terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tabbouleh, a salada refrescante que satisfaz


Ricardo Icassatti Hermano

Hoje daremos continuidade à série de receitas dedicadas ao Verão e às necessidades das nossas leitoras de entrarem em suas calças jeans apertados, shorts minúsculos e biquinis quase inexistentes. Estação solar, colorida e calorenta, o Verão requer comidas leves para manter a saúde e a silhueta duramente conquistada no Inverno. Mas, essas saladas também precisam satisfazer o apetite, encher o bucho, entende?

Nada melhor que as saladas, mas não aquelas só com folhas que nos deixam morrendo de fome. As saladas podem e devem ser mais criativas e apetitosas. Para isso, a fórmula é bem simples: coloque cor na sua salada e algum grão. Pronto? Ainda não. Isso aqui não é um comercial das Facas Ginzu 2000, mas ainda tem mais.

Saladas precisam ter sabor, precisam ser bem temperadas. E ninguém entende mais de temperos e especiarias que os habitantes da parte oriental do planeta. Por isso, fomos buscar uma receita tradicional nas montanhas da Síria e do Líbano. Segundo os Sumérios, foi por ali perto que os Anunaques pegaram uns macacos esquisitos e criaram geneticamente o primeiro homem moderno, um tal de Adão.

Essa salada chamada Tabbouleh, é substancial mas nem tanto. Não dá para ser o único prato de uma refeição. No entanto, é um excelente acompanhamento para uma carne ou um peixe grelhados, podendo até dispensar outras fontes de carboidratos. O Verão também é a temporada do churrasco, das refeições ao ar livre, de usar e abusar do seu espaço gourmet. Jogue fumaça nos seus vizinhos sem medo porque uma hora eles também vão jogar em você.

Amanhã, um grelhado sensacional para acompanhar essa salada. Vamos à receita e bon apetit : )

Tabbouleh

Ingredientes

- 1 xícara de trigo para quibe ou bulgur
- 1 2/3 xícaras de água fervente
- 1/3 xícara de azeite extra virgem
- 1/3 xícara de suco de limão
- 1 xícara de cebolinha picada
- 1 xícara de salsa picada
- 1/4 xícara de hortelã picada
- 3 tomates picados
- 1 pepino cortado em cubos, sem pele e sem sementes
- 1 colher chá de sal
- Pimenta do reino moída na hora

Preparo

Numa tigela, junte o trigo para quibe e a água fervente. Cubra e reserve por 1 hora.

Adicione os demais ingredientes e misture bem. Tempere com sal e pimenta do reino. Cubra e leve à geladeira por pelo menos 1 hora.

Leve, refrescante e não engorda

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Música do Dia - If I'm lucky - Melody Gardot


Romoaldo de Souza


Estou escutando, neste domingo, o novo disco do baixista Charlie Haden. São poucos os felizardos que têm essa chance. Essa oportunidade de ler publicações como o caderno de fim de semana do Valor Econômico "Eu &…", que felizmente não tem uma linha sequer sobre "celebridades" bombadas pelas redes sociais nem por revistas de pouca iluminação.


"Sophisticated Ladies" deveria ser obrigatório na sala de aula, como são algumas matérias da "transversalidade educacional" que pouco ensinam e nada educam. Foi do "Eu &…" que tirei a sugestão do disco da semana. É de "Sophisticated Ladies" que vem a música do dia: If I'm lucky, na voz de Melody Gardot.


Mas, já, já, eu falo do novo trabalho de Charlie Haden que aliás, entrou no começo dessa matéria por ter sido fonte de inspiração para promissoras decisões que o leitor do Café & Conversa vai ficar sabendo em breve. Muito breve, mesmo!


Bom. Quem acompanha nosso blog deve saber que, diariamente, a gente se desdobra em vários para atender os pedidos de colegas que estão nos comitês de imprensa, na Praça dos Três Poderes. No Senado e no Palácio do Planalto, diariamente servimos cafés especiais com o objetivo de por um fim, de uma vez por todas, no chamado "café de licitação", que tem de tudo, menos café.


Café de licitação é aquela água preta que fica seis, oito horas dentro de uma garrafa térmica, azucrinando o estômago dos desinformados. Aí a gente chega para falar com alguns jornalistas, oferecer um café especial e o "camarada" com um olhar atravessado, de quem já atravessou imensos desertos de leads, e sapeca sem dó nem piedade: "Café me dá azia…"


Café ruim provoca azia, má digestão, úlcera. Todo tipo de doença nos aparelhos digestivo e mental. Aquilo ali, dentro da térmica, fermentando o dia todo, é tudo, menos café. Então, da próxima vez que alguém oferecer um café, não diga que "café bom só o da minha vó" nem garanta que "todo café é igual", porque não é.


Kellen Cristina não sabe se segura o diploma de Cafeteria do Ano de 2010
ou se balbucia algo que não consegui entender


A vovó poderia até ter boa vontade quando fazia um café especial para os netinhos. Mas, aquela lembrança de infância é apenas memória romântica. Café bom, mesmo, é outra história. É café selecionado. Bem preparado.


Um ano e meio atrás, quando lançamos o Café & Conversa, estávamos ressabiados com tanta informação desencontrada sobre cafés e cafeterias. Brasília tinha poucos locais onde a gente podia sentar e tomar um excelente café, como era o caso da Café Eldorado, onde praticamente foi gestado o blog.


Hoje, não. Brasília está se tornando uma das cidades com grande número de cafeterias de primeira. Grãos selecionados, atendimento cada vez melhor. É claro que ainda precisam ser feitos alguns ajustes. Mas nós estamos aqui para isso. Para criticar, recomendar, sugerir, orientar e, quando não tiver jeito, sumir, como já fizemos de alguns pontos que nem de longe são cafeteiras. Uma coisa é servir café outra é ser cafeteira.


Pedro Julio no salão e Cleythdanielle Trindade administrando o caixa,

formam a comissão de frente da Cafeteria do Ano de 2010


Enquanto isso, roda no MacBook Pro, na voz noir de Melody Gardot, a faixa If I'm lucy, que abre "Sophisticated Ladies".


- If I'm lucky, you will tell me that you care. That we'll never be apart.


Será?


Bom, trilha sonora, ambiente, atendimento e produto. Quesitos indispensáveis para a gente sair de casa e tomar um café. A companhia pode até "pintar" na hora, mas esses itens aí acima são primordiais. Imprescindíveis mesmo.


Na Fellini Caffè é assim. Tem boa música. O atendimento é supervisionado por Moema Dourado, a dona dessa obra de arte e o café é o Santo Grão. Acidez equilibrada, ligeiramente doce com aroma cítrico. Mas aí você pode mandar um torpedo: "Só isso basta para a Fellini Caffè ter sido escolhido a cafeteria do ano de 2010?". Nós diríamos que foi o conjunto da obra.


Faz mais de um ano, se não me engano, dezembro de 2009, que conheci a Fellini Caffè. O requinte no atendimento, a sofisticação dos produtos como a Bruschetta de Gorgonzola com Pêra e uma folha de rúcula, meu petisco predileto, fizeram minha cabeça. Isso sem contar um lounge que tem na entrada. Quatro poltronas, uma mesa baixa, uns livros de psicologia e o jornal do dia. Meu lugar predileto. Às vezes, estou saindo da faculdade e telefono para 3223 1333 só para reservar aquele lugar.


- If I am lucky, there will be a time an' place / You will kiss me, we'll embrace… Melody Gardot segue cantando. E eu penso. Pode ser na Fellini Caffè.


Na cozinha, Adalberto, Erisson e Daniele dão o toque especial no cardápio


A internet sempre está à disposição do cliente. O jazz tocando em boa altura… Esse é o ambiente da Fellini. Vez ou outra ela deixa escapar uma MPB. Mas nada que comprometa o clima.


Por esses motivos e por todos os outros que nossos leitores encontram na Fellini Caffè é que a casa foi escolhida pelo Café & Conversa a Cafeteria do Ano de 2010.


Raquel Alves, Ricardo e Juscelino Medeiros, o barista (ambos de pé),


If I'm lucky

Eddie Delange and Joseph Myrow


If I'm lucky, you will tell me that you care,

That we'll never be apart . . .

If I'm lucky, this will be no light affair,

It's forever, from the start . . .


If I'm lucky, there'll be moonbeams all around,

Shining bright as day . . .

You will hold my hand and you'll understand,

All I cannot seem to say . . .


If I am lucky, there will be a time an' place

You will kiss me, we'll embrace . . .

In that moment, every wishful dream I ever knew

Will come true . . .


If I'm lucky, I will go through the years with you . . .


If I am lucky, there will be a time an' place

You will kiss me, we'll embrace . . .

In that moment, every wishful dream I ever knew

Will come true . . .


If I'm lucky, I will go through the years with you . . .




sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cafeteria do Ano - 2010


Da Redação

Hoje à noite, toda a redação do Café & Conversa estará presente à festa de entrega do certificado de "Cafeteria do Ano" ao estabelecimento que nos proporcionou as melhores e mais saborosas experiências em 2010. As cafeterias que concorreram ao título, passaram pelo crivo criterioso dos jornalistas que compõem o blog.

Vários quesitos foram analisados, tais como ambiente, atendimento, música, cardápio e, claro, a qualidade dos cafés servidos. Como já destacamos aqui, tomar café nós tomamos em casa. Quando vamos a uma cafeteria, buscamos experiências inusitadas. Esse tipo de experiência envolve todos os sentidos. Assim, a cafeteria deve ser confortável, agradável e convidativa para nela permanecer.

A trilha sonora deve ser escolhida com cuidado, bem como o volume, pois a cafeteria deve ser um local onde desaceleramos o corpo e aceleramos a mente. Cafeína estimula o cérebro. Por isso também deve ser um lugar apropriado para a conversação, ou não. Daí a necessidade de disponibilização de conexão Wi-Fi para internet e alguma leitura de jornais, revistas e até livros.

O atendimento não pode ser menos que impecável. Afinal, não vamos até uma cafeteria para sermos mal atendidos ou termos trabalho além de sorver café, comer guloseimas e conversar. As guloseimas devem ser harmonizáveis com café e as porções não devem ser ridiculamente minúsculas. Embora não seja um restaurante, ninguém quer sair da cafeteria com fome depois de ter comido.

Uma cafeteria deve investir em sua mão-de-obra. É obrigatório ter um Barista com a devida formação. Treinamento só é bom para atleta. O Barismo é uma ciência e um espresso só atingirá a qualidade técnica necessária se um profissional habilitado estiver operando a máquina. Por último, o café a ser servido deve ser muito bem escolhido. O grão de café é a matéria-prima com o que o Barista vai trabalhar e também será a principal referência da cafeteria.

Após analisarmos por um ano todos esses quesitos em várias cafeterias top de linha em Brasília, é com imenso prazer que anunciamos a eleição por unanimidade da Fellini Caffè (CLS 104 Bloco B Loja 1, fone: 3223-1333) como a Cafeteria do Ano - 2010. Lá são servidos os blends elaborados pela cafeteria e torrefadora paulista Santo Grão. A entrega do certificado será realizada logo mais, após as 20h, lá mesmo. E com muitos espressos : )


Parabéns Fellini Caffè!!!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Verão, tragédias, corpos, aviões e comidas


Ricardo Icassatti Hermano

O Verão chegou ... Na minha adolescência, era uma estação de alegria, praias limpas, belezas femininas em biquinis cada ano menores, músicas que perduravam três meses, paixões fugazes e bronzeados cancerígenos. Hoje, o Verão é sinônimo de chuvas torrenciais, tragédias anunciadas, incompetência governamental e eleitores(as) abestados(as).

Bons tempos aqueles em que o Verão era só alegria ...

Mas, segundo a propaganda Lulla, o brasileiro não desiste nunca e não recua jamais. Igual ao Van Damme em seus filmes. Lembrando sempre que propaganda não previne contra tragédias. Ao contrário, as cria. E segundo o governador "Risadinha", a responsabilidade é de todo mundo, menos dele, é claro. "Risadinha" prefere viajar para exterior nessa época do ano.

Chega de falar de gente ruim. Vamos falar da culinária para o Verão. Saem os cremes, os molhos encorpados, as manteigas, os pratos mais pesados e entram os temperos suaves, as frutas, os sucos, as saladas, o fio de azeite e os grelhados. Afinal de contas, você malhou bastante para ter um corpinho apresentável nas praias, piscinas e enchentes desse país.

A sua magreza também serviu para que o seu corpo coubesse na poltrona dos aviões. Sabe aquele problema da distância das poltronas que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu resolver? Pois é, não mexeu um dedo. Ele só gosta das fotos e da fantasia de general da banda. Portanto, não pode exagerar porque os quilos perdidos sempre encontram o caminho de volta. É preciso manter o peso leve para caber no avião na viagem de volta para casa, viu Little Mary?

Depois reclama do aperto no avião ... e isso é apenas o café da manhã!!!

Para ajudar nossas leitoras a continuarem entrando nos biquinis, nos shorts e no avião, o seu blog predileto foi buscar a receita do Sorbet, um sorvete leve feito com frutas, sem gordura, saudável e se for consumido com moderação, manterá incólumes as suas formas de sereia. Além de refrescar neste calor infernal que nunca vimos antes na história desse país ...

Sorbet de Limão Siciliano

Ingredientes

- 2,5 medidas de água
- 0,5 medidas de açúcar
- 0,5 medida de suco de limão siciliano espremido na hora
- Raspas da casca do limão siciliano
- Há quem adicione uma clara de ovo, mas não é necessário à receita

Preparo

Coloque a água e o açúcar em um panela e leve ao fogo ALTO até levantar fervura. Abaixe o fogo e deixe cozinhar lentamente por alguns minutos. Adicione as raspas da casca do limão. Retire do fogo, adicione o suco de limão, misture bem e deixe esfriar.

Quando estiver frio, coe o líquido em uma tigela de metal. Leve ao congelador. Quando estiver congelado, bata no liquidificador e volte ao congelador.

Sirva em taças resfriadas no congelador. Lembre-se que o sorbet nada mais é que uma raspadinha com bastante açúcar. Isso impede que a água congele e o deixa macio. Use sempre uma fruta cítrica para amenizar o doce.

Refresque-se sem medo de engordar, caindo de boca no Sorbet

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sorry periferia, mas é muito bom ter amigos


Ricardo Icassatti Hermano

É muito bom ter amigos. Para mim, são parte indissociável da família e da minha vida. São irmãos e irmãs que descobrimos ao longo da vida, como se nossos pais e mães fossem marinheiros serelepes que deixaram filhos em cada porto por onde passaram.

Aristóteles e Platão na Academia: "É Filos com 'F' ou Philos com 'PH'?"

Os gregos antigos - basicamente Platão, Aristóteles e os seus discípulos que se dedicaram a debater o tema - tinham uma noção peculiar sobre o amor. Eles o dividiram em cinco tipos diferentes:

ÁGAPE, que é o amor de Deus para com o homem;

EROS, o amor romântico entre homem e mulher (em O Simpósio, Platão reproduz a discussão entre estudantes de Sócrates sobre a natureza de Eros);

FILOS (Philos), amor entre os seres humanos que inclui a lealdade entre amigos, pais e filhos etc.;

FRATERNAL, que se aplica ao relacionamento dentro da família;

THELEMA, que é o desejo de se fazer algo, estar ocupado, estar em proeminência, o amor pelo trabalho a que se dedica.

Perspicazes esses gregos. Mas, como ia dizendo, os amigos são importantes porque completam esse círculo amoroso que nos define. Precisamos de todos esses tipos de amor. Sem isso, o que sobra de nós? Apenas a escuridão do nada. E hoje é dia de falar da amizade, do Filos.

Há alguns dias, a querida amiga e Patissière de mão cheia, Lena Gasparetto, me desejou um Feliz Ano Novo prometendo enviar uma surpresa como presente. Segundo ela mesma, havia uma "dívida" comigo. Logo eu que implorei e inundei o Café & Conversa com as suas mágicas receitas de guloseimas.

Essa é a Patissière Lena Gasparetto

E qual não foi a minha surpresa ao chegar em casa ontem e encontrar um pacote enviado por ela. Dentro do pacote - que era uma caixa de isopor - encontrei um cartão e duas caixas caprichosamente decoradas e cuidadosamente embaladas. No cartão, Lena mais uma vez demonstrou toda a sua gentileza e carinho para com este pequeno escrivinhador.

O pacote da surpresa

Nas duas caixas, me aguardavam porções pra lá de generosas de perfumados Cantuccini e estonteantes trufas de chocolate. Bem, metade dos Cantuccini foram o meu jantar e duas trufas a sobremesa. Os Cantuccini são, sem sombra de dúvida, os melhores biscoitos que comi na vida. Não estou exagerando de forma alguma. Só lamentei não ter o Vin Santo para acompanhar, como manda a tradição da Toscana.

A outra metade dos Cantuccini se foi no café da manhã

E o que dizer das trufas, especialmente as de café ... equivalem a um orgasmo triplo : ) Não sou eu quem diz, são os cientistas ingleses que descobriram essa curiosa propriedade do chocolate. E generosidade gera generosidade. Levei parte das trufas para compartilhar o êxtase com as colegas de trabalho da firma. O nervosismo se foi e a calma reinou a tarde inteira.

Essas trufas têm um efeito mágico de felicidade instantânea

Não tenho palavras suficientes para agradecer o maravilhoso presente que recebi da amiga Lena Gasparetto. E sequer nos conhecemos pessoalmente ainda. Ela acha que ajudei a divulgar seu trabalho, quando fomos nós - blog e leitores(as) - que tiramos um grande proveito das receitas de felicidade que a Patissière elabora. Valeu Lena!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Além da Vida - Clint Eastwood é um craque


Ricardo Icassatti Hermano

Clint Eastwood é um dos poucos e verdadeiros craques do cinema. Ator, diretor, roteirista, compositor de trilha sonora, produtor. O cara chuta com as duas, cabeceia, dribla e faz o gol. Aliás, só faz golaço, desde os tempos de faroeste italiano e do politicamente incorretíssimo Dirty Harry, que causa arrepios em almas sensíveis com seu Smith Wesson Magnum .44.

Almas sensíveis e com preocupação social ficam
todas molhadinhas quando encaram esse cano

Mas, Clint também faz bonito quando é preciso carregar na sensibilidade. A sua obra cinematográfica está aí para quem quiser comprovar. É o caso do seu mais recente filme, Além da Vida (Hereafter), que está em cartaz em algumas salas da cidade e disputa espaço com animações infantis. Férias de Verão. Saco ...

Cartaz do Filmaço

O filme trata de um assunto ingrato para a maioria dos ocidentais: a morte e a eterna dúvida sobre a possibilidade de uma vida após a morte do corpo físico. O assunto é polêmico e incômodo porque temos (muito) medo da morte. A certeza sobre a continuação da vida em outra existência parece ter efeito relaxante e aplacante sobre esse medo.

Graças a esse medo primordial, evitamos falar sobre a morte e quando chega a hora só temos o desespero e a tristeza. Agimos como se não soubéssemos que essa hora chegará, queiramos ou não, quando deveríamos ser educados a respeito desde o primeiro ano de escola.

Fala-se muito em educação sexual, perdemos tempo em discussões infindáveis sobre casamento entre homossexuais e não falamos em educar para a velhice a para a morte. Optamos pela perpetuação do medo e do sofrimento. Certamente há uma lógica perversa por trás disso.

O filme poderia facilmente descambar para um thriller, para o terror barato ou simplesmente cair no ridículo da pieguice. Mas, isso jamais aconteceria nas mãos competentes de Clint Eastwood. A condução do tema é segura e consegue captar de maneira surpreendentemente simples o sofrimento que abate aqueles que ficam e têm de lidar com a dor da perda e com a sobrevivência.

Se tem um cara que sabe o que faz, ele é o Clint Eastwood

O filme também repete uma dupla de trabalho que está se consolidando como uma das mais bem ajustadas do cinema americano. É a dupla Clint Eastwood, na direção, e Matt Damon, como protagonista e neste filme atuando como o vidente George Lonegan. Ele consegue estabelecer contato com os mortos e transmitir recados para os vivos. A cada filme, o trabalho da dupla só melhora.

Clint e Matt, uma dupla sensacional

Muita gente acha que o dom da vidência é uma benção. Na verdade, como bem explica George Lonegan no filme, está mais para uma maldição. As pessoas costumam ver esse tipo de dom pelo prisma do poder que podem ter. Não se dão conta do preço a pagar. Saber tudo sobre o outro não é uma coisa desejável. Mas, o poder exerce esse fascínio corrompedor sobre as pessoas. Fazer o que ...

Bryce Dallas. Diz aí. É gata ou não é?

O filme ainda conta com a participação da gata francesa Cécile De France, no papel da jornalista e escritora Marie Lelay, e da gata americana Bryce Dallas, como a curiosa Melanie. Além disso, tem a dupla de garotos gêmeos que arrebenta na interpretação, os ingleses Frankie e George McLaren, nos papéis de Marcus e Jason.

Esses moleques dão um show

O Café & Conversa assistiu, se emocionou e recomenda na categoria FILMAÇO. Não esqueça de levar um lenço ou vários. Veja o trailer.



sábado, 8 de janeiro de 2011

Funk até o caroço


Ricardo Icassatti Hermano

Na minha pré-adolescência, conheci a música negra americana através de um amigo que era filho de embaixador. Ele esteve nos Estados Unidos e tinha um LP da banda Jackson Five. Se não me engano era o primeiro ou o segundo. Fui fisgado na hora pelo ritmo e pela dança dos irmãos que deram uma chacoalhada no cenário da música pop mundial. Eu lutava para ter cabelo black power, me vestia com calças boca de sino e deslizava com meus sapatos de plataforma. É mole?

Feel the power, ma brother!!!

Junto com uns amigos da quadra, formei um grupo cover do Jackson Five para fazermos bonito dançando nas festas. Tinha até ensaio. Naquela época, a maior parte da festa era com luz negra e música lenta para que pudéssemos dançar de rosto colado com as meninas. Assim, tínhamos acesso ao pescoço, onde começávamos a dar uns beijinhos. Se a garota desse sinal verde, os beijinhos iam se encaminhando para a boca dela ... Quase sempre a fórmula funcionava.

Esses irmãos mudaram o pop para sempre

Hoje em dia, é só pulação atrás de trio elétrico. Um saco. Acabou a diversão da sedução, o frio na barriga e o mais lamentável, acabou a arte da dança. Agora, basta sair pulando atrás de qualquer trio elétrico ou em algum show e agarrar qualquer mulher que passe na frente. Estamos involuindo. Em pouco tempo estaremos vivendo em cavernas.

Até o Obama fica bem no estilo pimp

Mas, a minha paixão pela música negra americana prosperou. Outro amigo, o Eduílton Bocão, trabalhava numa loja de discos e incrementava festas domésticas com seu painel de luzes coloridas. Também era dublê de DJ, que na época não era uma "profissão". Graças a ele, conheci James Brown, Marvin Gaye, The Supremes, Isley Brothers, Earth, Wind and Fire, Manhattans e uma infinidade de músicos que naturalmente me levaram ao blues e ao jazz.

Manja o estilão dos Isley Brothers

Todos os meus amores tiveram esses estilos de música como trilha sonora. O fato de saber dançar me ajudou muito também. As mulheres gostam de dançar e a maioria dos homens ainda não entendeu a importância disso. Ainda bem. A concorrência é pequena.

Eu, aos 14 anos de idade

Mas, não é só de música lenta que vivo. Até porque não há mais lugares para dançar esse tipo de música. Por isso, aprecio o batidão e os metais do Funk, pois a dança continua lá. A música negra americana e a dança elaborada são indissociáveis. E os cantores e cantoras brancos já aprenderam a lição. Tem que dançar.

O Funk é o irmão negro mais velho do Punk. Nasceu nos bairros pobres e as letras eram de revolta e desesperança, retratavam o cotidiano de violência e pobreza em que os músicos viviam. Era uma juventude que não via o futuro. Pois o Funk e o Punk fizeram sucesso, enriqueceram artistas e hoje já falam de outras coisas mais amenas.

Tempos loucos

No Brasil não foi diferente, ou não é. O Funk brasileiro nasceu nas favelas cariocas e veio com força ganhar o asfalto da Zona Sul. Alguns artistas ganham bastante dinheiro, outros nem tanto. A maioria continua nas favelas animando os bailes funk que atraem as patricinhas e os mauricinhos perseguidores de trios elétricos.

Começamos a ver bandas mais estruturadas e consistentes entregando um material musical decente. Como é o caso de BNegão & os Seletores de Frequência, que manda bem e toca fogo nas pistas de dança com seu repertório de Hip-Hop, Rap e Funk.

BNegão, estilo 70's revisitado

Bernardo Santos, o BNegão, é o carioca criador da banda. Cantor, compositor e guitarrista de mão cheia, vem de uma sólida carreira underground, passando por várias bandas até criar a The Funk Fuckers, que pegava pesado no som e nas letras. A banda estreou no saudoso Circo Voador completamente lotado. Dali migrou para a Planet Hemp, onde explodiu.

A porrada come solta

Em 2001, ele deixou a Planet Hemp para se dedicar ao projeto da BNegão & os Seletores de Frequência. Em 2003, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a aderir aos conceitos de Copyleft e Creative Commons e liberou o CD de estreia, Enxugando Gelo, para ser baixado livremente no site da banda. O álbum apresenta três músicas com críticas ao governo Lulla: "Nova Visão", "Enxugando Gelo" e "A Verdadeira Dança do Patinho".

É fogo na pista de dança

Atualmente BNegão faz parte do grupo Turbo Trio. Mas, eu acabei fazendo uma gostosa viagem pelas minhas memórias e, conhecendo meu passado dançante, meu filho Pablo me enviou um videoclipe da BNegão & Seletores de Frequência com um funk da pesada, Funk até o Caroço, que resume toda a história. Vamos nessa, som na caixa! Levante a bunda da cadeira e dance até deixar marcas de sapato no teto!

Funk Até O Caroço
BNegão, Muzak, Gracindo e Flávio

Tu tá sozinho na tua, plena força é soltura
Definição: Essa é sua decisão
Pros outros cê tá à toa, mas sua cabeça não para, maquinando qual será a próxima parada
Na mente, a necessidade de ser coerente
Nas veias, o sangue determinado a não sair da corrente
Muitas idéias na cabeça, pouco dinheiro no bolso
Pode crê, cumpadi, tu é funk até o caroço…

E atenção, o Ministério do Paulão adverte: mussiroca na aba provoca zunido incômodo, mal-estar e purulência na epiderme…
Portanto, se você tem entre cinco e cento e quinze anos, vacine-se já na junta mais próxima da sua caxanga
Lembre-se: conselho depois do erro é como remédio depois do enterro
E falando nisso, meu cumpadi pedro, funk-representante do manifesto 021 (sopra o funk), pra que finalmente reine a alegria geral, sopra meu filho, sopra o metal

Sem caozada, sem alvoroço
No seu estilo, funk até o caroço.