terça-feira, 19 de outubro de 2010

Esclarecimento e Adams Óbvio


Ricardo Icassatti Hermano

Nos últimos dias, a disputa eleitoral tem se acirrado e uma excrescência dos anos 1970 resolveu reaparecer. É a tal da "patrulha ideológica", que utilizando um maniqueísmo rasteiro e babaca tenta dividir o mundo entre os bonzinhos e éticos e os mauzinhos e aéticos. O problema é que nessa divisão, os espertos sempre posicionam os bonzinhos à esquerda e os mauzinhos à direita.

Como era de se esperar, a "patrulha" acabou encontrando o Café & Conversa para encher o meu saco. Por isso, fiz um necessário esclarecimento no Twitter e agora repito aqui. O lendário publicitário Adams Óbvio já dizia que o óbvio sempre nos escapa, porque fazer o óbvio exige muita análise. Para analisar é preciso pensar e pensar é o trabalho mais árduo que as pessoas têm que fazer. E elas não gostam de pensar nem um pouco além do necessário.

Divido irmamente este espaço cibernético com o amigo e jornalista Romoaldo de Souza. Temos ideias e posicionamentos completamente diferentes sobre vários assuntos e aspectos da vida. Em momento algum nos passou pela cabeça que isso poderia ser um impedimento para a nossa amizade, porque somos homens inteligentes e temos compreensão do que seja o "direito" e a "liberdade". Sabemos viver e conviver sob um regime democrático.

A democracia brasileira é jovem e frágil. Ao contrário da propaganda, ela corre perigo sim. Políticos de todos os matizes tramam contra ela todos os dias. O PT faz isso abertamente, inclusive documenta a sua intenção de exterminá-la e seu líder único vocifera que quer extirpar partidos adversários. Tudo isso sob a máscara do jogo democrático. Disputam eleições, falam em liberdade, em progresso, desenvolvimento e fim da pobreza. Assim como seus ídolos Fidel Castro e Hugo Chavez.

Nos preocupamos demais em ter logo eleições diretas para presidente da República, pensando que os demais fundamentos da democracia viriam por gravidade. Estamos vendo que não é bem assim. Enquanto crianças de 16 anos de idade já podem votar, ainda discutimos a liberdade de opinião e de expressão, censura, religião etc. É aí nessa lacuna que se movimentam as tais "patrulhas ideológicas". Elas não gostam de quem pensa, opina e se expressa livremente.

Alguns desses "patrulheiros" andaram fazendo insinuações e cobranças à pessoa errada. Deveriam se dirigir exclusivamente a mim, mas foram em cima do Romoaldo. Eu optei por votar no candidato tucano José Serra. O Romoaldo fez a opção dele e sobre a qual só ele pode falar.

O fato de dividirmos este blog não significa que tenhamos de pensar exatamente da mesma maneira nem fazer as mesmas escolhas políticas. Parece óbvio, mas para algumas pessoas é difícil entender conceitos básicos como respeito ao direito do outro.

Da mesma forma, Romoaldo não precisa da minha autorização para manifestar o que pensa sobre qualquer assunto e expressar-se através do blog. Ele é um homem livre, vivendo sob um regime democrático.

Não vou discutir direitos com quem quer que seja. Direito se exerce, não se discute. Não preciso da licença de ninguém para exercer os meus. Rechacei toda e qualquer "patrulha ideológica" na década de 1970 e o farei novamente se for necessário. Os "patrulheiros" acham que podem ditar o que devemos pensar, falar e fazer. Coelhinho peludo, zebrinha listrada, oncinha pintada, vão se fu***!!!

Se alguém não gosta do que escrevo, não leia. Procure um blog "progressista" e seja feliz. Também esqueçam o Romoaldo, porque quem vai votar e faz campanha de graça para o José Serra sou eu. Portanto, se alguém não gosta do fato de que eu exerço livremente os meus direitos, venha se queixar comigo e apenas comigo. Estou inteiramente à disposição dos interessados.

O blog Café & Conversa não é "progressista" e não recebe qualquer espécie de patrocínio. Seja estatal ou privado. Escrevo aqui porque quero, porque gosto e continuarei escrevendo até quando entender que deva. Não sou filiado a partido político e não devo satisfação a ninguém além da minha consciência.

Recebemos de braços abertos críticas, opiniões, observações, reparações, cumprimentos e elogios através de um endereço de e-mail (cafeconversa@gmail.com) e na área reservada a comentários. Não somos tolerantes com anônimos, que serão simplesmente deletados. Erros serão corrigidos assim que forem detectados.

As avaliações sobre cafés e cafeterias feitas por nossa iniciativa são custeadas por nós mesmos. Não aceitamos cortesias ou brindes de quem quer que seja nesse processo de avaliação. Interessados em nossa opinião, nos enviam grãos e/ou pó de café para serem avaliados e é só.

Espero não ter que retornar a esse assunto. Mas, se for necessário, me limitarei a disponibilizar um link para este post.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Musica do Dia - Irerê - Cesar Costa Filho


Romoaldo de Souza


Ainda estou procurando informações sobre uma composição de César Costa Filho, Irerê, gravada pelo poeta fluminense, em 1978. Por alguma razão, por algum motivo, essa música não sai da minha cabeça.


No final dos anos 70, eu tinha passado por uma experiência incendiária em um posto de gasolina, na entrada de Taguatinga. Era o Zelito Super Posto, e trabalhava ouvindo rádio. Um radinho de pilha que compre na Comercial Norte, Acho que no Ponto Frio. Um certo dia, escutei Irerê, que estava tocando no programa do apresentador, Roberto Ney, na Planalto AM.


Pedi ao comunicador e ele me trouxe de presente o LP - Long Play, para quem não se lembra como eram chamados os discos de vinil. Um mês depois, Cesar Costa Filho chegou no posto de gasolina onde eu trabalhei. Depois eu gosto como foi nosso encontro. Bom, com o tempo me desfiz dos LPs e agora, a mente insiste em me despertar com essa canção.


Roberto Ney me trouxe, de presente, um LP com várias outras composições de Cesar Costa Filho. Irerê foi a que mais marcou minha adolescência. Lembro que comprei uma camisa igualzinha a essa que o compositor está usando. Fiquei uma arara quando, certa vez, um ladrão, certamente de bom gosto, carregou a camisa do varal da casa da minha mãe!


São lembranças boas. Melancólicas. De um tempo que não podia, ainda, ir trabalhar em rádio enquanto era efervescente a onda de programas de muita audiência, como esse de Roberto Ney.


Aí, agora no fim de semana, estava procurando no meu playlist uma música diferente para tocar para os leitores do Café & Conversa que, como eu, estão - desculpem a expressão - de saco cheio com a campanha eleitoral, e eis que encontro Irerê.


Antes que o pessoal politicamente correto me cutuque, essa campanha eleitoral foi a mais despolitizada que jamais participei. E olha que em matéria de campanha eleitoral eu já estou rodado. É por isso. Não vi um assunto edificante. Pronto!


Voltando a Irerê. Essa música foi gravada em 1978, num LP da Continental. Aqui digitalizada e espero que tenham paciência. Vale a pena esperar que a página do "4shared" carregue a música. A letra, eu tive de ouvir Irerê ao menos umas dez vezes. Espero que esteja certa.


Na internet, achei esse texto atribuido a Sérgio Cabral, o pai. Claro.


"Acho que poucos compositores-cantores surgidos nos últimos anos mereceram uma expectativa tão grande para o seu primeiro LP quanto mereceu Cesar Costa Filho. O seu talento está provado desde o primeiro Festival Universitário de Música Popular e, desde então, Cesar só o tem confirmado numa obra de críticas favoráveis e de sucessos obtidos em discos tipo compacto.

Portanto, soma-se ao seu talento, à correção com que interpreta suas músicas, ao cuidado com que esse disco foi produzido, às letras de Walter Queiroz, Paulo Cesar Pinheiro e Jair Amorim - a maturidade com que Cesar Costa Filho chega ao seu primeiro LP.

Se você tiver lendo estas notas antes de ouvir o disco, pode acreditar em mim: leve-o para casa. Asseguro que é muito bom."

Então, espero que sua segunda-feira seja feliz e desfrute dessa belíssima composição de Cesar Costa Filho. Caso encontre mais informações dele e de Irerê, mande e-mail. cafeconversa1@gmail.com


Irerê

Cesar Costa Filho e Paulo César Pinheiro


Irerê, pássaro cativo

Irerê, braço de galé

Irerê, negro fugitivo

Irerê, príncipe-guiné


Ferro quente, faz sinal

Marca de "sinhô" qualquer

Irerê parte o grilhão

Mata um montão

Cai do porão

Na maré


Irerê, pássaro proscrito

Irerê, revolta a ralé

Irerê, chamado maldito

Irerê, do Abaeté


Mato virgem, palmeiral

Negro, macho, finca o pé

Irerê cerca o rincão

Chama os irmãos

Funda a Nação

Do Povo Axé!


Irerê, pássaro caçado

Irerê, pelos "coroné"

Irerê, com seus comandados

Irerê, no Abaeté.


Luta armada, marcial

Luta quem ser livre e quer

Mas é mil contra um milhão

Soa canhão, tomba no chão

O rei-guiné.


Irerê, passarinho morto

Irerê, filhos de Quelé

Irerê, mas Guiné tem outro

Irerê seu filho Ireré.


Irerê, pássaro cativo

Irerê, pássaro proscrito

Irerê, pássaro caçado

Irerê, passarinho morto


http://www.4shared.com/audio/Mw1VmKtc/


César Costa Filho - Irerê.mp3


domingo, 17 de outubro de 2010

Marina, morena Marina, você vacilou ...


Ricardo Icassatti Hermano

A notícia do final de semana é a "neutralidade" proclamada pela "verde" Marina Silva. Aceito como escolha legítima a neutralidade do eleitor, mas confesso que tenho uma dificuldade intransponível para entender políticos profissionais que se dizem neutros em determinadas situações. Em eleição então eu considero de uma hipocrisia cavalar, para ficar nos limites do politicamente correto ...

Como é que um político se submete às exigências de um processo eleitoral, sem qualquer crítica, legitimando-o do início ao fim; divulga a sua mensagem ou "utopia" no caso da Marina; compete, faz propaganda, pede voto, tenta conquistar o eleitorado e depois que perde resolve se rebelar e proclamar neutralidade? Onde está a coerência?

Escolha, decisão, compromisso. Tudo isso só é bom quando votam nela

Para a Marina, só é bom quando votam nela? Prefere não conseguir qualquer avanço para sua "utopia" em nome da "neutralidade"? Ou será que ela acha que a "neutralidade" é um avanço? Até onde pude saber, a neutralidade política - para um político - vem da discordância com todo o processo e não apenas por ter ficado fora do segundo turno de uma eleição. Para ser coerente, Marina não deveria nem ter cogitado ser candidata.

Além disso, ela não ajuda em nada o desenvolvimento e aperfeiçoamento da democracia brasileira ou do partido que escolheu para se abrigar após ter sido chutada porta afora do PT. Ao contrário, o cheiro ruim que fica é o de sabotagem. Marina age como uma menina mimada, que não gosta das regras ou do resultado das suas empreitadas e resolve que nada daquilo vale para ela. Emburrada, prende a respiração ou bate a cabeça na parede na tentativa de modificar a realidade até que atenda aos seus desejos.



Os clássicos são assim chamados porque nos deixaram lições universais. Para a religiosa Marina, fui buscar em A Divina Comédia, obra imortal de Dante Alighieri (1265-1321), uma lição, um lembrete ou um alerta.

Dante Alighieri, em retrato de Sandro Botticelli (1495)

Tendo Virgílio (autor de Eneida) como guia e mentor, Dante faz sua jornada espiritual percorrendo todo o trajeto da Esfera Armilar que, de acordo com a crença medieval, sairia da Terra e passaria pelo Inferno, pelo Purgatório e chegaria ao Paraíso, que era o sentido original de "Comédia".

Afresco de Domenico di Michelino mostra Dante na entrada
de Florença, ao lado da Catedral Santa Maria del Flore e
apontando para uma fila de pecadores

Após atravessar o Portal do Inferno, o poeta italiano adentra o Vestíbulo do Inferno, a morada dos indecisos, covardes e que passaram a vida em cima do muro. Aqueles que nunca quiseram assumir compromissos, tomar decisões firmes, por acharem que assim perderiam a oportunidade de fazer alguma coisa. Ali, os covardes são condenados a correr em filas atrás de uma bandeira que corre rapidamente, picados por vespas e moscões.

E foi ao conhecer os Nove Círculos do Inferno, que Dante cunhou o seguinte alerta:

"Os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que, nos momentos de crise, se mantêm neutros" - Dante Alighieri

sábado, 16 de outubro de 2010

Como uma simples xícara de café pode mudar o mundo


Ricardo Icassatti Hermano

Essa eu não podia deixar passar. Enquanto o governo Lulla se perde na corrupção, ou melhor dizendo, na venda de facilidades, com taxa de $uce$$o, para as dificuldades que naturalmente cria com a sua incompetência administrativa, a iniciativa privada, que não é brasileira, cria facilidades para ajudar quem precisa. Sem governos envolvidos.

Eu poderia até explicar do que se trata o Project 7, uma empresa texana que vende café. Mas, tiraria o brilho do vídeo feito por eles justamente para explicar o que fazem, como fazem e porquê fazem. Assistam e entendam como uma simples xícara de café pode ajudar a melhorar a vida de muita gente.

Infelizmente, o video foi retirado do site VIMEO e não há qualquer informação do motivo, mas ainda pode ser visto no próprio site do Project 7.



A Música do Dia - O Pau Que Dá Cavaco - João Luiz Corrêa




Romoaldo de Souza

Aí! Um bom achado! Estava navegando na internet, procurando uma música do cantor fluminense César Costa Filho, uma composição dele com Paulo César Pinheiro, "Irerê", e por causa do cruzamento de dados, eis que encontro o cantor gaúcho João Luiz Corrêa.

Corria o ano de 1990, quando o encontrei em Lages, Santa Catarina, depois de um vendaval que destruiu mais de 50 casas. Eu tinha ido ao Oeste catarinense, a serviço. Trabalhava à época, numa ONG da Igreja Católica.

Aquele gaúcho, jovem, idealista, contou que vivia "recolhendo" músicas pelo interior do Sul do país. Os mais diferentes fandangos encantavam João Luiz Corrêa.

- Acho que isso nunca vai me dá dinheiro suficiente para viver, mas que dá um prazer, isso dá - argumentava.

Deu prazer e dinheiro. Passados 20 anos, eis que encontro na internet João Luiz Corrêa cantando "O Pau Que Dá Cavaco", composição de Tio Nanato e dele, que acabou sendo gravado por muita gente da música regional.

- Graças a Deus, Tchê, está me dando uns cobres - alegra-se o fandangueiro que já havia passado antes pelo "Vozes do Vento" e acabou "apeando" no Grupo Campeirismo, atualmente um dos mais renomados do cancioneiro gaúcho.

Agora, "O Pau Que Dá Cavaco" é uma composição cheia de "pegadinhas", de trocadilhos e de palavras de duplo sentido. E mais, de regionalismos. Tente descobri-los e tenha um ótimo fim de semana.

O Pau Que Dá Cavaco
Tio Nanato/João Luiz Corrêa

Xica manica, fia do véio Vadico
Morena retaca dessas de peito de bico
Mandou dizer que quer bater um papo comigoE eu que conheço o artigo me deu um crique no caco

Tomei um banho, resquetei bem as melenas
Vou mostrar prá esta morena quem tem mais força no taco

Tomei um banho, resquetei bem as melenas
Vou mostrar pra esta morena quem tem mais força no taco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Agarrei ela e saimo saracoteando
E a marvada me apertando, roncando que nem tatua

Eu agarrado, mordendo e rangindo os dente
Fiquei sem modo de gente nos braços dessa xirua

Ficou nervosa e ferveu a chocolateira
Me deu uma tremedeira e chamei a xica na pua

Ficou nervosa e ferveu a chocolateira
Me deu uma tremedeira e chamei a xica na pua

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

No fim das contas, nós os dois amarrotados
E o taréquinho domado amanheceu bem delgadinho

Perdi o rabicho e me arrebentou a barrigueira
E o bichinho bagaceira acordou de madrugadinha

Coisa daninha como a xica se boleia
Me mordendo as oreia, eu na dela e ela na minha

Coisa daninha como a xica se boleia
Me mordendo as oreia, eu na dela e ela na minha

Me vou de bico, viro a mico e a macaca
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco

Me vou de bico, viro a mico e a macaco
E vou mostrar prá xica véia
Qual é o pau que dá cavaco






quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobrevivência, Inteligência e Competência


Ricardo Icassatti Hermano

Nos últimos dois dias, parei para assistir maravilhado o resgate dos 33 mineiros chilenos presos desde o dia 5 de agosto a mais de 600 metros de profundidade, em uma mina que desrespeitou regras básicas de segurança. Aprendi um bocado sobre minas, geologia e resgate. Mas, principalmente, aprendi muito a respeito de sobrevivência, união, foco e liderança.

Alegria ao fazer contato com o mundo exterior

Muito se falou sobre o episódio, inclusive estultices como chamar os mineiros de "heróis". Não há heroísmo nesse episódio. Há um monte de outras coisas bacanas, como as que já enumerei no parágrafo anterior. Heroísmo é outra coisa. O que vimos foi a sobrevivência explícita, nua e crua, com detalhes que não conhecíamos e com todas as emoções envolvidas.

O bilhete que marcou o primeiro contato

Além de parar de subverter o significado das palavras, os jornalistas brasileiros que cobriram o resgate também poderiam se informar melhor, porque deram um show de ignorância, pois não sabiam sequer identificar um simples moitão (ou roldana). Mas, não chegou a ser um desapontamento generalizado. Talvez possam aprender algo se revirem a cobertura dos veículos de outros países.

Meu querido, moitão não é gancho.
O gancho é apenas para prender o moitão, viu?

Posso estar errado, mas me parece que o povo chileno alcançou um nível invejável de amadurecimento cívico e político. Esclarecendo, essa é uma inveja boa, se é que tal coisa existe. Após uma sangrenta ditadura militar, o Chile fez a sua transição para a democracia, guinou para a "esquerda" e depois para "direita", mas sem antagonismos inúteis. Preferiu se irmanar a alimentar o ressentimento.

Agora, os chilenos parecem ter encontrado um equilíbro no reencontro das suas raízes, dos seus melhores valores, da sua alma. Compreenderam que há um objetivo maior a ser alcançado e preservado.

Esperança e fé no sucesso do resgate

Acredito que os chilenos já tenham percebido que as divisões "ideológicas" sequer existem, senão na cabeça de quem aposta no conflito em vez da união e vê adversários ocasionais como inimigos a serem "extirpados". Não é o ódio ou o ego insuportável de um governante que vão construir e manter coesa uma nação. É a inteligência, a organização, o foco e a capacidade de entender o que é necessário para sobreviver.

Enquanto o governo chileno nos deu um exemplo magnífico de eficiência e de eficácia, o governo Lula nos envergonha ao não cumprir as promessas que fez às família dos - esses sim, heróis - militares mortos no terremoto do Haiti. Da mesma maneira, as famílias nordestinas que perderam tudo nas enchentes ocorridas em dois anos consecutivos e que ainda aguardam a ajuda prometida pelo presidente do "nunca antes nesse país".

A nação brasileira ainda tem muito a aprender e deveria começar prestando atenção ao que acaba de acontecer no Chile. Os bons exemplos vão do governo até as profundezas dos sentimentos humanos vividos por aqueles 33 mineiros enterrados vivos no deserto. Há 10 anos, estariam irremediavelmente condenados à morte. Mas, o governo chileno não se deteve diante de nada para resgatá-los.

Essa cápsula é o símbolo de tudo

Não houve espaço para vacilos, incompetência, burocracia, esperteza, oportunismo ou xenofobia. Da mesma maneira ágil e obstinada com que transpôs obstáculos logísticos, o Chile buscou e aceitou ajuda de outros países, organizações, empresas e profissionais. A NASA foi apenas uma delas. As comemorações que tomaram conta do país são mais que merecidas. O Chile deu um show de competência, de união e de civilidade. Podemos e deveríamos aprender muito com esse episódio.

O primeiro mineiro a sair do refúgio e renascer

E para não fugirmos à tradição do seu blog predileto, trouxemos uma receita típica da culinária chilena. Essa também é uma forma do Café & Conversa homenagear o povo chileno e os 33 sobreviventes que emergiram das profundezas graças à inteligência e ao engenho humanos. Arriba!

Pastel de Choclo
6 porções

Ingredientes

- 500 gramas de carne bovina moída (ou peito de frango desfiado e coxas)
- 3 cebolas grandes
- 3 dentes de alho
- Sal e cominho
- Passas e azeitonas
- 2 ovos cozidos (cada ovo cortado em 4)
- Óleo de Canola

Ingredientes para o creme de milho

- 6 espigas de milho médias frescas ou 2 latas de milho em conserva ou 1 kg de milho congelado
- 1 raminho de alfavaca
- Açúcar
- 6 coxas de frango

Preparo do refogado

Pique a cebola e o alho em cubos. Refogue em uma frigideira com o óleo. Adicione a carne bovina (ou o frango) e misture tudo. Cozinhe em fogo BAIXO mexendo lentamente. Coloque sal e cominho.

Preparo do creme de milho

Debulhe o milho e moa os grãos misturando com a alfavaca. Coloque em uma panela e leve ao fogo BAIXO. Cozinhe por alguns minutos (o milho em conserva já vem cozido, então basta aquecer).

O creme deve ficar um pouco grosso. Se estiver muito grosso, adicione leite. Se depois de cozinhar o creme ainda estiver muito líquido, engrosse com amido de milho. O creme deve ficar um pouco doce. Adicione açúcar se necessário.

Preparo final

Utilize recipientes individuais ou um recipiente grande que possa ir ao forno. Espalhe no fundo do recipiente o refogado de carne. Adicione as passas picadas e os pedaços de ovo cozido (ou 1 pedaço, em caso de recipientes individuais).

Caso decida adicionar as coxas de frango, coloque uma coxa de frango em cada vasilha individual, ou uma para cada convidado, distribuída no recipiente grande.

Espalhe o creme de milho sobre o refogado por igual em todo o recipiente. Coloque um pouco de açúcar em todo o creme para que se forme uma crosta dourada.

Leve o recipiente ao forno MÉDIO até que aqueça e doure a superfície.

Em caso de recipientes individuais, basta colocá-los sobre um prato e servir a cada convidado. No caso de um recipiente grande, corte em porções e sirva em cada prato, tendo o cuidado de manter a porção compacta. Acompanhe com um bom vinho tinto. Chileno, claro

Está servido?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2, cinema de gente grande


Ricardo Icassatti Hermano

É um tapa na cara. Estou falando do filme Tropa de Elite 2, que estreou recentemente. Aqui em Brasília, está em 29 salas de cinema.

O Stallone ficou impressionado com a faca na caveira ... sissy

No domingo passado, fui almoçar com a filharada e noras. Depois fomos assistir o filme. Recomendo que façam como nós e peguem logo a primeira sessão. A menos que vocês gostem de enfrentar filas e cinemas lotados. Também comemoramos o novo emprego da Tainá, namorada do Xanxão. Será uma grande advogada.

O filme mostra que pelo menos dois diretores brasileiros já alcançaram o nível de cinema internacional. Um é o Fernando Meireles (Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel, Ensaio sobre a Cegueira) e o outro é José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2). A passos de tartaruga, a indústria cinematográfica brasileira foge da porno-chanchada de novela televisiva e do pretenso intelectualóide.

José Padilha, esse cara sabe o que faz

Tropa de Elite 2 é sucesso de bilheteria em qualquer país, em qualquer língua. Tem qualidade técnica em todos os aspectos, tem roteiro bem amarrado, tem trama que gruda os olhos na tela, tem personagens fortes e bem delineados e tem mensagem importante. Especialmente no meio de uma eleição.

O filme também está ajudando a mudar os parâmetros que costumavam identificar quem é mocinho e quem é bandido no Brasil. Depois da ditadura, um maniqueísmo mal intencionado e bem sucedido colocou os mocinhos à esquerda e os bandidos à direita. Os fatos nos mostraram que essa concepção está completamente equivocada.

Na verdade, os mocinhos se alinham com valores como a honestidade e a verdade, enquanto que os bandidos estão alinhados com excrescências como a corrupção e a mentira. Estejam onde estiverem. Não é uma questão de coloração partidária, mas sim de caráter pessoal. E assim, nos vemos torcendo a favor da Polícia honesta e contra o político populista ladrão.

É muito fácil criticar quando não é você quem está levando os tiros

Nesta continuação o magistral Capitão Nascimento está mais maduro e, promovido a Tenente-Coronel, é o Comandante do BOPE carioca. Depois de uma operação que irritou as ONGs de "direitos humanos", Nascimento cai em desgraça política, mas cai também no gosto popular. Assim, não resta alternativa ao governador a não ser fazer o Coronel "cair para cima". Nascimento é afastado do comando do BOPE e "promovido" a sub-secretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública.

Cel. Nascimento e a guerra no mundo dos bandidos engravatados

Agora, seus inimigos não são tão facilmente identificáveis quanto os traficantes das favelas. Os novos inimigos são muito mais perigosos, falam macio, se vestem de terno e gravata, têm programa na televisão, sabem usar a mídia e fazer propaganda enganosa, dão tapinhas nas costas, sorriem e elogiam antes de matar. São criminosos que entraram para a política.

O negócio é ser popular, né não Lulla?

Se eu contar mais, estrago a sua experiência de assistir o filme. Apenas recomendo que se prepare para o impacto. Tropa de Elite 2 tem recebido aplausos de pé no final. O seu blog predileto assistiu, gostou, aplaudiu e recomenda como alerta para toda a família: Não brinque com o seu voto, não negligencie o seu voto, não desperdice o seu voto. Precisamos tirar os criminosos do poder. Veja o trailer.