terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Musica do Dia - La Muerte Chiquita - Cafe Cacvba


Romoaldo de Souza

A primeira vez que velei um corpo foi do marido de uma tia. Era um tio torto, como se diz no interior de Pernambuco. Luiz Henrique. Homem endinheirado, muitas vacas - magras - mas era muitas. Carros de boi, empregados, amigos e filhos que não acabavam mais. Morreu! Fomos todos velar, Luiz Henrique. O padre, o prefeito, um deputado estadual e algumas pessoas que nem sei de onde saíram. Velório de gente endinheirada é sempre assim. Cheio de gente!


Café. Luiz Henrique gostava de tomar café. Era da pior espécie. O café, claro! Mas o povo se esbaldava de tanto tomar café. Café e pinga. Era uma lapida aqui, outra ali. E mais pinga, mais café e de repente me vejo numa roda de pessoas rindo que era uma beleza!


Achei esquisito aquele quadro surreal. Minha tia, os filhos choravam nas camarinhas. Mas meu tio contava histórias e todo mundo ria. E vinha uma piada. Um "causo" e era aquela gargalhada. Corri para perguntar a meu avô o que fazer. Se ficava com minha tia e chorava com ela ou se ia para o lado dos que sorriam a torto e a direito.


- Decida-se! Fique onde você acha que representa a vida. Que sentimento você tem pelo velho Luiz Henrique? Se são boas as recordações, melhor sorrir. Ele vai estar alegre - disse meu avô que tinha tradições diferentes dos pernambucanos para falar da morte.


Pronto. Achei mais animado ouvir piadas. Meu tio, o contador de histórias, ainda pediu para eu não ficar por ali, por causa das histórias "pesadas". Chegamos a um acordo que eu ficaria e que o nível subiria um pouco. Eu ainda estava na fase de pensar que piada pesada era de jumento carregado com seus caçuás. Esta é a primeira lembrança que me vem à mente de um velório. Fiquei na parte alegre.


Tempos depois, fui estudar no México. E me lembro que a primeira carta que mandei de lá foi para meu avô, contando a ele como era o "Día de los Muertos" na Cidade do México. Eu morava numa ruazinha, próximo à Calle Don Diego de León. Por volta das 7 da noite, começaram uma distribuição de algodão-doce, balas, caveiras de chocolate e iguarias que me lembrei da minha infância, na festa de Cosme e Damião. Confeitos, jujubas, doces de tudo quanto é espécie.


Caveiras de chocolate são distribuídas às crianças.
A festa dos mortos, no México faz a gente lembrar mais
da vida que se estivéssemos chorando por quem morreu

Parei e fui convidado a entrar na casa de Dueña Lurdes. Uma senhora tipicamente mexicana. Excelente cozinheira, mãe de duas filhas. Oh, mexicaninhas bonitas. Lembro bem o nome de uma delas… Mais tarde descobri que estava trabalhando na Cáritas da Alemanha. Danou-se! Era longe demais para quem tinha apenas curiosidade. Bom, voltando à festa da casa de Dueña Lurdes. Achei diferente ela se apresentar assim.


- Holla chico. Soy Dueña Lurdes. Mi hija Hilda Carrero. Fatima! Faaaaatima! - Gritou! Não sei mais o que rolou naquela festa.


O México comemora o Dia de Finados diferente das tradições cristãs do restante da América. Os mexicanos misturam as devoções com ritos culturalmente trazidos dos antepassados. Dos índios. É festa com ironia. Quase um carnaval. Toalhas bordadas, incenso, comidas - a maioria doce - e muita bebida. E tome tequila, cerveja.


No altar, os mexicanos como Dueña Lurdes, colocam esqueletos de chocolate, a imagem da Virgem de Guadalupe - a padroeira dos mexicanos - fotos de amigos e parentes mortos… E tome tequila.


Nos altares, fotos de parentes e amigos mortos.
Objetos de recordação, incenso, comida e muita bebida

Ouvi pouco choro. Eu também não choro mortos. Prefiro comemorar com os vivos. Aprendi com meu avô que trouxe essa tradição dos ciganos do Leste Europeu.


Bom, para terminar, achei essa música do grupo mexicano Café Tacvba. La Muerte Chiquita. Ah, o Tacvba é assim mesmo, com vê. É que no centro da Cidade do México tem uma tradicional cafeteira "Café Tacuba" que não aceitou que o nome do grupo musical tivesse o mesmo nome.


Bom dia! Comemore a vida!


La Muerte Chiquita

Café Cacvba


Dame la muerte chiquita

dame la muerte pequeña
y así tal vez en tus brazos
alcanzaré gracia plena
su esencia de alta marea
sus besos de tamarindo
sus pestañas dos palmeras a cuyo vaivén me rindo
dicen que usted trae las sombras
y por dentro está toda herida
Dame la muerte chiquita
antes del último sueño
una cosa a Dios yo pido
un segundo ser su dueño
la venganza es cosa dulce
y este machete que tengo
es por si alguien le hizo daño
que yo por usted me muero
es por si alguien le hizo daño
que yo por usted...
Dicen que usted trae las sombras
y por dentro está toda herida
por una noche en su lechoz de dar la vida



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Musica do Dia - Tungarara - Ska Cubano



Romoaldo de Souza

Ei! Passou gente! Agora, é hora de reatar algumas amizades que conseguiram sobreviver a esse vendaval de baboseiras. "Militantes" políticos que recebem por debaixo do pano, caixa 2, essas coisas a gente sabe que elas existem e num país como o Brasil não há a menor chance de cortar pela raiz. Então, volto a falar de paixão. De algo que, realmente, engrandece a alma, mesmo do mais convicto agnóstico. Paixão!

E hoje, escolhi um tema aparentemente corriqueiro. A paixão de dois sapos. Quando andei flertando com o Caribe, tentanto explorar a região, sem me deter no ensandecido apoio que muitos jovens da minha (então) idade davam ao regime de Fidel Castro, conheci o grupo Ska Cubano. O ritmo, as letras, a coreografia dos nova-iorquinos com sotaque de salsa, ska, rumba e um pouco de jazz.

Ao contrário de muitos que foram a Santiago de Cuba, fumar charuto com o (ex)comandante Fidel, Ska Cubano foi entender as nuances das escalas musicais cromáticas, comuns no calipso de Cuba. Foi sentir o que o Rock e o Reggae tinham para ofertar a uma fusão de estilos do crème de la crème da música cubana.

Pois bem, certo dia, Léo um sapinho solitário e sonhador, desculpem a redundância, não tinha como deixar fora esse clichê. Bom, voltando a Léo, o sapinho romântico, que decidiu sair por aí a passear. Despretenciosamente. Eis que numa dessas poças d'água, Léo encontra Lia, uma sapinha pra lá de serelepe. Dessas sapas ruivas, pele avermelhada, perfumada. Cheirando a lodo.

- Hum, especial. Você sabe ser especial, minha ruiva! - disse Léo, com um olhar de Alain Delón e voz de locutor de rádio com sotaque latino.

Com um olhar de quem quer, mas finge desinteresse, Lia deu com os ombros e saiu. Os outros sapinhos, que já conheciam Lia de outras lagoas, comentaram entre eles.

- Esse é mais um que caiu na rede. Entrar é fácil. Quero vê-lo sair - disse Don, um historiador e contador de casos.


"Ruiva Lia, aceita meu amor pelo resto da minha vida?", perguntou Léo
"Não. prefiro até que dure esse inverno frio", respondeu Lia


Bom, o resto é escutar a música Tungarara que escolhi para esta segunda-feira.

Tungarara
Isaac Villanueva

Así es que canta la rana
Cuando ella ve a su sapito
Y cuando ella está enamorada
Canta como un “sarapito”

Tungarara ...

El sapito le contesta  "cui cui"
Ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"
Y ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"


Cuando está entrando en la noche
Se sienta a esperar al sapo
Y a la orillita del charco
Se durme con gran reproche

Tungarara..

El sapito le contesta  "cui cui"
Ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"
Y ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"
Y ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Retidão, Luxúria, Pantaleão e as Visitadoras


Ricardo Icassatti Hermano

Pegue um homem que pautou sua vida pela retidão, honestidade, fidelidade, disciplina e competência profissional. Apresente-o à luxúria. Será que toda a sua formação virtuosa será capaz de resistir? Por quanto tempo? O escritor peruano e Prêmio Nobel de Literatura 2010, Mario Vargas Llosa, imaginou a situação e tentou responder à pergunta no livro Pantaleão e as Visitadoras.

Mario Vargas Llosa, genial e merecedor do Nobel

Uma obra-prima que terminou sendo levada para as telas de cinema. Ainda bem, porque não li o livro mas li o post que o Romoaldo escreveu sobre o filme. Daí, comprei o DVD e assisti uma história sensacional, ambientada em plena Amazônia peruana, que não difere em nada da brasileira. Um desses filmes que deixam um povo orgulhoso dos seus escritores, diretores e artistas.

Cartaz do filmaço

Interpretado pelo ator Salvador Del Solar, o Capitão Pantaleão Pantoja é um bom homem. Estudante esforçado, sempre tirou as melhores notas e passou em primeiro lugar nos concursos. Marido fiel, casou-se novo e mantém esposa jovem. Disciplinado, respeitador das hierarquias e obediente, encontrou o emprego ideal no Exército, onde se destacou pela folha impecável de serviços prestados.

Com esse currículo, Pantaleão se tornou a escolha certeira para a missão secreta que os seus superiores lhe confiam: organizar e administrar uma equipe de prostitutas (as "Visitadoras") para prestar serviços às guarnições no meio da selva, cujos soldados estão há meses sem contato com o sexo oposto. As meninas, com nomes como "Peituda" e "Peludita", são levadas de barco até os aflitos combatentes.

O barco da alegria e do prazer, só notícia boa

Competente e cioso dos seus deveres, Pantaleão faz da missão secreta um sucesso operacional. Pelo menos até que conhece a Colombiana, uma das prostitutas que se apresenta para avaliação e seleção prévia. Magistralmente interpretada pela belíssima atriz Angie Cepeda, a Colombiana é a mulher perfeita, a própria encarnação da luxúria.

Para vocês terem uma pálida ideia, morei seis meses em Boa Vista, capital de Roraima. Sei o que é viver na Amazônia. O filme mostra bem isso e logo notei uma característica da região. Todo mundo sua o tempo todo. O calor é infernal, dia e noite. Mas, a mulher perfeita não transpira uma gota sequer de suor. Ela só transpira desejo e sexo, sempre de uma maneira pecaminosamente ingênua. Se é que você me entende.

Angie Cepeda, a Colombiana.
E você pensou que eu estava exagerando ...

A história ainda tem a participação de um radialista do interior que acabou elucidando uma dúvida que me intrigava. O tal radialista descobre que Pantaleão está a serviço do Exército, que é casado e trai a mulher. Logo, tenta extorquir o pretenso cafetão, que resiste ao assédio. Daí para a chantagem pura e simples é um pulo.

Depois que o preço é acertado e pago, o radialista explica que não tem nada pessoalmente contra Pantaleão e que faz aquilo apenas porque é um "progressista". Aí é que fui entender o que são os tais "blogueiros progressistas" ...

Veja o trailer do filme e alugue o DVD para assistir. Você vai se deliciar com as aventuras do pobre Pantaleão e com as curvas da esplêndida Colombiana. Mas, cuidado! Não tome café, pois poderá ter palpitações e taquicardia ...



domingo, 24 de outubro de 2010

Suplicy, sem renda mínima ...


Ricardo Icassatti Hermano

Brasília já começa a ter disputa de excelentes cafés. Há exatamente uma semana e três dias está funcionando a pleno vapor a cafeteria Suplicy, que veio de São Paulo e desembarcou no também novíssimo Shopping Iguatemi, logo ali no Lago Norte. E não trouxe apenas os seus grãos especiais. Trouxe também um novo patamar de qualidade e profissionalismo. Seja Benvinda : )

Mais do que café, um novo parâmetro de atendimento ao cliente

A dupla Jorge Roxo e Camila Roxo, pai e filha, conseguiu uma espécie diferente de franquia, o licenciamento da marca. Com isso, poderão disponibilizar a parte de alimentação com produtos locais, sem seguir um menu imposto pelo franqueador. Também reproduzem o bom exemplo da matriz vendendo cafeteiras Moka e French Press e outros produtos da fabricante italiana Bialetti.

Fazendo jus ao sobrenome, Jorge ficou "roxo" na hora da foto

O foco da cafeteria é todo voltado para o café. Tanto é que o espresso é acompanhado apenas e exclusivamente da porção de água com gás, sem o tradicional docinho no pires. Confesso que nunca entendi - e nem comi - aquele docinho, que acaba comprometendo o paladar.

Os cafés são divididos por região de origem e por nível de torra. Assim, temos o Sul de Minas nas versões de torra média e clara, e o Cerrado Mineiro com torra escura. Ainda há o café descafeinado, para quem não quer ou não pode ingerir cafeína.

A Suplicy lembra cafeterias de New York e Paris

Nessas duas semanas, o pessoal da cafeteria recebeu treinamento/acompanhamento constante do Barista André Fabbri, que recebeu o título de "Melhor Cappuccino" no mais recente Campeonato Brasileiro de Barismo. E ele é barista há apenas quatro anos. Saindo a regulamentação da profissão, que tem duas propostas tramitando no Senado e na Câmara dos Deputados, finalmente o Barismo poderá ser visto como uma opção de carreira profissional e não apenas como um bico passageiro.

Mas, conversando com Jorge e Camila, ficamos sabendo que a Suplicy funcionará no horário do shopping, das 10h às 22h. O formato de quiosque, segundo eles, é o que mais dá certo, porque chama mais atenção que uma loja. Os sons e os cheiros são atrativos naturais. Além da cor rosa, é claro. E o conforto não foi esquecido.

A Suplicy ocupa um bom espaço, mas algo me diz que
logo logo vão precisar de mais

Eles também nos garantiram que em poucos dias disponibilizarão WiFi. As tomadas elétricas já estão instaladas e os proprietários querem que a Suplicy seja vista como um local onde se pode sentar com o laptop e trabalhar, fazer uma reunião de negócios, conversar ou simplesmente relaxar desfrutando dos cafés, das guloseimas e da ambientação. Acho que o Romoaldo vai gostar dessa.

E o pessoal não para um minuto sequer

A cafeteria ainda tem revistas variadas para leitura, uma área com sofazão, e vende o café que serve, em grãos e em pó, para os clientes que quiserem estender a experiência e o prazer de um bom café até suas próprias casas. Chegam ao capricho de moer os grãos desde a finíssima moagem turca até a moagem para uso na French Press. Apesar do nome, também não há o risco de ouvir os discursos sem fim e sonolentos do senador ... Não tem jeito de sair insatisfeito da Suplicy.

Experimentei o espresso com grão Sul de Minas, torra média, e gostei da acidez, da doçura e do retrogosto ou after taste. Não é muito encorpado, mas não é exatamente um defeito. Gostei e quando estiver por aquelas bandas, já sei onde me aboletar. Até porque a Suplicy tem a soda italiana e vende os xaropes também; tem frapês variados, sucos e algo que ainda não experimentei mas já está anotado na caderneta: é o Lacrima, feito com leite vaporizado e salpicado com gotas de crema do espresso ... hummmm!!!

Café especial para ser devidamente apreciado

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Esclarecimento e Adams Óbvio


Ricardo Icassatti Hermano

Nos últimos dias, a disputa eleitoral tem se acirrado e uma excrescência dos anos 1970 resolveu reaparecer. É a tal da "patrulha ideológica", que utilizando um maniqueísmo rasteiro e babaca tenta dividir o mundo entre os bonzinhos e éticos e os mauzinhos e aéticos. O problema é que nessa divisão, os espertos sempre posicionam os bonzinhos à esquerda e os mauzinhos à direita.

Como era de se esperar, a "patrulha" acabou encontrando o Café & Conversa para encher o meu saco. Por isso, fiz um necessário esclarecimento no Twitter e agora repito aqui. O lendário publicitário Adams Óbvio já dizia que o óbvio sempre nos escapa, porque fazer o óbvio exige muita análise. Para analisar é preciso pensar e pensar é o trabalho mais árduo que as pessoas têm que fazer. E elas não gostam de pensar nem um pouco além do necessário.

Divido irmamente este espaço cibernético com o amigo e jornalista Romoaldo de Souza. Temos ideias e posicionamentos completamente diferentes sobre vários assuntos e aspectos da vida. Em momento algum nos passou pela cabeça que isso poderia ser um impedimento para a nossa amizade, porque somos homens inteligentes e temos compreensão do que seja o "direito" e a "liberdade". Sabemos viver e conviver sob um regime democrático.

A democracia brasileira é jovem e frágil. Ao contrário da propaganda, ela corre perigo sim. Políticos de todos os matizes tramam contra ela todos os dias. O PT faz isso abertamente, inclusive documenta a sua intenção de exterminá-la e seu líder único vocifera que quer extirpar partidos adversários. Tudo isso sob a máscara do jogo democrático. Disputam eleições, falam em liberdade, em progresso, desenvolvimento e fim da pobreza. Assim como seus ídolos Fidel Castro e Hugo Chavez.

Nos preocupamos demais em ter logo eleições diretas para presidente da República, pensando que os demais fundamentos da democracia viriam por gravidade. Estamos vendo que não é bem assim. Enquanto crianças de 16 anos de idade já podem votar, ainda discutimos a liberdade de opinião e de expressão, censura, religião etc. É aí nessa lacuna que se movimentam as tais "patrulhas ideológicas". Elas não gostam de quem pensa, opina e se expressa livremente.

Alguns desses "patrulheiros" andaram fazendo insinuações e cobranças à pessoa errada. Deveriam se dirigir exclusivamente a mim, mas foram em cima do Romoaldo. Eu optei por votar no candidato tucano José Serra. O Romoaldo fez a opção dele e sobre a qual só ele pode falar.

O fato de dividirmos este blog não significa que tenhamos de pensar exatamente da mesma maneira nem fazer as mesmas escolhas políticas. Parece óbvio, mas para algumas pessoas é difícil entender conceitos básicos como respeito ao direito do outro.

Da mesma forma, Romoaldo não precisa da minha autorização para manifestar o que pensa sobre qualquer assunto e expressar-se através do blog. Ele é um homem livre, vivendo sob um regime democrático.

Não vou discutir direitos com quem quer que seja. Direito se exerce, não se discute. Não preciso da licença de ninguém para exercer os meus. Rechacei toda e qualquer "patrulha ideológica" na década de 1970 e o farei novamente se for necessário. Os "patrulheiros" acham que podem ditar o que devemos pensar, falar e fazer. Coelhinho peludo, zebrinha listrada, oncinha pintada, vão se fu***!!!

Se alguém não gosta do que escrevo, não leia. Procure um blog "progressista" e seja feliz. Também esqueçam o Romoaldo, porque quem vai votar e faz campanha de graça para o José Serra sou eu. Portanto, se alguém não gosta do fato de que eu exerço livremente os meus direitos, venha se queixar comigo e apenas comigo. Estou inteiramente à disposição dos interessados.

O blog Café & Conversa não é "progressista" e não recebe qualquer espécie de patrocínio. Seja estatal ou privado. Escrevo aqui porque quero, porque gosto e continuarei escrevendo até quando entender que deva. Não sou filiado a partido político e não devo satisfação a ninguém além da minha consciência.

Recebemos de braços abertos críticas, opiniões, observações, reparações, cumprimentos e elogios através de um endereço de e-mail (cafeconversa@gmail.com) e na área reservada a comentários. Não somos tolerantes com anônimos, que serão simplesmente deletados. Erros serão corrigidos assim que forem detectados.

As avaliações sobre cafés e cafeterias feitas por nossa iniciativa são custeadas por nós mesmos. Não aceitamos cortesias ou brindes de quem quer que seja nesse processo de avaliação. Interessados em nossa opinião, nos enviam grãos e/ou pó de café para serem avaliados e é só.

Espero não ter que retornar a esse assunto. Mas, se for necessário, me limitarei a disponibilizar um link para este post.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Musica do Dia - Irerê - Cesar Costa Filho


Romoaldo de Souza


Ainda estou procurando informações sobre uma composição de César Costa Filho, Irerê, gravada pelo poeta fluminense, em 1978. Por alguma razão, por algum motivo, essa música não sai da minha cabeça.


No final dos anos 70, eu tinha passado por uma experiência incendiária em um posto de gasolina, na entrada de Taguatinga. Era o Zelito Super Posto, e trabalhava ouvindo rádio. Um radinho de pilha que compre na Comercial Norte, Acho que no Ponto Frio. Um certo dia, escutei Irerê, que estava tocando no programa do apresentador, Roberto Ney, na Planalto AM.


Pedi ao comunicador e ele me trouxe de presente o LP - Long Play, para quem não se lembra como eram chamados os discos de vinil. Um mês depois, Cesar Costa Filho chegou no posto de gasolina onde eu trabalhei. Depois eu gosto como foi nosso encontro. Bom, com o tempo me desfiz dos LPs e agora, a mente insiste em me despertar com essa canção.


Roberto Ney me trouxe, de presente, um LP com várias outras composições de Cesar Costa Filho. Irerê foi a que mais marcou minha adolescência. Lembro que comprei uma camisa igualzinha a essa que o compositor está usando. Fiquei uma arara quando, certa vez, um ladrão, certamente de bom gosto, carregou a camisa do varal da casa da minha mãe!


São lembranças boas. Melancólicas. De um tempo que não podia, ainda, ir trabalhar em rádio enquanto era efervescente a onda de programas de muita audiência, como esse de Roberto Ney.


Aí, agora no fim de semana, estava procurando no meu playlist uma música diferente para tocar para os leitores do Café & Conversa que, como eu, estão - desculpem a expressão - de saco cheio com a campanha eleitoral, e eis que encontro Irerê.


Antes que o pessoal politicamente correto me cutuque, essa campanha eleitoral foi a mais despolitizada que jamais participei. E olha que em matéria de campanha eleitoral eu já estou rodado. É por isso. Não vi um assunto edificante. Pronto!


Voltando a Irerê. Essa música foi gravada em 1978, num LP da Continental. Aqui digitalizada e espero que tenham paciência. Vale a pena esperar que a página do "4shared" carregue a música. A letra, eu tive de ouvir Irerê ao menos umas dez vezes. Espero que esteja certa.


Na internet, achei esse texto atribuido a Sérgio Cabral, o pai. Claro.


"Acho que poucos compositores-cantores surgidos nos últimos anos mereceram uma expectativa tão grande para o seu primeiro LP quanto mereceu Cesar Costa Filho. O seu talento está provado desde o primeiro Festival Universitário de Música Popular e, desde então, Cesar só o tem confirmado numa obra de críticas favoráveis e de sucessos obtidos em discos tipo compacto.

Portanto, soma-se ao seu talento, à correção com que interpreta suas músicas, ao cuidado com que esse disco foi produzido, às letras de Walter Queiroz, Paulo Cesar Pinheiro e Jair Amorim - a maturidade com que Cesar Costa Filho chega ao seu primeiro LP.

Se você tiver lendo estas notas antes de ouvir o disco, pode acreditar em mim: leve-o para casa. Asseguro que é muito bom."

Então, espero que sua segunda-feira seja feliz e desfrute dessa belíssima composição de Cesar Costa Filho. Caso encontre mais informações dele e de Irerê, mande e-mail. cafeconversa1@gmail.com


Irerê

Cesar Costa Filho e Paulo César Pinheiro


Irerê, pássaro cativo

Irerê, braço de galé

Irerê, negro fugitivo

Irerê, príncipe-guiné


Ferro quente, faz sinal

Marca de "sinhô" qualquer

Irerê parte o grilhão

Mata um montão

Cai do porão

Na maré


Irerê, pássaro proscrito

Irerê, revolta a ralé

Irerê, chamado maldito

Irerê, do Abaeté


Mato virgem, palmeiral

Negro, macho, finca o pé

Irerê cerca o rincão

Chama os irmãos

Funda a Nação

Do Povo Axé!


Irerê, pássaro caçado

Irerê, pelos "coroné"

Irerê, com seus comandados

Irerê, no Abaeté.


Luta armada, marcial

Luta quem ser livre e quer

Mas é mil contra um milhão

Soa canhão, tomba no chão

O rei-guiné.


Irerê, passarinho morto

Irerê, filhos de Quelé

Irerê, mas Guiné tem outro

Irerê seu filho Ireré.


Irerê, pássaro cativo

Irerê, pássaro proscrito

Irerê, pássaro caçado

Irerê, passarinho morto


http://www.4shared.com/audio/Mw1VmKtc/


César Costa Filho - Irerê.mp3


domingo, 17 de outubro de 2010

Marina, morena Marina, você vacilou ...


Ricardo Icassatti Hermano

A notícia do final de semana é a "neutralidade" proclamada pela "verde" Marina Silva. Aceito como escolha legítima a neutralidade do eleitor, mas confesso que tenho uma dificuldade intransponível para entender políticos profissionais que se dizem neutros em determinadas situações. Em eleição então eu considero de uma hipocrisia cavalar, para ficar nos limites do politicamente correto ...

Como é que um político se submete às exigências de um processo eleitoral, sem qualquer crítica, legitimando-o do início ao fim; divulga a sua mensagem ou "utopia" no caso da Marina; compete, faz propaganda, pede voto, tenta conquistar o eleitorado e depois que perde resolve se rebelar e proclamar neutralidade? Onde está a coerência?

Escolha, decisão, compromisso. Tudo isso só é bom quando votam nela

Para a Marina, só é bom quando votam nela? Prefere não conseguir qualquer avanço para sua "utopia" em nome da "neutralidade"? Ou será que ela acha que a "neutralidade" é um avanço? Até onde pude saber, a neutralidade política - para um político - vem da discordância com todo o processo e não apenas por ter ficado fora do segundo turno de uma eleição. Para ser coerente, Marina não deveria nem ter cogitado ser candidata.

Além disso, ela não ajuda em nada o desenvolvimento e aperfeiçoamento da democracia brasileira ou do partido que escolheu para se abrigar após ter sido chutada porta afora do PT. Ao contrário, o cheiro ruim que fica é o de sabotagem. Marina age como uma menina mimada, que não gosta das regras ou do resultado das suas empreitadas e resolve que nada daquilo vale para ela. Emburrada, prende a respiração ou bate a cabeça na parede na tentativa de modificar a realidade até que atenda aos seus desejos.



Os clássicos são assim chamados porque nos deixaram lições universais. Para a religiosa Marina, fui buscar em A Divina Comédia, obra imortal de Dante Alighieri (1265-1321), uma lição, um lembrete ou um alerta.

Dante Alighieri, em retrato de Sandro Botticelli (1495)

Tendo Virgílio (autor de Eneida) como guia e mentor, Dante faz sua jornada espiritual percorrendo todo o trajeto da Esfera Armilar que, de acordo com a crença medieval, sairia da Terra e passaria pelo Inferno, pelo Purgatório e chegaria ao Paraíso, que era o sentido original de "Comédia".

Afresco de Domenico di Michelino mostra Dante na entrada
de Florença, ao lado da Catedral Santa Maria del Flore e
apontando para uma fila de pecadores

Após atravessar o Portal do Inferno, o poeta italiano adentra o Vestíbulo do Inferno, a morada dos indecisos, covardes e que passaram a vida em cima do muro. Aqueles que nunca quiseram assumir compromissos, tomar decisões firmes, por acharem que assim perderiam a oportunidade de fazer alguma coisa. Ali, os covardes são condenados a correr em filas atrás de uma bandeira que corre rapidamente, picados por vespas e moscões.

E foi ao conhecer os Nove Círculos do Inferno, que Dante cunhou o seguinte alerta:

"Os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que, nos momentos de crise, se mantêm neutros" - Dante Alighieri

sábado, 16 de outubro de 2010

Como uma simples xícara de café pode mudar o mundo


Ricardo Icassatti Hermano

Essa eu não podia deixar passar. Enquanto o governo Lulla se perde na corrupção, ou melhor dizendo, na venda de facilidades, com taxa de $uce$$o, para as dificuldades que naturalmente cria com a sua incompetência administrativa, a iniciativa privada, que não é brasileira, cria facilidades para ajudar quem precisa. Sem governos envolvidos.

Eu poderia até explicar do que se trata o Project 7, uma empresa texana que vende café. Mas, tiraria o brilho do vídeo feito por eles justamente para explicar o que fazem, como fazem e porquê fazem. Assistam e entendam como uma simples xícara de café pode ajudar a melhorar a vida de muita gente.

Infelizmente, o video foi retirado do site VIMEO e não há qualquer informação do motivo, mas ainda pode ser visto no próprio site do Project 7.