terça-feira, 10 de agosto de 2010

Congresso de Gastronomia em Brasília


Ricardo Icassatti Hermano

Organizadores de eventos deveriam começar a pensar seriamente em diminuir substancial e radicalmente os nomes que dão aos seus seminários, congressos e assemelhados. Vejam esse caso.

"O 3º Congresso Brasileiro de Gastronomia & 1º Simpósio Regional de Ciência e Tecnologia de Alimentos, organizado pelo Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília e pela Secretaria Executiva da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos do Distrito Federal (sbCTA-DF), ocorrerá entre os dias 10 e 13 de agosto de 2010, na cidade de Brasília."

Daí eu pergunto: é mole? Quem aguenta ler isso? Por que essa mania de criar nomes sem fim? De onde vem isso? Quem é o responsável? O que estão pretendendo com isso?

Em todo caso, a iniciativa de debater a gastronomia como um elemento importante da economia é louvável. Segundo o press release que recebemos, a importância da gastronomia cresce no setor turístico e já entrou no radar das universidades brasileiras.

O evento tem como tema "Alimentos: da alquimia à ciência" e objetiva aproximar a comunidade científica e as empresas do setor de alimentação. Também dá um destaque para os alimentos da biodiversidade brasileira, especialmente do Cerrado.

Durante o congresso, haverá degustação de café e re-lançamento do livro Louco por Café, ambos do empresário Antonello Monardo.

Mais informações nos sites:



Música do Dia na Land Rover do Romoaldo - Come Rain or Come Shine - Eric Clapton & B.B. King


Ricardo Icassatti Hermano

Como vocês já sabem, Romoaldo está fazendo a cobertura jornalística do Rally dos Sertões. Para isso, foi preciso uma intensa e minuciosa preparação, que começou na revisão da sua Land Rover, passou pela limpeza das botas, a seleção do café a ser levado e a escolha da trilha sonora. Afinal, serão muitas horas de solidão em estradas de terra perdidas pelo interior inóspito do Centro Oeste.

E a solidão combina com o que? Com blues, é claro. Como fiquei responsável pela escolha da Música do Dia enquanto Romoaldo come poeira, achei que seria legal dividir com os leitores e leitoras do Café & Conversa um pouco do clima que ele estará desfrutando nesses 12 dias de rally.

Foi assim que surgiu a Música do Dia na Land Rover do Romoaldo. Sempre que for possível, ele também enviará posts e fotos da aventura. Não sabemos como é a internet no Deserto do Jalapão, por exemplo. Vamos aguardar.

Para hoje, trouxe novamente o bom e velho Eric Clapton, o cara que adicionou classe ao blues. Não bastasse ser a virtuose que é, Clapton ainda é um cara bacana que jamais deixou de reverenciar os antigos bluseiros. Um desses é ninguém menos do que B.B. King, que adora o Brasil.

Assim, não é de se admirar que Clapton tenha convidado B.B. King para gravar um CD juntos. Em junho de 2000, saiu o CD Riding With The King. A capa já diz tudo sobre a adoração e o respeito que Clapton nutre pelas lendas do blues. Os dois num Cadillac conversível. Trajando um smoking, B.B. King no banco de trás com a sua inseparável guitarra Lucille, e Clapton humildemente ocupando o lugar de motorista.

Capa do CD

Desse maravilhoso CD e enquanto degusta um maravilhoso café, Romoaldo está ouvindo a música Come Rain Or Come Shine. Numa tradução livre, seria algo como Faça Sol ou Faça Chuva. Bem apropriado para o Rally dos Sertões.

Composta em 1946 para o musical St. Louis Woman, a letra dessa canção foi escrita por Johnny Mercer e a música é de Harold Arlen. Com vocês, duas lendas vivas do blues. Oh Yeah!

Come Rain Or Come Shine
B.B. King and Eric Clapton

I'm gonna love you like nobody's loved you

Come rain or come shine

High as a mountain and deep as a river

Come rain or come shine



I guess when you met me

It was just one of those things

But don't you ever bet me

'Cause I'm gonna be true if you let me



You're gonna love me like nobody's loved me

Come rain or come shine

Happy together, unhappy together

And won't that be fine



Days may be cloudy or sunny

We're in or we're out of the money

But I'm with you always

I'm with you rain or shine


You're gonna love me like nobody's loved me

Come rain or come shine

Happy together, unhappy together

And won't that be fine



Days may be cloudy or sunny

We're in or we're out of the money

But I'm with you always

I'm with you rain or shine


Rain or Shine
I'm with yo always
I'm with rain or shine



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Música do Dia na Land Rover do Romoaldo - Me and The Devil Blues - Eric Clapton


Ricardo Icassatti Hermano

Falei com o Romoaldo mais cedo. Ainda não havia conseguido pegar a estrada para Goiânia, onde será dada a largada para o Rally dos Sertões. Um problema no alternador ... mas, não é nada que um pedaço de silver tape e um grampo de cabelo não resolvam.

Com os patrocínios a gente vai longe

O importante é que já está tocando na velha Land Rover a trilha sonora especialmente selecionada para esses 12 dias de aventuras pelo interior do Brasil. E o Blues foi eleito para cumprir esse papel.

Hoje, o destaque foi para uma dupla literalmente infernal. Eric Clapton nunca escondeu sua admiração pelo sensacional guitarrista, compositor e cantor Robert Johnson. Chegou inclusive a gravar um CD só com músicas do ídolo. É o "Me and Mr. Johnson". Uma raridade por aqui. Ele disse que Johnson foi simplesmente o mais importante cantor de blues que já viveu.

Capa do CD

Antes de apresentarmos a música escolhida, vamos falar um pouco de quem foi esse Deus do Blues que influenciou muita gente boa, como Muddy Waters, Led Zeppelin, Bob Dylan, The Rolling Stones, Johnny Winter, Jeff Back e, claro, Eric Clapton.

Guitarrista habilidoso e inovador, Robert Johnson é a grande referência para a padronização do consagrado formato de 12 compassos utilizado no blues. O estilo que o consagrou é o Mississipi Delta Blues. Nasceu entre 1909 e 1912, não se sabe ao certo. Mas, morreu jovem, com cerca de 27 anos apenas.

Nesse curto período de vida, gravou apenas 29 músicas em um total de 41 faixas em duas sessões de gravação. A primeira foi em San Antonio, Texas, em novembro de 1936. A segunda foi na cidade de Dallas, também no Texas, em junho de 1937. Desse total, 13 músicas foram gravadas duas vezes.

Ums das poucas fotos de Johnson, o Deus do Blues

Como qualquer músico bluseiro, Johnson vivia na estrada e se apresentava em pequenos bares, prostíbulos etc. E como qualquer bluseiro que se preza, era um notório namorador. Passou dos 30 kg, usa saia mas não é padre nem escocês ... CRÉU!!! E isso também acabou determinando a sua morte.

Na noite do dia 13 de agosto de 1938, Robert Johnson e Sonny Boy Williamson se apresentavam no bar Tree Forks, na cidade de Greenwood, Mississipi. Lá pelas tantas, o dono do bar serviu uma dose de bourbon (uísque de milho) envenenado com estricnina a Johnson.

Mesmo alertado por Sonny Boy, que sabia do, digamos, descontentamento do dono do bar com o par de chifres que sua esposa havia providenciado com o bluseiro, Johnson bebeu o bourbon. Conseguiu sobreviver ao envenenamento, mas contraiu uma pneumonia e morreu três dias depois.

É o que eu sempre digo. Nada pior que um corno revoltado ...

Devido à sua genialidade e a morte precoce, Johnson logo se tornou uma lenda e os mitos a seu respeito se multiplicaram. O mais famoso deles diz que ele vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49, em Clarksdale, Mississipi, em troca da virtuosidade na guitarra.

O mito certamente foi alimentado pelas letras das suas próprias músicas: "Me and The Devil Blues" e "Hellhound on my Trail". Outro que ajudou a difundir esse mito foi o também guitarrista de blues, Son House, que tocou com Johnson. Essa história serviu de base para o filme A Encruzilhada, com o eterno Karatê Kid, Ralph Macchio. O filme é muito bom e tem uma trilha sonora arrasadora.

Filmaço que merece uma resenha do Café & Conversa

Esperando que o Romoaldo não resolva imitar o Robert Johnson em alguma encruzilhada do rally, trazemos hoje para a Música do Dia na Land Rover do Romoaldo:

Me and The Devil Blues
Robert Johnson
Interpretada por Eric Clapton no Crossroads Guitar Festival, ocorrido em Dallas, Texas, em 2006

Early this mornin' 
when you knocked upon my door

Early this mornin', ooh 
when you knocked upon my door

And I said, "Hello, Satan,"

I believe it's time to go.

"

Me and the Devil 
was walkin' side by side

Me and the Devil, ooh 
was walkin' side by side

And I'm goin' to beat my woman 

until I get satisfied



She say you don't see why 

that you will dog me 'round

spoken: Now, babe, you know you ain't doin' me
right, don'cha

She say you don't see why, ooh 

that you will dog me 'round

It must-a be that old evil spirit 

so deep down in the ground



You may bury my body

down by the highway side

spoken: Baby, I don't care where you bury my

body when I'm dead and gone

You may bury my body, ooh 

down by the highway side

So my old evil spirit 

can catch a Greyhound bus and ride



Consommé de Vegetais com Abacate


Ricardo Icassatti Hermano

Criatividade é tudo na vida. É o grande tesão, o grande barato. Saber se expressar também. Afinal, como bem ensinou o mestre Chacrinha, quem não se comunica, se estrumbica!

Alôôôôô, Teresinhaaaaaaaa!!!!

Eu sou um admirador de gente criativa. Meu pai era um sujeito criativo. Era arquiteto, mas também desenhava muito à mão livre. Adorava cinema e tinha várias câmeras, 8 mm e Super 8. Descobri que sonhou com o jornalismo. Achei nuns guardados, o layout que fez de um jornal. Uma "boneca", como se diz no jargão jornalístico.

Quando jovem, no início dos anos 1950, saiu da limitada Goiânia e se mandou para o Rio de Janeiro, onde pretendia cursar a Escola de Belas Artes. Havia pintado uns quadros, que estão na posse de uma tia/madrinha que não abre mão deles de jeito nenhum.

O sonho logo virou decepção. Era preciso uma grana preta para estudar naquela escola, que ele não tinha. Era pobre. Assim, abandonou as pinturas e se embrenhou pelo desenho técnico. Participou da construção da nova capital. Nos mudamos para Brasília em 1960. Alguns anos depois, entrou para o curso de Arquitetura da UnB.

Foi uma época particularmente difícil. A ditadura se instalou em 1964 e teve início uma luta entre ditadores de direita e ditadores de esquerda. Meu pai e alguns primos de Goiânia eram todos estudantes na UnB. Tivemos nossa cota de perseguição, prisões, pancadaria e angústias. Mas, a família do meu pai tem essa coisa de bom. Ninguém fez ou faz drama disso. Nem pleiteamos indenizações milionárias ...

Tempos aventureiros ...

Mais tarde, em 1977, fui eu na UnB. Outra vez tive a minha cota ... Mas, o importante é que me tornei jornalista. Meu pai nunca falou nada, mas eu sentia o orgulho dele. Talvez eu estivesse realizando o sonho dele. Para o tipo de jovem que eu era, o jornalismo veio sob medida. Sou realizado na minha profissão.

Mas, eu falava da admiração que tenho por gente criativa. Particularmente, os chefs de cozinha. Gosto muito dessa capacidade de guardar aromas e sabores na memória. Com alguns ingredientes, já sabem como vão combiná-los de maneira original e, às vezes, surpreendente.

Um prato preparado com apuro técnico, senso artístico, sabedoria, criatividade e ousadia, pode nos levar a viagens internas absolutamente fantásticas. E não precisa ser nada absurdamente exótico, com dezenas de ingredientes ou caro. Basta saber combinar os ingredientes necessários para nos presentear com algo que preencherá todos os nossos sentidos.

Por isso, detonamos a campanha por cardápios mais criativos e ousados nas cafeterias de Brasília, do Brasil, do mundo e quiçá do universo. Vai que um E.T. acessa o Café & Conversa e resolve levar a ideia para o seu planeta.

Ô Spielberg, atentai bem! Essa ideia do Café & Conversa é muito boa!

O Romoaldo está participando do Rally dos Sertões e vai passar por regiões onde os discos voadores costumam aparecer. Além disso, ele está levando café. Vai que um E.T. sinta o aroma doce, frutado do Bourbon Vermelho e fique curioso ...

Hoje, trazemos uma receita surpreendente. Não apenas pelo aroma e sabor, mas por um dos ingredientes utilizados. É uma das minhas frutas prediletas. Tenho certeza que não faria feio em nenhum cardápio. Por mais estrelado que seja. O prato é uma criação do Chef Boris, da loja ZABAR'S, em Nova Iorque. Um templo dos equipamentos culinários.

Leia a receita, corra ao supermercado, compre os ingredientes, faça o prato e me chame, porque o Romoaldo está se divertindo com as dificuldades dos sertões e não poderá ir. Chato né? (rs)

Consommé de Vegetais com Abacate

Ingredientes

- 950 ml de caldo de legumes (ou de galinha, se preferir)
- 2 abacates pequenos cortados em cubos médios
- 2 abacates pequenos amassados
- 5 pepinos pequenos, do tipo usado para picles, cortados em 4 e finamente fatiados
- 1 punhado de cebolinha (partes branca e verde) finamente fatiada
- 1/2 xícara de picles adocicado de pepino, finamente fatiado (pepino japonês)
- 1 colher de sopa de molho de pimenta
- 2 colheres de sopa de suco de limão
- Sal a gosto

Preparo

Prepare todos os ingredientes e gentilmente misture tudo numa tigela. Tempere a gosto. Sirva frio com torradas.

Infelizmente, não consegui uma foto dessa maravilha ... fico devendo. Se quiser parecer chique, use avocados mexicanos, que custam os olhos da cara.

Avocado mexicano, caro. Abacate brasileiro, barato. Entendeu?

domingo, 8 de agosto de 2010

A Música do Dia - Walkin with Snooky - Snooky Pryor


Romoaldo de Souza

Tudo pronto! Quer dizer, tudo ainda não. Tem sempre alguma coisa que a gente deixa para a última hora, como aquelas barrinhas de cereais que são úteis quando a fome aperta ou o gergeliko, salgadinho bem natural, originário da Chapada dos Veadeiros.

O danado é que esse salgadinho dá uma sede... Mas engana bem a fome.
E rally não é lugar para banquetes. O Gergeliko cuida do resto.

Roupas leves, mas úteis. Camisetas para o dia e jaquetas de frio para as noites e os momentos de fotografia. Botas e tênis. O tênis é para se passar por uma cachoeira, por um rio, entra ali rapidinho, dá uma refrescada e segue viagem contando o que viu. A bota é para dar o apoio necessário ao pé/tornozelo. Dirigir 200km, 300km por estrada de chão, passando marcha, pisando na embreagem, freio. Quite de primeiros socorros e um saco de dormir.

Uma bota (Ortopé) confortável e resistente é um
desses itens imprescindíveis numa viagem como essa

No carro o GPS, um rádio de comunicação com a prova, com a organizações e com o pessoal de apoio. E três celulares. Se um não funciona...

Mesmo para quem vai fazer 978,31km já é uma grande aventura. O Rally dos Sertões, a segunda maior competição do gênero no mundo, percorre este ano perto de 5 mil quilômetros, saindo quarta-feira pela manhã de Goiânia e chegando em Fortaleza no dia 20. O Sertões fica atrás apenas do Rally Argentina-Chile-Dakar.

Roteiro do Rally dos Sertões

Neste ano, o cenário é um ingrediente à parte. Tem das águas termais de Caldas Novas ao Deserto do Jalapão, em Tocantins e, claro, o Oceano Atlântico, de braços abertos esperando quem conseguir chegar

Da sexta para sábado, passei horas na oficina, vendo os últimos detalhes no motor ou "adesivando" o jeep. Ainda faltam os adesivos da rádio, mas isso fica para segunda-feira, em Goiânia, quando for colocar o adesivo oficial do Rally dos Sertões.

Parafraseando Robert Stevenson, se essa Land falasse...
Por quantos lugares já passamos, heim?!!?

Agora mesmo, estou escutando muitos blues para montar a trilha sonora do rally. A música para ouvir enquanto piloto. Porque uma coisa é a adrenalina do competidor ao lado de navegadores que conhecem os mapas como poucos. Ou a solidão de quem pilota motos e triciclos. Outra é um repórter de rádio, sozinho, a bordo de uma Land-Rover informando o ouvinte a cada fato novo.

Falando do que se passa no rally e encontrando personagens. Por esse "brasilsão" tem muita gente interessante. Pessoas que não fazem a menor idéia do que rola na internet. O diabo é o twitter... Não imagina o que seja TV a cabo. Nunca escutou Snooky Pryor. A não ser que seja um daqueles ouvintes que já me escutou pela parabólica, numa rádio católica ou está sempre ligado na Rádio Jornal do Commercio de Pernambuco.

A trilha sonora desta aventura é um quesito à parte. Na minha página, no Facebook, eu cheguei a pedir sugestões e todas elas foram incorporadas ao meu Nokia 85 com 8GB de memória. Só para que você tenha uma idéia, são quase 2 mil músicas.

Snooky Pryor, um ex-corneteiro do Exército Americano, exímio gaitista, faz parte dessa trilha. Eu até diria que é o mantra de minha viagem pelo interior do país. O nome da música não é perfeito? Walkin with Snooky.


Ah!!! Achou que eu esqueceria o café? Claro que não. O jeep tem um adesivo da patrocinadora que me deu um quilo de café. São essas permutas entre pessoas próximas. Diariamente, portanto, pretendo ligar o rabo quente na bateria do carro, esquentar uma água, pegar minha caneca do Café & Conversa.... Ai, ai, ai, sabia. Estava esquecendo. Mandei fazer umas canecas para levar no rally. Tenho de ir pegar neste domingo, pela manhã. Que cabeça essa minha... Ao menos me lembrei a tempo.


Falta mais? Bom, no check list está tudo mais ou menos organizado. A gente se encontra por aqui ...




sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tortas Doces - Apple Pie (Torta de Maçã)


Ricardo Icassatti Hermano

Desde garoto, eu tinha essa vontade de conhecer os Estados Unidos. Na adolescência, minha irmã caçula ficou lá por seis meses num desses intercâmbios estudantis. Questionei meu pai. Afinal, porque eu, o mais velho dos filhos, não ia no lugar da irmã? Ele me respondeu: "Não mando porque eu sei que você não volta".

Meu pai me conhecia muito bem. Acho que eu era muito rebelde e aventureiro. Além de cabeludo, namorador, bebedor, achar o mundo pequeno demais e ser um imã para encrencas ... Dei muito trabalho para o meu pai. Saudades dele.

Agora, meus filhos me dão trabalho também, mas nada parecido comigo. Nunca precisei ir a delegacias de madrugada porque um dos meus havia surrado policiais. Isso com 16 anos de idade. Como diz o ditado: o tempo passa, o tempo voa e domingo é o Dia dos Pais. Sempre emocionante para mim que sou pai e já não tenho a companhia do meu.

Mas, não era essa a trip que eu queria lembrar. Os Estados Unidos e o american way of life dos filmes e gibis exerciam uma forte atração sobre mim. Gostava e admirava o espaço que tem a rebeldia naquela sociedade e como logo aquilo é absorvido e se transforma em cultura. É uma metamorfose interessante que só tem lugar nos EUA.

Hoje, continuo admirando a liberdade de expressão exercida com todas as forças naquele país. É claro que hoje consigo enxergar os muitos defeitos da democracia americana. Mas, a verdade é que nenhum outro país tem essa compreensão e oferece tantas garantias sobre o exercício da liberdade de expressão, opinião e pensamento.

Em que outro país um apresentador de talk show chama o presidente de idiota, retardado e imbecil e simplesmente nada acontece além das risadas do auditório? Ninguém fica ofendido.

Aqui no Brasil, o Lula quis expulsar um jornalista americano naturalizado brasileiro, porque reportou uma declaração do Leonel Brizola, em que revelava a predileção do presidente por bebidas alcoólicas destiladas e ainda o aconselhava a deixar o hábito ... Na minha OPINIÃO, quem age como idiota é um idiota.

E lá vou eu desviando do assunto outra vez. A primeira vez que viajei aos Estados Unidos, fui a convite do meu amigo Wagner Rossi e de sua esposa Junia. Eles haviam se mudado para lá uns anos antes e estavam lutando para se fixar como empresários. Conseguiram. Quando ele foi me pegar no aeroporto de Miami, caiu na risada. Disse que eu parecia uma criança fugida de casa com uma malinha na mão.

Chegando lá, tudo era novidade e não era ao mesmo tempo. Eu conhecia os ícones, mas apenas pelas telas de cinema e televisão e pelas fotos e textos. Aquilo estava realmente entranhado em mim, mas ainda não havia visto, sentido e experimentado ao vivo. Foi uma epifania. Também foi uma confusão mental, pois os Estados Unidos são um outro planeta, quando comparamos com a América do Sul.

Para ter uma ideia, eu queria comprar um video-cassete. Eu sei, faz tempo ... Wagner me levou a uma loja especializada. Eram tantos modelos e marcas que não consegui escolher. Voltei e fui me informar, porque no Brasil a tecnologia de ponta era o VCR de duas cabeças. Um dos modelos que vi tinha sete cabeças. E uma delas dedicada apenas a limpar o cabeçote. Eu sei, faz teeeeempo ...

Resolvi fazer uma lista das coisas que deveria obrigatoriamente conhecer. Uma delas foi algo que sempre aparecia nos gibis da infância e eu podia apenas sonhar com o aroma e o sabor. Era a torta de maçã. Essa iguaria sempre era feita por alguma mãe que deixava esfriando no peitoral da janela e a molecada dava um jeito de roubar e comer.

Apple pie, um ícone da cultura americana

Assim, lá fui eu experimentar a torta de maçã. Confesso que o sabor não tinha qualquer relação com a "memória" que eu guardara por tantos anos. Mas, também não foi uma decepção. Muito pelo contrário. Como o Brasil, os EUA são um país de imigrantes e a torta tão fortemente identificada com os americanos, na verdade é uma receita holandesa, com versões inglesa e suíça.

Mas, agora chega! Sem mais delongas, vamos à receita da tradicional Apple Pie americana.

Torta de Maçã

Ingredientes para a Massa

- 4 xícaras de farinha de trigo integral
- 3/4 xícara de gordura de côco
- 3/4 xícara de manteiga sem sal
- 1 ovo batido
- 2 1/2 colheres de chá de açúcar
- 1 1/4 colheres de chá de sal
- 1 colher de sopa de suco de limão
- 1/2 xícara de água gelada

Ingredientes para o Recheio

- 1/3 xícara de açúcar mascavo
- 1/3 xícara de açúcar comum
- 1 colher de sopa de farinha de trigo
- 1 colher de sopa de suco de limão
- 1/3 colher de chá de canela em pó
- 7 1/2 xícaras de fatias de maçã descascadas
- 1 xícara de passas
- 1 ovo batido

Preparo da Massa

Numa tigela grande amasse a farinha de trigo com a gordura de côco e a manteiga até que a massa fique com consistência esfarelada (tipo farofa).

Em outra tigela, misture o ovo, o açúcar, o sal e o suco de limão. Faça um buraco no centro da massa e derrame ali a mistura de ovo e metade da água gelada. Misture gentilmente com um garfo, adicionando o restante da água conforme for necessário, até que a massa forme uma grande bola.

Coloque a bola de massa sobre uma superfície enfarinhada e corte em 4 pedaços iguais. Amasse um pouco cada pedaço na forma de um disco. Deixe descansar por uma hora antes de passar pelo rolo.

Abra um pedaço de massa no rolo o suficiente para cobrir fundo e laterais de uma forma redonda - previamente untada - de 23 cm de diâmetro.

Abra outro pedaço de massa para cobrir a torta. O restante da massa pode ser congelado.


Preparo do Recheio

Pré-aqueça o forno a 220º.

Numa tigela, misture bem o açúcar comum, o açúcar mascavo, a farinha de trigo, a canela em pó, o suco de limão. Adicione as maçãs e as passas e misture até que estejam todas cobertas pela mistura de açúcar.

Despeje a mistura dentro da forma já com a massa. Cubra a superfície com o outro disco de massa ou corte em tiras e cruze-as. Caso utilize o disco inteiro, faça alguns cortes para saída do calor. Aperte a massa nas laterais para selar. Pincele a superfície com o ovo batido e polvilhe um pouco de açúcar.

Leve a torta ao forno por 35/40 minutos ou até que esteja dourada. Retire e deixe esfriar por 30 minutos. Pode servir com creme Chantilly e sorvete.

Vocês não fazem ideia como isso fica bom com café