sábado, 16 de outubro de 2010

A Música do Dia - O Pau Que Dá Cavaco - João Luiz Corrêa




Romoaldo de Souza

Aí! Um bom achado! Estava navegando na internet, procurando uma música do cantor fluminense César Costa Filho, uma composição dele com Paulo César Pinheiro, "Irerê", e por causa do cruzamento de dados, eis que encontro o cantor gaúcho João Luiz Corrêa.

Corria o ano de 1990, quando o encontrei em Lages, Santa Catarina, depois de um vendaval que destruiu mais de 50 casas. Eu tinha ido ao Oeste catarinense, a serviço. Trabalhava à época, numa ONG da Igreja Católica.

Aquele gaúcho, jovem, idealista, contou que vivia "recolhendo" músicas pelo interior do Sul do país. Os mais diferentes fandangos encantavam João Luiz Corrêa.

- Acho que isso nunca vai me dá dinheiro suficiente para viver, mas que dá um prazer, isso dá - argumentava.

Deu prazer e dinheiro. Passados 20 anos, eis que encontro na internet João Luiz Corrêa cantando "O Pau Que Dá Cavaco", composição de Tio Nanato e dele, que acabou sendo gravado por muita gente da música regional.

- Graças a Deus, Tchê, está me dando uns cobres - alegra-se o fandangueiro que já havia passado antes pelo "Vozes do Vento" e acabou "apeando" no Grupo Campeirismo, atualmente um dos mais renomados do cancioneiro gaúcho.

Agora, "O Pau Que Dá Cavaco" é uma composição cheia de "pegadinhas", de trocadilhos e de palavras de duplo sentido. E mais, de regionalismos. Tente descobri-los e tenha um ótimo fim de semana.

O Pau Que Dá Cavaco
Tio Nanato/João Luiz Corrêa

Xica manica, fia do véio Vadico
Morena retaca dessas de peito de bico
Mandou dizer que quer bater um papo comigoE eu que conheço o artigo me deu um crique no caco

Tomei um banho, resquetei bem as melenas
Vou mostrar prá esta morena quem tem mais força no taco

Tomei um banho, resquetei bem as melenas
Vou mostrar pra esta morena quem tem mais força no taco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Agarrei ela e saimo saracoteando
E a marvada me apertando, roncando que nem tatua

Eu agarrado, mordendo e rangindo os dente
Fiquei sem modo de gente nos braços dessa xirua

Ficou nervosa e ferveu a chocolateira
Me deu uma tremedeira e chamei a xica na pua

Ficou nervosa e ferveu a chocolateira
Me deu uma tremedeira e chamei a xica na pua

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

No fim das contas, nós os dois amarrotados
E o taréquinho domado amanheceu bem delgadinho

Perdi o rabicho e me arrebentou a barrigueira
E o bichinho bagaceira acordou de madrugadinha

Coisa daninha como a xica se boleia
Me mordendo as oreia, eu na dela e ela na minha

Coisa daninha como a xica se boleia
Me mordendo as oreia, eu na dela e ela na minha

Me vou de bico, viro a mico e a macaca
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco






quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobrevivência, Inteligência e Competência


Ricardo Icassatti Hermano

Nos últimos dois dias, parei para assistir maravilhado o resgate dos 33 mineiros chilenos presos desde o dia 5 de agosto a mais de 600 metros de profundidade, em uma mina que desrespeitou regras básicas de segurança. Aprendi um bocado sobre minas, geologia e resgate. Mas, principalmente, aprendi muito a respeito de sobrevivência, união, foco e liderança.

Alegria ao fazer contato com o mundo exterior

Muito se falou sobre o episódio, inclusive estultices como chamar os mineiros de "heróis". Não há heroísmo nesse episódio. Há um monte de outras coisas bacanas, como as que já enumerei no parágrafo anterior. Heroísmo é outra coisa. O que vimos foi a sobrevivência explícita, nua e crua, com detalhes que não conhecíamos e com todas as emoções envolvidas.

O bilhete que marcou o primeiro contato

Além de parar de subverter o significado das palavras, os jornalistas brasileiros que cobriram o resgate também poderiam se informar melhor, porque deram um show de ignorância, pois não sabiam sequer identificar um simples moitão (ou roldana). Mas, não chegou a ser um desapontamento generalizado. Talvez possam aprender algo se revirem a cobertura dos veículos de outros países.

Meu querido, moitão não é gancho.
O gancho é apenas para prender o moitão, viu?

Posso estar errado, mas me parece que o povo chileno alcançou um nível invejável de amadurecimento cívico e político. Esclarecendo, essa é uma inveja boa, se é que tal coisa existe. Após uma sangrenta ditadura militar, o Chile fez a sua transição para a democracia, guinou para a "esquerda" e depois para "direita", mas sem antagonismos inúteis. Preferiu se irmanar a alimentar o ressentimento.

Agora, os chilenos parecem ter encontrado um equilíbro no reencontro das suas raízes, dos seus melhores valores, da sua alma. Compreenderam que há um objetivo maior a ser alcançado e preservado.

Esperança e fé no sucesso do resgate

Acredito que os chilenos já tenham percebido que as divisões "ideológicas" sequer existem, senão na cabeça de quem aposta no conflito em vez da união e vê adversários ocasionais como inimigos a serem "extirpados". Não é o ódio ou o ego insuportável de um governante que vão construir e manter coesa uma nação. É a inteligência, a organização, o foco e a capacidade de entender o que é necessário para sobreviver.

Enquanto o governo chileno nos deu um exemplo magnífico de eficiência e de eficácia, o governo Lula nos envergonha ao não cumprir as promessas que fez às família dos - esses sim, heróis - militares mortos no terremoto do Haiti. Da mesma maneira, as famílias nordestinas que perderam tudo nas enchentes ocorridas em dois anos consecutivos e que ainda aguardam a ajuda prometida pelo presidente do "nunca antes nesse país".

A nação brasileira ainda tem muito a aprender e deveria começar prestando atenção ao que acaba de acontecer no Chile. Os bons exemplos vão do governo até as profundezas dos sentimentos humanos vividos por aqueles 33 mineiros enterrados vivos no deserto. Há 10 anos, estariam irremediavelmente condenados à morte. Mas, o governo chileno não se deteve diante de nada para resgatá-los.

Essa cápsula é o símbolo de tudo

Não houve espaço para vacilos, incompetência, burocracia, esperteza, oportunismo ou xenofobia. Da mesma maneira ágil e obstinada com que transpôs obstáculos logísticos, o Chile buscou e aceitou ajuda de outros países, organizações, empresas e profissionais. A NASA foi apenas uma delas. As comemorações que tomaram conta do país são mais que merecidas. O Chile deu um show de competência, de união e de civilidade. Podemos e deveríamos aprender muito com esse episódio.

O primeiro mineiro a sair do refúgio e renascer

E para não fugirmos à tradição do seu blog predileto, trouxemos uma receita típica da culinária chilena. Essa também é uma forma do Café & Conversa homenagear o povo chileno e os 33 sobreviventes que emergiram das profundezas graças à inteligência e ao engenho humanos. Arriba!

Pastel de Choclo
6 porções

Ingredientes

- 500 gramas de carne bovina moída (ou peito de frango desfiado e coxas)
- 3 cebolas grandes
- 3 dentes de alho
- Sal e cominho
- Passas e azeitonas
- 2 ovos cozidos (cada ovo cortado em 4)
- Óleo de Canola

Ingredientes para o creme de milho

- 6 espigas de milho médias frescas ou 2 latas de milho em conserva ou 1 kg de milho congelado
- 1 raminho de alfavaca
- Açúcar
- 6 coxas de frango

Preparo do refogado

Pique a cebola e o alho em cubos. Refogue em uma frigideira com o óleo. Adicione a carne bovina (ou o frango) e misture tudo. Cozinhe em fogo BAIXO mexendo lentamente. Coloque sal e cominho.

Preparo do creme de milho

Debulhe o milho e moa os grãos misturando com a alfavaca. Coloque em uma panela e leve ao fogo BAIXO. Cozinhe por alguns minutos (o milho em conserva já vem cozido, então basta aquecer).

O creme deve ficar um pouco grosso. Se estiver muito grosso, adicione leite. Se depois de cozinhar o creme ainda estiver muito líquido, engrosse com amido de milho. O creme deve ficar um pouco doce. Adicione açúcar se necessário.

Preparo final

Utilize recipientes individuais ou um recipiente grande que possa ir ao forno. Espalhe no fundo do recipiente o refogado de carne. Adicione as passas picadas e os pedaços de ovo cozido (ou 1 pedaço, em caso de recipientes individuais).

Caso decida adicionar as coxas de frango, coloque uma coxa de frango em cada vasilha individual, ou uma para cada convidado, distribuída no recipiente grande.

Espalhe o creme de milho sobre o refogado por igual em todo o recipiente. Coloque um pouco de açúcar em todo o creme para que se forme uma crosta dourada.

Leve o recipiente ao forno MÉDIO até que aqueça e doure a superfície.

Em caso de recipientes individuais, basta colocá-los sobre um prato e servir a cada convidado. No caso de um recipiente grande, corte em porções e sirva em cada prato, tendo o cuidado de manter a porção compacta. Acompanhe com um bom vinho tinto. Chileno, claro

Está servido?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2, cinema de gente grande


Ricardo Icassatti Hermano

É um tapa na cara. Estou falando do filme Tropa de Elite 2, que estreou recentemente. Aqui em Brasília, está em 29 salas de cinema.

O Stallone ficou impressionado com a faca na caveira ... sissy

No domingo passado, fui almoçar com a filharada e noras. Depois fomos assistir o filme. Recomendo que façam como nós e peguem logo a primeira sessão. A menos que vocês gostem de enfrentar filas e cinemas lotados. Também comemoramos o novo emprego da Tainá, namorada do Xanxão. Será uma grande advogada.

O filme mostra que pelo menos dois diretores brasileiros já alcançaram o nível de cinema internacional. Um é o Fernando Meireles (Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel, Ensaio sobre a Cegueira) e o outro é José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2). A passos de tartaruga, a indústria cinematográfica brasileira foge da porno-chanchada de novela televisiva e do pretenso intelectualóide.

José Padilha, esse cara sabe o que faz

Tropa de Elite 2 é sucesso de bilheteria em qualquer país, em qualquer língua. Tem qualidade técnica em todos os aspectos, tem roteiro bem amarrado, tem trama que gruda os olhos na tela, tem personagens fortes e bem delineados e tem mensagem importante. Especialmente no meio de uma eleição.

O filme também está ajudando a mudar os parâmetros que costumavam identificar quem é mocinho e quem é bandido no Brasil. Depois da ditadura, um maniqueísmo mal intencionado e bem sucedido colocou os mocinhos à esquerda e os bandidos à direita. Os fatos nos mostraram que essa concepção está completamente equivocada.

Na verdade, os mocinhos se alinham com valores como a honestidade e a verdade, enquanto que os bandidos estão alinhados com excrescências como a corrupção e a mentira. Estejam onde estiverem. Não é uma questão de coloração partidária, mas sim de caráter pessoal. E assim, nos vemos torcendo a favor da Polícia honesta e contra o político populista ladrão.

É muito fácil criticar quando não é você quem está levando os tiros

Nesta continuação o magistral Capitão Nascimento está mais maduro e, promovido a Tenente-Coronel, é o Comandante do BOPE carioca. Depois de uma operação que irritou as ONGs de "direitos humanos", Nascimento cai em desgraça política, mas cai também no gosto popular. Assim, não resta alternativa ao governador a não ser fazer o Coronel "cair para cima". Nascimento é afastado do comando do BOPE e "promovido" a sub-secretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública.

Cel. Nascimento e a guerra no mundo dos bandidos engravatados

Agora, seus inimigos não são tão facilmente identificáveis quanto os traficantes das favelas. Os novos inimigos são muito mais perigosos, falam macio, se vestem de terno e gravata, têm programa na televisão, sabem usar a mídia e fazer propaganda enganosa, dão tapinhas nas costas, sorriem e elogiam antes de matar. São criminosos que entraram para a política.

O negócio é ser popular, né não Lulla?

Se eu contar mais, estrago a sua experiência de assistir o filme. Apenas recomendo que se prepare para o impacto. Tropa de Elite 2 tem recebido aplausos de pé no final. O seu blog predileto assistiu, gostou, aplaudiu e recomenda como alerta para toda a família: Não brinque com o seu voto, não negligencie o seu voto, não desperdice o seu voto. Precisamos tirar os criminosos do poder. Veja o trailer.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Música do Dia das Crianças - Afrikan Beat - Bert Kaempfert


Romoaldo de Souza


A música que mais marcou minha infância vinha da Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira, AM 1520. Naquele tempo, no tempo em que eu era criança, tinha um programa na rádio, "Curiosidade Murim", que prefiro escrever entre aspas porque eu me recordo só da forma como o locutor falava.


- Amigos ouvintes da Pajeú. Da minha, da sua, da nossa Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira, está no ar. "Curiosidade Murim" - Aquela voz empostada, fazia subir o som da orquestra. Baixa e lá ia ele falando uma de suas importantes curiosidades.


Eu acho que aquele locutor, e a produção do "Curiosidade..." tinham uma imensa quantidade de almanaques. Oh, programa bem informado! Falava da velocidade do vento, da altura dos prédios, da quantidade de igrejas, do número de padres, da largura das ruas de uma Brasília que para mim era tão distante, tão alheia…


- Você sabia que a Torre Eifel, no centro de Paris, a capital da França, tem 300 metros de altura? E se você aumentar a extensão da antena, a Torre tem mais de 320 metros? - dizia o locutor, repetindo, sempre as informações informantes.


- Isso mesmo, 320 metros e 75 centímetros.
Assim é a Torre Eifel - dizia o locutor


Pronto. Lá ia eu pegar minha régua de 30cm que levava todo dia ao grupo escolar. 300 metros são quantos centímetros?, perguntava. De quantas réguas dessas vou precisar colocar uma em cima da outra para chegar à altura da Torre Eifel. Onde eu iria arranjar 30 mil réguas para fazer a comparação. Deixa pra lá.


- Tá vendo essa Baraúna? - perguntou meu pai - Essa torre aí deve ter umas 40 ou 50 delas. Era muito para minha imaginação, que se concentrava agora no solo do trompete.


Lá em casa tinha um rádio com "onda cativa". Minha mãe era professora de alfabetização, com quem aprendia as primeiras letras do alfabeto. Não necessariamente na ordem a, b, c. Ela trabalhava para o MEB - Movimento de Educação de Base, criado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que distribuía rádios pelo interior do Nordeste aos educadores que pertenciam ao movimento.


O rádio só captava a Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira, uma das emissoras conveniadas com o MEB. Não tinha botão, não tinha dial. Ficava somente naquela freqüência. Mas para que mudar? Eu gostava da programação da rádio. Gostava do "Curiosidade Murim".


- E você que está ouvindo a Pajeú, sabe quantas pontes tem a Veneza Brasileira. Sim, porque Recife, é chamada de Veneza Brasileira por se parecer com Veneza, uma linda cidade da Itália, cortada por rios e canais. Assim é o Recife.


- Então, sabia que Recife, nossa Veneza Brasileira tem
55 pontes - repetia. Isso mesmo, 55 pontes.


Eu pensava. Um dia ainda vou em Recife, contar ponte por ponte para ver se esse programa está certo mesmo. Anos depois, subi quase 300 metros da Torre Eiffel e de lá contei parte dessa história, nos microfones da Pajeú. Que luxo.


Bom, pois "Curiosidade Murim" era assim. Cheio de números, de fatos históricos, de quantas pessoas morreram na Guerra de Canudos, no Paraguai. Na invasão holandesa.


Na Alemanha, dos anos 1923, nasceu um dos mais renomados maestros contemporâneo. Bert Kaempfert era multi-instrumentista, tocava sax, clarineta, trombone, piano, acordeon e trompete. Tornando-se, imediatamente por causa da fama, o maestro da marinha alemã, durante a Segunda Guerra Mundial. Gostava de jazz, blues, chegou a gravar alguma das canções da Bossa Nova.


Fips, como era conhecido o maestro, contratou os Beatles, no início da carreira, para gravar, na cidade de Hamburgo, terra natal do maestro, "My Bonnie", álbum em parceira do quarteto de Liverpool e o roqueiro Tony Sheridan. Viu "Murim" essa nem você sabia… Que os Beatles foram a Hamburgo, na Alemanha, gravar um disco com Bert Kaempfert? Sabia?


Pois foi esse maestro alemão, com sua African Beat, que marcou minha infância. Não apenas no Dia da Criança que eu nem me recordo se comemorava a data, mas sempre que "rolava" o programa "Curiosidade Murim" eu babava com aquele som. Mais tarde toquei sax na escola onde o maestro estudou, numa galeria bonita, no centro de Hamburgo. Toquei African Beat com os estudantes de lá…


Bom Dia da Criança!




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Solomon Burke (1940 - 2010)


Ricardo Icassatti Hermano

Ontem, na Holanda, morreu aos 70 anos de idade o compositor e cantor americano Solomon Burke. Um dia especialmente triste para mim. Sou um fã declarado da música negra americana. Gosto de tudo, desde o puro e santo Gospel das igrejas até a pecaminosa Soul Music.

A música exerce um papel importante e provoca reações inspiradoras em mim. Embala os momentos bons e conforta nos momentos ruins. Dá significado, luz e cor às amizades, aos amores, ao trabalho, à vida, à luta. Burke era um dos meus favoritos e chorei copiosamente quando vi a notícia da sua morte na televisão. Agora mesmo, enquanto escrevo este post, não consigo evitar as lágrimas.

Não sei se é assim com todo mundo, mas a minha vida tem uma trilha sonora. Assim como num filme, todos os momentos importantes da minha vida são marcados por músicas. Quase todas desse filão da chamada Black Music, entronizada pela lendária gravadora Motown.

Burke é genial e suas músicas marcam bons momentos da minha vida

A Soul Music, como o Blues, o Jazz, o R&B, e toda a música negra americana, abriga os estilos romântico e o dançante de festa. Um leque de emoções que os negros americanos conseguiram magistralmente traduzir em música, mas com um diferencial: sempre trazem uma mensagem de esperança. Solomon Burke era um mestre do romântico e da esperança. Sua inspiração, como para todos os demais, eram as músicas Gospel.

Natural da Philadelphia, Burke viu vários desses estilos nascerem, incluindo o Rock'n Roll e o R&B. Criou o seu próprio e por isso era considerado um pioneiro. Dentre os vários apelidos artísticos que ganhou, era chamado de The King of the Rock'n Soul. Começou a vida como pastor, mas sendo dono de uma voz poderosa, logo passou a comandar um show de rádio gospel.

Como todo Rei que se preza, Burke cantava sentado num trono

Dali foi um pulo para a carreira artística. Nos anos 1960 e aconselhado por ninguém menos que Little Richard, o pastor assinou contrato com a Atlantic Records, onde gravou seu primeiro sucesso, o cover de uma música country chamada Just Out of Reach. Daí em diante, é história. Ganhou os seus dois Grammy Awards e foi incluído em 2001 no Rock and Roll Hall of Fame.

Burke e um dos seus Grammy Awards

Solomon Burke era um gigante da música e vai fazer muita falta ... especialmente para mim. Fiquem com uma das mais belas músicas dele, A Change Is Gonna Come (Uma Mudança Está a Caminho). Por que no dia 31 de outubro, o Brasil poderá decidir entre ter um futuro ou viver no atraso. Poderá decidir se a mudança virá ou não.



sábado, 9 de outubro de 2010

Terremotos, Sermões, Café, Boxe, Filé e Molho de Mostarda


Ricardo Icassatti Hermano

A sexta-feira em Brasília foi cheia de emoções fortes. Primeiro, desde terça-feira estávamos sem o nosso café de todo dia, o Santo Grão Sul de Minas. Alguém pisou na bola, torrou demais os grãos e deixou o país inteiro sem café. Foi difícil acalmar os colegas da firma que já estão definitivamente viciados em bons cafés. Quem mandou ensinar ...

Mas, Romoaldo e eu também sofremos com a falta do café. Felizmente, ele ainda tinha uma dose que matamos na quinta-feira. Mesmo assim, a revolta foi tão grande entre os viciados que apareceu até um terremoto, provocando pânico na cidade. Pelas reações, tudo indica que algumas mulheres sem coração não têm a capacidade de sentir tremores de terra. Mulheres insensíveis.

Felizmente, hoje a Moema da Fellini Caffè me ligou dando a boa notícia: "O seu Sul de Minas chegou. Pode vir buscar". Foi como ver o sol nascer. Respirei aliviado e, assim que abandonei a firma, corri para a Fellini, peguei meio quilo do pó (êpa) e aproveitei para tirar o atraso (ôpa) degustando um cappuccino no capricho. Faz um bem danado à alma : )

Para alimentar lutadores é preciso carboidrato e muita proteína. Então nossa receita de hoje tem que levar os dois ingredientes. Vamos à luta!

Medalhão de Filé Mignon Grelhado ao Molho de Mostarda
3 porções

Ingredientes

- 600 g de Filé Mignon cortado em 3 medalhões
- Sal a gosto
- Pimenta do reino à gosto
- 50 ml de Azeite de oliva

Ingredientes para o molho

- 100 g de Manteiga
- 60 g de Farinha de trigo
- 600 ml de Leite fervido
- 50 g de Mostarda em pasta
- 10 g de Mostarda em grãos
- 50 ml de Creme de leite fresco
- Sal a gosto


Preparo

Limpe o filé e corte em medalhões, tempere com sal e pimenta. Grelhe e reserve.

Faça o molho bechamel. Em fogo brando, derreta a manteiga em uma panela e polvilhe com a farinha de trigo. Deixe cozinhar sem adquirir cor até aparecer na superfície uma espuma esbranquiçada e o preparado desagregar-se. Tire a panela do fogo e adicione pouco a pouco o leite, mexendo sem parar com um fouet (batedor de arame) até que os ingredientes estejam completamente incorporados.

Coloque o sal e retorne ao fogo BAIXO, sem parar de mexer, por mais 10 minutos ou até obter um creme. Retire do fogo e junte a mostarda em pasta e a de grãos. Corrija o sal sirva sobre o medalhão. Acompanha risotto ou batatas de forno.

Não tenha medo de afrescalhar o seu medalhão

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Filme do Dia - Pantaleão e as Visitadoras


Romoaldo de Souza

O coronel Pantoja (Salvador Del Solar) ficou surpreso quando recebeu ordens superiores para cumprir intrigante missão na Amazônia peruana.


- Por que eu, meu Deus. Bom pai, exemplar marido. Nunca traí minha mulher. Nunca me deitei com outra. Por que Senhor? - murmurou o oficial.


Sentado à mesa de seu escritório, dentro da caserna, Pantaleão agarra-se às imagens da adolescência, quando viu uma mulher nua pela primeira.


- Marido fiel, mas o dever me chama - pensou Pantaleão.


A partir dessa tomada de decisão, o capitão peruano começa a relacionar um grupo de prostitutas,as tais "visitadoras", que viajarão a bordo de um barco pela floresta amazônica, serpenteada por rios e igarapés, encarregadas de saciar os mais inusitados desejos de soldados há meses sem ver uma mulher. A não ser na imaginação.


A rigidez moral de Pantaleão, aos poucos vai se esvaindo em desejos ensandecidos, a partir do momento em que o oficial conhece a estonteante Colombiana (Angie Cepeda). Agora, não é mais o casamento do capitão que está em jogo.


Bom, mais que isso, leia Mário Vargas Llosa que ganhou nesta quinta-feira (7), o Nobel de Literatura. O escritor peruano é o autor, dentre outros livros, de Pantaleão e as Visitadoras.


PS: confesso que estou com problemas no meu drive externo, onde ficam minhas músicas raras. Não encontrei a trilha sonora desse filme. Vou postar trailer enquanto aceito sugestões.


Aqui, o escritor Mario Vargas Llosa, fala de sua brilhante obra, Pantaleón y las Visitadoras.





Cartaz do filme

Aqui, os mais deliciantes 20 minutos dos soldados peruanos.