sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Música do Dia - Quero Morar com você na Califórnia - Ovelha

Romoaldo de Souza


Nas efemérides musicais, esse rapaz de quem vou falar hoje, parece ter tido o sucesso de um lampejo. Como diz a música de Lucio Dalla "Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde…"


Cabelos longos, excessivamente oxigenados. Loiros como um borrego. Mas preferiu ser chamado de ovelha. Ganhou o apelido de Luiz Gonzaga, o rei do baião, quando ainda tocava na bandinha do "Camarão", em Olinda, onde nasceu. Pena que Ovelha não herdou do padrinho a genialidade.


Mas não deixa de ser esquisito que Ademir Rodrigues insista em colocar na sua biografia - isso mesmo, Ovelha tem biografia - que o apelido veio de outro pernambucano, o Chacrinha, e não de Luiz Gonzaga. O músico canhoto ao violão, ganhou um concurso da Discoteca do Chacrinha, em 1977, na cidade do Recife. Da mesma forma, Ovelha não carrega do "Velho Guerreiro" qualquer traço de destreza.


Ganhou outros concursos de música, entre os quais, no programa Raul Gil. Ganhou prêmios, discos de ouro, mas atualmente anda meio esquecido. Tanto é que se apresentou no Pânico na TV usando apenas sunga. Foi uma presepada de fazer dó.


Aqui, Café & Conversa traz essa "extraordinária" performance de Ovelha, cantando Hotel California em português. Como o pessoal do Eagles segue o nosso blog, quem sabe quando retomarem a turnê eles não chamam Ovelha para abrir os shows.


Quero Morar Com Você Na Califórnia

(Versão de Hotel California)


Se você for embora

Juro que vou sofrer

O amor que eu sinto agora

É o que me faz viver


Você tem minha vida

Não me deixe jamais

Eu preciso ter você comigo

Para viver em paz


Alguém na minha idade

Não pode viver só

Eu tenho muito que aprender

Com você meu amor


Você é minha vida

Está bom para mim

Vou embora com você pra longe

Vamos embora daqui


Morar com você na Califórnia

E viver feliz, e viver feliz

Quero morar com você na Califórnia

Foi o que eu sempre quis, o que eu sempre quis


Quero esquecer os problemas

Que houve entre nos dois

Se existe alguma coisa errada

Discutimos depois


Minha maior alegria

É ficar com você

Te mostrar um mundo novo meu amor

fazer você compreender


Que o mundo lá fora

É bonito demais (bonito demais)

E na Califórnia meu bem

Quero encontrar a paz


Vamos fazer um mundo de amor pra nos dois

Descobrir o que aqui tem de melhor

O resto eu vejo depois


Morar com você na Califórnia

E viver feliz, e viver feliz

Quero morar com você na Califórnia

Foi o que eu sempre quis, o que eu sempre quis


Alguém na minha idade

Não pode viver só

Eu tenho muito que aprender

Com você meu amor


Você é minha vida

Está bom para mim

Vou embora com você pra longe

Vamos embora daqui


Quero esquecer os problemas

Que houve entre nos dois

Se existe alguma coisa errada

Discutimos depois


Minha maior alegria

É ficar com você

Te mostrar um mundo novo meu amor

fazer você compreender




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A música do Dia - Usina - Mestre Ambrosio


Romoaldo de Souza


Sim, porque depois dessa história toda de que tem gente querendo banir Monteiro Lobato por causa de um deslize sociológico, pelo escritor ter sido politicamente incorreto, revolvi escancarar e vamos postar aqui uma música "tipo assim", um tanto quanto politicamente incorreta. Agora, antes de ir adiante, tem algum político correto? Isso ninguém fala!


- Ah! a música do Mestre Ambrosio é politicamente incorreta - dizem uns.


- Ih! Chico Buarque canta que "a coisa aqui tá preta" e "isso é politicamente incorreto" - sapecam outros. É, mas tem gente metendo a mão na "cumbuca" e parece ser politicamente correto.


- Todos roubam - não é o que se diz por aí?


Então para jogar um balde d'água com gás na hipocrisia policialesca de quem não tem nada o que fazer, e fica aí sentindo saudades, tecendo loas à memória de Dona Solange, temos hoje, a música mais politicamente incorreta que ouvi nos último dias. E ainda tem gente falando que a velhice é a melhor idade. Sofismas. Puro sofisma. Se fosse, realmente, a melhor idade, ninguém faria plástica, não se empanturravam de cremes, botox, o diabo a quatro. A velhice é a passada que falta para você cair no buraco...


Esse vídeo é tão sintomático, que até a derradeira estrofe foi literalmente surripiada, isso sem contar que essa é uma versão da música original do grupo pernambucano, que começou a fazer sucesso em 1992, antes mesmo do lançamento do primeiro disco, "Mestre Ambrosio - Independente". Depois vieram "Fuá na Casa de CaBRal", em 98 e o último disco "Terceiro Samba", três anos depois. No vídeo, alguém canta como se fosse o Mestre Ambrosio. Mas não é!


Em seguida, os sexteto que tinha nascido no movimento Manguebeat da mesma linha de Chico Science & Nação Zumbi se desfez, em 2003.


Então, para dar um provocada nos "politicamente corretos". Volto a repetir se é que eles existem, com vocês, a música Usina (Tango no Mango) que tem a produção de Lenine e Marcos Suzano!!!


PS: se você não tem Google no seu computador, "Dona Solange" era como se conhecia Solange Teixeira Hernandes, que tornou-se o símbolo da censura, durante o regime militar. Dona Solange, diretora do Departamento de Censura Federal deixou uma legião de fãs, travestidos de "politicamente corretos".


Usina


Ajustei um casamento

Pensando ser boa idéia

Invês de ser com uma moça

Era o diabo duma véia


Me caso contigo véia

E é de ser em condição

D’eu dormir na minha rede

E tu véia, no fogão


Me casei com esta véia

Pra livrar da fiarada

A danada dessa véia

Teve dez numa ninhada


Desses dez que nasceram

Um deu pra ladrão de bode

E deu no tango e deu no mango

Dos dez só ficaram nove


Dos nove que ficaram

Um deu pra roubar biscoito

E deu no tango e deu no mango

Dos nove ficaram oito


Dos oito que ficaram

Um deu pra roubar chiclete

Deu no tango e deu no mango

Dos oito ficaram sete


Dos sete que ficaram

Um foi roubar pão francês

Deu no tango e deu no mango

Dos sete ficaram seis


Desses seis que ficaram

Um deu pra ladrão de pinto

E deu no tango e deu no mango

Dos seis só ficaram cinco


Dos cinco que ficaram

Um deu pra ladrão de pato

E deu no tango e deu no mango

Dos cinco ficaram quatro


Dos quatro que ficaram

Um deu pra roubar outra vez

Deu no tango e deu no mango

Dos quatro ficaram três


Desses três que ficaram

Um deu pra ladrão de boi

Deu no tango e deu no mango

Dos três só ficaram dois


Desses dois que ficaram

Um deu pra roubar jerimum

Deu no tango e deu no mango

Desses dois só ficou um


Desse um que ficou

Um deu pra roubar ladrão

Deu no tango e deu no mango

E acabou-se a geração




terça-feira, 2 de novembro de 2010

Café entre Amigos ou "O Grande Encontro com @ruthmarias"


Ricardo Icassatti Hermano

Hoje é o Dia de Finados. Mas, sou da mesma filosofia cigana do Romoaldo. Não choro meus mortos. Sinto saudades e lembro os bons momentos que desfrutamos. Afinal, o problema dos mortos já está resolvido. O nosso é que continua ... e sempre prefiro celebrar a vida, que apesar de tudo é uma dádiva.

Foi o que fiz ontem. Comecei o dia dormindo. A maratona das eleições chegou ao fim e pude descansar o corpo. Para descansar a mente, fui almoçar com a filharada e a querida nora Aline. Depois fomos assistir o filme Federal, totalmente produzido e rodado em Brasília.

Confesso que fui por curiosidade e acredito que todos no cinema estavam lá pelo mesmo motivo. Ninguém botou fé que o filme fosse realmente o que a propaganda alardeia: "Considerado o Tropa de Elite 3" ... E exatamente como nós, todos saíram decepcionados com a péssima qualidade de tudo.

O filme é farto. Farta roteiro, farta iluminação, farta edição, farta continuidade, farta som, farta atuação decente, farta direção. Eu sei, a piada é velha. Mas, quem disse que o mundo é justo? Já vi experimentos de estudantes muito melhores que aquilo. Esse filme merece apenas um conselho: não desperdice o seu dinheiro com ele.

Cartaz do mico ...

O curioso foi ver que entre os patrocinadores daquela josta estão a Petrobras e o BNDES. Fiquei a pensar quais seriam os critérios dessas instituições conhecidíssimas pela probidade, para botar dinheiro público nas mãos de incompetentes. Sei não ... Será que tem taxa de sucesso? Quem são os responsáveis por atestar a qualidade do que patrocinam? Quem fiscaliza isso?

Em seguida, Romoaldo e eu fomos ao que ficou conhecido no mundo virtual como "O Grande Encontro com @ruthmarias". Antes preciso explicar quem é a Ruth. Ela foi minha professora no Colégio Objetivo e a responsável por momentos inesquecíveis da minha vida. Ela também me deu lições valiosas sobre aceitar desafios que, num primeiro momento, nos parecem gigantescos. Não conheço professora melhor.

Naquela época, meados dos anos 1970, o Segundo Grau estava iniciando uma nova abordagem pedagógica com os chamados Laboratórios. Acredito que a ideia era facilitar a escolha de uma profissão quando fôssemos nos inscrever para o vestibular. A Ruth foi minha professora no Laboratório de Comunicação. Ela foi uma das pessoas decisivas na escolha profissional que fiz.

O Colégio Objetivo, que nasceu em São Paulo, estava começando sua expansão para outros estados. Havia uma competição entre os diretores para ser o primeiro em certos quesitos. No nosso caso, era qual colégio seria o primeiro a editar um jornal. O nosso Laboratório seguia uma linha que nenhum outro seguia: não ter uma linha.

Combinamos que nosso horário seria o noturno e nosso "aprendizado" não seguiria os padrões ortodoxos. Claro que tudo isso foi liderado e organizado pela Ruth. Não vou entrar nos detalhes da nossa heterodoxia para não arrumar encrenca. Mas o resultado foi que conseguimos editar nosso jornal antes até mesmo que São Paulo, que tinha mais alunos e muito mais recursos que nós. Nossa "sala de aula" era um barracão de madeira.

A partir dessa "vitória", o diretor do colégio, o César, passou a nos dar um tratamento melhor. O barracão ganhou uns upgrades, mas manteve a alma libertária. Uma bela noite, o César entrou esbaforido na nossa sala de aula. Estava desesperado. A primeira festa de formatura do Objetivo de Brasília estava para naufragar. A turma de alunos encarregada de preparar a festa, simplesmente não havia feito nada.

Ele nos pediu socorro. Éramos meia dúzia de garotos cabeludos, barbudos e meio embriagados, liderados por uma professora super gata.

Essa foi uma das grandes lições que aprendi com Ruth. Não há desafio que não possamos enfrentar. Precisamos de vontade, recursos e criatividade. Os recursos estavam garantidos pelo César. O resto, investimos em três dias e três noites sem dormir. Ruth administrou tudo e nós botamos a mão na massa. Fizemos toda a decoração de um ginásio de esportes alugado para o evento. Montamos palco e até distribuímos mesas e cadeiras, com toalhas e tudo o mais.

Saímos do ginásio quando os primeiros convidados estavam chegando. Fui para casa me arrumar para a festa. Apaguei no chuveiro. Alguém me tirou de lá, mas estava difícil não dormir. Alguém me deu um comprimidinho. Saí quicando para a festa. A turma chegou mais ou menos junta, mas já era tarde e não encontramos mesa vazia.

Assim que nos avistou, o César veio até nós e perguntou onde estávamos sentados. Espantado com a nossa resposta, pediu que o seguíssemos até uma grande mesa colocada à frente do palco onde haveria um show. Era a mesa da turma de estudantes que deveria ter feito o trabalho que fizemos. César mandou todo mundo levantar, esclarecendo que quem merecia estar sentados ali éramos nós.

Bom, o resto é história. Passaram-se os anos e de repente reencontro minha querida professora no Twitter. Foi uma alegria só. Desde então, passamos a combinar um encontro ao vivo e a cores. Mas, a correria da vida sempre adiava. Até que finalmente surgiu a oportunidade para "O Grande Encontro com @ruthmarias", lá na Fellini Caffè. Com direito a caneca e tudo o mais.

Mulher é foda. Marca hora, chega atrasada e ainda
precisa ajeitar o cabelo para receber uma caneca ...

Foi um encontro emocionante. Hoje, Ruth preside uma ONG que leva educação a crianças carentes. É realmente uma professora. Embalados por um excelente Santo Grão Sul de Minas e todas aquelas guloseimas deliciosas, ficamos horas lembrando essas estórias que você acabou de ler e outras tantas que alongariam demais esse post. E tudo graças à internet e ao café.

Ruth recebendo a caneca diretamente das minhas mãos. À mestra com carinho : )

Muitos teóricos apressados disseram que as redes sociais acabariam por afastar as pessoas do convívio pessoal. Não é o que tenho visto e experimentado. Conheci pessoas incríveis através das redes. Reencontrei outras tantas que havia perdido contato ao longo da vida. Passamos a nos encontrar pessoalmente graças também ao café.

"Nooooooossssssa! É uma caneca do Café & Conversa!!!"

Ultimamente o Café & Conversa tem se dedicado a levar leitores e leitoras para degustações em cafeterias bacanas da cidade. Por exigência deles(as) mesmos(as). Apertar os laços de velhas e novas amizades em torno de xícaras fumegantes e cheirosas, é uma ciência delicada. Em nossa mesa, sentam-se as mais diversas personalidades, linhas de pensamento e preferências políticas. Nada disso jamais impediu a amizade entre todos. E tem gerado excelentes conversas.

Alegria incontida com o sonho realizado

Amizade é uma espécie de amor. Como tal, exige respeito, tolerância, bom humor, curiosidade, mente aberta e inteligência. O café atrai tudo isso e mistura divinamente como um Lacrima. Sou um abençoado por conhecer gente desse calibre. E é muita gente. Também sou abençoado por ter "descoberto" o café e tudo de bom que ele acrescenta ao convívio dos amigos. Agora me deu vontade de tomar um espresso ... Fui ----- >

A Musica do Dia - La Muerte Chiquita - Cafe Cacvba


Romoaldo de Souza

A primeira vez que velei um corpo foi do marido de uma tia. Era um tio torto, como se diz no interior de Pernambuco. Luiz Henrique. Homem endinheirado, muitas vacas - magras - mas era muitas. Carros de boi, empregados, amigos e filhos que não acabavam mais. Morreu! Fomos todos velar, Luiz Henrique. O padre, o prefeito, um deputado estadual e algumas pessoas que nem sei de onde saíram. Velório de gente endinheirada é sempre assim. Cheio de gente!


Café. Luiz Henrique gostava de tomar café. Era da pior espécie. O café, claro! Mas o povo se esbaldava de tanto tomar café. Café e pinga. Era uma lapida aqui, outra ali. E mais pinga, mais café e de repente me vejo numa roda de pessoas rindo que era uma beleza!


Achei esquisito aquele quadro surreal. Minha tia, os filhos choravam nas camarinhas. Mas meu tio contava histórias e todo mundo ria. E vinha uma piada. Um "causo" e era aquela gargalhada. Corri para perguntar a meu avô o que fazer. Se ficava com minha tia e chorava com ela ou se ia para o lado dos que sorriam a torto e a direito.


- Decida-se! Fique onde você acha que representa a vida. Que sentimento você tem pelo velho Luiz Henrique? Se são boas as recordações, melhor sorrir. Ele vai estar alegre - disse meu avô que tinha tradições diferentes dos pernambucanos para falar da morte.


Pronto. Achei mais animado ouvir piadas. Meu tio, o contador de histórias, ainda pediu para eu não ficar por ali, por causa das histórias "pesadas". Chegamos a um acordo que eu ficaria e que o nível subiria um pouco. Eu ainda estava na fase de pensar que piada pesada era de jumento carregado com seus caçuás. Esta é a primeira lembrança que me vem à mente de um velório. Fiquei na parte alegre.


Tempos depois, fui estudar no México. E me lembro que a primeira carta que mandei de lá foi para meu avô, contando a ele como era o "Día de los Muertos" na Cidade do México. Eu morava numa ruazinha, próximo à Calle Don Diego de León. Por volta das 7 da noite, começaram uma distribuição de algodão-doce, balas, caveiras de chocolate e iguarias que me lembrei da minha infância, na festa de Cosme e Damião. Confeitos, jujubas, doces de tudo quanto é espécie.


Caveiras de chocolate são distribuídas às crianças.
A festa dos mortos, no México faz a gente lembrar mais
da vida que se estivéssemos chorando por quem morreu

Parei e fui convidado a entrar na casa de Dueña Lurdes. Uma senhora tipicamente mexicana. Excelente cozinheira, mãe de duas filhas. Oh, mexicaninhas bonitas. Lembro bem o nome de uma delas… Mais tarde descobri que estava trabalhando na Cáritas da Alemanha. Danou-se! Era longe demais para quem tinha apenas curiosidade. Bom, voltando à festa da casa de Dueña Lurdes. Achei diferente ela se apresentar assim.


- Holla chico. Soy Dueña Lurdes. Mi hija Hilda Carrero. Fatima! Faaaaatima! - Gritou! Não sei mais o que rolou naquela festa.


O México comemora o Dia de Finados diferente das tradições cristãs do restante da América. Os mexicanos misturam as devoções com ritos culturalmente trazidos dos antepassados. Dos índios. É festa com ironia. Quase um carnaval. Toalhas bordadas, incenso, comidas - a maioria doce - e muita bebida. E tome tequila, cerveja.


No altar, os mexicanos como Dueña Lurdes, colocam esqueletos de chocolate, a imagem da Virgem de Guadalupe - a padroeira dos mexicanos - fotos de amigos e parentes mortos… E tome tequila.


Nos altares, fotos de parentes e amigos mortos.
Objetos de recordação, incenso, comida e muita bebida

Ouvi pouco choro. Eu também não choro mortos. Prefiro comemorar com os vivos. Aprendi com meu avô que trouxe essa tradição dos ciganos do Leste Europeu.


Bom, para terminar, achei essa música do grupo mexicano Café Tacvba. La Muerte Chiquita. Ah, o Tacvba é assim mesmo, com vê. É que no centro da Cidade do México tem uma tradicional cafeteira "Café Tacuba" que não aceitou que o nome do grupo musical tivesse o mesmo nome.


Bom dia! Comemore a vida!


La Muerte Chiquita

Café Cacvba


Dame la muerte chiquita

dame la muerte pequeña
y así tal vez en tus brazos
alcanzaré gracia plena
su esencia de alta marea
sus besos de tamarindo
sus pestañas dos palmeras a cuyo vaivén me rindo
dicen que usted trae las sombras
y por dentro está toda herida
Dame la muerte chiquita
antes del último sueño
una cosa a Dios yo pido
un segundo ser su dueño
la venganza es cosa dulce
y este machete que tengo
es por si alguien le hizo daño
que yo por usted me muero
es por si alguien le hizo daño
que yo por usted...
Dicen que usted trae las sombras
y por dentro está toda herida
por una noche en su lechoz de dar la vida