sábado, 26 de junho de 2010

Porque o Dunga acertou e errou


Ricardo Icassatti Hermano

Essa confusão entre o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Dunga, e uns jornalistas da TV Globo nos mostrou algumas coisas básicas. A primeira delas é que os jornalistas ainda não entenderam qual é o seu verdadeiro papel numa Copa do Mundo.

Embora eu não seja fã de futebol - prefiro outros esportes -, reconheço que a Seleção é o instrumento catalisador da emoção do povo de um país que adora futebol. Os jornalistas, por melhor que sejam, jamais serão. São apenas o veículo dessa catalisação. O link entre o torcedor e o jogo. Nada mais.

No imaginário popular, Dunga é um dos heróis da Copa de 1994. Ele era o capitão do time que conquistou o Tetra Campeonato Mundial (obrigado Elina!). Ele era o líder dentro do campo.

Seu papel mudou pouco. Hoje é o técnico e continua a liderar o time. Portanto, no imaginário popular, Dunga continua conquistando o que o povo deseja e sendo seu mais legítimo representante no futebol. Os jornalistas, por mais engraçadinhos que sejam, jamais conseguirão esse lugar no coração do país. Ninguém lembrará seus nomes quando falarem sobre essa Copa.

Dunga acertou quando cortou os privilégios da imprensa, especialmente da TV Globo. Vimos a farra que foi na Copa passada e o resultado obtido. Jornalistas e comediantes se fazendo de jornalistas tinham acesso livre até aos quartos de hotel dos jogadores. Esses, por sua vez, faziam o que bem entendiam. Incluindo nesse pacote as noitadas em boates, bebidas alcoólicas e mulherada. Geralmente acompanhados pelos mesmos jornalistas.

Os treinos eram abertos e viraram outra farra. Os jogadores davam mais entrevistas e autógrafos do que treinavam. Havia até venda de ingressos para os treinos. Faltou pé no chão e seriedade.

Fui atleta e competi boa parte da minha vida. Sei como é importante a concentração e como é difícil manter o foco para ganhar qualquer competição. Não há espaço para o meio termo. Leva a sério ou perde. E os jornalistas esportivos são mestres em faturar na vitória e fugir da responsabilidade nas derrotas.

Falo isso porque sou jornalista. Não na área esportiva, mas na política. Ao longo de quase 30 anos de carreira, fiz questão de observar o comportamento de muitos jornalistas. Vi muita coisa boa e muita coisa ruim.

A pior de todas é a confusão que alguns fazem em relação ao poder. Por estarem gravitando em torno do poder real (as pessoas que decidem), passam a acreditar que possuem o mesmo poder. É um erro fatal e vi muita gente cair do cavalo quando a realidade os esbofeteou sem compaixão.

Na TV Globo, o humorista Chico Anísio compreendeu bem esse fenômeno quando criou o personagem Bozó, que andava com uma caneta-brinde da emissora pendurada no pescoço e um crachá de funcionário. Ele sempre fazia questão de lembrar: "Eu trabalho na Globo".

Galvão Bueno, Alex Escobar e Tadeu Schmidt são os Bozós da TV Globo. Eles não têm a mínima condição de dar lição de moral em quem quer que seja, enquanto eles e/ou a sua empregadora tentam fazer acordos escusos por baixo dos panos. Acharam que, por gravitarem em torno do poder representado pela emissora, poderiam exercê-lo a seu bel prazer.

Receberam o recado dos torcedores com um CALA BOCA que deve estar reverberando até hoje nos ouvidos deles. A emissora também parece ter se dado conta da canoa furada em que estava embarcando e deu uma "enquadrada" nos seus repórteres. Afinal, é preciso faturar e as outras emissoras agradeceram o incremento em suas próprias audiências.

Lembrem que o Galvão Bueno já não narra partidas de futebol no Maracanã. Os cariocas adoram sugerir a ele o que fazer com seu orifício anal. Como a sugestão é dada através de um coro de milhares de vozes, o som sempre vaza para a transmissão (vide YouTube). Arnaldo César Coelho, Roberto Falcão e Walter Casagrande estão indo pelo mesmo caminho.

O Dunga também errou quando se descontrolou e partiu para o xingamento e a brutalidade mal disfarçada. Deveria ter dado nomes aos bois, citando nominalmente os jornalistas metidos a espertos. Felizmente, ele tem uma família que o ama, onde foi buscar aconselhamento. Rapidamente corrigiu seu erro pedindo desculpas aos torcedores. Coisa que os jornalistas citados acima não fizeram. Estão devendo.

Realmente, Dunga só deve satisfação aos torcedores que sofrem e se alegram com o resultado do seu trabalho. Se o Brasil perder a Copa, a culpa não recairá sobre os jogadores, que voltarão aos seus clubes e aos seus salários milionários. A culpa também não recairá sobre os jornalistas, que rapidamente vão dizer que previram a derrota.

A culpa será única e exclusivamente do treinador. É ele que vai ter de explicar o que aconteceu e que será xingado por milhões. É ele que vai ser desancado pela imprensa que queria "privilégios" sem pensar nos prejuízos que pode causar.

Como eu disse, não sou fã de futebol, não trabalho na CBF ou na FIFA, não sou jogador milionário nem treinador. Sou jornalista, ex-atleta e digo que o Dunga agiu corretamente ao não permitir a instalação de uma farra inconsequente dentro da Seleção Brasileira. Já vimos esse filme e não gostamos do final.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ganhe uma caneca do Café & Conversa


Romoaldo de Souza

Ganhe uma caneca como esta da fotografia, que tem passeado pelo planeta afora! Mande e-mail para cafeconversa1@gmail.com e dê o seu palpite para o placar do jogo Brasil X Chile, nesta segunda-feira.

Aqui estou, na porta do Estádio Soccer City, em Johanesburg

Acerte o placar de Brasil X Chile e a caneca exclusiva do Café & Conversa será totalmente sua! Aliás, ela chegou à Copa do Mundo antes de muita gente, levada por Corban Costa, piloto de Rally e jornalista da EBC.

Vamos sortear uma caneca entre os acertadores do placar. Vale apenas o placar dos 90 minutos regulamentares. Boa Sorte!!!

Novos recordes e o Ukulele de Sophie Madeleine


Ricardo Icassatti Hermano

No meio da tarde de ontem, o seu blog favorito alcançou e ultrapassou a marca dos 20 mil acessos. É um feito a ser celebrado. Outro feito foi ter ultrapassado também a marca de 100 seguidores fixos. Por isso, estamos programando tomar vários espressos qualquer hora dessas na Fellini Caffè (SCLS 104 Bloco B Loja 01 - Fone: 3223-1333) para comemorar.

Para que os nossos leitores e leitoras também possam festejar, o Café & Conversa trouxe uma jovem inglesa absolutamente linda e talentosa, que começou a gravar suas composições em seu próprio quarto e até na cozinha, e postá-las no YouTube. Da sua casa, decolou para o mundo.

O nome dela é Sophie Madeleine e seu instrumento musical preferido é o Ukulele. Aliás, esse pequeno violão havaiano, parecido com um cavaquinho, tem uma imensa legião de fãs mundo afora. E, claro, no Brasil também. O site Ukulele Brasil até já entrevistou a Sophie.

Sophie e seu Ukulele, nos arredores de Brighton

Sophie se tornou mulher e uma artista respeitável. Suas músicas são adoráveis e a sua voz é simplesmente deliciosa de ouvir. Ela também se dedica a causas humanitárias, como a arrecadação de dinheiro para enfermos com câncer. Em seu site, ela disponibilizou duas músicas para compra e download por £ 1 cada. Metade do que for arrecadado será destinado ao Macmillan Cancer Support.

Uma das músicas ainda é demo: Ode to a Telephone (When You Call). A outra já foi lançada e chama-se You Are My Favorite, que tem tudo a ver com o fato do Café & Conversa ser o seu blog favorito : ) Além disso, junto com a música vem a partitura, uma trilha para acompanhamento de quem queira aprender a tocá-la e o videoclipe.

Nesse vídeo, fãs do mundo inteiro (inclusive do Brasil) que gravaram cover da canção e colocaram no YouTube, cantam junto com a linda inglesinha de Brighton. Com vocês, Sophie Madeleine.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Música do Dia - Cotidiano - Chico Buarque


Romoaldo de Souza


Esqueça o Chico Buarque que apóia Cuba, que faz elogiosos comentários aos governos - mesmo que você não concorde - e se concentre nessa canção. Cotidiano!


Mais. Eu escolhi essa versão por causa das cenas cotidianas, por assim dizer, da mulher que espera o homem. Que se perfuma. Que manda pro espaço o que pensam as amigas sobre subserviência e usa o dom da generosidade afetiva. Generosidade afetiva. Acho que é isso que falta nas mulheres.


Ué! Por que não? Sem cair na rotina, mas será que o quesito entrega não está em baixa? Doação. Dedicação. E nem estou falando em rasgar sutiã. Aliás prefiro sem, mas volto a falar de afeto. Tema dessa canção de Chico Buarque.


Beijo com sabor de café. Beijo com gosto de hortelã. Cuidados! Lembro-me bem de uma amiga que mandava cartas para um filho, que morava fora de casa, ao menos uma vez por semana, perguntando se ele estava se agasalhando. O "moleque" morava na árida Cidade do México, se empanturrando com tequila e compondo versos que jamais serão publicados.


Pois a gente não se dedica aos filhos? Curte, cuida, faz carinho? Então! E pelos amores? Pelos outros amores do dia a dia?


Sonia Braga é a deusa desse clipe, que tem cenas tiradas de Dona Flor e seus Dois Maridos, para deixar claro que não estou, aqui, pregando a fidelidade. Estou clamando por afeto! Cotidianamente!


PS: Vou sair hoje de gorro na cabeça, cachecol no pescoço e blusa de frio! Estarei agasalhado!



Cotidiano

Composição: Chico Buarque - Versão: Daniel Viglietti


Cada día ella siempre hace todo igual

Me despierta a las seis antes que el sol

Me sonrie con sonrisa puntual

Y me besa con boco de mentol

Todo el día ella dice "te has de cuidar"

Cosas que dice siempre una mujer

Dice que está esperándome a almorzar

Y me besa con boca de café

Todo el día yo pienso en poder parar

Al mediodía pienso en decir no

Luego pienso en la vida y continuar

Y me callo con boca de arroz

En la tarde, a las seis, era de esperar

Ella viene y me espera en el portón

Dice estar como loca por besar

Y me besa con boca de pasión

Cada noche me pide a su lado estar

Medianoche y me jura eterno amor

Y me aprieta hasta hacerme sofocar

Y me besa con boca de pavor




Vuvuzela, o pesadelo africano que vai invadir o Brasil


Ricardo Icassatti Hermano

Não há mais quem não conheça as malditas
vuvuzelas, tão apreciadas pelos torcedores sul-africanos. São aquelas cornetas de plástico que emitem um som monótono, alto e extremamente desagradável. Quando tocadas aos milhares, provocam surdez, ataques epiléticos, vômitos, diarreia e retardamento mental. É infinitamente pior que um chute no saco.

Se você estiver abaixo dessa galera, não é chuva caindo na sua cabeça

Em matéria de torcida, estamos melhor que os africanos. Nós cantamos hinos e músicas feitas especialmente para demonstrar o amor que sentimos pelos nossos times. Temos as fanfarras e as baterias que dão suporte musical, as bandeiras gigantescas e os fogos de artifício. Também temos as brigas de torcidas, as depredações pós-jogo, o vandalismo etc.

É essencialmente um espetáculo e não essa sessão de tortura africana em nossos ouvidos. Segundo o R
omoaldo, que é o especialista em música do blog, o som do universo está modulado na nota musical .

As
vuvuzelas estão moduladas em alguma nota maligna que, uma vez experimentada, nos acompanha por dias zunindo dentro da cabeça como um enxame de abelhas africanas. Agora sabemos porque essas abelhas são tão agressivas. E toda vez que ouvimos essa mesma nota vuvuzeliana, imediatamente a memória harmônica ressuscita o zumbido infernal.

Mas, vamos estudar o inimigo para podermos derrotá-lo de uma vez. Infelizmente, a
vuvuzela não é uma exclusividade africana, mas ganhou notoriedade a partir da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Ela também existe no Brasil, mas felizmente não é utilizada com intensidade pelas torcidas de futebol. Aqui é conhecida por outros nomes: Corneta ou Cornetão.

Esse é o modelo clássico da vuvuzela

Trata-se de um aerofone feito de plástico colorido, com mais ou menos um metro de comprimento, que não requer qualquer técnica mais sofisticada, maestria ou treinamento prévio para ser utilizada. Basta colocar na boca e soprar. Um verdadeiro
blow job, como dizem os americanos. E ainda tem variações de modelos com bombas manuais para quem não gosta ou se canse de soprar.

Meta a boca na vuvuzela e sopre com força

A origem do nome
"vuvuzela" está envolta em mistério, lendas, fofocas e rumores. Alguns dizem que vem da língua Zulu e significa "barulho". Outros garantem que "vuvu" é a reprodução fonética do som produzido pelo terrível instrumento. E uma ala de Aloprados africanos ainda defende que o nome é originário de gírias locais relacionadas à palavra para "chuveiro".

A origem do instrumento é muito antiga, remontando às tribos ancestrais sul-africanas, onde era utilizado para convocar reuniões. A
vuvuzela se tornou popular na África do Sul na década de 1990, mas foi a partir de 2001 que a empresa local Masincedane Sport começou a produzir em massa a versão em plástico. As portas do Inferno se abriram de vez ...

Os torcedores de futebol são realmente criativos

Diante da constatação que o instrumento causa danos severos à audição e é um disseminador de doenças como a gripe, houve uma tentativa de proibição. O sopro lança mais germes no ar do que a tosse. Obviamente não deu em nada. O máximo que se conseguiu foi que alguns modelos trouxessem um aviso para não serem tocados perto do ouvido alheio.

Isso é igual aviso em maço de cigarro

A FIFA tem se pronunciado a respeito e garantiu que, após a fase de grupos e a partir das oitavas de final da Copa 2010, banirá as vuvuzelas dos estádios se não forem usadas com mais moderação. A conferir ...

Um exemplo de torcedor moderado ...

Mas, não queremos apenas informar o que é a
vuvuzela e os problemas que causa. Nós também trouxemos um furo de reportagem com exclusividade para os leitores e leitoras do Café & Conversa. Nós descobrimos como esse instrumento de Satanás é fabricado. Se você tem marca-passo ou estômago fraco, não prossiga nessa leitura. As imagens são fortes.

A produção é inteiramente artesanal

Leva algum tempo até atingirem o tamanho ideal

As vuvuzelas são produzidas em modelos e tamanhos variados

Tem até ponta de estoque

E você achando que colocar crianças trabalhando nas linhas de produção das fábricas chinesas era algo hediondo. Quero ver você soprando uma
vuvuzela dessas agora. Mostre essa reportagem para os seus amigos que estão chegando da África do Sul com as malas cheias de vuvuzelas. Vamos livrar nossos estádios e nossos ouvidos desse pesadelo. Junte-se a nós nessa campanha humanitária.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Música do Dia - Foi na Travessa da Palha - Lila Downs


Romoaldo de Souza


Qualquer turista desavisado chega em Portugal e é cercado por guias querendo contar a história dos nossos colonizadores, as guerras que enfrentaram e a história, ou as várias versões da história do Fado. Para uns é um estilo enfadonho de cantar, para outros - para muitos, aliás - é um encantamento. Canto de fadas.


Quadro "O Fado" (1910), de José Malhoa

O Fado se popularizou pelas ruas de Lisboa a partir do século 16. Em Os Lusíadas, Camões cita o Fado 18 vezes. Popularmente, nas ruas de Portugal, corre a versão de que o estilo musical teve origem nas canções dos Mouros, que ocupavam a Mouraria, bairro da capital, Lisboa.


Melancolia, ingenuidade, e mais tarde, sensualidade, são palavras que marcam, ao longo dos tempos, a letra dos Fados e a forma como é cantado. Como nesse filme de Carlos Saura.




O Fado também teve origem no Lundu, importado da África portuguesa, mesclado com danças angolanas que ao longo dos tempos foi ganhando características próprias.


Essa homenagem que a gente presta hoje, aqui, no Café & Conversa ao Fado, pode muito bem ser acompanhada dessa receita de bacalhau português que já deixamos como sugestão. Vai que você faz o bacalhau, a gente leva uns Fados aqui da redação e vamos todos curtir Brasil X Portugal nesta sexta-feira. Sem vuvuzela, é claro. Que tal? Eu torço pelo Cristiano Ronaldo. Se a escolha for o quesito da "buniteza"!


Ah, antes que eu esqueça, Foi na Travessa da Palha está sendo apresentada hoje, por Lila Downs, cantora mexicana, autora de músicas de sucesso no país dela, mas que se popularizou cantando temas folclóricos em varias culturas como mixteca, apoteca, maia e nahua. Fiquem agora com "Foi na Travessa da Palha".


Foi Na Travessa da Palha


Foi na Travessa da Palha

Que o meu amante, um canalha,

Fez sangrar meu coraçao:

Trazendo ao lado outra amante

Vinha a gingar petulante

Em ar de provocaçao.

Na taberna de friagem

Entre muita fadistagem

Enfrentei os seus rancores,

Porque a mulher que trazia

Com certeza nao valia

Nem sombra do meu amor.

A ver quem tinha mais brio

Cantamos ao desafio

Eu e essa qualquer.

Deixei-a perder de vista

Mostrando ser mais fadista

Provando ser mais mulher.

Foi uma cena vivida

De muitas da minha vida

Que nao se esquecem depois,

Só sei que de madrugada

Após a cena acabada

Voltamos para casa os dois.




Kick Ass - O Filme


Ricardo Icassatti Hermano

Qual fã de histórias em quadrinhos que nunca fantasiou, em algum momento, ser um super-herói? E como todo serial killer sabe, ficar só na fantasia não basta.

Quando ouvi essas duas frases, levantei as mãos para o céu como um evangélico jogador de futebol e agradeci por Hollywood ter finalmente aprendido a não estragar os filmes baseados em histórias em quadrinhos. Muita coisa boa já foi completamente arruinada pelos executivos dos estúdios. Ainda tem muitos idiotas por lá, mas felizmente agora são pouco ou nada influentes nesse tipo de produção.

Estou falando do filme Kick Ass, originado da HQ de mesmo nome publicada pela Marvel. Aqui no Brasil eu não sei o que acontece. Os distribuidores sempre acham que devem acrescentar algo ao nome original do filme que não conseguem traduzir. Assim, adicionaram ao título original em inglês a extensão "quebrando tudo", que não tem absolutamente nada a ver com o filme.

Cartaz do filme

Kick Ass, no caso, é o nome que um adolescente geek coloca no super-herói que resolve encarnar. Traduzindo, a expressão seria algo como "chute na bunda". Como tem muita pancadaria no filme, o gênio que cuida dos títulos no Brasil achou que "quebrando tudo" traduziria melhor a essência da história. Certamente, esse sujeito é um frequentador de seminários sobre planejamento estratégico e visão do futuro ...

À primeira vista, o filme pode parecer mais uma bobagem cômica de Verão para pré-adolescentes, mas é um engano que se desfaz logo. A história tem os componentes juvenis, mas se revela como um sensível e original relato da transição da adolescência inconsequente para o mundo adulto das responsabilidades, da fantasia para a realidade. A perda da inocência.

O jovem ator Aaron Johnson faz o adolescente geek fissurado em quadrinhos e internet Dave Lisewski, que mais adiante se tornará também o super-herói Kick Ass. O elenco juvenil e infantil foi muito bem selecionado, pois todos estão na idade exata dos personagens.

Kick Ass, a dura passagem da adolescência para a vida adulta

Como quase todo adolescente, Dave é inseguro, tímido, alienado e restrito ao seu mundo de fantasia junto com mais alguns amigos. É virgem em vários sentidos e totalmente inconsequente. Com a morte da mãe aprende a primeira grande lição: a vida continua. Quando se torna um super-herói aprende outras lições bem mais dolorosas. É nesse caminho que ele faz a transição para o mundo adulto e recebe o seu choque de realidade.

Nicolas Cage e Chloe Moretz fazem os papéis de pai e filha. Ele é o ex-policial Damon Macready, que foi preso após ser falsamente incriminado por um grande traficante de drogas. Sua esposa grávida passa por muitas difculdades e acaba se suicidando, mas a filha Mindy Macready sobrevive.

Pai e filha em busca de vingança

Ao sair da prisão, Damon e a filha se especializam em todo tipo de armas e treinam artes marciais para se vingarem do chefão criminoso Frank D'Amico, interpretado por Mark Strong. Enquanto se preparavam para a vingança, ficam sabendo da existência de Kick Ass e resolvem ajudá-lo através dos super-heróis que eles próprios encarnam: Big Daddy e Hit Girl.

Big Daddy é a cara do Batman

Apesar de sombria, essa união é frutífera para todos, pois trata-se de uma jornada que, uma vez iniciada, não tem volta. Qualquer semelhança com Batman, Watchmen e Quentin Tarantino é a mais feliz das coincidências. Nos Estados Unidos os filmes passam por uma classificação - não encontro outro adjetivo mais adequado - babaca.

Hit Girl em ação, sem medo de machucar bandidos

Por exemplo, se o filme tem sangue visível decorrente de ato violento, a classificação é para uma determinada faixa etária. Se o filme contém o mesmo ato violento, mas não mostra sangue, aí as crianças menores podem assistir. É como se o sangue não fizesse parte da vida humana.

Com isso, muitos estúdios optaram por evitar o sangue nas cenas, que estão cada vez mais violentas, e ampliar - para baixo - a faixa etária na classificação. Como diria o Chacrinha: é babaca ou não é?

Nesse filme, os produtores mantiveram o banho de sangue porque é essencial para dimensionar o sofrimento e a dor da transição da dupla Kick Ass e Hit Girl. Ele um adolescente de 17 anos e ela uma menina de 11 anos extremamente letal. Enquanto ele amadurece, ela tem que fazer o caminho contrário e resgatar sua infância.

Aqui abro um parêntese para elogiar a atuação da pequena atriz Chloe Moretz. Essa menina ainda vai dar o que falar. Ela está simplesmente sensacional nesse papel. Guardem esse nome.

Chloe Moretz detonando os traficantes. Tarantino fez escola.

Assistam o trailer e não deixem de ir ao cinema. Pancadaria, tiros, facadas, explosões e muito sangue para garantir a diversão de toda a família. Um filme imperdível para adolescentes de todas as idades.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

Depois dos Africanos, os Portugas!


Ricardo Icassatti Hermano

Depois de uma boa pancadaria, a Seleção Brasileira de Futebol mandou os africanos da Costa do Marfim de volta para os safaris de caça a elefantes. Na minha opinião, o pior do jogo foi não podermos reclamar do árbitro. O sujeito era simplesmente cego ... graças a Deus!

Parece que, finalmente, houve um desencanto geral. O Kaká jogou bola de vez em quando e até revelou um insuspeitado e nada cristão traço de rebeldia. O Luís Fabiano tateou e encontrou o caminho para o gol. O único ser que não muda é o tri-atleta Robinho, aquele prego sem noção que comemora gol dos outros na televisão para aparecer. O Dunga também apresentou novidade trajando a capa do Batman.

O importante foi que o Brasil se classificou e agora enfrentará a seleção portuguesa, famosa por ter em seu elenco o atacante Cristiano Ronaldo, o metrosexual lusitano. Já deve estar dando briga no escrete canarinho para ver quem vai marcar a padaria do bonitão. Mas, não sei porque, sinto que a mulherada vai passar pelo mesmo trauma que tiveram com Ricky Martin e Reynaldo Gianecchini ...

Eu conhecia com outro nome, mas me disseram que agora é "metrosexual"

Passado o chororô, vocês poderão se dedicar ao preparo de um prato especial para o dia do jogo. E nada melhor que seja uma receita da culinária portuguesa tradicional, aquela de raiz. Trata-se da receita original do Bacalhau a Gomes de Sá, que leva o nome do seu criador, José Luiz Gomes de Sá, um cozinheiro do Restaurante Lisboense na cidade do Porto.

É um prato simples e de preparação rápida após o processo de dessalgamento do bacalhau, que requer alguma antecedência. O bacalhau é um peixe do gênero Gadus, pertencente à família Gadidae. No Brasil, tem a fama de ninguém conhecer-lhe a cabeça, pois é vendido sem a mesma.

Agora você conhece um bacalhau com cabeça

Dentre as várias espécies de peixes comercializadas como bacalhau, duas se destacam. O chamado "bacalhau verdadeiro" vem de algumas regiões do Canadá e do Mar da Noruega. A outra vem do Alasca, na costa banhada pelo Oceano Pacífico.

Devido à intensa exploração, o "bacalhau verdadeiro" entrou no ano 2000 para a lista das espécies vulneráveis de extinção da World Wide Fund for Nature (WWF). Segundo a entidade, o bacalhau poderá desaparecer dos mares em 15 anos. Por isso, opte por um outro peixe que seja vendido como bacalhau, como o brasileiríssimo Tubalhau. Além de ecologicamente correto, é bem mais barato.

Café & Conversa também é auto-sustentável! E vamos à receita.

Bacalhau à Gomes de Sá 

(para 4 pessoas)

Ingredientes 


- 500 g de bacalhau
- 500 g de batatas
- 2 cebolas
- 1 dente de alho
- 1 folha de louro
- 4 ovos cozidos
- 1,5 dl de azeite
- azeitonas pretas
- Salsa, sal e pimenta a gosto

Preparo

Dessalgue o bacalhau no dia anterior, trocando a água a cada 2 ou 3 horas. Coloque numa panela e escalde com água fervendo. 
Tampe a panela e abafe com um cobertor ou pano e deixe por 20 minutos. 


Escorra o bacalhau, retire as peles e as espinhas e separe em lascas.
 Ponha as lascas numa tigela funda, cubra com leite bem quente, tampe e deixe em infusão durante 1 e 1/2 a 3 horas. Escorra.


Enquanto isso, cozinhe as batatas com a casca e os ovos. Corte as cebolas e o dente de alho em rodelas e doure ligeiramente com um pouco de azeite. 
Junte o bacalhau escorrido. 
Mexa tudo ligeiramente, mas sem deixar refogar. Tempere com sal e pimenta. 


Disponha imediatamente numa travessa pirex em camadas alternadas de bacalhau, batatas e ovos cozidos. Regue com azeite extra-virgem. Leve ao forno bem quente por 10 minutos.


Sirva na travessa em que foi ao forno, polvilhado com salsa picada e enfeitado com rodelas de ovo cozido e azeitonas pretas. Acompanhe com arroz branco e um bom vinho verde português ou um branco brasileiro bem frutado. Coloque um CD de fado com Amália Rodrigues e conheça a tristeza que os portugueses sentirão logo após serem derrotados pela Seleção do Dunga ...

Diqueim eu goshto/ Nem àsh paredess confesso