terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano Novo, resoluções imortalidade e tentações


Ricardo Icassatti Hermano

Mais um ano se passou e nem sequer ouvi falar seu nome. Assim dizia o lendário Cassiano em sua criação imortal, a clássica canção dor de cotovelo A Lua e Eu. Mas, ano novo sempre leva as pessoas a pensarem numa vida nova. Como se pudessem se livrar de tudo o que viveram até o dia 31 de dezembro e renascer à meia noite, tal qual uma abóbora daquela estória infantil.

Ano Novo, a eterna esperança

Até lista de resoluções para o ano novo se dão ao trabalho de escrever. Deve ser para não esquecer que são novas pessoas e aquelas do ano passado não existem mais. Essas listas geralmente acabam esquecidas dentro de alguma gaveta, livro ou agenda.

"Esse ano eu ganho a Mega Sena da Virada"

Os seres humanos são coisas estranhas ao mundo. Somos os únicos seres conscientes de si próprios e de sua finitude. Assim mesmo, adoramos nos iludir e vivemos como se imortais fôssemos, gerando uma série de conflitos, medos e problemas subconscientes por causa disso. Não queremos e não aceitamos duas inevitabilidades: o envelhecimento e a morte.

"Pô Eva, agora fudeu ... vamos envelhecer e eu vou ter que trabalhar ..."

Sempre estamos procurando um jeito de driblar nossa consciência. Seja com uma infinidade de cremes e poções mágicas; seja com cirurgias plásticas e outras deformações corporais; seja com remédios tarja preta; ou seja simplesmente pintando os cabelos brancos. Há quem chegue ao cúmulo de encomendar o embalsamento do corpo ou seu congelamento.

"Em 2011, prometo fazer a dieta da laranja ..."

Nessa incansável busca por nós mesmos, inventamos essa onda de "vida nova no ano novo". Criamos também uma vida após a morte reproduzindo o que temos por aqui e até um retorno eterno para nos consolar. Chamamos isso de reencarnação.

Isso não tem fim

Sempre nos cansamos do que somos e precisamos nos reinventar para nos tornarmos minimamente suportáveis a nós mesmos. O ser humano está destinado ao sofrimento e, por isso, também gosta de pensar no fim do mundo e especular datas como se fosse uma competição para ver quem acerta. E o fim do mundo acaba acontecendo para as milhões de pessoas que morrem todos os dias.

BUM!

Como não estou preocupado com o fim do mundo e nunca fiz uma lista de resoluções para o ano novo, pretendo apenas continuar vivendo da melhor maneira possível, apreciando as amizades e os filhotes, administrando um dia após o outro e gostando do que vejo no espelho toda manhã. E, claro, comendo muito bem e tomando excelentes cafés.

A eterna beleza do efêmero

Por isso, o Reveillon é apenas mais um dia para comer guloseimas maravilhosas. O Café & Conversa não pode lhe dar uma vida nova, mas pode lhe desejar um excelente 2011, cheio de grandes realizações em todas as áreas importantes da sua vida. Também trouxemos uma receita para ajudar você a esquecer aquela promessa de emagrecer ...

E como começamos esse post lembrando Cassiano, fechamos com a sua criação imortal. Certamente, algum ato falho, como faria questão de apontar uma ex-namorada psicóloga de quem fiz questão de me livrar bem rápido. Mas, nunca se esqueça de manter o bom humor. Não se leve tão a sério, brinque mais, ria de si mesmo e viva bem : )

Torta de Chocolate e Chá Earl Grey
8 porções

Ingredientes para a Massa

- 5 colheres sopa de manteiga sem sal e em temperatura ambiente
- 1/4 xícara de açúcar de confeiteiro
- 2 colheres sopa de farinha de amêndoa
- 1 gema de ovo grande, em temperatura ambiente
- 1 pitada de sal
- 1 xícara de farinha de trigo

Ingredientes para o Recheio

- 1 1/2 xícaras de creme de leite fresco
- 1/4 xícara de folhas de chá Earl Grey
- 340 g de chocolate meio-amargo bem picado
- 3 colheres sopa de mel
- 3 colheres sopa de manteiga sem sal
- Chocolate em pó, raspas de chocolate, creme chantilly ou outros ingredientes para decoração e acompanhamento

Preparo da Massa

Bata a manteiga junto com o açúcar de confeiteiro, a farinha de amêndoa e a gema de ovo em velocidade MÉDIA até que todos os ingredientes estejam bem misturados. Adicione a farinha de trigo e coloque a batedeira em velocidade BAIXA até que a mistura esteja homogênea.

Abra a massa até uma espessura fina, embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por 1 hora. A massa pode ser armazenada na geladeira por até 1 semana e congelada por até 1 mês.

Bata levemente na massa para amaciá-la. Desembrulhe e coloque a massa sobre uma superfície polvilhada com farinha de trigo. Polvilhe também a superfície da massa. Com um rolo, abra um círculo com diâmetro de 30 cm e espessura de 3 mm. Enrole a massa no rolo e desenrole sobre uma forma de 23,4 cm de diâmetro. Cubra todo o fundo, as laterais da forma e corte as sobras de massa.

Com um garfo, fure uma 20 vezes a massa no fundo da forma. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos no mínimo e 1 hora no máximo.

Pré-aqueça o forno a 180º. Remova o filme plástico e asse a massa até que fique levemente dourada, cerca de 15 minutos. Retire do forno e deixe esfriar completamente.

Preparo do Recheio

Numa panela média e em fogo MÉDIO, aqueça o creme de leite sem levantar fervura. Retire a panela do fogo e acrescente as folhas de chá Earl Grey. Deixe ficar por 8 minutos. Coe o creme de leite numa peneira bem fina. Aperte as folhas com uma espátula de silicone para extrair o máximo de creme. Retorne o creme ao fogo MÉDIO e reaqueça.

Coloque o chocolate picado numa tigela média. Adicione o creme aquecido e deixe descansar por 3 minutos. Misture bem até que fique homogêneo. Adicione o mel e a manteiga e misture bem. Derrame a mistura sobre a massa. Leve à geladeira por 1 hora. Sirva a torta gelada, decorada com chocolate em pó, raspas de chocolate, creme chantilly e/ou flores comestíveis.


Como diria João Pequeno: "vida nova é o cara..."
Eu quero continuar vivendo desse jeito mesmo



A Lua e Eu
Cassiano e Paulinho Motoka

Mais um ano se passou

E nem sequer ouvi falar seu nome
A lua e eu


Caminhando pela estrada

Eu olho em volta e só vejo pegadas

Mas não são as suas eu sei,

Eu sei, eu sei


O vento faz
Eu lembrar você

As folhas caem
Mortas como eu


Quando olho no espelho

Estou ficando velho e acabado

Procuro encontrar

Não sei onde está você

Você você....


O vento faz
Eu lembrar você

As folhas caem
Mortas como eu...

A lua e eu



domingo, 26 de dezembro de 2010

A Rede Social ... e os psicopatas


Ricardo Icassatti Hermano

Finalmente fui assistir o filme A Rede Social, que conta a história de como foi criado o maior site de relacionamento social do planeta, o Facebook. Um dos seus criadores e dono da maior fatia da empresa, Mark Zuckerberg, acaba de ser eleito pela revista Time a Personalidade do Ano de 2010 e é o personagem central do filme.

Psicopata bilionário aos 25 anos

Quem o interpreta magistralmente é o jovem ator Jesse Eisenberg, o mesmo que me fez chorar de rir em Zombieland. O papel de nerd genial já lhe cairia como uma luva, mas o personagem não se limita a isso. Mark Zuckerberg é um gênio, ambicioso, paranóico, focadíssimo, estrategista e psicopata que não se detém diante de nada para alcançar seu objetivo: ter uma vida melhor.

Esse ator, Jesse Eisenberg, vai longe

Vocês podem até achar que o objetivo dele é fácil. Depende do que se entende ser uma vida melhor. No caso dele, foi obter fama mundial e se tornar um bilionário. Ninguém que não tenha pelo menos um grau elevado de psicopatia conseguiria atingir esse objetivo aos 25 anos de idade como ele fez com a criação do Facebook.

É claro que Zuckerberg não fez tudo sozinho e é aí que reside a sua genialidade e a sua psicopatia. Roubando uma ideia aqui e outra acolá, traindo amigos e se unindo a gente absolutamente escrota como o criador do falecido Napster, o tresloucado Sean Parker, interpretado pelo sempre canastrão cantor pop Justin Timberlake, ele foi desenvolvendo conceitos e transformando-os no Facebook.

Alguém precisa explicar para o Justin Timberlake que ele jamais será um ator

A primeira cena do filme é Zuckerberg tentando manter uma conversa com sua namorada, Erica Albright, interpretada pela lindíssima Rooney Mara. O cara é hiper ativo e pensa em várias frequências ao mesmo tempo. A garota se sente humilhada com a agudez das observações do namorado e o manda à merda. Não sem antes recomendar que ele se medique com remédios tarja preta.

Quem perde uma gata dessa é ruim da cabeça ou doente do pé ...

Se eu contar mais, estragaria o prazer de vocês assistirem o filme. É recomendável algum conhecimento de internet e linguajar de programação, apenas para aproveitar mais os diálogos. Mas, não é imprescindível. A trama se segura por si só.

Há ainda a participação de um brasileiro na criação do Facebook, um tal de Eduardo Saverin, interpretado por Andrew Garfield. Esse brasileiro financiou o início do site e no final levou uma pernada psicopática do Zuckerberg.

Eduardo fez o papel de brasileiro, ou seja, otário

O que acaba sendo muito pedagógico para nós, os brasileiros em geral. O comportamento pouco profissional, sentimentalóide e quase retardado, levou Eduardo - ou Wardo, como o apelidaram - a confiar inocentemente no laço de amizade e a assinar os papéis da própria derrocada.

O capitalismo americano não tem nada de bonito. Os grandes feitos comemorados e laureados, como o prêmio da revista Time, têm atrás de si um incontável número de vítimas incautas. Para os donos do capitalismo americano, o que interessa é o lucro. Aplaudem e idolatram até psicopatas. Zuckerberg tirou lucro de algo que parecia um beco sem saída. Por isso, está sendo festejado.

Poderá chegar o dia em que o imponderável lhe reserve uma surpresa, um tropeção. Nesse dia, despencará da torre de marfim digital que construiu para se mostrar ao mundo e aí então conhecerá a outra face dessa moeda chamada capitalismo.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Café espresso, espuma de mangada, cajuzinho do Cerrado - prove!


Romoaldo de Souza


Quando você chega numa cafeteria querendo tomar um saboroso espresso, o que você observa primeiro? Assim, desse jeito, esta foi a primeira pergunta que fiz ao barrista Daniel Viana, campeão da edição 2010, do Campeonato Brasileiro de Baristas no Distrito Federal.


- Eu observo a limpeza. A limpeza de uma cafeteria é um dos pontos principais para que eu me sinta bem ambientado. Claro que além do asseio eu procuro saber se a cafeteria tem um barista para atender ou se é somente uma pessoa treinada - disse Viana, depois de ter preparado um Cristina curto, servido com água com gás, ao som de Nina Simone. Eu engulo seco, quando chego numa cafeteira requintada, e está rolando "Hotel California" ou o roquezinho invertebrado dos Paralamas do Sucesso.


- Eu acho que café, cafeteria, esse ambiente, combinam bem com um jazz, preferencialmente, instrumental. Especialmente se você vai para conversar - lembra Daniel, que disputou o campeonato ao som de um jazz calmo, bem apropriado para o momento.


Muita gente me pergunta o que, precisamente, vai a julgamento na apresentação de um barista? São três quesitos importantes. O café espresso, o cappuccino e a bebida de criação, com a assinatura do barista. Isso no julgamento dos juízes sensoriais.


O espresso, primeiro item a ser julgado, deve ter uma crema consistente e persistente. Para saber se a crema do seu café, aquele café que você costuma pagar até R$ 5, tem essas exigências - consistência e persistência - vire, suavemente a xícara para o seu lado e depois volte para a posição inicial. A crema tem de permanecer intacta, sem ser substituída pelo marrom do café. Deve continuar com um aspecto tigrado. Rajado. Não aceite se o seu café não tem essas consistência de que estou falando.


O sabor do café tem de ser harmonioso. Tem de haver o balanço da doçura, a acidez e o amargo. Balanceado. Entendeu agora porque café não combina com açúcar e muito menos com adoçante? O doce desses ingredientes anula um dos pontos de equilíbrio do café.


Rejeite, devolva se o seu café não estiver assim. Além do sabor e da consistência da crema, é importante a apresentação. A xícara não pode vir mais quente que o café nem entornando o café por todos os lados.


Bom, andando. O cappuccino. Vamos falar primeiro da xícara do cappuccino. O ideal são aquelas xícaras de 150ml a 180ml, com asa.


Quanto ao sabor do cappuccino o que é observado e exigido num campeonato de baristas é a consistência e a persistência da espuma. O sabor deve ser balanceado entre o leite, o doce e o espresso. Portanto, fuja de invencionices como chantilly que cobrem sua xícara e sufocam o cappuccino.


E, por fim, o drinque especialmente preparado pelo barrista Daniel Viana que vamos descrever como se faz. Foi com esse drinque que ele encantou os juízes.


Daniel Viana colocou numa taça, um espresso curto, feito com o grão "bourbon vermelho" que está sendo produzido na fazenda Baú, no Sul de Minas Gerais. O café apresenta notas de frutas vermelhas com uma ligeira conotação de azeite de oliva.


O barrista chegou para os juízes dizendo que o drinque que havia preparado era feito de café, calda de cajuzinho do Cerrado e espuma de mangada. Ele disse que essa combinação não levava limão, mas garantiu que os juízes sentiriam o sabor do limão ciciliano. Garantiu e cumpriu.


Daniel Viana, o barista campeão, não sabia se sorria mais pelo troféu
que ganhou dos organizadores do campeonato ou se pela caneca do Café & Conversa

- É uma questão muito interessante, porque quando se juntam diferentes ingredientes, o resultado nem sempre é o esperado. Quando fiz essa mistura eu queria acentuar a acidez do bourbon vermelho. Como a acidez da mangada é um tanto quanto diferente, juntei esses dois ingredientes e ressaltei o sabor do limão que, juntando-se ao café, foi o drinque que infelizmente você não pôde provar - provoca o barista.


O detalhe é que como na minha Landrover tem a logomarca da fornecedora do grão e eu a trato como patrocinadora, me declarei eticamente impedido de julgar Daniel Viana. Mas ele fica me devendo, um dia desses, um drinque assim especial ao som de ...


Etta James, At Last.


At last, my love has come along

My lonely days are over
And life is like a song
Oh, yeah, at last
The skies above are blue
My heart was wrapped up in clovers
The night I looked at you
I found a dream that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to rest my cheek to
A thrill that I have never known
Oh, yeah when you smile, you smile
Oh, and then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine
At last



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mamãe Noel


Ricardo Icassatti Hermano

Aqui na Redação do Café & Conversa reina uma descrença total no espírito natalino baseado na figura do Papai Noel. Não é nem porque o bom velhinho gordo seja uma invenção de uma poderosa marca de refrigerante. Tampouco o motivo é queRomoaldo e eu exalemos uma certa dose de rabugice e impaciência com sentimentalismo barato de publicidade ou de novelas.

É apenas porque o Natal não deveria ser nada do que vemos por aí. Esse sentimento de culpa transmutado em compaixão materializada através do consumismo desenfreado. Natal é justamente o contrário. É uma época de meditação sobre os valores ensinados pelo sujeito cujo aniversário de nascimento (não de morte) deveríamos estar celebrando.

Dito isso, não nos alinhamos entre os fãs do velhinho vestido de vermelho como um Petralha qualquer. Mas, estamos muito propensos a acreditar em Mamãe Noel. E são várias. Começando pela amiga, mãe da Bebel, jornalista e globetrotter Clara Favilla. Após um longo giro por Holanda e Itália, ela nos surpreendeu e presenteou com toneladas de café de vários países.

Sente só a farra que vem por aí

A Redação está em festa. Café pra todo mundo. Vamos nos esbaldar, nos acabar com tanta cafeína. Dividimos irmamente o presente, meio a meio, e vamos dar início a um período inesquecível na vida de muita gente. São cafés vindos de Papua Nova Guiné, Kenia, Índia e Peru. Não sabemos nem por onde começar.

Outra que deu uma de Mamãe Noel foi a jornalista Raíssa Abreu. Após breve estada em sua cidade natal (não é trocadilho), a bucólica e progressista cidade de Pedralva, no Sul das Minas Gerais, a galeguinha do zóio azul nos trouxe uma braçada de café da marca Belo Ramo. Ainda estão com problemas na torra, mas experimentamos um deles que tinha forte sabor de caju. Agradou muito.

Raíssa nos prometeu um texto e continuamos aguardando ...

Mas, o Natal tem desses milagres. Ainda não cremos no barrigudo e barbudo (aquele outro cachaceiro também), mas eis que surge a figura do Ajudante do Papai Noel. Há quem diga que, na verdade, é uma das renas que puxam o trenó, mas são fofocas de gente linguaruda.

Nosso querido amigo e colega fotojornalista Geraldo Magela também nos presenteou com um tesouro vindo lá da fazenda do sogrão, o cafeicultor José Brissio Pereira. Ele e Luzia Campos Nesce são responsáveis por 56 alqueires da boa terra do Sul das Minas Gerais, lá no próspero município de Manhuaçu.

São 225 mil pés de café produzindo um excelente grão Arábica Bourbon Vermelho, que é todo comprado por ninguém menos que a torrefadora italiana Illy. O café em grãos que Magela nos presenteou foi torrado na própria fazenda num torrador de origem desconhecida para nós. Mas conseguimos fotos do bicho.

Se alguém souber a origem desse torrador, por favor nos avise

O café tem aroma suave. O sabor é bem frutado e ácido, corpo médio e um pouco de chocolate no retro-gosto. Acreditamos que uma torra profissional poderia revelar mais qualidades desse delicioso café, que foi (infelizmente já acabou) um sucesso nas nossas manhãs.

E assim, mesmo sem botar fé no Natal de shopping, o espírito natalino sobrevive na generosidade e no amor dos amigos e amigas que este blog tem a honra e o orgulho de colecionar. Feliz Natal : )

domingo, 19 de dezembro de 2010

Cee Lo Green - Fuck You!


Ricardo Icassatti Hermano

Sou parecido com o gato Garfield. Não por ser um "gato", mas porque eu também odeio as segundas-feiras e adoro lasanha. Com a mesma tranquilidade do Garfield, também me preocupo com o meu peso. E não estou falando de gordura.


Não existe peso pior que as frustrações que acumulamos ao longo da vida. São decepções, sonhos desfeitos, esperanças roubadas, corações partidos e muitos pés na bunda. Por cima de tudo isso, ainda estamos em plena semana de Natal ...

Toda segunda-feira procuro um jeito de iniciar a semana da melhor maneira possível, embora não tenha sempre sucesso nessa empreitada. Mas, às vezes, a sorte sorri para mim. Descobri uma música perfeita para saudar a segunda-feira.

A música e o videoclipe são auto-explicativos, mas cabe falar um pouco sobre o compositor e cantor. Ele é americano e se chama Thomas DeCarlo Callaway, mas é conhecido no mundo da música como Cee Lo Green.

Capa do CD The Lady Killer, lançado em novembro

O cara tem uma voz fantástica e bebe na mais pura fonte da Soul Music, do Funk e do Rhythm and Blues, trazendo para a atualidade todo aquele ritmo altamente dançante sem perder a pegada. Além disso é compositor, rapper, produtor e se juntou a outra fera, o DJ produtor Danger Mouse.

O cara sabe tudo

Como quase todo grande músico negro nos Estados Unidos, Cee Lo Green começou sua carreira musical na igreja que frequentava em Atlanta. Seu pai morreu quando ele tinha apenas dois anos de idade. Teve uma infância e adolescência conturbada. Ele próprio se definiu como um maníaco nessa época.

Atitude é tudo. Na Black Music não tem lugar para bundão

Aos 18, estava começando a despontar com o grupo Goodie Mob, quando sua mãe sofreu um acidente de carro que a deixou paralisada. Ela faleceu dois anos depois. Mas, aquilo que não te mata, te fortalece. O cara desenvolveu um gigantesco talento musical e um enorme senso de humor. Além de tudo é cinéfilo.

Um dia sem risadas é um dia perdido - Antigo ditado budista

Cee Lo Green já trabalhou com gente da pesada como o OutKast e formou o grupo Gnarls Barkley, responsável pelo sucesso Crazy, de 2006. O cara faz parte da turma que está revolucionando o cenário da Black Music nos Estados Unidos e no mundo. Essa turma tem gente como Janelle Monae e o já citado OutKast.

Pois é, para abrir a nossa semana e saudar adequadamente a segunda-feira, trouxe para as leitoras e leitores do Café & Conversa a música que está enlouquecendo as pistas de dança em todo o mundo civilizado: Fuck You!

Fuck You
Cee Lo Green



(Chorus)

I see you driving 'round town

With the girl I love and I'm like,

Fuck you!

Oo, oo, ooo

I guess the change in my pocket

Wasn't enough i'm like,

Fuck you!

And fuck her too!

I said, if I was richer, I'd still be with ya

Ha, now ain't that some shit? (ain't that some shit?)

And although there's pain in my chest

I still wish you the best with a ... 
Fuck you!

Oo, oo, ooo



Yeah I'm sorry, I can't afford a Ferrari,

But that don't mean I can't get you there.

I guess he's an Xbox and I'm more Atari,

But the way you play your game ain't fair.



I picture the fool that falls in love with you

(oh shit she's a gold digger)

Well

(just thought you should know nigga)

Ooooooh

I've got some news for you

Yeah go run and tell your little boyfriend



(chorus)



Now I know, that I had to borrow,

Beg and steal and lie and cheat.

Trying to keep ya, trying to please ya.

'Cause being in love with you ass ain't cheap.



I picture the fool that falls in love with you

(oh shit she's a gold digger)

Well

(just thought you should know nigga)

Ooooooh


I've got some news for you
I really hate yo ass right now


(chorus)



Now baby, baby, baby, why d'you wanna wanna hurt me so bad?


(so bad, so bad, so bad)

I tried to tell my mamma but she told me

"this is one for your dad"

(your dad, your dad, your dad)

Uh! Whhhy? Uh! Whhhy? Uh!

Whhhy lady? Oh! I love you oh!

I still love you. Oooh!



(chorus)



Tron Legacy - Motos e roupas bacanas


Ricardo Icassatti Hermano

Sábado fui almoçar com filhote e nora. Depois fomos assistir o filme Tron Legacy, a continuação de Tron 28 anos depois. O filme não empolgou em 1982 e não empolga agora também. Mesmo com a atualização digital, recursos de montão e o 3D - que sequer está presente em todo o filme. O que salta aos olhos são as gatas que acrescentaram à trama. Uma loira, Beau Garrett, e uma morena, Olivia Wilde.

Cartaz do filme

As motos também sofreram atualização que me agradou, pois sou motociclista. Afinal, o modelo original foi a coisa mais bacana do filme anterior e serviu claramente de inspiração para o a moto do Batman.

Na Flórida, dois irmãos já montaram um modelo customizado

As roupas também ficaram mais bacanas, especialmente nas mulheres. Mas, podem ter certeza que vão inspirar novos modelos de jaquetas para motociclistas. Pelo que já vi na internet, pelo menos Nike, Reebok e Oakley já têm produtos inspirados no filme.

Viu como a nova roupa ficou bacana?

Agora, aqueles "jogos" com um frisbee que serve como arma e pen drive, realmente não vi graça alguma. Acho que nem em video game aquilo deve funcionar. Com a variedade gigantesca de games em que o jogador pode escolher entre infinitas possibilidades de armamentos, ninguém vai querer ficar jogando um frisbee de lá pra cá ...

Frisbee é bom para brincar com o cachorro ...

O filme tem a participação esperada de Jeff Bridges, que fez o primeiro filme como Kevin Flynn e seu avatar Clu, e do ator Garrett Hedlund, que interpreta o filho Sam Flynn. Inexplicavelmente, após entrar num mundo completamente desconhecido e vestir uma roupa completamente estranha, o filho participa do tal jogo sem saber as regras e ganha de vários adversários. Essas simplificações são realmente irritantes.

Outro exemplo disso é a criação de Kevin Flynn. Aprisionado num mundo digital ele resolveu "adotar" e "proteger" a última das entidades que habitavam aquele universo. Trata-se da gatíssima Olivia Wilde, que interpreta a Quorra. Ele se porta como um "mestre Jedi" e a trata como "discípula". Sei ...

25 anos preso com a Quorra ... sei não

Muito bem, a Quorra (nomezinho feio esse) se envolve com o filho, que a leva para o mundo exterior, claro. Não há uma só explicação - por mais ridícula que fosse - para explicar como transformar um monte de bits em carne, ossos e sangue. Só faltou a cena de sexo.

Nos anos 1980, falar em física quântica era visto como conversa de maconheiro em mesa de restaurante de comida macrobiótica. Mas, hoje em dia não há um nerd que não discuta as premissas básicas da física ou mecânica quântica. A revista Science acaba de dar o prêmio de experimento científico do ano para o cientista que conseguiu reproduzir um fenômeno quântico visível a olho nu.

Mais uma vez. Veja como a nova roupa ficou bacana

Quem quiser sobreviver no mundo da ficção científica vai ter que se esforçar muito além de belos cenários e efeito 3D. Mesmo que recheados de belas gatas e algumas lutas coreografadas. A má notícia é que deixaram uma porta aberta para um terceiro filme.

Tron Legacy só vale para quem viu o primeiro e ficou fã. Os fãs de (boa) ficção científica ficarão irremediavelmente decepcionados. Em todo caso, veja o trailer.