domingo, 30 de maio de 2010

Saudade do Futuro


Ricardo Icassatti Hermano

Domingo é um bom dia para falar de saudade. Essa palavra que tem um significado único para nós brasileiros. No resto do mundo esse sentimento é descrito como tristeza ou sentir falta da terra natal. Nós ampliamos o seu sentido para caber tudo o que nos cerca. Temos saudade até do futuro, como cantava Renato Russo.

Na noite/madrugada da última quinta-feira, assisti na TV a cabo um show do James Taylor, uma lenda dos anos 1970. Compositor e cantor de mão cheia, fez sucesso com baladas country românticas que falavam das suas saudades, especialmente da sua terra, o estado norte-americano da Carolina do Norte.

Mas, foi uma outra canção sua que fez história e marcou a época em que os jovens eram hippies cabeludos pregando a paz e o amor. Um sonho bonito que durou pouco, como é da essência dos sonhos. Essa canção de James Taylor chama-se You've Got a Friend. No vídeo abaixo, ele ainda tinha cabelão e bigode.




Ao ouvir a canção, lembrei de um grande e velho amigo. O nome dele é Wagner Rossi, ou Guna, como eu o chamo. Ele sempre diz que toda vez que ouve essa música lembra-se imediatamente de mim. Para nós dois, essa música faz todo o sentido. Acredito que para chamar alguém de "amigo" é preciso comer um prato de sal juntos.Wagner e eu comemos alguns pratos de sal juntos.

Nos conhecemos por acaso no início das nossas adolescências. O colégio onde eu havia estudado toda a infância organizou uma festinha para os alunos e meus antigos colegas me convidaram.

Chegando lá, dei de cara com umas figuras que andavam em bando arrumando confusão em festas. Nunca fui de andar em bando. Gosto de andar sozinho. Em bando, todo mundo é valente e já botei muito bando para correr.

Naquela época, um outro amigo, Eduílton "Bocão", já havia me apresentado a Soul Music americana e o pop dançante da banda Jackson Five. Foi como uma droga altamente viciante. Tentávamos pentear os cabelos no estilo "Black Power" e imitávamos os passos do Rei James Brown e dos irmãos Jackson, cuja estrela maior era o pequeno Michael com sua voz poderosa.

E, naquela festa, as tais figuras que andavam em bando não gostaram do baixinho meio patolinha que dançava no salão como um negão americano. As figuras vieram até mim e tentaram me atiçar a ponto de brigar com o baixinho dançante. É claro que dei risada. Disse a eles que se não haviam gostado do sujeito, que fossem lá e quebrassem a cara dele. Eu não tinha nada a ver com aquilo.

Aí prestei atenção no jeito que o baixinho dançava e mudei de ideia. Disse para as figuras que se encostassem a mão no cara eu encostaria a minha mão neles. Sem entender nada, as figuras me perguntaram por que. Respondi que havia gostado dos passos de dança do baixinho e fui lá dizer isso a ele e pedir que me ensinasse.

Como vocês já devem ter notado, não fui muito popular na minha adolescência. Mas, tinha a meu favor o fato de ser um lutador de Karatê. O que me ajudou bastante, devo confessar.

Mas, desde então Wagner e eu somos amigos. Montamos uma equipe de competição para correr de Kart. Minha carreira de piloto terminou um ano depois num acidente espetacular, que envolveu um piloto bêbado e o Roberto Pupo Moreno. Depois ajudei o Wagner a conseguir patrocínio para correr de Fórmula Ford. Fizemos uma série de viagens hilárias. Aliás, as nossas viagens sempre foram hilárias.

Ele continuou e fez carreira no mundo automobilístico de competição. Eu virei jornalista e me apaixonei pela política. Ele casou com a Junia. Eu me casei quatro vezes. Eles não quiseram ter filhos. Eu tive três e ajudei a criar outros sete. Eles foram morar nos Estados Unidos. Eu morei em Natal e Boa Vista, mas acabei voltando para Brasília. Hoje, eles moram uma parte do ano em Maceió e a outra em Miami.

E nossa amizade só se fortaleceu em todos esses anos. Mesmo quando deixamos de nos falar. Brigamos porque ele terminou com a Junia, quando ainda namoravam, e eu lhe disse que estava perdendo a mulher da sua vida. Uns dois anos depois, voltamos a nos falar quando ele e ela me procuraram para entregar o convite de casamento.

Mas, eu estava falando de saudade. Há alguns anos, recebi a notícia de que o Wagner estava indo às pressas para São Paulo para se submeter a uma cirurgia de ponte de safena. O quadro dele foi considerado gravíssimo por ninguém menos do que o Dr. Adib Jatene. Liguei imediatamente, apesar de ter sido advertido que ele não poderia atender telefonemas para não se emocionar.

Junia atendeu e me disse exatamente isso, que as condições dele eram péssimas, que ele não poderia falar e que estavam fechando as malas e correndo para o aeroporto.Wagner perguntou quem era e quando soube que era eu atendeu o telefone. Fui a única pessoa com quem ele falou por telefone naquele dia. Choramos por 20 minutos antes que pudéssemos dizer qualquer coisa.

Agora mesmo, lembrando aquele momento terrível, volto a sentir o mesmo medo, a mesma falta de chão e a chorar copiosamente. Quando consegui falar novamente, disse que ele estava proibido de morrer porque tenho poucos amigos de verdade. Conto nos dedos de uma mão. Ele não poderia me sacanear daquela maneira. Iria embora para um lugar melhor e me deixaria aqui ralando. Assim não dá.

Felizmente, deu tudo certo e ele ficou novo em folha. Fui com outro amigo nosso, o Sérgio Ilha "Botinha", visitar o Wagner no hospital em São Paulo. Passamos o dia lá e voltamos à noite. Foi mais uma porrada emocional. Um ano mais tarde, encontrei o Dr. Adib Jatene nos corredores do Senado. Agradeci a ele por ter salvo a vida do meu amigo. Ele já havia parado de operar, mas abriu uma exceção devido à gravidade do caso.

Depois de todas essa recordacões, saio do trabalho na sexta-feira, chego em casa, abro meu e-mail e lá está uma mensagem do meu amigo Wagner. Não nos falávamos a mais de um ano. Nessas horas é que podemos ver como tudo está conectado, como os laços emocionais se mantêm e fazem contato quando sentimos saudades. Que força poderosa é essa.

E a saudade é um negócio estranho, porque quando sentimos ela se espalha. Bastou sentir saudade do meu amigo e comecei a sentir saudade de outras pessoas e coisas, do passado, do presente e do futuro. Senti saudades dos meus filhos ainda pequenos. Eram crianças lindas e hoje são homens lindos. Mosfí Indo!

Senti saudades dos bons momentos e até dos nem tão bons assim. Afinal, todos eles me trouxeram até aqui, até esse texto que escrevo com enorme prazer. Senti saudades das festas, das meninas sempre cheirosas, das roupas coloridas, da inocência, das loucuras, das tolices, das brigas, das viagens de mochila nas costas, da velocidade, das aventuras, das descobertas, da vida simples, descomplicada ...

Senti saudade da minha infância, das fazendas, de galopar montado em pelo nos cavalos feito um índio apache, das corridas de autorama, de encarnar o Tarzan nas mangueiras, de pescar bagres para o almoço e nadar nas cachoeiras geladas. Senti saudade da minha avó Arcângela. Senti saudade do seu filho, meu pai Manduquinha.

Senti saudade das motocicletas, do vento, do sol, da lua, das nuvens, das estrelas, dos veleiros, do alto mar. Lá fora, tudo é tão diferente, imenso. Senti saudade da areia nas solas dos pés e do silêncio no fundo do mar. Senti falta das gargalhadas, das palhaçadas e do descompromisso. Senti saudade da Lolita e do Black.

Senti saudade de pessoas que conheço e que ainda vou conhecer. Senti falta da liberdade que enche os pulmões e nos dá a certeza que vale a pena viver intensamente, corajosamente, sem medo do amanhã, sem medo de nada. Tenho visto tanta gente acovardada, deprimida, desanimada, acomodada, achando que não há saída.

Acho que preciso de férias. Tirar a poeira da minha mochila e cair na estrada. O Wagner está me enviando um mapa rodoviário dos Estados Unidos. Quem sabe? Antes, preciso dar uma passada em Campinas ...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dulce de Leche Coffee


Ricardo Icassatti Hermano

Em novembro do ano passado, postei aqui uma receita de Bolo de Café, retirada de um blog sensacional: The Pioneer Woman. Este blog é mantido por uma dona-de-casa chamada Ree Drummond, que reside junto com a família (maridão e quatro filhos) numa fazenda no interior dos EUA. A história dela é do tipo garota da cidade que se apaixona por um cowboy do interior e larga tudo para viver no rancho.

A pioneira e seus quatro filhotes

Mas, ela levou as habilidades adquiridas na cidade. Por isso, além de boa cozinheira, ela toca um blog bem feito, cheio de informações, e é uma excelente fotógrafa. Vale a pena dar uma passeada por lá, porque a mulher simplesmente ama a vida que tem e tudo o que faz. A cozinheira perfeccionista faz questão de fotografar cada passo das suas receitas. É cada passo mesmo!

Ree Drummond e seu cowboy vivem um Brokeback Mountain hetero

Na época em que vi a receita do Bolo de Café, ela estava às voltas com seu primeiro livro de receitas. Fazia tempo que eu não visitava o blog e fiquei feliz em saber que o livro ficou pronto e Ree Drummond se prepara para uma turnê de lançamento. Vamos torcer para que alguma editora se interesse em traduzir e publicar a obra por aqui. Caso contrário, vou ter que comprar a versão em inglês mesmo.

Esse livro é o máximo! Cozinhe como os pioneiros!

Nessa visita, acabei me deparando com mais uma receita saborosa que leva o café como um dos seus ingredientes. Trata-se de uma bebida para os dias frios que estão chegando. Vai bem com qualquer um dos bolos já postados por aqui. Vamos a ela então.

Dulce de Leche Coffee

Ingredientes

- 4 xícaras de café bem forte
- 170g de doce de leite (em barra ou creme)
- 6 colheres de sopa de licor de café
- 1 xícara de creme de leite fresco
- 2 colheres de sopa de açúcar
- 6 colheres de sopa de chocolate meio amargo ralado


Preparo

Faça o café bem forte e, ainda quente, adicione o doce de leite (se for em barra, corte em pedaços pequenos) aos poucos e misture bem até dissolver completamente. Mantenha o café quente retornando ao fogo sempre que for preciso.

Junte o creme de leite e o açúcar. Bata até obter o creme chantily.

Em cada caneca que for servir a bebida, coloque uma colher de sopa de licor de café. Se preferir, adicione 1 1/2 colher ou use outra bebida, como whiskey, bourbon e brandy.

Em seguida, coloque a mistura de café e doce de leite nas canecas. Coloque uma colher de sopa de creme chantily e polvilhe chocolate ralado por cima.

Agora só faltam a fogueira, o céu estrelado, os cavalos, as vacas ...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pelas ruas de Recife - Café & Conversa


Romoaldo de Souza

Ufa! Quanta ladeira. Quantas ruas. Quantos buracos. A caneca do Café & Conversa ainda arrumava as malas para uma nova aventura, enquanto se preparava para seu último dia nessa turnê pela capital de Pernambuco.

O sol tinha dado uma abrandada geral. Manhã! Café com tapioca, pamonha e bolo-de-rolo. Que aliás não é a mesma coisa que rocambole. Você pode até não saber a diferença entre o coreano e o japonês, mas não cometa a besteira de chamar bolo-de-rolo como se fosse um rocambole.

Isso é um café-da-manhã arretado

Perceba, que ao contrário do rocambole, o bolo-de-rolo é bem mais fininho... Pronto! Não erre mais. Quer deixar um pernambucano arretado? Chame bolo-de-rolo de rocambole... Chame que você vai ver só "o que é bom pra tosse..."

"Simbora", pensou a caneca. "Simbora" que o dia é curto, e pela roupa que a moça colocou, não vai dar praia, nem em Boa Viagem.

Primeira parada, Recife Antigo. De repente, me encontro diante da estátua do poeta Ascenso Ferreira.

Catimbó - Cana Caiana - Xenhennhém

"Hora de comer - comer! Hora de dormir - dormir! Hora de vadiar - vadiar! Hora de trabalhar? - Pernas pro ar que ninguém é de ferro"! Ao fundo, a Ponte Maurício de Nassau que liga Recife Antigo ao bairro de Santo Antonio.


Abre a rodinha, meu amor/ Abre a rodinha

De repente, a surpresa. Estava diante da polêmica escultura fálica do escultor Francisco Brennand que se encaixou perfeitamente bem, na asa da caneca (ou "aseia", como dizem os pernambucanos)

Torre de Cristal, fica no parque de esculturas junto com 90 peças do artista. ela é uma homenagem a Burle Marx.

No fim do arco-íris tem um pote de ... café!

Ciganos da Romênia, como Alexandre Mariano, contavam histórias segundo as quais, no fim de um arco-íris tem um pote cheio de ouro. Casou perfeitamente a lenda com o real. Cheia de café, essa caneca vale ouro

Santa e pecadora, a caneca do Café & Conversa deu
uma passadinha na Igreja da Madre de Deus


Dizem os historiadores que foi a partir desse ponto que a cidade do Recife começou a se expandir. Atualmente, o Marco Zero ponto de shows e onde acontece a apoteose do carnaval noturno da cidade.


Na dúvida, para garantir a ecumenismo, passamos na primeira
sinagoga das américas, construída na rua Bom Jesus. Esses judeus...


Pois não é que essa "renca" de meninos fez questão de
compor o cenário para a caneca se exibir?


Outro grande poeta, Manuel Bandeira

Grande, Manuel Bandeira. Só mesmo quem tomou um café consistente para ter tamanha inspiração "Vou-me embora pra Pasárgada. Lá, sou amigo do rei. Lá, tenho a mulher que eu quero. Na cama que escolherei".

Bom, é hora de ir. Grato a Ana Paula Figueirêdo que me ciceroneou pelas ruas e avenidas de Recife. A gente se encontra. E Assim como o Café & Conversa prestou essa homenagem ao Recife, o pernambucano Lenine também canta a cidade.



quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Música do Dia - Bibi Ferreira - Canta Piaf


Romoaldo de Souza

A trajetória da caneca personalizada do Café & Conversa sobe hoje, o Morro da Conceição. Mas antes de seguir a peregrinação que fazem os fiéis devotos da Virgem, muito querida na cidade, queria lembrar que ontem nossa caneca andou pelo Derby, no centro da cidade de Recife, foi à faculdade Maurício de Nassau, onde acabou sendo paparicada pelas amigas Natasha e Simone.

Hoje, a caneca acordou cedo, serviu de recipiente para um bom café da manhã, deixou o bairro de Espinheiro e seguiu viagem. O Morro da Conceição e as histórias dos devotos estão servindo de base para um trabalho de conclusão de curso de Jornalismo, da nossa repórter, correspondente, espiã e nas horas vagas, guia de turismo, Ana Paula.

Lá vamos nós!

- A bênção, mainha! - disse Ana Paula.

- Deus te abençoe! - respondeu quase no automático a dona Zélia, zelosa mãe da futura jornalista.

Na subida do Morro da Conceição, a vista do Recife é explêndida. A cidade se curva nos braços dos rios Capibaribe e Beberibe.

E lá vai a caneca. Passa por um banca, encontra uma amiga e chega ao topo. No oitão da igreja. Pede uma graça.


Aos pés da Virgem, muita gente treme. Pede uma graça.
A minha parte eu quero em café...

Nem a pau Ana Paula disse o que pediu à Virgem, mas nossa devota romeira nos conta que "a Festa do Morro acontece todos os anos, entre 29 de novembro e 8 de dezembro, quando se comemora a festa de Nossa Senhora da Conceição. Milhares de devotos sobem o morro. São pagadores de promessa, pessoas que querem curtir os bares, tirar uma grana no comércio e há aqueles que vão para as duas coisas".

Fitinhas no braço para fazer um pedido. O que será que ela pediu?


Alô mainha. Tô indo. Antes, vou passar no Teatro, visse?

E assim, depois de pagar uma promessa, a caneca despenca do Morro da Conceição, rumo ao Teatro Santa Isabel, lugar de memoráveis espetáculos.


Teatro Santa Isabel , como o que vi, recentemente, com Bibi Ferreira


Daqui, fomos até o Palácio Campo das Princesas. Aqui, é a sede do governo estadual.




E antes, de voltar para casa, demos uma parada na ponte Duarte Coelho. Observando o por do sol enquanto uma brisa suave trazia energias para a caminhada de amanhã.


A ponte Duarte Coelho, as luzes como se iluminassem
a necessidade de limpeza do rio Capibaribe

Para fechar este post, Bibi Ferreira canta um Poup Pourri de musicas de Édit Piaf.



Bolo de Chocolate em 5 Minutos


Ricardo Icassatti Hermano

Você pode até não ser chocólatra como eu, mas certamente tem uma amiga, uma namorada, uma esposa, uma filha. Todo mês elas entram naquele período em que ficam assim, digamos, irritadiças e nervosas. E você, esperto que é, esconde todos os objetos cortantes e pontiagudos da casa.

Acredite. Eu sei como é isso. E morro de medo também. Mas, a natureza é sábia e pródiga. Ela nos deu o cacau e os sábios Maias criaram o chocolate. Quando uma praga dizimou os cacaueiros na península de Yucatán, no México, os Maias logo criaram um calendário que previa o fim do mundo no dia 12 de dezembro de 2012.

O mundo vai acabar numa gigantesca TPM ...

Aqueles valentes e sanguinários guerreiros sabiam que, com o fim do chocolate, os homens não teriam muita chance com as mulheres na TPM. Só poderiam prever o fim do mundo mesmo.

No entanto, a Bahia salvou a humanidade. E não foi com Axé Music, trio elétrico, Rebolation, café Piatã ou a enorme variedade de doenças venéreas transmitidas no Carnaval. Foi com as fazendas de cacau e os livros do Jorge Amado. Graças a isso, aquele período do mês passou da categoria "Massacre da Serra Elétrica" para "True Blood". Bem mais civilizado.

Mas, aí você chegou em casa e esqueceu de olhar a folhinha que traz sempre na carteira. Abriu a porta e deu de cara com a patroa vestida com aquele famigerado robe de espuma cor de rosa que ela guarda desde os 16 anos de idade.

O cabelo desgrenhado, os olhos esbugalhados. Com a voz grossa, ela balbucia coisas ininteligíveis como : "Porra amor, isso é hora de chegar em casa? Porra!". De vez em quando, a cabeça rodopia, como no filme "O Exorcista".

Porra amor ... qualé? Já tava com saudade, porra!

Passado o choque inicial, você se amaldiçoa por ter esquecido daquela época horripilante do mês. Sua mulher ali no meio da sala querendo virar o Incrível Hulk. Você precisa tomar uma providência antes que seja tarde demais.

Logo explode na mente a saída salvadora. Corre para o computador e acessa o blog Café & Conversa. Você sabe! Você é um homem de muita fé! Você acredita! Você confia! Você pede ajuda e ela vem! Pensamento positivo! O universo conspirando a seu favor! Você vê a luz! Aleluia!

A salvação está aqui. A receita milagrosa do Bolo de Chocolate em 5 Minutos. Super simples, super fácil, poucos ingredientes e um forno de micro-ondas. Nada mais. Basta seguir as instruções de forma precisa e ágil. O pesadelo vai acabar.

A primeira providência é correr e se trancar na cozinha. Afinal, lá estão os ingredientes do bolo e a maioria dos objetos cortantes e pontiguados da casa. Uma vez que você estiver a salvo daquele ser possuído vestindo um robe de espuma cor de rosa, dê vazão aos seus dotes culinários.

Bolo de Chocolate em 5 Minutos

Ingredientes

- 4 colheres de sopa de farinha de trigo
- 4 colheres de sopa de açúcar
- 2 colheres de sopa de chocolate em pó (sem açúcar)
- 1 ovo batido (mas vai usar apenas 2 colheres de sopa desse ovo batido)
- 3 colheres de sopa de leite
- 3 colheres de sopa de óleo (canola, soja, milho)
- 3 colheres de sopa de gotas de chocolate meio amargo ou em barra picado
- 3 gotas de essência de baunilha


Preparo

Coloque todos os ingredientes secos dentro de uma caneca e misture bem com um garfo. Adicione o ovo batido e misture até atingir uma consistência cremosa. Acrescente o leite e o óleo e misture bem. Por último, coloque as gotas de chocolate e a baunilha. Misture.

Coloque a caneca no forno de micro-ondas. Se o seu forno for de 1000W, deixe na potência máxima por três minutos. Se o forno for de 700W, deixe na potência máxima por quatro minutos.

O bolo vai subir na beirada da caneca, mas não se assuste. É assim mesmo.

O problema agora é que você vai ter que esperar o bolo esfriar pelo menos meia hora. Mas, se levar em consideração o que está te esperando do lado de fora, a cozinha é até um lugar confortável.

Uma dica. Incremente o bolo colocando uma bola de sorvete de creme ou limão em cima.

Dizem que é um santo remédio, mas nós ainda não testamos. Abaixo, um vídeo explicativo. Está em inglês, mas é moleza de seguir. Boa sorte ...



terça-feira, 25 de maio de 2010

Os cuidados com seus bichinhos na Copa


Ricardo Icassatti Hermano

Estamos dando prosseguimento à série de dicas indispensáveis para que você obtenha sucesso ao reunir em sua casa os amigos e as amigas para assistir os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol na África do Sul.

Se o povo vai sair sorrindo ou chorando do seu evento, é outra história. Em caso de desclassificação, as cobranças devem ser feitas diretamente ao técnico escolhido pela CBF. Nós, do Café & Conversa, não temos nada com isso. Para nós, o mais importante é que a cerveja esteja gelada.

Nossa função é ajudar os(as) leitores(as) a organizar uma bela festança. Já vimos os cuidados com o jardim, para quem tem é claro, e com os vasinhos de violetas, que podem ser confundidos com vasos sanitários. Tudo vai depender do teor alcoólico dos seus convidados.

Hoje, trazemos as dicas de uma criadora profissional de bichinhos de estimação, a jornalista Silvia Gomide, que conseguiu obter sucesso onde Lula fracassou miseravelmente: manter a paz entre inimigos mortais.

ZZZZZZZZZZZZZZ ...

Ela cria cães e gatos juntos, sem brigas, sem intifada, sem Faixa de Gaza, sem enriquecimento de urânio, sem terrorismo, sem bichinhos-bomba e sem mísseis. Fiquem com as dicas preciosas da Silvia e evitem traumas nos seus bichanos e totós de estimação.

É, a gente se ama ... e daí?


Não gosto de futebol. Por que então estou escrevendo dicas para a Copa por encomenda-intimação do Café & Conversa??? Ora, porque adoro gatos e cachorros - não necessariamente nessa ordem - e já aprendi alguns truques para proteger nossos bichinhos da sanha patriótica que assola o país a cada quatro anos.

A dica mais importante vale para qualquer classe social: tranque seus gatos e cachorros nos dias de jogo do Brasil. Mesmo o mais corajoso cão e o mais descolado gato pode se assustar com os fogos de artifício. Eles estarão muito mais seguros em casa, de preferência em um quarto com portas e janelas trancadas.

Se o seu cachorro tiver muito medo das explosões dos fogos, uma boa solução é dar algumas gotinhas de Acepran, que é um "Boa Noite Cinderela" para animais. O Rex vai dormir como um bebê e, no dia seguinte, não vai acordar num motel barato completamente nu e sem a carteira ou numa banheira cheia de gelo e sem um rim.

Putz! Onde que eu estou? Cadê a minha carteira?

Mas, consulte o veterinário para ver qual é a dose correta. Um remédio desses, na quantidade errada, pode até matar. Todo cuidado é pouco. Lá em casa, usamos Acepran também na noite de Ano Novo ou sempre que os bichinhos precisem ficar presos por muito tempo, como em dias de mudança.

A dica não serve para os gatos porque o remédio deixa o animal tonto. Como os gatos sobem em lugares altos, podem cair e se machucar.

Se a sua casa for muito pequena e não tiver lugar para prender os pets (não é o Peti do Flamengo), uma saída é mandá-los para um hotelzinho. Aqui em Brasília, recomendo a Pousada dos Bichos. Parece coisa de celebridade emergente, mas é uma opção acessível para várias potências de cartão de crédito.

As diárias variam de R$ 15 a R$ 25, dependendo do tamanho do cachorro. Os felinos têm um hotel específico na capital, a Casa do Gato. Só que a hospedagem lá é mais cara, R$ 30, porque é especializada. Os gatos que já se hospedaram ali garantem que vale a pena.

Bom, são essas as dicas para quem não está matando cachorro a grito. Se o torcedor é muito lascado, muito mesmo, cara, sério, a melhor solução é deixar o Totó trancado no barraco e ir assistir o jogo na birosca da esquina. Pelo menos, lá a TV é colorida.

Silvia Gomide é carioca, jornalista e tem mais
cães e gatos do que o bom senso recomenda.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Música do Dia - A Música Cigana


Romoaldo de Souza

Fazia um sol danado. Dia de feira. Todo sábado era dia de feira no sertão. Os cavalos, jumentos, carroças. Carros de bois! Parecia uma metrópole de tanto trânsito. A cidade estava efervescendo. Luiz Gonzaga estava chegando.

O Rei do Baião estava em Carnaíba, no sertão do Rio Pajeú, para prestar uma homenagem a Iolanda Dantas, a mulher de Zé Dantas, um dos mais expressivos compositores das músicas cantadas por Lua, como Luiz Gonzaga era chamado.

Enquanto tomava uma pinga, na "budega" de Mané Istógio, Luiz Gonzaga se deu conta que a acordeom estava desafinada. Pronto! Foi aquele corre-corre. Até que Isaura, uma elegante costureira da cidade, lembrou-se de dizer a Gonzagão que Seu Lixandre sabia afinar sanfona.

- Dizem, por aí que o hômi tem ouvido de tuberculoso, brincou.

- Vá chamar esse cabra que eu tô precisando dele, como um pagão precisa de água benta - disparou Luiz Gonzaga.

Calmo. Sereno. Todo alinhado, vestindo um terno branco. Alpercata de coro cru.

- Alexandre Mariano às suas ordens - disse, do alto dos seus 1,79m. Magro, chapéu Prada novinho em folha na mão.

- Preciso que você dê uma olhada nessa danada. Parece desafinada.

Meia hora depois, Alexandre Mariano chegou com a sanfona, fazendo uma escala cromática e puxando para uma harmonia que deixou Luiz Gonzaga de queixo caído.

Alexandre Mariano tinha chegado ao sertão de Pernambuco ainda adolescente, fugindo da perseguição aos ciganos do Leste Europeu. Luiz Gonzaga era um artista em ascendência. Foi a primeira vez que se viram. O músico de Exu e o cigano romeno.

Outras vezes se encontraram. Chegaram a tocar juntos numa festa de Santo Antônio, se não me engano em 1964. Foi a última vez que se encontraram.

Mas com os ciganos é assim mesmo. Não têm muita vontade de se encontrar tanto com as mesmas pessoas. São nômadas, são viajantes. Andarilhos. Assim era Alexandre Mariano, de quem me lembrei para prestar uma homenagem ao Dia Nacional dos Ciganos, comemorado ontem. Mas com essa correria toda e o Dia Nacional do Café, deixei para falar desse assunto somente hoje.

Falando em andarilhos, acho que nossas canecas estão se tornando nômades. Andantes. Agora mesmo, eu soube que uma delas, passeou pelos principais pontos turísticos de Recife. A "Veneza Brasileira". A capital de Pernambuco, de onde veio Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

A leitora, Ana Paula Figueirêdo topou o seguinte desafio. Ela ganhou uma caneca do Café & Conversa, mas tinha que sair a passear. Pelo Morro da Conceição, as pontes no Capibaribe, Recife Antigo, o Teatro, o Marco Zero.

Eu vou contar, juntamente com Ana Paula essa história pelas ruas de Recife, "Na Madalena revi teu nome ... Rua da Aurora, vou caminhar... Pelas ruas que andei, procurei, procurei" como diz o poeta Vicente Barreto.

As meninas, Natasha e Simone, que se cuidem.
Dessa caneca não abro mão.


Vocês vão ver a cara das meninas, quando me virem com
a caneca do Café & Conversa... Ai, ai, ai!!!


Lógico que as meninas, Natasha e Simone, não iam perder a
oportunidade de serem clicadas com a caneca mais desejada do Brasil.
Mas cuidado, meninas! Ana Paula ama essa caneca!

Espinheiro, Zona Norte de Recife, 9h45. A cidade ferve. Recife ferve. 30º. Ana Paula coloca uma mini-saia jeans, uma blusa preta. Óculos, dinheiro na bolsa e a caneca do Café & Conversa na mão. É o começo de uma história de amor entre uma futura jornalista e a caneca tão cobiçada.

Ana Paula quer fazer inveja às colegas de faculdade. Vai direto ao Derby, um bairro onde está a Faculdade Maurício de Nassau.

Na porta da escola, no centro de Recife, a caneca filosofa em latim: veritas! É tudo verdade!

Amanhã! A caneca do Café & Conversa sai da faculdade e vai ao Morro da Conceição, um dos pontos de maior concentração de fiéis da linda e encantadora Recife.

Antes, porém, vou deixar uma música cigana para deliciar o seu dia e marcar nossa data.