sábado, 8 de janeiro de 2011

Funk até o caroço


Ricardo Icassatti Hermano

Na minha pré-adolescência, conheci a música negra americana através de um amigo que era filho de embaixador. Ele esteve nos Estados Unidos e tinha um LP da banda Jackson Five. Se não me engano era o primeiro ou o segundo. Fui fisgado na hora pelo ritmo e pela dança dos irmãos que deram uma chacoalhada no cenário da música pop mundial. Eu lutava para ter cabelo black power, me vestia com calças boca de sino e deslizava com meus sapatos de plataforma. É mole?

Feel the power, ma brother!!!

Junto com uns amigos da quadra, formei um grupo cover do Jackson Five para fazermos bonito dançando nas festas. Tinha até ensaio. Naquela época, a maior parte da festa era com luz negra e música lenta para que pudéssemos dançar de rosto colado com as meninas. Assim, tínhamos acesso ao pescoço, onde começávamos a dar uns beijinhos. Se a garota desse sinal verde, os beijinhos iam se encaminhando para a boca dela ... Quase sempre a fórmula funcionava.

Esses irmãos mudaram o pop para sempre

Hoje em dia, é só pulação atrás de trio elétrico. Um saco. Acabou a diversão da sedução, o frio na barriga e o mais lamentável, acabou a arte da dança. Agora, basta sair pulando atrás de qualquer trio elétrico ou em algum show e agarrar qualquer mulher que passe na frente. Estamos involuindo. Em pouco tempo estaremos vivendo em cavernas.

Até o Obama fica bem no estilo pimp

Mas, a minha paixão pela música negra americana prosperou. Outro amigo, o Eduílton Bocão, trabalhava numa loja de discos e incrementava festas domésticas com seu painel de luzes coloridas. Também era dublê de DJ, que na época não era uma "profissão". Graças a ele, conheci James Brown, Marvin Gaye, The Supremes, Isley Brothers, Earth, Wind and Fire, Manhattans e uma infinidade de músicos que naturalmente me levaram ao blues e ao jazz.

Manja o estilão dos Isley Brothers

Todos os meus amores tiveram esses estilos de música como trilha sonora. O fato de saber dançar me ajudou muito também. As mulheres gostam de dançar e a maioria dos homens ainda não entendeu a importância disso. Ainda bem. A concorrência é pequena.

Eu, aos 14 anos de idade

Mas, não é só de música lenta que vivo. Até porque não há mais lugares para dançar esse tipo de música. Por isso, aprecio o batidão e os metais do Funk, pois a dança continua lá. A música negra americana e a dança elaborada são indissociáveis. E os cantores e cantoras brancos já aprenderam a lição. Tem que dançar.

O Funk é o irmão negro mais velho do Punk. Nasceu nos bairros pobres e as letras eram de revolta e desesperança, retratavam o cotidiano de violência e pobreza em que os músicos viviam. Era uma juventude que não via o futuro. Pois o Funk e o Punk fizeram sucesso, enriqueceram artistas e hoje já falam de outras coisas mais amenas.

Tempos loucos

No Brasil não foi diferente, ou não é. O Funk brasileiro nasceu nas favelas cariocas e veio com força ganhar o asfalto da Zona Sul. Alguns artistas ganham bastante dinheiro, outros nem tanto. A maioria continua nas favelas animando os bailes funk que atraem as patricinhas e os mauricinhos perseguidores de trios elétricos.

Começamos a ver bandas mais estruturadas e consistentes entregando um material musical decente. Como é o caso de BNegão & os Seletores de Frequência, que manda bem e toca fogo nas pistas de dança com seu repertório de Hip-Hop, Rap e Funk.

BNegão, estilo 70's revisitado

Bernardo Santos, o BNegão, é o carioca criador da banda. Cantor, compositor e guitarrista de mão cheia, vem de uma sólida carreira underground, passando por várias bandas até criar a The Funk Fuckers, que pegava pesado no som e nas letras. A banda estreou no saudoso Circo Voador completamente lotado. Dali migrou para a Planet Hemp, onde explodiu.

A porrada come solta

Em 2001, ele deixou a Planet Hemp para se dedicar ao projeto da BNegão & os Seletores de Frequência. Em 2003, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a aderir aos conceitos de Copyleft e Creative Commons e liberou o CD de estreia, Enxugando Gelo, para ser baixado livremente no site da banda. O álbum apresenta três músicas com críticas ao governo Lulla: "Nova Visão", "Enxugando Gelo" e "A Verdadeira Dança do Patinho".

É fogo na pista de dança

Atualmente BNegão faz parte do grupo Turbo Trio. Mas, eu acabei fazendo uma gostosa viagem pelas minhas memórias e, conhecendo meu passado dançante, meu filho Pablo me enviou um videoclipe da BNegão & Seletores de Frequência com um funk da pesada, Funk até o Caroço, que resume toda a história. Vamos nessa, som na caixa! Levante a bunda da cadeira e dance até deixar marcas de sapato no teto!

Funk Até O Caroço
BNegão, Muzak, Gracindo e Flávio

Tu tá sozinho na tua, plena força é soltura
Definição: Essa é sua decisão
Pros outros cê tá à toa, mas sua cabeça não para, maquinando qual será a próxima parada
Na mente, a necessidade de ser coerente
Nas veias, o sangue determinado a não sair da corrente
Muitas idéias na cabeça, pouco dinheiro no bolso
Pode crê, cumpadi, tu é funk até o caroço…

E atenção, o Ministério do Paulão adverte: mussiroca na aba provoca zunido incômodo, mal-estar e purulência na epiderme…
Portanto, se você tem entre cinco e cento e quinze anos, vacine-se já na junta mais próxima da sua caxanga
Lembre-se: conselho depois do erro é como remédio depois do enterro
E falando nisso, meu cumpadi pedro, funk-representante do manifesto 021 (sopra o funk), pra que finalmente reine a alegria geral, sopra meu filho, sopra o metal

Sem caozada, sem alvoroço
No seu estilo, funk até o caroço.



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Janelas e uma canção - Tom Waits - Blue Valentines

Ricardo Icassatti Hermano

Sou imune ao clima obrigatório dessas festas de final de ano. Não consigo fazer "balanços" ou imaginar que minha vida pregressa pode ser simplesmente esquecida ou apagada em prol de uma esperança difusa de vida nova. Sonhos ... prefiro sonhar quando estou dormindo.

Talvez seja por isso que tenha gostado tanto de uma indicação de música feita pela sempre bela e charmosa @isabelfavilla. Trata-se de uma criação do craque Tom Waits, e a música chama-se Blue Valentines, do álbum Blue Valentine de 1978.

Tom Waits é um gênio

A canção é tão boa que nem precisa de um videoclipe. É música para ser escutada apenas. Deixe as imagens para a caleidoscópica memória, enquanto sorve uma caneca fumegante de café e olha pela janela. Por aqui, o mundo está cinza, chove e faz frio. Lá na Europa, o mundo está branco, neva e faz muito mais frio. Janelas ...

O frio, de repente, tomou conta do mundo

Tom Waits é um daqueles caras privilegiados que nascem com vários talentos. Ele é músico, instrumentista (piano e guitarra desde os 10 anos de idade), compositor, cantor e ator consagrado. Suas músicas são cheias de personalidade devido às letras instigantes que harmonizam perfeitamente com sua voz rouca e grave, afinada com cigarro, café e bourbon. Aliás, a voz nos faz até pensar que se trata de um cantor negro.

Tom Waits afinando a voz

Sua carreira é longa e não está presa a um único estilo musical. Waits transita com maestria entre Jazz, Rock, Blues, Folk e outros tantos gêneros. São mais de 40 anos de estrada, 30 álbuns e mais de 50 participações em filmes, como ator e compositor da trilha sonora. Já embolsou dois Grammys pelos álbuns Mule Variations e Bone Machine.

Um dos últimos beatniks

No cinema, apenas como exemplo, você poderá encontrar Tom Waits em Drácula de Bram Stocker (1992), O Selvagem da Motocicleta (1983), Sobre Café e Cigarros (2004), Domino (2005), Jarhead (2005) e no mais recente O Imaginário do Dr. Parnassus (2009).

Mas, essa conversa já se estendeu o suficiente. Aqui, a chuva. Lá, a neve. Unindo as janelas, uma canção absurdamente linda e estonteante. Se bem conheço as leitoras e os leitores do Café & Conversa, a essa altura estão diante das suas janelas com suas canecas cheias e querendo mais é ouvir a música de hoje. Com vocês, o genial Tom Waits ...


Blue Valentines
Tom Waits

She sends me blue valentines

all the way from philadelphia

to mark the anniversary

of someone that I used to be

and it feels just like there's

a warrant out for my arrest

baby you got me checkin' in my rearview mirror

and I'm always on the run

that’s why I change my name

and I didn't think you'd ever find me here



to send me blue valentine
like half forgotten dreams

like a pebble in my shoe
as I walk these streets

and the ghost of your memory

baby is the thistle in the kiss

and the burgler that that can break a roses neck

it's the tattooed broken promise

that I hide beneath my sleeve

and I see you everytime I turn my back



She sends me blue valentines
though I try to remain at large
they're insisting that our love
must have a culogy

why do I save all of this madness

in the nightstand drawer

there to haunt upon my shoulders

baby I know
I'd be luckier to walk around everywhere I go
with a blind and broken heart
that sleeps beneath my lapel

She sends me blue valentines
to remind me of my cardinal sin
I can never wash the guilt
or get these bloodstains off my hands
and it takes a lot of whiskey
to make these nightmares go away
and I cut my bleedin' heart out every nite
and I die a little more on each st. valentine day
don’t you remember that I promised I would
write you...
these blue valentines
blue valentines
blue valentines




Os perigos do reveillon e Salmão com Alecrim e Limão


Ricardo Icassatti Hermano

O pesadelo do final de ano acabou. Você sobreviveu quase sem sequelas à festa da Natal, com reunião da família e ceia completa. Tomou um fôlego e partiu para o Reveillon, com lista de resoluções para o ano novo e tudo o mais. Vestiu roupa branca, cueca e/ou calcinha amarela, comeu romã, fez todas as simpatias para encontrar sua alma gêmea e ganhar muito dinheiro.

É só alegria na muvuca

Pulou, dançou, deu gargalhadas e tomou todas ... e aí o bicho pegou. Lá pelas tantas (horas e doses) você zanzava pelo salão quando esbarrou com aquela gata dos sonhos. Coisa de desfile da Victoria's Secret em High Definiton. Ela sorriu e te encarou com um indisfarçável desejo flamejante. Obviamente, você no mesmo instante passou a acreditar em amor à primeira vista.

Por um momento, você pensou: "Uêba! A felicidade até existe ..."

A noite que nada prometia, passou a ter um outro colorido. As esperanças se renovaram, a vida ficou mais brilhante, a sorte sorriu, os portões do Paraíso se abriram e aquela anja estendeu um tapete vermelho apenas para você: o escolhido. E o melhor é que nem precisou se auto-explodir para ter o seu quinhão de felicidade divina.

Muitas horas de sexo selvagem depois, você se lança nos braços de Morfeu e descansa com o sono dos guerreiros e dos justos. Mas, se não se te disseram, já vou adiantando que a vida costuma não ser justa. Passado o efeito inebriante do álcool, vem a ressaca e a maldita lucidez. Aquela anja se transformou num misto de Ahmadinejad com Hugo Chavez, Evo Morales, Ronaldinho Gaúcho e Lula ...

Depois que passa o efeito borbulhante da champanhe ...

Como se não bastasse isso, ela está no meio de um ritual esquisito diante de um altar satânico. Você começa a pensar que, afinal, não parece tão ruim assim a ideia do homem-bomba. Pegue rapidamente as suas roupas, procure sair de fininho e vá curar a sua ressaca em casa. Não se preocupe em deixar um bilhete e muito menos o número do seu telefone. Para ajudá-lo nessa terrível empreitada, trouxemos uma receita leve para esses dias de pós-reveillon e estômago embrulhado.

Salmão com Alecrim e Limão
2 porções

Ingredientes

- 1 limão siciliano cortado em fatias finas
- 4 ramos de alecrim
- 2 filés de salmão (250 g a 300 g cada) sem pele e espinhas
- 1 colher sopa de azeite
- Sal
- Pimenta do Reino

Preparo

Pré-aqueça o forno a 200º.

Tempere os filés de salmão com sal e pimenta do reino.

Arranje metade das fatias de limão no fundo de uma fôrma (pirex ou cerâmica). Por cima das fatias de limão, espalhe metade das folhas de alecrim e coloque os filés de salmão. Espalhe a outra metade das folhas de alecrim sobre os filés de salmão. Cubra os filés com o restante das fatias de limão. Banhe com o azeite.

Leve ao forno por 20 minutos ou até que a carne do salmão se separe facilmente em lascas.

Sirva com legumes salteados, batatas ao forno,
arroz de brócoli ou purê de batatas com alho

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

72 Horas, um filme tenso e uma questão interessante


Ricardo Icassatti Hermano

Está em cartaz um filme chamado 72 Horas. O filme é tenso e coloca uma questão interessante para quem gosta de refletir. Eu explico. Reflexão exige um certo acúmulo de conhecimento, alto nível de curiosidade, inteligência pelo menos mediana e saber que não existe a palavra "presidenta". Está explicado. Sigamos adiante.

Cartaz do filme

O filme narra a estória de uma mulher, esposa e mãe, que é acusada de ter assassinado a sua chefe (não é "chefa") logo após uma forte discussão no escritório. O nome dessa mulher é Lara Brennan e é interpretada pela gata Elizabeth Banks. Você sabe que uma mulher é gata quando ela continua gata mesmo sem maquiagem e vestindo um macacão de prisioneira.

Entendeu porque se usa atrizes bonitas em filmes?

Todas as evidências apontam Elizabeth como a autora do assassinato. Ela alega inocência e ter esbarrado em outra mulher quando se dirigia para o estacionamento, onde ocorreu o crime. Nesse esbarrão, ela diz ter ouvido o som de um botão do seu casaco sendo arrancado e também sai com uma mancha do sangue da chefe (não é "chefa"), que só percebe no dia seguinte pela manhã, pouco antes da polícia invadir sua casa e a levar presa.

Liam Neeson faz o cara que ensina como planejar uma fuga da prisão

No frigir dos ovos, ela é condenada à prisão perpétua. O único que acredita em sua inocência é o seu marido, John Brennan, interpretado pelo provocador de suspiros femininos, Russel Crowe. Os amigos, os parentes, o advogado e até ela mesma não acreditam mais. O maridão então resolve tomar uma providência e tirar a mulher da prisão. O resto é melhor assistir, porque o filme é sensacional.

Contra tudo e todos, o maridão planeja e executa o plano de fuga

Ao final, porém, resta a questão a que me referi no início desse post. Desde crianças, somos educados para aceitarmos e acreditarmos no sistema que engloba a polícia e a justiça. Somos educados para confiar que esse sistema nos protegerá e saberá separar quem é bom de quem é ruim. No entanto, ninguém nos diz que o sistema não é perfeito, justamente porque é mantido por seres humanos. 

O filme é eletrizante

E a questão? A questão é: quando o sistema falha conosco, temos o direito de tomar a justiça em nossas mãos? Podemos corrigir a falha do sistema? Devemos fazê-lo? É filosoficamente justificável? Ou devemos aceitar a falha e engulirmos o prejuízo irreparável que possa causar às nossas vidas?

Foi essa conversa após o filme que tive com dois dos meus filhos e a namorada de um deles, que acaba de se formar em Direito e defendeu esse tema em sua tese. É por essas e outras que celebro cada centavo investido na educacão dos meus filhotes. O filme é imperdível. Assista o trailer.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Memélia Easy Rider e a caneca globetrotter


Ricardo Icassatti Hermano

Eu estava começando minha carreira jornalística, era apenas um foca cursando o último semestre na faculdade, quando conheci a já famosa jornalista Memélia Moreira. Se não me falha a memória, ela trabalhava no jornal Folha de São Paulo. Eu escrevia umas notinhas para rádio na assessoria de imprensa do antigo Ministério do Interior.

Memélia era e continua sendo uma grande fã e defensora dos índios brasileiros. Como a FUNAI fazia parte da estrutura do Ministério, Memélia sempre aparecia por lá acompanhada de um monte de índios, inclusive os famosos. Tinha até um que trabalhou numa novela. Lembro da voz dela, alta e forte, suas risadas enchiam os corredores.

Cresci bastante naquela assessoria porque tive bons mentores, Ricardo Franco e Ismar Madeira. Dois grandes jornalistas e seres humanos de primeira linha. Eles me deram enormes oportunidades, ensinamentos e responsabilidades. Confiaram naquele garoto esforçado. Dali, bati asas e fui assessorar outros vários ministros. É muito elucidativo trabalhar dos dois lados do balcão ...

Ocasionalmente, esbarrava com a Memélia. Brasília é uma cidade do interior metida a besta e o poder fica concentrado no conjunto que reúne a Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios. Os jornalistas que cobrem política e governo ficam zanzando por ali e acabam se conhecendo, criando laços de amizade, mesmo que tenham linhas políticas completamente opostas.

Fiquei muitos anos sem notícias da Memélia, até que nos esbarramos novamente numa outra cidade do interior metida a besta, chamada Twitter. Desde então temos mantido boas conversas, por enquanto sem café. É que ela casou, mudou e não nos convidou. Se mandou com o marido gringo para a Flórida, nos Estados Unidos da América.

Mas, ela prometeu que vem a Brasília para conhecer o neto e aí vamos nos sentar numa cafeteria bacana, tomar um excelente café e trocar umas ideias. E sendo amiga do Café & Conversa, acabamos sendo agraciados com a sua generosidade em levar a caneca mais cult do mundo digital para passear.

Quem acompanha o blog sabe o quanto essa caneca tem viajado, sempre na aba dos amigos. Foram vários países da Europa, Coreia, Brasil, países da América do Sul e agora Caribe e Estados Unidos da América, a terra do Tio Sam, o Império da democracia ocidental e do capitalismo que derrotou o comunismo. E quem nos conta essa história é a própria Memélia.

CANECA GLOBETROTTER
Memélia Moreira

Elegante e cosmopolita, ela já visitou o Palácio das Concubinas, em Seul, acompanhada por @maria_lima, ouviu o murmurar da fonte onde Leonardo da Vinci bebeu água, na bela Toscana. Estava nos braços generosos de @clarafavilla, que também a levou à poderosa Holanda. Para completar, submeteu-se ao desafio dos desafios: foi ao Inferno. E voltou.

Essa vocês já conhecem. É o lugar de onde vêm os sobrinhos ...

Esteja onde e com quem estiver, ela será sempre vista sob a escolta de dois distintos cavalheiros e, às vezes, farta dos paparazzi, ela se esconde para não ser fotografada.
Sabe que já se tornou objeto de desejo até de @ascanioseleme, um jornalista daqueles que dá gosto conversar. Ele jura que não se ajoelhou para cortejá-la, mas há controvérsias ...

Afinal de contas, estar em companhia da caneca do @CafeConversa tornou-se “in”, diriam revistas das celebridade. Calma! Ela ainda não decidiu se visita ou não a ilha de “Caras”. Só para terem uma idéia, quando ela chegou aos Estados Unidos, foi imediatamente levada para a biblioteca, lugar nobre da casa onde se hospeda. Escolheu a companhia dos livros para seu refúgio em dias de intenso calor ou frio confortável.

Caneca metida a intelectual

Enquanto adia a decisão se aceita o convite para um fim de semana na “ilha dos famosos”, que pode ser uma ex-BBB ou uma modelo/manequim/atriz, a caneca visita outras ilhas mais, vamos dizer, “democráticas”.

Sintam só o tamanho da mordomia. Caneca checando a conta numerada ...

Esteve em Castway, nas Bahamas, Cozumel, no México e em Grand Cayman, um protetorado da “velha e pérfida Albion” pousada nas águas de profundo azul do misterioso Caribe, onde a lavagem de dinheiro vem com o selo “by appointment of Her Majesty”. A Majesty em questão é, no momento, Elizabeth II da Inglaterra.

Em Cozumel, checando o Calendário Maia para ver
se o mundo acaba mesmo em 2012

Mas foi exatamente nessa ilha que virou até nome de um falso dossiê (ou será que já nos esquecemos do Dossiê Cayman?) que a elegante caneca descobriu que, sim, o Inferno existe. E se chama “Hell” porque afinal de contas, o Diabo veste Prada e não calça de brim das Lojas Pernambucanas e, claro, fala inglês.

Mas, antes dessa viagem na qual contemplou o Caribe e deitou-se nas esponjas de Key West, a caneca fez um tour por Downtown Disney, em Orlando, centro de peregrinação de um país chamado Mickeylândia. Apaga, apaga. O país se chama Estados Unidos.

Caneca entre as esponjas marinhas de Key West, estilo Spa

Queria ver se era verdade os boatos sobre a lona de concreto do Cirque de Soleil e ouvir boa música na House of Blues, além de visitar um pub irlandês. E até sentou-se ao lado de James Joyce. Ela não contou, mas sua intenção íntima era saber se é verdade de que sua bebida preferida, o café, sofre maus-tratos no país que se orgulha de ter as mais “avançadas das avançadas tecnologias”.

Só tenho uma coisa a dizer: ter bom gosto é foda!

E o café é tão desprezado que os nativos o chamam de “regular coffee”. Perambulou pelas mais diferentes atrações de Downtown só para ter certeza de que sim, as maledicências procedem. O café (???) só se chama “regular” naquelas bandas porque desconhecem o pejorativo muito usado nas Terras Brasilis: “chafé”.

Memélia Easy Rider saiu em busca de um bom café nos EUA

Depois de experimentar várias marcas, a caneca suspirou: “argh!”. Mas tão discretamente que poucos perceberam o olhar de compaixão que ela lançou para as dezenas de Starbucks e Joe´s Mug visitados.

Memélia e a caneca procuraram bastante,
mas não encontraram um café decente

Enquanto espera a primavera brasileira para tomar um bom e verdadeiro café, a caneca elegeu o Panera, despretensiosa casa de chá em Kissimmee, para se distrair com o “regular coffee”. Pelo menos ali, o líquido é, vamos dizer, razoável. E foi lá, frente a um laptop, que ela selecionou imagens de seu giro pelo Caribe, prometendo a si mesma estender suas fronteiras até o Alaska, assim que puder.

Caneca confraternizando com a galera do Cirque du Soleil

É lá que a caneca do @CaféConversa espera que os pobres gringos, diante daqueles lagos e da aurora boreal, se redimam e lhe ofereçam um bom café. E enquanto espera o dia da redenção do dos estadunidenses, segue sua vocação de ser a mais globetrotter de todas as canecas de qualquer café do planeta.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano Novo, resoluções imortalidade e tentações


Ricardo Icassatti Hermano

Mais um ano se passou e nem sequer ouvi falar seu nome. Assim dizia o lendário Cassiano em sua criação imortal, a clássica canção dor de cotovelo A Lua e Eu. Mas, ano novo sempre leva as pessoas a pensarem numa vida nova. Como se pudessem se livrar de tudo o que viveram até o dia 31 de dezembro e renascer à meia noite, tal qual uma abóbora daquela estória infantil.

Ano Novo, a eterna esperança

Até lista de resoluções para o ano novo se dão ao trabalho de escrever. Deve ser para não esquecer que são novas pessoas e aquelas do ano passado não existem mais. Essas listas geralmente acabam esquecidas dentro de alguma gaveta, livro ou agenda.

"Esse ano eu ganho a Mega Sena da Virada"

Os seres humanos são coisas estranhas ao mundo. Somos os únicos seres conscientes de si próprios e de sua finitude. Assim mesmo, adoramos nos iludir e vivemos como se imortais fôssemos, gerando uma série de conflitos, medos e problemas subconscientes por causa disso. Não queremos e não aceitamos duas inevitabilidades: o envelhecimento e a morte.

"Pô Eva, agora fudeu ... vamos envelhecer e eu vou ter que trabalhar ..."

Sempre estamos procurando um jeito de driblar nossa consciência. Seja com uma infinidade de cremes e poções mágicas; seja com cirurgias plásticas e outras deformações corporais; seja com remédios tarja preta; ou seja simplesmente pintando os cabelos brancos. Há quem chegue ao cúmulo de encomendar o embalsamento do corpo ou seu congelamento.

"Em 2011, prometo fazer a dieta da laranja ..."

Nessa incansável busca por nós mesmos, inventamos essa onda de "vida nova no ano novo". Criamos também uma vida após a morte reproduzindo o que temos por aqui e até um retorno eterno para nos consolar. Chamamos isso de reencarnação.

Isso não tem fim

Sempre nos cansamos do que somos e precisamos nos reinventar para nos tornarmos minimamente suportáveis a nós mesmos. O ser humano está destinado ao sofrimento e, por isso, também gosta de pensar no fim do mundo e especular datas como se fosse uma competição para ver quem acerta. E o fim do mundo acaba acontecendo para as milhões de pessoas que morrem todos os dias.

BUM!

Como não estou preocupado com o fim do mundo e nunca fiz uma lista de resoluções para o ano novo, pretendo apenas continuar vivendo da melhor maneira possível, apreciando as amizades e os filhotes, administrando um dia após o outro e gostando do que vejo no espelho toda manhã. E, claro, comendo muito bem e tomando excelentes cafés.

A eterna beleza do efêmero

Por isso, o Reveillon é apenas mais um dia para comer guloseimas maravilhosas. O Café & Conversa não pode lhe dar uma vida nova, mas pode lhe desejar um excelente 2011, cheio de grandes realizações em todas as áreas importantes da sua vida. Também trouxemos uma receita para ajudar você a esquecer aquela promessa de emagrecer ...

E como começamos esse post lembrando Cassiano, fechamos com a sua criação imortal. Certamente, algum ato falho, como faria questão de apontar uma ex-namorada psicóloga de quem fiz questão de me livrar bem rápido. Mas, nunca se esqueça de manter o bom humor. Não se leve tão a sério, brinque mais, ria de si mesmo e viva bem : )

Torta de Chocolate e Chá Earl Grey
8 porções

Ingredientes para a Massa

- 5 colheres sopa de manteiga sem sal e em temperatura ambiente
- 1/4 xícara de açúcar de confeiteiro
- 2 colheres sopa de farinha de amêndoa
- 1 gema de ovo grande, em temperatura ambiente
- 1 pitada de sal
- 1 xícara de farinha de trigo

Ingredientes para o Recheio

- 1 1/2 xícaras de creme de leite fresco
- 1/4 xícara de folhas de chá Earl Grey
- 340 g de chocolate meio-amargo bem picado
- 3 colheres sopa de mel
- 3 colheres sopa de manteiga sem sal
- Chocolate em pó, raspas de chocolate, creme chantilly ou outros ingredientes para decoração e acompanhamento

Preparo da Massa

Bata a manteiga junto com o açúcar de confeiteiro, a farinha de amêndoa e a gema de ovo em velocidade MÉDIA até que todos os ingredientes estejam bem misturados. Adicione a farinha de trigo e coloque a batedeira em velocidade BAIXA até que a mistura esteja homogênea.

Abra a massa até uma espessura fina, embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por 1 hora. A massa pode ser armazenada na geladeira por até 1 semana e congelada por até 1 mês.

Bata levemente na massa para amaciá-la. Desembrulhe e coloque a massa sobre uma superfície polvilhada com farinha de trigo. Polvilhe também a superfície da massa. Com um rolo, abra um círculo com diâmetro de 30 cm e espessura de 3 mm. Enrole a massa no rolo e desenrole sobre uma forma de 23,4 cm de diâmetro. Cubra todo o fundo, as laterais da forma e corte as sobras de massa.

Com um garfo, fure uma 20 vezes a massa no fundo da forma. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos no mínimo e 1 hora no máximo.

Pré-aqueça o forno a 180º. Remova o filme plástico e asse a massa até que fique levemente dourada, cerca de 15 minutos. Retire do forno e deixe esfriar completamente.

Preparo do Recheio

Numa panela média e em fogo MÉDIO, aqueça o creme de leite sem levantar fervura. Retire a panela do fogo e acrescente as folhas de chá Earl Grey. Deixe ficar por 8 minutos. Coe o creme de leite numa peneira bem fina. Aperte as folhas com uma espátula de silicone para extrair o máximo de creme. Retorne o creme ao fogo MÉDIO e reaqueça.

Coloque o chocolate picado numa tigela média. Adicione o creme aquecido e deixe descansar por 3 minutos. Misture bem até que fique homogêneo. Adicione o mel e a manteiga e misture bem. Derrame a mistura sobre a massa. Leve à geladeira por 1 hora. Sirva a torta gelada, decorada com chocolate em pó, raspas de chocolate, creme chantilly e/ou flores comestíveis.


Como diria João Pequeno: "vida nova é o cara..."
Eu quero continuar vivendo desse jeito mesmo



A Lua e Eu
Cassiano e Paulinho Motoka

Mais um ano se passou

E nem sequer ouvi falar seu nome
A lua e eu


Caminhando pela estrada

Eu olho em volta e só vejo pegadas

Mas não são as suas eu sei,

Eu sei, eu sei


O vento faz
Eu lembrar você

As folhas caem
Mortas como eu


Quando olho no espelho

Estou ficando velho e acabado

Procuro encontrar

Não sei onde está você

Você você....


O vento faz
Eu lembrar você

As folhas caem
Mortas como eu...

A lua e eu