quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Música do Dia - A Raça Humana - Gilberto Gil


Romoaldo de Souza


Para não incorrer em deslizes conceituais, sobre a data de hoje, preferi deixar que Gilberto Gil cantasse Raça Humana, para lembrar este 10 de junho, o Dia da Raça.


Não que eu concorde com Gil em tudo o que ele diz nesta canção, mas vai que se eu tivesse a habilidade de escrever um poema desses eu viesse a ser apedrejado pelos intolerantes politicamente corretos ou pelos racistas. O que dá no mesmo... E, hoje, eu não estou aqui para a morte!


Então Café & Conversa pede emprestado a Gil a frase que mostra bem as contradições humanas, essa "ferida acesa".


Agora, mesmo, estava escrevendo um texto para a Revista 100,9 na Rádio Cultura FM, sobre filmes importantes, influentes, na África do Sul dos dias de hoje, com essa parafernália de Copa do Mundo e o diabo a quatro.




"Mandela - Luta pela Liberdade". Nos anos 60, James Gregory (Joseph Fiennes) é um branco, agente de uma penitenciária, que fala o dialeto xhosa e desenvolve uma conturbada amizade com o líder negro Nelson Mandela (Dennis Haysbert). Desse filme, que tem o título original, "Goodbye Bafana", eu achei "Chocolate" do compositor italiano, Dario Marianelli a música mais instigaste. Mas como hoje, falamos de raça e não da trilha sonora de "Mandela", deixo com vocês, Gilberto Gil.



Raça Humana

Gilberto Gil


A raça humana é

Uma semana

Do trabalho de deus

A raça humana é a ferida acesa

Uma beleza, uma podridão

O fogo eterno e a morte

A morte e a ressurreição

A raça humana é o cristal de lágrima

Da lavra da solidão

Da mina, cujo mapa

Traz na palma da mão

A raça humana risca, rabisca, pinta

A tinta, a lápis, carvão ou giz

O rosto da saudade

Que traz do gênesis

Dessa semana santa

Entre parênteses

Desse divino oásis

Da grande apoteose

Da perfeição divina

Na grande síntese

A raça humana é

Uma semana

Do trabalho de deus

A raça humana é

Uma semana




terça-feira, 8 de junho de 2010

A Música do Dia - Bang, Bang - Nancy Sinatra


Romoaldo de Souza


O frenético cineasta Quentin Tarantino abre Kill Bill 2, depois de uma sequência sem cortes com quadrinhos japoneses, e eis que a filha da "voz" surge cantando, "I was five and he was six. We rode on horses made of sticks".




Sim, porque por mais generoso que eu parecesse ser, não ousaria falar de Nancy Sandra Sinatra, que hoje faz 70 anos, sem falar do pai dela, Frank Sinatra.


Quem teve Frank Sinatra como pai e Cher como amiga

só precisa do Café & Conversa para um empurrãozinho



Embora Nancy tenha feito sucesso com a música These Boots are Made for Walkin, hit do movimento feminista dos anos 60, com frases, por assim dizer, singelas como: "Você fica dizendo que tenho algo para mim. Algo que você chama de amor...", para comemorar o aniversário dela, escolhi Bang, Bang, de autoria de Cher.

Quando completou quatro anos, Nancy Sintra ganhou de presente dos amigos do pai, Phil Silvers e Jimmy van Heusen, a canção Nancy (with the laughing face), gravada por Frank. Hoje, quando faz 70 anos, vamos tomar um espresso erguendo um brinde à filha da "Voz". A Nancy Sinatra.



Bang Bang

Cher

I was five and he was six

We rode on horses made of sticks

He wore black and I wore white

He would always win the fight


Bang bang, he shot me down

Bang bang, I hit the ground

Bang bang, that awful sound

Bang bang, my baby shot me down.


Seasons came and changed the time

When I grew up, I called him mine

He would always laugh and say

"Remember when we used to play?"


Bang bang, I shot you down

Bang bang, you hit the ground

Bang bang, that awful sound

Bang bang, I used to shoot you down.


Music played, and people sang

Just for me, the church bells rang.


Now he's gone, I don't know why

And till this day, sometimes I cry

He didn't even say goodbye

He didn't take the time to lie.


Bang bang, he shot me down

Bang bang, I hit the ground

Bang bang, that awful sound

Bang bang, my baby shot me down...




segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Música do Dia - Cuitelinho - Nara Leão


Romoaldo de Souza

Estava aqui pensando o que escrever nesta segunda-feira sobre a música do dia. Depois de um domingo surpreendente, de falar sobre Vitória (ES), de peixes, pescarias, alpendres e vinhos e foi aí que lembrei: faz 21 anos que a Musa da Bossa Nova morreu.


Nos braços de Nara muitos marmanjos criaram excelentes

composições no movimento da Bossa Nova


Capixaba, Nara Leão é uma espécie de mãe, madrinha, parteira da Bossa Nova. Foi na casa, quer dizer, no apartamento dos pais dela, que aquela turma toda, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Ronaldo Bôscoli, começou o mais virtuoso movimento musical brasileiro. Pobres de seu Jairo e de dona Altina Leão. Aquela gente toda, o barquinho, o violão e umas garrafas de pinga.


Nara Leão simpatizou-se também pelas idéias "revolucionárias" do cineasta Ruy Guerra, mas ainda bem que não se enveredou nos projetos do namorado. Flertou com a UNE (União Nacional dos Estudantes) e com o Tropicalismo. Do primeiro "Nara", em 1964, ao último "My Foolish Heart", Nara Leão gravou perto de 30 discos. Em um deles, a irmã de Danusa Leão resolveu prestar uma homenagem ao que chamou certa vez de "raízes musicais do Brasil".


O escritor, zoólogo, compositor e cantor de Ronda, Paulo Vanzolini, tinha feito uma viagem pelo interior de Mato Grosso. Ainda não existia Mato Grosso do Sul. Escutou de um pescador do Pantanal, uma música de uma sonoridade singular. Recolheu e muita gente gravou, entre elas, Nara Leão.


"Cuitelinho" nome que se dá ao beija-flor em algumas

partes do centro e do sul do Brasil


Cuitelinho


Cheguei na bera do porto
Onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
senta na beira da praia.
E o cuitelinho não gosta
que o botão de rosa caia.

Quando eu vim de minha terra,
despendi da parentaia.
Eu entrei no Mato Grosso,
dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução
enfrentei forte bataia.

A tua saudade corta
como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
bate uma, a otra faia.
E os oio se enche d'agua
que até a vista se atrapaia.



domingo, 6 de junho de 2010

A Música do Dia - Os 3 Pagodeiros do Rio - Os 3 Malandros In Concert


Romoaldo de Souza

Acho que hoje eu acordei com o Complexo de Poliana (Eleanor H. Porter), a menina órfã, criada pela tia severa que, finalmente, um dia consegue permissão para fazer um passeio no campo. Acordou às 7h, no domingo, e caía aquele pé-d'água. Resignada Poliana pensou, "Não há de ser nada... As plantinhas vão ficar felizes com a chuva..." e voltou para o "aconchego" do lar.


Não há de ser nada. O tempo nublado atrapalha minha cachoeira,

mas ajuda os ambulantes que trabalham ao relento


Hoje, eu tinha programado uma cachoeira. Faz frio em Brasília, o céu está nublado e a insônia esgotou a última dose de bom humor que tinha acumulado na semana passada.


Foi aí que resolvi engavetar, por enquanto, meu preconceito com o pagode, escolhi um trio genial. Sim, pode acreditar, mesmo entre pagodeiros existe um ou outro gênio. Eu conheci três. Dois deles já não cantam mais pagode. E um deles, Moreira da Silva, morreu dez anos atrás.


Com um obra de mais 30 discos, Moreira da Silva parecia um imortal. Tinha ânimo para tudo até para sátiras como aos 97 anos de idade, quando gravou seu último samba com Reginaldo Bessa dizendo: "Abordei uma gatinha/ Cheio de empolgação/ Ela não entrou na minha/ Fiquei com a cara no chão/ Disse que tomei Viagra/ E ela respondeu: ‘Sacana! Viagra não tá com nada/ Meu negócio é Viagrana’".


Com o indiano Zubin Mehta, os três tenores inspiraram

os malandros brasileiros e não estou falando dos políticos


Um dos momentos mais marcantes de Moreira da Silva foi quando juntou-se a Dicró e a Bezerra da Silva numa sátira impagável aos três tenores, os espanhóis Plácido Domingos e Jose Carreras e o italiano Luciano Pavarotti.


Três Malandros In Concert é uma obra de sátiras e gozações, como é a maioria das letras dos trio que caprichava nas rimas e historias hilárias com letras do cotidiano como "Ressuscita Ele" de Bezerra da Silva, "ressuscita ele meu Deus/ manda esse cara pra cá/ É que esse safado me deve uma grana/ e morreu de bobeira pra não me pagar/ esse canalha me deve uma grana/ e morreu de bobeira pra não me pagar".


Para prestar um justíssima homenagem os três pagodeiros, nesse "recital" em pleno Teatro Municipal do Rio de Janeiro, lotado, Café & Conversa lembra dez anos sem Moreira da Silva.



Os 3 Pagodeiros do Rio

(Dicró)


Pintor, Pinto, Pintor
Eu já fui pintor
E eu também já fui pintor
Agora sou tenor!
Lapa querida na minha infância
eu garotão dirigindo ambulância...

não tem Pavarotti, José Carreras nem Placido Domingo
Eu sou mais o Bezerra, Moreira da Silva, Dicró rei do
bingo (2x)

Quando eu canto em fá maior,
lá bemol ou fá sustenido,
até o Cristo redentor coloca a mao no ouvido
No prédio aonde eu moro,
fui obrigado a sair,
quando estou ensaiando no quarto
lá de são Paulo dá pra me ouvir

Não tem Pavarotti, José Carreras nem Placido Domingo
Eu sou mais o Bezerra, Moreira da Silva, Dicró rei do
bingo (2x)

Os três pagodeiros do Rio,
quando cantam causam emoçao,
os gringos cobram quinhentos,
a gente cobra um milhao.
Gravamos um disco ante ontem,
hoje já se esgotou,
ganhamos um disco de ouro, um de platina e um disco
voador.

não tem Pavarotti, José Carreras nem Placido Domingo
Eu sou mais o Bezerra, Moreira da Silva, Dicró rei do
bingo (2x)

Com três dias de nascido, foi o meu primeiro choro,
o meu grito foi tão alto,
que a babá me deu um couro.
Agora vem esses caras,
com voz taquara rachada,
e não chega nem aos pés,
de Moreira e Bezerra e Dicró da baixada (2x)

Não tem Pavarotti, José Carreras nem Placido Domingo
Eu sou mais o Bezerra, Moreira da Silva, Dicró rei do
bingo



sábado, 5 de junho de 2010

Enfeitando sua Casa para a Copa


Ricardo Icassatti Hermano

Dando sequência às dicas para a sua loucura de receber um bando de amigos e amigas em casa para assistir os jogos da Copa do Mundo, retornamos ao reino vegetal das flores, gramíneas, adubos, samambaias, frutíferas, violetas e leguminosas.

Fomos atrás da nossa especialista em jardinagens, paisagismos, terra e afins. A nossa versão feminina do Burle Marx (sem o bigode, claro), a jornalista gaúcha e paisagista Djania Savoldi. A moça entende absolutamente tudo do assunto e hoje nos trouxe dicas para a ornamentação vegetal (e segura) da sua casa.

Lembre-se que vômito não é adubo

Siga as dicas da Djania para compor um ambiente mais ecológico e vibrante. Coloque seus amigos e amigas numa vibe auto-sustentável e com muito aquecimento humano. Faça da sua casa uma selva aconchegante, disponibilize uma relva por onde todos possam rolar depois da bebedeira.

Mas, com o devido tratamento, amigos bêbados dão ótimos adubos

Vai por mim. Festa boa tem que terminar de manhã com polícia na porta e bêbados e/ou bêbadas desmaiados no quintal. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, esse tipo de comportamento selvagem pode danificar o seu jardim e comprometer o seu meio ambiente.

Vai dar um trabalhão limpar o quintal no dia seguinte

Mas, para tudo há solução e nós não deixamos nossos leitores(as) na mão. Assim, sem mais delongas, as dicas da paisagista-colaboradora do Café & Conversa.

As cores da Copa em nossa casa

Faltam menos de dez dias para a bola rolar lá pelas bandas da África e o noticiário já mostra as imagens da terra de Mandela. Nós aqui começamos a entrar no clima, e o verde e amarelo já anda por todos os cantos.

Tá certo, Copa do Mundo é coisa séria - ainda mais com o Dunga, a gente quer ganhar e tudo o mais, mas sem perder a ternura, jamais! Vamos aproveitar o evento para encher nossas casas ou apartamentos de cores e texturas ainda mais vibrantes.

Uma sugestão para você homenagear as seleções que vão disputar o mundial ou até para a abertura dos jogos é fazer um vaso multicolorido. Para compor esse arranjo você vai precisar de:

- Um vaso de vidro transparente para destacar as flores;

- Pedriscos;

- Um ramalhete, neste caso proponho as tropicais tipo:

a) Alpínia (Alpinia Purpurata);

b) Helicônia Papagaio (Helicônio Psittacorum);

c) Bananeira Ornamental (Musa Velutina);

d) Papo de Anjo (Asclepias Physocarpa);

e) Folhas de Fórmio Variegado (Phormium) e Papiro (Cyperus rolifer).

Djania acordou cedo para nos mostrar essa
sugestão de arranjo com flores tropicais

A composição dessas espécies formará um belo arranjo tropical. A vantagem é a durabilidade das flores que mantém a beleza por, pelo menos, por 10 dias. Não esqueça de trocar a água do vaso a cada dois dias para evitar o mosquito da dengue.

Agora, se você não abre-mão das tonalidades da nossa bandeira, então anote uma dica: As flores amarelas podem ser representadas pelo Girassol (Helianthus Annus) ou o Lírio Amarelo (Hemerocale). O azul fica por conta do Agapanto (Agapanthus Africanus) e a Hortência (Hydrangea Macrophylla).

O branco fica bem representado pela cheirosa Angelica (Polianthes Tuberosa) e Cabeleira-de-Velho (Euphorbia Leucocephala) – esse, por sinal, é um dos arbustos mais floridos desta época, aqui no Centro Oeste. Não tem quem não se encanto pela sua bela florada.

O verde, bem, fica por conta das folhas, folhagens e galhos.

Aproveite bem essas dicas e deixe sua casa ainda mais colorida. Até mais.

Djania Savoldi- Jornalista e Paisagista- Crea 9429/TD DF

Djaniasavoldi@hotmail.com

Fone: 8123-6180

Em homenagem ao Romoaldo, a nossa paisagista
posou entre essa florada de "Cabeleira de Velho"