terça-feira, 29 de junho de 2010

Caneca Globetroter na Paris de Sartre e Simone


Ricardo Icassatti Hermano

"Toda unanimidade é burra", já dizia o sábio Nelson Rodrigues. A Copa do Mundo de Futebol é uma quase unanimidade. Digo "quase" porque pessoas inteligentes, de bom gosto, com recursos e que têm mais o que fazer, aproveitam que a massa está ocupada com a televisão e viajam para apreciar o mundo civilizado sem muvucas populares.

E como o seu blog favorito é inteligente, culto, de bom gosto e sem recursos, aproveitamos para pegar carona na aba dos amigos com recursos para conhecer o mundo e seus prazeres. Como não podemos ir nós, os redatores, vai a nossa caneca personalizada e exclusiva. Graças à gentileza e à generosidade de um bando de amigos que se dispõem a carregá-la por aí, tirar fotos e relatar suas aventuras turísticas.

Foi o que aconteceu com a jornalista Maria Lima, também conhecida no submundo dos leads, escândalos e dossiês como Mariazinha, ou ainda no jet set internacional e na ponte aérea Rio-Paris, como Little Mary. Na condição de colaboradora informal e voluntária intimada, a velha profissional de imprensa passeou pelo Velho Mundo e levou nossa caneca.

Little Mary não deixou por menos e levou nossa já famosa caneca para conhecer um dos templos da filosofia moderna, o solo sagrado onde o filósofo, escritor e crítico Jean Paul Sartre passou o rodo na Simone de Beauvoir, enquanto filosofava, degustava um café, bebericava uma taça de vinho e devorava um soufflé de queijo.

Solo sagrado da filosofia

Exatamente, caro leitor e cara leitora. É o Café Les Deux Magots!!! Era ali que Sartre trocava ideias turbinadas pela cafeína com seus compatriotas intelectuais e pensava numa maneira de convencer a escritora Simone de Beauvoir a desistir da ideia maluca de casamento. Tudo em nome do fortalecimento do feminismo, claro.

"Tamanho não é importante, Jean Paul. Eu quero é casar!"

O cara era simplesmente um gênio e mostrou ao mundo que melhor do que ser uma paisagem inútil, um metrosexual como Rick Martin, Gianecchini e Cristiano Ronaldo, o bom mesmo é ser inteligente. O que no Brasil é um problema. Aqui, a inteligência alheia provoca pavor, tremores e repulsa.

Momento exato em que Sartre bolou como convencer
Simone a desistir do casamento

Mas, os homens precisam saber que todos (eu pelo menos) devemos muito a Simone de Beauvoir e seus livros sobre as angústias femininas. Graças a ela, a mulherada entendeu que havia chegado o momento de liberar geral. Foram os loucos anos 60 e 70, antes da AIDS que acabou com a brincadeira. Ainda bem que vivi essa época : )

Simone de Beauvoir também botava pra quebrar ...

Isso até me lembrou um versinho composto, se não me engano, pelo Ziraldo:

Simone de Beauvoir, Simone de Beauvoir
Se não fosse você
O que seria de moi?

Mas, não quero tomar o tempo de vocês com passagens históricas, fenômenos culturais e memórias felizes. Fiquem com o relato de próprio punho da jornalista Maria Lima.

"Com a caneca do Café & Conversa e um vidro lacrado de Rivotril na mala para encarar meu cagaço de avião, rumamos em direção ao aeroporto para 10 breves dias de férias em Londres e Paris.


Além do pânico que teima em me acompanhar nessas viagens longas, minha irmã, sobrinha e eu estávamos com nossos corações apertados. Naquele mesmo dia havíamos perdido uma tia querida. Mas, logo no chek in, me encontrei com o tranquilão João Domingos.


Um bom presságio de que a viagem seria muito legal. E foi. Nem precisei me dopar de Rivotril para encarar as turbulências da zona de convergência do Atlântico.


Além de mostrar Londres e Paris para a minha sobrinha, que comemorava seus 15 anos, tinha uma missão: levar a caneca do Café & Conversa para um passeio no charmoso e tradicional Café Les Deux Magots.


Little Mary filosofando com a caneca, depois de umas cervejas ...


Localizado na chiquérrima área de Saint German de Prés, ao lado de lojas das grifes mais caras da Europa, o café que já serviu de locação para vários filmes seria apenas mais um dos adoráveis cafés com mesinhas e terraço super florido. Mas, até hoje, passam por ali a nata da intelectualidade e milhares de turistas do mundo inteiro, que entre uma xícara e outra de café ou chocolate, sorvem também a história do ócio criativo do casal Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre, que ali passavam boa parte do tempo.


Cumprir a missão que me foi dada pelo Ricardo foi moleza. Antes de Paris, passamos por Londres, onde, como na capital francesa, a população convive muito bem com pombos andando e até pousando nas mesas dos restaurantes.


No mercadão de Covent Garden, por exemplo, tínhamos de tampar nossas pints de Guiness para evitar um novo ingrediente na amarga cerveja: pluminhas de pombo que ficavam flutuando no local, para minha agonia.


No Les Deux Magots, além dos pombos, se der moleza os passarinhos de menor porte dividem com você os pratos de salada ou o pão.


Para introduzir a caneca do Café & Conversa entre as louças branquinhas, com o logo do café, pedimos um brunch com pães, carpácio com o pão francês bem duro, salada, Croque Monsieur - depois da baguete com queijo camembert, o clássico dos sanduíches franceses. Café e chocolate com creme para enfrentar o frio . E uma cerveja que ninguém é de ferro.


A caneca do blog morando na filosofia ...


O lugar tem um clima especial e os garçons impecáveis dão o tom da elegância e da sobriedade por ali. Tentei descobrir a origem do café servido no Les Deux Magots, mas a primeira resposta do garçon me desanimou de ir em frente.


Croque Monsieur é esse sanduba à direita


Contrastando com a ótima comida e a beleza do lugar, eles não fazem a menor questão de ser simpáticos. Aliás, como os franceses em geral. Perguntei onde o café servido ali era produzido e de que marca era. O garçon de smoking deu de ombros e respondeu com ar blasé: "Je n'ai aucune idée (não faço a menor idéia)". De qualquer forma, minha irmã, minha sobrinha e eu tomamos e gostamos muito."


segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Música do Dia - Alturas - Inti-Illimani


Romoaldo de Souza


Para o dia do jogo do Brasil com o Chile nós temos cardápio chileno, música popular chilena e a caneca do Café & Conversa. É só deixar seu palpite até a hora do jogo, enviando e-mail para cafeconversa1@gmail.com. A caneca que chegou antes que muitos times e só vai deixar a África do Sul depois do apito final da partida decisiva, em 11 de julho, independentemente de que times disputem o mundial.


Para acompanhar esse salmão dos lagos chilenos, subimos os Andes para ouvir o grupo musical Inti-Illimani. O grupo é uma das criações do conhecido movimento Nueva Canción Chilena. O nome, "Sol-Illimani" em idioma Aimará, dialeto do povo que se estabeleceu a partir da época pré-colombiana desde o Peru, Bolívia, Argentina e Chile.


Para você que não aguenta mais aqueles colombianos todos iguais, feitos em série como se fossem uma franquia e tocando El Condor Pasa, Inti-Illimani resgata a música e o dialeto dos aimará, povo pré-colombiano


Ativo e combativo no Chile do presidente Salvador Allende, Inti-Illimani passou a ser perseguido durante o golpe militar do general Augusto Pinochet, de 11 de setembro de 1973, e acabou sendo um dos primeiros grupos artísticos chilenos a migrar para o estrangeiro levando os hábitos e adiando os sonhos de liberdade, indo morar na Italia. O exílio durou até as cinco horas da tarde de 18 de setembro, 15 anos depois.


Ao desembarcar em Santiago, Inti-Illimani foi recebido por centenas de manifestantes, amigos e parentes. Ali mesmo, no saguão do aeroporto, eles tocaram Alturas, a música que dedicamos ao leitores do Café & Conversa.


Bom dia, bom jogo, boa sorte!




Chi-Chi-Chi, Le-Le-Le, CHILE!!!


Ricardo Icassatti Hermano

Uma semana de Copa do Mundo. Alô setor de avaliação de estragos! Relatório de danos já! Após esse período, breve porém intenso, de mergulho na vasta cultura do futebol, as vuvuzelas me deixaram quatro neurônios apenas, e um deles está entrando em convulsão.

Aprendemos bastante sobre os países participantes e sua gastronomia; demos dicas sobre como se preparar para receber os amigos e amigas em casa para assistir os jogos; como cuidar dos seus bichinhos de estimação e das suas plantas; alertamos sobre os efeitos colaterais das vuvuzelas e até revelamos como são fabricadas.

Vuvuzeeeeeeelllaaaaaaaa!!!

No decorrer do evento, fomos descobrindo outros pontos que deixamos de abordar, como o vizinho bêbado que se junta a amigos bêbados para fazer um churrasco, soprar vuvuzelas e soltar fogos de artifício para mostrar todo o seu patriotismo e acabam incendiando a casa.

Por isso, tenha sempre à mão os telefones do Corpo de Bombeiros e do serviço de ambulâncias. Ah! E da Polícia também, caso você queira se entregar após esganar o seu vizinho vuvuzelento.

Vou mostrar onde você vai enfiar essa vuvuzela!!!

No caso de ser você o anfitrião, evite aumentar o número de acidentes automobilísticos. Guarde as chaves dos carros dos seus amigos bêbados e deixe junto ao telefone o número de um serviço de taxi. Também providencie colchonetes para aqueles que capotarem e avise os seus vizinhos sobre as suas intenções "festivas".

Depois do show dado por Alemanha e Argentina, amanhã é a vez do Brasil mostrar a que veio e tentar superar a Seleção do Chile. E o que sabemos sobre aquele belo país além do terremoto recente? É um grande produtor de vinhos soberbos, cujas vinhas são cultivadas nas encostas pedregosas dos Andes.

Mapa do Chile

O Chile também produz o salmão que consumimos no Brasil. Diga-se de passagem, salmão criado em fazendas aquáticas instaladas em imensos lagos de água cristalina, pois esse peixe originário do Hemisfério Norte (Alasca e Canadá) não é nativo da América do Sul.

Típica fazenda chilena de criação de salmão

Trata-se de uma tecnologia avançada, que pode salvar da extinção o salmão selvagem, mas que tem lá suas dificuldades e controvérsias ambientais. Em 2008, um vírus devastou as criações chilenas e depois a ocorrência de um verme assustou os brasileiros consumidores de sushi e sashimi.

Os fiscais da saúde pública garantem que o salmão
não tem mais esses bichinhos ...

No Canadá, nativos e cientistas acusam as fazendas de salmão de estarem espalhando doenças e parasitas entre os salmões selvagens, o que estaria contribuindo para o seu desaparecimento. Além disso, no Chile há o problema da fuga de salmões dos criatórios, que se tornam espécie invasora da ecologia fluvial local.

Para manter a carne com a característica cor rosada, o salmão selvagem come um pequeno caranguejo vermelho, cuja pigmentação acaba se fixando na carne do salmão. O peixe criado em fazendas não come o caranguejo, mas uma ração com colorante, que acaba produzindo o mesmo efeito.

Enquanto essa discussão não chega a uma conclusão, nós continuamos nos deliciando com o salmão e o vinho chilenos. Realmente uma dupla invejável e saborosa. Para nos prepararmos adequadamente para o embate futebolístico entre os dois países irmãos, hoje trazemos uma receita de salmão ao forno para acompanhar aquele vinho chileno que você escondeu para uma ocasião especial.

Fiz esse prato para a filharada e respectivas nora e namorada e todos adoraram. É super fácil e fica uma delícia. Especialmente com vinho. É um filé de salmão assado com uma crosta de mostarda Dijon com mel e pistache.

Não se preocupe com a aparente dificuldade dos ingredientes. Eu compro no supermercado a mostarda Dijon já com o mel adicionado. Mas, se não conseguir encontrar, basta comprar a mostarda Dijon normal e misturar com o mel. O resultado é o mesmo.

O pistache também é fácil. As exportações de pistache do Irã para o Brasil cresceram um bocado. Mas, você pode substituir por outro tipo de castanha.

Até me deu vontade de fazer esse prato outra vez ... NHAM!!! CRUNCH!!! CRUNCH!!! SLURP!!!


Salmão com Crosta de Mostarda com Mel e Pistache

Ingredientes

- 3 colheres de sopa de mostarda Dijon
- 5 colheres de chá de mel

ou

- 6 1/2 colheres de sopa de mostarda Dijon com mel
- 3 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente
- 1/2 xícara de farinha de rosca tipo biju ou pão dormido esfarelado
- 1/2 xícara de pistache picado ou outro tipo de castanha
- 3 colheres de chá de salsa picada ou outra erva que prefira
- 1 filé inteiro de salmão sem pele
- Sal e pimenta do reino a gosto
- Limões sicilianos cortados em gomos

Preparo

Pré-aqueça o forno a 200º.

Em uma tigela, misture bem a mostarda (o mel, se for o caso) e a manteiga. Reserve.

Em outra tigela, misture o pistache, a farinha de rosca e a salsa. Reserve.

Tempere os dois lados do filé de salmão com sal e pimenta do reino. Coloque o filé em uma forma untada com óleo. Pincele generosamente a superfície com a mistura de mostarda. Em seguida, espalhe sobre essa superfície a mistura de pistache e aperte um pouco para firmar.

Leve ao forno por cerca de 20 minutos, vai depender da grossura do filé. Portanto, fique de olho até que a carne do salmão atinja o ponto de separar facilmente em lascas.

Sirva acompanhado dos gomos de limão siciliano e arroz negro, branco, vermelho ou integral. Também pode ser servido com batatas assadas no forno. Acompanha o vinho chileno, que pode ser branco ou tinto devido ao frio atual.

A maciez da carne com a crocância da crosta de pistache ...

sábado, 26 de junho de 2010

Porque o Dunga acertou e errou


Ricardo Icassatti Hermano

Essa confusão entre o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Dunga, e uns jornalistas da TV Globo nos mostrou algumas coisas básicas. A primeira delas é que os jornalistas ainda não entenderam qual é o seu verdadeiro papel numa Copa do Mundo.

Embora eu não seja fã de futebol - prefiro outros esportes -, reconheço que a Seleção é o instrumento catalisador da emoção do povo de um país que adora futebol. Os jornalistas, por melhor que sejam, jamais serão. São apenas o veículo dessa catalisação. O link entre o torcedor e o jogo. Nada mais.

No imaginário popular, Dunga é um dos heróis da Copa de 1994. Ele era o capitão do time que conquistou o Tetra Campeonato Mundial (obrigado Elina!). Ele era o líder dentro do campo.

Seu papel mudou pouco. Hoje é o técnico e continua a liderar o time. Portanto, no imaginário popular, Dunga continua conquistando o que o povo deseja e sendo seu mais legítimo representante no futebol. Os jornalistas, por mais engraçadinhos que sejam, jamais conseguirão esse lugar no coração do país. Ninguém lembrará seus nomes quando falarem sobre essa Copa.

Dunga acertou quando cortou os privilégios da imprensa, especialmente da TV Globo. Vimos a farra que foi na Copa passada e o resultado obtido. Jornalistas e comediantes se fazendo de jornalistas tinham acesso livre até aos quartos de hotel dos jogadores. Esses, por sua vez, faziam o que bem entendiam. Incluindo nesse pacote as noitadas em boates, bebidas alcoólicas e mulherada. Geralmente acompanhados pelos mesmos jornalistas.

Os treinos eram abertos e viraram outra farra. Os jogadores davam mais entrevistas e autógrafos do que treinavam. Havia até venda de ingressos para os treinos. Faltou pé no chão e seriedade.

Fui atleta e competi boa parte da minha vida. Sei como é importante a concentração e como é difícil manter o foco para ganhar qualquer competição. Não há espaço para o meio termo. Leva a sério ou perde. E os jornalistas esportivos são mestres em faturar na vitória e fugir da responsabilidade nas derrotas.

Falo isso porque sou jornalista. Não na área esportiva, mas na política. Ao longo de quase 30 anos de carreira, fiz questão de observar o comportamento de muitos jornalistas. Vi muita coisa boa e muita coisa ruim.

A pior de todas é a confusão que alguns fazem em relação ao poder. Por estarem gravitando em torno do poder real (as pessoas que decidem), passam a acreditar que possuem o mesmo poder. É um erro fatal e vi muita gente cair do cavalo quando a realidade os esbofeteou sem compaixão.

Na TV Globo, o humorista Chico Anísio compreendeu bem esse fenômeno quando criou o personagem Bozó, que andava com uma caneta-brinde da emissora pendurada no pescoço e um crachá de funcionário. Ele sempre fazia questão de lembrar: "Eu trabalho na Globo".

Galvão Bueno, Alex Escobar e Tadeu Schmidt são os Bozós da TV Globo. Eles não têm a mínima condição de dar lição de moral em quem quer que seja, enquanto eles e/ou a sua empregadora tentam fazer acordos escusos por baixo dos panos. Acharam que, por gravitarem em torno do poder representado pela emissora, poderiam exercê-lo a seu bel prazer.

Receberam o recado dos torcedores com um CALA BOCA que deve estar reverberando até hoje nos ouvidos deles. A emissora também parece ter se dado conta da canoa furada em que estava embarcando e deu uma "enquadrada" nos seus repórteres. Afinal, é preciso faturar e as outras emissoras agradeceram o incremento em suas próprias audiências.

Lembrem que o Galvão Bueno já não narra partidas de futebol no Maracanã. Os cariocas adoram sugerir a ele o que fazer com seu orifício anal. Como a sugestão é dada através de um coro de milhares de vozes, o som sempre vaza para a transmissão (vide YouTube). Arnaldo César Coelho, Roberto Falcão e Walter Casagrande estão indo pelo mesmo caminho.

O Dunga também errou quando se descontrolou e partiu para o xingamento e a brutalidade mal disfarçada. Deveria ter dado nomes aos bois, citando nominalmente os jornalistas metidos a espertos. Felizmente, ele tem uma família que o ama, onde foi buscar aconselhamento. Rapidamente corrigiu seu erro pedindo desculpas aos torcedores. Coisa que os jornalistas citados acima não fizeram. Estão devendo.

Realmente, Dunga só deve satisfação aos torcedores que sofrem e se alegram com o resultado do seu trabalho. Se o Brasil perder a Copa, a culpa não recairá sobre os jogadores, que voltarão aos seus clubes e aos seus salários milionários. A culpa também não recairá sobre os jornalistas, que rapidamente vão dizer que previram a derrota.

A culpa será única e exclusivamente do treinador. É ele que vai ter de explicar o que aconteceu e que será xingado por milhões. É ele que vai ser desancado pela imprensa que queria "privilégios" sem pensar nos prejuízos que pode causar.

Como eu disse, não sou fã de futebol, não trabalho na CBF ou na FIFA, não sou jogador milionário nem treinador. Sou jornalista, ex-atleta e digo que o Dunga agiu corretamente ao não permitir a instalação de uma farra inconsequente dentro da Seleção Brasileira. Já vimos esse filme e não gostamos do final.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ganhe uma caneca do Café & Conversa


Romoaldo de Souza

Ganhe uma caneca como esta da fotografia, que tem passeado pelo planeta afora! Mande e-mail para cafeconversa1@gmail.com e dê o seu palpite para o placar do jogo Brasil X Chile, nesta segunda-feira.

Aqui estou, na porta do Estádio Soccer City, em Johanesburg

Acerte o placar de Brasil X Chile e a caneca exclusiva do Café & Conversa será totalmente sua! Aliás, ela chegou à Copa do Mundo antes de muita gente, levada por Corban Costa, piloto de Rally e jornalista da EBC.

Vamos sortear uma caneca entre os acertadores do placar. Vale apenas o placar dos 90 minutos regulamentares. Boa Sorte!!!

Novos recordes e o Ukulele de Sophie Madeleine


Ricardo Icassatti Hermano

No meio da tarde de ontem, o seu blog favorito alcançou e ultrapassou a marca dos 20 mil acessos. É um feito a ser celebrado. Outro feito foi ter ultrapassado também a marca de 100 seguidores fixos. Por isso, estamos programando tomar vários espressos qualquer hora dessas na Fellini Caffè (SCLS 104 Bloco B Loja 01 - Fone: 3223-1333) para comemorar.

Para que os nossos leitores e leitoras também possam festejar, o Café & Conversa trouxe uma jovem inglesa absolutamente linda e talentosa, que começou a gravar suas composições em seu próprio quarto e até na cozinha, e postá-las no YouTube. Da sua casa, decolou para o mundo.

O nome dela é Sophie Madeleine e seu instrumento musical preferido é o Ukulele. Aliás, esse pequeno violão havaiano, parecido com um cavaquinho, tem uma imensa legião de fãs mundo afora. E, claro, no Brasil também. O site Ukulele Brasil até já entrevistou a Sophie.

Sophie e seu Ukulele, nos arredores de Brighton

Sophie se tornou mulher e uma artista respeitável. Suas músicas são adoráveis e a sua voz é simplesmente deliciosa de ouvir. Ela também se dedica a causas humanitárias, como a arrecadação de dinheiro para enfermos com câncer. Em seu site, ela disponibilizou duas músicas para compra e download por £ 1 cada. Metade do que for arrecadado será destinado ao Macmillan Cancer Support.

Uma das músicas ainda é demo: Ode to a Telephone (When You Call). A outra já foi lançada e chama-se You Are My Favorite, que tem tudo a ver com o fato do Café & Conversa ser o seu blog favorito : ) Além disso, junto com a música vem a partitura, uma trilha para acompanhamento de quem queira aprender a tocá-la e o videoclipe.

Nesse vídeo, fãs do mundo inteiro (inclusive do Brasil) que gravaram cover da canção e colocaram no YouTube, cantam junto com a linda inglesinha de Brighton. Com vocês, Sophie Madeleine.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Música do Dia - Cotidiano - Chico Buarque


Romoaldo de Souza


Esqueça o Chico Buarque que apóia Cuba, que faz elogiosos comentários aos governos - mesmo que você não concorde - e se concentre nessa canção. Cotidiano!


Mais. Eu escolhi essa versão por causa das cenas cotidianas, por assim dizer, da mulher que espera o homem. Que se perfuma. Que manda pro espaço o que pensam as amigas sobre subserviência e usa o dom da generosidade afetiva. Generosidade afetiva. Acho que é isso que falta nas mulheres.


Ué! Por que não? Sem cair na rotina, mas será que o quesito entrega não está em baixa? Doação. Dedicação. E nem estou falando em rasgar sutiã. Aliás prefiro sem, mas volto a falar de afeto. Tema dessa canção de Chico Buarque.


Beijo com sabor de café. Beijo com gosto de hortelã. Cuidados! Lembro-me bem de uma amiga que mandava cartas para um filho, que morava fora de casa, ao menos uma vez por semana, perguntando se ele estava se agasalhando. O "moleque" morava na árida Cidade do México, se empanturrando com tequila e compondo versos que jamais serão publicados.


Pois a gente não se dedica aos filhos? Curte, cuida, faz carinho? Então! E pelos amores? Pelos outros amores do dia a dia?


Sonia Braga é a deusa desse clipe, que tem cenas tiradas de Dona Flor e seus Dois Maridos, para deixar claro que não estou, aqui, pregando a fidelidade. Estou clamando por afeto! Cotidianamente!


PS: Vou sair hoje de gorro na cabeça, cachecol no pescoço e blusa de frio! Estarei agasalhado!



Cotidiano

Composição: Chico Buarque - Versão: Daniel Viglietti


Cada día ella siempre hace todo igual

Me despierta a las seis antes que el sol

Me sonrie con sonrisa puntual

Y me besa con boco de mentol

Todo el día ella dice "te has de cuidar"

Cosas que dice siempre una mujer

Dice que está esperándome a almorzar

Y me besa con boca de café

Todo el día yo pienso en poder parar

Al mediodía pienso en decir no

Luego pienso en la vida y continuar

Y me callo con boca de arroz

En la tarde, a las seis, era de esperar

Ella viene y me espera en el portón

Dice estar como loca por besar

Y me besa con boca de pasión

Cada noche me pide a su lado estar

Medianoche y me jura eterno amor

Y me aprieta hasta hacerme sofocar

Y me besa con boca de pavor