sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cafeteria do Ano - 2010


Da Redação

Hoje à noite, toda a redação do Café & Conversa estará presente à festa de entrega do certificado de "Cafeteria do Ano" ao estabelecimento que nos proporcionou as melhores e mais saborosas experiências em 2010. As cafeterias que concorreram ao título, passaram pelo crivo criterioso dos jornalistas que compõem o blog.

Vários quesitos foram analisados, tais como ambiente, atendimento, música, cardápio e, claro, a qualidade dos cafés servidos. Como já destacamos aqui, tomar café nós tomamos em casa. Quando vamos a uma cafeteria, buscamos experiências inusitadas. Esse tipo de experiência envolve todos os sentidos. Assim, a cafeteria deve ser confortável, agradável e convidativa para nela permanecer.

A trilha sonora deve ser escolhida com cuidado, bem como o volume, pois a cafeteria deve ser um local onde desaceleramos o corpo e aceleramos a mente. Cafeína estimula o cérebro. Por isso também deve ser um lugar apropriado para a conversação, ou não. Daí a necessidade de disponibilização de conexão Wi-Fi para internet e alguma leitura de jornais, revistas e até livros.

O atendimento não pode ser menos que impecável. Afinal, não vamos até uma cafeteria para sermos mal atendidos ou termos trabalho além de sorver café, comer guloseimas e conversar. As guloseimas devem ser harmonizáveis com café e as porções não devem ser ridiculamente minúsculas. Embora não seja um restaurante, ninguém quer sair da cafeteria com fome depois de ter comido.

Uma cafeteria deve investir em sua mão-de-obra. É obrigatório ter um Barista com a devida formação. Treinamento só é bom para atleta. O Barismo é uma ciência e um espresso só atingirá a qualidade técnica necessária se um profissional habilitado estiver operando a máquina. Por último, o café a ser servido deve ser muito bem escolhido. O grão de café é a matéria-prima com o que o Barista vai trabalhar e também será a principal referência da cafeteria.

Após analisarmos por um ano todos esses quesitos em várias cafeterias top de linha em Brasília, é com imenso prazer que anunciamos a eleição por unanimidade da Fellini Caffè (CLS 104 Bloco B Loja 1, fone: 3223-1333) como a Cafeteria do Ano - 2010. Lá são servidos os blends elaborados pela cafeteria e torrefadora paulista Santo Grão. A entrega do certificado será realizada logo mais, após as 20h, lá mesmo. E com muitos espressos : )


Parabéns Fellini Caffè!!!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Verão, tragédias, corpos, aviões e comidas


Ricardo Icassatti Hermano

O Verão chegou ... Na minha adolescência, era uma estação de alegria, praias limpas, belezas femininas em biquinis cada ano menores, músicas que perduravam três meses, paixões fugazes e bronzeados cancerígenos. Hoje, o Verão é sinônimo de chuvas torrenciais, tragédias anunciadas, incompetência governamental e eleitores(as) abestados(as).

Bons tempos aqueles em que o Verão era só alegria ...

Mas, segundo a propaganda Lulla, o brasileiro não desiste nunca e não recua jamais. Igual ao Van Damme em seus filmes. Lembrando sempre que propaganda não previne contra tragédias. Ao contrário, as cria. E segundo o governador "Risadinha", a responsabilidade é de todo mundo, menos dele, é claro. "Risadinha" prefere viajar para exterior nessa época do ano.

Chega de falar de gente ruim. Vamos falar da culinária para o Verão. Saem os cremes, os molhos encorpados, as manteigas, os pratos mais pesados e entram os temperos suaves, as frutas, os sucos, as saladas, o fio de azeite e os grelhados. Afinal de contas, você malhou bastante para ter um corpinho apresentável nas praias, piscinas e enchentes desse país.

A sua magreza também serviu para que o seu corpo coubesse na poltrona dos aviões. Sabe aquele problema da distância das poltronas que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu resolver? Pois é, não mexeu um dedo. Ele só gosta das fotos e da fantasia de general da banda. Portanto, não pode exagerar porque os quilos perdidos sempre encontram o caminho de volta. É preciso manter o peso leve para caber no avião na viagem de volta para casa, viu Little Mary?

Depois reclama do aperto no avião ... e isso é apenas o café da manhã!!!

Para ajudar nossas leitoras a continuarem entrando nos biquinis, nos shorts e no avião, o seu blog predileto foi buscar a receita do Sorbet, um sorvete leve feito com frutas, sem gordura, saudável e se for consumido com moderação, manterá incólumes as suas formas de sereia. Além de refrescar neste calor infernal que nunca vimos antes na história desse país ...

Sorbet de Limão Siciliano

Ingredientes

- 2,5 medidas de água
- 0,5 medidas de açúcar
- 0,5 medida de suco de limão siciliano espremido na hora
- Raspas da casca do limão siciliano
- Há quem adicione uma clara de ovo, mas não é necessário à receita

Preparo

Coloque a água e o açúcar em um panela e leve ao fogo ALTO até levantar fervura. Abaixe o fogo e deixe cozinhar lentamente por alguns minutos. Adicione as raspas da casca do limão. Retire do fogo, adicione o suco de limão, misture bem e deixe esfriar.

Quando estiver frio, coe o líquido em uma tigela de metal. Leve ao congelador. Quando estiver congelado, bata no liquidificador e volte ao congelador.

Sirva em taças resfriadas no congelador. Lembre-se que o sorbet nada mais é que uma raspadinha com bastante açúcar. Isso impede que a água congele e o deixa macio. Use sempre uma fruta cítrica para amenizar o doce.

Refresque-se sem medo de engordar, caindo de boca no Sorbet

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sorry periferia, mas é muito bom ter amigos


Ricardo Icassatti Hermano

É muito bom ter amigos. Para mim, são parte indissociável da família e da minha vida. São irmãos e irmãs que descobrimos ao longo da vida, como se nossos pais e mães fossem marinheiros serelepes que deixaram filhos em cada porto por onde passaram.

Aristóteles e Platão na Academia: "É Filos com 'F' ou Philos com 'PH'?"

Os gregos antigos - basicamente Platão, Aristóteles e os seus discípulos que se dedicaram a debater o tema - tinham uma noção peculiar sobre o amor. Eles o dividiram em cinco tipos diferentes:

ÁGAPE, que é o amor de Deus para com o homem;

EROS, o amor romântico entre homem e mulher (em O Simpósio, Platão reproduz a discussão entre estudantes de Sócrates sobre a natureza de Eros);

FILOS (Philos), amor entre os seres humanos que inclui a lealdade entre amigos, pais e filhos etc.;

FRATERNAL, que se aplica ao relacionamento dentro da família;

THELEMA, que é o desejo de se fazer algo, estar ocupado, estar em proeminência, o amor pelo trabalho a que se dedica.

Perspicazes esses gregos. Mas, como ia dizendo, os amigos são importantes porque completam esse círculo amoroso que nos define. Precisamos de todos esses tipos de amor. Sem isso, o que sobra de nós? Apenas a escuridão do nada. E hoje é dia de falar da amizade, do Filos.

Há alguns dias, a querida amiga e Patissière de mão cheia, Lena Gasparetto, me desejou um Feliz Ano Novo prometendo enviar uma surpresa como presente. Segundo ela mesma, havia uma "dívida" comigo. Logo eu que implorei e inundei o Café & Conversa com as suas mágicas receitas de guloseimas.

Essa é a Patissière Lena Gasparetto

E qual não foi a minha surpresa ao chegar em casa ontem e encontrar um pacote enviado por ela. Dentro do pacote - que era uma caixa de isopor - encontrei um cartão e duas caixas caprichosamente decoradas e cuidadosamente embaladas. No cartão, Lena mais uma vez demonstrou toda a sua gentileza e carinho para com este pequeno escrivinhador.

O pacote da surpresa

Nas duas caixas, me aguardavam porções pra lá de generosas de perfumados Cantuccini e estonteantes trufas de chocolate. Bem, metade dos Cantuccini foram o meu jantar e duas trufas a sobremesa. Os Cantuccini são, sem sombra de dúvida, os melhores biscoitos que comi na vida. Não estou exagerando de forma alguma. Só lamentei não ter o Vin Santo para acompanhar, como manda a tradição da Toscana.

A outra metade dos Cantuccini se foi no café da manhã

E o que dizer das trufas, especialmente as de café ... equivalem a um orgasmo triplo : ) Não sou eu quem diz, são os cientistas ingleses que descobriram essa curiosa propriedade do chocolate. E generosidade gera generosidade. Levei parte das trufas para compartilhar o êxtase com as colegas de trabalho da firma. O nervosismo se foi e a calma reinou a tarde inteira.

Essas trufas têm um efeito mágico de felicidade instantânea

Não tenho palavras suficientes para agradecer o maravilhoso presente que recebi da amiga Lena Gasparetto. E sequer nos conhecemos pessoalmente ainda. Ela acha que ajudei a divulgar seu trabalho, quando fomos nós - blog e leitores(as) - que tiramos um grande proveito das receitas de felicidade que a Patissière elabora. Valeu Lena!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Além da Vida - Clint Eastwood é um craque


Ricardo Icassatti Hermano

Clint Eastwood é um dos poucos e verdadeiros craques do cinema. Ator, diretor, roteirista, compositor de trilha sonora, produtor. O cara chuta com as duas, cabeceia, dribla e faz o gol. Aliás, só faz golaço, desde os tempos de faroeste italiano e do politicamente incorretíssimo Dirty Harry, que causa arrepios em almas sensíveis com seu Smith Wesson Magnum .44.

Almas sensíveis e com preocupação social ficam
todas molhadinhas quando encaram esse cano

Mas, Clint também faz bonito quando é preciso carregar na sensibilidade. A sua obra cinematográfica está aí para quem quiser comprovar. É o caso do seu mais recente filme, Além da Vida (Hereafter), que está em cartaz em algumas salas da cidade e disputa espaço com animações infantis. Férias de Verão. Saco ...

Cartaz do Filmaço

O filme trata de um assunto ingrato para a maioria dos ocidentais: a morte e a eterna dúvida sobre a possibilidade de uma vida após a morte do corpo físico. O assunto é polêmico e incômodo porque temos (muito) medo da morte. A certeza sobre a continuação da vida em outra existência parece ter efeito relaxante e aplacante sobre esse medo.

Graças a esse medo primordial, evitamos falar sobre a morte e quando chega a hora só temos o desespero e a tristeza. Agimos como se não soubéssemos que essa hora chegará, queiramos ou não, quando deveríamos ser educados a respeito desde o primeiro ano de escola.

Fala-se muito em educação sexual, perdemos tempo em discussões infindáveis sobre casamento entre homossexuais e não falamos em educar para a velhice a para a morte. Optamos pela perpetuação do medo e do sofrimento. Certamente há uma lógica perversa por trás disso.

O filme poderia facilmente descambar para um thriller, para o terror barato ou simplesmente cair no ridículo da pieguice. Mas, isso jamais aconteceria nas mãos competentes de Clint Eastwood. A condução do tema é segura e consegue captar de maneira surpreendentemente simples o sofrimento que abate aqueles que ficam e têm de lidar com a dor da perda e com a sobrevivência.

Se tem um cara que sabe o que faz, ele é o Clint Eastwood

O filme também repete uma dupla de trabalho que está se consolidando como uma das mais bem ajustadas do cinema americano. É a dupla Clint Eastwood, na direção, e Matt Damon, como protagonista e neste filme atuando como o vidente George Lonegan. Ele consegue estabelecer contato com os mortos e transmitir recados para os vivos. A cada filme, o trabalho da dupla só melhora.

Clint e Matt, uma dupla sensacional

Muita gente acha que o dom da vidência é uma benção. Na verdade, como bem explica George Lonegan no filme, está mais para uma maldição. As pessoas costumam ver esse tipo de dom pelo prisma do poder que podem ter. Não se dão conta do preço a pagar. Saber tudo sobre o outro não é uma coisa desejável. Mas, o poder exerce esse fascínio corrompedor sobre as pessoas. Fazer o que ...

Bryce Dallas. Diz aí. É gata ou não é?

O filme ainda conta com a participação da gata francesa Cécile De France, no papel da jornalista e escritora Marie Lelay, e da gata americana Bryce Dallas, como a curiosa Melanie. Além disso, tem a dupla de garotos gêmeos que arrebenta na interpretação, os ingleses Frankie e George McLaren, nos papéis de Marcus e Jason.

Esses moleques dão um show

O Café & Conversa assistiu, se emocionou e recomenda na categoria FILMAÇO. Não esqueça de levar um lenço ou vários. Veja o trailer.



sábado, 8 de janeiro de 2011

Funk até o caroço


Ricardo Icassatti Hermano

Na minha pré-adolescência, conheci a música negra americana através de um amigo que era filho de embaixador. Ele esteve nos Estados Unidos e tinha um LP da banda Jackson Five. Se não me engano era o primeiro ou o segundo. Fui fisgado na hora pelo ritmo e pela dança dos irmãos que deram uma chacoalhada no cenário da música pop mundial. Eu lutava para ter cabelo black power, me vestia com calças boca de sino e deslizava com meus sapatos de plataforma. É mole?

Feel the power, ma brother!!!

Junto com uns amigos da quadra, formei um grupo cover do Jackson Five para fazermos bonito dançando nas festas. Tinha até ensaio. Naquela época, a maior parte da festa era com luz negra e música lenta para que pudéssemos dançar de rosto colado com as meninas. Assim, tínhamos acesso ao pescoço, onde começávamos a dar uns beijinhos. Se a garota desse sinal verde, os beijinhos iam se encaminhando para a boca dela ... Quase sempre a fórmula funcionava.

Esses irmãos mudaram o pop para sempre

Hoje em dia, é só pulação atrás de trio elétrico. Um saco. Acabou a diversão da sedução, o frio na barriga e o mais lamentável, acabou a arte da dança. Agora, basta sair pulando atrás de qualquer trio elétrico ou em algum show e agarrar qualquer mulher que passe na frente. Estamos involuindo. Em pouco tempo estaremos vivendo em cavernas.

Até o Obama fica bem no estilo pimp

Mas, a minha paixão pela música negra americana prosperou. Outro amigo, o Eduílton Bocão, trabalhava numa loja de discos e incrementava festas domésticas com seu painel de luzes coloridas. Também era dublê de DJ, que na época não era uma "profissão". Graças a ele, conheci James Brown, Marvin Gaye, The Supremes, Isley Brothers, Earth, Wind and Fire, Manhattans e uma infinidade de músicos que naturalmente me levaram ao blues e ao jazz.

Manja o estilão dos Isley Brothers

Todos os meus amores tiveram esses estilos de música como trilha sonora. O fato de saber dançar me ajudou muito também. As mulheres gostam de dançar e a maioria dos homens ainda não entendeu a importância disso. Ainda bem. A concorrência é pequena.

Eu, aos 14 anos de idade

Mas, não é só de música lenta que vivo. Até porque não há mais lugares para dançar esse tipo de música. Por isso, aprecio o batidão e os metais do Funk, pois a dança continua lá. A música negra americana e a dança elaborada são indissociáveis. E os cantores e cantoras brancos já aprenderam a lição. Tem que dançar.

O Funk é o irmão negro mais velho do Punk. Nasceu nos bairros pobres e as letras eram de revolta e desesperança, retratavam o cotidiano de violência e pobreza em que os músicos viviam. Era uma juventude que não via o futuro. Pois o Funk e o Punk fizeram sucesso, enriqueceram artistas e hoje já falam de outras coisas mais amenas.

Tempos loucos

No Brasil não foi diferente, ou não é. O Funk brasileiro nasceu nas favelas cariocas e veio com força ganhar o asfalto da Zona Sul. Alguns artistas ganham bastante dinheiro, outros nem tanto. A maioria continua nas favelas animando os bailes funk que atraem as patricinhas e os mauricinhos perseguidores de trios elétricos.

Começamos a ver bandas mais estruturadas e consistentes entregando um material musical decente. Como é o caso de BNegão & os Seletores de Frequência, que manda bem e toca fogo nas pistas de dança com seu repertório de Hip-Hop, Rap e Funk.

BNegão, estilo 70's revisitado

Bernardo Santos, o BNegão, é o carioca criador da banda. Cantor, compositor e guitarrista de mão cheia, vem de uma sólida carreira underground, passando por várias bandas até criar a The Funk Fuckers, que pegava pesado no som e nas letras. A banda estreou no saudoso Circo Voador completamente lotado. Dali migrou para a Planet Hemp, onde explodiu.

A porrada come solta

Em 2001, ele deixou a Planet Hemp para se dedicar ao projeto da BNegão & os Seletores de Frequência. Em 2003, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a aderir aos conceitos de Copyleft e Creative Commons e liberou o CD de estreia, Enxugando Gelo, para ser baixado livremente no site da banda. O álbum apresenta três músicas com críticas ao governo Lulla: "Nova Visão", "Enxugando Gelo" e "A Verdadeira Dança do Patinho".

É fogo na pista de dança

Atualmente BNegão faz parte do grupo Turbo Trio. Mas, eu acabei fazendo uma gostosa viagem pelas minhas memórias e, conhecendo meu passado dançante, meu filho Pablo me enviou um videoclipe da BNegão & Seletores de Frequência com um funk da pesada, Funk até o Caroço, que resume toda a história. Vamos nessa, som na caixa! Levante a bunda da cadeira e dance até deixar marcas de sapato no teto!

Funk Até O Caroço
BNegão, Muzak, Gracindo e Flávio

Tu tá sozinho na tua, plena força é soltura
Definição: Essa é sua decisão
Pros outros cê tá à toa, mas sua cabeça não para, maquinando qual será a próxima parada
Na mente, a necessidade de ser coerente
Nas veias, o sangue determinado a não sair da corrente
Muitas idéias na cabeça, pouco dinheiro no bolso
Pode crê, cumpadi, tu é funk até o caroço…

E atenção, o Ministério do Paulão adverte: mussiroca na aba provoca zunido incômodo, mal-estar e purulência na epiderme…
Portanto, se você tem entre cinco e cento e quinze anos, vacine-se já na junta mais próxima da sua caxanga
Lembre-se: conselho depois do erro é como remédio depois do enterro
E falando nisso, meu cumpadi pedro, funk-representante do manifesto 021 (sopra o funk), pra que finalmente reine a alegria geral, sopra meu filho, sopra o metal

Sem caozada, sem alvoroço
No seu estilo, funk até o caroço.



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Janelas e uma canção - Tom Waits - Blue Valentines

Ricardo Icassatti Hermano

Sou imune ao clima obrigatório dessas festas de final de ano. Não consigo fazer "balanços" ou imaginar que minha vida pregressa pode ser simplesmente esquecida ou apagada em prol de uma esperança difusa de vida nova. Sonhos ... prefiro sonhar quando estou dormindo.

Talvez seja por isso que tenha gostado tanto de uma indicação de música feita pela sempre bela e charmosa @isabelfavilla. Trata-se de uma criação do craque Tom Waits, e a música chama-se Blue Valentines, do álbum Blue Valentine de 1978.

Tom Waits é um gênio

A canção é tão boa que nem precisa de um videoclipe. É música para ser escutada apenas. Deixe as imagens para a caleidoscópica memória, enquanto sorve uma caneca fumegante de café e olha pela janela. Por aqui, o mundo está cinza, chove e faz frio. Lá na Europa, o mundo está branco, neva e faz muito mais frio. Janelas ...

O frio, de repente, tomou conta do mundo

Tom Waits é um daqueles caras privilegiados que nascem com vários talentos. Ele é músico, instrumentista (piano e guitarra desde os 10 anos de idade), compositor, cantor e ator consagrado. Suas músicas são cheias de personalidade devido às letras instigantes que harmonizam perfeitamente com sua voz rouca e grave, afinada com cigarro, café e bourbon. Aliás, a voz nos faz até pensar que se trata de um cantor negro.

Tom Waits afinando a voz

Sua carreira é longa e não está presa a um único estilo musical. Waits transita com maestria entre Jazz, Rock, Blues, Folk e outros tantos gêneros. São mais de 40 anos de estrada, 30 álbuns e mais de 50 participações em filmes, como ator e compositor da trilha sonora. Já embolsou dois Grammys pelos álbuns Mule Variations e Bone Machine.

Um dos últimos beatniks

No cinema, apenas como exemplo, você poderá encontrar Tom Waits em Drácula de Bram Stocker (1992), O Selvagem da Motocicleta (1983), Sobre Café e Cigarros (2004), Domino (2005), Jarhead (2005) e no mais recente O Imaginário do Dr. Parnassus (2009).

Mas, essa conversa já se estendeu o suficiente. Aqui, a chuva. Lá, a neve. Unindo as janelas, uma canção absurdamente linda e estonteante. Se bem conheço as leitoras e os leitores do Café & Conversa, a essa altura estão diante das suas janelas com suas canecas cheias e querendo mais é ouvir a música de hoje. Com vocês, o genial Tom Waits ...


Blue Valentines
Tom Waits

She sends me blue valentines

all the way from philadelphia

to mark the anniversary

of someone that I used to be

and it feels just like there's

a warrant out for my arrest

baby you got me checkin' in my rearview mirror

and I'm always on the run

that’s why I change my name

and I didn't think you'd ever find me here



to send me blue valentine
like half forgotten dreams

like a pebble in my shoe
as I walk these streets

and the ghost of your memory

baby is the thistle in the kiss

and the burgler that that can break a roses neck

it's the tattooed broken promise

that I hide beneath my sleeve

and I see you everytime I turn my back



She sends me blue valentines
though I try to remain at large
they're insisting that our love
must have a culogy

why do I save all of this madness

in the nightstand drawer

there to haunt upon my shoulders

baby I know
I'd be luckier to walk around everywhere I go
with a blind and broken heart
that sleeps beneath my lapel

She sends me blue valentines
to remind me of my cardinal sin
I can never wash the guilt
or get these bloodstains off my hands
and it takes a lot of whiskey
to make these nightmares go away
and I cut my bleedin' heart out every nite
and I die a little more on each st. valentine day
don’t you remember that I promised I would
write you...
these blue valentines
blue valentines
blue valentines




Os perigos do reveillon e Salmão com Alecrim e Limão


Ricardo Icassatti Hermano

O pesadelo do final de ano acabou. Você sobreviveu quase sem sequelas à festa da Natal, com reunião da família e ceia completa. Tomou um fôlego e partiu para o Reveillon, com lista de resoluções para o ano novo e tudo o mais. Vestiu roupa branca, cueca e/ou calcinha amarela, comeu romã, fez todas as simpatias para encontrar sua alma gêmea e ganhar muito dinheiro.

É só alegria na muvuca

Pulou, dançou, deu gargalhadas e tomou todas ... e aí o bicho pegou. Lá pelas tantas (horas e doses) você zanzava pelo salão quando esbarrou com aquela gata dos sonhos. Coisa de desfile da Victoria's Secret em High Definiton. Ela sorriu e te encarou com um indisfarçável desejo flamejante. Obviamente, você no mesmo instante passou a acreditar em amor à primeira vista.

Por um momento, você pensou: "Uêba! A felicidade até existe ..."

A noite que nada prometia, passou a ter um outro colorido. As esperanças se renovaram, a vida ficou mais brilhante, a sorte sorriu, os portões do Paraíso se abriram e aquela anja estendeu um tapete vermelho apenas para você: o escolhido. E o melhor é que nem precisou se auto-explodir para ter o seu quinhão de felicidade divina.

Muitas horas de sexo selvagem depois, você se lança nos braços de Morfeu e descansa com o sono dos guerreiros e dos justos. Mas, se não se te disseram, já vou adiantando que a vida costuma não ser justa. Passado o efeito inebriante do álcool, vem a ressaca e a maldita lucidez. Aquela anja se transformou num misto de Ahmadinejad com Hugo Chavez, Evo Morales, Ronaldinho Gaúcho e Lula ...

Depois que passa o efeito borbulhante da champanhe ...

Como se não bastasse isso, ela está no meio de um ritual esquisito diante de um altar satânico. Você começa a pensar que, afinal, não parece tão ruim assim a ideia do homem-bomba. Pegue rapidamente as suas roupas, procure sair de fininho e vá curar a sua ressaca em casa. Não se preocupe em deixar um bilhete e muito menos o número do seu telefone. Para ajudá-lo nessa terrível empreitada, trouxemos uma receita leve para esses dias de pós-reveillon e estômago embrulhado.

Salmão com Alecrim e Limão
2 porções

Ingredientes

- 1 limão siciliano cortado em fatias finas
- 4 ramos de alecrim
- 2 filés de salmão (250 g a 300 g cada) sem pele e espinhas
- 1 colher sopa de azeite
- Sal
- Pimenta do Reino

Preparo

Pré-aqueça o forno a 200º.

Tempere os filés de salmão com sal e pimenta do reino.

Arranje metade das fatias de limão no fundo de uma fôrma (pirex ou cerâmica). Por cima das fatias de limão, espalhe metade das folhas de alecrim e coloque os filés de salmão. Espalhe a outra metade das folhas de alecrim sobre os filés de salmão. Cubra os filés com o restante das fatias de limão. Banhe com o azeite.

Leve ao forno por 20 minutos ou até que a carne do salmão se separe facilmente em lascas.

Sirva com legumes salteados, batatas ao forno,
arroz de brócoli ou purê de batatas com alho

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

72 Horas, um filme tenso e uma questão interessante


Ricardo Icassatti Hermano

Está em cartaz um filme chamado 72 Horas. O filme é tenso e coloca uma questão interessante para quem gosta de refletir. Eu explico. Reflexão exige um certo acúmulo de conhecimento, alto nível de curiosidade, inteligência pelo menos mediana e saber que não existe a palavra "presidenta". Está explicado. Sigamos adiante.

Cartaz do filme

O filme narra a estória de uma mulher, esposa e mãe, que é acusada de ter assassinado a sua chefe (não é "chefa") logo após uma forte discussão no escritório. O nome dessa mulher é Lara Brennan e é interpretada pela gata Elizabeth Banks. Você sabe que uma mulher é gata quando ela continua gata mesmo sem maquiagem e vestindo um macacão de prisioneira.

Entendeu porque se usa atrizes bonitas em filmes?

Todas as evidências apontam Elizabeth como a autora do assassinato. Ela alega inocência e ter esbarrado em outra mulher quando se dirigia para o estacionamento, onde ocorreu o crime. Nesse esbarrão, ela diz ter ouvido o som de um botão do seu casaco sendo arrancado e também sai com uma mancha do sangue da chefe (não é "chefa"), que só percebe no dia seguinte pela manhã, pouco antes da polícia invadir sua casa e a levar presa.

Liam Neeson faz o cara que ensina como planejar uma fuga da prisão

No frigir dos ovos, ela é condenada à prisão perpétua. O único que acredita em sua inocência é o seu marido, John Brennan, interpretado pelo provocador de suspiros femininos, Russel Crowe. Os amigos, os parentes, o advogado e até ela mesma não acreditam mais. O maridão então resolve tomar uma providência e tirar a mulher da prisão. O resto é melhor assistir, porque o filme é sensacional.

Contra tudo e todos, o maridão planeja e executa o plano de fuga

Ao final, porém, resta a questão a que me referi no início desse post. Desde crianças, somos educados para aceitarmos e acreditarmos no sistema que engloba a polícia e a justiça. Somos educados para confiar que esse sistema nos protegerá e saberá separar quem é bom de quem é ruim. No entanto, ninguém nos diz que o sistema não é perfeito, justamente porque é mantido por seres humanos. 

O filme é eletrizante

E a questão? A questão é: quando o sistema falha conosco, temos o direito de tomar a justiça em nossas mãos? Podemos corrigir a falha do sistema? Devemos fazê-lo? É filosoficamente justificável? Ou devemos aceitar a falha e engulirmos o prejuízo irreparável que possa causar às nossas vidas?

Foi essa conversa após o filme que tive com dois dos meus filhos e a namorada de um deles, que acaba de se formar em Direito e defendeu esse tema em sua tese. É por essas e outras que celebro cada centavo investido na educacão dos meus filhotes. O filme é imperdível. Assista o trailer.