terça-feira, 21 de junho de 2011

Morte na Esplanada - Capítulo 6


Ricardo Icassatti Hermano

Hoje eu não vou encher o saco de vocês com uma longa introdução e repetir todos aqueles pedidos de sugestões etc. Mas, esqueci de deixar uma questão bem clara logo no primeiro capítulo dessa nossa Blog-Novela. Nunca é tarde para lembrar que "Morte na Esplanada" é uma obra de ficção, produto exclusivo da imaginação do autor, e qualquer semelhança com fatos e pessoas reais terá sido mera coincidência.

Agora, o de sempre. Sei que vocês estão desesperados(as) para saber o que vai acontecer com o delegado Alexandre e o que é aquela cura espiritual. Então, vista o seu pijama de flanela ou seda vermelha, prepare um caldo verde bem quente, enfie-se debaixo do edredon, ligue o som do computador e, enquanto ouve a música de hoje, arrepie-se com mais um capítulo da minha, da sua, da nossa Blog-Novela predileta!




Morte na Esplanada

Capítulo 6

Depois de ver o seu cérebro transformado em luz e de ser arremessado ao espaço, Alexandre nunca havia se sentido tão bem, tão pacífico e completo. A sensação de liberdade era absoluta. Não havia peso, dor, angústia, medo, tristeza, solidão ou limites físicos. Poderia ir para onde quisesse, quando quisesse e na velocidade que quisesse. Tudo era instantâneo como um pensamento e as palavras eram um meio de comunicação pobre demais para descrever tudo o que sentia e as maravilhas que via.

A única coisa que ficou com Alexandre do mundo que acabara de deixar para trás, era o som do mantra OM entoado pelos monges budistas. A vibração do mantra estava em tudo e ditava o nível de vibração do que ele agora via e sentia. Não havia fala, voz ou idioma. Havia apenas compreensão instantânea de tudo, antes mesmo de conseguir desejar algo. Consciência plena, intensa e clara. Nunca estivera tão desperto.

Alexandre logo compreendeu que bastaria desejar para que algo se manifestasse. Assim desejou ir para um lugar tranquilo, onde pudesse meditar um pouco sobre tudo aquilo. Logo estava junto a um igarapé de águas douradas e sentou-se à sua margem na mesma posição de Lótus usada pelos monges budistas. A Entidade que havia se comunicado com ele ainda no templo, surgiu e se colocou à disposição para esclarecer quaisquer questões e dúvidas.

Alexandre perguntou qual é o mistério daquilo que na Terra homens e mulheres chamam de "amor". Não havia uma "fala" entre eles, mas uma espécie de comunicação direta como a telepatia. A Entidade respondeu que o erro está em classificar o amor como um sentimento, porque o amor real está acima dos sentimentos, das emoções e da razão.

- O amor abrange tudo isso e muito mais. O amor não desequilibra, não machuca, não provoca dor ou sofrimento. Ao contrário, o amor tranquiliza, pacifica, purifica, aquece, orienta, inspira, agrega. O que há é um grande equívoco sobre o que se entende ser o amor.

Enquanto a Entidade "falava", uma imagem se formou diante e acima de Alexandre. Era muito parecida com aquelas encontradas em imagens religiosas. Um halo luminoso pairava acima de tudo e lançava seus raios para baixo, iluminando sentimentos, emoções, razão, sensações etc. O amor estava representado por aquele halo. Alexandre compreendeu que o amor é um estado em que se é.

- Quando formos capazes de nos conectar com o amor e guiarmos nossas vidas a partir dessa nova compreensão, estaremos aptos a dar o salto evolutivo definitivo. Teremos alcançado a liberdade e não teremos mais as limitações de hoje. Seremos seres completos. Hoje somos divididos e confusos - pensou.

Alexandre voltou a perguntar. Dessa vez, sobre o oposto do amor, o ódio. A Entidade mostrou a imagem do próprio Alexandre preso pelos punhos e pelos tornozelos em centenas de correntes. Colada ao seu corpo, uma jaula o cobria dos pés à cabeça como uma armadura.

- Você está vendo o que é o ódio, como ele o aprisiona? O que você pode fazer senão gritar? E até quando ele vai permitir que você grite? Até quando você vai aceitar a ilusão de força e liberdade que ele criou para enganá-lo enquanto suga sua força vital?

Aquela imagem soltou um grito, que logo se transformou num urro. A jaula iluminou-se e explodiu. Os grilhões e correntes se partiram. Alexandre olhou para o próprio abdomen, ou melhor para o interior oco do seu abdomen, pois ali não haviam quaisquer órgãos. O céu da noite estava inteiro ali dentro, com as estrelas e tudo o mais. Era como se estivesse olhando para o espaço sideral, numa versão menor.

Um pouco acima do seu umbigo surgiu uma ventarola, dessas que giram com o vento. Essa era completamente azul e, flutuando suavemente, começou a girar no sentido anti-horário. Conforme foi aumentando a velocidade, surgiu a imagem dele mesmo diante de si, sentado com as pernas cruzadas numa postura iogue que ele não conhecia.

A mão esquerda estava posicionada na altura do plexo solar e a mão direita estava na altura do rosto, ao lado da cabeça. Alexandre sentiu necessidade de unir as palmas das mãos na altura do plexo solar. Ao fazê-lo, ouviu a seguinte frase: “Você as sabe duas, mas as sente uma”. Ele não conseguiu entender o significado daquilo.

Ao unir as palmas das mãos, uma força poderosa passou a circular pelo seu corpo, como se tivesse conectado dois canos e a água estivesse correndo através deles. A sua pele começou a ficar azulada até que o corpo inteiro ficasse completamente azul. A aparência era de uma estátua ou imagem indiana e ainda tinha uma coroa de luz na cabeça.

Em seguida, labaredas azuis o envolveram completamente e seu corpo flutuou no ar. Foi subindo como um balão até desaparecer no céu. Alexandre abriu os olhos quando os monges pararam de entoar o mantra e Luzia terminava de enxugar sua cabeça. Havia uma enorme sensação de prazer e paz. Algo como um orgasmo cósmico.

- Luzia ... eu ... eu ... a luz ...

- Eu sei, meu amigo, eu sei. É muita coisa ao mesmo tempo. Você precisa descansar. Conseguimos retirar o veneno. Está tudo bem agora. Durma um pouco e depois a gente conversa.

Alexandre fechou os olhos e adormeceu imediatamente. No dia seguinte, não havia mais qualquer dor ou fraqueza, embora ainda não estivesse com sua força plena. Mas, ainda sentia a profunda paz interior experimentada no dia anterior durante os trabalhos de cura.

- Luzia, como posso te agradecer?

- Simples. Tem daqueles charutos cubanos aí?

- Claro.

Alexandre foi até uma mesa, abriu a gaveta e retirou uma caixa de Partagas Pirâmide Série P nº 2.

- Posso fumar um?

- Claro. Tem daquele licorzinho aí?

- O Baileys? Sempre tenho uma garrafa fechada. Posso tomar também?

- Alex, você já está curado. Pode fazer o que quiser. Até sexo (gargalhadas).

Logo, os dois estavam com copos cheios de licor e soltando longas baforadas. Confortavelmente sentados em suas poltronas, a conversa rolou solta. Alexandre lembrava de quase tudo e percebeu que a memória daqueles acontecimentos estava aos poucos se esvaindo.

- Luzia, isso é assim mesmo? Vou esquecer tudo o que vi e ouvi?

- A Entidade que te acompanhou deve ter dito que você não temesse nada, não é?

- Sim, ele me disse exatamente isso.

- Você não vai esquecer a experiência que viveu. Vai se lembrar sempre que quiser e precisar. A sua alma se desprendeu do corpo e voltou a ser livre. A volta ao corpo é literalmente uma descida. Como qualquer descida, é também um retrocesso. Retornar a um estado mais denso é sofrido, envolve alguma dor. A alma quer ficar lá no lugar a que pertence e onde é livre, sem o peso dessa existência terrena.

- Foi como um mergulho no pântano. A luz foi desaparecendo e no meio dessa descida encontrei meu ego. Um ser pequeno e desengonçado, sem nenhuma beleza, parecido com uma criança e cheio de sarcasmo, pequenas armadilhas. Lançava dúvidas a torto e a direito, fazia brincadeiras estúpidas, tentava desacreditar tudo que eu havia acabado de compreender. Mas, não senti medo ou desespero por estar mergulhando numa escuridão pantanosa, porque agora sei quem sou, onde estou e porque estou aqui.

- Tá vendo? Você aprendeu o essencial. Os detalhes da viagem vão sumir com o tempo, porque é tudo sutil demais para nós e também para preservar o seu livre arbítrio. Mas o principal vai ficar e basta pedir para receber uma conscientização da sua missão nessa vida. Tudo o que viu e ouviu continua aí na sua alma e poderá ser acessado quando for necessário. Ouça a sua intuição. Além do mais, agora você sabe o que te espera. É só uma questão de tempo. Estamos aqui porque temos lições para aprender.

Alexandre marcou uma reunião com sua equipe fora das dependências da Polícia. As informações estavam ficando "quentes" e o ambiente ali não era confiável. Resolveu que seria melhor se encontrarem na Grenat Cafés Especiais, a fornecedora do café especial que a ministra tanto gostava.

A cafeteria estava vazia àquela hora da manhã. Perfeito para a reunião. Escolheram uma mesa afastada da porta. A garçonete se aproximou e anotou os pedidos. Todos pediram água mineral e fingiram estar olhando o cardápio. Depois que ela deixou as águas na mesa, a reunião teve início.

- Hamiltão, você falou tanto do café da ministra que achei que deveríamos experimentar um pouco.

- Foi uma excelente ideia, porque aquele café que apreendemos já acabou (risos).

- E aqui também é mais seguro que lá ... o que vocês já conseguiram?

Gabriel foi o primeiro a falar. Era o mais novo e o mais nerd da equipe. Talvez por isso, todos se sentiam na obrigação de protegê-lo. Ele foi falando e mostrando fotos que retirou de uma pasta. Uma delas era do rosto do assassino.

- Recebi o retorno da polícia francesa. As impressões digitais são de um ex-militar chamado Gaston Perrin. Não me deram a patente nem a qual unidade ele serviu. Mas, a partir da tatuagem que você me descreveu, descobri que ele certamente foi do Commando Hubert, uma força de elite da Marinha Francesa, criada em 1947 e formada por fuzileiros, mergulhadores e paraquedistas. Casca grossa e muito bem treinado para matar.

- Mas, essas forças especiais não ensinam nada sobre venenos ou maquiagem. O negócio deles é a força bruta, armamento pesado, explosivos, guerrilha, operações rápidas.

- Pois é, mas ele está afastado do Commando Hubert há muitos anos. Chequei nos arquivos da Marinha. Ele deve ter sido recrutado para o serviço secreto porque não tem mais nada a respeito dele nos arquivos oficiais. Lá é o único lugar onde ele receberia esse tipo de treinamento com venenos e disfarces.

- Um assassino oficial ...

- Isso mesmo. Ele é um matador do serviço secreto francês.

- Mas, por que o governo francês iria querer matar a ministra? Que ameaça ela poderia representar ao estado da França? Assassinos desse tipo só agem nessa situação. São assassinos de estado, praticam assassinatos políticos. O que o embaixador disse?

- Que o governo francês está consternadíssimo e deu ordens para iniciar uma investigação rigorosa. Colocou a embaixada à disposição e pediu discrição até que tenham mais informações.

- É ... vão nos cozinhar em banho-maria. Essa é a típica resposta diplomática. Se o assassino é do serviço secreto, eles estão querendo ganhar tempo e não vão colaborar com a gente. E o governo brasileiro já deve ter sido avisado que estamos atrás de informação. Ainda vou ter que aguentar o Brochado pentelhando. Pelo menos já podemos eliminar os crimes passionais e vingança pessoal. Fica de fora também uma volta do passado da ministra. Isso é coisa recente.

- Também fiz as três cópias do pen drive que você pediu. Elas estão bem escondidas em servidores espalhados pelo mundo.

- Ótimo. E o que tinha no pen drive?

- Os arquivos estão encriptados. Nada muito difícil, mas como levaria algum tempo, precisei pedir ajuda para uns amigos.

- Que amigos?

- O pessoal com quem eu montei um time para jogar games on line ...

Risada geral.

- São confiáveis?

- Esses eu garanto. Além disso, todos são hackers de primeira linha.

- E quando vamos ter alguma coisa?

- Em três ou quatro dias. Também estamos tentando entrar no banco de dados do serviço secreto e descobrir quem é esse cara.

- Vocês são bons assim?

- Os melhores (risos).

- Rômulo, e o alerta nas saídas e fronteiras?

- Reforço todo dia. Está todo mundo de olho e estou em contato direto com alguns agentes de confiança para redobrar o cuidado. Sabe como é. Não é todo mundo que vai ficar ligado nessa caçada. Basta uma distraída e o cara escapa. Além disso, o francês é o mestre dos disfarces, mas pelo menos agora temos a foto do rosto dele.

- Bom, agora podemos tomar o nosso café.

A garçonete se aproximou. Eles perguntaram sobre os vários tipos de café que eram servidos ali. A moça explicou as particularidades de cada um, suas procedências e principais características de aroma e sabor. Eles optaram pelo mesmo Bourbon Vermelho que a ministra apreciava e cada um também resolveu comprar um pacote do grão.

Ao ler o rótulo, Alexandre viu que aquele grão tinha notas e nuances de sabores variados, inclusive azeitona. Tentou perceber o gosto no espresso, mas não conseguiu. Perguntou aos demais na mesa se haviam conseguido identificar a tal azeitona, mas foram unânimes em não encontrar o fruto da oliveira. Dr. Hamilton interrompeu a investigação sobre o sabor do café, chamando a atenção para outra mesa não muito distante onde dois homens haviam acabado de se acomodar e conversavam.

- Estão vendo aqueles dois ali? São os caras daquele blog, o Café & Conversa.

- É mesmo?

- É, não estão reconhecendo? Aquele é o Romoaldo e outro é o Kassatti.

- É mesmo ... eles são bem parecidos com aquela ilustração do blog.

- Se alguém entende de café, são aqueles dois. Pergunta lá da azeitona.

- Boa ideia. Os dois não são jornalistas especializados em política?

- É o que diz lá no blog.

- Então tenho algumas perguntas para fazer a eles. Esperem aqui. Peçam alguma coisa para comer. Vi uma massa com molho de cogumelos frescos aí que deve ser o bicho.

Alexandre se encaminhou para a mesa onde os dois jornalistas conversavam com uma linda jovem. Gabriela, uma das sócias na cafeteria, mostrava a cicatriz de uma cirurgia feita no punho devido a várias fraturas provocadas por uma queda de skate. Eles batiam com os dedos para sentir uma placa de titânio sob a delicada pele da jovem.

- Olá. Vocês são os jornalistas do Café & Conversa?

- Sim - respondeu Romoaldo, enquanto Kassatti se ocupava de examinar a cicatriz da Gabriela.

- Meu nome é Alexandre Dantas. Sou delegado da Polícia Federal e ...

- Peraí! O que fizemos dessa vez? (risos) - perguntou Kassatti, enquanto Gabriela saía de fininho.

- Vocês não fizeram nada (risos). Mas, estou precisando de uns conselhos para um caso que estamos investigando.

- Estamos sabendo. É o assassinato da ministra, né? - disse Romoaldo.

- Esse mesmo. Como entendo pouco de política, estou querendo me aconselhar com quem entende do assunto e possa me dar alguma informação adicional.

- Delegado, o Jaílson Madeira já nos falou a seu respeito. Você foi bem recomendado e tem uma boa reputação, credibilidade. No que podemos ajudá-lo? - perguntou Kassatti.

- Eu o chamo de Jail Bond por causa de um outro caso em que acabou investigando mais que a polícia. Lembram daquele deputado fujão?

- Lembro. Até escrevi uma crônica sobre o caso. Foi muito engraçada a matéria do Jaílson (risos). O deputado estava escondido num hotel a um quilômetro do Palácio da Alvorada - disse Kassatti.

- Mas, o que você precisa saber? - perguntou Romoaldo.

- O que vou contar a vocês é informação sigilosa e não deve sair daqui. Está claro?

- Sim, você pode falar em off com a gente - disse Romoaldo.

- A ministra foi morta por um assassino do serviço secreto francês.

Romoaldo e Kassatti se entreolharam e sorriram. Alexandre ficou intrigado com a reação dos dois.

- Delegado, você sabe que assassinos de serviços secretos só entram em ação quando a morte, devidamente autorizada, envolve questões de estado, né? - disse Kassatti.

- Sei, e aí é que está o problema. Em que assunto de estado a ministra estaria envolvida e que representasse alguma ameaça ao governo francês?

- É preciso lembrar que "estado" é uma abstração, uma entidade virtual. São pessoas que fazem o "estado" existir e que o operam. Então, não se apegue muito a esse chavão "questões de estado". O Brasil e a França não são inimigos naturais. A França não oferece qualquer perigo ao Brasil e vice-versa. Portanto, procure pela boa e velha sordidez humana que você vai encontrar o motivo da morte da ministra - disse Kassatti.

- E eu já havia eliminado alguns, como o crime passional e a vingança ...

- Por enquanto, não descarte nada e fique bem atento. A política é a arte da mentira e da traição. O discurso é um e a ação é outra - acrescentou Romoaldo.

- É, o tempo de Esparta acabou. Agora vivemos o tempo dos espertos ... - completou Kassatti.

- Então voltei à estaca zero?

- Temos uma máxima no jornalismo. Foi cunhada pelos americanos e diz o seguinte: "Follow the money" - disse Romoaldo.

- Vocês acham que foi por causa de dinheiro?

- Delegado, ninguém faz política sem dinheiro, muito dinheiro. E quando esse dinheiro alcança determinadas quantias, as pessoas que têm acesso a ele perdem a cabeça e começam a pensar em melhorar o próprio padrão de vida. Se é que você me entende. Encontre a confluência do dinheiro com a necessidade política e talvez obtenha as respostas que procura - disse Kassatti.

- Acho que já entendi ... só mais uma coisa. Como vocês conhecem café, me expliquem essa informação na embalagem. Aqui diz que esse grão bourbon vermelho tem sabor de azeitona. Tem mesmo? Porque eu não consegui sentir gosto nenhum de azeitona.

- Não conheço ninguém que goste mais de azeitona e de azeite do que eu. Também nunca senti sabor de azeitona nesse café. Credito esse tipo de informação a um certo exagero promocional, uma pseudo sofisticada para agregar valor e ajudar a justificar o preço. Tem gente que adora um marketing. Mas, faz parte do jogo (risos) - disse Kassatti.

- Se precisar falar com a gente, use esse telefone ou esse e-mail - Romoaldo entregou um cartão ao delegado.

♦♦♦

E aí? Estão gostando? Falem alguma coisa! São tantas reviravoltas que já estou me sentindo um acrobata do Cirque du Soleil : )

O delegado Alexandre Dantas foi salvo do envenenamento, mas passou por uma experiência mística profunda. Isso trará consequências para a investigação? Por que a ministra foi assassinada? O motivo ainda está encoberto. E o assassino? Onde estará? O cara é perigoso. E qual será o papel da imprensa nessa trama? O que acontecerá no próximo capítulo?

Parem de perguntar e comecem a enviar sugestões, críticas, dicas, reclamações e opiniões. Pode deixar tudo aí embaixo, na área dos "COMENTÁRIOS". Até sexta-feira, se eu aguentar esse ritmo : )

E como bem diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife: Um abraço! Bom café!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sem açúcar, por favor!


Romoaldo de Souza

A ouvinte desse podcast na Rádio CBN Recife, Thaís Sprovieri, conta que toda vez que vai a uma cafeteria, percebe o "despreparo total dos atendentes" tão logo servem o espresso e perguntam "com açúcar ou adoçante?".

- Ora, o meu espresso, desde que passei a ser leitora do blog Café & Conversa, será sempre sem açúcar. Considero um despreparo sem tamanho. Por que os atendentes fazem caretas quando dizemos que é sem açúcar ou adoçante? Acho isso incrível! Amargo por favor!

Pensando nesse comentário de Thaís Sprovieri é que fizemos esse post, rodado hoje na CBN Recife.


Um abraço e bom café!

sábado, 18 de junho de 2011

Trilogia Millennium e Saborella


Ricardo Icassatti Hermano

Poucas coisas me deixam tão feliz quanto comprar bons livros. Tenho mais livros do que consigo ler. Mas, a simples presença deles perto de mim já me faz bem. Acompanhados de uma bela caneca fumegante de café então, é perfeito.

Hoje fui à Livraria Cultura para comprar três livros que me foram indicados pela jornalista Raquel Alves. É a chamada "trilogia Millennium", editado no Brasil pela Companhia das Letras. Acabei levando também a última edição da minha revista predileta, WIRED, e um comic book inédito do Wolverine, contando sua história desde o início e com alguns rascunhos originais.

Na saída, mantive a tradição e fui tomar um espresso curto na Saborella. O serviço continua atencioso e rápido, mas os dois espressos que pedi chegaram frios e ... decepcionantes. Pretendia tomar apenas um, mas pedi o segundo para confirmar. Aroma fraco, sabor equilibrado, ou seja, sem personalidade e não tinha gosto de nada. Sobrou apenas o sabor de carvão da torra que, no meio do nada, sobressaiu com força total.

Revista WIRED: maravilhosa
Bolo de Fubá: delicioso
Café: decepcionante

Sou freguês do Saborella desde o tempo em que serviam o café da marca italiana Illy, que era muito bom. Os proprietários me disseram que deixaram de servir o Illy por problemas com o fornecimento. Depois partiram para tentar um blend próprio, o que é uma iniciativa louvável. Mas, parece que continuam tentando e não estão acertando. No mais, o bolo de fubá estava delicioso, como sempre, e desejo boa sorte ao Saborella com o café.

Já em casa e a bordo de um bom charuto, comecei a ler o primeiro volume da trilogia, que no Brasil recebeu o título de "Os homens que não amavam as mulheres". O original em sueco é "Os homens que odeiam as mulheres". Há uma diferença gigantesca entre "odiar" e "não amar" e isso faz uma diferença enorme na nossa expectativa. Se os livros não me tivessem sido recomendados pela Raquel, jamais compraria baseado no título.

Para mim, homem que não ama as mulheres está
condenado a arder no mármore do inferno ...

Não se sabe porquê as editoras resolvem estragar os títulos originais dos livros - e filmes - com essas invencionices. Deve ter algum gênio do marketing por trás disso, claro. Pessoalmente, prefiro o nome que deram nos Estados Unidos: "A garota com tatuagem de dragão". Isso é um título de romance policial.

Por falar nisso, acompanhem aqui no Café & Conversa a Blog-Novela "Morte na Esplanada", que também está repleta de tramas, perigos, emoções fortes e com o diferencial de ter homens que amam as mulheres. Com e sem tatuagens : )

Vejam abaixo o trailer da versão americana do filme da trilogia Millennium. A produção traz um elenco estelar e trilha sonora arrasadora. Tem um filme sueco, mas esse americano parece ser bom e vai estrear nos Estados Unidos no dia 21 de dezembro. Aqui? Ainda não sabemos, mas avisaremos logo que for anunciado.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

Café retirado das fezes de um pássaro. É o café Jacu Bird


Romoaldo de Souza

Jacu Bird! O café do jacu, o café das fezes do jacu. O café exótico que, mesmo com receio, você precisa tomar para por essa informação no seu portifolio.

Um abraço e bom café!!!

Leia o que Ricardo Icassatti escreveu, sobre o café

O Jacu é um pássaro nativo da Mata Atlântica e pode ser encontrado em quase todo o país. No Espírito Santo, os cafeicultores derrubaram a mata nativa para plantar café, reduzindo fortemente as fontes de alimentação do pássaro.

O Jacu teve que se adaptar ao novo meio ambiente e passou a comer a cereja do café, que é o fruto ainda no pé. Sabe-se lá porque, os cafeicultores sentiram-se prejudicados e passaram a matar os pobres Jacus.

Agora é bom ser Jacu

O ser humano é terrível. Só muda quando enxerga alguma vantagem na mudança. Se a vantagem for financeira então ... Assim, quando um cafeicultor descobriu o preço do café Kupi Luwac, comido, digerido e evacuado por uma espécie de gato selvagem da Indonésia, a vida dos Jacus melhorou muito. Hoje, aqueles pássaros têm tratamento VIP.

O processo é simples. Assim como o tal gato, o Jacu come a cereja do café, digere e expele. Esse processo enzimático elimina a acidez do grão e proporciona um café bem suave. O outro aspecto positivo é que o Jacu seleciona o que come, ou seja, o sábio pássaro escolhe apenas as cerejas que estão em seu ponto ideal de amadurecimento. Afinal, é a comida dele e os grãos têm um grau inimitável de padronização.

Os grãos recolhidos passam por um processo seguro de higienização antes de serem colocados à venda, é claro.

O café realmente é suave, mas não empolga. Falta-lhe corpo e a crema é fraca. Retirar demais a acidez nem sempre é bom, pois essa característica é importante para a personalidade do café. Não sei se foi influência, mas o aroma final lembrou o cheiro de penas de pássaro.

Mas, é preciso assinalar que tratava-se de um espresso feito a partir de um único tipo de grão. Utilizado como parte de um blend, é possível conseguir resultados melhores.

Um abraço! Bom café!

Morte na Esplanada - Capítulo 5


Ricardo Icassatti Hermano

O capítulo 4 deixou todo mundo de cabelo em pé. A nossa querida amiga, leitora, colaboradora e Patissière Lena Gasparetto nos disse que chegou a se contorcer enquanto lia a cena de luta. A Célia Augusta disse que a sua xícara de café tremeu enquanto lia a mesma cena. Para um escritor iniciante como eu, essas reações são o máximo : ) Minha colega de trabalho, Isabela Vilar, que já foi agente da Polícia Federal, também está me dando uma assessoria quanto aos procedimentos formais de uma investigação. Agradeço muito a força.

As sugestões enviadas pelas(os) nossas(os) leitoras(es). Estão sendo bem aproveitadas, podem ter certeza. E agradeço tudo, sugestões, críticas, opiniões, dicas, elogios, reclamações. Porque é isso que me faz ir adiante e evoluir. Nem que, por culpa exclusivamente minha é claro, sejam só uns passos nessa caminhada terrena. Pelo menos não reencarnarei como uma bactéria mais : )

Mas, fiquei muito feliz em saber que tem gente gostando e aguardando ansiosamente cada capítulo. Acreditem, eu também aguardo ansiosamente cada capítulo que ainda não escrevi. Minha cabeça tem um monte de histórias pulando de um lado para o outro e elas querem sair. É uma agonia, uma dor de parto, quando finalmente saem e outra dor quando me despeço delas. As histórias deixam de ser minhas, vão para o mundo e passam a ser de cada leitor(a). E a Blog-Novela "Morte na Esplanada" é apenas uma delas. É a que está sendo parida agora.

Como é de praxe, não posso revelar o que vai acontecer. Mas, estou deixando pistas ... Quem acompanhou a Blog-Novela anterior, a "Broken Heart's Brodo", já sabe qual é a estrutura da atual e mais ou menos qual é a trama. Falamos disso naquela época. Então, preparem-se porque muitas surpresas virão.

Agora, prepare a sua sopa de feijão com macarrão de letrinhas (minha predileta, embora seja um tanto perigosa, flatulentamente falando), meta-se embaixo do edredon, ligue o som do computador e vá ouvindo a trilha sonora enquanto lê as aventuras investigativas de "Morte na Esplanada". Divirtam-se!




Morte na Esplanada

Capítulo 5

Passaram-se 24 horas até que o delegado Alexandre Dantas abrisse os olhos no hospital. No início, a luz o cegou por alguns instantes. Mas, aos poucos, imagens desfocadas surgiram. Pouco mais que sombras se movendo num estranho vai-e-vem. Conforme os olhos se acostumavam à claridade, os contornos iam ganhando contraste e o aspecto fantasmagórico ia desaparecendo.

Logo, Alexandre pôde ver o Dr. Hamilton Queiroz sorrindo daquele jeito estranho que só os médicos legistas são capazes e deixam todo mundo grilado. Ao seu lado estavam três dos seus maiores amigos, conquistados ali mesmo na Polícia Federal. Faziam parte da sua equipe. Foram apelidados por brincadeira de "Os Intocáveis", devido à lealdade e confiança que os uniam. Além de serem altamente competentes em suas respectivas áreas, também eram incorruptíveis. Uma ironia do destino, pois acabaram se tornando os próprios Intocáveis.

A equipe era formada pelos agentes Pablo, Gabriel e Rômulo. Apesar de serem especialistas em espionagem eletrônica e computação, também eram nerds casca grossa, trabalhavam sem problema sob pressão e lidavam muito bem com armas, explosivos e pancadaria. Os cinco formavam um time de primeira linha, temido, respeitado, invejado e, claro, os gatilhos mais rápidos do Oeste a serem derrotados pelos babacas de plantão.

Hamilton se aproximou de Alexandre.

- E aí, meu amigo. Como está se sentindo?

- Devo ter levado uma surra daquele assassino né? Não tem um osso meu que não esteja doendo ...

- Olha, osso não tem terminação nervosa, então não dói.

- Você me entendeu, Hamiltão. Então não sacrifica, pô ...

- É, ele está bem, pessoal. Já está até me dando esporro (risos).

- Oi rapaziada ...

- Fala Alexandre. Tudo bem? - responderam os três ao mesmo tempo.

- Ainda não sei. Quanto tempo fiquei apagado?

- Só 24 horas.

- O que aconteceu? A última coisa que me lembro é de estar ouvindo La Vie en Rose com o Armstrong ...

- Você foi envenenado com o mesmo veneno de sapo que matou a ministra.

- E por que não morri também?

- Lembra quando te falei que eu estava estudando esse tipo de veneno e trocando informações com laboratórios de outros países?

- Lembro ... mas, você disse que estavam estudando as propriedades medicinais dos venenos ...

- Pois é, mas nós também estamos desenvolvendo antídotos. Não adianta saber apenas como o veneno funciona no organismo e suas possibilidades de uso médico. Precisamos saber combater o potencial mortífero também. Você sabe que todo remédio é um veneno e que a diferença entre a cura e a morte está só na dosagem.

- Você me aplicou uma injeção ... - Alexandre olhou para o braço e viu um tubo transparente levando soro para dentro do seu corpo.

- Sim. Era um dos antídotos que estou testando. O mais promissor deles. Ainda bem que chegamos a tempo. Mais um minuto e você estaria morto.

- Testando? Você me fez de cobaia?

- Você preferia morrer? Ainda estamos em fase de teste em laboratório, mas que opção eu tinha? Em meia hora você estaria morto mesmo. Corri o risco, né?

- Corremos, Hamiltão, corremos ... mas, obrigado por salvar a minha pele ... mais uma vez ...

- Estragamos a festa de muita gente (risos).

- Como sempre, né? E o assassino? Pegaram o cara?

- Não, escapou. Quando chegamos na sala ele já tinha sumido. Você viu o rosto dele? Dá pra fazer uma descrição?

- O cara é francês ... não vi o rosto porque ele estava disfarçado de dona Carmelita. Usava uma espécie de máscara de silicone. Coisa de cinema, perfeita ...

- Francês?

- É. Ele falou francês. Quando começamos a lutar, ele disse "merde".

- Um bom nome para essa operação. Operação Merde (risos) - disse Rômulo.

- Taí. É um bom nome mesmo. Operação Merde, porque de um jeito ou de outro esse caso vai dar merda.

- Por falar em merda, tenho que te avisar de uma coisa.

- Desembucha Hamiltão ...

- O antídoto que eu te apliquei não vai te salvar.

- Como assim? Eu vou morrer?

- Infelizmente, pode ser que sim.

- Como assim? Estou me sentindo bem, tirando a "surra" e a dor em cada osso ...

- O antídoto vai retardar os efeitos do veneno por uma semana. Até lá, preciso descobrir um jeito de tirar o veneno do seu corpo, uma maneira de desintoxicar seu sangue. Senão ...

- Se for só isso, já tenho a solução. Pablo, por favor, ligue para a nossa Xamã Luzia Moreira, explica o que aconteceu e peça para ela nos orientar sobre o que fazer.

- Deixa comigo Alexandre - disse Pablo já sacando o celular.

- Xamã?

- Isso mesmo Hamiltão, ela é Xamã. E você vai gostar de conhecê-la. Ela é meio índia e manja tudo de ervas, cipós, pajelança, venenos e remédios do mato. Se bobear, você até aprende alguma coisa com ela.

- Bom, na qualidade de cientista e pesquisador, estou aberto a todo tipo de conhecimento. Mas, vou continuar procurando uma solução lá no laboratório, ok?

- Por favor! É o meu que está na reta e toda ajuda é benvinda, viu? (risos)

- Pegaram a xícara e o canivete do francês?

- Pegamos. A xícara tinha ainda bastante veneno e consegui obter boas impressões digitais tanto na xícara quanto no canivete. São da mesma pessoa - adiantou-se Gabriel.

- Ótimo. Colocamos o assassino em duas cenas de crime. Um assassinato e uma tentativa de assassinato resistindo à prisão. Precisamos entrar em contato com a embaixada da França ...

- Enquanto você conversava com o Hamilton, falei com o embaixador e já enviei por e-mail a impressão digital para a polícia francesa. Estou aguardando retorno.

- A eficiência dessa equipe me mata de orgulho (risos). Fica em cima disso Gabriel. Não estou com um bom pressentimento. Minha intuição está buzinando.

- Pode deixar. Estou em contato direto com o chefe da Police Nationale, a Federal de lá.

- Acabei de me lembrar que o francês tinha uma tatuagem no antebraço esquerdo. Parecia do tipo militar, talvez alguma força especial.

- Como era? - Gabriel abriu sua caderneta Moleskine e começou a anotar.

- Tinha uma âncora e uma espada cruzadas ... e uma águia por cima. Acho que era isso.

- Vou procurar.

- Mais uma coisa Gabriel. Pegue no meu carro um pen drive que está plugado no som. Tire três cópias e esconda em lugares diferentes. Depois junte o pen drive às outras coisas que encontramos no cofre da ministra. Ainda não vi o que tem mas, dependendo dos arquivos que estiverem armazenados lá, acho que esse pen drive vai sumir ou ser apagado misteriosamente.

- Deixa comigo. Vou incluir na relação da perícia também.

- Bem pensado ... Rômulo, e o alerta geral?

- Todo mundo avisado, portos, aeroportos, aduanas, rodoviárias, Polícia Rodoviária etc. Acabei de fazer uma atualização do alerta dizendo que se trata de um francês. Provavelmente ele vai esperar uns dias para sair do país. Agora está muito quente e tem muita gente atrás dele. Deve estar escondido esperando as coisas acalmarem, a vigilância relaxar.

- Alexandre, estou com a Luzia no telefone e ela quer falar com você - disse Pablo.

- Oi Luzia ...

- Não precisa me contar nada. Ontem tive um sonho com você e soube imediatamente que havia um problema sério. Acordei, comprei a passagem, fiz a mala e já estou no aeroporto. Embarco em 10 minutos. O Pablo me explicou tudo e já sei o que vai ser preciso fazer. Estou levando umas plantas e já liguei para a Ruth pedindo que alertasse o seu amigo monge, daquele templo budista tibetano. Vamos precisar da ajuda dele nessa cura emergencial. Fique tranquilo que tudo vai dar certo.

- Luzia, minha querida, estou em suas boas mãos e confio plenamente em você. Tem um amigo aqui que está louco para te conhecer e trocar umas ideias. Estarei aqui esperando. Até porque não tenho pra onde ir mesmo (risos). Um beijo grande.

- Mantenha o bom astral. Você vai precisar. Até mais.

Alexandre devolveu o celular a Pablo. O Dr. Hamilton se aproximou da cama.

- Só mais uma coisa ...

- O que foi Hamiltão?

- A Florisbela, lá do departamento de recursos humanos, ligou querendo saber se você já encaminhou o atestado médico. Aquela vaca ...

- Não seja tão rancoroso Hamiltão ... precisamos ser compreensivos com essas criaturas pouco evoluídas. Espero que você não tenha esquecido de mandá-la tomar no cu, né?

- Claro que não! Duas vezes! (gargalhadas). Ah! E o Brochado disse que queria falar com você assim que acordasse. Está furioso. Quer um relatório completo. Esse eu mandei tomar no cu telepaticamente (gargalhadas).

- Esse mané vocês podem deixar comigo.

A enfermeira bonitona com pernas grossas entra no quarto.

- Que bom. Vejo que o nosso paciente acordou. Está com fome? Precisa de alguma coisa?

- Fome não, mas acho que preciso de um banho. Estou sentindo um leve azedume por aqui (risos).

- Então vou providenciar um banho para o senhor.

- O Senhor está no céu. Meu nome é Alexandre e o seu?

- Marlene ... (risadinha) eu já volto.

- Bom rapaziada, todo mundo já sabe o que fazer. Pablo, por favor, pegue a Luzia no aeroporto e providencie tudo o que ela precisar. Agora eu vou tomar o meu banho de esponja com a Marlene mãos de fada e pernocas grossas, essa deusa do Robert Crumb! Posso estar morto daqui uma semana, mas vou estar limpinho (gargalhadas).

- É mole? - disse Gabriel ao sair do quarto. Os outros apenas sorriram.

Apesar de toda a tranquilidade de Alexandre, os demais estavam preocupados. A morte era uma possibilidade bem real. Apenas o Dr. Hamilton, com aquele jeitão de médico legista, era uma incógnita. Ninguém poderia dizer o que ele estava realmente sentindo baseado apenas em seu semblante. E isso deixava todo mundo grilado.

Assim que Luzia chegou, pediu a Pablo que a levasse imediatamente ao hospital. Não havia tempo a perder. Ao entrar no quarto, disse que nada poderia ser feito ali naquele lugar de doenças. Precisaria remover Alexandre para o templo budista, onde teria as condições ideais para a sua pajelança. Parecia já estar em uma espécie de transe, pois falava misturando algumas palavras em idioma indígena. Saiu apressada.

Pablo, Gabriel e Rômulo providenciaram a transferência de maneira discreta para que ninguém além deles soubesse onde Alexandre estaria. Vestidos de enfermeiros e com Dr. Hamilton no papel de médico, passaram despercebidos por toda a vigilância montada no hospital. Em 40 minutos estavam no templo budista tibetano. Os monges aguardavam na porta e levaram Alexandre para uma sala previamente preparada. Luzia já estava lá terminando de preparar seus "remédios".

- Aqui estamos protegidos por uma blindagem espiritual. A força desses monges é incrível - explicou a Xamã.

Alexandre apenas concordou com a cabeça. Já começava a sentir os efeitos do veneno. Estava mais fraco a cada minuto. Aquela sensação da vida saindo pelas pontas dos dedos havia voltado. A diferença é que agora mais lentamente. O que não ajudava em nada, apenas prolongava a agonia.

Dr. Hamilton acompanhava com muita curiosidade os preparativos e não se aguentou.

- Luzia, me explica uma coisa.

- Pois não Hamilton.

- Como é essa mistura de pajelança com Budismo Tibetano?

- O importante é saber onde estão as diferenças, onde estão as semelhanças e onde elas se complementam.

- Hummm ...

- Todas as linhas de pensamento e conhecimento nessa área, que buscam o bem, cultuam o amor, o entendimento, a tolerância e a compaixão, estão sintonizadas na mesma vibração. O que muda aqui e ali são as técnicas de procedimento. Mas, o resultado final é o mesmo. Além disso, todos conhecemos o mundo espiritual, que é onde está a ajuda que precisamos para salvar o Alexandre. E o Budismo Tibetano é famoso pelas curas espirituais.

Com a ajuda do monge Lumey Tsultrim-sherab, Luzia acabou de preparar uma infusão de ervas e acender vários incensos que perfumaram a sala. O monge também era amigo do delegado. Praticavam artes marciais na mesma escola até que ele conheceu a doutrina budista. Resolveu abandonar a vida mundana, se tornar um monge e se dedicar inteiramente à meditação e iluminação. Em seguida, Lumey se retirou e se juntou a dezenas de outros monges que estavam sentados na posição de Lótus, do lado de fora da sala. Luzia fez Alexandre beber a infusão.

- Alex, esse chá é depurativo. Tem um gosto ruim, mas vai limpar o seu corpo de várias maneiras. Vamos tirar o veneno com as ervas e a ajuda dos espíritos de luz que vieram das florestas intocadas e das montanhas que tocam o céu. Por isso, você vai ter que deixar seu corpo por um tempo para que possamos trabalhar na limpeza da carne. Não se preocupe, pois terá um guia ao seu lado todo o tempo e o seu espírito também será desintoxicado das energias negativas com o trabalho dos monges. Faça uma boa viagem meu amigo ...

Mal a Xamã acabou de falar, Alexandre sentiu uma mão pousar sobre o seu ombro. Olhou em volta e não viu ninguém. Fechou os olhos e passou a ver melhor do que com os olhos abertos. Ao seu lado, estava uma entidade que lhe disse para não temer nada. Alexandre relaxou e pensou apenas em aproveitar a viagem.

Fora da sala, dezenas de monges começaram a entoar o mantra OM. A vibração foi crescendo e, de repente, Alexandre estava flutuando junto ao teto. Lá de cima, viu seu corpo nu deitado sobre a mesa de pedra. Luzia passava ramos de ervas e soprava a fumaça de uma espécie de cachimbo. Em seguida, tinha a sua própria cabeça nas mãos e a viu abrir-se ao meio. O cérebro parecia uma bola de luz dourada e estava envolto numa finíssima rede negra. Aos poucos, a luz foi forçando a rede, que se esgarçou, e raios de luz multicoloridos atravessaram a barreira. Alexandre foi arremessado como um raio ao espaço.

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Então ... estão gostando? Espero que sim, porque eu estou alucinado com essa Blog-Novela : ) Acho que vou tentar escrever um livro nesse gênero policial. Talvez até essa mesma história, mais elaborada. Que tal? Mas, aí eu precisaria tirar umas longas férias. Isso vai exigir uma boa preparação, um bom planejamento ... mas, isso é outra história.

O importante é que o delegado Alexandre está recebendo toda ajuda possível para escapar da morte. Até uma Xamã foi convocada, junto com os monges budistas. E o assassino francês? Será que conseguiu escapar? Por que mataram a ministra? Quem teria ordenado a execução? E a "viagem" de Alexandre? Que experiência transcendental é essa? O que tinha naquele chá? E o mantra entoado pelos monges? Que efeitos terá? Está curiosa(o)? Sua xícara de café tremeu? Está se contorcendo? Eu estou ... hahahahahaha!!!

Essas e outras perguntas que vocês devem estar fazendo, serão respondidas por vocês mesmos. Enviem suas sugestões, deixem seus comentários aí embaixo. Minha cabeça está fervendo. São muitas ideias, infinitas possibilidades e eu preciso começar a escrever o 6º capítulo de "Morte na Esplanada" ... Até a próxima terça-feira : )

E como bem diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife: Um abraço! Bom café!