Das Dores chegou para registrar o filho e disse que queria que ele fosse chamado de João de Deus. Virou Dedeus.


Ele chegou a São Paulo, com uma mão na frente e outra atrás. Ainda hoje está em busca da terra prometida que todo santo dia, Dona Das Dores pedia a Deus. E mesmo com o nome do Altíssimo na Certidão de Nascimento, até agora nada ... é mais um sem-teto, um morador de rua.


Quer dizer. Nada não! Dedeus tem lá seus momentos de Paraíso. Do alto da sabedoria dos seus quase 60, com aparência de quem tem perto de 60, Dedeus está nas estatísticas das ONGs, das pastorais, dos movimentos sociais. Ele sempre é um número quando esses grupos estão cadastrando pessoas desvalidas, para justificarem suas respectivas políticas de captação de recursos, para seus projetos nababescos.


Toda manhã Dedeus se levanta, varre a "porta da casa", se troca, penteia os poucos cabelos que ainda restam e vai sentar-se esperando a madame.


Dedeus adora barulho de motocicleta e madames passeando nas imediações da "casa" dele. Aquelas madames que preferem as ruas às academias. Aqueles corpos quarentões, com cheiro de 22 …


- Hum, lá se vem a madame ... - pensa e cheira Dedeus!


Com o barulho das motocicletas, Dedeus aprendeu que muitas delas varrem as laterais dos veículos, com a força de um tufão.


- Crááássss!!!! Lá se vai mais um retrovisor!


Dedeus corre. Pega o espelho do carro que ficou no chão, quase intacto, enquanto o motorista do Tempra, que ouvia um batidão a toda altura, usando uma dessas idiotas camisas de time de futebol, desfiava um rosário de palavras.


- Fica com essa p* pra tu, mano! - bradou o motora.


É naquele espelho que Dedeus se olha. Se admira e nutre esperança para que não chova naquela calçada, onde a madame passa (quase) toda dia, fazendo a ginástica dela. Cantarolando uns sons que ele não sabe de onde vem, mas isso não importa.


- Até sem teto, tem seu momento de prazer! - pensa baixinho.


Mas logo passa. Dedeus volta a sonhar com o dia seguinte, enquanto a madame segue desfilando seu charme e seu cheiro de 22 anos. Ginásticas fazem milagres na vida das madames e no coração do nosso homeless.


Dedeus, dificilmente vai ler esse post, mas a madame e o pessoal das ONGs, sim. Imprimam e leiam para ele. Vai sentir-se importante! Leia, madame! Leia para ele!


Tendo um tempinho, siga o Café & Conversa, também no Twitter: www.twitter.com/CafeConversa



Homeless


Paul Simon


Emaweni webaba

Silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni


Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

We are homeless, we are homeless

The moonlight sleeping on a midnight lake

And we are homeless, homeless, homeless

The moonlight sleeping on a midnight lake


Zio yami, zio yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami amakhaza asengi bulele

Nhliziyo yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami, angibulele amakhaza

Nhliziyo yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami somandla angibulele mama

Zio yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami, nhliziyo yami


Too loo loo, too loo loo

Too loo loo loo loo loo loo loo loo loo

Too loo loo, too loo loo

Too loo loo loo loo loo loo loo loo loo


Strong wind destroy our home

Many dead, tonight it could be you

Strong wind, strong wind

Many dead, tonight it could be you


And we are homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake


Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?

Somebody say ih hih ih hih ih


Yitho omanqoba (ih hih ih hih ih) yitho omanqoba

Esanqoba lonke ilizwe

(ih hih ih hih ih) Yitho omanqoba (ih hih ih hih ih)

Esanqoba phakathi e England

Yitho omanqoba

Esanqoba phakathi e London

Yitho omanqoba

Esanqoba phakathi e England


Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?


Kuluman

Kulumani, Kulumani sizwe

Singenze njani

Baya jabula abasi thanda yo

Ho




Mais uma Feliz Ganhadora e sua Caneca


Ricardo Icassatti Hermano

Essa é lá de São Paulo, cidade grande de onde vem o nosso próximo presidente da República. O nome da feliz ganhadora da caneca personalizada e exclusiva é Patrícia Malta de Alencar.

Ela nos disse que não tinha sorte na vida, nunca havia ganhado nada, coitchada. Mas, buscando forças no fundo da alma, a pequena Patrícia acreditou no sonho, rezou, botou fé, deu tudo de si e se inscreveu no Grande Sorteio das Canecas do Café & Conversa.

O resultado está aí embaixo na foto: alegria, felicidade e um lindo sorriso. Agora, a Patrícia pode matar de inveja os seus colegas da Revista Espresso, uma das publicações mais bacanas do Brasil e que trata justamente de café. Parabéns Patrícia!!!

"Eu tenho! Vocês não têm!"

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Música do Dia - Homenagem à Matemática


Romoaldo de Souza


Hoje é o Dia do Matemático e eu gostaria de lembrar dois professores que tive, que me ajudaram muito a ser racional. Pragmático. Quase um desalmado.


Ainda no interior de Pernambuco, fui aluno de uma das mais temidas professoras da região. Dona Salomé. Pare. Pense numa mulher genial. Gorda, exímia pianista, excelente educadora. Uma sumidade.


Pitágoras ensinou a desvendar o parentesco da

escala musical com a matemática


Era a diretora da escola, Grupo Escolar João Gomes dos Reis. Dava aula nas quartas-feiras. Era o dia. O meio da semana. A escola se dividia entre as segundas e terças. Quintas e sextas. A quarta-feira era da Dona Salomé.


Era nesse dia que a bandeira era hasteada. O Hino Nacional. Eu adorava "Deitado eternamente em berço esplêndido". Gostava da sonoridade daquela frase. Não fazia a menor idéia do que fossem berço e esplêndido. Mas gostava da sonoridade. Aquela si bemol maior caía bem. "Deitado eternamente em berço esplêndido".


Quando entrávamos na sala de aula, o bicho pegava. Um silêncio ensurdecedor. Ninguém dada uma palavra a não ser para as respostas orais do dever de casa. E Dona Salomé dava aula de matemática com um piano na sala.


Um dia, ela levantou-se, do auto dos seus 122kg e bradou. Dou nota 100 (nessa época agente recebia notas de um a 100) para quem cantarolar as notas musicais de acordo com a pulsação do coração.


- Sem respirar e sem fraquejar - advertiu!


Até hoje, uso a respiração pelo diafragma. Dona Salomé gostou do que viu e eu levei nova 80.


Anos depois, conheci Fernando Machado. Na minha opinião, um dos maiores saxofonistas da atualidade. Ele é professor de sax, na Escola de Música de Brasília. Um dos maiores celeiros de instrumentistas que jamais conheci no Brasil.


Saxofonista de primeira, esse Fernando Machado. Muito bom!


Foi ele quem me ensinou muito do que sei da música. Um grande educador. Pena que eu não tinha habilidade para o sax. Mas aprendi muito tanto com ele, como com Dona Salomé.


Se você quer saber porque no Dia do Matemático, eu falei de dois professores um de música e outro de matemática. Veja esse filhinho, aí abaixo.


PS: Hoje também é o Dia da Coragem. Coragem, gente!




MACHETE - They just fucked with the wrong mexican!


Ricardo Icassatti Hermano

Há cerca de um ano que o genial diretor e roteirista mexicano Robert Rodriguez vem trabalhando em um filme que começou como uma brincadeira. Quando filmou com seu amigo Quentin Tarantino o sensacional Planet Terror, ele adicionou o trailer de um filme fictício, chamado Machete. Veja abaixo.




Era a história de um assassino mexicano interpretado por Danny Trejo, uma figurinha carimbada dos trash movies. Este assassino, que se chama Machete (facão, em espanhol), é contratado para matar um senador americano que quer acabar com os imigrantes mexicanos. Como sempre acontece nessas histórias, Machete é traído e quase morto.

Trejo fez o vilão em 9 entre 10 trash movies

Mas, ele é foda. Sobrevive e volta para se vingar. No facão. O trailer termina com o locutor em off dizendo: "They just fucked with the wrong mexican".

O trailer fez tanto sucesso que Rodriguez foi praticamente obrigado a transformá-lo num filme de verdade. Agora, Machete está quase pronto, com previsão de lançamento para setembro. Mas, às vezes, a realidade é mais criativa que a ficção.

Cartaz do primeiro trailer

O estado do Arizona aprovou uma legislação duríssima contra os imigrantes ilegais, em sua maioria mexicanos. Rodriguez não titubeou e lançou um "ilegal trailer", como ele mesmo denominou, do filme. Uma tremenda gozação com o governo do Arizona, que realmente just fucked with the wrong mexican.

Mas, o bom mesmo é que fomos surpreendidos pelo elenco do filme, que conta com estrelas como Robert De Niro, Jessica Alba, Lindsay Lohan, Steven Seagal, Michele Rodriguez, Don Johnson, Jeff Fahey, Cheech Marin e Rose McGowan. Alguém duvida que será mais um fucking success?

Veja o trailer e roa as unhas esperando pelo filme como nós aqui no Café & Conversa. Enquanto espera, pode nos seguir no Twitter também: https://twitter.com/cafeconversa.

Infelizmente, o novo trailer pode ser retirado a qualquer momento do YouTube. A Twentieth Century Fox, que detém os direitos sobre o filme, solicitou a sua retirada. A intenção de Rodriguez era que o trailer tivesse o efeito viral, aproveitando o momento e as comemorações do 5 de maio, data importante para os mexicanos. Ele inclusive o chamou de "ilegal trailer". Então, quem viu se deu bem. Quem não viu, terá que esperar o lançamento oficial. Mas, como a internet não para, o Café & Conversa continuará procurando novas cópias do trailer para os seus leitores.



quarta-feira, 5 de maio de 2010

Michael, Anjo e Sedutor - Sessão da Tarde


Ricardo Icassatti Hermano

O ator John Travolta percorreu um longo caminho na carreira, desde Grease (Nos Tempos da Brilhantina) e Saturday Night Fever (Os Embalos de Sábado à Noite), quando era apenas um garoto que dançava muito bem. Como qualquer um de nós, teve altos e baixos, cometeu erros, pagou micos impagáveis e quase viu o fim da carreira.

Uma longa carreira até os US$ 20 milhões por filme

Dentre os micos - que não foram poucos - destaco o filme Battlefield Earth: A Saga of The Year 3000 (A Reconquista). Uma pretensa ficção científica que não passava de uma concessão feita à seita que frequenta desde os 21 anos de idade, a tal da Cientologia. Os fãs do gênero ficaram furiosos. Eu incluído.

Isso é o que chamo de mico impagável

Renasceu pelas mãos do genial diretor e roteirista Quentin Tarantino, que é fã confesso de filmes trash, único meio em que Travolta ainda conseguia algum trabalho. Em 1994, o ator saiu do limbo com o filme Pulp Fiction, em que faz um assassino de aluguel sem noção. Passou a ter mais altos do que baixos na carreira.

Como estou no estaleiro devido a uma forte gripe, o vírus do ano, minha diversão tem sido a TV paga. Num dos canais High Definition, revi ontem um dos meus filmes favoritos com o Travolta.

O filme, na verdade um road-movie, chama-se Michael (Michael, Anjo e Sedutor), em que o ator faz o papel do Arcanjo que desce à Terra com a difícil missão de fazer um repórter reencontrar seu coração. Todo mundo sabe que jornalista é uma raça sem coração ...

Cartaz do filme

Só que o Arcanjo é uma figuraça. Fuma, bebe, adora uma briga, dança e come açúcar às colheradas. E pega a mulherada nos intervalos. O filme é engraçadíssimo e ainda tem no elenco as feras William Hurt, Andie MacDowell, Robert Pastorelli e Bob Hoskins. Os três primeiros são os jornalistas que vão investigar a estória de um anjo para um jornaleco sensacionalista.

Um Arcanjo figuraça

Uma das cenas mais legais é quando o Arcanjo fala com o repórter, vivido por William Hurt: "Lembre-se sempre de John e Paul". O repórter devolve: "Os apóstolos?". O Arcanjo: "Não. Os Beatles. All we need is love". Exatamente : )

Diversão light para uma tarde deitadão na cama, tossindo e espirrando. Acho que o filme ainda pode ser encontrado em DVD nas boas locadoras. Veja a cena em que Michael dança num bar com a mulherada.