sábado, 4 de setembro de 2010

Arroz Americano e o Pai da Força Aérea Americana


Ricardo Icassatti Hermano

Todo movimento de resistência começa com um indivíduo que percebeu "onde ia dar aquela merda". Geralmente, pagam um alto preço por isso porque os acomodados e mal intencionados não querem saber de mudança em seus feudos. É claro que a mudança acaba vindo. É inevitável, mesmo sob as mais sangrentas ditaduras. Mas, a perseguição é implacável. É preciso destruir completamente quem enxergou o que estava errado.

Esses indivíduos que deram início a mudanças foram os primeiros a resistir. Depois de mortos, se tornam herois, modelos a serem seguidos e coisas do gênero. Mas você acha que eles pensavam nisso, que queriam ser homenageados e laureados num futuro inexistente? Não, eles resistiram porque era a coisa certa a se fazer. Por isso pagaram um alto preço.

Os acomodados são extremamente incompetentes e isso ajuda muito no movimento de mudança. É muito fácil desmascará-los. Mas, para isso é preciso haver o sacrifício de um, o primeiro a enxergar, falar e denunciar. Hoje, a nossa história de resistência vem dos Estados Unidos. Um indivíduo que percorreu todo o percurso descrito acima e, hoje, é saudado como o "Pai da Força Aérea Americana".

O nome deste homem é William Mitchell (1879 - 1936), ou como era mais conhecido, Bill Mitchell. Ele lutou na Primeira Guerra Mundial como piloto daqueles aviões com estrutura de madeira e asas duplas recobertas com lona. Ganhou todas as condecorações possíveis por bravura em combate. Na França, comandou todas as unidades aéreas ali baseadas.

William Mitchell, um verdadeiro heroi americano

Após a guerra, foi nomeado diretor do Serviço Aéreo. Naquela época, não existiam forças distintas. Aviões, navios e tropas terrestres estavam sob o comando único do Exército Americano, que respondia ao Ministério da Guerra. Bill Mitchell era um estudioso competente da aviação e estrategista brilhante. Ele percebeu que os aviões seriam a grande arma nas guerras futuras.

Tentou de todas as maneiras alertar seus superiores para a necessidade de investimentos na área e a fragilidade da defesa americana no caso de um ataque aéreo de grandes proporções. Passou anos enviando correspondência a militares e parlamentares. Mas, após a guerra, os herois deram lugar aos corruptos. Como vocês sabem, a corrupção é coisa de frouxo, bajulador, tapado e incompetente. Os aviões utilizados na guerra ainda estavam na ativa e ninguém queria saber de investir no seu desenvolvimento e segurança.

Muitos pilotos morreram vítimas da corrupção

Além disso, Mitchell também defendia a divisão das Armas em Exército, Aeronáutica e Marinha. Via nisso - e estava certo - um grande ganho logístico e estratégico. Mas, os corruptos queriam manter o controle unificado porque era mais fácil roubar e os ganhos também eram maiores. As críticas o levaram a atritos com superiores, o que o levou a perder a patente de General e foi rebaixado para Coronel.

O resultado é que após anos de tentativas frustradas, Mitchell assistiu um grande amigo morrer num avião que não tinha segurança suficiente e seus superiores haviam sido alertados disso. O piloto foi obrigado a levantar vôo naquele avião e foi direto para a morte. Mitchell procurou a imprensa e deu uma entrevista bombástica, denunciando o sucateamento dos aviões, a insegurança dos pilotos e expôs as suas ideias. Ele sabia que caminhava para o cadafalso, mas não havia outra coisa a ser feita senão a certa.

O Exército Americano abriu um processo contra o então Coronel e o levou à Corte Marcial sob a acusação de "traição". O julgamento ficou famoso e envolveu até o presidente dos Estados Unidos, John Calvin Coolidge. Em 1955, Gary Cooper interpretou Bill Mitchell num filme que chegou a ser indicado para o Oscar na categoria de Melhor Roteiro. O nome do filme é The Court-Martial of Billy Mitchell, o mesmo nome que recebeu no Brasil.

Nesse julgamento, Mitchell foi humilhado, espezinhado, mal tratado, ofendido, teve seu direito à defesa solapado e terminou expulso do Exército. Resumindo, uma palhaçada lamentável. Durante o julgamento, o promotor fez o Coronel parecer um louco por ter previsto que os aviões um dia quebrariam a barreira do som e que no futuro os Estados Unidos sofreriam um ataque aéreo em Pearl Harbor e que os aviões estariam sendo pilotados pelos japoneses. Ele já havia feito testes e simulações.

Mitchell durante seu julgamento na Corte Marcial

Well, acho que não preciso dizer mais nada. Após a sua morte e todos os eventos posteriores, William Mitchell foi promovido pelo presidente Franklin Roosevelt a Major General e recebeu um monte de honrarias, claro. Além disso, é a única pessoa a ter seu nome em um modelo de avião de combate, o bombardeiro B-25 Mitchell. Esse caso nos mostra que, infelizmente, os tapados só aprendem tomando na cabeça ...

Os uniformes de Mitchell estão expostos no
Museu Nacional da Força Aérea Americana

É preciso ressaltar que esse heroi americano jamais, vou repetir, JAMAIS participou de um seminário sobre planejamento estratégico e visão de futuro. Quem precisa participar desse tipo de evento, nunca teve, não tem e não terá JAMAIS a capacidade de pensar estrategicamente ou ter visões do futuro.

A receita de hoje - sempre com arroz - é em homenagem a Bill Mitchell, um homem que decidiu fazer o que entendeu ser o correto, resistiu bravamente e deu início a um movimento que inspirou a criação da maior força de combate aéreo do mundo, a Força Aérea Americana.

Arroz Americano
8 porções

Ingredientes

- 2 copos americanos de arroz cru
- 2 ovos mexidos
- 1 lata de ervilhas
- 2 tomates picados sem as sementes
- 2 cebolas bem picadas
- 3 colheres sopa de cheiro verde picado
- 200 g de presunto cortado em pequenos cubos
- 10 azeitonas verses picadas
- 1 tablete de caldo (carne, galinha ou legumes)
- 1/2 copo americano de óleo de Canola
- 2 colheres sopa de manteiga
- 5 copos americanos de água fervente
- Sal a gosto
- 2 colheres sopa de Parmesão ralado

Preparo

Dissolva o tablete de caldo na água fervente. Acrescente todos os demais ingredientes e misture bem.

Passe tudo para um refratário e polvilhe com uma colher sopa de Parmesão ralado. Cubra com papel alumínio e leve ao forno por 40 minutos em temperatura MÉDIA.

Retire o papel alumínio e volte ao forno por mais 10 minutos.

Retire do forno e polvilhe com outra colher sopa de Requeijão ralado. Sirva imediatamente. Acompanha bem carne assada e churrasco.

Ninguém passa fome na Trincheira da Resistência

Arroz Integral com Maçã e a Contracultura Hippie


Ricardo Icassatti Hermano

Os movimentos de resistência também são movimentos de mudança. Para mudar é preciso resistir primeiro ao antigo. Porque o antigo não aceita a mudança. Está acomodado e, egoisticamente, não consegue vislumbrar os ganhos que são de todos. Esquece que o futuro não lhe pertence.

O antigo acomodado não é curioso e tem medo que o novo destrua o que conquistou. Mesmo depois das mudanças, o acomodado sempre retorna querendo que tudo volte a ser como era antes. E sempre travestido de mudança. Vejam o caso do PT e do Lula.

Passaram 20 anos pregando que eram os arautos da mudança, os progressistas. Colocaram defeito em tudo, sabotaram tudo o que puderam, tentaram impedir todo e qualquer avanço e mudança real. Quando chegaram ao poder, ressuscitaram um coronelismo perverso e atrasado que já estava moribundo.

Levaram o país de volta ao século XIX e tentaram instrumentalizar uma ditadura às escondidas. Desfraldaram a bandeira da popularidade para tentar usurpar a democracia conquistada a duras penas. Solaparam a meritocracia em nome do aparelhamento do Estado.

Se Lula tivesse sido presidente dos Estados Unidos nos anos 1960, a NASA não existiria, as universidades seriam antros de mediocridade e os americanos estariam migrando ilegalmente para o México e para a América do Sul.

O Brasil não ganhou nada com isso, só perdeu. Nos tornamos a República incompetente do pão com banana e circo. O mestre de cerimônias enche a cara e faz comícios no picadeiro nacional e no internacional. Às vezes, chega a ser confundido com o palhaço ou o urso dançarino. Um circo triste, mas vejam a bilheteria como está faturando bem.

Mas, eu quero falar de outra coisa. Se hoje você faz Yoga, come alimentos orgânicos, acende um incenso, se preocupa com o meio ambiente, tem computador, internet e música MP3, agradeça à contracultura dos anos 1960. Aquele foi um movimento de resistência legal. Paz e Amor, era o lema. E tome rock'n roll, literatura, cinema, música, arte, cores, vida alternativa, ciência e tecnologia.

A contracultura mudou o visual de tudo com uma explosão de cores

Tudo o que você hoje vê com normalidade, começou lá na Califórnia com uns meninos cabeludos que vestiam roupas coloridas e foram denominados Hippies. Isso que todo mundo faz hoje, eles faziam há 50 anos e todo mundo achava estranho, bizarro e se opunha, muitas vezes com violência. Gente ignorante, intolerante, violenta, atrasada, egoísta, antiga. Já falei sobre isso.

Paz, amor, música. Depois, paz, amor, música ...

Os Hippies que fizeram o movimento de contracultura dos anos 1960, se opunham ao nacionalismo e à Guerra do Vietnam. Descobriram e abraçaram aspectos de outras religiões como o Budismo, o Hinduísmo e o Xamanismo nativo-americano. Estavam completamente em desacordo com os valores tradicionais da classe média norte-americana.

Sente só a figuraça com 17 anos de idade, totalmente na onda

Aqueles Hippies também abominaram o racismo e adotaram estilos de vida tanto comunitário quanto nômade. As viagens se tornaram o instrumento de aprendizado e desenvolvimento pessoal. O tema acabou sendo um filão muito rentável para Hollywood. A liberdade do corpo veio com o sexo desvinculado do amor, dos tabus e das superstições religiosas. A liberdade da mente veio com o LSD.

Rumo a Woodstock

Os filhos deles nos deram a informática, a medicina de ponta, a internet, a conquista do espaço, a ecologia e tantas outras coisas. Mas, o atraso, o antigo acomodado continua por aí freando o avanço natural. Nesse caldeirão de bruxa, misturam religião, preconceitos variados, repressão, intolerância, egoísmo, medo e guerra.

Mas, como todo movimento inicial, estava impregnado de inocência. A realidade humana logo tratou de transformar o amor livre em devassidão para libertar as taras e perversões mais baixas. Com elas, vieram as doenças venéreas letais. O LSD gerou um grande negócio com o uso abusivo de drogas absolutamente destrutivas. O sentido se perdeu e o sonho acabou.

Felizmente, algo de bom ficou. Toda mudança é assim e jamais podemos esquecer que o ser humano é o criador de tudo. E o ser humano é lastimável. Além disso, o desenvolvimento humano tem o movimento de um pêndulo e ainda estamos oscilando de uma extremidade à outra. Experimentamos momentos de avanços e momentos de recuo.

Hoje, a receita é uma homenagem àqueles tempos, que tive a felicidade de viver justamente nos anos da minha inocência juvenil. Embarquei de cabeça no mundo Hippie brasileiro, que não tinha muito em comum com o americano porque não estávamos em guerra com ninguém. Ficamos apenas com a parte boa : )

Aqui, aos 20 anos de idade. Ainda na onda: "quem não tem colírio ..."

Aprendi a comer arroz integral nessa época e nunca mais deixei esse alimento fora da minha dieta. Outro alimento que também incorporei definitivamente é o pão integral. Só abro exceção para o pão italiano e para o pão francês da La Boulangerie. Fiquem com essa deliciosa receita. Tenho certeza que irão gostar.

Arroz Integral com Maçã
2 porções

Ingredientes

- 1 maçã cortada em cubos
- 2 colheres chá de azeite
- 1 1/2 xícara de arroz integral já cozido
- Folhas de hortelã picadas a gosto
- 1 pitada de canela

Preparo

Refogue a maçã rapidamente no azeite com a pitada de canela. Junte ao arroz e à hortelã. Misture bem e sirva.


Arroz Integral Cozido

Para cozinhar o arroz integral utilize a seguinte relação de medidas: para 1 copo de arroz, 4 copos de água. Não utilize óleo. Deixe a panela esquentar em fogo baixo. Coloque alho e cebola picados e quando estiver começando a grudar na panela, adicione um pouco de água. O suficiente para não deixar o alho grudar.

Quando o alho e a cebola estiverem bem dourados, coloque o arroz lavado e vá dourando do mesmo jeito. Quando estiver bem torrado, coloque os 4 copos de água fervendo. Mexa e deixe a tampa ligeiramente aberta.

Quando o arroz estiver quase seco, coloque temperos verdes frescos e sal (marinho de preferência).

Com esse arroz dá pra resistir muito

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Bolinhos de Arroz e Mentes que Embolam


Ricardo Icassatti Hermano

Eu estava escolhendo uma história inspiradora para, como de costume, acompanhar a receita com arroz da Trincheira da Resistência. Confesso que estava meio preguiçoso e enrolei um bocado antes de iniciar a pesquisa. Mas, eis que de repente, o mote me caiu no colo.

Novamente, fui conversar com um dos meus filhotes, num dia desses ...

- Pai, você falou que o mundo está cheio de gente ignorante, intolerante e violenta.

- Preciso fazer um acréscimo aí. O mundo tem todo tipo de gente. Nem sempre os violentos são completamente ignorantes; nem sempre os ignorantes são violentos; nem sempre os intolerantes são ignorantes. Você vai encontrar esses traços em várias medidas, em várias combinações e em várias pessoas. Elas podem ser intolerantes e inteligentes, espertas e violentas e assim por diante. Não existe um tipo padrão e nem tudo é simples. E tem muita gente bacana também.

- Então fica difícil reconhecer e distinguir quem é o que, né?

- No início é difícil mesmo. Mas, com o tempo você começa a perceber certas pistas que cada característica deixa transparecer. No começo, você vai pensar que o sujeito não sabe direito sobre o que está falando ou que faltam-lhe neurônios para desenvolver um raciocínio. Ou até que ele tem uma mente que embola as coisas. Aos poucos, você perceberá que há um método ali, que a conversa está se encaminhando para um rumo pré-determinado. Essa não é uma mente que embola. É uma mente perigosa. É um provocador.

- Por exemplo ...

- Por exemplo o sujeito violento. Esse sempre vai tentar fazer com que você pareça violento. O fato de sermos praticantes de artes marciais não ajuda muito. Ele vai provocar e fazer acusações veladas, do tipo: "você gosta de brigar". Vai tentar ofendê-lo atacando e questionando os seus princípios éticos, morais etc. Mesmo que eles não sejam o objeto do entrevero.

- Se eu cair nessa armadilha, tô lascado.

- Exatamente. Mesmo que você nunca tenha agredido uma mosca, se reagir da maneira como o provocador quer, imediatamente ficará com a pecha de violento, desequilibrado ou coisa pior.

- Você já caiu numa dessa pai?

- Já tentaram muitas vezes. Quando era mais jovem, dei uma escorregada aqui e ali, mas nada comprometedor. Logo percebi o que estava acontecendo. Você é lutador de artes marciais como eu e sabe que o principal fundamento da arte é a auto-defesa e nunca o ataque inicial.

- Por isso que sempre começamos os Katas com uma defesa né?

- Treinamos assim para nos condicionarmos a só atacar após nos defendermos de um ataque. Mas, nem sempre o ataque do outro é tão explícito e físico assim. Às vezes, um ataque com palavras pode ser mais perigoso que um soco.

- Você já enfrentou um ataque desses?

- Algumas vezes.

- E como é que faz?

- Faça o que você aprendeu no Dojô, seja leal e não entre no jogo do outro. Explique a quem o provocou a esse ponto, que você vai quebrar a cara dele e porque fará isso. Ao mesmo tempo, explique que ele terá todas as oportunidades e chances de se defender, que a luta será em pé de igualdade, mano a mano e que não adianta tentar fugir. Explique que você espera dele a mesma lealdade e, principalmente, hombridade. Nada de ir correndo para uma delegacia prestar queixa de agressão. Homem que é homem assume a responsabilidade sobre o que faz. Apanhou porque mereceu. Geralmente, esse tipo de gente não tem essas qualidades.

- E eu quebro a cara dele?

- Não meu filho, não será preciso. Não batemos em covardes, nem em gente mais fraca que nós. Quanto maior o oponente, melhor. O provocador certamente vai fugir, se trancar num banheiro e não vai incomodar mais. Esse tipo de gente não tem a fibra necessária para entender que numa luta a gente entra disposto a apanhar e não a bater. Essa é uma diferença fundamental. Eles não sabem e não aguentam apanhar. Muito menos bater. Você só precisa mostrar a mesma atitude e disposição tranquila para o embate que utiliza nos treinos. Mostre que os atos dele têm consequências. Eles se apavoram diante dessa força que não tem nada a ver com músculos, mas sim com o espírito. Por mais de uma vez, já fiquei horas com um sujeito pulando na minha frente, xingando, gritando que ia me matar. Até que ele se cansou e foi embora com o rabo entre as pernas. A única coisa que fiz, foi olhar para ele.

- Eu lembro de uma vez, quando eu era bem pequeno, de um desses caras gritando, esperneando e você olhando para ele. E onde entra a resistência?

- A resistência estava o tempo todo ali. Você não abriu mão um milímetro sequer dos seus princípios. Você os defendeu lindamente, de forma calma e pacífica, absolutamente Zen. A violência ficou com o outro, o piano que ele queria transferir para as suas costas, ficou nas costas dele. Lembra do limite sobre o qual conversamos? Daqui não passa! Se ele atacasse ...

Após a gostosa conversa com o filhote, fomos assistir e chorar um bocado com um vídeo do YouTube que tem tudo a ver com Resistência. Por mais que eu explique, as palavras são muito pobres diante das imagens. Então é melhor assistir.


Aí bateu uma fome de leve. E deu até vontade de treinar. Para mim, o local da luta é o lugar mais pacífico do mundo. Certa vez, fui competir num Torneio Brasileiro de Ken Jutsu, lá em Campinas. Ao entrar no ginásio de esportes, me deparei com mais de 200 lutadores treinando para as lutas que viriam a seguir. Nunca senti tanta paz. Foi como retornar à minha pequena aldeia após uma longa ausência. A inspiração para a receita de hoje foi a própria conversa sobre os Mentes Emboladas.

Bolinhos de Arroz

Ingredientes

- 2 xícaras de arroz cozido
- 1/2 xícara de leite
- 2 ovos
- 2 colheres sopa de queijo parmesão ralado
- 2 colheres sopa de farinha de trigo
- Cheiro verde a gosto
- Sal
- Pimenta do reino branca

Preparo

Bata todos os ingredientes no liquidificador, menos a farinha de trigo. Despeje em um recipiente, acrescente a farinha e misture bem com as mãos. Faça os bolinhos e frite em óleo quente. Coloque sobre papel toalha para absorver o excesso de óleo. Acompanha fatias de limão, mostarda, ketchup, molho inglês etc.

Só fica faltando a limonada suíça ultra gelada para a
happy hour na Trincheira da Resistência

Pudim de Arroz com Água de Rosas e Cardamomo


Ricardo Icassatti Hermano

Outro dia desses, tive a seguinte conversa com um dos meus filhos.

-Pai, você tem falado um bocado de resistência. Entendi os seus motivos, mas como você sabe quando deve começar a resistir?

- Primeiro a gente precisa falar de princípios, dos valores que balizam e dão algum sentido às nossas vidas. São nossas crenças mais profundas, as certezas que escolhemos para nos guiar. Sempre são escolhas nossas. Os princípios não nos escolhem, nós os escolhemos.

- Por exemplo ...

- Por exemplo, a honestidade. Quando escolhe ser um sujeito honesto, você deu uma determinada direção a sua vida. Mas, só será um princípio absoluto se você acreditar a ponto de morrer defendendo esse princípio. Entendeu?

- Mas, precisa morrer mesmo?

- Ninguém "precisa" morrer na defesa de um princípio. Mas, se acontecer de ser necessário, você morrerá em paz, sem conflitos internos, sem medo. Afinal, um dia todos vamos morrer mesmo. É melhor morrer defendendo algo que valha a pena do que numa UTI.

- E quando é que eu sei que é o momento de defender um princípio meu?

- Não se preocupe, você saberá. Alguma circunstância ou alguém vai colocá-lo numa situação em que você terá de escolher se fica com o seu princípio ou se torna mais um sujeito venal no mundo.

- Você conhece alguém venal?

- Muitos. É uma gente sem caráter que tem dobradiça na coluna vertebral, se curva para os dois lados. Eles sempre têm a mesma conversa pegajosa e asquerosa do tipo "é difícil atuar sozinho, é melhor fazer parte de um grupo"; ou tentam te seduzir com vantagens, dinheiro, falsa amizade, sexo etc. Também são bajuladores natos. Nessa hora, se você realmente acredita nos seus princípios e se eu ensinei direito, nada vai tirá-lo do caminho que escolheu.

- Mas pra isso eu não preciso morrer.

- Nesse caso não. Essa é uma luta pequena. Mas, às vezes, você assume lutas maiores, em que a sua vida pode realmente estar em jogo.

- Por exemplo ...

- Por exemplo, a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Já escrevi aqui sobre isso. O pastor Martin Luther King foi assassinado resistindo pacificamente ao racismo, à injustiça, à segregação e à intolerância. Você acha que ele morreu com medo? Com dúvidas sobre os princípios e as lutas que escolheu? Não, ele morreu em paz consigo mesmo, porque não fez concessões ou negociou seus princípios. Teve uma vida plena e sua morte serviu a um propósito.

- Entendi. Mas, é foda ter que chegar nesse ponto, né não?

- Infelizmente, meu filho, o mundo está cheio de gente ignorante, intolerante e violenta. Se o interesse deles passar por você e não conseguirem subjugá-lo de alguma maneira, acabarão chegando à violência. Vemos muito isso na política. Olhe o caso da Índia. Lá viveu e morreu um grande líder pacifista chamado Mahatma Gandhi. Ele foi um grande exemplo de resistência pacífica. Mas, existe a resistência violenta também, como no caso do Vietnam. Em qualquer caso, a resistência se baseia em princípios que impõem um limite: daqui não passa. Mesmo que seja preciso morrer e matar.

- Você resiste pacificamente ou violentamente?

- Já resisti das duas maneiras. Quando dá, escolho a via pacífica. Mas, o seu pai não tem DNA de santo. Não consigo apanhar sem reagir. Especialmente quando tenho razão. A via pacífica é sempre melhor, mas tem gente que não entende isso e eu apenas procuro dar uma ajudazinha para o sujeito entender que a violência é ruim ... para ele.

Foi uma boa conversa. Adoro conversar com meus filhos. Aprendo muito. Mahatma Gandhi foi um defensor da Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. Essa resistência de Gandhi serviu de inspiração para outros líderes e ativistas, como o próprio Martin Luther King.

Mahatma Gandhi

Os comunistas, por sua vez, acreditavam em banho de sangue. Coisa de psicopatas do tipo Che Guevara e Fidel Castro.

Gandhi cursou faculdade de Direito na Inglaterra, em Londres. Devido a sua timidez, não obteve sucesso na profissão quando retornou à Índia. Assim, aproveitou uma oportunidade que surgiu e foi para a África do Sul, onde ficou por um ano representando uma empresa hindu num processo judicial.

Após esse período, ele se engajou numa luta pelo direito de voto dos hindus e acabou ficando por mais 20 anos na África do Sul. Através de atos de "desobediência civil em massa", convenceu seus conterrâneos hindus a não apelar para a violência, a trocar o ódio pelo amor. Foi preso várias vezes. Durante a vida, passou seis anos como prisioneiro. Ele pregava:

"Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas. Assim ahimsa é a base da procura para a verdade".

Um líder político e espiritual do povo indiano

Gandhi retornou à Índia em 1915, que sofria com a regra colonial britânica, e passou a liderar a luta pacífica pela independência indiana. Em seu país, liderou grandes manifestações e passou a usar o jejum como instrumento de luta pelas liberdades civis dos indianos, que estavam sendo suprimidas pelos britânicos.

Outro instrumento que utilizou com sucesso na luta pela independência da índia foi o boicote aos produtos importados. No caso, eram os tecidos britânicos. Gandhi propôs que todos os indianos passassem a vestir o khadi, veste caseira simples, e declarou que as mulheres, pobres ou ricas, deveriam dedicar parte do seu tempo tecendo khadis em apoio ao movimento de independência.

Gandhi com a roda em que tecia o seu khadi

Ele também foi o único líder capaz de estabelecer a paz entre hindus e muçulmanos. Sabemos que a política baseada no ódio não gosta dessas iniciativas. Para esses "políticos" o negócio é fomentar o preconceito e a hostilidade para que eles sobrevivam. Vejam Israel e Palestina. Apesar de jamais ter sequer processado seus muitos agressores, Gandhi morreu assassinado em 1948.

Assim, para homenagear esse grande líder e sua resistência pacífica, fui buscar uma receita indiana com o ingrediente que sustenta a Trincheira da Resistência contra o atraso e o autoritarismo lulista: o arroz. Quem sabe um dia eu também não me torne um pacifista como ele?

Pudim de Arroz com Água de Rosas e Cardamomo
6 a 8 porções

Ingredientes

- 1/3 xícara de arroz Basmati (indiano)
- 2 litros de leite integral
- 1 1/2 colher chá de Cardamomo em pó
- 3/4 xícara de açúcar cristal
- 6 colheres sopa de Pistachios picados
- 1/2 colher chá de sal
- 1 1/2 colher chá de Água de Rosas

Preparo

Lave bem o arroz, junte ao leite numa panela grande e leve ao fogo MÉDIO-ALTO. Quando levantar fervura, baixe o fogo para o MÍNIMO e deixe cozinhar, mexendo ocasionalmente, até que o leite reduza à metade (de 45 a 50 minutos).

Adicione o açúcar e 4 colheres de sopa de Pistachios e continue o cozimento por mais 15 minutos, mexendo mais frequentemente até que o pudim atinja uma consistência de mingau mais fino. Quando esfriar o pudim engrossa.

Retire do fogo. Adicione sal e mais açúcar. Se quiser, um pouco mais de Cardamomo. Incorpore a Água de Rosas. Sirva em temperatura ambiente e decore com pitadas de Pistachios.

Os indianos são bons em resistência e em comida vegetariana

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Música do Dia - Hey Jude - Beatles


Romoaldo de Souza


Prontinha para ser lançada, Hey Jude, uma das canções dos Beatles mais tocadas nas emissoras de rádio, foi editada em 30 de agosto de 1968. Portanto, há 42 anos a composição de Paul McCartney foi lançada no Lado A do single Hey Jude/Revolution, com 6'52" muito grande para os padrões da época. Mesmo assim foi o single do quarteto de Liverpool, mais vendido.


Hey Jude foi uma homenagem que Paul McCartney fez quando Cynthia Lennon estava se divorciando de John e já se aproximando de Yoko Ono. Como era amigo do casal Lennon, Paul achou por bem visitar Cynthia e o filho dela, Julian Lennon.


- Como amigo da família eu poderia ir a casa deles dizer que tudo ficaria bem, tentar animá-los e ver como estavam. Eu dirigi cerca de uma hora. Eu costumava desligar o rádio nessas viagens e cantarolar, vendo se conseguia compor canções. Então comecei a cantar - 'Hey Jules - don'tmake it bad, take a sad song, and make it better... – contou certa vez Paul McCartney, dizendo que inicialmente queria compor algo como Hey Jules, mas preferiu encurtar o cumprimento. Ficou Hey Jude! Quando voltou da casa de Cynthia, foi ao piano e gravou um demo.


- O Paul cuidava de Julian como se fosse um tio. Mas também acho que em algum momento, quando retornava da visita para casa, pensou em compor "Hey John" - contou Lennon à revista Playboy.


O refrão de Hey Jude pede que Julian não carregue o mundo nas costas. Nossa homenagem, a homenagem do Café & Conversa a Hey Jude, single que completa hoje, 42 anos de edição.


Hey Jude

Paul McCartney


Hey Jude don't make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her into your heart
Then you can start to make it better

Hey Jude don't be afraid
You were made to go out and get her
The minute you let her under your skin
Then you begin to make it better

And any time you feel the pain, Hey Jude, refrain
Don't carry the world upon your shoulders
For well you know that it's a fool who plays it cool
By making his world a little colder
Da da da da da
da da da da

Hey Jude don't let me down
You have found her now go and get her
Remember to let her into your heart
Then you can start to make it better

So let it out and let it in
Hey Jude begin
You're waiting for someone to perform with
And don't you know that it's just you
Hey Jude you'll do
The movement you need is on your shoulder

Da da da da da
da da da da Yeah

Hey Jude don't make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her under your skin
Then you'll begin to make it better
Better, better, better, better, better, Yeah,Yeah,Yeah




Arroz com Pequi, Café e Muita Conversa


Ricardo Icassatti Hermano

Meu pai era goiano. Apesar disso, a comida em casa não era muito característica da região. Só de vez em quando comíamos algum prato tipicamente goiano, como empadão de frango, pamonha, gariroba etc.

Especialmente quando íamos a Goiânia visitar meus avós. Aí também comíamos de tudo e eu sempre voltava para casa com um enorme saco de papel pardo cheio de biscoitos de queijo feitos pela minha saudosa avó Arcângela.

Por falar nisso, preciso cobrar da minha prima Sônia e do meu primo Olavim a receita e as fotos desse biscoito de queijo ... anotar na agenda.

Mas, ontem tive uma esplêndida tarde de domingo. Fui ao Fellini Caffè me encontrar com os amigos Romoaldo e Little Mary e finalmente conhecer pessoalmente a recente amiga do Twitter @clarafavilla. Todos jornalistas.

Quiche com salada verde

Pense numa conversa divertida e agradável. Pense em gente inteligente e de bom gosto. Pense num ambiente descontraído, confortável, com boa música e bom atendimento. Foi muito melhor, pois tomamos o café Santo Grão Sul de Minas e ainda devoramos algumas delícias do cardápio.

Brownie com sorvete e calda quente de chocolate

Com todo esse aparato, a conversa só poderia ser muito boa. Falamos de tudo, principalmente da vida, e a política foi o último dos assuntos. Até porque não divergimos muito nessa área. Sinto que esse encontro se repetirá e acabará se tornando uma tradição. E o número de participantes também aumentará.

Spaguetti à Putanesca

Uma boa notícia. No próximo dia 19 de setembro, um domingo, a Fellini Café vai dar início ao seu serviço de café-da-manhã, com cardápio específico. O serviço será disponibilizado apenas aos domingos, a partir das 9h e vai até 13h. Já me tornei freguês.

Agora, vamos ao que interessa. A Trincheira da Resistência traz nova receita cujo ingrediente principal é o arroz. Em homenagem às minhas raízes e pela constante saudade do meu pai, da minha avó e de toda a família Hermano, hoje o prato é tipicamente goiano. Tão típico que só existe nessa região de cerrado, onde se encontra o fruto utilizado nessa receita.

Ainda encontramos muitos pequizeiros espalhados por Brasília

O Pequi é uma árvore nativa do cerrado brasileiro. Seus frutos são consumidos cozidos, com arroz e/ou frango. Além de possuírem aroma e sabor únicos, também são extremamente perigosos para os incautos. A semente tem milhares de espinhos bem finos, que ficam logo abaixo da fina camada de polpa amarela. Em vez de raspar suavemente a polpa com os dentes, os incautos dão logo uma mordida e ficam semanas tirando espinhos da língua e da gengiva.

Tá vendo os espinhos?

Atualmente é possível encontrar em qualquer supermercado a polpa do Pequi em conserva e sem os perigosos espinhos. Isso facilitou muito a vida de um amigo goiano viciado, o jornalista João Domingos, que comprava quilos de Pequi e congelava para garantir seu consumo o ano inteiro. Ele tinha até um freezer apenas para isso.

Mas, vamos à receita da Trincheira da Resistência contra o atraso e o autoritarismo.

Arroz com Pequi

Ingredientes

- 1/4 xícara de óleo de Canola
- 1/2 litro de pequi in natura lavado ou 1 vidro de polpa em conserva
- 2 dentes de alho espremidos
- 1 cebola grande picada
- 2 xícaras de arroz
- 4 xícaras de água fervendo
- Sal a gosto
- Pimenta do Reino
- Salsinha e cebolinha picada

Preparo

Não utilize panela de ferro, pois o pequi ficará preto.

Coloque o óleo numa panela junto com o pequi, o alho e a cebola e refogue em fogo baixo. Mexa constantemente com uma colher de pau. Respingue água se for necessário.

Quando o pequi estiver macio, acrescente o arroz e deixe fritar um pouco. Junte a água fervendo e o sal. Quando o arroz estiver quase pronto, adicione a pimenta do reino ou outra pimenta que prefira.

Na hora de servir, salpique cebolinha e salsinha picada por cima.

Esse prato desperta amor ou ódio, sem meio termo. Eu adoro : )