sábado, 13 de novembro de 2010

É (quase) Natal!


Ricardo Icassatti Hermano

O Natal está chegando. Aqui e ali já vemos sinais de decoração natalina, com direito a neve artificial e tudo o mais. Alguns prédios públicos exibem coreografias de luzes. Logo logo o governador mala vai inventar de montar uma árvore de Natal, ou um presépio, ou os dois juntos. Uma mistura carnavalesca de Natal americano-europeu com Palestina.

Tá sentindo o Espírito Natalino???

Mas, o Natal ainda não chegou com a toda sua força. Os shoppings ainda estão se preparando para a sua data máxima no calendário de vendas. Os grandes anunciantes ainda não soltaram suas propagandas provocadoras de desejos consumistas.

Vamos vender um bocado com crédito consignado, hehehe!!!

E o Espírito Natalino ainda não penetrou nos corações e mentes. Junto com as compras vêm todos aqueles sentimentos nobres que somos meio que obrigados a vestir nessa época. Compaixão, solidariedade, caridade e amor pelo próximo. Os ensinamentos de Cristo, cujo nascimento comemoramos no Natal, lembram?

O Santa Claus é o "bom velhinho" ...

Quando vi os primeiros sinais natalinos, decidi escrever um post sobre o fenômeno. Fiquei matutando uns dias sobre o significado do Natal e os seus efeitos sobre as pessoas. Percebi que o Natal significa tristeza para uns, alegria para outros e religiosidade para um outro tanto de gente.

Papai Noel está em todas ...

Há uma certa dose de "obrigação" no sentido da felicidade, do sentir-se feliz. Mas, não tão forte e instantâneo como no Reveillon, quando se torna uma imposição mesmo estar feliz, esperançoso e festeiro. Acho que é o componente religioso que serve de amortecedor no Natal e freia um pouco essa obrigação. Com o tempo, vai desaparecer.

Bem que poderiam modernizar um pouco o Natal ...

Mas, enquanto eu matutava, a vida agia. É bom deixar logo claro que não acredito em coincidências, mas ...

Na sexta-feira, estava saindo da malhação quando vi um grupo de pássaros voando e brincando no ar, fazendo acrobacias mirabolantes em alta velocidade. Uma caminhonete vinha na direção contrária à minha e atropelou um daqueles pássaros, que caiu um pouco adiante do meu carro se debatendo.

... mas não sei se o Black Santa vai colar

Parei e fui verificar se estava vivo, tonto ou morto. O pequeno pássaro abria o bico como se quisesse buscar mais ar e revirava os olhos. Fiquei com ele na mão esperando que se recuperasse e saísse voando, o que não aconteceu. Coloquei ele no carro e procurei uma clínica veterinária.

Lá fiquei sabendo que se tratava de um filhote de Andorinhão e que aparentemente não havia quebrado nada. Talvez uma luxação na asa esquerda. Naquele momento, o bicho já havia recobrado a consciência e estava um tanto nervoso. A veterinária me disse que, aproveitando o feriado, ficasse com ele por uns três ou quatro dias e esperasse a recuperação.

- Basta dar água e alimentar de quatro em quatro horas - instruiu-me a doutora.

- Mas, o que ele come? - perguntei.

- Na verdade, esse bicho come de tudo, mas pode dar ração para Sabiá. Faça uma papinha e dê na boca dele. Eu uso uma tampa de caneta. Funciona bem - sorriu a doutora.

Comprei a ração, levei o bicho para casa, acomodei numa caixa e fui me arrumar para um importante almoço marcado há dias com a Lígia, mãe de três dos meus filhotes amados. Foi um encontro muito bom e emocionante. Nossos encontros sempre são. Aproveitamos para colocar em dia as aventuras das "crianças".

Voltei para casa e fui alimentar o filhote de Andorinhão. O bicho estava nervoso, mas comeu um pouco. À noite, fui conhecer uma amiga da internet, leitora fiel do blog Café & Conversa e tweeteira @souquemsou2, ou Nôra, seu nome de batismo.

Ela veio lá de Ribeirão Preto para nos conhecer e os cenários onde os nossos "causos" são vividos e depois relatados aqui.. Fomos à Fellini Caffè e batemos um longo e bom papo. Mais uma amizade consolidada com um excelente café.

Chego em casa e recebo notícia da Little Mary, lá de Seul, na Coreia do Sul, onde foi realizar a cobertura jornalística da reunião do G-20. Ela é uma daquelas amigas generosas que nos faz a gentileza de levar a caneca exclusiva e personalizada do Café & Conversa para passear pelo mundo. As duas estiveram em Paris há pouco tempo (veja o post).

A caneca posando no Palácio Imperial de Seul

Também recebo notícias de Clara Favilla, que perambula e saltita por Florença, na Itália. Ela conta tudo sobre suas andanças com a inseparável caneca no seu imperdível e ultra necessário blog: "O mundo é plano".

A caneca na Fontana del Porcellino.
Segundo Clara, dá sorte passar a mão no focinho do porcão

Entre papinhas, tampa de caneta e conta-gotas, me sento para escrever sobre o Natal e me dou conta de que, apesar de achar que no resto do ano, enquanto lutamos selvagemente pela sobrevivência, escanteamos todos aqueles nobres sentimentos natalinos, na verdade os praticamos todo o tempo.

É a compaixão pelo passarinho, a generosidade dos amigos, o amor pelos filhotes. Todos os sentimentos estão lá todo o tempo, porque somos a somatória de muitas coisas. O Natal é apenas um momento em que falamos desses sentimentos e eles parecem ter saído do nada. Quando sentimos, não paramos para refletir sobre eles.

Se fizéssemos isso, o Natal não pareceria uma obrigação. Seria apenas uma data comemorativa. Assim que parei para refletir sobre o Natal, comecei a ver o quanto estou impregnado pelo espírito natalino nos outros 364 dias do ano. Sem me sentir obrigado a nada.

Como eu disse, não acredito em coincidências. Para mim, tudo tem um propósito, que às vezes pode nos parecer oculto, mas nunca está. Está sempre escancarado. Quem tem olhos de ver, que veja, já dizia o homem cujo aniversário vamos comemorar no próximo dia 25 de dezembro. Agora, se dão licença, está na hora da papinha do Zeca. É ... já botei um nome no danado.

Esse é o Zeca, mais calmo e se recuperando

sábado, 6 de novembro de 2010

A Música do Dia - Better Days - Eddie Vedder


Romoaldo de Souza


Eu não fui ao cinema para ver Eat, Pray, Love. Fui pela companhia e pela trilha sonora que uma aluna minha tinha recomendado. Ponto para ela. Para a aluna que, como o diretor de Comer, Rezar, Amar, captou bem o sentido de uma trilha sonora. "Complementar um espaço por vezes vazio entre a imagem e o diálogo…".


Nem pretendo contar aqui, que a jornalista Liz Gilbert (Julia Roberts) sai pelo mundo em busca de autoconhecimento; nem que nas viagens que fez, descobriu o prazer pela gastronomia, na Itália, onde aprendeu a tomar um excelente café.


O best-seller de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar, Amar que dizem ser uma autobiografia mostra um Brasil caricatural. Tudo bem que Javier Bardem (o "brasileiro" Felipe) é um bom ator, mas aquele sotaque dele, aquele jeito esquisito de latin-lover supera a maneira como os atores da Globo interpretam personagens italianas. "Bambino, bambino, bambino". Felipe fica o tempo todo. "Querida! Querida! Querida!". Ainda bem que João Gilberto e a filha salvam o "núcleo brasileiro de Eat, Pray, Love.


Querida, querida, querida!!!


Por falar em café, se você ainda não viu Comer, Rezar e Amar, preste atenção, quando for, na amiga de Liz, na Itália. Uma nórdica, cabelos curtos. Acho que vou ver Eat Pray Love novamente só para "estudar" mais sua personagem. Vai que como Cecilia, em A Rosa Púrpura do Cairo que literalmente sai da tela e começa a conversar com alguém da plateia, a moça também em conversar comigo.


- Hello, Romu! Non querer tomar uma café com migo? - Poderia dizer a amiga de Liz, adorável adoradora de café. Sabe e ensina Liz a tomar um espresso corto.


Bom, mas eu não vou comentar o filme. Quero falar da cena final. Felipe, com aquele sotaque horroroso de brasileiro "descolado" insiste em levar Liz para uma ilha isolada, onde sozinhos os dois pombinhos poderiam se entender. Ela reluta. Vai e vem… Não se levante da cadeira. Eddie Vedder reserva uma surpresa agradabilíssima. Surpresa que, aliás, o Café & Conversa adianta um trecho, aqui.


No final, toca Better Days, impecavelmente interpretada
por Eddie Vedder, o vocalista da banda Pearl Jam


Better Days


I feel part of the universe open up to meet me

my emotion so submerged broken down to kneeling


what's listening?

voices they care


had to somehow greet myself

greet myself

heard vibrations within my cells

in my cells


Singin' laaa


my love is saved for the universe

see me now I'm bursting

On one planet so many turns

different worlds


singin' haaa


fill my heart with discipline

put there for the teaching

in my head see clouds of stairs

help me as I'm reaching


the future's paved

with better days


night runnin'

from something

I'm running towards the day

wide awake


all whispered

once quiet

now rising to a scream

right in me


I'm fallin'

free fallin'

world's calling me

up off my knees


oh, I'm soaring

yeah, and darling

you'll be the one that I can need

and still be free


our future's paved with better days



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Música do Dia - Quero Morar com você na Califórnia - Ovelha

Romoaldo de Souza


Nas efemérides musicais, esse rapaz de quem vou falar hoje, parece ter tido o sucesso de um lampejo. Como diz a música de Lucio Dalla "Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde…"


Cabelos longos, excessivamente oxigenados. Loiros como um borrego. Mas preferiu ser chamado de ovelha. Ganhou o apelido de Luiz Gonzaga, o rei do baião, quando ainda tocava na bandinha do "Camarão", em Olinda, onde nasceu. Pena que Ovelha não herdou do padrinho a genialidade.


Mas não deixa de ser esquisito que Ademir Rodrigues insista em colocar na sua biografia - isso mesmo, Ovelha tem biografia - que o apelido veio de outro pernambucano, o Chacrinha, e não de Luiz Gonzaga. O músico canhoto ao violão, ganhou um concurso da Discoteca do Chacrinha, em 1977, na cidade do Recife. Da mesma forma, Ovelha não carrega do "Velho Guerreiro" qualquer traço de destreza.


Ganhou outros concursos de música, entre os quais, no programa Raul Gil. Ganhou prêmios, discos de ouro, mas atualmente anda meio esquecido. Tanto é que se apresentou no Pânico na TV usando apenas sunga. Foi uma presepada de fazer dó.


Aqui, Café & Conversa traz essa "extraordinária" performance de Ovelha, cantando Hotel California em português. Como o pessoal do Eagles segue o nosso blog, quem sabe quando retomarem a turnê eles não chamam Ovelha para abrir os shows.


Quero Morar Com Você Na Califórnia

(Versão de Hotel California)


Se você for embora

Juro que vou sofrer

O amor que eu sinto agora

É o que me faz viver


Você tem minha vida

Não me deixe jamais

Eu preciso ter você comigo

Para viver em paz


Alguém na minha idade

Não pode viver só

Eu tenho muito que aprender

Com você meu amor


Você é minha vida

Está bom para mim

Vou embora com você pra longe

Vamos embora daqui


Morar com você na Califórnia

E viver feliz, e viver feliz

Quero morar com você na Califórnia

Foi o que eu sempre quis, o que eu sempre quis


Quero esquecer os problemas

Que houve entre nos dois

Se existe alguma coisa errada

Discutimos depois


Minha maior alegria

É ficar com você

Te mostrar um mundo novo meu amor

fazer você compreender


Que o mundo lá fora

É bonito demais (bonito demais)

E na Califórnia meu bem

Quero encontrar a paz


Vamos fazer um mundo de amor pra nos dois

Descobrir o que aqui tem de melhor

O resto eu vejo depois


Morar com você na Califórnia

E viver feliz, e viver feliz

Quero morar com você na Califórnia

Foi o que eu sempre quis, o que eu sempre quis


Alguém na minha idade

Não pode viver só

Eu tenho muito que aprender

Com você meu amor


Você é minha vida

Está bom para mim

Vou embora com você pra longe

Vamos embora daqui


Quero esquecer os problemas

Que houve entre nos dois

Se existe alguma coisa errada

Discutimos depois


Minha maior alegria

É ficar com você

Te mostrar um mundo novo meu amor

fazer você compreender




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A música do Dia - Usina - Mestre Ambrosio


Romoaldo de Souza


Sim, porque depois dessa história toda de que tem gente querendo banir Monteiro Lobato por causa de um deslize sociológico, pelo escritor ter sido politicamente incorreto, revolvi escancarar e vamos postar aqui uma música "tipo assim", um tanto quanto politicamente incorreta. Agora, antes de ir adiante, tem algum político correto? Isso ninguém fala!


- Ah! a música do Mestre Ambrosio é politicamente incorreta - dizem uns.


- Ih! Chico Buarque canta que "a coisa aqui tá preta" e "isso é politicamente incorreto" - sapecam outros. É, mas tem gente metendo a mão na "cumbuca" e parece ser politicamente correto.


- Todos roubam - não é o que se diz por aí?


Então para jogar um balde d'água com gás na hipocrisia policialesca de quem não tem nada o que fazer, e fica aí sentindo saudades, tecendo loas à memória de Dona Solange, temos hoje, a música mais politicamente incorreta que ouvi nos último dias. E ainda tem gente falando que a velhice é a melhor idade. Sofismas. Puro sofisma. Se fosse, realmente, a melhor idade, ninguém faria plástica, não se empanturravam de cremes, botox, o diabo a quatro. A velhice é a passada que falta para você cair no buraco...


Esse vídeo é tão sintomático, que até a derradeira estrofe foi literalmente surripiada, isso sem contar que essa é uma versão da música original do grupo pernambucano, que começou a fazer sucesso em 1992, antes mesmo do lançamento do primeiro disco, "Mestre Ambrosio - Independente". Depois vieram "Fuá na Casa de CaBRal", em 98 e o último disco "Terceiro Samba", três anos depois. No vídeo, alguém canta como se fosse o Mestre Ambrosio. Mas não é!


Em seguida, os sexteto que tinha nascido no movimento Manguebeat da mesma linha de Chico Science & Nação Zumbi se desfez, em 2003.


Então, para dar um provocada nos "politicamente corretos". Volto a repetir se é que eles existem, com vocês, a música Usina (Tango no Mango) que tem a produção de Lenine e Marcos Suzano!!!


PS: se você não tem Google no seu computador, "Dona Solange" era como se conhecia Solange Teixeira Hernandes, que tornou-se o símbolo da censura, durante o regime militar. Dona Solange, diretora do Departamento de Censura Federal deixou uma legião de fãs, travestidos de "politicamente corretos".


Usina


Ajustei um casamento

Pensando ser boa idéia

Invês de ser com uma moça

Era o diabo duma véia


Me caso contigo véia

E é de ser em condição

D’eu dormir na minha rede

E tu véia, no fogão


Me casei com esta véia

Pra livrar da fiarada

A danada dessa véia

Teve dez numa ninhada


Desses dez que nasceram

Um deu pra ladrão de bode

E deu no tango e deu no mango

Dos dez só ficaram nove


Dos nove que ficaram

Um deu pra roubar biscoito

E deu no tango e deu no mango

Dos nove ficaram oito


Dos oito que ficaram

Um deu pra roubar chiclete

Deu no tango e deu no mango

Dos oito ficaram sete


Dos sete que ficaram

Um foi roubar pão francês

Deu no tango e deu no mango

Dos sete ficaram seis


Desses seis que ficaram

Um deu pra ladrão de pinto

E deu no tango e deu no mango

Dos seis só ficaram cinco


Dos cinco que ficaram

Um deu pra ladrão de pato

E deu no tango e deu no mango

Dos cinco ficaram quatro


Dos quatro que ficaram

Um deu pra roubar outra vez

Deu no tango e deu no mango

Dos quatro ficaram três


Desses três que ficaram

Um deu pra ladrão de boi

Deu no tango e deu no mango

Dos três só ficaram dois


Desses dois que ficaram

Um deu pra roubar jerimum

Deu no tango e deu no mango

Desses dois só ficou um


Desse um que ficou

Um deu pra roubar ladrão

Deu no tango e deu no mango

E acabou-se a geração