terça-feira, 16 de novembro de 2010

Recordações ... da Caneca e um quase assassinato


Ricardo Icassatti Hermano

Ficar doente é uma merda, mas também é uma boa oportunidade para pensar na vida e remexer recordações. E existe um banco de dados para recordações melhor que álbuns de fotografia? Neles podemos nos ver jovens e rir das crenças que alimentávamos, espelhadas nos cortes de cabelo, nas roupas e nos hábitos.

No caso do seu blog predileto, fui remexer nas fotos que várias(os) leitoras(es) generosamente nos enviaram de várias partes do mundo, onde a caneca faz as vezes de turista. Selecionei para vocês algumas das muitas fotos que temos arquivadas.

Desde criança acalento o sonho de conhecer o mundo. Já conheço uma boa parte, mas ainda falta muito. No entanto, a caneca do Café & Conversa, com apenas alguns meses de vida, conhece mais do que conseguirei conhecer. Na aba dos(as) amigos(as), vou viajando nas imagens e nos relatos preciosos que nos enviam.

Uma das nossas colaboradoras mais assíduas e incansáveis é a jornalista globetrotter Clara Favilla, que no momento saltita entre a Holanda, onde reside a filhota-gata, e a Itália, onde revê antigas paixões.

Clara tuitando direto da Itália na companhia da caneca


Não sei o que a Clara quis dizer - ou comparar - com essa foto,
mas espero que seja favorável a nós ...


Aqui, a caneca encontrou sua turma italiana, a Máfia das Canecas


A caneca visita a casa onde nasceu Leonardo Da Vinci


Centro histórico de Perugia


Essa aqui eu nem lembro o que é, mas o barbudo gostou do café


Tomando um fôlego antes de encarar a ladeira que leva ao centro histórico de Val d'Elsa


Outra leitora do blog e colaboradora, a jornalista Memelia Moreira, manda fotos diretamente de Kissime, um county da Florida (USA), onde reside atualmente, mas perambula um bocado também.

A caneca fazendo aquecimento no banco de uma Harley Davidson


A caneca tirando onda de intelectual na estante da Memelia


Outra colaboradora incansável é a jornalista Little Mary, ou Maria Lima para os íntimos. Essa caipira também anda um bocado com a caneca por tudo quanto é país para onde viaja a trabalho e por prazer, apesar do medo de avião.

Caneca inspecionando as instalações do harém no
Palácio Imperial na Coreia do Sul


Onde quer que Little Mary vá, a criançada está junto


Tarcitano, um carioca bon vivant e médico homeopata, também ganhou uma caneca exclusiva e personalizada do Café & Conversa e não vacilou. Já saiu com ela para azarar na Pix Café. Sabe aquele truque de usar o seu sobrinho bonitinho para atrair a mulhegada? Pois é. A noite vai ser boa/De tudo vai rolar/Vai rolar ...

"E aí ... trabalha na casa?"


Como eu disse, ficar doente é uma merda, detesto mesmo. Mas, o tempo livre nos permite viajar na memória, nossa e dos muitos(as) amigos(as) que o Café & Conversa tem o orgulho de colecionar.

Aproveitando o ensejo, dou notícias do Zeca, o filhote de Andorinhão que se acidentou e estou cuidando. O danado já está cheio de intimidade comigo, já não se assusta mais e se empoleira na minha mão com a maior destreza.

A asa esquerda do Zeca continua desconjuntada ...

A asa continua preocupando, pois parece estar deslocada. Assim que eu melhorar da gripe, vou retornar com ele ao veterinário. Mas, nada disso impede que o seu apetite só aumente. Também já está se rebelando quando o coloco no caixote. Gosta de ficar solto e olhando para a minha cara.

O Zeca fica horas assim na minha mesa do computador, olhando pra mim

Hoje tivemos um pequeno incidente. Fui apresentá-lo para a cachorrinha que vive aqui em casa também e quase testemunhamos um assassinato. A Miúcha - é o nome da tal cachorra - deu uma bocada na cabeça do Zeca. Ainda bem que ele estava na minha mão e meus dedos impediram a tragédia. Essa convivência não parece ter futuro ...

Miúcha, a cachorra psicopata ...

sábado, 13 de novembro de 2010

É (quase) Natal!


Ricardo Icassatti Hermano

O Natal está chegando. Aqui e ali já vemos sinais de decoração natalina, com direito a neve artificial e tudo o mais. Alguns prédios públicos exibem coreografias de luzes. Logo logo o governador mala vai inventar de montar uma árvore de Natal, ou um presépio, ou os dois juntos. Uma mistura carnavalesca de Natal americano-europeu com Palestina.

Tá sentindo o Espírito Natalino???

Mas, o Natal ainda não chegou com a toda sua força. Os shoppings ainda estão se preparando para a sua data máxima no calendário de vendas. Os grandes anunciantes ainda não soltaram suas propagandas provocadoras de desejos consumistas.

Vamos vender um bocado com crédito consignado, hehehe!!!

E o Espírito Natalino ainda não penetrou nos corações e mentes. Junto com as compras vêm todos aqueles sentimentos nobres que somos meio que obrigados a vestir nessa época. Compaixão, solidariedade, caridade e amor pelo próximo. Os ensinamentos de Cristo, cujo nascimento comemoramos no Natal, lembram?

O Santa Claus é o "bom velhinho" ...

Quando vi os primeiros sinais natalinos, decidi escrever um post sobre o fenômeno. Fiquei matutando uns dias sobre o significado do Natal e os seus efeitos sobre as pessoas. Percebi que o Natal significa tristeza para uns, alegria para outros e religiosidade para um outro tanto de gente.

Papai Noel está em todas ...

Há uma certa dose de "obrigação" no sentido da felicidade, do sentir-se feliz. Mas, não tão forte e instantâneo como no Reveillon, quando se torna uma imposição mesmo estar feliz, esperançoso e festeiro. Acho que é o componente religioso que serve de amortecedor no Natal e freia um pouco essa obrigação. Com o tempo, vai desaparecer.

Bem que poderiam modernizar um pouco o Natal ...

Mas, enquanto eu matutava, a vida agia. É bom deixar logo claro que não acredito em coincidências, mas ...

Na sexta-feira, estava saindo da malhação quando vi um grupo de pássaros voando e brincando no ar, fazendo acrobacias mirabolantes em alta velocidade. Uma caminhonete vinha na direção contrária à minha e atropelou um daqueles pássaros, que caiu um pouco adiante do meu carro se debatendo.

... mas não sei se o Black Santa vai colar

Parei e fui verificar se estava vivo, tonto ou morto. O pequeno pássaro abria o bico como se quisesse buscar mais ar e revirava os olhos. Fiquei com ele na mão esperando que se recuperasse e saísse voando, o que não aconteceu. Coloquei ele no carro e procurei uma clínica veterinária.

Lá fiquei sabendo que se tratava de um filhote de Andorinhão e que aparentemente não havia quebrado nada. Talvez uma luxação na asa esquerda. Naquele momento, o bicho já havia recobrado a consciência e estava um tanto nervoso. A veterinária me disse que, aproveitando o feriado, ficasse com ele por uns três ou quatro dias e esperasse a recuperação.

- Basta dar água e alimentar de quatro em quatro horas - instruiu-me a doutora.

- Mas, o que ele come? - perguntei.

- Na verdade, esse bicho come de tudo, mas pode dar ração para Sabiá. Faça uma papinha e dê na boca dele. Eu uso uma tampa de caneta. Funciona bem - sorriu a doutora.

Comprei a ração, levei o bicho para casa, acomodei numa caixa e fui me arrumar para um importante almoço marcado há dias com a Lígia, mãe de três dos meus filhotes amados. Foi um encontro muito bom e emocionante. Nossos encontros sempre são. Aproveitamos para colocar em dia as aventuras das "crianças".

Voltei para casa e fui alimentar o filhote de Andorinhão. O bicho estava nervoso, mas comeu um pouco. À noite, fui conhecer uma amiga da internet, leitora fiel do blog Café & Conversa e tweeteira @souquemsou2, ou Nôra, seu nome de batismo.

Ela veio lá de Ribeirão Preto para nos conhecer e os cenários onde os nossos "causos" são vividos e depois relatados aqui.. Fomos à Fellini Caffè e batemos um longo e bom papo. Mais uma amizade consolidada com um excelente café.

Chego em casa e recebo notícia da Little Mary, lá de Seul, na Coreia do Sul, onde foi realizar a cobertura jornalística da reunião do G-20. Ela é uma daquelas amigas generosas que nos faz a gentileza de levar a caneca exclusiva e personalizada do Café & Conversa para passear pelo mundo. As duas estiveram em Paris há pouco tempo (veja o post).

A caneca posando no Palácio Imperial de Seul

Também recebo notícias de Clara Favilla, que perambula e saltita por Florença, na Itália. Ela conta tudo sobre suas andanças com a inseparável caneca no seu imperdível e ultra necessário blog: "O mundo é plano".

A caneca na Fontana del Porcellino.
Segundo Clara, dá sorte passar a mão no focinho do porcão

Entre papinhas, tampa de caneta e conta-gotas, me sento para escrever sobre o Natal e me dou conta de que, apesar de achar que no resto do ano, enquanto lutamos selvagemente pela sobrevivência, escanteamos todos aqueles nobres sentimentos natalinos, na verdade os praticamos todo o tempo.

É a compaixão pelo passarinho, a generosidade dos amigos, o amor pelos filhotes. Todos os sentimentos estão lá todo o tempo, porque somos a somatória de muitas coisas. O Natal é apenas um momento em que falamos desses sentimentos e eles parecem ter saído do nada. Quando sentimos, não paramos para refletir sobre eles.

Se fizéssemos isso, o Natal não pareceria uma obrigação. Seria apenas uma data comemorativa. Assim que parei para refletir sobre o Natal, comecei a ver o quanto estou impregnado pelo espírito natalino nos outros 364 dias do ano. Sem me sentir obrigado a nada.

Como eu disse, não acredito em coincidências. Para mim, tudo tem um propósito, que às vezes pode nos parecer oculto, mas nunca está. Está sempre escancarado. Quem tem olhos de ver, que veja, já dizia o homem cujo aniversário vamos comemorar no próximo dia 25 de dezembro. Agora, se dão licença, está na hora da papinha do Zeca. É ... já botei um nome no danado.

Esse é o Zeca, mais calmo e se recuperando

sábado, 6 de novembro de 2010

A Música do Dia - Better Days - Eddie Vedder


Romoaldo de Souza


Eu não fui ao cinema para ver Eat, Pray, Love. Fui pela companhia e pela trilha sonora que uma aluna minha tinha recomendado. Ponto para ela. Para a aluna que, como o diretor de Comer, Rezar, Amar, captou bem o sentido de uma trilha sonora. "Complementar um espaço por vezes vazio entre a imagem e o diálogo…".


Nem pretendo contar aqui, que a jornalista Liz Gilbert (Julia Roberts) sai pelo mundo em busca de autoconhecimento; nem que nas viagens que fez, descobriu o prazer pela gastronomia, na Itália, onde aprendeu a tomar um excelente café.


O best-seller de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar, Amar que dizem ser uma autobiografia mostra um Brasil caricatural. Tudo bem que Javier Bardem (o "brasileiro" Felipe) é um bom ator, mas aquele sotaque dele, aquele jeito esquisito de latin-lover supera a maneira como os atores da Globo interpretam personagens italianas. "Bambino, bambino, bambino". Felipe fica o tempo todo. "Querida! Querida! Querida!". Ainda bem que João Gilberto e a filha salvam o "núcleo brasileiro de Eat, Pray, Love.


Querida, querida, querida!!!


Por falar em café, se você ainda não viu Comer, Rezar e Amar, preste atenção, quando for, na amiga de Liz, na Itália. Uma nórdica, cabelos curtos. Acho que vou ver Eat Pray Love novamente só para "estudar" mais sua personagem. Vai que como Cecilia, em A Rosa Púrpura do Cairo que literalmente sai da tela e começa a conversar com alguém da plateia, a moça também em conversar comigo.


- Hello, Romu! Non querer tomar uma café com migo? - Poderia dizer a amiga de Liz, adorável adoradora de café. Sabe e ensina Liz a tomar um espresso corto.


Bom, mas eu não vou comentar o filme. Quero falar da cena final. Felipe, com aquele sotaque horroroso de brasileiro "descolado" insiste em levar Liz para uma ilha isolada, onde sozinhos os dois pombinhos poderiam se entender. Ela reluta. Vai e vem… Não se levante da cadeira. Eddie Vedder reserva uma surpresa agradabilíssima. Surpresa que, aliás, o Café & Conversa adianta um trecho, aqui.


No final, toca Better Days, impecavelmente interpretada
por Eddie Vedder, o vocalista da banda Pearl Jam


Better Days


I feel part of the universe open up to meet me

my emotion so submerged broken down to kneeling


what's listening?

voices they care


had to somehow greet myself

greet myself

heard vibrations within my cells

in my cells


Singin' laaa


my love is saved for the universe

see me now I'm bursting

On one planet so many turns

different worlds


singin' haaa


fill my heart with discipline

put there for the teaching

in my head see clouds of stairs

help me as I'm reaching


the future's paved

with better days


night runnin'

from something

I'm running towards the day

wide awake


all whispered

once quiet

now rising to a scream

right in me


I'm fallin'

free fallin'

world's calling me

up off my knees


oh, I'm soaring

yeah, and darling

you'll be the one that I can need

and still be free


our future's paved with better days



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Música do Dia - Quero Morar com você na Califórnia - Ovelha

Romoaldo de Souza


Nas efemérides musicais, esse rapaz de quem vou falar hoje, parece ter tido o sucesso de um lampejo. Como diz a música de Lucio Dalla "Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde…"


Cabelos longos, excessivamente oxigenados. Loiros como um borrego. Mas preferiu ser chamado de ovelha. Ganhou o apelido de Luiz Gonzaga, o rei do baião, quando ainda tocava na bandinha do "Camarão", em Olinda, onde nasceu. Pena que Ovelha não herdou do padrinho a genialidade.


Mas não deixa de ser esquisito que Ademir Rodrigues insista em colocar na sua biografia - isso mesmo, Ovelha tem biografia - que o apelido veio de outro pernambucano, o Chacrinha, e não de Luiz Gonzaga. O músico canhoto ao violão, ganhou um concurso da Discoteca do Chacrinha, em 1977, na cidade do Recife. Da mesma forma, Ovelha não carrega do "Velho Guerreiro" qualquer traço de destreza.


Ganhou outros concursos de música, entre os quais, no programa Raul Gil. Ganhou prêmios, discos de ouro, mas atualmente anda meio esquecido. Tanto é que se apresentou no Pânico na TV usando apenas sunga. Foi uma presepada de fazer dó.


Aqui, Café & Conversa traz essa "extraordinária" performance de Ovelha, cantando Hotel California em português. Como o pessoal do Eagles segue o nosso blog, quem sabe quando retomarem a turnê eles não chamam Ovelha para abrir os shows.


Quero Morar Com Você Na Califórnia

(Versão de Hotel California)


Se você for embora

Juro que vou sofrer

O amor que eu sinto agora

É o que me faz viver


Você tem minha vida

Não me deixe jamais

Eu preciso ter você comigo

Para viver em paz


Alguém na minha idade

Não pode viver só

Eu tenho muito que aprender

Com você meu amor


Você é minha vida

Está bom para mim

Vou embora com você pra longe

Vamos embora daqui


Morar com você na Califórnia

E viver feliz, e viver feliz

Quero morar com você na Califórnia

Foi o que eu sempre quis, o que eu sempre quis


Quero esquecer os problemas

Que houve entre nos dois

Se existe alguma coisa errada

Discutimos depois


Minha maior alegria

É ficar com você

Te mostrar um mundo novo meu amor

fazer você compreender


Que o mundo lá fora

É bonito demais (bonito demais)

E na Califórnia meu bem

Quero encontrar a paz


Vamos fazer um mundo de amor pra nos dois

Descobrir o que aqui tem de melhor

O resto eu vejo depois


Morar com você na Califórnia

E viver feliz, e viver feliz

Quero morar com você na Califórnia

Foi o que eu sempre quis, o que eu sempre quis


Alguém na minha idade

Não pode viver só

Eu tenho muito que aprender

Com você meu amor


Você é minha vida

Está bom para mim

Vou embora com você pra longe

Vamos embora daqui


Quero esquecer os problemas

Que houve entre nos dois

Se existe alguma coisa errada

Discutimos depois


Minha maior alegria

É ficar com você

Te mostrar um mundo novo meu amor

fazer você compreender