quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Música do Dia - Cotidiano - Chico Buarque


Romoaldo de Souza


Esqueça o Chico Buarque que apóia Cuba, que faz elogiosos comentários aos governos - mesmo que você não concorde - e se concentre nessa canção. Cotidiano!


Mais. Eu escolhi essa versão por causa das cenas cotidianas, por assim dizer, da mulher que espera o homem. Que se perfuma. Que manda pro espaço o que pensam as amigas sobre subserviência e usa o dom da generosidade afetiva. Generosidade afetiva. Acho que é isso que falta nas mulheres.


Ué! Por que não? Sem cair na rotina, mas será que o quesito entrega não está em baixa? Doação. Dedicação. E nem estou falando em rasgar sutiã. Aliás prefiro sem, mas volto a falar de afeto. Tema dessa canção de Chico Buarque.


Beijo com sabor de café. Beijo com gosto de hortelã. Cuidados! Lembro-me bem de uma amiga que mandava cartas para um filho, que morava fora de casa, ao menos uma vez por semana, perguntando se ele estava se agasalhando. O "moleque" morava na árida Cidade do México, se empanturrando com tequila e compondo versos que jamais serão publicados.


Pois a gente não se dedica aos filhos? Curte, cuida, faz carinho? Então! E pelos amores? Pelos outros amores do dia a dia?


Sonia Braga é a deusa desse clipe, que tem cenas tiradas de Dona Flor e seus Dois Maridos, para deixar claro que não estou, aqui, pregando a fidelidade. Estou clamando por afeto! Cotidianamente!


PS: Vou sair hoje de gorro na cabeça, cachecol no pescoço e blusa de frio! Estarei agasalhado!



Cotidiano

Composição: Chico Buarque - Versão: Daniel Viglietti


Cada día ella siempre hace todo igual

Me despierta a las seis antes que el sol

Me sonrie con sonrisa puntual

Y me besa con boco de mentol

Todo el día ella dice "te has de cuidar"

Cosas que dice siempre una mujer

Dice que está esperándome a almorzar

Y me besa con boca de café

Todo el día yo pienso en poder parar

Al mediodía pienso en decir no

Luego pienso en la vida y continuar

Y me callo con boca de arroz

En la tarde, a las seis, era de esperar

Ella viene y me espera en el portón

Dice estar como loca por besar

Y me besa con boca de pasión

Cada noche me pide a su lado estar

Medianoche y me jura eterno amor

Y me aprieta hasta hacerme sofocar

Y me besa con boca de pavor




Vuvuzela, o pesadelo africano que vai invadir o Brasil


Ricardo Icassatti Hermano

Não há mais quem não conheça as malditas
vuvuzelas, tão apreciadas pelos torcedores sul-africanos. São aquelas cornetas de plástico que emitem um som monótono, alto e extremamente desagradável. Quando tocadas aos milhares, provocam surdez, ataques epiléticos, vômitos, diarreia e retardamento mental. É infinitamente pior que um chute no saco.

Se você estiver abaixo dessa galera, não é chuva caindo na sua cabeça

Em matéria de torcida, estamos melhor que os africanos. Nós cantamos hinos e músicas feitas especialmente para demonstrar o amor que sentimos pelos nossos times. Temos as fanfarras e as baterias que dão suporte musical, as bandeiras gigantescas e os fogos de artifício. Também temos as brigas de torcidas, as depredações pós-jogo, o vandalismo etc.

É essencialmente um espetáculo e não essa sessão de tortura africana em nossos ouvidos. Segundo o R
omoaldo, que é o especialista em música do blog, o som do universo está modulado na nota musical .

As
vuvuzelas estão moduladas em alguma nota maligna que, uma vez experimentada, nos acompanha por dias zunindo dentro da cabeça como um enxame de abelhas africanas. Agora sabemos porque essas abelhas são tão agressivas. E toda vez que ouvimos essa mesma nota vuvuzeliana, imediatamente a memória harmônica ressuscita o zumbido infernal.

Mas, vamos estudar o inimigo para podermos derrotá-lo de uma vez. Infelizmente, a
vuvuzela não é uma exclusividade africana, mas ganhou notoriedade a partir da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Ela também existe no Brasil, mas felizmente não é utilizada com intensidade pelas torcidas de futebol. Aqui é conhecida por outros nomes: Corneta ou Cornetão.

Esse é o modelo clássico da vuvuzela

Trata-se de um aerofone feito de plástico colorido, com mais ou menos um metro de comprimento, que não requer qualquer técnica mais sofisticada, maestria ou treinamento prévio para ser utilizada. Basta colocar na boca e soprar. Um verdadeiro
blow job, como dizem os americanos. E ainda tem variações de modelos com bombas manuais para quem não gosta ou se canse de soprar.

Meta a boca na vuvuzela e sopre com força

A origem do nome
"vuvuzela" está envolta em mistério, lendas, fofocas e rumores. Alguns dizem que vem da língua Zulu e significa "barulho". Outros garantem que "vuvu" é a reprodução fonética do som produzido pelo terrível instrumento. E uma ala de Aloprados africanos ainda defende que o nome é originário de gírias locais relacionadas à palavra para "chuveiro".

A origem do instrumento é muito antiga, remontando às tribos ancestrais sul-africanas, onde era utilizado para convocar reuniões. A
vuvuzela se tornou popular na África do Sul na década de 1990, mas foi a partir de 2001 que a empresa local Masincedane Sport começou a produzir em massa a versão em plástico. As portas do Inferno se abriram de vez ...

Os torcedores de futebol são realmente criativos

Diante da constatação que o instrumento causa danos severos à audição e é um disseminador de doenças como a gripe, houve uma tentativa de proibição. O sopro lança mais germes no ar do que a tosse. Obviamente não deu em nada. O máximo que se conseguiu foi que alguns modelos trouxessem um aviso para não serem tocados perto do ouvido alheio.

Isso é igual aviso em maço de cigarro

A FIFA tem se pronunciado a respeito e garantiu que, após a fase de grupos e a partir das oitavas de final da Copa 2010, banirá as vuvuzelas dos estádios se não forem usadas com mais moderação. A conferir ...

Um exemplo de torcedor moderado ...

Mas, não queremos apenas informar o que é a
vuvuzela e os problemas que causa. Nós também trouxemos um furo de reportagem com exclusividade para os leitores e leitoras do Café & Conversa. Nós descobrimos como esse instrumento de Satanás é fabricado. Se você tem marca-passo ou estômago fraco, não prossiga nessa leitura. As imagens são fortes.

A produção é inteiramente artesanal

Leva algum tempo até atingirem o tamanho ideal

As vuvuzelas são produzidas em modelos e tamanhos variados

Tem até ponta de estoque

E você achando que colocar crianças trabalhando nas linhas de produção das fábricas chinesas era algo hediondo. Quero ver você soprando uma
vuvuzela dessas agora. Mostre essa reportagem para os seus amigos que estão chegando da África do Sul com as malas cheias de vuvuzelas. Vamos livrar nossos estádios e nossos ouvidos desse pesadelo. Junte-se a nós nessa campanha humanitária.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Música do Dia - Foi na Travessa da Palha - Lila Downs


Romoaldo de Souza


Qualquer turista desavisado chega em Portugal e é cercado por guias querendo contar a história dos nossos colonizadores, as guerras que enfrentaram e a história, ou as várias versões da história do Fado. Para uns é um estilo enfadonho de cantar, para outros - para muitos, aliás - é um encantamento. Canto de fadas.


Quadro "O Fado" (1910), de José Malhoa

O Fado se popularizou pelas ruas de Lisboa a partir do século 16. Em Os Lusíadas, Camões cita o Fado 18 vezes. Popularmente, nas ruas de Portugal, corre a versão de que o estilo musical teve origem nas canções dos Mouros, que ocupavam a Mouraria, bairro da capital, Lisboa.


Melancolia, ingenuidade, e mais tarde, sensualidade, são palavras que marcam, ao longo dos tempos, a letra dos Fados e a forma como é cantado. Como nesse filme de Carlos Saura.




O Fado também teve origem no Lundu, importado da África portuguesa, mesclado com danças angolanas que ao longo dos tempos foi ganhando características próprias.


Essa homenagem que a gente presta hoje, aqui, no Café & Conversa ao Fado, pode muito bem ser acompanhada dessa receita de bacalhau português que já deixamos como sugestão. Vai que você faz o bacalhau, a gente leva uns Fados aqui da redação e vamos todos curtir Brasil X Portugal nesta sexta-feira. Sem vuvuzela, é claro. Que tal? Eu torço pelo Cristiano Ronaldo. Se a escolha for o quesito da "buniteza"!


Ah, antes que eu esqueça, Foi na Travessa da Palha está sendo apresentada hoje, por Lila Downs, cantora mexicana, autora de músicas de sucesso no país dela, mas que se popularizou cantando temas folclóricos em varias culturas como mixteca, apoteca, maia e nahua. Fiquem agora com "Foi na Travessa da Palha".


Foi Na Travessa da Palha


Foi na Travessa da Palha

Que o meu amante, um canalha,

Fez sangrar meu coraçao:

Trazendo ao lado outra amante

Vinha a gingar petulante

Em ar de provocaçao.

Na taberna de friagem

Entre muita fadistagem

Enfrentei os seus rancores,

Porque a mulher que trazia

Com certeza nao valia

Nem sombra do meu amor.

A ver quem tinha mais brio

Cantamos ao desafio

Eu e essa qualquer.

Deixei-a perder de vista

Mostrando ser mais fadista

Provando ser mais mulher.

Foi uma cena vivida

De muitas da minha vida

Que nao se esquecem depois,

Só sei que de madrugada

Após a cena acabada

Voltamos para casa os dois.




Kick Ass - O Filme


Ricardo Icassatti Hermano

Qual fã de histórias em quadrinhos que nunca fantasiou, em algum momento, ser um super-herói? E como todo serial killer sabe, ficar só na fantasia não basta.

Quando ouvi essas duas frases, levantei as mãos para o céu como um evangélico jogador de futebol e agradeci por Hollywood ter finalmente aprendido a não estragar os filmes baseados em histórias em quadrinhos. Muita coisa boa já foi completamente arruinada pelos executivos dos estúdios. Ainda tem muitos idiotas por lá, mas felizmente agora são pouco ou nada influentes nesse tipo de produção.

Estou falando do filme Kick Ass, originado da HQ de mesmo nome publicada pela Marvel. Aqui no Brasil eu não sei o que acontece. Os distribuidores sempre acham que devem acrescentar algo ao nome original do filme que não conseguem traduzir. Assim, adicionaram ao título original em inglês a extensão "quebrando tudo", que não tem absolutamente nada a ver com o filme.

Cartaz do filme

Kick Ass, no caso, é o nome que um adolescente geek coloca no super-herói que resolve encarnar. Traduzindo, a expressão seria algo como "chute na bunda". Como tem muita pancadaria no filme, o gênio que cuida dos títulos no Brasil achou que "quebrando tudo" traduziria melhor a essência da história. Certamente, esse sujeito é um frequentador de seminários sobre planejamento estratégico e visão do futuro ...

À primeira vista, o filme pode parecer mais uma bobagem cômica de Verão para pré-adolescentes, mas é um engano que se desfaz logo. A história tem os componentes juvenis, mas se revela como um sensível e original relato da transição da adolescência inconsequente para o mundo adulto das responsabilidades, da fantasia para a realidade. A perda da inocência.

O jovem ator Aaron Johnson faz o adolescente geek fissurado em quadrinhos e internet Dave Lisewski, que mais adiante se tornará também o super-herói Kick Ass. O elenco juvenil e infantil foi muito bem selecionado, pois todos estão na idade exata dos personagens.

Kick Ass, a dura passagem da adolescência para a vida adulta

Como quase todo adolescente, Dave é inseguro, tímido, alienado e restrito ao seu mundo de fantasia junto com mais alguns amigos. É virgem em vários sentidos e totalmente inconsequente. Com a morte da mãe aprende a primeira grande lição: a vida continua. Quando se torna um super-herói aprende outras lições bem mais dolorosas. É nesse caminho que ele faz a transição para o mundo adulto e recebe o seu choque de realidade.

Nicolas Cage e Chloe Moretz fazem os papéis de pai e filha. Ele é o ex-policial Damon Macready, que foi preso após ser falsamente incriminado por um grande traficante de drogas. Sua esposa grávida passa por muitas difculdades e acaba se suicidando, mas a filha Mindy Macready sobrevive.

Pai e filha em busca de vingança

Ao sair da prisão, Damon e a filha se especializam em todo tipo de armas e treinam artes marciais para se vingarem do chefão criminoso Frank D'Amico, interpretado por Mark Strong. Enquanto se preparavam para a vingança, ficam sabendo da existência de Kick Ass e resolvem ajudá-lo através dos super-heróis que eles próprios encarnam: Big Daddy e Hit Girl.

Big Daddy é a cara do Batman

Apesar de sombria, essa união é frutífera para todos, pois trata-se de uma jornada que, uma vez iniciada, não tem volta. Qualquer semelhança com Batman, Watchmen e Quentin Tarantino é a mais feliz das coincidências. Nos Estados Unidos os filmes passam por uma classificação - não encontro outro adjetivo mais adequado - babaca.

Hit Girl em ação, sem medo de machucar bandidos

Por exemplo, se o filme tem sangue visível decorrente de ato violento, a classificação é para uma determinada faixa etária. Se o filme contém o mesmo ato violento, mas não mostra sangue, aí as crianças menores podem assistir. É como se o sangue não fizesse parte da vida humana.

Com isso, muitos estúdios optaram por evitar o sangue nas cenas, que estão cada vez mais violentas, e ampliar - para baixo - a faixa etária na classificação. Como diria o Chacrinha: é babaca ou não é?

Nesse filme, os produtores mantiveram o banho de sangue porque é essencial para dimensionar o sofrimento e a dor da transição da dupla Kick Ass e Hit Girl. Ele um adolescente de 17 anos e ela uma menina de 11 anos extremamente letal. Enquanto ele amadurece, ela tem que fazer o caminho contrário e resgatar sua infância.

Aqui abro um parêntese para elogiar a atuação da pequena atriz Chloe Moretz. Essa menina ainda vai dar o que falar. Ela está simplesmente sensacional nesse papel. Guardem esse nome.

Chloe Moretz detonando os traficantes. Tarantino fez escola.

Assistam o trailer e não deixem de ir ao cinema. Pancadaria, tiros, facadas, explosões e muito sangue para garantir a diversão de toda a família. Um filme imperdível para adolescentes de todas as idades.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

Depois dos Africanos, os Portugas!


Ricardo Icassatti Hermano

Depois de uma boa pancadaria, a Seleção Brasileira de Futebol mandou os africanos da Costa do Marfim de volta para os safaris de caça a elefantes. Na minha opinião, o pior do jogo foi não podermos reclamar do árbitro. O sujeito era simplesmente cego ... graças a Deus!

Parece que, finalmente, houve um desencanto geral. O Kaká jogou bola de vez em quando e até revelou um insuspeitado e nada cristão traço de rebeldia. O Luís Fabiano tateou e encontrou o caminho para o gol. O único ser que não muda é o tri-atleta Robinho, aquele prego sem noção que comemora gol dos outros na televisão para aparecer. O Dunga também apresentou novidade trajando a capa do Batman.

O importante foi que o Brasil se classificou e agora enfrentará a seleção portuguesa, famosa por ter em seu elenco o atacante Cristiano Ronaldo, o metrosexual lusitano. Já deve estar dando briga no escrete canarinho para ver quem vai marcar a padaria do bonitão. Mas, não sei porque, sinto que a mulherada vai passar pelo mesmo trauma que tiveram com Ricky Martin e Reynaldo Gianecchini ...

Eu conhecia com outro nome, mas me disseram que agora é "metrosexual"

Passado o chororô, vocês poderão se dedicar ao preparo de um prato especial para o dia do jogo. E nada melhor que seja uma receita da culinária portuguesa tradicional, aquela de raiz. Trata-se da receita original do Bacalhau a Gomes de Sá, que leva o nome do seu criador, José Luiz Gomes de Sá, um cozinheiro do Restaurante Lisboense na cidade do Porto.

É um prato simples e de preparação rápida após o processo de dessalgamento do bacalhau, que requer alguma antecedência. O bacalhau é um peixe do gênero Gadus, pertencente à família Gadidae. No Brasil, tem a fama de ninguém conhecer-lhe a cabeça, pois é vendido sem a mesma.

Agora você conhece um bacalhau com cabeça

Dentre as várias espécies de peixes comercializadas como bacalhau, duas se destacam. O chamado "bacalhau verdadeiro" vem de algumas regiões do Canadá e do Mar da Noruega. A outra vem do Alasca, na costa banhada pelo Oceano Pacífico.

Devido à intensa exploração, o "bacalhau verdadeiro" entrou no ano 2000 para a lista das espécies vulneráveis de extinção da World Wide Fund for Nature (WWF). Segundo a entidade, o bacalhau poderá desaparecer dos mares em 15 anos. Por isso, opte por um outro peixe que seja vendido como bacalhau, como o brasileiríssimo Tubalhau. Além de ecologicamente correto, é bem mais barato.

Café & Conversa também é auto-sustentável! E vamos à receita.

Bacalhau à Gomes de Sá 

(para 4 pessoas)

Ingredientes 


- 500 g de bacalhau
- 500 g de batatas
- 2 cebolas
- 1 dente de alho
- 1 folha de louro
- 4 ovos cozidos
- 1,5 dl de azeite
- azeitonas pretas
- Salsa, sal e pimenta a gosto

Preparo

Dessalgue o bacalhau no dia anterior, trocando a água a cada 2 ou 3 horas. Coloque numa panela e escalde com água fervendo. 
Tampe a panela e abafe com um cobertor ou pano e deixe por 20 minutos. 


Escorra o bacalhau, retire as peles e as espinhas e separe em lascas.
 Ponha as lascas numa tigela funda, cubra com leite bem quente, tampe e deixe em infusão durante 1 e 1/2 a 3 horas. Escorra.


Enquanto isso, cozinhe as batatas com a casca e os ovos. Corte as cebolas e o dente de alho em rodelas e doure ligeiramente com um pouco de azeite. 
Junte o bacalhau escorrido. 
Mexa tudo ligeiramente, mas sem deixar refogar. Tempere com sal e pimenta. 


Disponha imediatamente numa travessa pirex em camadas alternadas de bacalhau, batatas e ovos cozidos. Regue com azeite extra-virgem. Leve ao forno bem quente por 10 minutos.


Sirva na travessa em que foi ao forno, polvilhado com salsa picada e enfeitado com rodelas de ovo cozido e azeitonas pretas. Acompanhe com arroz branco e um bom vinho verde português ou um branco brasileiro bem frutado. Coloque um CD de fado com Amália Rodrigues e conheça a tristeza que os portugueses sentirão logo após serem derrotados pela Seleção do Dunga ...

Diqueim eu goshto/ Nem àsh paredess confesso

domingo, 20 de junho de 2010

A Música do Dia - Mulheres - Martinho da Vila


Romoaldo de Souza


Mulheres tomam café diferente do café que os homens tomam? Café amargo é coisa de macho? E adoçá-lo é o tom da feminilidade no café? Café & Conversa ganhou um pacote de café com nome de mulher, das mãos de uma mulher e foi ouvir a opinião... delas... Essas mulheres...


Das ruas de Istanbul, na Turquia, a escritora Heleny Galati diz que "as mulheres têm paladar tal qual os homens". Para ela, que está preparando Alexander, livro que fala do relacionamento entre uma professora brasileira e um professor turco, herdeiros do amor que não frutificou de Helena de Troia e Páris, não existe essa diferença.


- O problema não é o sexo, mas a percepção. E isso não se relaciona apenas ao sexo, mas também à cultura, à experiência e ao gosto de cada pessoa - adverte!


Para a semi recordista de mensagens no twitter, Dharana Bastos, cujo lema é "Me conheça. Eu te permito isso…" seu café predileto é "numa caneca de plástico que tenho desde 1999 =D". Gracinha!


Já a charmosa fotógrafa, Ma Fernanda Cid, ressalta que o melhor café é o "espresso carioca", aquele espresso encorpado em que o barista acrescenta água quente para ficar mais ralo. "E raro, também", diz.


Do Rio, fomos a São Paulo colher a opinião de Conceição Oliveira, historiadora, educadora, autora de coleções didáticas, ativista da educação para igualdade étnico-racial, feminista e feminina. Com todos esses predicados, ela diz que homens não têm gosto ou paladar diferente das mulheres.


- Acho que não. Nunca soube de algo assim. Eu gosto de café forte. Acho que isso de gosto tem a ver com paladar e não com o gênero - defende.


Será que o pai da Junia sabia do presente? Em todo caso, tem bom gosto o pai da moça!


Dia desses, a leitora e seguidora do Café & Conversa, Junia Manieri mandou um pacote de café que o pai dela estava tomando. Nem sei que confusão ela arrumou na cozinha da casa dela, mas confesso que provei e gostei.


Café Helena. O café que deveria ter como lema, "O Café das Paixões", fôssemos nós, aqui do Café & Conversa os 'marquetistas' deles. O dono da marca, Café Helena, é Ricardo Bastos, produtor na região de Dourado em São Paulo. Apaixonado pela vida, apaixonado por café e loucamente perdido e apaixonado pela mulher dele.


Grãos selecionados, são a marca registrada do Café Helena


Um dia, depois de provar uma xícara do café da fazenda Monte Alto, Ricardo Bastos se apaixonou perdidamente pelo aroma do café e resolveu dar nome ao grão de Helena.


- O nome da minha outra maior paixão, Maria Helena, minha mulher, empreendedora cujo esforço e dedicação a qualidade proporciona tal prazer - suspira!


Na fazenda Monte Alto, o Café Helena quer manter o equilíbrio no paladar, levando em conta o micro ecossistema da região, a terra roxa, o solo arenoso e sobretudo o grão plantado a mais de 700 metros de altitude do nível do mar.


O brinde de Junia Maniere é 100% de grãos arábica, levemente adocicado, acidez equilibrada com pequena conotação de melaço da cana-de-açúcar. É um café especial. Grato Junia!


E, para terminar essa historinha, Martinho da Vila, Mulheres!