sábado, 14 de maio de 2011

Broken Heart's Brodo - Último Capítulo


Ricardo Icassatti Hermano

Como eu sei que vocês não veem a hora de começar a ler o último capítulo, deixei as minhas considerações habituais para o final. Apenas esclareço que teremos duas músicas para a trilha sonora de hoje. A primeira delas é o pedido da Andréa, uma queridíssima amiga lá do Maranhão, a quem carinhosamente apelidei de Samps. A segunda música é escolha minha.

Agora corram, liguem o som, escolham a trilha sonora que mais gostarem ou logo as duas, providenciem uma caixa de lenços de papel, uma grande taça de vinho tinto, sentem-se confortavelmente, parem de roer as unhas e divirtam-se.






Raffaello pediu uma água com gás. Carmem, sem gás.

- Então, Carmem. Viemos até aqui para darmos um fim nessa ... relação? E uso essa palavra "relação" porque não tenho outra melhor.

- Calma. Acabamos de chegar. Nem comecei ainda.

- Ok, Carmem. Fale tudo o que você achar necessário. Vou escutar.

Carmem iniciou um monólogo sem pé nem cabeça. Parecia estar tentando se convencer e não tentando explicar algo a Raffaello. Sequer olhava para ele. E ele não estava acompanhando aquele raciocínio torto e contraditório. Na verdade, estava confuso. Não sabia porque ela preferira toda aquela pantomima infanto-juvenil em vez de ir direto ao assunto. Eles haviam combinado que isso jamais aconteceria, que o dia em que um deles não quisesse mais, bastaria dizer francamente e pronto. Sem necessidade de explicações inúteis.

- Carmem, por favor pare. Por que você está fazendo isso?

- Isso o que? Chegamos aqui tem 10 minutos!

- Já escutei o suficiente. Você está a um passo de me tratar como um idiota.

- Idiota?

- Sim, idiota. Você está dando uma volta enorme para chegar onde nós dois sabemos que essa conversa vai chegar. Para que isso? Não foi isso que combinamos desde o início.

- Estou desenvolvendo um raciocínio, explicando ...

- Você acha mesmo que essa explicação toda vai mudar o resultado? Que não vai doer? Você quer me convencer de que? Eu não preciso de explicações. Cada um sabe onde o calo aperta e tem seus motivos para fazer o que faz. Apenas me diga o que você quer.

- Você não me deixou terminar ...

- Tá bom, Carmem. Termine.

Raffaello poderia ter desmascarado Carmem logo de uma vez e apontado a mentira estampada na sua cara. Mas, para que? Ela era uma mulher adulta e ele nunca cogitou ensinar nada a ninguém. Apontar a mentira só teria sentido se houvesse algum ganho na relação. Mas, que relação? E confiança é como borracha. Quanto mais erros apaga, menor ela fica. Não existe relação baseada em mentira. Não existe relação uma vez que a mentira é descoberta. E ele já não tinha qualquer interesse em saber que mentira era aquela ou porque ela decidiu mentir. Era problema e Karma dela.

Enquanto Carmem dava prosseguimento ao seu monólogo sem sentido e olhando para o horizonte, Raffaello deixou de prestar atenção e pensava em como chegou até ali. Desde o início. Repassou na memória todos os dias, todas as horas, todos os minutos, procurando onde estaria o início daquele espetáculo patético de mentiras, tentando esconder o real motivo, que agora presenciava. Onde estava o detalhe que passou despercebido? O desvio de rota?

- ... e o que quero dizer é que para mim não está bom assim.

- Isso quer dizer que ... terminamos? Outra vez uso essa palavra porque não encontrei outra melhor.

- Eu não sei. É. Terminamos. Eu não sei. Essa situação ... não sei

- Você sabe ou não sabe? Você quer terminar ou não?

- Eu não sei o que eu quero ...

- Como eu disse, demos uma enorme volta para chegarmos ao ponto que interessa. Eu sei o que eu quero, Carmem. E posso colocar aqui agora em cima dessa mesa. Mas, tenho certeza que você não quer ouvir.

- ...

- Eu gostaria que você me dissesse o que a Carmem quer. Não quero saber da situação. Quero saber da Carmem.

- Eu não sei o que eu quero ...

- Bom, quem não sabe o que quer, está preso no limbo. Quem não sabe o que quer, não quer nada. Você não me quer na sua vida. Simples assim. Teríamos economizado muito tempo.

Raffaello estava decepcionado com Carmem e não queria salvar mais nada. Ela havia jogado fora a oportunidade de ser a mulher que imaginava ser. Justo naquele último momento, preferiu mentir. Eles haviam conversado várias vezes sobre a hipótese da relação não progredir. Até porque ela vivia dizendo que estava "emocionalmente indisponível", que não gostava de mentiras, que não era leviana etc.

Raffaello lhe dizia que não se preocupasse com aquilo e que se acontecesse de um dos dois não querer mais, bastava dizer. Como seres adultos que eram. Ele dizia: "Já sou bem crescidinho para lidar com isso". Parecia que ela não era.

Raffaello não estava triste, estava decepcionado porque acreditou em Carmem. Por escolha sua, havia se empenhado naquele fiapo de relação. Foi completamente honesto, abriu sua intimidade, seu coração. Não esperou nada em troca, não cobrou nada, foi gentil e tolerante. Apenas amou sem se preocupar com o futuro. Também estava aborrecido, pois não havia encontrado o tal detalhe despercebido e poderia ficar refém de lembranças e do pensamento mórbido: "poderia ter dado certo se ...". Mas - e sempre tem um mas - algo inesperado aconteceu.

- Eu sei é que estou apaixonada por mim e vou me entregar ao caos - falou alto Carmem, como se aquilo fosse um decreto. Tinha um sorriso no rosto.

Raffaello parou por um segundo. Estava com a expressão séria, testa franzida. Fitou Carmem nos olhos para ter certeza de que não havia engano. No momento seguinte, seu rosto relaxou como se tivesse finalmente desvendado uma intrincada fórmula de física quântica. Um momento de iluminação, de compreensão, de apreensão, de insight. Tudo ficou absoluta e perfeitamente claro. Sentiu alívio.

Chamou o garçon, entregou-lhe uma quantia de dinheiro mais que suficiente para pagar a conta e se virou para Carmem.

- Muito obrigado, Carmem. Você acabou de me libertar de uma ilusão tola, que poderia ter assombrado a minha vida. Foi um enorme prazer ter passado esse tempo com você. Você não faz ideia do quanto. Boa sorte.

Carmem nem se dignou a olhar para Raffaello. Virou-lhe as costas e resmungou algo incompreensível. Ele se levantou e saiu da cafeteria. Assim que colocou os pés na calçada, pegou o telefone celular, procurou um número e pressionou o botão virtual. Dois toques apenas e o outro lado atendeu.

- Alô ...

- Helga?

- Rafa ...

Dias depois, Carmem e sua amiga Emília estão no cabeleireiro.

- Aí eu disse pra ele: estou apaixonada por mim e vou me entregar ao caos! Ele me agradeceu. Disse que eu havia libertado ele de uma ilusão que poderia ter atravancado a vida dele, assombrado, sei lá. Depois me desejou boa sorte e foi embora. Até agora não sei o que ele quis dizer com isso.

- Ai amiga, eu posso usar essa frase também? Estou apaixonada por mim e vou me entregar ao caos ... (risos) É o máximo! Como você é inteligente!

Bernard estava terminando de pentear Carmem e não se conteve após ouvir o relato.

– Dá licença de entrar nessa conversa, meu bem? Está bem óbvio porque o tal do Raffaello disse aquilo. A decepção dele contigo só se completou nessa última frase aí que você soltou. Para sorte dele, porque ninguém merece perder um segundo na vida com a lembrança criada pela ilusão do que seja você. Pelo que ouvi, você mostrou com todas as letras que não sabe o que é paixão. Ninguém se apaixona por si mesmo. A natureza da paixão é ser fugaz. Fazer isso com você mesma é leviandade. Você se ama ou não, ponto. Por isso, meu bem, você mostrou também que desconhece o significado de “se entregar” a alguma coisa ou a alguém, porque isso exige desapego de si próprio, não estabelecer pré-condições para nada. Mas, o pior de tudo é que você não faz a menor ideia do que é o caos - disse um espantoso Bernard.

– Como não sei? Eu estudei Wicca, tá! De vez em quando, o caos é bom, é a fonte da criação, é a mãe natureza em ...

- Blá, blá, blá ... A sua frase de efeito pode ser considerada bacana e moderna em alguma rave dessas por aí, mas não passa de uma idiotice gigantesca. Caos, meu bem, é a mente de um psicopata, é a Cracolândia à noite, é bebê jogado pela própria mãe em caçamba de lixo, é linchamento, é pedófilo cercando o seu filho, é menino morrendo arrastado em carro roubado por assaltante drogado, é preconceito, é racismo, é ignorância, é guerra, é matar em nome de religião que prega o amor. Caos é o inferno, caos é o desamor.

- Mas, que absurdo! Não falei com essa intenção.

- Então você é mais ignorante do que pensei, porque além de não ter a menor noção do que está falando, também não sabe o que está atraindo para si mesma. Você é primária, tosca, burra, estúpida. Tsc, tsc, tsc ...

Emília se mete na conversa com ares de indignação.

- Mas, o que é isso? Você não pode falar assim com ela. Que intimidades são essas? Que absurdo! Você é um grosso, desequilibrado, neurótico. Nós somos clientes, estamos pagando ...

- Cala a sua boca, porra! - falou grosso o surpreendente Bernard.

- Essa é a minha casa e quem manda nessa porra sou eu!

- Ela é minha amiga e ...

- E você lá sabe o que é amizade? Conheceu ontem e já está com o "amiga" na boca. Amizade não é osso pra andar em boca de cachorra não. Por favor, você e sua "amiga", retirem-se imediatamente do meu salão e não voltem mais. O serviço fica por conta da casa. Não quero esse tipo de energia por aqui.

As duas "amigas" saem rapidamente com cara de ofendidas. Praguejando.

– A imbecilidade não conhece limites mesmo, né Bernard? - disse a pacata Josi, enquanto recolhia o seu material de trabalho.

– Esquece essa gente, Josi. Fecha o salão, pega o sal grosso e vamos fazer uma faxina geral agora. Até o ar ficou pesado aqui dentro. Afe! Vou acender um incenso também. Aproveita e vamos rezar um Pai Nosso.

Enquanto segue pela calçada em busca do carro, Raffaello fala ao telefone com Helga.

- Helga, eu sou um estúpido ...

- Rafa, o que aconteceu? Está tudo bem?

- Eu fui um tolo, um cego ...

- O que houve Rafa? Cadê a Carmem?

- Carmem? Que Carmem? Nem sei mais quem é essa criatura.

- Não deu certo, né? Que pena, Rafa ...

- Não poderia dar certo. Eu é que estava me enganando. Você me amando do jeito que eu quero ser amado e eu vacilando, apostando em nada, perdendo tempo ...

- Calma Rafa. Vai ver é só um mal entendido ...

- Não Helga, não é um mal entendido. Foi tudo um grande mal entendido. Agora não é mais. Agora entendo o que está acontecendo. Você é a mulher da minha vida e eu fui estúpido o suficiente para não perceber isso. Se você ainda me quiser, eu vou ... já perdemos muito tempo ... eu quero ...

- Rafa, me escuta. Infelizmente, não tenho boas notícias para você. No mês passado, lá na Europa, eu conheci um homem muito legal e nós ... estamos juntos agora ...

Foi como se o relâmpago de um castigo divino tivesse caído bem na cabeça de Raffaello. Ele se sentiu como na primeira vez que tomou o chá Hayuaska numa tribo amazônica junto com sua amiga, a famosa antropóloga Camélia Moreira. Ela é amiga de vários Xamãs. Raffaello estava pesquisando rituais mágicos índios para um livro e pediu que ela o levasse até uma tribo para participar de um desses rituais. Naquela noite, ele saiu do próprio corpo e assistiu sua cabeça se abrir, rasgada por raios de luz que saiam de dentro.

Naquele breve instante de paralisação causada pela surpresa da notícia dada por Helga, Raffaello viu sua vida passar diante dos olhos. Lembrou dos ensinamentos que recebeu de monges budistas, de médiuns espíritas, de Xamãs índios, da mestra de Yoga, do Bushido, de amigos e amigas bem mais velhos e do seu pai. Especialmente sobre a responsabilidade própria em tudo que nos acontece, de bom ou de ruim. As escolhas que fez, todos os acertos e erros que cometeu.

- Ninguém sai impune da vida. Um dia a conta chega e temos que pagar - num sussurro, o pensamento atravessou seu cérebro na velocidade da luz.

Havia apostado seu amor na mulher errada e, talvez por isso, acabara de perder a mulher certa. Não havia mais nada a fazer ou a lamentar. Tudo fazia parte do grande círculo da sua vida. O silêncio acabou.

- Helga, eu só posso te desejar toda a felicidade do mundo. Ninguém merece mais do que você.

- Me desculpa Rafa ...

- Não há do que se desculpar. Eu é que dei mancada. É apenas a lei natural da vida. Demorei tempo demais para enxergar o óbvio. Você finalmente encontrou alguém e, para estar contigo, deve ser um cara legal mesmo. Felicidades, minha amiga. Você é uma mulher fantástica e esse cara é um sujeito de sorte.

- Amiga? Ô Rafa! E eu lá quero ser sua amiga? Para com isso!

- Como ...?

- Não acredito que você caiu nessa ... você acha mesmo que eu trocaria você por qualquer homem desse mundo? Mesmo se eu estivesse com alguém, já teria dançado na hora em que atendi o telefone e ouvi a sua voz. Você é o homem da minha vida desde os meus 14 anos de idade. Estou zoando contigo ... (risos). Essa conversa estava muito séria e triste. Você acaba de me fazer a mulher mais feliz do planeta! Vamos rir! Eu quero festejar, quero alegria!

Raffaello teve que sentar no meio fio. Estava tonto. Não sabia se ria ou se chorava. Tremia da cabeça aos pés.

- Então, quer dizer que ...

- Quer dizer que sou louca por você. Quer dizer que não tenho nem nunca tive qualquer dúvida sobre isso. Quero você do meu lado para o melhor e para o pior, quero dormir e acordar com você, quero sorrir e chorar com você, quero ter filhos seus, quero cuidar de você e ser cuidada por você até morrer. Quero andar de mão dada, quero abraçar, quero beijar. Quero deitar no seu peito e sonhar. Quero ser feliz e quero que você seja feliz. Quero te amar e ser amada por você. Estou pedindo muito?

- Não ... há poucos minutos, descobri que é exatamente isso que eu quero também. Eu estou completamente zonzo ...

- Então respira fundo, corre até em casa e faça sua mala. O jatinho te pega no aeroporto em duas horas. Vem pra cá e daqui a gente segue para uma vinícola chamada The Mountain Winery, que fica em Saratoga, na Califórnia. O Credence Clearwater vai fazer um show lá. É a sua banda favorita. Você quer ir?

- Pô Helga, você só pode estar brincando ...

- Vai ser o começo da nossa lua de mel, que tal?

- Já vou fazer minha mala!

- E vamos começar a fazer os nossos bebês?

- Essa é a melhor parte! Eu quero muitos ...

- Quantos você quiser, meu amor ... gosto de família grande. Mas, você tem que me prometer que nunca mais vai andar de moto. Eu não gosto, é perigoso.

- Vamos negociar (risos).

Três anos depois, Raffaello e Helga estão morando em outro país. Ele acabara de colocar as gêmeas para dormir. Duas ruivinhas idênticas e tão lindas quanto a mãe. Foi até o quarto onde Helga estava deitada lendo um livro.

- Deita aqui comigo meu amor. Quero ler um trecho pra você. Esse livro é sensacional.

Raffaello parou na beirada da cama e olhou demoradamente para sua esposa. Sentiu uma onda de amor percorrer seu corpo. Ela continuava absurdamente linda, mas estava diferente. Uma aura cristalina em torno do seu corpo deixava sua pele branca e seus cabelos ruivos com uma luminosidade divina. O maior de todos os milagres estava acontecendo.

- O que foi Rafa? Você está vendo alguma coisa?

- Você sabe ... não tenho controle sobre isso. Apenas acontece.

- O que você está vendo meu amor?

- Helga, você está grávida! Tem uma nova vida chegando, outro milagre ...

No Brasil, Carmem está deitada no sofá assistindo Big Brother Brasil. Ela também está diferente. Agora, pesa 48 quilos a mais. Acaba de comer incontáveis sacos de batata frita, uma caixa de sucrilhos e um pote enorme de sorvete de chocolate. A melhor amiga Emília desapareceu assim que conheceu outra "melhor amiga", a quem foi dar conselhos sobre como deveria tratar o namorado ...

O apresentador Pedro Bial, mais detonado ainda, continua achando que é poeta e fazendo o espetáculo patético da erudição de almanaque do Biotônico Fontoura, para a alegria das multidões, dos rebanhos hipnotizados. Carmem gosta.

A janela aberta deixa entrar uma friagem. Ela tem problemas respiratórios agravados pelo excesso de peso. O espirro veio naturalmente forte. Carmem teve morte fulminante. O laudo dos médicos legistas deu como causa da morte um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Lanchonete do Instituto Médico Legal. Dois médicos legistas conversam enquanto almoçam.

- Sabe aquela mulher que morreu de AVC?

- A gordona?

- Essa mesma.

- Que qui tem?

- Acho que o que matou ela foi um espirro.

- Espirro? Achei que tinha sido AVC.

- É, mas o que causou o AVC foi o espirro.

- Deixa de onda ...

- É sim. Eu li no jornal sobre uma pesquisa mostrando que cafeína, orgasmo e espirro podem causar AVC.

- Que besteira é essa?

- Também achei uma babaquice. Até que vi o nível de cafeína no sangue daquela mulher. Ela tinha tomado cinco litros de Coca Cola. O nível de cafeína estava altíssimo.

- E o espirro?

- Havia contrações típicas na traqueia, laringe, pulmão e nariz ... se juntarmos os dois fatores: cafeína mais o espirro ...

- Pô, isso dava um episódio do C.S.I. (risos)


The End


Alguém já disse que "viver não é para amadores". Tenho que concordar, pois a vida não é cor de rosa. É preciso coragem para viver. E coragem exige honestidade consigo mesmo. A vida sempre nos cobra alguma coisa e cada cobrança nos causa alguma dor. E como dói!!! Mas, aquilo que não nos mata, só nos fortalece. Somos os únicos responsáveis por tudo que nos acontece. São nossas escolhas - erradas e certas - que constroem as nossas identidades, os nossos destinos.

Não foi diferente para Carmem e Raffaello. Cada um fez suas escolhas e colheu o respectivo resultado. Como vocês puderam notar, a história é muito simples. O que complica são as pessoas com suas incertezas, suas inseguranças paralisantes, suas cegueiras, suas pequenezas, suas mesquinharias, suas espertezas. Quem sabe o que quer, segue adiante na vida. Errando e acertando, mas indo em frente e vivendo de forma franca e honesta. Quem não sabe ... abdica da vida e se torna mais um zumbi.

Coloco na conta das "escolhas certas" a decisão de escrever essa Blog-Novela junto com as leitoras e os leitores do Café & Conversa. Especialmente as mulheres, que me ajudaram a compor as personagens e a escolher os nomes de Carmem, Helga, Emília, Bernard e Josi. Até o Raffaello elas influenciaram. Foi uma experiência fabulosa e enriquecedora sob todos os aspectos. Aprendi muito com vocês e jamais poderei agradecer o suficiente as sugestões, dicas, críticas, ideias, comentários e opiniões. Todos fabulosos.

Foi desse manancial coletivo, dessa enchente de criatividade, que retirei o material necessário para construir personagens, tramas, diálogos, cenários e tudo o mais. Claro que utilizei um pouco da licença poética permitida aos escritores e adicionei umas pitadas aqui e ali das minhas observações cotidianas e do que sei, apenas como adorno. Mas, a obra é pura ficção saída da minha, da sua, da nossa imaginação.

Espero que tenham gostado e se emocionado tanto quanto eu nessa jornada. Esse exercício acabou me motivando a terminar dois livros inacabados. Agradeço de coração a todos que colaboraram e aos que leram e acompanharam a Blog-Novela Broken Heart's Brodo. Agora, se me derem licença, tenho que providenciar o visto americano no meu passaporte. Não é todo dia que posso assistir um show ao vivo do Credence Clearwater ...

Fiquem com Deus e boa sorte!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Café com pamonha. Experimente!


Romoaldo de Souza

A pamonha tem até uma capital nacional, que é Piracicaba (SP), embora o recorde da iguaria de milho seja creditado à bucólica Santo Amaro da Imperatriz (SC). Lá, dois anos atrás, na Festa do Milho Verde que ocorre todo ano, eles fizeram uma pamonha com 408kg!!!

Como a gente costuma fazer de segunda à sexta na CBN Recife, sempre depois do Jornal da CBN das 9h30, esse podcast sobre café, hoje eu falei da harmonização que é possível da pamonha com o café. Seja ela doce ou salgada.

Escute!


Um abraço! Bom café!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Café com tapioca. Vai querer?


Romoaldo de Souza

Desde antes da chegada de Pedro Álvares Cabral os índios tupi-guarani, assim mesmo no singular, já comiam iguarias feitas da mandioca. Entre elas, a tapioca.

Com a chegada do café em regiões de influência indígena, como o agreste de Pernambuco, essa harmonização começou a ser feita.

Como fica? Escute aqui


Um abraço, bom café!

terça-feira, 10 de maio de 2011

A perfeita combinação do café com o bolo de rolo


Romoaldo de Souza

Oh! Não me venha com essa história de confundir bolo de rolo com rocambole porque assim como na bandeira de Pernambuco tem o Sol, uma estrela, um arco-íris e uma cruz, na história - bem contada - dos pernambucanos, bolo de rolo não é rocambole.

Ontem, Suyene Pessoa, leitora e ouvinte da CBN Recife, ficou provocando os seguidores dela, no Twitter, e eu a desafiei a falar da harmonização do bolo de rolo com um encorpado bourbon vermelho.

Escute como ficou!


Ah, eu entrei no site Receitas de Bolo e copiei essa receita, aqui. divirta-se. Um abraço, bom café com bolo de rolo.

Ingredientes:

5 ovos;
150g de recheio;
250g de farinha de trigo;
200g de manteiga sem sal; e,
250g de açúcar.

Como fazer? Recomendo visitar a página do pessoal do Receitas de Bolo.

Broken Heart's Brodo - Capítulo 8


Ricardo Icassatti Hermano

A minha, a sua, a nossa Blog-Novela Broken Heart's Brodo está chegando ao final. Um barista-torrefador americano teve um insight e criou um belo movimento entre torrefadores de cafés especiais que mereceu minha atenção. Especialmente uma frase dele para explicar a ideia que dizia o seguinte: "A cooperação é a competição do século 21".

Foi o que me inspirou para escrever junto com as leitoras e leitores do Café & Conversa essa Blog-Novela. Tudo ficou mais fácil com as redes sociais. Estamos todos conectados e unimos nossas inteligências. Tem sido uma experiência realmente fascinante e enriquecedora sob todos os aspectos. Espero que todos que colaboraram com essa empreitada tenham tirado proveito também.

Criar algo é sempre muito bom e todos somos criativos em alguma medida. Todos têm boas ideias, excelentes sugestões e críticas construtivas, mesmo que não tenham a história completa na cabeça. E todas as contribuições recebidas foram aproveitadas, mesmo aquelas que não entraram diretamente na trama. Ajudaram chamando atenção para outras sacadas geniais e, quem sabe, para uma próxima Blog-Novela.

Estava previsto que a Broken Heart's Brodo teria 10 capítulos, mas terá nove. A história já deu o que tinha que dar. Mais um capítulo exigiria de mim algo que não faço e nem sei fazer: encher linguiça. Nem as leitoras e leitores do Café & Conversa merecem isso. Assim, na próxima sexta-feira, chegaremos à conclusão dessa eletrizante história de ...? Vocês decidem.

Continuem enviando suas críticas, sugestões, dicas, opiniões, observações e o que mais tiverem por aí : ) Como sempre, serão todas muito benvindas. Agora, parem de roer as unhas, relaxem, preparem uma caneca de café, liguem o som com a nossa trilha sonora e divirtam-se com mais um capítulo da Blog-Novela Broken Heart's Brodo.



Broken Heart's Brodo
Capítulo 8

O encontro marcado sofreu um atraso. Raffaello teve que fazer uma viagem rápida para auxiliar uma amiga em apuros. Nada complicado, mas tiraria um dia dos poucos que teria para ficar com Carmem. Mas, ele não era do tipo que abandona os amigos. Ela ficou um pouco chateada, mas pareceu entender a urgência da situação.

Raffaello estava ansioso. Vinha se esforçando muito para recuperar a magia perdida. Ele não deixara de amar Carmem e, somente por isso, mantinha aquele sentido de urgência de quem sabe o quanto valia cada segundo ao lado dela. O amor tem dessas coisas.

Ao falar com Carmem pelo telefone, sentiu que seria possível. Aquilo o deixou mais tranquilo, mas a sua intuição buzinava lá no fundo dos seus pensamentos, como um alarme de carro disparado sem motivo aparente. Ele empurrou a intuição para o lado e ignorou o alarme.

Foram dois dias maravilhosos. Cozinharam juntos, brincaram, dançaram, não dormiram, se amaram e se entristeceram na despedida. Pela primeira vez, Carmem deu sinais de que já não estaria tão "emocionalmente indisponível" assim. Fazia planos para o futuro incluindo Raffaello. Mas, - e sempre tem um "mas" - na despedida ela falou algo que fez aquela rachadura estalar.

- Deve ser bom ser você, né?

Raffaello quase engasgou com o sanduíche que acabara de morder. Aquela frase bateu com a força de uma marreta, pela quantidade de insinuações que continha.

- Como assim?

- Você não tem problemas, é todo resolvido.

- É claro que tenho problemas, tenho conflitos internos como todo mundo. Eu apenas lido com eles de outra maneira. Não fico me debatendo inutilmente.

- É, mas parece que você tem tudo o que precisa, a vida toda arrumada, sem maiores preocupações.

- Minha vida é tranquila sim, do ponto de vista financeiro. Sem extravagâncias. Mas, a vida não se resume a isso. Se dinheiro bastasse, os ricos jamais ficariam tristes, infelizes ou com depressão e teríamos bilhões de deprimidos desesperados do outro lado.

- Eu sei ...

- Mesmo que às vezes seja inevitável discutirmos alguns problemas, prefiro aproveitar meu tempo com você, fazendo outra coisa que não seja discutir meus conflitos e problemas. Para isso, tenho tempo de sobra. Alguns eu resolvo rapidamente, outros levam mais tempo e uns poucos não têm solução mesmo e então estão solucionados. E se eu precisar, como já precisei, procuro ajuda profissional.

- Talvez eu não devesse conversar sobre tudo com você. Deixar alguns assuntos para a minha terapia.

- Não disse isso. Você pode conversar sobre qualquer assunto comigo. A diferença é que em alguns assuntos, a sua terapeuta poderá ajudar e eu não. Eu só prefiro aproveitar melhor o nosso tempo juntos. É uma escolha e nós somos o resultado da soma de escolhas que fazemos ao longo da vida. Além disso, o nosso bem mais precioso é o tempo. Não é dinheiro, não é casa, não é carro, jóia, nada disso. O tempo não para e não volta. O segundo que acabou de passar, já foi e não volta. Se você viveu bem esse último segundo, ótimo. Se viveu mal, não dá para voltar e tentar melhorar ou evitar erros cometidos. O segundo que ainda virá, não temos como saber o que acontecerá. O segundo que estamos vivendo é o que realmente importa. Vamos vivê-lo da melhor maneira possível. O que vale é o daqui pra frente. E o tempo que passo ao seu lado é precioso.

Carmem e Raffaello se despediram. Ele voltou para casa com a sua intuição buzinando cada vez mais alto. E dessa vez não deu para ignorar. Até porque a rachadura voltou a crescer. A magia que parecia ter retornado, agora parecia apenas um sonho difícil de lembrar. Ficam apenas umas poucas imagens soltas na memória, sem nenhum significado.

Dias depois, conversando pela internet, Carmem retomou o assunto. Dessa vez, de forma agressiva, voltou a dizer que não deveria conversar certos assuntos com Raffaello. Dessa vez, com absoluta calma, ele concordou. Paciência tem limite e Carmem não tinha medidas. Estava usando um tom que ele não aceitava de ninguém. E muita gente já havia se arrependido amargamente de usar esse tom com ele.

- Precisamos conversar - disse Carmem.

- Seria muito bom. Sobre o que você quer conversar?

- Na próxima semana está bom?

- Está ótimo. Mas, sobre o que você quer conversar?

- É melhor conversarmos pessoalmente. Assim pela internet não é bom.

- Se for o que estou pensando, não tem necessidade de um encontro. Desde o início, nunca precisamos dessas formalidades.

- Vamos conversar na próxima semana. É melhor.

- OK. Boa noite então.

- Boa noite.

Raffaello desligou o telefone se sentindo o mais tolo dos homens, mas preferiu não insistir. Na semana seguinte, Carmem agiu de maneira completamente diferente do que estavam acostumados. Ligou para Raffaello e pediu que a encontrasse numa confeitaria.

- Oi Carmem.

- Oi Raffaello.

- Por que você veio para cá?

- Achei melhor. Podemos tomar café da manhã aqui.

- Tudo bem.

Conversaram sobre vários assuntos enquanto tomavam o café da manhã. Ao final, Raffaello tomou a iniciativa.

- Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Mas, não viemos aqui para isso. Sobre o que você quer conversar tão seriamente?

- Podemos ir para outro lugar? Aqui está muito cheio e não quero ninguém ouvindo a nossa conversa.

- É, parece que o assunto é sério mesmo. Podemos ir a qualquer lugar. Onde você quer ir?

- Escolhe um lugar ...

- Já sei. Tenho o lugar ideal.

Raffaello já sabia tudo o que iria acontecer dali em diante. Escolheu a cafeteria onde começara a "relação" dos dois e resolveu levar até o fim aquela encenação adolescente de Carmem. Acelerou o carro e, mais adiante, parou no sinal vermelho. Olhou para Carmem, que mantinha o olhar fixo à frente. Ele esperou um pouco, mas ela estava claramente evitando olhar para ele.

- Sabe que desde que nos encontramos, ainda não ganhei um beijo?

Carmem se virou com um sorriso amarelo e o beijou rapidamente. Em seguida, voltou o olhar para a frente e lá ficou. Ele voltou a olhar para ela e não viu mais beleza naquela mulher. De repente, o carro ficou pequeno demais. O ar ficou ficou pesado demais para respirar.


E agora, leitoras e leitores do Café & Conversa? Que assunto tão sério terá Carmem para conversar com Raffaello? Será? Eu sei o que vocês estão pensando. Não se precipitem. Muitas coisas podem acontecer no próximo capítulo. Inclusive nada. Pensem com cuidado, respirem fundo e enviem suas sugestões. Delas poderá sair o desfecho dessa intrigante Blog-Novela.

E como diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife: Um abraço! Bom café!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Café, pão e manteiga! Saiba mais!


Romoaldo de Souza

Café com pão (e manteiga), bolacha, não! Essa música da infância de muitos de nós, é revivida nesse comentário que fizemos na Rádio CBN Recife, atendendo pedido do leitor Eduardo Balduíno.


Um abraço! Bom café!

Banda Évora com Jamila e Carol ... sonhos e magia ...


Ricardo Icassatti Hermano

Para quem acha que segunda-feira é um dia chato, reservamos uma surpresa. Vamos iniciar a semana com um banho de beleza, talento, arte e magia. Dia desses, fui designado pela chefia da redação do Café & Conversa como repórter especial e intrépido para a cobertura de um show noturno de dança e música, que aconteceria numa casa chamada Mittelalter - Espaço Cultural e Taberna (SCLN 203 Bloco C Loja 59).

Fui a convite das protagonistas do show, as jornalistas Jamila Gontijo e Carolina Lima, ou simplesmente Carol. A primeira é a cantora da banda Évora e a segunda é a bailarina de Tribal e Dança do Ventre. Não sabia bem o que esperar, mas já havia visto umas fotos de shows anteriores e gostei. Afinal de contas, são duas mulheres da categoria "SUA LINDA". Faltava conferir se realmente tinham o dom artístico. E lá fui eu. Missão dada é missão cumprida!

Duas "SUA LINDA" faixa preta quinto Dan. Esbanjando talento e beleza.

A Mittelalter (idade média em alemão) é uma taberna com ambientação de castelo medieval. Como bem observou a Jamila, ao descermos as escadas para o porão onde o show é apresentado, temos a impressão de que entramos no túnel do tempo. Os garçons e garçonetes se vestem a caráter e, nesse dia, apareceu até um pirata gay que acredito estava querendo se inspirar no Jack Sparrow, de Piratas do Caribe ...

O show era da banda Évora, que toca músicas da cantora canadense Loreena Mckennitt e faz misturas sensacionais com instrumentos árabes e indianos. Em algumas músicas, a Carol faz sua apresentação de dança, que soube depois não se tratar de Dança do Ventre pura, mas de um novo estilo chamado Fusion, que une Tribal, Dança do Ventre, Flamenco e dança indiana.

Banda Évora a pleno vapor

O show é simplesmente fantástico! E mais fantástico ainda é descobrir que jovens talentosas e lindas estão produzindo arte de qualidade em Brasília. Fiquei realmente emocionado em ver aquelas meninas e aqueles rapazes se empenhando para nos proporcionar tanta beleza e magia por meros R$ 10. É desoladora a falta de apoio cultural do Governo do Distrito Federal e o quase nenhum interesse da população brasiliense em prestigiar os artistas locais.

Os olhos de Carol procuram por um futuro para a cultura ...

Toda a ambientação do show nos transporta para um mundo de sonhos. Jamila canta como um anjo e Carol dança como uma deusa. As misturas, tanto musical quanto na dança, são perfeitas e funcionam como um mantra, pelo menos para mim. Entrei em estado de graça, de euforia, de êxtase. Elas iluminaram minha alma e conduziram meu coração pelas misteriosas lendas do Oriente.

O intrépido repórter só largou sua árdua missão quando chamaram a polícia ...

É claro que entrevistei as duas. Leiam como foi.

C&C - Carol, como você começou na dança?

Carol - Comecei a fazer dança aos oito anos de idade. Comecei com jazz, depois fiz balé clássico também e cheguei aos 27 anos sempre dançando. Aos 15 anos passei para Dança do Ventre, gostei muito, sempre achei a cultura interessante e decidi me dedicar ao estilo. Fui me profissionalizando como dançarina e, de dois anos para cá, passei a estudar o estilo Tribal, que é um estilo novo de Dança do Ventre.

Uma deusa indiana, uma diva do Flamenco ou uma estonteante odalisca?

C&C - E como você concilia a dança com o jornalismo?

Carol - Aqui em Brasília é meio difícil viver de dança, então sou jornalista e bailarina. Se eu pudesse, seria só bailarina, mas aqui é muito complicado, tem pouco incentivo à cultura. O público de Brasília não tem o hábito de privilegiar a cultura, como em São Paulo e Rio de Janeiro por exemplo. Mas, a gente vai tentando viver praticando a arte, na medida do possível.

Uma linda jornalista de dia. Uma deusa encantadora à noite.

C&C - E o seu estilo de dança? Parece uma mistura de vários estilos. É isso mesmo?

Carol - Meu estilo de dança é chamado de Belly Dance Fusion, que é a mistura de Dança do Ventre clássica com o estilo Tribal. O Tribal é um estilo mais exótico, um pouco diferente da Dança do Ventre clássica. Ele surgiu e foi desenvolvido nos Estados Unidos com o nome de American Tribal Style. As bailarinas juntam movimentos árabes e indianos para compor as coreografias. Além da Dança do Ventre e do American Tribal Style ainda existe o Fusion, que é a mistura dos dois. É o que eu danço hoje. Uma bailarina bem conhecida no mundo que dança o Fusion é a Rachel Brice, que é muito boa.

Aí eu gritei: "Para com isso, Carol ..."

C&C - E a música? Também passou por esse processo de fusão e mistura?

Carol - Alguns grupos musicais já produzem música especificamente para o estilo Fusion ou Tribal apenas. Você pode dançar o Tribal puro ou pode dançar o Fusion. Tem o Beats Antique, que é um grupo muito bom, composto por dois músicos e uma bailarina. Tem o Pentaphobe, que também produz esse tipo de música. As músicas misturam sons indianos com sons árabes e ritmos eletrônicos. É uma música psicodélica árabe-indiana (risos). É um estilo bem diferente, alternativo e as pessoas estão gostando, porque sai do clássico usado na Dança do Ventre e traz algo novo, diferente.


Aqui um videoclipe da banda Beats Antique


C&V - Eu identifiquei até umas batidas do Hip-Hop.

Carol - Tem uns movimentos que usamos no Tribal que são rápidos e quebrados, como se estivéssemos quebrando o corpo, e que foram inspirados no Hip-Hop. Misturamos isso com a leveza e a suavidade da Dança do Ventre para surgir o Tribal. A música celta vem do tributo que a banda Évora faz à cantora canadense Loreena Mckennitt. Nas músicas dela são usados vários instrumentos árabes. Tem o violino, o Derbak, e a gente tenta montar um mosaico com um pouco de cada estilo.

A espada é só um aviso para os abestados ...



C&C - Jamila, como surgiu a ideia de fazer esse tipo de show, juntando música celta com Dança Tribal?

Jamila - Esse tipo de música da Loreena Mckennitt, que mistura música erudita com música celta, influências flamenga, árabe, é um estilo de som que gosto há muito tempo. Já fui dançarina também e, na época, gostava de pesquisar esses ritmos étnicos e folclóricos vindos do Oriente, mas com um pouco de instrumentos eruditos. Eu e a minha amiga, a Betty Vinil, com quem já havia realizado outros projetos musicais, começou a tocar Derbak (instrumento de percussão de origem árabe muito utilizado na música Flamenca, onde recebeu o nome de Cajón) e se revelou um grande talento. Ficávamos imaginando o que poderíamos fazer juntas e que mostrasse a nossa paixão por esses estilos musicais. Foi quando chegou o terceiro elemento, o violonista Tite Moreno que tem uma banda de música celta. E o Mittelalter é um lugar muito inspirador, por isso preparamos nosso primeiro show para ser apresentado lá. A partir desse primeiro show, as coisas foram crescendo naturalmente e as pessoas gostaram muito do trabalho. Não só pela Loreena Mckennitt, nós acrescentamos outros elementos e outras composições. Aí juntou também a Carol, que é uma dançarina muito talentosa e também gosta desse estilo.

Jamila, anjo mulher que canta divinamente

C&C - E a união da loira com a morena? Foi proposital?

Jamila - (risos) A junção da loira com a morena não foi proposital. Engraçado que a Betty tem o cabelo preto, mas com umas mechas ruivas. Acho que a composição ficou muito legal. E, na verdade, a banda Évora leva o nome de uma cidade portuguesa, mas também é o nome de uma famosa bruxa que supostamente viveu em Portugal, era curandeira e especialista em ervas. Dizem que ela era uma bruxa muito poderosa. Aconteceu da gente escolher esse nome que também tem a ver com essa força feminina muito presente na banda, cujo núcleo é formado por essas três mulheres. Não é muito comum ter em bandas esse domínio feminino, né?

Ah, Jamila ... não faz assim ... olha pra cá, olha ...

C&C - E o show acaba tendo momentos meio mágicos.

Jamila - Tem momentos no show que tem essa coisa meio mágica. Porque o som da Loreena é muito mágico e os instrumentos árabes criam um clima, eu não sei. É uma combinação de elementos que evocam essa atmosfera meio mágica, que o Mittelalter também traz. Parece que conforme se vai descendo as escadas, a cada degrau se volta cem anos no tempo. Não é só uma experiência musical, mas de entrar no túnel do tempo mesmo. E é incrível como as coisas foram se combinando assim. Parece que o universo conspira mesmo. Cada um ali contribui de uma forma. O violinista também tem gosto por esse estilo musical medieval meio celta e é meio cigano. Cada um trouxe uma influência. A Betty é árabe e flamenga. Eu gosto dessa coisa erudita. A Carol veio com o tribal e eu acho que arrematou.

"I'll put a spell on you ..."

C&C - Como você chegou até a música da Loreena Mckennitt? Você tem um timbre de voz parecido com o dela.

Jamila - Cheguei na Loreena quando fazia pesquisas de dança. Comecei a dançar em 1997 e tive uns cinco anos na carreira, morei fora, dancei fora. E a Loreena chegou até mim através da dança, porque as músicas dela têm um trabalho harmónico muito bom para a dança, especialmente para esse tipo de dança oriental. Não é só dança do ventre. No nosso caso, exploramos a dança tribal, que mistura elementos indianos, árabes, flamencos, africanos com uma linguagem contemporânea. É uma releitura. A dança do ventre é muito folclórica, muito linda,mas a sua estrutura é voltada para uma tradição folclórica. A nossa proposta é trazer todos esses elementos para uma linguagem mais contemporânea, para que as pessoas possam se identificar.

Ao fundo, Betty. Ela é quem completa o trio de gatas e
ainda faz o batidão árabe, indiano e flamenco.

C&C - E como está a agenda de vocês? Quando será o próximo show?

Jamila - O próximo show está marcado para o dia 28 de maio, lá no Mittelalter. Até o fim do ano, teremos pelo menos um show por mês no Mittelalter. Embora algumas pessoas associem a Loreena Mckennitt a música mais tranquila, etérea, é uma música muito alegre também. Nossos shows acabam sempre com as pessoas fazendo roda, dançando. O show tem uma grande interatividade com o público e as pessoas saem muito felizes. É um clima de muito astral, de sonho, encantamento, meio lúdico-místico.

Tem gente que prefere ficar em casa se lamuriando, vendo TV
e se entupindo de sorvete de chocolate ...

Pois é. Fiquei fã das meninas e vou voltar. E se alguém quiser contratar o show deslumbrante e hipnotizante da banda Évora, com tudo a que tem direito, em Brasília ou em outra cidade, o contato é pelo telefone (61) 8116-1512. Já estou com umas ideias aqui para a festa do meu aniversário ...