domingo, 13 de junho de 2010

A Música do Dia - Te Aud Mereu - Angela Similea e Cornel Constantiniu


Romoaldo de Souza

É! Acabou o Dia dos Namorados e agora é esperar pela força de Santo Antonio. Se tudo deu certo ontem, melhor! Caso contrário, vou contar duas historinhas que se passam em lugares distantes, quem sabe com você foi diferente!

Do interior da Bahia, uma cidade chamada Pilão Arcado, que foi engolida pelas águas do lago de Sobradinho, no Rio São Francisco, conheci Dantéia. Confesso que nunca soube o sobrenome dela.

Ah, Dantéia de tantas estrepolias afetivas na sertão baiano. Todas elas na mais singular imaginação e na aridez da prática. Hoje, soube que a moça continua solteira, trabalhando em um supermercado em São Paulo.

Dantéia! O nome, seu pai tirou de livros que lia esporadicamente. Conheceu "A Divida Comédia" de Dante Alghieri e resolveu homenagear o poeta italiano.

Certa vez, Dantéia caiu em uma cacimba, dessas cavadas em rios sem água, quando tentava molhar a cabeça de um Santo Antonio de pau, que ela carregava no cós da saia. A cidadezinha não falava em outra coisa que não fosse a fogosa Dantéia. A casadoira filha de Seu Luiz.

Ela tentava pedir ao santo casamenteiro, "uma ajudazinha" para ter coragem de se aproximar de Felipe, um saxofonista da banda de música de Pilão Arcado.

Todo mês de junho, Dantéia acordava de madrugada para ouvir as matinas. O despertar da cidade com a banda de música tocando dobrados lindos, que faziam a adolescente surpirar. Admirava Felipe, que naquele solo parecia Sonny Rollins. Nunca teve coragem sequer de dizer ao negro músico que tinha uma queda por ele. Preferiu passar a vida culpando a "incompetência" do santo casamenteiro. Acabou no caritó!

Do outro lado do oceano, vem a música deste domingo. Te Aud Mereu me chamou a atenção pela forma como a conheci. Estava vendo "4 Luni, 3 Saptamani, Si 2 Zile" ganhador do Palma de Ouro, do Festival de Cannes de 2008, com a história de Otilia (Anamaria Marinca) que divide com Gabita (Laura Vasilu) um dormitório estudantil, numa "república" na periferia de Bucareste, nos últimos dias do comunismo da Romênia. Até que uma delas engravida e decide fazer um aborto.

O filme é tenso. Denso e sem trilha sonora. Somente no final, eis que surge o dueto de Angela Similea & Cornel Constantiniu, nessa romântica. Quase brega música romena, Te Aud Mereu (Você sempre escuta).

Te Aud Mereu é a história de duas pessoas que moram separadas e quase sempre "se encontram na imaginação", nos "incessantes chamados" um do outro. Esses mesmos desacertos afetivos que marcaram a vida de Dantéia, no sertão baiano e essa Te Aud Mereu, na Romênia comunista só me levam a acreditar que o amor existe, mas para poucos.



TE-AUD MEREU

(duet cu Cornel Constantiniu)

ANGELA SIMILEA:

* Te-aud mereu

* Cum ma chemi langa tine,

* In gandul meu tu apari neincetat

CORNEL CONSTANTINIU:

* Te-aud mereu, repetand melodia

(duet):

* Pe care noi o cantam altadat'

ANGELA SIMILEA:

* Timpul tese noi carari

* Si le-asterne-n calea ta,

* Dar te va-nsoti mereu

(duet):

* Ca o raza de lumina vocea ta/mea

CORNEL CONSTANTINIU:

* Te astept noapte si zi

ANGELA SIMILEA:

* Timpu-acesta-i fermecat

CORNEL CONSTANTINIU:

* Poate ca vei reveni

ANGELA SIMILEA:

* Sa nu crezi ca te-am uitat

CORNEL CONSTANTINIU:

* Sarutarile de ieri

ANGELA SIMILEA:

* Le doresc la fel de mult

CORNEL CONSTANTINIU:

* Iti voi da tot ce-ai sa-mi ceri

(duet):

* De la capat vom lua, tot ce-a fost candva... candva...

CORNEL CONSTANTINIU:

* Te-aud mereu,

* Repetand melodia

* Pe care noi o cantam altadat'

ANGELA SIMILEA:

* Te-aud mereu

CORNEL CONSTANTINIU:

* Te astept noapte si zi

ANGELA SIMILEA:

* Repetand melodia

CORNEL CONSTANTINIU:

* Timpu-acesta-i fermecat

ANGELA SIMILEA:

* Pe care noi

CORNEL CONSTANTINIU:

* Il dorim la fel de mult

ANGELA SIMILEA:

* O cantam altadat'

CORNEL CONSTANTINIU:

* Sa nu crezi ca l-am uitat

ANGELA SIMILEA:

* Te aud repetand

CORNEL CONSTANTINIU:

* Te astept frumoasa stea

ANGELA SIMILEA:

* Si iti raspund

CORNEL CONSTANTINIU:

* Ai ramas

(duet):

* Iubirea mea


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sábado, 12 de junho de 2010

A Música do Dia - You're Gonna Make Me Lonesome When You Go - Madeleine Peyroux


Romoaldo de Souza


O sábio imperador Cláudio 2º, que governou Roma por volta dos anos 250 - 270, proibiu o casamento durante as guerras por acreditar que os solteiros combatiam melhor que os casados.


Sábio imperador!!! Os jovens são melhores em tudo, grande Cláudio 2º


Mas aí a Igreja Católica, que vez ou outra se mete em cada tema, resolveu enfrentar Cláudio 2º e delegou ao bispo Valentim, a tarefa de contestar o decreto imperial. Daí que, em muitos países, o Dia dos Namorados é comemorado em 14 de fevereiro, dia do santo. Dia de São Valentim.


Mas, o jejum de São Valentim para que houvesse a revogação do decreto do imperador, está hoje associado ao amor romântico, aos presentes, às noites de amor ensandecidas para comemorar o Dia dos Namorados. Hoje! 12 de junho.


Se você meu caro leitor, minha querida seguidora, mora aqui pelas imediações de Brasília e é bastante abonado, hoje tem show de Madeleine Peyroux, "Bare Bones World Tour", essa americana que canta Bob Dylan e Leonard Cohen como poucos.


Natural do Estado da Geórgia, Peyroux tem um carisma especial por ser uma das boas revelações do jazz, ter um voz próxima do timbre de Billie Holiday e fazer sucesso com releituras como essa de You're Gonna Make Me Lonesome When You Go.


Agora, se você está, por assim dizer, encalhado(a), sem muitas opções, deixe o telefone ligado. Vai que uma dessas criaturas, também solitárias, não quer passar o dia - ou a noite - sozinha… Nunca é demais apostar na sorte. Principalmente se for a sua última (ou única) opção.


Agora, se der 10 da noite e ninguém ligar… desligue o seu telefone. Ao menos você tem a desculpa de que o celular estava "fora de área".


Assim é o amor… Afinal, você sabe como me deixou depois de ter ido embora, "…You're gonna make me lonesome when you go".


Serviço:

Madeleine Peyroux ‘Bare Bones World Tour’
Dia 12 de Junho (Sábado), às 22 horas
Local: Teatro Nacional - Sala Villa Lobos

You're Gonna Make Me Lonesome When You Go

(Bob Dylan)


I've seen love go by my door
It's never been this close before
Never been so easy or so slow
Been shootin' in the dark too long
If something's not right it's wrong
You're gonna make me lonesome when you go

Dragon clouds so high above
I've only known careless love
It always has hit me from below
But this time it's more correct
Right on target so direct
You're gonna make me lonesome when you go

Purple clover Queen Anne lace
Crimson hair across your face
You can make me cry if you don't know
Can't remember what I was thinking of
You might be spoiling me too much love
You're gonna make me lonesome when you go

Flowers on the hillside blooming crazy
Crickets talking back and forth in rhyme
Blue river running slow and lazy
I could spend forever with you and never realise the time

Situations have ended sad
Relationships have all been bad
Mine have been like Verlaine's and Rimbaud
But there's no way I can compare
All them scenes to this affair
You're gonna make me lonesome when you go

You're gonna make me wonder what I'm doing
Staying far behind without you
You're gonna make me wonder what I'm saying
You're gonna make me give myself a good talking to

I'll look for you in old Honolula
San Francisco, Ashtabula
You're gonna have to leave me now I know
But I'll see you in the sky above
In the tall grass in the ones I love
You're gonna make me lonesome when you go



sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Evento Copa do Mundo na sua Casa


Ricardo Icassatti Hermano

Queridas leitoras e leitores do Café & Conversa, estive ausente por uns dias pois tive que viajar a trabalho para Montevideo, no Uruguai. Uma viagem longa, cansativa e que não me deixou tempo suficiente para abastecer o blog.

Mas, estejam certos que não me esqueci de vocês. Trouxe muita informação e algumas fotos. A caneca personalizada do Café & Conversa foi comigo e visitou vários lugares bacanas. Aguardem.

Estamos à beira da Copa do Mundo de Futebol. Hoje devemos ter os primeiros jogos e um deles deve ser justamente o do Uruguai contra a França. Por isso, fomos buscar mais uma profissional talentosa, competente e cheia de dicas para que você possa receber seus amigos e amigas em casa para assistir os jogos do Brasil.

Dessa vez, a profissional que fomos buscar é da área de Relações Públicas. Ela é uma gata, se chama Kivia Gomes de Almeida e sabe tudo sobre organização de eventos, dos mais simples aos mais complicados. Além de tudo isso, ela é chic e abrilhantou com um "plus a mais" o nosso humilde blog.

Kivia se inspirou na loja da Nike em Paris,
decorada com a Seleção Brasileira

Vocês não vão acreditar, mas eu vi essa moça nascer e a carreguei no colo. É mole? Estou ficando velho e nem senti ... Com vocês, as dicas da brilhante, jovem e dinâmica RP Kivia, que vão fazer do seu evento um sucesso internacional, um arraso, um dia na Ilha de Caras, e livrá-lo da pagação de mico.

Não disse que ela é uma gata?


O Checklist do Torcedor

Confesso que a paixão nacional pelo futebol está longe de ser uma das minhas paixões. Porém, como uma Relações Públicas assertiva, qualquer tipo de evento definitivamente é a minha praia! Logo, não poderia deixar de participar dos preparativos para a Copa do Mundo - que já está aí! -, compartilhando algumas dicas para alcançar o sucesso na festinha do torcedor!


Mesmo com a divisão genial que os blogueiros Ricardo e Romoaldo inventaram para as classes sociais (Rico, Classe Média, Emergente e Lascado), é fato que já teremos uma boa farra se juntarmos três ou mais amigos, bebida, comida e uma televisão!


Portanto, segue um “checklist” global, ou uma lista de aprestos que pode ser adaptada a todos os gostos!


a) Prepare o local da sua casa onde será transmitido o jogo! Não se esqueça de acomodar a televisão em um lugar mais alto - onde todos possam assisti-la - e ajeite as cadeiras, puffs, sofás, tapetes, cangas, etc., em frente à grande anfitriã do dia (não se iluda, você será mero coadjuvante em sua festa e, sim, a TV será a grande dona da casa durante a Copa do Mundo!);


b) Lembre-se da decoração, elemento que estimula todos a entrarem no clima (até mesmo aqueles que nem sabem com que time o Brasil irá jogar)! Pendure bandeiras, bandeirolas, balões e faixas, compre pratos, copos e demais itens com o tema da Copa ou nas cores verde e amarelo, enfim, deixe sua imaginação fluir, não tenha medo de ser criativo;


Não será difícil encontrar tudo o que você vai precisar


c) Defina o cardápio (bebidas e comidas) que será servido, lembrando que este poderá ser do mais ralé ao mais sofisticado;


d) Se os seus convidados são animados e entusiasmados, recorde-se que quase todos os jogos do Brasil começam e terminam cedo, portanto, improvise na diversão: contrate uma banda, uma dupla, um contador de piadas, compre apitos, pandeiros, fogos, ou apenas deixe o seu som a postos para animar a galera no intervalo e após o jogo;


e) Não se esqueça de avisar (e-mail, mensagem, twitter, telefone, sinal de fumaça) aos amigos que serão convidados: o endereço da sua casa, o horário e a data do jogo. Um convite mais formal é sempre bem-visto;


f) Seja patriota. Sugira que todos vistam a camisa do Brasil! Aproveite e complemente o visual com perucas, brincos, esmaltes, etc. Entre no clima da Copa e boa festa!


Kivia Gomes de Almeida


P.S.: Pegando o gancho da última dica da Kivia, aqui vai uma mensagem cívica do Café & Conversa.


Essa é uma daquelas horas em que o brasileiro lembra de ser patriota. A outra é nas eleições. Por isso, vote com consciência, vote responsável, vote certo. Lembre-se que não votamos no hoje e sim no futuro que deixaremos para nossos filhos e netos.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Música do Dia - A Raça Humana - Gilberto Gil


Romoaldo de Souza


Para não incorrer em deslizes conceituais, sobre a data de hoje, preferi deixar que Gilberto Gil cantasse Raça Humana, para lembrar este 10 de junho, o Dia da Raça.


Não que eu concorde com Gil em tudo o que ele diz nesta canção, mas vai que se eu tivesse a habilidade de escrever um poema desses eu viesse a ser apedrejado pelos intolerantes politicamente corretos ou pelos racistas. O que dá no mesmo... E, hoje, eu não estou aqui para a morte!


Então Café & Conversa pede emprestado a Gil a frase que mostra bem as contradições humanas, essa "ferida acesa".


Agora, mesmo, estava escrevendo um texto para a Revista 100,9 na Rádio Cultura FM, sobre filmes importantes, influentes, na África do Sul dos dias de hoje, com essa parafernália de Copa do Mundo e o diabo a quatro.




"Mandela - Luta pela Liberdade". Nos anos 60, James Gregory (Joseph Fiennes) é um branco, agente de uma penitenciária, que fala o dialeto xhosa e desenvolve uma conturbada amizade com o líder negro Nelson Mandela (Dennis Haysbert). Desse filme, que tem o título original, "Goodbye Bafana", eu achei "Chocolate" do compositor italiano, Dario Marianelli a música mais instigaste. Mas como hoje, falamos de raça e não da trilha sonora de "Mandela", deixo com vocês, Gilberto Gil.



Raça Humana

Gilberto Gil


A raça humana é

Uma semana

Do trabalho de deus

A raça humana é a ferida acesa

Uma beleza, uma podridão

O fogo eterno e a morte

A morte e a ressurreição

A raça humana é o cristal de lágrima

Da lavra da solidão

Da mina, cujo mapa

Traz na palma da mão

A raça humana risca, rabisca, pinta

A tinta, a lápis, carvão ou giz

O rosto da saudade

Que traz do gênesis

Dessa semana santa

Entre parênteses

Desse divino oásis

Da grande apoteose

Da perfeição divina

Na grande síntese

A raça humana é

Uma semana

Do trabalho de deus

A raça humana é

Uma semana




terça-feira, 8 de junho de 2010

A Música do Dia - Bang, Bang - Nancy Sinatra


Romoaldo de Souza


O frenético cineasta Quentin Tarantino abre Kill Bill 2, depois de uma sequência sem cortes com quadrinhos japoneses, e eis que a filha da "voz" surge cantando, "I was five and he was six. We rode on horses made of sticks".




Sim, porque por mais generoso que eu parecesse ser, não ousaria falar de Nancy Sandra Sinatra, que hoje faz 70 anos, sem falar do pai dela, Frank Sinatra.


Quem teve Frank Sinatra como pai e Cher como amiga

só precisa do Café & Conversa para um empurrãozinho



Embora Nancy tenha feito sucesso com a música These Boots are Made for Walkin, hit do movimento feminista dos anos 60, com frases, por assim dizer, singelas como: "Você fica dizendo que tenho algo para mim. Algo que você chama de amor...", para comemorar o aniversário dela, escolhi Bang, Bang, de autoria de Cher.

Quando completou quatro anos, Nancy Sintra ganhou de presente dos amigos do pai, Phil Silvers e Jimmy van Heusen, a canção Nancy (with the laughing face), gravada por Frank. Hoje, quando faz 70 anos, vamos tomar um espresso erguendo um brinde à filha da "Voz". A Nancy Sinatra.



Bang Bang

Cher

I was five and he was six

We rode on horses made of sticks

He wore black and I wore white

He would always win the fight


Bang bang, he shot me down

Bang bang, I hit the ground

Bang bang, that awful sound

Bang bang, my baby shot me down.


Seasons came and changed the time

When I grew up, I called him mine

He would always laugh and say

"Remember when we used to play?"


Bang bang, I shot you down

Bang bang, you hit the ground

Bang bang, that awful sound

Bang bang, I used to shoot you down.


Music played, and people sang

Just for me, the church bells rang.


Now he's gone, I don't know why

And till this day, sometimes I cry

He didn't even say goodbye

He didn't take the time to lie.


Bang bang, he shot me down

Bang bang, I hit the ground

Bang bang, that awful sound

Bang bang, my baby shot me down...




segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Música do Dia - Cuitelinho - Nara Leão


Romoaldo de Souza

Estava aqui pensando o que escrever nesta segunda-feira sobre a música do dia. Depois de um domingo surpreendente, de falar sobre Vitória (ES), de peixes, pescarias, alpendres e vinhos e foi aí que lembrei: faz 21 anos que a Musa da Bossa Nova morreu.


Nos braços de Nara muitos marmanjos criaram excelentes

composições no movimento da Bossa Nova


Capixaba, Nara Leão é uma espécie de mãe, madrinha, parteira da Bossa Nova. Foi na casa, quer dizer, no apartamento dos pais dela, que aquela turma toda, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Ronaldo Bôscoli, começou o mais virtuoso movimento musical brasileiro. Pobres de seu Jairo e de dona Altina Leão. Aquela gente toda, o barquinho, o violão e umas garrafas de pinga.


Nara Leão simpatizou-se também pelas idéias "revolucionárias" do cineasta Ruy Guerra, mas ainda bem que não se enveredou nos projetos do namorado. Flertou com a UNE (União Nacional dos Estudantes) e com o Tropicalismo. Do primeiro "Nara", em 1964, ao último "My Foolish Heart", Nara Leão gravou perto de 30 discos. Em um deles, a irmã de Danusa Leão resolveu prestar uma homenagem ao que chamou certa vez de "raízes musicais do Brasil".


O escritor, zoólogo, compositor e cantor de Ronda, Paulo Vanzolini, tinha feito uma viagem pelo interior de Mato Grosso. Ainda não existia Mato Grosso do Sul. Escutou de um pescador do Pantanal, uma música de uma sonoridade singular. Recolheu e muita gente gravou, entre elas, Nara Leão.


"Cuitelinho" nome que se dá ao beija-flor em algumas

partes do centro e do sul do Brasil


Cuitelinho


Cheguei na bera do porto
Onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
senta na beira da praia.
E o cuitelinho não gosta
que o botão de rosa caia.

Quando eu vim de minha terra,
despendi da parentaia.
Eu entrei no Mato Grosso,
dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução
enfrentei forte bataia.

A tua saudade corta
como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
bate uma, a otra faia.
E os oio se enche d'agua
que até a vista se atrapaia.