segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Solomon Burke (1940 - 2010)


Ricardo Icassatti Hermano

Ontem, na Holanda, morreu aos 70 anos de idade o compositor e cantor americano Solomon Burke. Um dia especialmente triste para mim. Sou um fã declarado da música negra americana. Gosto de tudo, desde o puro e santo Gospel das igrejas até a pecaminosa Soul Music.

A música exerce um papel importante e provoca reações inspiradoras em mim. Embala os momentos bons e conforta nos momentos ruins. Dá significado, luz e cor às amizades, aos amores, ao trabalho, à vida, à luta. Burke era um dos meus favoritos e chorei copiosamente quando vi a notícia da sua morte na televisão. Agora mesmo, enquanto escrevo este post, não consigo evitar as lágrimas.

Não sei se é assim com todo mundo, mas a minha vida tem uma trilha sonora. Assim como num filme, todos os momentos importantes da minha vida são marcados por músicas. Quase todas desse filão da chamada Black Music, entronizada pela lendária gravadora Motown.

Burke é genial e suas músicas marcam bons momentos da minha vida

A Soul Music, como o Blues, o Jazz, o R&B, e toda a música negra americana, abriga os estilos romântico e o dançante de festa. Um leque de emoções que os negros americanos conseguiram magistralmente traduzir em música, mas com um diferencial: sempre trazem uma mensagem de esperança. Solomon Burke era um mestre do romântico e da esperança. Sua inspiração, como para todos os demais, eram as músicas Gospel.

Natural da Philadelphia, Burke viu vários desses estilos nascerem, incluindo o Rock'n Roll e o R&B. Criou o seu próprio e por isso era considerado um pioneiro. Dentre os vários apelidos artísticos que ganhou, era chamado de The King of the Rock'n Soul. Começou a vida como pastor, mas sendo dono de uma voz poderosa, logo passou a comandar um show de rádio gospel.

Como todo Rei que se preza, Burke cantava sentado num trono

Dali foi um pulo para a carreira artística. Nos anos 1960 e aconselhado por ninguém menos que Little Richard, o pastor assinou contrato com a Atlantic Records, onde gravou seu primeiro sucesso, o cover de uma música country chamada Just Out of Reach. Daí em diante, é história. Ganhou os seus dois Grammy Awards e foi incluído em 2001 no Rock and Roll Hall of Fame.

Burke e um dos seus Grammy Awards

Solomon Burke era um gigante da música e vai fazer muita falta ... especialmente para mim. Fiquem com uma das mais belas músicas dele, A Change Is Gonna Come (Uma Mudança Está a Caminho). Por que no dia 31 de outubro, o Brasil poderá decidir entre ter um futuro ou viver no atraso. Poderá decidir se a mudança virá ou não.



sábado, 9 de outubro de 2010

Terremotos, Sermões, Café, Boxe, Filé e Molho de Mostarda


Ricardo Icassatti Hermano

A sexta-feira em Brasília foi cheia de emoções fortes. Primeiro, desde terça-feira estávamos sem o nosso café de todo dia, o Santo Grão Sul de Minas. Alguém pisou na bola, torrou demais os grãos e deixou o país inteiro sem café. Foi difícil acalmar os colegas da firma que já estão definitivamente viciados em bons cafés. Quem mandou ensinar ...

Mas, Romoaldo e eu também sofremos com a falta do café. Felizmente, ele ainda tinha uma dose que matamos na quinta-feira. Mesmo assim, a revolta foi tão grande entre os viciados que apareceu até um terremoto, provocando pânico na cidade. Pelas reações, tudo indica que algumas mulheres sem coração não têm a capacidade de sentir tremores de terra. Mulheres insensíveis.

Felizmente, hoje a Moema da Fellini Caffè me ligou dando a boa notícia: "O seu Sul de Minas chegou. Pode vir buscar". Foi como ver o sol nascer. Respirei aliviado e, assim que abandonei a firma, corri para a Fellini, peguei meio quilo do pó (êpa) e aproveitei para tirar o atraso (ôpa) degustando um cappuccino no capricho. Faz um bem danado à alma : )

Para alimentar lutadores é preciso carboidrato e muita proteína. Então nossa receita de hoje tem que levar os dois ingredientes. Vamos à luta!

Medalhão de Filé Mignon Grelhado ao Molho de Mostarda
3 porções

Ingredientes

- 600 g de Filé Mignon cortado em 3 medalhões
- Sal a gosto
- Pimenta do reino à gosto
- 50 ml de Azeite de oliva

Ingredientes para o molho

- 100 g de Manteiga
- 60 g de Farinha de trigo
- 600 ml de Leite fervido
- 50 g de Mostarda em pasta
- 10 g de Mostarda em grãos
- 50 ml de Creme de leite fresco
- Sal a gosto


Preparo

Limpe o filé e corte em medalhões, tempere com sal e pimenta. Grelhe e reserve.

Faça o molho bechamel. Em fogo brando, derreta a manteiga em uma panela e polvilhe com a farinha de trigo. Deixe cozinhar sem adquirir cor até aparecer na superfície uma espuma esbranquiçada e o preparado desagregar-se. Tire a panela do fogo e adicione pouco a pouco o leite, mexendo sem parar com um fouet (batedor de arame) até que os ingredientes estejam completamente incorporados.

Coloque o sal e retorne ao fogo BAIXO, sem parar de mexer, por mais 10 minutos ou até obter um creme. Retire do fogo e junte a mostarda em pasta e a de grãos. Corrija o sal sirva sobre o medalhão. Acompanha risotto ou batatas de forno.

Não tenha medo de afrescalhar o seu medalhão

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Filme do Dia - Pantaleão e as Visitadoras


Romoaldo de Souza

O coronel Pantoja (Salvador Del Solar) ficou surpreso quando recebeu ordens superiores para cumprir intrigante missão na Amazônia peruana.


- Por que eu, meu Deus. Bom pai, exemplar marido. Nunca traí minha mulher. Nunca me deitei com outra. Por que Senhor? - murmurou o oficial.


Sentado à mesa de seu escritório, dentro da caserna, Pantaleão agarra-se às imagens da adolescência, quando viu uma mulher nua pela primeira.


- Marido fiel, mas o dever me chama - pensou Pantaleão.


A partir dessa tomada de decisão, o capitão peruano começa a relacionar um grupo de prostitutas,as tais "visitadoras", que viajarão a bordo de um barco pela floresta amazônica, serpenteada por rios e igarapés, encarregadas de saciar os mais inusitados desejos de soldados há meses sem ver uma mulher. A não ser na imaginação.


A rigidez moral de Pantaleão, aos poucos vai se esvaindo em desejos ensandecidos, a partir do momento em que o oficial conhece a estonteante Colombiana (Angie Cepeda). Agora, não é mais o casamento do capitão que está em jogo.


Bom, mais que isso, leia Mário Vargas Llosa que ganhou nesta quinta-feira (7), o Nobel de Literatura. O escritor peruano é o autor, dentre outros livros, de Pantaleão e as Visitadoras.


PS: confesso que estou com problemas no meu drive externo, onde ficam minhas músicas raras. Não encontrei a trilha sonora desse filme. Vou postar trailer enquanto aceito sugestões.


Aqui, o escritor Mario Vargas Llosa, fala de sua brilhante obra, Pantaleón y las Visitadoras.





Cartaz do filme

Aqui, os mais deliciantes 20 minutos dos soldados peruanos.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Janis Joplin nos deixou há 40 anos


Romoaldo de Souza e Ricardo Icassatti Hermano

Hoje faz 40 anos que a cantora e compositora americana Janis Joplin nos deixou. Foi vítima de si mesma. Uma overdose de heroína calou uma das vozes mais sensacionais que já passaram pelo mundo do rock'n roll e do blues. Cresceu cantando spirituals no coro da igreja e aprendendo tudo sobre o blues.

Garota genial e atormentada

No final dos anos 1960, começou a carreira artística como vocalista da banda Big Brother and The Holding Company. Em seguida, partiu para a carreira solo e fez um sucesso literalmente estrondoso.

Início de carreira

Nessa época, eu estava entrando na pré-adolescência. Gostava do visual dos hippies e das músicas de Jimy Hendrix, Janis Joplin, Mamas and the Papas, Joe Coker, Rolling Stones, The Beatles ... Também me vestia de acordo : ) Minha irmã foi para os EUA num desses intercâmbios estudantis e a única coisa que lhe pedi foi um álbum duplo da Janis Joplin, aquele com a foto do rosto dela. Tenho o tesouro até hoje.

Esse álbum é uma obra de arte

Das músicas desse álbum, me apaixonei de cara pela Mercedes Benz, que ela canta a capela. Janis deve ter cantado essa no estúdio só de onda, para se divertir. Ainda bem que alguém gravou e acabou sendo colocada no álbum. Aqui, ela mostra domínio completo da voz, do ritmo, sem o menor esforço. É a música do vídeo abaixo.

Infelizmente, Janis tinha sérios problemas pessoais e encontrava seus momentos de paz ou de inferno na bebida e nas drogas. Chegou ao ponto de as drogas serem mais importantes para ela do que sua arte. Uma declaração dela indicava que ela tinha consciência do preço a pagar por viver sempre no limite.

"Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã".

Tentando se livrar do vício em heroína, a cantora esteve no Brasil em 1970. Aprontou um bocado. Fez topless em Copacabana, cantou em um bordel, bebeu pra cacete, quase foi presa e foi expulsa do hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina. Uma genuína Rocknrolla.

Morreu com apenas 27 anos ... hoje vou ouvir aquele álbum duplo.

Mas, o Café & Conversa gosta das mulheres. De qualquer jeito, formato, cor e procedência. Assim, gostamos da Janis Joplin do que jeito que era e, para falar sobre a alma dela, convidamos a escritora paulista Heleny Galati, que nos enviou o seguinte texto.

Heleny Galati

Todo mundo tem algo de rebelde e suicida. Certamente todos passam por momentos em que, mesmo que por alguns segundos, desejam quebrar com a ordem comum ou então sair desse mundo para outro lugar.

Mulher, nascida na década de 1940, no Texas, Estados Unidos, certamente tinha tudo para se acomodar no papel que as mulheres tinham por ali. Que nada. Ela escolheu o caminho da rebeldia, uma rebeldia que parece ter sido marcada em sua alma ao nascer.

Desde seu modo de vestir até a forma como cantava, traduziam a insatisfação com tudo à sua volta. Um desejo inebriante de ter um espaço apenas seu, onde pudesse ser livre e criar.

Entretanto, nem sempre isso é fácil. Encontrar compreensão e apoio sempre foi complicado a todos. Para as mulheres que se arriscam a transgredir, quase impossível. Seja o que for que a levou a procurar abrigo e apoio nas drogas, isso não é relevante, afinal é pessoal. O que nos supreende é sua capacidade de transportar para a música toda a dor, perda e infelicidade que sentia.

Janis Joplin morreu jovem. Mas sua juventude era apenas biológica. Seu sofrimento, suas angústias e sua música marcada por frustrações e dores, mostravam uma mulher mais madura, vivida e sofrida do que uma jovem de 27 anos. Isso podia ser visto em seus olhos, na postura dura e acima de tudo nos sons que suas cordas vocais privilegiadas produziam.



sábado, 2 de outubro de 2010

Chovendo na Roseira - Japanese Bossa Nova


Romoaldo de Souza


Estava aqui, lendo uma pesquisa que aponta 14% dos jovens já tendo experimentado "algum tipo de droga". Acho que a pesquisa, para ser completa, deveria dizer quantos desses 14% votaram alguma vez na vida. Certamente o percentual passaria para outro patamar.


Mas não quero destilar meu ensandecido veneno contra os jovens que já votaram. Eu já fiz isso, em outras épocas. Tenho até receio de dizer que não votarei nessas eleições. Sim, pode imaginar, com a obrigatoriedade do voto, que torna mais de 135 milhões de cidadãos em carneirinhos de segunda cria, dizer que não votarei pode significar um crime. E do jeito que os valores estão invertidos nesse país, é bem provável que eu vá em cana antes dos que são votados e fazem do mandato uma missão quase messiânica em favor dos próprios interesses.


Ih, nem sei porque deixei escapar isso. Escrever dois parágrafos para um assunto que não move um cílio sequer no meu rosto já é até demais. O que eu quero falar é que depois de 129 dias, finalmente choveu em Brasília. Ainda não foi aquele toró, mas uma chuvinha aconchegante, que lembra um dos raros poemas da MPB dignos de suspiros. Chovendo na Roseira. Tinha de ser Tom Jobim, nosso verdadeiro poeta, para escrever "…O...lha, que chuva boa, prazenteira". Que chuva que traz prazer!!!


Outro dia estava conversando com o amigo Geraldo Freire, certamente um dos maiores comunicadores de rádio do país. Estávamos falando da época de seca em Brasília. Só quem vive em Brasília para saber como a gente conta os dias sem chuva.


Como não tem uma maneira de fazer contagem regressiva, vão se acumulando os números. A quantidade de dias é somada com a ênfase de quem espera o primeiro botão da rosa. "Pétalas de rosa carregadas pelo vento". Entendeu porque a gente fica tão esquisito aqui em Brasília quando está esperando a chuva?


Foi aí que me vieram em mente esses versos do Tom Jobim. E acabei por me lembrar de uma show que vi anos atrás com o Japanese Bossa Nova. É. No Japão, sabe-se muito sobre a Bossa Nova, que não é assim uma criação, mas musicalmente falando, é um gênero musical de fazer inveja em muitos movimentos culturais que vão e voltam ao sabor da ventania mercadológica.


Bom, chega, não é gente!


Bom domingo a todos. A gente se encontra! Se você está entre os que votam. Vote. De preferência no menos pior.


Chovendo na Roseira

Tom Jobim


Olha está chovendo na roseira
Que só dá rosa mas não cheira
A frescura das gotas úmidas
Que é de Luisa
Que é de Paulinho
Que é de João
Que é de ninguém

Pétalas de rosa carregadas pelo vento
Um amor tão puro carregou meu pensamento

Olha um tico-tico mora ao lado
E passeando no molhado
Adivinhou a primavera

Olha que chuva boa prazenteira
Que vem molhar minha roseira
Chuva boa criadeira
Que molha a terra
Que enche o rio
Que limpa o céu
Que trás o azul

Olha o jasmineiro está florido
E o riachinho de água esperta
Se lança em vasto rio de águas calmas

Ah, você é de ninguém
Ah, você é de ninguém



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Wall Street: Money Never Sleeps


Ricardo Icassatti Hermano

Fim de semana quente e desconfortável. Nada melhor que um cinema com ar-condicionado num shopping com ar-condicionado e uma boa cafeteria. Assim, após uma breve débâcle política no Twitter, despenquei para o novo shopping local, o Iguatemi no Lago Norte. Muita gente passeando e ninguém comprando. Com a honrosa e feliz exceção da Livraria Cultura. Bom sinal.

Assisti a continuação do icônico Wall Street de 1987. Dirigido também por Oliver Stone, o novo filme se chama Wall Street: Money Never Sleeps. Fato inegável é que a história perdeu força, mesmo com a crise econômica americana. Até porque o ganancioso Gordon Gekko não é um participante ativo da crise. Ele apenas tira um pouco de proveito. Michael Douglas está à vontade no papel.

Cartaz do filme

Segundo a visão de Oliver Stone, a prisão tem um efeito curativo em sociopatas. Depois de amargar uns anos em cana, Gekko volta quase uma moça recatada. Para não deixá-lo com fama de bunda-mole, ele meio que rouba um dinheiro que ele havia escondido na Suíça para a filha, que não queria mesmo essa grana. Mas, a filha havia prometido financiá-lo quando saísse da prisão. Daí o irmão viciado morre drogado e ela põe a culpa no pai. E o Gekko usa o namorado da filha, que é corretor de um banco falido em Wall Street, para chegar na grana. Entendeu? Pois é ...

Gekko e o genro tolinho ...

A coisa toda é tratada assim confusamente e os personagens assumem uma certa ingenuidade inacreditável naquele meio financeiro. A parte boa é a cômica, que não me pareceu intencional. Acontece de, às vezes, criar uma cena no papel que acaba se revelando engraçada depois de filmada. Acho que tem várias cenas desse tipo. Podemos ver Charlie Cheen retomar o papel do então jovem Bud Fox. Mas, totalmente possuído pelo personagem Charlie Harper, que interpreta num seriado de TV ...

Outra coisa boa do filme é a explicação dada por Gekko para o estouro da bolha que prevê no livro que escreveu após sair da prisão. Bem didático e não há como não traçar um paralelo com o Brasil. Os mesmo erros estão todos aqui naquilo que Lulla, o Extirpador, pateticamente chama de "política econômica". Os sinais do estouro da nossa bolha já estão visíveis na crescente inadimplência. Aguardem o fim das eleições.

Stone achando que é Coppola ...

O filme vale o ingresso e é só. A pipoca já fica na conta-prejuízo. O casal de jovens atores, Shia LaBeouf e Carey Mulligan, respectivamente o genro e a filha de Gekko, são fracos de dar dó. O tal do Shia é o ator que fez o filho do Indiana Jones no último filme da série. Mal começou a carreira e já é um canastrão. E nem é dos bons. Ele poderia ter buscado inspiração no elenco de apoio, que faz um tremendo trabalho de atuação. Veja o trailer.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A música do Dia - Maria Moita - Rosália de Souza


Romoaldo de Souza

Da modinha, um jeito lírico e sentimental de se fazer música, até os grandes compositores como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, a música brasileira tem uma das mais brilhantes trajetórias quando o quesito é criatividade, miscigenação e a forma peculiar de expressão.


Em meados do século 17, surgiam os primeiros acordes do que mais tarde veio a ser conhecido como MPB - Música Popular Brasileira - com misturas dos sons indígenas, elementos folclóricos da música portuguesa e o mais marcante que é a influência africana.


No rádio, em 7 de setembro de 1922, a primeira música genuinamente brasileira tocada, se é que a gente pode falar em música genuína, original, foi O Guarani, de Carlos Gomes, abrindo a programação do mais importante veículo de comunicação quando a gente fala de MPB.


A inauguração da “era do rádio” se deu quando o presidente da República, Epitácio Pessoa, fez o discurso na abertura da exposição do Centenário da Independência, usando a estação experimental Rádio Corcovado, montada no alto do morro do Corcovado e a estação experimental da Western Electric na Praia Vermelha. Petrópolis e Niterói, no Rio e na capital paulista, os rádios então recém-importados, captaram o discurso empolgado de Epitácio Pessoa e os acordes de O Guarani que ainda hoje abre a Voz do Brasil

A partir daí, aos poucos, o erudito foi dando espaço ao samba, ao chorinho e suas variações. De Chico Alves, o "Rei da Voz" a Chico Buarque o rei da mulherada, a MPB teve de comer muita poeira. Resistiu às pressões mercadológicas, mas se adaptou. Formou escola e hoje é bastante conhecida no exterior. Se bem que um dos elementos mais importantes da música brasileira é sua batida peculiar.


Sim, porque no estrangeiro o som de Ivete Sangalo faz tanto sucesso como a música de João Gilberto. E o que une esses dois conterrâneos de Juazeiro (BA)? O groove, a batida própria. A marcação do Axé ou da Bossa Nova.


A musica árabe, os ritmos ciganos, o som do caribe, são conhecidos por suas batidas. Estudiosos em percussão, na marcação da música, dizem que groove é essa nuance, é a doçura da batida da música que tanto pode ser na bateria como com instrumento de sopro.


Pergunte a qualquer amante da música se a batida, praticamente nascida do violão de João Gilberto, não é a cara do Brasil!!!


Poderia ficar aqui, escrevendo páginas e mais páginas sobre o Rei do Baião, sobre a influência do jazz, na música do Brasil. Dos festivais aos Beatles. De Arrastão, até chegarmos a Disparada, duas canções vitoriosas em festivais de música.


Da influência que a Jovem Guarda trouxe para as músicas internacionais que eram feitas versões, só para serem tocadas em rádios que não permitiam a entrada dos "gringos", a MPB tem de tudo um pouco.


Da moda de viola, do século passado ao sertanejos de hoje, da Bossa Nova ao Axé. Do Samba ao Pagode ao Funk, enfim a "biodiversidade" musical no Brasil é para todos os gostos. Agora, assim como na natureza tem bichos peçonhentos que a gente não pode nem ver, na música brasileira também tem estilos que causam náuseas. Mas, como tem quem goste de ficar alisando uma barata, tem quem use uma sainha curta e vá curtir um pagode. Essa história poderia ficar só na mini-saia, não é?


Bom, por que falei de MPB? Porque hoje é o Dia da Música Popular Brasileira e antes que reclamem que eu não falo do "nosso" gênero musical, fui atrás dessa impecável interpretação que Rosália de Souza dá para Maria Moita, como o nome já diz…


Meu Deus, hoje, então, é o Dia da MPB? Gente, me aprontei toda para fazer esse clip. Espero que vocês gostem. Aqui na Itália tomo muito café. Café brasileiro ouvindo música do Brasil. Um beijo, gostoso pro pessoal que acompanha o Café & Conversa


Natural de Nilópolis, Rosália de Souza foi parar na Itália, onde conheceu o músico Nicola Conte, um dos mais influentes do acid-jazz. Nessa Maria Moita a cantora destaca bem, essa fusão.


Quanto ao vídeo, logo aí abaixo, Maria Moita é a mulher-bala num desses circos de periferia.


Maria Moita

Carlos Lyra

Nasceu lá na Bahia de mocama confeitor
Seu pai dormia em cama, sua mãe no pesador
Seu pai só dizia assim "Venha Cá"
Sua mãe só dizia assim "Sem falar,
Mulher que fala muito perde logo o seu amor"

Deus fez primeiro o homem, a mulher nasceu depois
E é por isso que a mulher trabalha sempre pelos dois
O homem acaba de chegar, tá com fome
A mulher tem que olhar pelo homem
E é deitada, em pé, mulher tem é, é que trabalhar.

O rico acorda tarde e já começa a resmungar
O pobre acorda cedo e já começa a trabalhar
Vou pedir ao meu babalorixá
pra fazer uma oração pra Xangô
Pra pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou

O rico acorda cedo e já começa a resmungar
O pobre acorda cedo e já começa a trabalhar
Vou pedir ao meu babalorixá
pra fazer uma oração pra Xangô
Pra pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou
Pra pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou
Pra pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou



domingo, 26 de setembro de 2010

O Café da Manhã da Fellini Caffè, finalmente!


Ricardo Icassatti Hermano

Domingão preguiçoso. Calor e secura acima da minha paciência ... Mas, sempre há motivos para alegria. A cafeteria Fellini Caffè (SCLS 104 Bloco "B" loja 1, fone: 3223-1333) iniciou o serviço de café-da-manhã somente aos domingos, que a clientela e nós aqui do Café & Conversa vínhamos cobrando há algum tempo. Fui conferir junto com meu filhote Xanxão. Pablo e Aline foram para o churrasco na casa do sogrão e o Rato ... dormindo, é claro.

Fellini Caffè, agora serve café-da-manhã aos domingos, das 9h até 13h

O café-da-manhã ainda não é um brunch, mas dá para dispensar o almoço, pois vai de 9h às 13h. Com cardápio diferenciado e específico, as opções são bem variadas. São três opcões com uma estrutura básica contendo salada de frutas com iogurte e granola, pães, manteiga, geleia, bolo, bebida quente e suco de fruta a escolher. Cada opção traz alguns pratos diferentes, como ovos en cocotte com azeite trufado, crepes, queijos e salmão defumado.

Houve uma nítida e benvinda preocupação em oferecer um cardápio saudável e com baixíssimo teor de gordura. Por exemplo, não há uma fritura sequer. Nada de bacon, salsicha, linguiça, ovos mexidos e outros famosos entupidores de artérias.

Outra preocupação louvável foi a manteiga pré-amolecida. Lidar com manteiga congelada num domingo de manhã é sempre um pé no saco ... A geleia também se destacou pelo baixo teor de açúcar, realçando o sabor da amora, mais cítrico. Perfeito e o Xanxão elogiou. Coisa rara.

Tenho como regra que o primeiro dia de uma nova atividade não serve como parâmetro para uma avaliação. É mais um teste para mapear erros e acertos e preparar as mudanças necessárias. Mas, a Moema Dourado, proprietária do estabelecimento, me disse que conta com a opinião do Café & Conversa. Então vamos lá.

O serviço estava atencioso como sempre, até um pouco acima da média. Isso mostra o comprometimento da equipe com o acerto. Todos querem que o café-da-manhã continue e faça sucesso. Inclusive nós : )

A principal observação que fazemos é que a entrega dos pratos à mesa seja feita de maneira compassada. A cada prato consumido, o seguinte é servido. Poderia até oferecer ao cliente a opção de escolher a ordem de chegada dos pratos.

O café-da-manhã começou assim e ...

O nosso café-da-manhã foi servido todo de uma vez. Assim, tivemos que comer a salada de frutas rapidamente para que o cappuccino não esfriasse demais e por aí vai. Essa refeição, num domingo, deve ser feita com mais vagar e até uma certa preguiça.

... rapidamente ficou congestionado. E ainda faltavam os bolos.

Sentimos falta da banana na salada de frutas, ingrediente tradicional aqui em terras brasileiras. Também faltou ajustar o cardápio às condições meteorológicas. Com o calor e a secura, talvez fosse melhor servir água gelada, copo com gelo, limonada suíça e/ou adicionar sorvete à salada de frutas no lugar do iogurte. A cestinha de pães poderia ser maior e mais sortida. Pessoalmente, adoraria um mingau de aveia.

De resto, o café-da-manhã da Fellini não decepcionou. As quantidades estavam de bom tamanho, com exceção do crepe, muito pequeno e sem o molho Pesto, prometido. O cappuccino estava magnificamente delicioso, os bolos estavam soberbos e o ambiente arejado estava bastante confortável. Xanxão e eu pudemos conversar tranquilamente sobre a Trincheira da Resistência e os editoriais do Estadão e da Folha. A música erudita caiu muito bem para o horário, mas eu não acharia ruim ouvir bons Cajun, Zydeco e Bayou : ).

Ainda tivemos a felicidade de encontrar lá também tomando seu desejum, a chef Cordon Bleu Adriana Nasser, querendo passar incógnita. Estragamos logo o seu disfarce. Ela nos contou que recentemente esteve a trabalho na Região Norte e experimentou uma iguaria local, que ela chama de "molusco" e eu chamo de "verme": oTuru.

O Turu é considerado uma iguaria afrodisíaca no Norte

O animal, que parece uma minhoca albina com uns 20 cm de comprimento e um dedo de largura, vive no interior de troncos apodrecidos e pode ser comido ainda vivo ou cozido, na forma de um caldo.

Você encara um caldo de Turu?

Adriana garante que degustou as duas versões e que nos enviará um texto contando a experiência, bem como as fotos comprovadoras de tamanha valentia. Estamos aguardando. Ou na versão gerúndio de telemarketing, "estaremos aguardando" ...