quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A música do Dia - Usina - Mestre Ambrosio


Romoaldo de Souza


Sim, porque depois dessa história toda de que tem gente querendo banir Monteiro Lobato por causa de um deslize sociológico, pelo escritor ter sido politicamente incorreto, revolvi escancarar e vamos postar aqui uma música "tipo assim", um tanto quanto politicamente incorreta. Agora, antes de ir adiante, tem algum político correto? Isso ninguém fala!


- Ah! a música do Mestre Ambrosio é politicamente incorreta - dizem uns.


- Ih! Chico Buarque canta que "a coisa aqui tá preta" e "isso é politicamente incorreto" - sapecam outros. É, mas tem gente metendo a mão na "cumbuca" e parece ser politicamente correto.


- Todos roubam - não é o que se diz por aí?


Então para jogar um balde d'água com gás na hipocrisia policialesca de quem não tem nada o que fazer, e fica aí sentindo saudades, tecendo loas à memória de Dona Solange, temos hoje, a música mais politicamente incorreta que ouvi nos último dias. E ainda tem gente falando que a velhice é a melhor idade. Sofismas. Puro sofisma. Se fosse, realmente, a melhor idade, ninguém faria plástica, não se empanturravam de cremes, botox, o diabo a quatro. A velhice é a passada que falta para você cair no buraco...


Esse vídeo é tão sintomático, que até a derradeira estrofe foi literalmente surripiada, isso sem contar que essa é uma versão da música original do grupo pernambucano, que começou a fazer sucesso em 1992, antes mesmo do lançamento do primeiro disco, "Mestre Ambrosio - Independente". Depois vieram "Fuá na Casa de CaBRal", em 98 e o último disco "Terceiro Samba", três anos depois. No vídeo, alguém canta como se fosse o Mestre Ambrosio. Mas não é!


Em seguida, os sexteto que tinha nascido no movimento Manguebeat da mesma linha de Chico Science & Nação Zumbi se desfez, em 2003.


Então, para dar um provocada nos "politicamente corretos". Volto a repetir se é que eles existem, com vocês, a música Usina (Tango no Mango) que tem a produção de Lenine e Marcos Suzano!!!


PS: se você não tem Google no seu computador, "Dona Solange" era como se conhecia Solange Teixeira Hernandes, que tornou-se o símbolo da censura, durante o regime militar. Dona Solange, diretora do Departamento de Censura Federal deixou uma legião de fãs, travestidos de "politicamente corretos".


Usina


Ajustei um casamento

Pensando ser boa idéia

Invês de ser com uma moça

Era o diabo duma véia


Me caso contigo véia

E é de ser em condição

D’eu dormir na minha rede

E tu véia, no fogão


Me casei com esta véia

Pra livrar da fiarada

A danada dessa véia

Teve dez numa ninhada


Desses dez que nasceram

Um deu pra ladrão de bode

E deu no tango e deu no mango

Dos dez só ficaram nove


Dos nove que ficaram

Um deu pra roubar biscoito

E deu no tango e deu no mango

Dos nove ficaram oito


Dos oito que ficaram

Um deu pra roubar chiclete

Deu no tango e deu no mango

Dos oito ficaram sete


Dos sete que ficaram

Um foi roubar pão francês

Deu no tango e deu no mango

Dos sete ficaram seis


Desses seis que ficaram

Um deu pra ladrão de pinto

E deu no tango e deu no mango

Dos seis só ficaram cinco


Dos cinco que ficaram

Um deu pra ladrão de pato

E deu no tango e deu no mango

Dos cinco ficaram quatro


Dos quatro que ficaram

Um deu pra roubar outra vez

Deu no tango e deu no mango

Dos quatro ficaram três


Desses três que ficaram

Um deu pra ladrão de boi

Deu no tango e deu no mango

Dos três só ficaram dois


Desses dois que ficaram

Um deu pra roubar jerimum

Deu no tango e deu no mango

Desses dois só ficou um


Desse um que ficou

Um deu pra roubar ladrão

Deu no tango e deu no mango

E acabou-se a geração




terça-feira, 2 de novembro de 2010

Café entre Amigos ou "O Grande Encontro com @ruthmarias"


Ricardo Icassatti Hermano

Hoje é o Dia de Finados. Mas, sou da mesma filosofia cigana do Romoaldo. Não choro meus mortos. Sinto saudades e lembro os bons momentos que desfrutamos. Afinal, o problema dos mortos já está resolvido. O nosso é que continua ... e sempre prefiro celebrar a vida, que apesar de tudo é uma dádiva.

Foi o que fiz ontem. Comecei o dia dormindo. A maratona das eleições chegou ao fim e pude descansar o corpo. Para descansar a mente, fui almoçar com a filharada e a querida nora Aline. Depois fomos assistir o filme Federal, totalmente produzido e rodado em Brasília.

Confesso que fui por curiosidade e acredito que todos no cinema estavam lá pelo mesmo motivo. Ninguém botou fé que o filme fosse realmente o que a propaganda alardeia: "Considerado o Tropa de Elite 3" ... E exatamente como nós, todos saíram decepcionados com a péssima qualidade de tudo.

O filme é farto. Farta roteiro, farta iluminação, farta edição, farta continuidade, farta som, farta atuação decente, farta direção. Eu sei, a piada é velha. Mas, quem disse que o mundo é justo? Já vi experimentos de estudantes muito melhores que aquilo. Esse filme merece apenas um conselho: não desperdice o seu dinheiro com ele.

Cartaz do mico ...

O curioso foi ver que entre os patrocinadores daquela josta estão a Petrobras e o BNDES. Fiquei a pensar quais seriam os critérios dessas instituições conhecidíssimas pela probidade, para botar dinheiro público nas mãos de incompetentes. Sei não ... Será que tem taxa de sucesso? Quem são os responsáveis por atestar a qualidade do que patrocinam? Quem fiscaliza isso?

Em seguida, Romoaldo e eu fomos ao que ficou conhecido no mundo virtual como "O Grande Encontro com @ruthmarias". Antes preciso explicar quem é a Ruth. Ela foi minha professora no Colégio Objetivo e a responsável por momentos inesquecíveis da minha vida. Ela também me deu lições valiosas sobre aceitar desafios que, num primeiro momento, nos parecem gigantescos. Não conheço professora melhor.

Naquela época, meados dos anos 1970, o Segundo Grau estava iniciando uma nova abordagem pedagógica com os chamados Laboratórios. Acredito que a ideia era facilitar a escolha de uma profissão quando fôssemos nos inscrever para o vestibular. A Ruth foi minha professora no Laboratório de Comunicação. Ela foi uma das pessoas decisivas na escolha profissional que fiz.

O Colégio Objetivo, que nasceu em São Paulo, estava começando sua expansão para outros estados. Havia uma competição entre os diretores para ser o primeiro em certos quesitos. No nosso caso, era qual colégio seria o primeiro a editar um jornal. O nosso Laboratório seguia uma linha que nenhum outro seguia: não ter uma linha.

Combinamos que nosso horário seria o noturno e nosso "aprendizado" não seguiria os padrões ortodoxos. Claro que tudo isso foi liderado e organizado pela Ruth. Não vou entrar nos detalhes da nossa heterodoxia para não arrumar encrenca. Mas o resultado foi que conseguimos editar nosso jornal antes até mesmo que São Paulo, que tinha mais alunos e muito mais recursos que nós. Nossa "sala de aula" era um barracão de madeira.

A partir dessa "vitória", o diretor do colégio, o César, passou a nos dar um tratamento melhor. O barracão ganhou uns upgrades, mas manteve a alma libertária. Uma bela noite, o César entrou esbaforido na nossa sala de aula. Estava desesperado. A primeira festa de formatura do Objetivo de Brasília estava para naufragar. A turma de alunos encarregada de preparar a festa, simplesmente não havia feito nada.

Ele nos pediu socorro. Éramos meia dúzia de garotos cabeludos, barbudos e meio embriagados, liderados por uma professora super gata.

Essa foi uma das grandes lições que aprendi com Ruth. Não há desafio que não possamos enfrentar. Precisamos de vontade, recursos e criatividade. Os recursos estavam garantidos pelo César. O resto, investimos em três dias e três noites sem dormir. Ruth administrou tudo e nós botamos a mão na massa. Fizemos toda a decoração de um ginásio de esportes alugado para o evento. Montamos palco e até distribuímos mesas e cadeiras, com toalhas e tudo o mais.

Saímos do ginásio quando os primeiros convidados estavam chegando. Fui para casa me arrumar para a festa. Apaguei no chuveiro. Alguém me tirou de lá, mas estava difícil não dormir. Alguém me deu um comprimidinho. Saí quicando para a festa. A turma chegou mais ou menos junta, mas já era tarde e não encontramos mesa vazia.

Assim que nos avistou, o César veio até nós e perguntou onde estávamos sentados. Espantado com a nossa resposta, pediu que o seguíssemos até uma grande mesa colocada à frente do palco onde haveria um show. Era a mesa da turma de estudantes que deveria ter feito o trabalho que fizemos. César mandou todo mundo levantar, esclarecendo que quem merecia estar sentados ali éramos nós.

Bom, o resto é história. Passaram-se os anos e de repente reencontro minha querida professora no Twitter. Foi uma alegria só. Desde então, passamos a combinar um encontro ao vivo e a cores. Mas, a correria da vida sempre adiava. Até que finalmente surgiu a oportunidade para "O Grande Encontro com @ruthmarias", lá na Fellini Caffè. Com direito a caneca e tudo o mais.

Mulher é foda. Marca hora, chega atrasada e ainda
precisa ajeitar o cabelo para receber uma caneca ...

Foi um encontro emocionante. Hoje, Ruth preside uma ONG que leva educação a crianças carentes. É realmente uma professora. Embalados por um excelente Santo Grão Sul de Minas e todas aquelas guloseimas deliciosas, ficamos horas lembrando essas estórias que você acabou de ler e outras tantas que alongariam demais esse post. E tudo graças à internet e ao café.

Ruth recebendo a caneca diretamente das minhas mãos. À mestra com carinho : )

Muitos teóricos apressados disseram que as redes sociais acabariam por afastar as pessoas do convívio pessoal. Não é o que tenho visto e experimentado. Conheci pessoas incríveis através das redes. Reencontrei outras tantas que havia perdido contato ao longo da vida. Passamos a nos encontrar pessoalmente graças também ao café.

"Nooooooossssssa! É uma caneca do Café & Conversa!!!"

Ultimamente o Café & Conversa tem se dedicado a levar leitores e leitoras para degustações em cafeterias bacanas da cidade. Por exigência deles(as) mesmos(as). Apertar os laços de velhas e novas amizades em torno de xícaras fumegantes e cheirosas, é uma ciência delicada. Em nossa mesa, sentam-se as mais diversas personalidades, linhas de pensamento e preferências políticas. Nada disso jamais impediu a amizade entre todos. E tem gerado excelentes conversas.

Alegria incontida com o sonho realizado

Amizade é uma espécie de amor. Como tal, exige respeito, tolerância, bom humor, curiosidade, mente aberta e inteligência. O café atrai tudo isso e mistura divinamente como um Lacrima. Sou um abençoado por conhecer gente desse calibre. E é muita gente. Também sou abençoado por ter "descoberto" o café e tudo de bom que ele acrescenta ao convívio dos amigos. Agora me deu vontade de tomar um espresso ... Fui ----- >

A Musica do Dia - La Muerte Chiquita - Cafe Cacvba


Romoaldo de Souza

A primeira vez que velei um corpo foi do marido de uma tia. Era um tio torto, como se diz no interior de Pernambuco. Luiz Henrique. Homem endinheirado, muitas vacas - magras - mas era muitas. Carros de boi, empregados, amigos e filhos que não acabavam mais. Morreu! Fomos todos velar, Luiz Henrique. O padre, o prefeito, um deputado estadual e algumas pessoas que nem sei de onde saíram. Velório de gente endinheirada é sempre assim. Cheio de gente!


Café. Luiz Henrique gostava de tomar café. Era da pior espécie. O café, claro! Mas o povo se esbaldava de tanto tomar café. Café e pinga. Era uma lapida aqui, outra ali. E mais pinga, mais café e de repente me vejo numa roda de pessoas rindo que era uma beleza!


Achei esquisito aquele quadro surreal. Minha tia, os filhos choravam nas camarinhas. Mas meu tio contava histórias e todo mundo ria. E vinha uma piada. Um "causo" e era aquela gargalhada. Corri para perguntar a meu avô o que fazer. Se ficava com minha tia e chorava com ela ou se ia para o lado dos que sorriam a torto e a direito.


- Decida-se! Fique onde você acha que representa a vida. Que sentimento você tem pelo velho Luiz Henrique? Se são boas as recordações, melhor sorrir. Ele vai estar alegre - disse meu avô que tinha tradições diferentes dos pernambucanos para falar da morte.


Pronto. Achei mais animado ouvir piadas. Meu tio, o contador de histórias, ainda pediu para eu não ficar por ali, por causa das histórias "pesadas". Chegamos a um acordo que eu ficaria e que o nível subiria um pouco. Eu ainda estava na fase de pensar que piada pesada era de jumento carregado com seus caçuás. Esta é a primeira lembrança que me vem à mente de um velório. Fiquei na parte alegre.


Tempos depois, fui estudar no México. E me lembro que a primeira carta que mandei de lá foi para meu avô, contando a ele como era o "Día de los Muertos" na Cidade do México. Eu morava numa ruazinha, próximo à Calle Don Diego de León. Por volta das 7 da noite, começaram uma distribuição de algodão-doce, balas, caveiras de chocolate e iguarias que me lembrei da minha infância, na festa de Cosme e Damião. Confeitos, jujubas, doces de tudo quanto é espécie.


Caveiras de chocolate são distribuídas às crianças.
A festa dos mortos, no México faz a gente lembrar mais
da vida que se estivéssemos chorando por quem morreu

Parei e fui convidado a entrar na casa de Dueña Lurdes. Uma senhora tipicamente mexicana. Excelente cozinheira, mãe de duas filhas. Oh, mexicaninhas bonitas. Lembro bem o nome de uma delas… Mais tarde descobri que estava trabalhando na Cáritas da Alemanha. Danou-se! Era longe demais para quem tinha apenas curiosidade. Bom, voltando à festa da casa de Dueña Lurdes. Achei diferente ela se apresentar assim.


- Holla chico. Soy Dueña Lurdes. Mi hija Hilda Carrero. Fatima! Faaaaatima! - Gritou! Não sei mais o que rolou naquela festa.


O México comemora o Dia de Finados diferente das tradições cristãs do restante da América. Os mexicanos misturam as devoções com ritos culturalmente trazidos dos antepassados. Dos índios. É festa com ironia. Quase um carnaval. Toalhas bordadas, incenso, comidas - a maioria doce - e muita bebida. E tome tequila, cerveja.


No altar, os mexicanos como Dueña Lurdes, colocam esqueletos de chocolate, a imagem da Virgem de Guadalupe - a padroeira dos mexicanos - fotos de amigos e parentes mortos… E tome tequila.


Nos altares, fotos de parentes e amigos mortos.
Objetos de recordação, incenso, comida e muita bebida

Ouvi pouco choro. Eu também não choro mortos. Prefiro comemorar com os vivos. Aprendi com meu avô que trouxe essa tradição dos ciganos do Leste Europeu.


Bom, para terminar, achei essa música do grupo mexicano Café Tacvba. La Muerte Chiquita. Ah, o Tacvba é assim mesmo, com vê. É que no centro da Cidade do México tem uma tradicional cafeteira "Café Tacuba" que não aceitou que o nome do grupo musical tivesse o mesmo nome.


Bom dia! Comemore a vida!


La Muerte Chiquita

Café Cacvba


Dame la muerte chiquita

dame la muerte pequeña
y así tal vez en tus brazos
alcanzaré gracia plena
su esencia de alta marea
sus besos de tamarindo
sus pestañas dos palmeras a cuyo vaivén me rindo
dicen que usted trae las sombras
y por dentro está toda herida
Dame la muerte chiquita
antes del último sueño
una cosa a Dios yo pido
un segundo ser su dueño
la venganza es cosa dulce
y este machete que tengo
es por si alguien le hizo daño
que yo por usted me muero
es por si alguien le hizo daño
que yo por usted...
Dicen que usted trae las sombras
y por dentro está toda herida
por una noche en su lechoz de dar la vida



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Musica do Dia - Tungarara - Ska Cubano



Romoaldo de Souza

Ei! Passou gente! Agora, é hora de reatar algumas amizades que conseguiram sobreviver a esse vendaval de baboseiras. "Militantes" políticos que recebem por debaixo do pano, caixa 2, essas coisas a gente sabe que elas existem e num país como o Brasil não há a menor chance de cortar pela raiz. Então, volto a falar de paixão. De algo que, realmente, engrandece a alma, mesmo do mais convicto agnóstico. Paixão!

E hoje, escolhi um tema aparentemente corriqueiro. A paixão de dois sapos. Quando andei flertando com o Caribe, tentanto explorar a região, sem me deter no ensandecido apoio que muitos jovens da minha (então) idade davam ao regime de Fidel Castro, conheci o grupo Ska Cubano. O ritmo, as letras, a coreografia dos nova-iorquinos com sotaque de salsa, ska, rumba e um pouco de jazz.

Ao contrário de muitos que foram a Santiago de Cuba, fumar charuto com o (ex)comandante Fidel, Ska Cubano foi entender as nuances das escalas musicais cromáticas, comuns no calipso de Cuba. Foi sentir o que o Rock e o Reggae tinham para ofertar a uma fusão de estilos do crème de la crème da música cubana.

Pois bem, certo dia, Léo um sapinho solitário e sonhador, desculpem a redundância, não tinha como deixar fora esse clichê. Bom, voltando a Léo, o sapinho romântico, que decidiu sair por aí a passear. Despretenciosamente. Eis que numa dessas poças d'água, Léo encontra Lia, uma sapinha pra lá de serelepe. Dessas sapas ruivas, pele avermelhada, perfumada. Cheirando a lodo.

- Hum, especial. Você sabe ser especial, minha ruiva! - disse Léo, com um olhar de Alain Delón e voz de locutor de rádio com sotaque latino.

Com um olhar de quem quer, mas finge desinteresse, Lia deu com os ombros e saiu. Os outros sapinhos, que já conheciam Lia de outras lagoas, comentaram entre eles.

- Esse é mais um que caiu na rede. Entrar é fácil. Quero vê-lo sair - disse Don, um historiador e contador de casos.


"Ruiva Lia, aceita meu amor pelo resto da minha vida?", perguntou Léo
"Não. prefiro até que dure esse inverno frio", respondeu Lia


Bom, o resto é escutar a música Tungarara que escolhi para esta segunda-feira.

Tungarara
Isaac Villanueva

Así es que canta la rana
Cuando ella ve a su sapito
Y cuando ella está enamorada
Canta como un “sarapito”

Tungarara ...

El sapito le contesta  "cui cui"
Ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"
Y ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"


Cuando está entrando en la noche
Se sienta a esperar al sapo
Y a la orillita del charco
Se durme con gran reproche

Tungarara..

El sapito le contesta  "cui cui"
Ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"
Y ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua"
Y ella con su carterita "cui cui"
El sapón con su bocota "cua cua



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Retidão, Luxúria, Pantaleão e as Visitadoras


Ricardo Icassatti Hermano

Pegue um homem que pautou sua vida pela retidão, honestidade, fidelidade, disciplina e competência profissional. Apresente-o à luxúria. Será que toda a sua formação virtuosa será capaz de resistir? Por quanto tempo? O escritor peruano e Prêmio Nobel de Literatura 2010, Mario Vargas Llosa, imaginou a situação e tentou responder à pergunta no livro Pantaleão e as Visitadoras.

Mario Vargas Llosa, genial e merecedor do Nobel

Uma obra-prima que terminou sendo levada para as telas de cinema. Ainda bem, porque não li o livro mas li o post que o Romoaldo escreveu sobre o filme. Daí, comprei o DVD e assisti uma história sensacional, ambientada em plena Amazônia peruana, que não difere em nada da brasileira. Um desses filmes que deixam um povo orgulhoso dos seus escritores, diretores e artistas.

Cartaz do filmaço

Interpretado pelo ator Salvador Del Solar, o Capitão Pantaleão Pantoja é um bom homem. Estudante esforçado, sempre tirou as melhores notas e passou em primeiro lugar nos concursos. Marido fiel, casou-se novo e mantém esposa jovem. Disciplinado, respeitador das hierarquias e obediente, encontrou o emprego ideal no Exército, onde se destacou pela folha impecável de serviços prestados.

Com esse currículo, Pantaleão se tornou a escolha certeira para a missão secreta que os seus superiores lhe confiam: organizar e administrar uma equipe de prostitutas (as "Visitadoras") para prestar serviços às guarnições no meio da selva, cujos soldados estão há meses sem contato com o sexo oposto. As meninas, com nomes como "Peituda" e "Peludita", são levadas de barco até os aflitos combatentes.

O barco da alegria e do prazer, só notícia boa

Competente e cioso dos seus deveres, Pantaleão faz da missão secreta um sucesso operacional. Pelo menos até que conhece a Colombiana, uma das prostitutas que se apresenta para avaliação e seleção prévia. Magistralmente interpretada pela belíssima atriz Angie Cepeda, a Colombiana é a mulher perfeita, a própria encarnação da luxúria.

Para vocês terem uma pálida ideia, morei seis meses em Boa Vista, capital de Roraima. Sei o que é viver na Amazônia. O filme mostra bem isso e logo notei uma característica da região. Todo mundo sua o tempo todo. O calor é infernal, dia e noite. Mas, a mulher perfeita não transpira uma gota sequer de suor. Ela só transpira desejo e sexo, sempre de uma maneira pecaminosamente ingênua. Se é que você me entende.

Angie Cepeda, a Colombiana.
E você pensou que eu estava exagerando ...

A história ainda tem a participação de um radialista do interior que acabou elucidando uma dúvida que me intrigava. O tal radialista descobre que Pantaleão está a serviço do Exército, que é casado e trai a mulher. Logo, tenta extorquir o pretenso cafetão, que resiste ao assédio. Daí para a chantagem pura e simples é um pulo.

Depois que o preço é acertado e pago, o radialista explica que não tem nada pessoalmente contra Pantaleão e que faz aquilo apenas porque é um "progressista". Aí é que fui entender o que são os tais "blogueiros progressistas" ...

Veja o trailer do filme e alugue o DVD para assistir. Você vai se deliciar com as aventuras do pobre Pantaleão e com as curvas da esplêndida Colombiana. Mas, cuidado! Não tome café, pois poderá ter palpitações e taquicardia ...



domingo, 24 de outubro de 2010

Suplicy, sem renda mínima ...


Ricardo Icassatti Hermano

Brasília já começa a ter disputa de excelentes cafés. Há exatamente uma semana e três dias está funcionando a pleno vapor a cafeteria Suplicy, que veio de São Paulo e desembarcou no também novíssimo Shopping Iguatemi, logo ali no Lago Norte. E não trouxe apenas os seus grãos especiais. Trouxe também um novo patamar de qualidade e profissionalismo. Seja Benvinda : )

Mais do que café, um novo parâmetro de atendimento ao cliente

A dupla Jorge Roxo e Camila Roxo, pai e filha, conseguiu uma espécie diferente de franquia, o licenciamento da marca. Com isso, poderão disponibilizar a parte de alimentação com produtos locais, sem seguir um menu imposto pelo franqueador. Também reproduzem o bom exemplo da matriz vendendo cafeteiras Moka e French Press e outros produtos da fabricante italiana Bialetti.

Fazendo jus ao sobrenome, Jorge ficou "roxo" na hora da foto

O foco da cafeteria é todo voltado para o café. Tanto é que o espresso é acompanhado apenas e exclusivamente da porção de água com gás, sem o tradicional docinho no pires. Confesso que nunca entendi - e nem comi - aquele docinho, que acaba comprometendo o paladar.

Os cafés são divididos por região de origem e por nível de torra. Assim, temos o Sul de Minas nas versões de torra média e clara, e o Cerrado Mineiro com torra escura. Ainda há o café descafeinado, para quem não quer ou não pode ingerir cafeína.

A Suplicy lembra cafeterias de New York e Paris

Nessas duas semanas, o pessoal da cafeteria recebeu treinamento/acompanhamento constante do Barista André Fabbri, que recebeu o título de "Melhor Cappuccino" no mais recente Campeonato Brasileiro de Barismo. E ele é barista há apenas quatro anos. Saindo a regulamentação da profissão, que tem duas propostas tramitando no Senado e na Câmara dos Deputados, finalmente o Barismo poderá ser visto como uma opção de carreira profissional e não apenas como um bico passageiro.

Mas, conversando com Jorge e Camila, ficamos sabendo que a Suplicy funcionará no horário do shopping, das 10h às 22h. O formato de quiosque, segundo eles, é o que mais dá certo, porque chama mais atenção que uma loja. Os sons e os cheiros são atrativos naturais. Além da cor rosa, é claro. E o conforto não foi esquecido.

A Suplicy ocupa um bom espaço, mas algo me diz que
logo logo vão precisar de mais

Eles também nos garantiram que em poucos dias disponibilizarão WiFi. As tomadas elétricas já estão instaladas e os proprietários querem que a Suplicy seja vista como um local onde se pode sentar com o laptop e trabalhar, fazer uma reunião de negócios, conversar ou simplesmente relaxar desfrutando dos cafés, das guloseimas e da ambientação. Acho que o Romoaldo vai gostar dessa.

E o pessoal não para um minuto sequer

A cafeteria ainda tem revistas variadas para leitura, uma área com sofazão, e vende o café que serve, em grãos e em pó, para os clientes que quiserem estender a experiência e o prazer de um bom café até suas próprias casas. Chegam ao capricho de moer os grãos desde a finíssima moagem turca até a moagem para uso na French Press. Apesar do nome, também não há o risco de ouvir os discursos sem fim e sonolentos do senador ... Não tem jeito de sair insatisfeito da Suplicy.

Experimentei o espresso com grão Sul de Minas, torra média, e gostei da acidez, da doçura e do retrogosto ou after taste. Não é muito encorpado, mas não é exatamente um defeito. Gostei e quando estiver por aquelas bandas, já sei onde me aboletar. Até porque a Suplicy tem a soda italiana e vende os xaropes também; tem frapês variados, sucos e algo que ainda não experimentei mas já está anotado na caderneta: é o Lacrima, feito com leite vaporizado e salpicado com gotas de crema do espresso ... hummmm!!!

Café especial para ser devidamente apreciado