sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Arroz com Curry, Tomate e Ervilha - Resistência Francesa e uma Trincheira


Ricardo Icassatti Hermano

A Resistência Francesa (La Résistance), cujos integrantes eram chamados "Maquis" ou "Partisans", gerou milhares de estórias que viraram livros e filmes. Em alguns casos, viraram boatos, rumores, fuchicos e lendas. Essa rede de guerrilha e espionagem que atuava na clandestinidade numa França ocupada pelos nazistas, lutou contra o Eixo e os seus delegados colaboracionistas de 1940 até a libertação em 1944.

Cruz de Lorena, símbolo escolhido por De Gaulle para a Resistência

O movimento de resistência começou no Norte, com franceses que não aceitavam a submissão aos nazistas, imposta pela vergonhosa política colaboracionista do Marechal Pétain. A chamada Revolução Nacional acabou com os partidos e os sindicatos. Isso fez com que os diversos grupos de resistência dispersos se unissem para combater o "inimigo comum".

Partisan na França ocupada pelos nazistas

A Resistência Francesa também ficou famosa pelas mulheres que a integravam e que não se submeteram à famigerada "nova ordem moral" imposta pelo Marechal Pétain: "mulher em casa". A "nova ordem moral" foi inspirada nos Três K's de Hitler, que são as iniciais das palavras em alemão usadas para restringir as mulheres à maternidade, à cozinha e à igreja ...

Esse moralismo autoritário gerou no governo francês uma série de políticas anti-feministas nas áreas da educação, do trabalho e até da sexualidade. As mulheres francesas foram literalmente à luta. Com obstinação e competência, pegaram em armas, mataram e morreram para que emergisse uma nova definição de mulher.

Irena Demick, atriz que interpretou uma das mulheres
que lutaram na Resistência, no filme The Longest Day (1962)

O nosso Marechal Pétain atende pelo nome de um molusco e está colocando o Brasil a serviço de ideologias fascistóides e projetos tenebrosos. Colaboracionismo de Megalonanicos. O Eixo aqui é representado por uma Aliança das Trevas entre coronéis do atraso, que pretende dominar e exterminar toda a liberdade do país. O método é o mesmo utilizado pelos nazistas, com um maciço volume de propaganda mentirosa. E, dentro dessa propaganda, a tentativa de substituir o senso crítico dos cidadãos por pesquisas de opinião fajutas.

Aqui no blog, a resistência se resume a uma trincheira, de onde disparo opiniões e exerço a minha liberdade de expressão com algum humor. Por enquanto é possível. Ainda temos uma Constituição e um Poder Judiciário meia boca. Escolhi o arroz como símbolo dessa resistência, inspirado nos vietnamitas e nos povos do deserto. Eles sabem tudo sobre resistência.

Como prometi, todos os dias, até a eleição, vou postar receitas que tenham o arroz como principal ingrediente. Quero viver num país decente. Quero que meus filhos vivam num país decente. Quero que meus netos tenham essa oportunidade também. Portanto, vou fazer a minha parte e resistir.

Arroz com Curry, Tomate e Ervilha
6 porções

Ingredientes

- 1 1/2 xícara de arroz integral
- 1 colher sopa de azeite de oliva extra virgem
- 1 cebola pequena picada
- 1 colher sopa de gengibre ralado
- 1 dente de alho ralado
- 1 1/2 colher chá de curry em pó
- 1/2 colher chá de sal
- 1 lata de tomates pelados em cubos, sem o soro
- 2 1/3 xícaras de caldo de legumes (ou de galinha)
- 1/2 xícara de ervilhas congeladas, descongeladas

Preparo

Pré-aqueça o forno a 190º.

Espalhe o arroz no fundo de uma travessa (20 cm X 20 cm).

Numa panela média, em fogo médio-baixo, junte o azeite, a cebola, o alho, o gengibre, o curry e o sal. Refogue por 80 a 10 minutos, até que a cebola esteja transparente. Adicione os tomates. Refogue por 2 minutos. Adicione o caldo de legumes. Assim que levantar fervura, desligue o fogo.

Derrame a mistura do caldo sobre o arroz na travessa. Cubra a travessa com folhas de alumínio e leve ao forno por 70 minutos (1 hora e 10 minutos).

Retire a travessa do forno e espere esfriar uns minutos. Adicione as ervilhas, misture e sirva.

Estamos na trincheira, mas o arroz é nota 10

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Música da Madrugada - Baby It´s Cold Outside - Louis Armstrong and Velma Middleton


Ricardo Icassatti Hermano

Há alguns meses, lancei como experiência a Música da Madrugada. Foi interessante, mas só é possível quando a insônia me pega de jeito ou quando há tempo sobrando. Hoje, ela retorna por dois motivos. O primeiro deles é o breve Inverno de Brasília. Tivemos poucos dias de frio real e antes que acabem de vez, quis aproveitar essa bela canção que fala justamente de frio.

Na música, um sujeito tenta convencer uma mulher a ficar com ele aquela noite após o encontro (date) que tiveram. O argumento é que "está frio lá fora". Ela, por sua vez, contra-argumenta com a reação negativa de mamãe e papai, apesar de se sentir tentada a ficar. É uma antiga canção, dos tempos em que a inocência era retratada com um irresistível encanto sensual.

O segundo motivo é que, recentemente, passei pela mesma situação. Mas, de forma inversa. Ela tentava me convencer a ficar com o argumento (e um sorriso irresistível) de estar "muito frio lá fora". Realmente estava e frio só é bom quando se está aquecido ...

A charmosa canção chama-se Baby It's Cold Outside e foi criada em 1944 para ser cantada em dueto. Letra e música de Frank Loesser. Nesse tipo de dueto, os americanos chamam a voz feminina de "The Mouse" e a voz masculina de "The Wolf". Por motivos óbvios.

Loesser recebeu homenagem do correio americano

Faltava pouco para o fim da II Guerra Mundial e logo também ocorreria o fenômeno que ficou conhecido como Baby Boom. Antes de partir para a Europa e o Pacífico, os soldados se casavam às pressas e deixavam jovens grávidas esperando o retorno, que nem sempre acontecia. Foi uma explosão de bebês.

A guerra trouxe mudanças irrevogáveis (não é o "irrevogável" do Mercadante) nos costumes da época. As mulheres foram trabalhar nas linhas de produção da indústria americana e conquistaram a independência financeira. Os filhos daqueles casais da guerra, formaram a geração que criou o Rock'n Roll, os Hot Rods, as Pin Ups, a libertação do corpo com danças frenéticas, o rabo de cavalo, o surf, a guitarra elétrica e marcou sua própria época com as mudanças que implantaram na cultura mundial.

As Pin Ups são um fetiche até hoje

Os filhos dos Baby Boomers lançaram o movimento Hippie de paz e amor. Amor livre, marijuana e LSD. Foi a época da revolução sexual, do combate ao racismo, da corrida espacial, da guerra fria, das drogas pesadas, da divisão do mundo, das ditaduras nas republiquetas de banana (Brasil incluído).

Ainda bem que vivi esse tempo

Muito se avançou desde então e talvez seja um movimento de pêndulo que agora nos joga para trás nas conquistas que julgávamos irreversíveis. Espero que seja apenas isso ou um soluço histórico, um equívoco fácil de corrigir.

Mas, isso tudo é uma outra história. Mencionei apenas para contextualizar a época em que a canção foi composta. Deve ter embalado muitos daqueles namoros que se consumaram no banco traseiro de algum Chevrolet. Um costume que perdura até hoje, embora seja arriscado.

Na versão que trouxe hoje, a música é cantada em dueto pelo sensacional Louis Armstrong e pela maravilhosa Velma Middleton, numa apresentação ao vivo em local e data desconhecidos. O autor do vídeo sequer sabia que a cantora não era a Ella Fitzgerald. Por isso, só tem fotos dela e não da Velma. Mas, o importante é que a performance é fantástica e os dois se divertem improvisando piadas com a letra da música.

Armstrong e Velma se apresentaram juntos por vários anos

E, nessa época gelada, se você for gentilmente convidado a passar a noite, aceite. Está muito frio lá fora ...

Baby It's Cold Outside
Frank Loesser

I really can't stay - Baby it's cold outside
I've got to go away - Baby it's cold outside
This evening has been - Been hoping that you'd drop in
So very nice - I'll hold your hands, they're just like ice
My mother will start to worry - Beautiful, what's your hurry
My father will be pacing the floor - Listen to the fireplace roar
So really I'd better scurry - Beautiful, please don't hurry
Well Maybe just a half a drink more - Put some music on while I pour.

The neighbors might think - Baby, it's bad out there
Say, what's in this drink - No cabs to be had out there
I wish I knew how - Your eyes are like starlight now
To break this spell - I'll take your hat, your hair looks swell
I ought to say no, no, no, sir - Mind if I move a little closer
At least I'm gonna say that I tried - What's the sense in hurting my pride
I really can't stay - Baby don't hold out
Ahh, but it's cold outside.

C'mon baby.

I simply must go - Baby, it's cold outside
The answer is no - Ooh baby, it's cold outside
This welcome has been - I'm lucky that you dropped in
So nice and warm -- Look out the window at that storm
My sister will be suspicious - Man, your lips look so delicious
My brother will be there at the door - Waves upon a tropical shore
My maiden aunt's mind is vicious - Gosh your lips look delicious
Well maybe just a half a drink more - Never such a blizzard before.

I've got to go home - Oh, baby, you'll freeze out there
Say, lend me your comb - It's up to your knees out there
You've really been grand - Your eyes are like starlight now
But don't you see - How can you do this thing to me
There's bound to be talk tomorrow - Making my life long sorrow
At least there will be plenty implied - If you caught pneumonia and died
I really can't stay - Get over that old out
Ahh, but it's cold outside.

Baby it's cold outside.

Brr its cold
It's cold out there
Cant you stay awhile longer baby
Well I really shouldn't alright.

Make it worth your while baby
Ahh, do that again.



Arroz do Deserto


Ricardo Icassatti Hermano

A seca está de lascar aqui no Planalto Central. E se fosse apenas no clima, seria mais suportável. Mas, a seca atinge as ideias, os valores, os sonhos e toda a luta ferrenha de duas décadas pelo retorno da democracia ao Brasil. Estamos vivendo um avançado e perigoso processo de desertificação.

Temos eleição direta para presidente e crianças de 16 anos de idade já podem votar. Mas ainda nos debatemos com liberdade de expressão e de opinião. A censura se mantém tão maléfica quanto na ditadura militar. A diferença é que hoje a censura é absolutamente cínica. Se reveste de "legalidade" e continua protegendo os bandidos.

Os eleitores brasileiros continuam acreditando em promessas mentirosas. Parecem até gostar disso e não conseguem ver o estrago mais adiante, a falta de futuro para o seus filhos e netos. O coronelismo e a demagogia barata continuam imperando, como se estivéssemos no século 19.

Benvindos ao século 19 ...

Aliás, o atual presidente já nos levou de volta ao século 19. O voto continua sendo comprado descaradamente. Agora, não são sandálias, dentaduras, caminhões pipa ou dinheiro mesmo. Estamos na era das "bolsas" com a pecha de "benefício social". Educação, saúde e segurança? Pra que? Pão e circo bastam.

E a apatia é geral. Os brasileiros se tornaram zumbis tão anestesiados quanto o Michael Jackson antes de morrer. Será que a realidade é tão dura e insuportável para nós quanto era para o Rei do Pop? Não sei ... sei apenas que não era essa a democracia pela qual lutei. Não queria ver o crime organizado formando partidos e tomando conta do meu país.

Restou a resistência. Precisamos aprender com os povos do deserto, que sabem tudo sobre resistência. Quem sabe se começarmos pela comida ...

Os povos do deserto nos deram as mais belas visões do Paraíso

Por isso, hoje trazemos uma receita que vem lá da Arábia, um prato tradicional que simboliza essa força do espírito humano. Como sempre, é fácil de preparar e gostoso de comer. Pegue o seu turbante, a cimitarra e mãos à obra.

Arroz do Deserto

Ingredientes

- 2 xícaras de arroz integral
- 1 xícara de arroz selvagem
- 300 g de carne moída
- Alho picado
- 1 cebola grande picada
- Sal
- Pimenta do reino
- Suco de limão
- 6 colheres de sopa de manteiga
- 100 g de castanha de caju torrada sem sal e picada
- Cheiro verde

Preparo

Enquanto cozinha o arroz, tempere a carne com alho, sal, pimenta do reino e gotas de suco de limão. Refogue a carne com 3 colheres de sopa de manteiga. Junte a cebola picada e refogue mais.

Quando o arroz estiver cozido, retire do fogo e reserve.

Bata as castanhas no liquidificador para ficarem picadas e não moídas. Numa panela, coloque 3 colheres de sopa de manteiga e junte as castanhas. Mexa até que fiquem douradas.

Numa travessa, disponha camadas de arroz, carne, castanha e cheiro verde. Sirva imediatamente.

Fica muito boa essa mistura de tipos de arroz

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Música do Dia - Grand' Hotel - Paula Toller


Romoaldo de Souza

O Doutor Otternschlag, vivido por Lewis Stone, é um veterano da I Guerra Mundial e hóspede permanente do Grand Hotel, situado numa estreita rua de Berlim. Seu passatempo predileto é observar, com avidez, o entra e sai dos moradores do hotel.

Entre esses hóspedes-moradores, está o Barão Felix von Geigern, brilhante papel na carreira de John Barrymore, empresário que "torrou" toda a fortuna que tinha e passa a viver como jogador de cartas e ladrão ocasional de jóias.

Também ocasionalmente, o industrial Preysing, primeiro grande papel de Wallace Beery, chega ao Grand Hotel, para fechar um importante negócio.

A bailaria russa Grusinskaya, no auge da decadência, também aparece no Grand Hotel, onde pessoas vão e vem e quase nada acontece. O papel de Greta Garbo vai ganhando notoriedade quando ela descobre que o Barão roubou as suas jóias também. Mas a bailarina Grusinskaya sente-se atraída por aquele homem sedutor, apesar do caráter pouco ortodoxo.


A sedutora Greta Garbo, vivendo a bailarina decadente
Grusinskaya no Grand Hotel

Sedução, roubo, briga e morte, mas poucos amores duradouros marcam Grand Hotel, filme escrito por William Drake e Béla Balázs, baseado no romance de Vicki Baum. O filme foi orçado em 700 mil dólares, um orçamento generoso para os atores que reuniu.


Bom, eu contei uma parte da história de Grand Hotel, para falar de Paula Toller. "Se a gente não tivesse inventado tanto, podia ter vivido um amor Grand' Hotel", diz a vocalista da banda Kid Abelha.


Criada pelos avós paternos, Paula Toller não teve o convívio da mãe que fugiu quando ela era ainda criança, mas foi acolhida pelo avô, Paulo Amora, ex-assessor da Presidência da República e apreciador de Back, Mozart, Beethoven e Chopin. Tinha tudo para dar certo. E deu.


Além da música clássica, Paula Toller ouvia música espanhola, óperas, Beatles, o único rock que o avô deixava ela escutar, além de Carmem Miranda e Elis Regina.


Estudou desenho industrial e comunicação visual, mas um dia, depois de ouvir James Brown e Tim Maia, no fone do ouvido do irmão, jogou tudo pro alto e decidiu comprar discos de rock pesado. Janis Joplin, Pink Floyd e Michael Jackson passaram a povoar a mente brilhante daquela loirinha simpática.


- Um dia, eu estava no meu quarto, daquela "pensão" do vovô. Meu namorado assistia TV na sala de visita, quando ouvi um som legal e corri para ver o que era. Era Grang 90 e as Absurdettes, cantando "Perdidos na Selva", num festival da Globo. Naquele momento, minha vida mudou completamente e passei a ter certeza de que cantaria aquele tipo de música - conta Paula Toller.


Largou a faculdade, entrou para a banda Kid Abelha, descobriu o alemão, idioma que estuda até hoje, faz psicanálise uma vez por semana e joga tênis duas vezes. Sempre que um "pensamento não desejável" passa pela cabeça da líder do Kid Abelha, ela pega o carro e sai pelas ruas do Rio de Janeiro, ouvindo música em alto volume.


- Quando isso não é possível, entro na banheira. Essa é uma das minhas situações preferidas - diz a mãe de Gabriel e mulher do cineasta Lui Farias de Com licença, eu vou à luta, Lili a Estrela do Crime e Os Porralokinhas.


Cartaz do filme que inspirou Paula Toller e os colegas do
Kid Abelha a escreverem Grand' Hotel

Hoje, Paula Toller faz 48 anos. Feliz aniversário para essa linda cantora que adora café e aboliu açúcar há bastante tempo e compôs Grand' Hotel pensando no filme em que viu, pela primeira vez, Greta Garbo.


Grand' Hotel

George Israel / Paula Toller / Lui Farias


Se a gente não tivesse feito tanta coisa,
Se não tivesse dito tanta coisa,
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor Grand' Hotel.

Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom Dia"...

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?

Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom Dia"...

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Só pra se viver.

Ficar só
Só pra se viver...
Ficar só
Só pra se viver.



domingo, 22 de agosto de 2010

Os Mercenários - The Expendables


Ricardo Icassatti Hermano

Qual é a fórmula para um bom filme de ação? Muito simples. Junte alguns ícones da cultura pop americana, como motos Harley Davidson, carros Hot Rod, armamento pesado e tatuagens. Misture com um bom rock'n roll, tiros, facadas, explosões, muita, mas muita pancadaria, uma mulher bonita e um bando de ex-militares mercenários bombados. Pronto, nasceu mais um campeão de bilheteria.

É disso que o povo gosta

Foi exatamente isso que o ator, produtor, roteirista e diretor Sylvester Stallone fez com Os Mercenários (The Expendables) e mostrou que continua com um bom timing para lançar esse tipo de filme. Sim, é filme trash. Mas, é o melhor trash que o seu dinheiro pode comprar. E isso já é muita coisa. Tem gente tentando fazer "arte dramática" por aí e não consegue. Tem gente tentando empurrar propaganda vagabunda como se fosse filme biográfico do filho da ... e não consegue.

Cartaz do filmaço

Digo que Stallone tem um bom timing porque consegue perceber as inquietações do público americano, que acabam sendo as inquietações de boa parte do mundo também. Foi assim com Rocky (1976), quando os americanos estavam passando por maus bocados econômicos. Foi assim com Rambo (1982), quando os Estados Unidos estavam com o moral baixo por causa do Vietnam.

Com esses filmes, Stallone turbinou a auto-estima dos americanos e pelo menos entusiasmou milhões mundo afora. Até os afegãos adoraram Rambo III, quando lutou ao lado dos Mujahedin contra os invasores soviéticos. Neste novo filme, ele já começa despedaçando piratas da Somália. Os heróis dos seus filmes sempre se dão bem no final, mas nos "entrementes", sofrem um bocado. Essa é uma grande sacada dele.

No filme Os Mercenários, o ator-roteirista-diretor ainda vai adiante e cria a figura do "mercenário sensível". É o cara que matou muita gente ao longo da carreira e depois ficou com crise de consciência ou com a cabeça completamente fodida. Aqui, preciso abrir um parêntese para reconhecer o desempenho do ator Dolph Lundgren, que encarna um mercenário alemão (Gunter) totalmente alucinado. Surpreendente.

Gunter, o mercenário alucinado, às vezes precisa ser contido

A estória é claramente baseada em antigos filmes de cowboy e outros tantos. Um bando de mercenários se junta para ganhar dinheiro. Por algum motivo inesperado, resolvem ajudar o lado mais fraco na disputa. Neste caso, o motivo inesperado e delicioso atende pelo nome de Giselle Itié. A mexicana-brasileira foi presenteada com um bom e extenso papel.

Giselle Itié, sempre uma gata

O mérito de Stallone é ter conseguido juntar no mesmo filme os atores mais barra pesada do momento e do passado recente. Estão lá seus ex-sócios no Planet Hollywood, o governator Arnold Schwazenegger e o canastrão Bruce Willis. Ainda tem o redescoberto Mickey Rourke, o britânico Jason Statham, o chinês Jet Li, o sueco Dolph Lundgren, o americano Terry Crews e os lutadores de Vale Tudo Randy Couture e Steve Austin.

Os antigos sócios juntos de novo em encontro hilário

Os mercenários em questão são contratados para liquidar um ditadorzinho traficante de um paiséco latino americano, que se juntou a um ex-agente da CIA para traficar cocaína. Qualquer semelhança com fatos, países e pessoas reais, terá sido mera coincidência. Giselle faz a filha desse ditadorzinho, um general pilantra que lembra muito o Hugo Chavez. Talvez seja a boina no tom "vermelho bolivariano" ... A filha está contra o pai. Freud explica.

O toque de humor fica com os diálogos entre os mercenários e o avião que eles usam como transporte e disfarce, que traz na fuselagem a logomarca de uma ONG ambientalista. Sensacional : ) O resto é pura diversão, matança, explosões, porrada e tudo aquilo que a gente gosta. É uma Sessão da Tarde sanguinolenta. Entretenimento para toda a família.

Grande repertório de golpes utilizados no Vale-Tudo

O Café & Conversa assistiu o filme duas vezes, classificou como FILMAÇO e vai comprar o DVD em formato Blue Ray. Só para contrariar os nacionalistas de araque que se "revoltaram" e "xingaram muuuuito" no Twitter por causa da entrevista em que o Sylvester Stallone fez piadas com o velho costume brasileiro de babar ovo de gringo. 

A lamentar apenas que seja somente um filme. Bem que poderíamos usar uns mercenários para ... deixa pra lá. Tô meio sem paciência ... Veja o trailer.