domingo, 19 de setembro de 2010

A música do Dia - Segue o Seco - Carlinhos Brown


Romoaldo de Souza


Estava atualizando as mensagens no Facebook, quando fui informado que duas amigas trocavam impressões sobre a falta de chuva em Brasília e que alternativas seriam viáveis, agora que estamos há mais de 100 dias sem ver um sereno, sequer.


- Alguém aí saber fazer a dança da chuva?!? Socorro… - apelou Patrícia Mezzaroba, jornalista, nascida em 31 de março, casada, e que tem Chico Xavier como um dos seus ídolos.


É. Porque nesses sites de relacionamento a gente se aproxima das pessoas que se tornam nossas "amigas" com uma facilidade ímpar. Não que eu já seja amigo de Patrícia. Mas essas virtualidades todas nos tornam íntimos até de mais da conta, como se diz no interior de Goiás.


Sei, também, que Patrícia estudou no Uniceub e fez o antigo 2º grau no Colégio Leonardo da Vinci. Tudo aqui em Brasília. Acho que já estive em uma ou outra pauta no Congresso Nacional ou na Esplanada dos Ministérios com Patrícia Mezzaroba. Pela foto… Ela não me é estranha.


- ‎"ô chuva, vem me dizer... se eu fosse lá em cima derramar vc..." - respondeu, assim mesmo, desse jeitinho, Kátia Maia.


Ah, essa Kátia Maia eu conheço. Tem um blog bacana de aventuras, colabora sempre com a Revista 100,9 uma experiência com pitadas acadêmicas que levamos para a Rádio Cultura FM. Durante anos, foi uma das vozes com maior credibilidade na Rádio CBN.


Bom, entre aspas, significa para que tem ética, como Kátia Maia, que essa frase ela sacou de algum escrito. Clama, gente, eu tenho 80 mil música no computador. Não é assim, lembrar, lembra, de onde vem, quem é... Não... ‎"ô chuva, vem me dizer... se eu fosse lá em cima derramar vc..." assim entre essas aspas tinha tudo para ser MPB.


Pronto. Encontrei. A letra é de Carlinhos Brown. Ou cara chato, meu Deus. No jornalismo, o genro de Chico Buarque - Oh, Chico, você também, heim? - esse Carlinhos Brown é o mestre do "nariz de cera". Enche linguiça que é uma beleza. Em vez de ir direto ao assunto. Em vez de cantar logo Segue o Seco, ele passou quase cinco minutos enrolando. Mas cantou. Pelo menos isso. Parou de falar, falar, falar e cantou.


Mas voltando ao diálogo de Kátia Maia com Patrícia Mezzaroba. Só quem mora em Brasília para saber o significado da conversa das meninas. O tempo é quente durante o dia, chegando a 35º. Faz moderado frio na madrugada, uns 13º, 14º. A umidade relativa do ar é que já chegou a 10%, 11%, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda estado de alerta de emergência quando chega a 12º.


Essa recomendação vai ficando no papel. Não vi qualquer providência nem da OMS nem do Ministério da Saúde, Defesa Civil, do Ministério Público. Nem a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que fala de diferentes assuntos, ninguém reclamou da umidade relativa do ar. De concreto, tenho os dois comentários das meninas, aí acima.


Uma heineken gelada, nesse calor infernal que está fazendo em Brasília, heim?!?


Esse chato desse Carlinhos Brown estava se apresentando no festival "Heineken de Música", no Rio de Janeiro. Eu não tomo cerveja, mas só para ficar na indústria holandesa, assim como é a Heineken, acho que com essa secura, cairia bem, um Häagen-Dazs de doce de leite. Quem se habilita?


Hummmm. Esse Häagen-Dazs de cappuccino
pode levar você a cair numa deliciosa gelada

Ah, eu queria colocar um vídeo da Marisa Monte, cantando Segue o Seco, ela é mais, digamos, suportável que Carlinhos Brown, mas não deu. No Youtube o link não está autorizado. Vai esse mesmo.


E, para terminar, tomamos um espresso Santo Grão no Fellini Caffè? Ah, a água com gás é São Lourenço.


Se você não quiser ir de jeep pegue um táxi


Bom domingo! Tomara que chova!



Segue o Seco

Carlinhos Brown


A boiada seca

Na enxurrada seca

A Trovoada seca

Na enxada seca


Segue o seco sem sacar que o caminho é seco

Sem tirar o espinho é seco

Sem tirar que seco é o Ser Sol

Sem tirar que algum espinho seco secar

E a água que sacar será um tiro seco

E secar o seu destino secar


Ó chuva, vem me dizer

Se Posse ir lã em cima prá derramar Você

Ó chuva, preste atenção

Se o povo la de cima vive na solidão


Se acabar não acostumando

Se acabar parado calado

Se acabar baixinho chorando

Se acabar meio abandonado

Pode ser lágrimas de São Pedro

Ou talvez um grande amor chorando

Você pode ser o desabotoada Céu

Pode ser coco derramando




sábado, 18 de setembro de 2010

Arroz a Grega e a Lição de Resistência de 300 Espartanos


Ricardo Icassatti Hermano

Um dos mais famosos casos de resistência da história da humanidade remonta a 480 A.C. Trata-se da Batalha das Termópilas, travada no contexto da II Guerra Médica. No Verão daquele ano, sob o comando do seu rei Leônidas, 300 guerreiros espartanos escolheram morrer como homens livres a viver como escravos.

Lutaram até a morte contra centenas de milhares de soldados do império persa, comandados por Xerxes, filho de Dario. A batalha foi uma aula de estratégia. Antes de serem totalmente aniquilados, os 300 espartanos infligiram pesadas baixas às forças persas e impediram seu avanço pelo território grego.

Esse óleo sobre de tela do pintor Jacques-Louis David
retrata Leônidas e seus soldados nas Termópilas.
Está exposto no Museu do Louvre, em Paris.
Tive o prazer de ver esse quadro ao vivo.

O sacrifício daqueles guerreiros foi decisivo para o resultado final do conflito. Conseguiram atrasar por três preciosos dias o avanço das tropas persas, permitindo a salvação de Atenas e da nascente civilização ocidental. A luta dos 300 espartanos se tornou lenda.

Quem legou o relato dessa batalha ao mundo foi o historiador Heródoto de Halicarnasso (485 - 420 A.C.), em sua obra "As Histórias de Heródoto". Essa obra foi reconhecida como uma nova forma de literatura pouco depois de ser publicada.

Busto de Heródoto, também conhecido como "Pai da História"

Ele nos conta que Xerxes buscava vingar a derrota anterior do seu pai para os gregos. Preparou cuidadosamente o plano de invasão da Grécia, utilizando tropas terrestres e força naval. Mas, 31 cidades-estado gregas deixaram de lado suas desavenças e se uniram para combater os persas, o inimigo comum. Dentre elas estava Esparta, que não havia participado da guerra contra o imperador Dario.

Foi formada uma Liga, cujo comando foi entregue ao rei Leônidas, que governava Esparta. Os espartanos eram soldados profissionais, condicionados desde o berço para a vida militar e para o combate.

Após invadir e dominar a Macedônia, a Calcídica e a Tessália, as tropas persas marcharam para o centro da Grécia, até encontrar aqueles 300 espartanos casca grossa nas Termópilas. Aí os persas (atualmente iranianos) viram a coisa ficar feia para o lado deles. O pau comeu. Como vocês podem ver, os conflitos entre Oriente e Ocidente são bem anteriores às Cruzadas.

As Termópilas são um desfiladeiro localizado bem no centro da Grécia, encravado entre as cadeias montanhosas do Eta e do Calídromo e o Golfo de Mália. Seu nome se deve à existência de fontes sulfurosas em seu interior. O estreito tinha apenas 10 metros de largura e consistia de uma simples faixa de areia entre o mar e a parede maciça do desfiladeiro.

Os espartanos eram phoda ...

Estrategicamente falando, os espartanos estavam em uma posição vantajosa, pois mesmo tendo 200 mil soldados, as forças persas teriam que se afunilar na faixa de 10 metros para passar pelo desfiladeiro. Os 300 espartanos eram mais que suficientes para defender a passagem, além de serem guerreiros muito superiores aos soldados persas.

Essa história de resistência definiu o que é o Ocidente hoje e atravessou o tempo. É um exemplo de inteligência, de estratégia, de heroísmo, de coragem, de honra, de sacrifício e de resistência. Um exemplo a ser seguido por todo aquele que ama a liberdade e não admite ser subjugado por quem quer que seja. Muito menos por projeto de ditadorzinho vagabundo.

Os 300 de Esparta foram retratados por Frank Miller em uma HQ simplesmente fantástica, espetacular e imprescindível. Depois, essa HQ serviu de base para um filme muito bom, de muito sucesso, e que teve a participação do ator brasileiro Rodrigo Santoro, interpretando o imperador persa Xerxes. O governo iraniano até ensaiou um protesto pelo antigo imperador ter sido retratado de maneira, digamos, meio bichona.

Isso não é um gibi. É uma obra de arte!

Depois dessa impressionante história, a Trincheira da Resistência não poderia trazer hoje outra receita que não fosse essa. Sempre utilizando o arroz como ingrediente principal, é claro. Aqui, somos fãs de carteirinha dos 300 espartanos.

Arroz a Grega
8 porções

Ingredientes

- 2 copos de arroz lavado e escorrido
- 
2 colheres sopa de óleo de Canola
- 
1 dente de alho amassado
- 
6 copos de água fervente
- Sal
- 
2 cenouras cozidas e cortadas em cubos pequenos
- 
2 colheres sopa de ervilha
- 
1/2 pimentão vermelho picado em cubos pequenos

Preparo

Em uma panela, refogue o arroz no óleo, juntamente com o alho, por 3 minutos. Cubra o arroz com a água fervente, acrescente o sal e deixe cozinhando.

Depois de cozido, acrescente a cenoura, a ervilha e o pimentão. Misture delicadamente e sirva.

Quem nunca comeu esse clássico levanta a mão!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A música do Dia - Cajun - Carencro (Louisiana)


Romoaldo de Souza


Cansado de ouvir a mesma batida de sempre? O velho brazilian groove que vai da batida do violão, eternizada por João Gilberto, quando o rio São Francisco ainda era um riacho, lá para as bandas de Juazeiro (BA), ao inteligente movimento da marcação do surdo no pagode de letras duvidosas e cerveja quente?


Hoje, abri minha "caixa de pandora" musical, joguei fora, dando um "delete definito" nesses ritmos que só ocupam espaço no meu possante drive externo, exclusivamente para guardar música, e "desenterrei" o Cajun. Calma revisor. É assim, mesmo. Cajun com "ene" no final e a pronúncia é como está escrito. Isso aqui não é curso de inglês do CCAA, não. É Cajun, mesmo. É. Conversei com uma amiga de cursinho de inglês e ela teimou comigo que o correto seria "keijun". É de rir!


E antes de mais nada, parte deste texto que os meus animados leitores do Café & Conversa vão ler hoje, está numa pesquisa que fiz para o quadro Música do Mundo, apresentado semanalmente, na Revista 100,9 na Rádio Cultura FM, de Brasilia. O programa vai ao ar às sextas-feiras, das cinco da tarde às sete da noite.


Chega de "nariz de cera". Nossa, nariz de cera é da época que estudante de jornalista ia à faculdade para ser jornalista. Hoje, muitos querem passar em concurso. Aí danou-se tudo.


Bom, mas na história da humanidade, grandes migrações são também sinônimos de fusões musicais marcantes, como foi o blues levado da África para as plantações de algodão nos Estados Unidos ou como é o Zydeco, levado pelos franceses para a região de Toronto, no Canadá.


E assim foi também com o Cajun, quando os Acadianos foram expulsos do Canadá, no final do século 18 e se enraizaram na Louisiana, no Sul dos Estados Unidos, carregando os costumes da culinária e não esquecendo o estilo musical que corre na veia daquele povo.


O Cajun preserva os sons da rabeca, uma forma rústica do violino; o acordeón, também conhecido como sanfona; a guitarra metálica; o triângulo, destinado a realçar o contratempo da música; a gaita; o bandolim e o tradicional banjo.


Fale a verdade; quem mora numa cidadezinha bucólica
como essa Carencro, na Luisiana, precisa mesmo fazer um
casamento camuflado? Ou melhor, ainda, precisa mesmo se casar?

Nesse vídeo, os moradores da cidadezinha de Carencro, na Louisiana, celebram um casamento bem camuflado. Eu acho que todo casamento deveria ser assim, camuflado. Se não desse certo seria mais fácil descasar. Mas não, as pessoas fazem uma festa, gastam um dinheiro danado e antes mesmo de acabar de pagar as contas o casamento já está por um fio (de cabelo, no paletó dele ou na saia plissada que ocasionalmente ela veste).


A música dessa animada festa é um tradicional Cajun. Divirta-se que eu vou passar mais um Santo Grão, Sul de Minas. Sim, um Santo Grão. Meu estoque de Bourbom Vermelho acabou quando terminou o Rally Internacional dos Sertões.




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pudim de Arroz Arbóreo com Mel e Laranja e a 2ª Reunião da Trincheira da Resistência no Bunker de Clara


Ricardo Icassatti Hermano

A Trincheira da Resistência fez sua segunda reunião extraordinária na noite de ontem. O local previamente acertado foi o bunker da jornalista Clara Favilla, uma casa belíssima e tremendamente aconchegante. Marcaram presença as beldades Leda Flora, Leda Berlim, Candida Bittencourt e Little Mary, além da anfitriã, é claro.

Foi uma noite de aprendizado para mim. Aprendi com a Leda Flora um molho novo, simples e saboroso para pasta, como recomenda a boa gastronomia. Excesso de ingredientes não resultam obrigatoriamente em um bom prato. Junte e bata num liquidificador, suco de limão, azeite, salsa, cebolinha, sal e umas raspadas de Noz Moscada. Cozinhe a pasta al dente - no nosso caso foi penne - e misture com o molho. Pronto!

Vocês não imaginam como essa pasta ficou boa : )

Mas, a cozinha de Clara Favilla se assemelha muito em alguns pontos com a cozinha de Little Mary. As duas chamam suas facas pelos nomes de Ray Charles e Stevie Wonder. Como se vê, entendem tudo sobre afazeres domésticos. Utensílios básicos, como um espremedor de laranja e limão, simplesmente inexistem. E aí eu entrei pelo cano. Único homem na casa, fui obrigado a arregaçar as mangas e fazer as vezes de espremedor ...

No longo bate papo que adentrou a madrugada, aprendi com as meninas que as fontes de informação podem ser aquelas que a gente menos espera e conversamos bastante sobre as eleições e os descalabros dos últimos dias. Dentre eles a revelação do real projeto de poder do PT, pelo nefasto chefe de quadrilha José Dirceu. Leia no link abaixo a íntegra da palestra que o trevoso deu ontem (14) a sindicalistas em Salvador.


Analisamos o cenário político e me atrevi a prever que o Lula havia dado um tiro no pé ao pregar, a extirpação do partido Democratas (DEM). Dias antes, havia debatido com o colega jornalista e amigo de longa data Eli Peixeira, justamente sobre a extinção natural de alguns partidos. O futuro aponta para a existência de apenas dois grandes partidos e alguns pequenos tradicionais renitentes, que não morrerão tão cedo, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Assim como as empresas, que para não desaparecer se fundem, os partidos não são diferentes.

Ao ir à casa do adversário, ofendê-lo e pregar a sua morte, Lula deu sobrevida ao DEM. Os catarinenses, por mais que possam não gostar do DEM - e não é o caso, pois o candidato Raimundo Colombo está liderando folgado a disputa -, não aceitarão jamais que um "forasteiro" destrate um dos seus daquela maneira. Com isso, acabou de afundar também a candidatura do seu partido, a ainda senadora Ideli Salvatti. Registre-se que ela não saiu em defesa dos seus conterrâneos.

A isso, o falecido coronel Antonio Carlos Magalhães, popularmente conhecido como ACM, chamava de "baianidade". Para ele, essa "baianidade" estava acima de qualquer disputa política e qualquer ataque a um baiano era ferozmente revidado por ACM. Por isso, ele convivia harmoniosamente com todas as colorações partidárias baianas. Acredito que o povo catarinense entende esse sentimento também.

Como eu disse às meninas, Lula estava há tempos chamando todo mundo pra porrada e esticando a cordinha. Uma hora alguém iria se cansar de tanta "valentia" e toparia a briga. Quem fala o que quer, ouve o que não quer, já diz o ditado popular. E Lula acabou ouvindo o conselho de evitar o consumo - sempre exagerado - de bebidas alcoólicas antes de subir nos palanques ... Nada melhor para garantir a sobrevivência de um partido do que uma boa briga, porque aglutina, emociona, envolve, motiva.

Além da pasta, que abriu os trabalhos da noite, a metida Clara Favilla exibiu sua musculatura culinária oferecendo aos convivas uma Paella maravilhosa. E a noite correu suave com o vinho que corria generosamente. Foi uma noite memorável e serviu como um "até logo" a Clara Favilla, que sai de cena por breves três meses. Vai rever sua querida Itália junto com a amada filha e leva na mochila a caneca personalizada do Café & Conversa.

Clara garante que passou a tarde inteira preparando essa delícia ...

Há meses venho alertando para as nuvens negras no horizonte. A coisa não melhorou desde então e a situação chegou a tal ponto que foi preciso criar a Trincheira da Resistência. Vamos decidir muito mais que uns cargos nas próximas eleições. Vamos decidir sobre a liberdade que conquistamos com sangue, suor e lágrimas.

Deveríamos ter museus que mostrassem a história recente, a ditadura e a atuação dos atuais "políticos" naquela época. Esses museus deveriam reproduzir as prisões e salas de tortura para que os jovens profissionais de hoje entendam o que é não ter liberdade para valorizá-la. O maior crime da sociedade brasileira foi não manter viva essa memória.

Dito isso, vamos a mais uma receita com arroz, o ingrediente da Resistência.

Pudim de Arroz Arbóreo com Mel e Laranja
4 porções

Ingredientes

- 1/2 xícara de arroz arbóreo
- 3 xícaras de leite
- Cascas de duas laranjas cortadas em uma longa fita
- 1 xícara de creme de leite
- 1/4 xícara de açúcar
- 1/4 xícara de mel
- 1 ovo grande
- 1 gema de ovo
- 1/2 colher chá de extrato de baunilha
- 1/4 colher chá de sal

Preparo

Em banho-maria, misture 2 1/2 xícaras de leite, o arroz e a casca de uma laranja. Tampe o vasilhame que estiver utilizando e deixe cozinhar por 50-60 minutos, mexendo ocasionalmente, até que o arroz esteja macio e a maioria do líquido tenha sido absorvida. Retire a casca de laranja e reserve o arroz.

Bata o açúcar, o mel, o ovo e a gema. Reserve

Numa panela pequena de molho, aqueça o creme de leite com a 1/2 xícara de leite restante e a casca da outra laranja, até o início da fervura. Adicione lentamente essa mistura de leite à mistura de açúcar mel e ovos, misturando sempre.

Retorne a mistura à panela de molho e, em fogo MÉDIO, cozinhe mexendo sempre até que engrosse (deixa uma camada nas costas da colher). Retire e imediatamente junte ao arroz. Descarte a casca de laranja. Adicione o extrato de baunilha e o sal e misture bem.

Deixe esfriar e leve à geladeira em vasilhame fechado. Antes de servir, decore com geleia, cascas de laranja confit e/ou castanhas moídas.

Nóis é pobre, mas não é de espírito ...

sábado, 11 de setembro de 2010

A música do Dia - Jeff Bridges - The Weary Kind


Romoaldo de Souza


Pegue um cantor de música country no apogeu da decadência, adicione mais uma dose álcool, misture alta velocidade, a dor de cotovelo e uma complicada paixão pela jornalista Jean Craddock (Maggie Gyllenhaal) recém saída da Universidade e de um relacionamento além de um filho para criar.


Agora, imagine um homem de meia idade, solitário, padecendo da praga judaico-cristã que é essa desenfreada comiseração. Entre umas e outras, Jeff Bridges sabe, como ninguém, prender o espectador a cada trama que desempenha. Atar talvez fosse a palavra correta para expressar o resultado da performance de Bridges, vivendo Bad Blake. O ator nos ata aos dramas, às espeluncas em que Bad Black canta, muitas vezes por um trago.


Estou falando de Coração Louco (Crazy Heart) filme que deu a Jeff Bridges o Oscar de Melhor Ator. "The Weary Kind", composição de Ryan Bingham, cuja letra diz "Seu corpo dói...Tocando guitarra e eliminando o ódio no suor. Os dias e as noites parecem todos iguais".



O diretor Scott Cooper soube, com maestria, mesclar personagens fictícios com elementos da vida real de três marcantes cantores de country, Kris Kristofferson, Merle Haggard e Waylon Jennings. O resultado é Bad Blake. Perfeito para este domingo. Divirtam-se!


The Weary Kind

Ryan Bingham e T Bone Burnett


Your heart's on the loose

You rolled them seven's with nothing lose

And this ain't no place for the weary kind

You called all your shots

Shooting 8 ball at the corner truck stop

Somehow this don't feel like home anymore

And this ain't no place for the weary kind

And this ain't no place to lose your mind

And this ain't no place to fall behind

Pick up your crazy heart and give it one more try

Your body aches'

Playing your guitar and sweating out the hate

The days and the nights all feel the same

Whiskey has been a thorn in your side

and it doesn't forget

the highway that calls for your heart inside

And this ain't no place for the weary kind

And this ain't no place to lose your mind

And this ain't no place to fall behind

Pick up your crazy heart and give it one more try

Your lovers won't kiss'

It's too damn far from your fingertips

You are the man that ruined her world

Your heart's on the loose

You rolled them seven's with nothing lose


And this ain't no place for the weary kind




sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Arroz de Gariroba e a Maior História de Resistência


Ricardo Icassatti Hermano

Dei muito trabalho ao meu pai. De um garoto tímido na infância passei a adolescente "rebelde" e doido para cuidar da minha vida. Desde os 14 anos de idade, já queria trabalhar, ganhar a minha grana e sair de casa. Meu pai, em sua infinita paciência, me convencia a continuar estudando.

Eu queria conhecer o mundo, queria navegar por todos os oceanos como um pirata, sem compromisso e sem patrão. Fazer o que me desse na cabeça. O que eventualmente acabei fazendo.

Com toda a minha falta de experiência, quebrei a cara muitas vezes, dei algum prejuízo material, fui preso algumas vezes e expulso de duas escolas. Meu pai apenas ria muito de tudo. Até mesmo quando tinha que me levar ao Pronto-Socorro.

Ele sabia que aquilo era parte da minha caminhada na vida. Embora não soubesse demonstrar carinho ou sequer falar sobre o amor que sentia pelos filhos, meu pai jamais me deixou na mão. Sempre que precisei dele, até nos momentos em que dei todos os motivos para que não o fizesse, ele me ajudou. Era o seu jeito de dizer que me amava.

Meu pai se chamava Manoel Hermano. Simples assim. Um nome e um sobrenome, nada mais. Mas, na família era conhecido pelo apelido de Manduquinha, diminutivo de Manduca, apelido do meu avô, pai do meu pai. Meu avô era um homem do tipo que não mais existe. Era um negro duro como pau-ferro, severo - só o vi sorrir uma vez - e elegante como um artista de cinema.

Tenho poucas lembranças dele. Eu era muito pequeno, mas ficaram umas imagens. Certa vez, estávamos meu irmão e eu na porta da casa dos meus avós em Goiânia. Meu tio Tinim (diminutivo de Modestino) dava voltas na rua conosco em sua Lambreta. Talvez venha daí a nossa paixão por motocicletas.

Era um final de tarde quente, num domingo. Meu avô estava saindo de casa para ir a uma reunião da Maçonaria. Vestia terno branco de linho, chapéu Panamá, um guarda-chuva pendurado no braço esquerdo. Ele parou no portão e ajeitou o paletó. Foi quando vislumbrei o revólver calibre .32 na cintura. Para mim, era como ver o Super Homem.

Mesmo assim meu pai me contou que quando me conheceu, ainda bebê, meu avô fez algo que espantou a família: passou minhas fraldas. Décadas depois, era eu passando as fraldas dos meus filhos nas madrugadas após a faculdade.

Meu pai era parecido comigo em algumas coisas. Ele mesmo abandonou Goiânia ainda bem jovem e se mandou para o Rio de Janeiro para se tornar um artista. Pintava quadros e queria cursar a Escola de Belas Artes. Logo tomou um choque de realidade. Aquilo não era para um sujeito pobre como ele, que precisava trabalhar para sobreviver.

Estudou desenho técnico, veio para Brasília e se formou arquiteto na primeira turma da UnB. Teve a sorte de ter Darcy Ribeiro como reitor, aulas ao ar livre e como paraninfo da turma o arquiteto Oscar Niemeyer. Mas, também amargou o golpe militar de 1964 e seus desdobramentos. Generoso, abrigou um professor russo de matemática lá em casa por uns dias. O professor em fuga estava sendo procurado pela polícia.

Nossa casa, na verdade um apartamento de três quartos, abrigou boa parte dos primos que vieram de Goiânia para estudar na UnB. Tive uma infância muito divertida, porque convivia com primos mais velhos. Acho que era a única criança que sabia o que estava acontecendo na política e na música durante os anos 1960. Aprendi logo a namorar, fumar e beber. Larguei o cigarro quando meu primeiro filho nasceu. Bebo pouquíssimo, mas continuo namorando : )

Esse era o meu pai, o Manduquinha. As saudades são gigantescas. Hoje, compreendo coisas que ele me disse, coisas que ele fez e não fez. Sei porque. como, onde e quando. Estou passando por momentos semelhantes com meu filhos. Mas, como tudo evolui, faço questão de demonstrar meu amor por eles. Tenho certeza que isso não será nem uma preocupação deles com os meus netos. Será apenas natural.

Eu gostaria de ter meu pai ainda. Gostaria de conversar calmamente com ele, relembrarmos as minhas cagadas e rirmos juntos. Gostaria de pedir conselhos e saber sua opinião sobre vários temas. Gostaria de vê-lo retomando a pintura e convivendo com os netos. Infelizmente, não posso.

O que posso fazer é praticar as lições de vida que me deixou. Especialmente aquelas relacionadas à resistência. Para me criar, meu pai teve que ser muito resistente. E essa é a maior história de resistência que conheço. A história do meu pai.

A receita de hoje é de um prato típico da cozinha goiana que ele adorava. Eu não gostava muito de um dos ingredientes, mas com o tempo acabei gostando. Esse ingrediente é um palmito retirado da palmeira chamada Gariroba, muito apreciado no Centro Oeste e Sudeste. Tem sabor bem amargo e está presente em vários pratos diferentes da culinária goiana.

Na receita de hoje, a Gariroba acompanha o ingrediente que nos acompanhará até dia da eleição e simboliza a Trincheira da Resistência contra o autoritarismo, a censura e a corrupção. Vamos a ela então.

Arroz de Gariroba

Ingredientes
- 4 colheres sopa de manteiga

- 1 colher chá de vinagre

- 4 xícaras de água quente

- 2 xícaras de arroz
- 
400 gramas de gariroba cortado em pedaços pequenos

- Salsinha e cebolinha picada para polvilhar
- 
1 cebola pequena bem picadinha

- 1 pimenta de cheiro picadinha

- Pimenta do reino a gosto

- 2 dentes de alho picados

- 2 cebolas médias picadas

- Sal a gosto

Preparo

Numa panela, derreter a manteiga, acrescentar o alho e a cebola e deixar refogar em fogo baixo, mexendo de vez em quando. Adicionar a Gariroba e refogar por uns 5 minutos, mexendo sempre com uma colher de pau.

Acrescentar o arroz, fritar um pouco, e juntar água. Tampar a panela e deixar cozinhar. Antes de apagar o fogo, colocar pimenta de cheiro, e, na hora de servir, acrescentar e misturar cebolinha, salsinha, pimenta do reino, a cebola e o vinagre.

Se a Gariroba estiver em conserva, usar diretamente. Se for 'in natura', aferventar por uns 50 minutos trocando a água para não ficar tão amarga. Se desejar, adicionar um pouco de suco de limão.

Esse arroz acompanha bem as carnes.

Essa é a famosa Gariroba