sábado, 26 de junho de 2010
Porque o Dunga acertou e errou
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Ganhe uma caneca do Café & Conversa

Novos recordes e o Ukulele de Sophie Madeleine
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A Música do Dia - Cotidiano - Chico Buarque
Romoaldo de Souza
Esqueça o Chico Buarque que apóia Cuba, que faz elogiosos comentários aos governos - mesmo que você não concorde - e se concentre nessa canção. Cotidiano!
Mais. Eu escolhi essa versão por causa das cenas cotidianas, por assim dizer, da mulher que espera o homem. Que se perfuma. Que manda pro espaço o que pensam as amigas sobre subserviência e usa o dom da generosidade afetiva. Generosidade afetiva. Acho que é isso que falta nas mulheres.
Ué! Por que não? Sem cair na rotina, mas será que o quesito entrega não está em baixa? Doação. Dedicação. E nem estou falando em rasgar sutiã. Aliás prefiro sem, mas volto a falar de afeto. Tema dessa canção de Chico Buarque.
Beijo com sabor de café. Beijo com gosto de hortelã. Cuidados! Lembro-me bem de uma amiga que mandava cartas para um filho, que morava fora de casa, ao menos uma vez por semana, perguntando se ele estava se agasalhando. O "moleque" morava na árida Cidade do México, se empanturrando com tequila e compondo versos que jamais serão publicados.
Pois a gente não se dedica aos filhos? Curte, cuida, faz carinho? Então! E pelos amores? Pelos outros amores do dia a dia?
Sonia Braga é a deusa desse clipe, que tem cenas tiradas de Dona Flor e seus Dois Maridos, para deixar claro que não estou, aqui, pregando a fidelidade. Estou clamando por afeto! Cotidianamente!
PS: Vou sair hoje de gorro na cabeça, cachecol no pescoço e blusa de frio! Estarei agasalhado!
Cotidiano
Composição: Chico Buarque - Versão: Daniel Viglietti
Cada día ella siempre hace todo igual
Me despierta a las seis antes que el sol
Me sonrie con sonrisa puntual
Y me besa con boco de mentol
Todo el día ella dice "te has de cuidar"
Cosas que dice siempre una mujer
Dice que está esperándome a almorzar
Y me besa con boca de café
Todo el día yo pienso en poder parar
Al mediodía pienso en decir no
Luego pienso en la vida y continuar
Y me callo con boca de arroz
En la tarde, a las seis, era de esperar
Ella viene y me espera en el portón
Dice estar como loca por besar
Y me besa con boca de pasión
Cada noche me pide a su lado estar
Medianoche y me jura eterno amor
Y me aprieta hasta hacerme sofocar
Y me besa con boca de pavor
Vuvuzela, o pesadelo africano que vai invadir o Brasil
Não há mais quem não conheça as malditas vuvuzelas, tão apreciadas pelos torcedores sul-africanos. São aquelas cornetas de plástico que emitem um som monótono, alto e extremamente desagradável. Quando tocadas aos milhares, provocam surdez, ataques epiléticos, vômitos, diarreia e retardamento mental. É infinitamente pior que um chute no saco.
Em matéria de torcida, estamos melhor que os africanos. Nós cantamos hinos e músicas feitas especialmente para demonstrar o amor que sentimos pelos nossos times. Temos as fanfarras e as baterias que dão suporte musical, as bandeiras gigantescas e os fogos de artifício. Também temos as brigas de torcidas, as depredações pós-jogo, o vandalismo etc.
É essencialmente um espetáculo e não essa sessão de tortura africana em nossos ouvidos. Segundo o Romoaldo, que é o especialista em música do blog, o som do universo está modulado na nota musical Lá.
As vuvuzelas estão moduladas em alguma nota maligna que, uma vez experimentada, nos acompanha por dias zunindo dentro da cabeça como um enxame de abelhas africanas. Agora sabemos porque essas abelhas são tão agressivas. E toda vez que ouvimos essa mesma nota vuvuzeliana, imediatamente a memória harmônica ressuscita o zumbido infernal.
Mas, vamos estudar o inimigo para podermos derrotá-lo de uma vez. Infelizmente, a vuvuzela não é uma exclusividade africana, mas ganhou notoriedade a partir da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Ela também existe no Brasil, mas felizmente não é utilizada com intensidade pelas torcidas de futebol. Aqui é conhecida por outros nomes: Corneta ou Cornetão.
Trata-se de um aerofone feito de plástico colorido, com mais ou menos um metro de comprimento, que não requer qualquer técnica mais sofisticada, maestria ou treinamento prévio para ser utilizada. Basta colocar na boca e soprar. Um verdadeiro blow job, como dizem os americanos. E ainda tem variações de modelos com bombas manuais para quem não gosta ou se canse de soprar.
A origem do nome "vuvuzela" está envolta em mistério, lendas, fofocas e rumores. Alguns dizem que vem da língua Zulu e significa "barulho". Outros garantem que "vuvu" é a reprodução fonética do som produzido pelo terrível instrumento. E uma ala de Aloprados africanos ainda defende que o nome é originário de gírias locais relacionadas à palavra para "chuveiro".
A origem do instrumento é muito antiga, remontando às tribos ancestrais sul-africanas, onde era utilizado para convocar reuniões. A vuvuzela se tornou popular na África do Sul na década de 1990, mas foi a partir de 2001 que a empresa local Masincedane Sport começou a produzir em massa a versão em plástico. As portas do Inferno se abriram de vez ...
Diante da constatação que o instrumento causa danos severos à audição e é um disseminador de doenças como a gripe, houve uma tentativa de proibição. O sopro lança mais germes no ar do que a tosse. Obviamente não deu em nada. O máximo que se conseguiu foi que alguns modelos trouxessem um aviso para não serem tocados perto do ouvido alheio.
Mas, não queremos apenas informar o que é a vuvuzela e os problemas que causa. Nós também trouxemos um furo de reportagem com exclusividade para os leitores e leitoras do Café & Conversa. Nós descobrimos como esse instrumento de Satanás é fabricado. Se você tem marca-passo ou estômago fraco, não prossiga nessa leitura. As imagens são fortes.
E você achando que colocar crianças trabalhando nas linhas de produção das fábricas chinesas era algo hediondo. Quero ver você soprando uma vuvuzela dessas agora. Mostre essa reportagem para os seus amigos que estão chegando da África do Sul com as malas cheias de vuvuzelas. Vamos livrar nossos estádios e nossos ouvidos desse pesadelo. Junte-se a nós nessa campanha humanitária.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A Música do Dia - Foi na Travessa da Palha - Lila Downs
Romoaldo de Souza
Qualquer turista desavisado chega em Portugal e é cercado por guias querendo contar a história dos nossos colonizadores, as guerras que enfrentaram e a história, ou as várias versões da história do Fado. Para uns é um estilo enfadonho de cantar, para outros - para muitos, aliás - é um encantamento. Canto de fadas.
O Fado se popularizou pelas ruas de Lisboa a partir do século 16. Em Os Lusíadas, Camões cita o Fado 18 vezes. Popularmente, nas ruas de Portugal, corre a versão de que o estilo musical teve origem nas canções dos Mouros, que ocupavam a Mouraria, bairro da capital, Lisboa.
Melancolia, ingenuidade, e mais tarde, sensualidade, são palavras que marcam, ao longo dos tempos, a letra dos Fados e a forma como é cantado. Como nesse filme de Carlos Saura.
O Fado também teve origem no Lundu, importado da África portuguesa, mesclado com danças angolanas que ao longo dos tempos foi ganhando características próprias.
Essa homenagem que a gente presta hoje, aqui, no Café & Conversa ao Fado, pode muito bem ser acompanhada dessa receita de bacalhau português que já deixamos como sugestão. Vai que você faz o bacalhau, a gente leva uns Fados aqui da redação e vamos todos curtir Brasil X Portugal nesta sexta-feira. Sem vuvuzela, é claro. Que tal? Eu torço pelo Cristiano Ronaldo. Se a escolha for o quesito da "buniteza"!
Ah, antes que eu esqueça, Foi na Travessa da Palha está sendo apresentada hoje, por Lila Downs, cantora mexicana, autora de músicas de sucesso no país dela, mas que se popularizou cantando temas folclóricos em varias culturas como mixteca, apoteca, maia e nahua. Fiquem agora com "Foi na Travessa da Palha".
Foi Na Travessa da Palha
Foi na Travessa da Palha
Que o meu amante, um canalha,
Fez sangrar meu coraçao:
Trazendo ao lado outra amante
Vinha a gingar petulante
Em ar de provocaçao.
Na taberna de friagem
Entre muita fadistagem
Enfrentei os seus rancores,
Porque a mulher que trazia
Com certeza nao valia
Nem sombra do meu amor.
A ver quem tinha mais brio
Cantamos ao desafio
Eu e essa qualquer.
Deixei-a perder de vista
Mostrando ser mais fadista
Provando ser mais mulher.
Foi uma cena vivida
De muitas da minha vida
Que nao se esquecem depois,
Só sei que de madrugada
Após a cena acabada
Voltamos para casa os dois.






















