sábado, 10 de julho de 2010

Por onde anda Terence Trent D'Arby?


Ricardo Icassatti Hermano

Na quinta-feira passada, estava saindo de casa em direção ao estúdio da Rádio Cultura FM 100.9, para participar, junto com o Romoaldo, de uma entrevista no programa Papo Firme, apresentado pelo grande defensor dos artistas brasilienses, Luciano Lima. Fomos falar sobre café, a caneca viajante e o blog favorito dos internautas de todo o planeta. O programa é transmitido ao vivo, toda quinta-feira, das 20h às 22h.

Abri o porta-luvas do carro e fucei entre os CDs que monto com as músicas que gosto. De acordo com o estilo das músicas, nomeio o CD. Encontrei um que não ouvia há algum tempo. Chama-se "Dance With Me", todo ele de músicas lentas, daquelas boas de dançar agarrado com a mulher especial, cochichando segredos em seu ouvido ...

A primeira música é bem antiga. Ouvi pela primeira vez com o Jackson Five. Neste CD, ela é interpretada pelo cantor norte-americano Terence Trent D'Arby. O nome da música é Who's Loving You e faz parte do seu primeiro CD "Introducing the Hardline According to Terence Trent D'Arby" (1987).

Este CD é indispensável

Essa música é uma criação do gigantesco e sensacional William "Smokey" Robinson. Ele a compôs em 1960, quando era contratado da lendária gravadora Motown. A canção foi gravada por diversos artistas, como os Jackson Five, The Miracles, The Temptations, The Supremes, En Vogue, Lauryn Hill, Dobie Gray, Brenda and The Tabulations, Jamia Nash, John Farnham, Human Nature, Jazmin Sisters, Matt Giraud e a garota sensação Joss Stone, dentre outros.

Ouçam essa raríssima gravação em que o então garotinho Michael Jackson, numa apresentação ao vivo, fala da tristeza do blues, canta Who's Loving You e literalmente enlouquece as fãs. É de arrepiar.




Nos primeiros três dias de lançamento o CD de D'Arby vendeu mais de um milhão de cópias. Até o momento, já vendeu mais de 12 milhões de cópias. É o seu maior sucesso até hoje. Com este CD, ele ganhou o Grammy de Melhor Cantor de Rythm & Blues em 1988 e, no mesmo ano, o prêmio Soul Train de Melhor Artista Revelação. E, claro, ganhou a capa da revista Rolling Stone.

E aê Carlinhos Brown ... eu sei, a vida é cruel ...

Aqui no Brasil, o disco também estourou. Músicas como Wish Me Well dominaram as pistas de dança. Mas, depois o cantor desapareceu daqui. Ao ouvir Who's Loving You, lembrei da minha adolescência, das namoradas, das festas, do cabelão, das motos, das viagens de mochila ... tempo bão. Também bateu a curiosidade. Por onde anda e o que foi feito de Terence Trent D'Arby?

Antes, uma pesquisa. Nascido (1962) e criado em Manhatan, New Yok City, a cidade que nunca dorme, Terence Trent Howard não poderia fazer carreira artística com esse sobrenome. Por isso logo adotou o D'Arby do seu padrasto, que convenhamos soa bem melhor. Além de cantor e compositor, ele também é multi-instrumentista e sempre produziu seus próprios discos.

Seguindo uma linha pop-rock-soul, D'Arby lembra, em alguns momentos, o Michael Jackson. Em outros, soa como o igualmente pop-rock-soul Lenny Kravitz. Resumindo, o cara é bom. Além disso, na juventude, foi boxeador e chegou a ganhar o campeonato Golden Gloves na categoria peso-pena. Um verdadeiro Bad Ass.

O cara ainda serviu no Exército Americano em Frankfurt, onde atuou na pequena banda The Touch, que chegou a lançar um álbum chamado Love in Time (1984). Depois que D'Arby fez sucesso, esse álbum foi relançado sob o nome Early Works. Após dar baixa no Exército, ele foi para Londres onde atuou por pouco tempo na banda The Bojangels, antes de começar a carreira solo.

Ao contrário do que fui levado a pensar, D'Arby continua na ativa e fez vários CDs:

- Neither Fish or Flesh (1989)
- Symphony or Damn (1993)
- Vibrator (1995)

Aqui é preciso abrir um parêntese. Lembro de ter lido uma entrevista em que D'Arby se auto-proclamava ser um "gênio" musical. Achei estranho na época, mas pensei tratar-se de alguma manobra de marketing.

Mas, agora me deparo com a notícia que, em 1996, ele se desentendeu com a Columbia Records e se mudou para a Java Records, onde produziu um álbum que se chamava Terence Trent D'Arby's Solar Return, que não chegou a ser lançado. Em 2000, ele comprou de volta os direitos desse álbum e saiu da gravadora.

Noutra entrevista, em 2001, o cantor declarou que, após uma série de sonhos, mudou oficialmente seu nome para Sananda Maitreya. Disse ele: "Terence Trent D'Arby morreu ... acompanhei seu sofrimento enquanto morria uma morte nobre". Com isso, pretendia um renascimento artístico e se libertar do que acreditava ser a natureza opressiva do mundo das gravadoras. Chazinho bão esse ...

Ainda não entendi direito essa história de "Sananda" ...

Em seguida se mandou para a Alemanha e montou sua própria gravadora, onde repaginou o álbum Terence Trent D'Arby's Solar Return e lhe deu o novo nome de Wildcard. Depois, foi para Milão, na Itália, e se lançou na internet com um site para venda das suas músicas e CDs.

Ainda em Milão, onde vive atualmente, fez dois álbuns: Angels & Vampires - Volumes I e II. Seu mais recente trabalho saiu em 2009, o Nigor Mortis. Seu próximo projeto se chama The Sphinx ...

O visual ficou meio sinistro. Ainda não ouvi o estilo musical.

Não conheço absolutamente nada dessa fase "ind0-baiana" e meio macabra dele, mas vou procurar saber e volto a trazer para vocês tudo o que descobrir. Por enquanto, fiquem com essa canção que me enche de boas recordações. Soul music dor-de-cotovelo da melhor qualidade.

Who's Loving You
(Terence Trent D'Arby)

When I had you

I treated you bad and wrong my dear

Girl since since you been gone

Don't you know I sit around

With my head hanging down

And I wonder who's lovin' you

I, I, I, I should have never made you cry

And girl since since you've been gone

I sit around with my head hanging down

And I wonder who's lovin' you

Life without love is oh so lonely

I don't think
I'm gonna make it

All my life, all my life belongs to you only

Come on and take it girl

Come on and take it because

All, all I can do

Since you been gone is cry

And don't you ever wonder

And worry your pretty little head

'Bout what I do

Don't you know I sit around

With my head hanging down

And I wonder who's lovin' you


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Paella, sem salsichão alemão


Ricardo Icassatti Hermano

Só agora a porção do meu sangue espanhol baixou a fervura causada pelo jogo da semi-final da Copa do Mundo de Futebol, entre Espanha e Alemanha. Foi uma dura batalha para os espanhóis. Afinal de contas, enfrentar um time medroso, acocorado e plantado na defesa não é tarefa das mais fáceis.

Como a "Fúria" está sob controle, resolvi comemorar com os leitores e leitoras do Café & Conversa postando uma receita típica das terras ibéricas: a Paella (pronuncia-se paelha e não "paeja"). O nome vem do latim "Patella", uma espécie de bandeja utilizada em rituais de fecundação da terra, onde eram colocadas oferendas aos deuses da Roma antiga.

Faça uma Paella para a sua Deusa ...

Esse é um prato para muita gente comer, tipo feijoada. Por isso, quando fizer, convide a família inteira e todos os amigos. Mas, se quiser fazer menos, basta diminuir as quantidades de ingredientes e o tamanho da paellera.

... ou faça a alegria da galera!

A Paellera é uma espécie de frigideira de ferro ou aço, rasa e grande (diâmetro mínimo de 30 cm), com duas ou mais alças, que deu nome ao prato. Esse formato possibilita o cozimento uniforme do arroz. Além da Paella, nela são preparados vários outros pratos típicos da culinária valenciana.

A Paella tem suas origens entre os séculos XV e XVI, na região de Valência. Mais especificamente na região de Albufera, que abriga grandes plantações de arroz e verduras. É, portanto, um prato popular, criado pelos camponeses que iam para o trabalho com a paellera, arroz, azeite e sal. No caminho, agregavam o que encontrassem. Basicamente carne de caça, legumes da estação e as sobras que tivessem.

Já deu fome?

O tomate só foi acrescentado depois que Cristovão Colombo trouxe a desconhecida fruta das Américas. O frango também, pois era um ingrediente muito caro para os camponeses da época.

Existem diversas receitas, mas a autêntica Paella Valenciana reúne diversos ingredientes característicos da região. São eles: arroz, frango, coelho, pato, feijão (garrofó, tabella e ferraura), tomate, azeite e açafrão. Esse último ingrediente é o responsável pela cor amarelada do prato. Algumas versões acrescentam alcachofras, escargot e ervilhas.

Quando o prato chegou à costa, foram acrescentados frutos-do-mar como peixe, camarão, lagostim, lula, vôngole, mexilhão, sépia e polvo. Passou a ser chamado de Paella Marinera e Paella Negra feita com a tinta da lula.

Paella é igual coração de mãe. Cabe tudo e todos.

Tive a oportunidade de comer as duas em Barcelona. A Marinera, comi num pequeno e charmoso restaurante à beira-mar. O cozinheiro faz apenas uma por dia numa paellera gigante. A Negra, apreciei num restaurante especializado neste prato. Uma delícia!

No Brasil, a Paella Marinera é a mais conhecida e executada. Essa é a receita que trazemos hoje para vocês.


Paella Marinera
(25 porções)

Ingredientes

- 500g de Garoupa cortada em cubos
- 500g de marisco de pedra
- 500g de carne de siri
- 500g de lula cortada em anéis
- 500g de polvo cortado em pedaços
- 1kg de camarão sem casca
- 2kg de camarão com casca
- 500g de cabeça e espinha de peixe para o caldo
- 1kg de cebola
- 200g de alho cortado em lâminas
- 800g de ervilhas frescas congeladas
- 1kg de tomates sem pele e sem sementes
- 200g de pimentão amarelo sem pele e sem sementes, cortado em tiras
- 200g de pimentão vermelho sem pele e sem sementes, cortado em tiras
- 200g de pimentão verde sem pele e sem sementes, cortado em tiras
- 50g de Açafrão da Terra
- 2kg de arroz parbolizado
- 1 pimenta dedo-de-moça sem sementes e picada bem miúdo
- 1 colher de chá de Curry
- 1 colher de chá de Páprica
- Sal a gosto
- Azeite de oliva extra-virgem

Preparo do Caldo de Peixe

Em 3 litros de água, adicionar 1 colher de chá de Açafrão, a cabeça e as espinhas de peixe. Ferver por 15 minutos. Retire e coe.

Preparo da Paella

Em uma paellera grande, dourar a cebola em azeite de oliva. Em seguida, acrescente o alho. Junte a garoupa, a carne de siri, o polvo, a lula, os mariscos, os tomates e os pimentões. Cozinhar por 20 minutos.

Acrescente o arroz (sem lavar), os camarões sem casca, as ervilhas, o açafrão, o curry, a páprica e o caldo de peixe na quantidade necessária para o cozimento do arroz. Tampe a paellera. Se não tiver uma tampa, use papel alumínio.

Coloque os camarões com casca em água fervente salgada suficiente para cobri-los. Deixe levantar fervura novamente. Reduza o fogo ao mínimo e deixe cozinhar por mais 1 a 3 minutos, dependendo do tamanho dos camarões, ou até que fiquem avermelhados por fora e opacos por dentro.

Se o orçamento não estiver apertado, cozinhe alguns lagostins também.

Assim que o arroz estiver no ponto, regue a Paella com azeite de oliva extra-virgem e decore com os camarões com casca, (os lagostins, se for possível), rodelas de limão e tiras de pimentão nas três cores.

Sirva imediatamente na própria paellera.

Quem tem boca, vai a Barcelona ...

A Música do Dia - Can Atilla - Aşk I Hürrem


Romoaldo de Souza

Recebi hoje, um pacote entregue pelos Correios. Tinha muitas lembranças por lá, mas vou falar do CD de Can Atilla, "Aşk I Hürrem". Música turca para alguns, universal para nossa leitora e seguidora Heleny Galati. O álbum "Aşk I Hürrem" contém a música que apresentamos hoje, aqui no Café & Conversa.

Surpreendente, esse trabalho de Can Atilla. Imperdível!

Música é algo impressionantemente púbico e pessoal. Sou do tipo de pessoa que mantém ouvidos abertos e mente alerta para perceber algo que possa tocar, provocar e fazer sentir "diferente".

Andando pelo
Palácio de Topkapi, em Istambul, ouvi uma música que me fez pensar em flutuar ao mesmo tempo em que trouxe imagens de épocas distantes. Perguntei sobre a música à menina que estava ao meu lado. Descobri que ela não falava inglês. Fiquei com aquele som na mente.

Antes de sair do museu, parei na loja e ouvi a música novamente. Percebi que estava destinada a ela. Olhei a minha volta, uma moça sorriu para mim. Decidi perguntar a ela se sabia que música era aquela e descobri
Aşk I Hürrem ou Amor de Hürrem.

Lembrei então da história que Firat, um amigo turco, havia me contado sobre Hürrem ou Roxelana e Süleyman, Tha Magnificent.

Roxelana era a esposa estrangeira do sultão. De origem ucraniana seu legado para artes e música trouxe inspiração a muitos, inclusive a Joseph Hydn que escreveu a Sinfonia no. 63 sobre ela.

Uma esposa estrangeira raridade entre os sultões otomanos. Foi uma história de amor e construções. Terras distantes e superação de diferenças. Perfeito.

Pedi à vendedora que me mostrasse o CD, uma coleção
de músicas que trazem os haréns otomanos, a vida na corte e acima de tudo a certeza de que mesmo os sultões cedem ao amor de forma irrevogável.

Flautas, tambores e toda a tradição musical turca segue de trilha em trilha. É para saborear em local tranquilo, com um bom café turco e a mente vagando pelo universo.

Um abraço carinhoso ao pessoal do Café & Conversa.

Heleny Galati



quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Música do Dia - No, No Song - Ringo Starr


Romoaldo de Souza

O verdadeiro guru dos Beatles, Ravi Shankar, dizia que um bom baterista e um piloto de Land Rover têm de ser "imprescindivelmente" canhotos. O pai de Norah Jones, que é destro e nunca pilotou uma Land sabe do que fala.

The Beatles ganhou mais ritmo depois que o canhoto Richard Starkey Jr passou a fazer parte do quarteto de Liverpool, em substituição a Pete Best. Já a Land Rover é uma lenda. Só pilotando para saber.

Vegetariano, canhoto e cheio de mungangas como Paul McCartney, Ringo Starr ganhou esse apelido por causa dos anéis que costuma usar. "Beatleamaníacos" sustentam que Ringo deu mais segurança na "cozinha" da maior banda de todos os tempos.

Quando criança, morando numa periferia pobre de Liverpool, Ringo Starr teve problemas de saúde, chegando a ficar internado por quase três anos. Acabou se atrasando na escola.

Aos 17 anos, formou sua própria banda, a The Eddie Clayton Skiffle Group. Com um nome desses, tinha pouca chance de dar certo. Não deu. Mas é bom lembrar que nem todo mundo que vai mal na escola torna-se exímio baterista.

Ringo Starr passou por um grupo chamado Raving Texans, quando ganhou o apelido de Ringo. Até que um dia, cansados do temperamental Pete Best, Os integrantes do The Beatles passaram a procurar um baterista. Encontraram a segurança de Ringo que hoje faz 70 anos.

A primeira foto de Ringo Starr à frente do The Beatles

Hoje, Ringo Starr é cumprimentado até mesmo pelo pessoal do "Pete Forever, Ringo Never", que significa "Pete sempre, Ringo nunca!". Aqui no Café & Conversa, nossa homenagem a Ringo cantando essa hilária No, No, Song que no Brasil ganhou o sugestivo nome de "Não Quero Mais Andar na Contramão", com Raul Seixas.

Bom dia, Café & Conversa! Obrigado pela homenagem!
Vamos lá, cantar esse música que você conhecem na voz de Raul Seixas?


No, No, Song!


A lady that I know just came from Colombia

She smiled because I did not understand

Then she held out some marijuana, oh ho

She said it was the best in all the land


{Refrain}

And I said, "No-no-no-no, I don't smoke it no more

I'm tired of waking up on the floor

No thank you please, it only makes me sneeze

Then it makes it hard to find the door"


A woman that I know just came from Majorca, Spain

She smiled because I did not understand

Then she held out a ten pound bag of cocaine

She said it was the finest in the land


{Refrain with [sniff]}


A man I know just came from Nashville, Tennessee-o

He smiled because I did not understand

Then he held out some moonshine whiskey, oh-ho

He said it was the best in all the land




Caneca do Café & Conversa chega ao Planalto


Romoaldo de Souza

"Bom partido? Eu? Que nada, bom partido é o PT.
Eu sou apenas um médico de 39 anos que não guarda dinheiro debaixo do colchão", diz ...

O ministro Alexandre Padilha tem bom gosto. Só toma café de primeira qualidade, como o Prima Qualità produzido em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais. E ainda é exigente.

- Tem de ser na caneca do Café & Conversa - afirma.

O café que Padilha está tomando na caneca do Café & Conversa, foi o primeiro a receber o selo de "café sustentável" do govermo de Minas Gerais. O selo atesta que o Prima Qualità segue critérios internacionais de produção, respeitando as normas ambientais e trabalhistas.

Em breve, uma entrevista exclusiva do ministro Alexandre Padilha ao Café & Conversa.

Caneca viaja, mas missão naufraga ...


Ricardo Icassatti Hermano

Pode parecer machismo da minha parte, mas garanto que não é. Até porque as mulheres em questão confessam suas falhas imperdoáveis. Mas, duas mulheres soltas em New York com vários cartões de crédito nas bolsas, não pode prestar mesmo. É muita distração para seres que naturalmente têm dificuldade de manter o foco.

Mulheres adoram alimentar a ladainha que as coloca como seres superiores e mais desenvolvidos que os homens. Bull shit, como dizem os americanos. Começando pelo tal do feminismo, "movimento" que fez as mulheres abrirem mão do imenso poder que tinham para tentar ser iguais aos homens. Isso é o que se chama de "conto do vigário".

Elas adotaram hábitos promíscuos, partiram para a competição, estão tendo doenças cardíacas e sexuais, se drogando, se estressando e morrendo mais cedo. Exatamente como os homens faziam. Faziam, eu disse. Porque com o tal do feminismo, o homem aprendeu a cuidar da saúde, ser mais carinhoso com os filhos, mais compreensivo com as mulheres, mais sensível e melhorou de vida.

Agora, elas querem recuperar o poder e a vida que tinham. Querem homens másculos, viris, brutos, para enfrentar o mundo e trazer a carne de dinossauro para o jantar. Mas, como dizia um filho meu quando era pequeno: "aí, já era". Vão continuar se matando de trabalhar e idolatrando metrosexuais lusitanos.

Mas, o que isso tem a ver com a missão que naufragou e a caneca do seu blog favorito? Duas amigas do Café & Conversa, a jornalista Silvia Gomide e a médica Cláudia Gurgel, viajaram para New York e para o Canadá, levando em suas malinhas a nossa caneca personalizada e exclusiva para fazer umas fotos na cafeteria do momento, a RBC NYC e experimentar o café servido ali. Depois, relatar a aventura. Essa era a missão.

Como você verão a seguir, a missão naufragou como um Titanic após bater no iceberg do consumismo desenfreado. Que mulher resiste a uma vitrine e à mínima possibilidade de comprar alguma coisa, qualquer coisa? Pois é ... leiam o relato/confissão da Silvia e se horrorizem como nós. Deus ajude essas criaturas fraquejantes e nada confiáveis ...

Missão: impossível!

Nossa missão era simples. Visitar a RBC Coffee, provar dois cafés e contar para o Café & Conversa como foi a experiência. Dificuldade? Zero. Bem, acordamos animadas em nosso último dia em Nova Iorque para cumprir a tarefa designada a nós por Ricardo e Romoaldo.

A ideia era seguir direto para a RBC, tomar café da manhã por lá e depois curtir o dia a partir do sul de Manhattan. Partindo do Hotel Mela, bastava pegar o metrô na 42. Mas já acordamos meio tarde, chegamos ao térreo, na 44th, já eram bem umas 10h.

A caneca numa cafeteria do ... Canadá!

Aí resolvemos tomar café no bistrô que pertence ao próprio hotel. É caríssimo, mas a comida francesa, absolutamente perfeita. Não podíamos perder o último petit déjeuner naquela delícia: french toast, frutas vermelhas, suco de laranja (caixinha) e o "chafé" americano, que eu tanto adoro.

Pela vitrine da cafeteria, a caneca observa o movimento e a paisagem

Com os buchos devidamente forrados, descíamos a 44th em direção ao metrô, quando vimos a imensa M&M´s World. Faltaram os docinhos dos sobrinhos! Céus! Antes da RBC, temos que passar na mega-store do chocolate e encher um saquinho plástico com M&M´s de todas as cores, ou os sobrinhos param de falar com a gente.

Saímos do prédio de vários andares de pastilhinhas com dois saquinhos cheios de doces, sei lá, cada um devia ter ... um quilo. Não tem problema, os sobrinhos são magrinhos, podem comer o tanto que quiserem (e nós vamos roubar alguns ao longo da viagem, claro). - Tomara que os sobrinhos leiam isso -

A caneca fazendo novos amigos na cafeteria canadense

Como a gente já estava na 49th não compensava descer até o metrô da 42. Seguimos à pé até a 5th Avenue, a Quinta, para os íntimos, para lá pegar um táxi em direção à RBC, nossa missão, lembra?

Bom, na Quinta a coisa realmente saiu de controle. A Best Buy foi parada obrigatória, entre outras bugingangas, compramos um pacote com 26 pilhas palito por US$ 6. Faça as contas. E também um pendrive menor que uma unha, por US$ 25.

Cafeteria canadense bacana e modernosa

Já com algum peso no lombo, entramos na lojinha da HBO, afinal, Sex & The City 2 está nos cinemas, terceira temporada de True Blood iniciando. Tínhamos que olhar as novidades. Bom, aí o peso ficou demais. Demos uma passadinha rápida no hotel para descarregar e voltamos à rua.

Só que já era hora do almoço e decidimos rumar para a famosa Katz Delicatessen, aquela onde Harry encontrou Sally e ela... bem, ela se divertiu muito na mesa. Ou fingiu que. Lá, lotadíssimo com gente do mundo todo, comemos uns hot dogs deliciosos, tivemos a honra de bater um papo com o dono, ou gerente, cuja foto aparecia nas paredes com milhares de estrelas de Hollywood, políticos famosos e gente do esporte.

Já estávamos quase indo embora quando entra pela porta da Katz o ator Danny Glover, com um menininho. Todo trabalhado no terno e gravata, Glover ficou na fila como qualquer mortal, causou uma pequena comoção entre os frequentadores (tanto locais quanto turistas) e saiu de lá com o seu sanduíche take away.

Claro que como boas caipiras do terceiro mundo ficamos, disfarçadamente, observando Glover até ele sair da loja. Não é todo dia que a pessoa encontra um ator de Hollywood ao vivo.

Saímos da Katz, já com a tarde avançada, para ir à RBC. Mas aí lembramos que o New Museum fica ali pertinho, dava pra ir à pé! Hell, Yes, claro que fomos fazer uma visita cultural. E vimos um homem de cinco metros de altura completamente nu, com esquilos espalhados pelo corpo. Tem coisas que só Nova Iorque faz por você. Depois subimos até o último andar do museu e ficamos curtindo um lindo visual do sul da ilha.

Bom, o museu fechou já eram seis horas. A peça na Broadway ia começar às sete. Pegamos um taxi de volta para a confusão. Assim a caneca do Café & Conversa acabou a noite em plena Times Square. Já viu, né. A RBC ficou para a próxima visita a NYC.

A caneca fazendo sucesso em plena Times Square

Desculpem aí Ricardo, Romoaldo. A gente promete se esforçar mais na próxima vez.

Silvia Gomide é jornalista e ama Nova Iorque cada vez mais, embora nunca consiga chegar onde pretendia quando anda por Manhattan. Cláudia Gurgel é médica, adora café e seria a responsável pela crítica gastronômica do RBC.

E vocês acham que elas trouxeram um presentinho, um agrado do free shop, para compensar o fracasso e amenizar a nossa dor? É, eu sei. A vida é cruel ... e aí, já era!

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Música do Dia - Maria G. Harpa - Maria Olsson-Sidorova


Romoaldo de Souza

Conta a lenda que Angus Mac Oc, chamado pelos ciganos romenos de Înger (pronuncia-se Ânguer), vivia para cima e para baixo com uma harpa dourada, de onde ele tirava sons irresistivelmente doces, que se transformavam em mensagens de amor.

Angus Mac Oc, também chamado de "O Filho Mais Jovem" era conhecido na antiguidade pelos celtas irlandeses como o Deus da Juventude, O Deus do Amor, O Deus da Beleza!

Mas mesmo as divindades podem cair em tentação e um dia Angus acabou se apaixonando por uma jovem que só conhecia em sonhos. Como todo apaixonado, perdeu a razão, e partiu de casa em busca a filha de Ethal Anbuais.

Depois de muita procura, o "anjo" encontra sua amada, mas o pai dela o advertiu que a filha tinha sido vítima de um encanto. De dois em dois anos ela se transformava em cisne. Um ano era mulher, linda, encantadora e bem-resolvida. No outro era um cisne. Para compartilhar do amor de donzela, Angus teria de se transformar em um cisne.

Quem resistiria a um canto sedutor, apaixonado. O canto do cisne?


Dito e feito. Uma noite, Angus pegou no braço da amada, andaram até a margem de um lago e foram se transfigurando em cisne. Os dois juntos fizeram longos e apaixonados vôos, cantando melodias, se amando.

A lenda conta que o canto dos cisnes era tão inebriante que os vizinhos de Ethal Anbuais dormiram dias e noites seguidos ao som da melodia enquanto os cisnes se amavam.

Ontem, foi o dia de Angus Mac Oc, mas como eu estava enrolado com as coisas profanas da vida e tentando alimentar uma paixão, não tive tempo de encontrar uma música que encantasse tanto, como o canto dos cisnes.

Espero que você se apaixone. Que tenha a coragem de Angus Mac Oc e viva uma grande paixão, ainda que seja a derradeira. Com vocês, Maria G. Harpa, tocando "Maria Olsson-Sidorova". Bom dia!