segunda-feira, 7 de março de 2011

A Música do Dia - Always On My Mind - Michael Bublé


Romoaldo de Souza


Lendo uma discussão na internet, sobre o comentário de uma jornalista paraibana, a respeito do Carnaval, e sem querer tirar a razão de quem gosta da festa, fiquei pensando em alguns fatos marcantes, à época em que pegava meu saxofone alto, Veril, depois um Yamaha, e saia de casa, para tocar no Carnaval, por um trocados. Bem um trocadilho, tocando por uns trocados.


Não era, mesmo, pelo dinheiro. Recordo bem, que a última vez que enfrentei essa empreitada não recebi nem R$ 800. E ainda tinha um agente público perguntando se a gente assinaria um recibo num valor maior. Foi denunciado, perdeu o cargo de comissão, mas já está de volta, com a ascenção do partido dele. Essa gente se multiplica com uma facilidade impressionante.


O tempo passa (“o tempo voa”) e eis que estou nesse “retiro” mais que espiritual, ouvindo a música de que gosto, sem atentar para o play da TV e sequer dar uma espiadinha no Carnaval do Rio, de São Paulo, da Bahia ou mesmo de Recife. Como não tenho mais intenção de criar uma legião de seguidores dos meus princípios, me abstenho de dar qualquer opinião sobre Carnaval.


Até porque, certamente, no balanço que a Polícia Rodoviária Federal fizer na Quarta-feira de Cinzas, a notícia sobre os acidentes nas estradas já será essa análise. Tomara que corra tudo bem. Se bem que tem motorista que corre que é uma beleza.


Coisa simples, Romoaldo, instiga minha mente. Coisas simples era meu propósito quando comecei a ouvir Michael Bublé, cantando Always On My Mind. Pois não é que recordo de momentos interessantes que podem ser classificados como simples. Como um telefonema, um abraço, uma xícara de café. Um oi!


Pessoas importantes na sua vida, que às vezes vão sendo deixadas “nessa longa estrada da vida”, quando poderiam ser reconquistadas com um alô. Um torpedo. Dependendo da operadora, grátis.


Agora mesmo, recordei de uma professora que tive na infância. Ela insistia que eu tinha jeito para bancário. Oh, um menininho de quatro, cinco anos e a professora já sabia o que eu seria.


- Bancário, meu filho, é aquele rapaz que fica no banco, recebendo dinheiro, contando prata (moedas) atendendo as pessoas - dizia.


O único banco que eu conhecia, era o banco da praça. Não fazia a menor idéia do que minha professora falava, mas eu fui gostando da fantasia. Até que um dia a professora chegou na minha carteira - como eram chamadas as bancadas dos estudantes - e sentenciou.


- Só tem um pequeno problema. Para ser bancário você vai ter de estudar muito. Muito mesmo. Depois, nenhum banco emprega gente canhota, li isso no Cruzeiro - mostrando a regista colorida.

Danou-se. Pensei! Pronto! Lá se foi por água abaixo minha primeira profissão. Sou uma dessas minorias, uns 10% da humanidade que se apoia na esquerda. Na esquerda, a mão claro!

"Ah, é bom que você saiba que no período medieval, os canhotos eram
queimados na fogueira porque a Igreja achava que eles eram bruxos"

    Um mês depois, a professora me passou uma receita. Eu tinha de decorar a fórmula química da Cibalena, um analgésico que marcou minha infância. “Dimetilaminofenildimetilpirasolona”. Não sei para que serve, mas serviu para a professora parar de me encher a paciência e deixar de ameaçar de que eu nunca seria nada na vida, sendo canhoto.


    Então. E o que as pequenas coisas têm a ver com tudo isso? Tudo. Always On My Mind já foi cantada por muito gente: Pet Shop Boys, Willie Nelson, Elvis Presley. Mas eu preferi trazer essa versão com o canadense Michael Bublé.


    Por dois motivos. A versão de Bublé está fundamentada num impecável quarteto. Um piano, um baixo, guitarra e bateria, o que deixa a melodia harmoniosamente integrada. Preste atenção no “diálogo” da voz de Bublé com o piano. Sinta como a guitarra “arma” o momento para o baixo se sobressair. Arranjo simples, mas inconfundível!


    Bom, isso sem perder de vista esse casaco que o canadense está usando. Já copiei esse vídeo para vários amigos que estão com o passaporte carimbado para o Canadá. Eu quero um casaco desses. Tamanho G. Simples, não?



    Always On My Mind

    Wayne Thompson, Mark James & Johnny Christopher


    Maybe I didn't treat you

    Quite as good as I should have

    Maybe I didn't love you

    Quite as often as I could have

    Little things I should have said and done

    I just never took the time


    You were always on my mind

    You were always on my mind


    Tell me, tell me that your sweet love hasn't died

    Give me, give me one more chance

    To keep you satisfied, satisfied


    Maybe I didn't hold you

    All those lonely, lonely times

    And I guess I never told you

    Im so happy that you're mine

    If I make you feel second best

    Girl, Im sorry I was blind


    You were always on my mind

    You were always on my mind


    Tell me, tell me that your sweet love hasn't died

    Give me, give me one more chance

    To keep you satisfied, satisfied


    Little things I should have said and done

    I just never took the time

    You were always on my mind

    You are always on my mind

    You are always on my mind




    sexta-feira, 4 de março de 2011

    O pen drive da minha filha - "Black Coffee" - Ella Fitzgerald


    Romoaldo de Souza

    Você sai de casa, pega o carro disposto a tomar um espresso especialmente tirado por um barista que sabe quase tudo daquilo que está fazendo. Ele comenta a temperatura, fala da acidez, do corpo do café. Grãos selecionados. Torra no ponto.

    O barista orienta que a água com gás deve ser tomada antes do espresso, para ajudar a limpar as papilas gustativas... Atendimento de primeira. Pronto! Meu paraíso predileto, você pensa. Quando de repente...

    - When I was young. It seemed that life was so wonderful. A miracle, oh it was beautiful, magical. And all the birds in the trees. Well they'd be singing so happily. Oh joyfully, oh playfully watching me.

    Nada contra as meninas no videoclipe do Supertramp, mas The Logical pode ser música para uma sorveteria infanto-juvenil, daquelas que servem milk shake de Ovomaltine. Numa cafeteria requintada que se preze, o som é outro.

    2 bolas de sorvete de creme, 4 colheres de calda de chocolate,
    1 copo de leite e 8 colheres de ovomaltine

    Aí você pode até perguntar: “Sim, mas existe trilha sonora apropriada para cafeterias?”. Existe. Dependendo do ambiente, do horário de funcionamento, da localização, um jazz cai bem. Blues, preferencialmente instrumentais, marcam o ambiente. Um lounge. Bossa Nova. Agora Supertramp, Eagle, Kool & The Gang, Ana Carolina fazem música para outro ambiente, não para uma cafeteria.

    Sabe que, dia desses, estava tomando um espresso daqueles cujo retrogosto marcam o dia. Daqueles espressos que você sai da cafeteria levando as boas recordações, pensando nas pessoas que estavam ao seu lado, na mesa em frente. Aquela jovialidade toda. Recorda até uma frase da infância: Ah se os jovens soubessem e os velhos pudessem ...

    Agora, voltando para dentro da cafeteria. Imagens, pensamentos, gente, objetos passando em minha mente e, sem mais nem menos, começo a escutar algo como Last night I dreamt of San Pedro”. Não me contive. Parei a xícara na altura do peito. “Afinei” os ouvidos e constatei. No play da cafeteria tocava Madonna aos berros: “Just like I'd never gone, I knew the song. A young girl with eyes like the desert. It all seems like yesterday, not far away”.

    Jesus amado!, pensei. Amado pela Madonna, claro! Assim com aquele jeito de cliente desconfortado, chamo a proprietária e não é que a desculpa foi a mais inusitada que jamais escutei?

    - Isso é o pen drive da minha filha. Tem de tudo. Jazz, samba, aquela menina... (Adriana) Calcanhoto. É uma ‘mistureba” só - Pedi a conta, antes que minha paciência contaminasse o retrogosto do café.

    Paguei a conta, e sai assoviando uma letra de Paul Francis Webster, interpretada magistralmente por Ella Fitzgerald: Now a man is born to go a lovin' A woman's born to weep and fret”. Trilhas sonoras em cafeterias são para quem entende do riscado. Não é para serem misturados com as músicas que estão no pen drive da filha que gosta de Supertramp. Nada contra as filhas. Especialmente as bonitas ...


    Black Coffee

    (Sonny Burke e Paul Francis Webster)


    I'm feeling mighty lonesome

    Haven't slept a wink

    I walk the floor and watch the door

    And in between I drink

    Black Coffee

    Love's a hand me down broom

    I'll never know a Sunday

    In this weekday room


    I'm talking to the shadows

    1 o'clock to 4

    And Lord, how slow the moments go

    When all I do is pour

    Black Coffee

    Since the blues caught my eye

    I'm hanging out on Monday

    My Sunday dreams to dry


    Now a man is born to go a lovin'

    A woman's born to weep and fret

    To stay at home and tend her oven

    And drown her past regrets

    In coffee and cigarettes


    I'm moonin' all the morning

    mournin' all the night

    And in between it's nicotine

    And not much heart to fight

    Black Coffee

    Feelin' low as the ground

    It's driving me crazy, this waiting for my baby

    To maybe come around


    My nerves have gone to pieces

    My hair is turning gray

    All I do is drink black coffee

    Since my man's gone away



    quinta-feira, 3 de março de 2011

    Escândalos na Pauta


    Ricardo Icassatti Hermano

    Eu poderia estar roubando, matando ou dando vazão às taras mais perversas. Mas, não. Estou aqui escrevendo para o seu blog favorito. E como havia adiantado no post anterior, tenho lá minhas manias e ritos antes de começar a escrever. Basicamente fico enrolando, inventando o que fazer, até que o download ocorra e o texto - ou a ideia de um - surja na minha mente.

    E o que detona o processo de download, você deve estar se perguntando. Pode ser qualquer coisa. Uma conversa no Twitter, um e-mail de um amigo ou uma caneca de café moído na hora e passado numa French Press. Neste caso, foi tudo isso e mais um pouco.

    O que passo a relatar agora vai deixá-lo(a) tonto(a), desorientado(a) e beirando o estado de choque. Trata-se da recente reunião de pauta conjunta dos blogs Café & Conversa e Café & Veneno. Aproveitando a ocasião, foi servido um almoço regado a muita comida, bebida e charutos. Foi uma sucessão de escândalos de fazer envergonhar jogador de futebol amigo de traficante.

    Assim que cheguei ao local da reunião, a mansão campestre de @maria_lima, a dita cuja Little Mary, como se diz no Goiás, estava tramando a sua tramóia culinária. Não pensei que um ser humano pudesse descer a nível tão baixo. Ela comprou comida pronta para tentar me vencer no fogão!!!

    Cheguei cedo com uma caixa de ingredientes e o meu kit de Facas Ginzu 2000, e a comida dela já estava pronta. E tal qual o comercial das minhas facas, ainda não acabou, tem mais. Descobri o segredo dos cachos dourados de Little Mary e este foi o primeiro escândalo. Um elaborado emaranhado de cabelos e grampos para dar forma, volume, brilho e sedosidade à vasta cabeleira loira da velha jornalista.

    Britney Spears? Lindsay Lohan? Paris Hilton?

    Uma orgia gastronômica tomou conta dos comensais de tal maneira que até ferrenhos adversários políticos abriram mão dos suas rusgas diante da macarronada da roça elaborada pela jornalista @clarafavilla e se refestelaram.

    Também foi revelado que a linha dura do PT não é tão dura assim. Estão até pensando em mudar a velha palavra de ordem para: "Hay que perder um tanto dessa ternura e endurecer un poquito más". Inclusive, traição das traições, o comandante do partido sequer fuma charutos cubanos. Mas, aprecia o assédio coronelista baiano das hostes democráticas.

    "As minhas orfãs e as minhas viúvas" ... deixa o Jorge Amado saber disso

    E o que acabou fazendo sucesso mesmo foi a minha Picanha no Sal Grosso. Por falar nisso, você sabe o que é uma Picanha? Não? É uma carne dessa tamanha ... Segue a receita.

    Picanha no Sal Grosso
    4 porções

    Ingredientes

    - 1 kg de Picanha Maturada
    - 2 kg de sal grosso
    - 2 claras de ovo
    - Ervas secas ou frescas (alecrim, tomilho, manjericão, manjerona, salsa, cebolinha etc.)

    Preparo

    Misture o sal grosso e as claras de ovo. Faça uma cama de sal numa travessa que possa ir ao forno. Espalhe as ervas por cima dessa cama de sal. Coloque a peça de Picanha e cubra com o restante do sal grosso.

    Leve a o forno em temperatura MÉDIA por uma hora. Aumente a temperatura para MÉDIA-ALTA e deixe por mais 30 minutos. Retire do forno, quebre a crosta de sal, retire o sal que ainda estiver sobre a carne e corte em fatias finas. Sirva imediatamente.

    Veja o ponto perfeito da Picanha e a maionese comprada pronta ...

    Após o almoço, barriga cheia - eu sei que exagerei - o tradicional charuto para dar umas baforadas, acompanhado de cálices do licor Baileys, para sonhar um pouco, conversar um tanto e rir um bocado com os preciosos amigos e amigas que me concedem tantas histórias. Como eu disse lá no início do post, qualquer coisa pode detonar a inspiração para escrever. Neste caso, foi um e-mail enviado por uma amiga.

    Farra muita, pauta que é bom ...

    O e-mail trazia a seguinte informação:

    Escrito por Regina Brett, 54 anos de idade, que assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.

    "Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi. Meu hodômetro passou dos 50 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:

    P.S. - A lista tem um total de 50 lições. Aqui só tem 28 delas.

    1. A vida não é justa, mas ainda assim é boa;

    2. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém;

    3. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão, portanto, mantenha contato;

    4. Pague mensalmente seus cartões de crédito;

    5. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar;

    6. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho;

    7. Quanto a chocolate, é inútil resistir;

    8. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente;

    9. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles;

    10. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele;

    11. Respire fundo. Isso acalma a mente;

    12. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre;

    13. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte;

    14. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e de ninguém mais;

    15. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial;

    16. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo;

    17. O órgão sexual mais importante é o cérebro;

    18. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você;

    19. Enquadre todos os assim chamados "desastres" nesta frase: Em cinco anos, isto importará?

    20. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta;

    21. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo;

    22. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará;

    23. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou;

    24. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares;

    25. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa;

    26. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça;

    27. Produza!

    28. A vida não vem amarrada com um laço, mas é o teu maior presente".

    Considero-me um sujeito sortudo. Já ganhei vários prêmios, loterias inclusive. Tive a sorte de trabalhar naquilo que gosto de fazer e na profissão que escolhi. Isso fez do trabalho uma diversão. Não digo que tenho seguido tudo o que a sábia colunista listou, mas me esforço em vários daqueles ensinamentos.

    Meus tesouros mais preciosos são os meus filhotes(as) e os meus amigos(as). Os(as) amigos(as) bons(as) e os maus(ás), os(as) que se foram e os que ficaram. Por que? Pela generosidade de todos(as) eles(as), por tudo que aprendi com eles(as), pelo carinho e amor de todos(as) eles(as). Definitivamente, alguém lá em cima gosta de mim.

    Ah sim! O almoço terminou com o fortalecimento dos laços de amizade e a escandalosa profanação da fonte do Country Club Little Mary ...

    Nem a fonte resistiu à esbórnia. ESCÂNDALO!!!

    terça-feira, 1 de março de 2011

    Café Fontenelle da Fazenda Santa Rosa


    Ricardo Icassatti Hermano

    Todo mundo que escreve regular ou profissionalmente tem seus ritos, manhas, esquisitices, manias e superstições. Quando se trata de escrita pessoal e não profissional, eu fico enrolando um tempão até que algo "baixe" em mim e o texto aparece na minha mente.

    Os(as) leitores(as) impacientes reclamam um bocado, porque querem ler logo. Mas, é assim que as coisas funcionam comigo e não adianta reclamar. Mais adiante vocês vão entender porque é assim e como isso funciona.

    Café recém-torrado ... hummmm ...

    Foi assim com os textos do último final semana. No sábado, o Café & Conversa foi convidado para um almoço e degustação de café na Fazenda Santa Rosa, localizada a 60 quilômetros de Brasília em uma região muito bonita das terras mineiras, entre 950 e mil metros de altitude. Há 15 anos o proprietário da fazenda, Eurípedes Fontenelle de Mendonça, planta café. Mas, há apenas oito meses resolveu investir pesado em marca própria: o Café Fontenelle.

    Café embalado em grão e moído. Procure no seu supermercado favorito.

    A fazenda tem 300 hectares, sendo 40 hectares ocupados por 180 mil pés que produzem 50 sacas por hectare em média dessa frutinha maravilhosa chamada café. O tipo é o Catuaí Vermelho.

    Plantação de café Catuaí na Fazenda Santa Rosa

    O empreendedor Eurípedes investiu pesado e implantou uma estrutura industrial na própria fazenda, que vai do plantio, passa pela colheita mecânica, despolpação, seca, seleção eletrônica, torra e embalagem. O café sai em grão e moído. A torra mais forte foi uma exigência do mercado consumidor.

    Tem algo de bom, bonito, cheiroso e gostoso numa pilha de sacas de café

    Fui muito bem acompanhado por Marcelo Terra Peixoto (Santa Pizza) e o restauranteur Francisco Ansiliero (Dom Francisco). Lá na fazenda nos aguardava um almoço preparado especialmente pelo chef Paulo Vitor Guedes, recém-chegado da Itália, onde foi aperfeiçoar técnicas e aprender novas receitas com que nos deliciou.

    Paulo Vitor e sua esposa Luciana Guedes, um casal bacana que tem futuro

    O cardápio? Prestem bem atenção. Tudo começou com delicado e delicioso Creme de Melão com Speck e Dill. Em seguida, foi servida uma Velutatta de Batata com Mussarela de Búfala perfumada com Óleo de Baunilha. Modificado para mim, pois o original leva camarão e eu sou alérgico, um dos pratos principais foi Risotto de Chá Earl Grey com Lula e Raspa de Limão. O prato seguinte foi Cuzcuz Marroquino com Paleta de Cordeiro ao Molho de Cerveja Preta. O almoço prosseguiu com a sobremesa Pêra ao Vinho Tinto e Creme Chantilly. Logo me lembrei da cena com chantilly do filme "Bastardos Inglórios" ...

    Não deixa o Tarantino ver isso ...

    Para encerrar a comilança, moí os grãos e preparei o café na French Press. O Café Fontenelle tem qualidades que certamente agradarão o consumidor padrão. É bastante suave, não agride o paladar. Tem aroma levemente frutado, baixa acidez e final adocicado. Reúne as condições para competir ombro a ombro com pesos pesados da indústria nas gôndolas dos supermercados. Além disso, conta com o esforço da Roberta Teixeira, que representa comercialmente a marca.

    Eurípedes explica como opera a selecionadora eletrônica de grãos

    Eurípedes bem que tentou ser diferente, mas não conseguiu negar o DNA que vem desde o bisavô John Sanford, que plantava café na Serra da Meroca, em Sobral, no Ceará. O bisneto enveredou pelo setor de transporte de carga, mas por influência do tio Maurício Sanford Fontenelle, vendeu a empresa e investiu na fazenda. Não quer fazer outra coisa na vida. Sorte nossa, que precisamos de mais e mais gente que invista no café brasileiro.

    Muita informação sobre o processo industrial de beneficiamento do café