Caríssimas(os) Leitoras(es), hoje eu quero apenas agradecer toda a colaboração e força que vocês têm me enviado. Meu mais sincero e afetuoso: Muito Obrigado!
Dito isso, você viram no capítulo passado que o delegado Alexandre Dantas nos conheceu. A cena foi inspirada no filme "Mais estranho que a ficção". Gostei de escrevê-la porque assim pude homenagear o meu sócio no blog, o Romoaldo de Souza, aquela voz que vocês ouvem de segunda a sexta no podcast e na rádio CBN Recife, falando sobre Sua Majestade o Café e suas infinitas possibilidades.
Mais que um sócio, mais que um amigo, Romoaldo é um irmão escolhido, que me lembra todos os dias o valor da lealdade. Aliás, ele é outra pessoa a quem não me canso de agradecer.
Vamos ter nova personagem na trama. Só posso adiantar que foi baseada em sugestões das leitoras @raquelralves e @lucobucci e que vai entrar na trama mais para a frente.
Agora, fiquem com o 7º capítulo de "Morte na Esplanada", sem esquecer da sua caneca de chocolate quente - afinal, entramos oficialmente no Inverno -, o pijama de flanela ou seda vermelha, o edredon e o som na caixa, porque a trilha sonora está logo aí abaixo. Divirtam-se!
Morte na Esplanada
Capítulo 7
Após a reunião na cafeteria Grenat Cafès Especiais, o delegado Alexandre Dantas foi se encontrar com o diretor Miguel Brochado, que já havia ligado trocentas vezes querendo um relatório completo da investigação. Pablo já havia preparado uma pasta com todas as informações atualizadas.
- Boa tarde, Brochado.
- Senta aí Alexandre. Espero que você tenha trazido o relatório que pedi.
- Está aqui - Alexandre colocou a pasta sobre a mesa.
- E o que você descobriu até agora?
- Até o momento, o mais importante é o possível envolvimento do serviço secreto francês no assassinato da ministra.
- Isso já está dando a maior merda. Vocês entraram em contato direto com o embaixador da França e o Itamaraty já está dando chiliques. O embaixador está puto porque ou não foi avisado pelo governo francês da presença de um agente do serviço secreto no Brasil, ou porque estariam suspeitando do envolvimento logístico da embaixada no crime. O presidente me ligou querendo saber o que estava acontecendo. Aí entrou o SNI, a Casa Civil, o secretário geral da Presidência, o ministro da Defesa, os presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal e o caralho a quatro. Todo mundo quer saber o que está acontecendo, mas você estava morrendo no hospital e ninguém da sua equipe sabia de nada. Aliás, você não estava morrendo?
- Estava, mas o Dr. Hamilton, que é um gênio, estuda os sapos venenosos do Cerrado e estava trabalhando justamente num antídoto para aquele tipo de veneno de sapo e ...
- Veneno de sapo? A ministra Sueli morreu envenenada com veneno de sapo?
- É, está tudo detalhado aí no relatório. Mas, o importante é que o antídoto funcionou e agora estou bem. Voltei à investigação. O senhor não está feliz que eu tenha sobrevivido? - Alexandre se contorceu para não rir.
- É ... (cara de abestado) E essa história sua com o assassino?
- Eu me encontrei com ele por acaso no gabinete da ministra. Fui lá para pegar uma evidência antes que liberassem a sala e ele estava lá. Lutamos com facas e eu cheguei a nocauteá-lo, mas o cara conseguiu me injetar o veneno quando eu me preparava para algemá-lo. A partir da tatuagem que vi no antebraço dele, chegamos ao serviço secreto. Mas, ainda não temos certeza de que ele continua no serviço secreto. Por isso, precisamos que o governo peça, através dos canais formais, informações sobre isso.
- O que mais vocês conseguiram?
- O nome do assassino é Gaston Perrin e é oriundo do Commando Hubert, uma força de elite da Marinha Francesa. Está tudo detalhado no relatório. Mas, gostaria de lembrar que, devido ao envolvimento das altas esferas dos governos brasileiro e francês, que o sigilo é fundamental para o desenvolvimento da investigação ...
- Sigilo, Alexandre? Sigilo? Vou agora para uma reunião na Presidência da República com cópias desse relatório para um monte de gente, incluindo os fofoqueiros do SNI. Você acha que vai levar quanto tempo para isso cair na imprensa? Aquele bando de matracas do Palácio do Planalto não fazem outra coisa que não seja vazar informação para a imprensa.
- Também acho difícil, mas seria prudente, nessa reunião, pedir sigilo e o esforço do governo para obter as informações junto ao serviço secreto francês ...
Alexandre saiu do encontro, por um lado, aliviado com o fato de que a investigação perderia o sigilo mas, por outro lado, sabendo que sua vida estaria em perigo assim que terminasse a reunião no Palácio do Planalto. O partido que chegara ao poder já tinha uma longa lista de assassinatos "suspeitos" em sua folha corrida. Eles tinham uma predileção por correligionários e o delegado não estava a fim de ser o "diferente" naquela lista.
Dirigiu um pouco pela cidade, sem um destino certo. Parou num grande shopping e procurou por um telefone público. Puxou um cartão do bolso e discou um número.
- Alô, aqui é o delegado Alexandre Dantas.
- Em que podemos ajudá-lo, delegado? Ainda é a dúvida sobre o sabor de azeitona no café?
- Não, preciso que vocês enviem um recado para o Jaílson.
- O bicho está pegando para o seu lado delegado?
- Vai pegar e eu preciso me encontrar com o Jaílson o quanto antes. Anotem o endereço.
- Pode deixar. O Romoaldo já está ligando para ele no outro telefone. Você faz bem em se resguardar.
No dia seguinte, o jornal onde Jaílson trabalha estampou na primeira página a foto dos pacotes de dinheiro, as barras de ouro, os diamantes e os passaportes encontrados no cofre da ministra. A matéria contava como a ministra foi morta, o disfarce utilizado pela assassino e a foto do seu rosto. Ele tinha linhas duras, características da vida militar, queixo quadrado, rosto grande, pescoço grosso e ombros largos. Dava para ver que se tratava de um sujeito forte. Altura de 1,71, a mesma de Alexandre. Pele clara, cabelos e olhos castanhos escuros, nariz grande e fino. Provavelmente oriundo do Sul da França.
A história estava quase toda lá, com exceção das peripécias eróticas da ministra, e ninguém poderia dizer de onde veio. Mas, todos agora sabiam que Alexandre tinha a melhor apólice de seguro de vida: informação. Com isso, ninguém encostaria um dedo nele. Pelo menos por enquanto.
Alexandre falava ao telefone em sua sala quando Rômulo entra sem bater.
- Temos uma pista do Gaston.
- Te ligo depois - disse Alexandre antes de colocar o fone no gancho.
- Onde?
- No Rio de Janeiro. O gerente de um hotelzinho ligou dizendo que o homem da foto no jornal está hospedado lá.
- Vamos pegar esse cara.
- O carro já está esperando para nos levar ao aeroporto.
- Todo mundo equipado?
- Está tudo no carro.
- Então vamos!
Meio dia, sol a pino. O Hotel Ypacaraí, nome de um dos maiores lagos do Paraguai e que, em língua Guarani, significa "Lago do Senhor", tinha apenas quatro andares e ficava numa ladeira íngreme de Copacabana. Era uma espelunca remanescente dos anos 50, encravado no final da rua sem saída, pacata, arborizada, com vários pequenos prédios de apartamentos. O hotel era o último desses prédios e ficava encostado num pé de morro. Do outro lado, colava parede com outro prédio residencial, também de quatro andares. Mas, como estavam numa ladeira, o teto do prédio vizinho era um metro e meio mais baixo. O mesmo ocorria com os demais prédios da rua, um mais abaixo que o outro, formando uma espécie de escada. Atrás, havia uma pequena área aberta cercada por um muro alto, com mais ou menos três metros de altura.
As viaturas policiais bloquearam a entrada da rua. Os agentes foram divididos em três grupos. Um entraria pela frente do hotel. O segundo grupo pelos fundos e o terceiro grupo, comandado por Gabriel, entraria pelo teto do prédio vizinho. Alexandre estava no primeiro grupo junto com Rômulo e Pablo, vestidos normalmente para não chamar a atenção. O gerente entregou uma chave ao delegado e disse que o francês estava no quarto 403.
- Ele chegou ontem à noite. Hoje de manhã, desceu para o restaurante, tomou café e voltou para o quarto. Ainda está lá ... - disse o gerente, com voz trêmula e suor na testa.
- Você tem certeza? - perguntou Alexandre.
- Eu não vi ele descer ... e a chave dele não está aqui no escaninho ... então, eu acho que sim ...
- Agora, eu quero que você e seus funcionários saiam daqui e fiquem com os policiais lá no início da rua. Entendeu?
- Mas, e os outros hóspedes?
- Já estamos ligando para os quartos e instruindo para que tranquem as portas e fiquem lá até que possamos liberá-los. Não deve demorar muito. Queremos entrar, prender e sair o mais rápido possível. Agradeço muito a sua cooperação. Esses agentes vão acompanhá-los.
- Mas, vocês vão arrombar porta, quebrar os móveis? Quem vai pagar o prejuízo?
Alexandre não resistiu. Pegou um pedaço de papel e foi anotando enquanto falava e segurava o riso.
- Qualquer prejuízo material deve ser encaminhado a esse senhor, Miguel Brochado, neste endereço. Os telefones dele são esses aqui. Não se preocupe, o hotel será totalmente ressarcido de qualquer dano.
- Sim senhor.
Alexandre colocou o colete à prova de balas e pegou sua pistola Glock 22, calibre .40, verificou se o pente estava carregado e engatilhou. Ao seu lado estavam Rômulo com uma submetralhadora israelense UZI SMG calibre 9mm, e Pablo levava uma espingarda de repetição PGS-12. Outros três agentes portavam armamento igualmente pesado.
- Todo mundo pronto?
- OK!
- Daqui pra frente, silêncio total. O cara deve estar armado e é perigoso. Atenção! Quero levar o homem vivo e não quero ter nenhuma baixa. Vamos ...
Todos os agentes estavam estrategicamente distribuídos pelo corredor onde ficava o quarto do assassino. Alexandre se aproximou da porta e colocou um estetoscópio nos ouvidos. Encostou a ponta na porta e procurou ouvir algum som. Nada. Repetiu o gesto em vários pontos diferentes da porta. Parou num ponto quando ouviu o som de uma televisão, baixo.
O delegado foi obrigado a presumir que o assassino estivesse ainda no quarto. O fato do som da TV estar mais baixo que o normal, apenas despertou mais ainda o sentido de alerta de Alexandre, pois isso significaria que o assassino também estava preocupado em poder ouvir quaisquer sons que fugissem à normalidade.
Ele se voltou para os agentes e, com sinais de mão, reforçou a ordem de silêncio absoluto e avisou que todos se preparassem para a invasão. Em seguida, colocou a mão na maçaneta da porta, mas Pablo segurou seu braço.
- O cara foi de uma força especial. Deve ter alguma armadilha aí - cochichou bem lentamente.
- Tem razão. Vamos usar a câmera de inspeção.
Um tubo flexível com uma câmera na ponta, foi introduzido sob a porta. Lentamente, virou à esquerda e à direita. O monitor nada mostrou além da cama e da porta do banheiro. Virou para cima e parou. Junto à maçaneta, duas granadas de alta potência enroladas com silver tape. Bastaria baixar a maçaneta ou derrubar a porta para retirar os pinos e as granadas explodirem, matando todos que estivessem diante da porta.
A armadilha mostrou que o francês não estava mais lá. Deve ter visto a sua foto no jornal e fugido. Mas, deixou a armadilha para matar os policiais. Alexandre percebeu o plano de criar um desastre que tirasse o foco do assassino por tempo suficiente para a fuga. A janela aberta mostrou qual foi a rota de fuga do hotel. Mais tarde, Gabriel trouxe uma guimba fedorenta de cigarro da marca francesa Gauloises. Ele havia fugido pelos telhados.
A porta foi então cuidadosamente desmontada pelos ferrolhos e as granadas desativadas pelo pessoal do esquadrão anti-bombas. Uma varredura preventiva ainda encontrou outras duas granadas colocadas da mesma maneira na porta do armário. O assassino queria mesmo um banho de sangue. Alexandre viu naquelas armadilhas um sentimento de vingança de Gaston. Ainda deveria estar "magoado" com o corte e a surra que levou uns dias antes.
Sobre o criado mudo, um bloco de notas. Alexandre viu que algo havia sido escrito na folha de cima, já arrancada. Usando o truque mais manjado do mundo, passou um lápis por cima das depressões e leu o nome de uma companhia aérea e, embaixo, um horário:Lufthansa, 21h48. O delegado olhou para o relógio. Eram 18h em ponto.
- Ele está no aeroporto! - gritou.
As viaturas partiram em disparada com as sirenes abertas. Mas, logo encontraram engarrafamento. Era o horário de rush. Um trajeto que normalmente levaria de 20 a 30 minutos, levou quase uma hora. Isso porque se tratava de um comboio da Polícia Federal e os motoristas se esforçavam em dar passagem.
Às 18h57, Alexandre, Pablo, Rômulo, Gabriel e mais uma dezena de agentes, correram até o salão de embarque do Aeroporto do Galeão. Nunca iria chamar aquele aeroporto de "Tom Jobim". Ele costumava dizer a quem perguntasse o motivo: "Só porque o cara fez uma música em que cita o Galeão e diz que gosta do Rio de Janeiro? Eu fiz uma poesia para uma aeromoça carioca, até namorei com ela, e nem por isso colocaram meu nome em qualquer aeroporto".
No salão, já aguardavam vários agentes federais que trabalham na área de verificação de passaportes. Todos tinham em mãos a foto de Gaston, mas ninguém o vira passando pelo controle. Alexandre sabia que seria quase impossível pegarem um agente que pudesse mudar o rosto com tamanha perfeição. Certamente, ele estaria transformado em outra pessoa, que tanto poderia ser homem ou mulher, inclusive com documentos. Ele reuniu todos os agentes e passou rapidamente as instruções.
- Procurem em todo canto, nas salas de embarque, nas lanchonetes, no free shop, nos banheiros. Como ele deve estar disfarçado, prestem atenção nos olhos, no olhar. Esqueçam o resto. Ele pode se parecer com qualquer pessoa, mas os olhos serão os mesmos. Lembrei de um detalhe, ele fuma Gauloises, que é feito com tabaco escuro da Síria e da Turquia. Vocês vão sentir o cheiro forte quando estiverem perto dele.
A busca teve início, mas Alexandre estava preocupado com a maneira ostensiva que deveria ser feita. Não havia tempo para ser discreto. Eles corriam contra o relógio. O delegado reuniu sua equipe e, à paisana, foram direto para a sala de embarque da Lufthansa. Ele se ocuparia de tentar reconhecer Gaston e os demais cuidariam da sua segurança, pois o assassino também poderia reconhecê-lo. Os outros agentes percorriam o restante.
Alexandre circulou um pouco e decidiu sentar-se num ponto de onde poderia observar toda a sala, quem entrasse ou saísse. Pablo, Rômulo e Gabriel se colocaram em pontos equidistantes. Se Gaston entrasse naquela sala, disfarçado ou não, eles o pegariam. O delegado olhou para o relógio. Eram 19h05. Ainda tinha bastante tempo até a partida daquele vôo.
Uma agente do aeroporto entrou correndo na sala procurando por Alexandre. Ela trazia na mão direita a foto de Gaston. O delegado pulou da cadeira. Ela não estava com os outros agentes quando ele passou as instruções.
- Eu vi esse sujeito ... - disse a esbaforida agente, quase sem ar nos pulmões.
- Eu chequei ... passaporte dele ... belga ... cabelo loiro, bigode ... óculos ... fundo de garrafa .. os olhos ... os olhos ... iguais ... arf, arf, arf ... fedor do cigarro ...
- Onde?
- Air France ... - disse a agente, curvada no esforço de respirar e apontando a direção da sala de embarque.
Alexandre e sua equipe correram até a sala, que estava vazia. Um atendente gordinho organizava vários bilhetes de embarque e falava de vez quando ao rádio.
- A que horas sai o vôo da Air France? - perguntou Alexandre, mostrando o distintivo.
- O próximo?
- Como assim?
- Acabou de sair o das 19h. Só atrasou três minutos - sorriu o orgulhoso atendente.
Alexandre olhou para o relógio. Eram 19h16.
- Que vôo é esse?
- É aquele ali que acabou de decolar - apontou pela janela o atendente.
Um enorme Airbus A 330-203rugia ferozmente, cuspindo fogo pelas turbinas enquanto atravessava a estrelada noite carioca em direção a Paris.
- Qual é o número desse vôo?
- Esse aí é o Air France 447. Deve chegar amanhã cedo em Paris, por volta das 6h, no aeroporto internacional Charles de Gaulle.
♦♦♦
Então? Estou entregando as fortes emoções prometidas? O que eu sei é que estou pulando aqui na minha cadeira enquanto digito as aventuras e os perigos de "Morte na Esplanada". Parece até que estou me desviando das balas!
Não sei como, mas as palavras vão surgindo na minha cabeça e construindo as situações que vocês estão lendo. Tenho apenas uma vaga ideia do que vai acontecer no próximo capítulo. Daí ouço e leio os comentários das(os) leitoras(es) e deixo fluir. Está funcionando : )
Portanto, continuem nos abastecendo com sugestões, críticas, dicas, reclamações e opiniões. Essa colaboração tem sido muito frutífera. Espero que estejam gostando, porque eu estou, como diz o jornalista Apolos, "com certeza!!!" . Até o 8º capítulo.
E como bem recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife: "Um abraço! Bom café!"
Aproveitando o pedido da Ana Paula Alcântara, que ontem foi brindada pelo Café & Conversa com uma Caipirinha de Café, hoje, temos uma receita para fazer sucesso numa festa com muitos amigos, pois é um espetáculo visual. A receita é para uma festa com muita gente, tipo São João, batizado, casamento, churrascão, aniversário. O nome do cocktail é “Soco Quente Africano”.
Ingredientes
- 4 garrafas de conhaque
- 2 garrafas de rum branco
- 4 litros de café bem forte
- 2 quilos de açúcar
Preparo
Numa tigela grande, misture o conhaque, o rum e o açúcar. Com muito cuidado, coloque fogo na mistura e deixe o açúcar dissolver. Adicione o café e misture bem. Está pronto para servir.
No livro "Dicionário Gastronômico, Café com Receitas", da jornalista Giuliana Bastos, tem sempre umas dicas criativas, apesar da autora escrever café espresso com xis.
Ontem, falando por telefone com uma amiga, Ana Paula Alcântara, professora na cidade de Triunfo, no sertão de Pernambuco, ela me perguntou se não dava para falar, na CBN Recife, de uma receita "fácil, quente, surpreendente e que levasse café".
Pronto! Caipirinha de Café é nossa contribuição para aquecer a noite de São João numa das cidades mais frias do sertão nordestino. E a sua, também, onde quer que esteja.
Já aconteceu com você, de chegar a uma cafeteria e o atendente servir o café, colocar um copinho com água - em geral com gás - e não dar a menor explicação? Saiba que muitos desses funcionários e colaboradores, como gosta o pessoal de Recursos Humanos, também não faz a menor ideia do que se trata.
Hoje eu não vou encher o saco de vocês com uma longa introdução e repetir todos aqueles pedidos de sugestões etc. Mas, esqueci de deixar uma questão bem clara logo no primeiro capítulo dessa nossa Blog-Novela. Nunca é tarde para lembrar que "Morte na Esplanada" é uma obra de ficção, produto exclusivo da imaginação do autor, e qualquer semelhança com fatos e pessoas reais terá sido mera coincidência.
Agora, o de sempre. Sei que vocês estão desesperados(as) para saber o que vai acontecer com o delegado Alexandre e o que é aquela cura espiritual. Então, vista o seu pijama de flanela ou seda vermelha, prepare um caldo verde bem quente, enfie-se debaixo do edredon, ligue o som do computador e, enquanto ouve a música de hoje, arrepie-se com mais um capítulo da minha, da sua, da nossa Blog-Novela predileta!
Morte na Esplanada
Capítulo 6
Depois de ver o seu cérebro transformado em luz e de ser arremessado ao espaço, Alexandre nunca havia se sentido tão bem, tão pacífico e completo. A sensação de liberdade era absoluta. Não havia peso, dor, angústia, medo, tristeza, solidão ou limites físicos. Poderia ir para onde quisesse, quando quisesse e na velocidade que quisesse. Tudo era instantâneo como um pensamento e as palavras eram um meio de comunicação pobre demais para descrever tudo o que sentia e as maravilhas que via.
A única coisa que ficou com Alexandre do mundo que acabara de deixar para trás, era o som do mantra OM entoado pelos monges budistas. A vibração do mantra estava em tudo e ditava o nível de vibração do que ele agora via e sentia. Não havia fala, voz ou idioma. Havia apenas compreensão instantânea de tudo, antes mesmo de conseguir desejar algo. Consciência plena, intensa e clara. Nunca estivera tão desperto.
Alexandre logo compreendeu que bastaria desejar para que algo se manifestasse. Assim desejou ir para um lugar tranquilo, onde pudesse meditar um pouco sobre tudo aquilo. Logo estava junto a um igarapé de águas douradas e sentou-se à sua margem na mesma posição de Lótus usada pelos monges budistas. A Entidade que havia se comunicado com ele ainda no templo, surgiu e se colocou à disposição para esclarecer quaisquer questões e dúvidas.
Alexandre perguntou qual é o mistério daquilo que na Terra homens e mulheres chamam de "amor". Não havia uma "fala" entre eles, mas uma espécie de comunicação direta como a telepatia. A Entidade respondeu que o erro está em classificar o amor como um sentimento, porque o amor real está acima dos sentimentos, das emoções e da razão.
- O amor abrange tudo isso e muito mais. O amor não desequilibra, não machuca, não provoca dor ou sofrimento. Ao contrário, o amor tranquiliza, pacifica, purifica, aquece, orienta, inspira, agrega. O que há é um grande equívoco sobre o que se entende ser o amor.
Enquanto a Entidade "falava", uma imagem se formou diante e acima de Alexandre. Era muito parecida com aquelas encontradas em imagens religiosas. Um halo luminoso pairava acima de tudo e lançava seus raios para baixo, iluminando sentimentos, emoções, razão, sensações etc. O amor estava representado por aquele halo. Alexandre compreendeu que o amor é um estado em que se é.
- Quando formos capazes de nos conectar com o amor e guiarmos nossas vidas a partir dessa nova compreensão, estaremos aptos a dar o salto evolutivo definitivo. Teremos alcançado a liberdade e não teremos mais as limitações de hoje. Seremos seres completos. Hoje somos divididos e confusos - pensou.
Alexandre voltou a perguntar. Dessa vez, sobre o oposto do amor, o ódio. A Entidade mostrou a imagem do próprio Alexandre preso pelos punhos e pelos tornozelos em centenas de correntes. Colada ao seu corpo, uma jaula o cobria dos pés à cabeça como uma armadura.
- Você está vendo o que é o ódio, como ele o aprisiona? O que você pode fazer senão gritar? E até quando ele vai permitir que você grite? Até quando você vai aceitar a ilusão de força e liberdade que ele criou para enganá-lo enquanto suga sua força vital?
Aquela imagem soltou um grito, que logo se transformou num urro. A jaula iluminou-se e explodiu. Os grilhões e correntes se partiram. Alexandre olhou para o próprio abdomen, ou melhor para o interior oco do seu abdomen, pois ali não haviam quaisquer órgãos. O céu da noite estava inteiro ali dentro, com as estrelas e tudo o mais. Era como se estivesse olhando para o espaço sideral, numa versão menor.
Um pouco acima do seu umbigo surgiu uma ventarola, dessas que giram com o vento. Essa era completamente azul e, flutuando suavemente, começou a girar no sentido anti-horário. Conforme foi aumentando a velocidade, surgiu a imagem dele mesmo diante de si, sentado com as pernas cruzadas numa postura iogue que ele não conhecia.
A mão esquerda estava posicionada na altura do plexo solar e a mão direita estava na altura do rosto, ao lado da cabeça. Alexandre sentiu necessidade de unir as palmas das mãos na altura do plexo solar. Ao fazê-lo, ouviu a seguinte frase: “Você as sabe duas, mas as sente uma”. Ele não conseguiu entender o significado daquilo.
Ao unir as palmas das mãos, uma força poderosa passou a circular pelo seu corpo, como se tivesse conectado dois canos e a água estivesse correndo através deles. A sua pele começou a ficar azulada até que o corpo inteiro ficasse completamente azul. A aparência era de uma estátua ou imagem indiana e ainda tinha uma coroa de luz na cabeça.
Em seguida, labaredas azuis o envolveram completamente e seu corpo flutuou no ar. Foi subindo como um balão até desaparecer no céu. Alexandre abriu os olhos quando os monges pararam de entoar o mantra e Luzia terminava de enxugar sua cabeça. Havia uma enorme sensação de prazer e paz. Algo como um orgasmo cósmico.
- Luzia ... eu ... eu ... a luz ...
- Eu sei, meu amigo, eu sei. É muita coisa ao mesmo tempo. Você precisa descansar. Conseguimos retirar o veneno. Está tudo bem agora. Durma um pouco e depois a gente conversa.
Alexandre fechou os olhos e adormeceu imediatamente. No dia seguinte, não havia mais qualquer dor ou fraqueza, embora ainda não estivesse com sua força plena. Mas, ainda sentia a profunda paz interior experimentada no dia anterior durante os trabalhos de cura.
- O Baileys? Sempre tenho uma garrafa fechada. Posso tomar também?
- Alex, você já está curado. Pode fazer o que quiser. Até sexo (gargalhadas).
Logo, os dois estavam com copos cheios de licor e soltando longas baforadas. Confortavelmente sentados em suas poltronas, a conversa rolou solta. Alexandre lembrava de quase tudo e percebeu que a memória daqueles acontecimentos estava aos poucos se esvaindo.
- Luzia, isso é assim mesmo? Vou esquecer tudo o que vi e ouvi?
- A Entidade que te acompanhou deve ter dito que você não temesse nada, não é?
- Sim, ele me disse exatamente isso.
- Você não vai esquecer a experiência que viveu. Vai se lembrar sempre que quiser e precisar. A sua alma se desprendeu do corpo e voltou a ser livre. A volta ao corpo é literalmente uma descida. Como qualquer descida, é também um retrocesso. Retornar a um estado mais denso é sofrido, envolve alguma dor. A alma quer ficar lá no lugar a que pertence e onde é livre, sem o peso dessa existência terrena.
- Foi como um mergulho no pântano. A luz foi desaparecendo e no meio dessa descida encontrei meu ego. Um ser pequeno e desengonçado, sem nenhuma beleza, parecido com uma criança e cheio de sarcasmo, pequenas armadilhas. Lançava dúvidas a torto e a direito, fazia brincadeiras estúpidas, tentava desacreditar tudo que eu havia acabado de compreender. Mas, não senti medo ou desespero por estar mergulhando numa escuridão pantanosa, porque agora sei quem sou, onde estou e porque estou aqui.
- Tá vendo? Você aprendeu o essencial. Os detalhes da viagem vão sumir com o tempo, porque é tudo sutil demais para nós e também para preservar o seu livre arbítrio. Mas o principal vai ficar e basta pedir para receber uma conscientização da sua missão nessa vida. Tudo o que viu e ouviu continua aí na sua alma e poderá ser acessado quando for necessário. Ouça a sua intuição. Além do mais, agora você sabe o que te espera. É só uma questão de tempo. Estamos aqui porque temos lições para aprender.
Alexandre marcou uma reunião com sua equipe fora das dependências da Polícia. As informações estavam ficando "quentes" e o ambiente ali não era confiável. Resolveu que seria melhor se encontrarem na Grenat Cafés Especiais, a fornecedora do café especial que a ministra tanto gostava.
A cafeteria estava vazia àquela hora da manhã. Perfeito para a reunião. Escolheram uma mesa afastada da porta. A garçonete se aproximou e anotou os pedidos. Todos pediram água mineral e fingiram estar olhando o cardápio. Depois que ela deixou as águas na mesa, a reunião teve início.
- Hamiltão, você falou tanto do café da ministra que achei que deveríamos experimentar um pouco.
- Foi uma excelente ideia, porque aquele café que apreendemos já acabou (risos).
- E aqui também é mais seguro que lá ... o que vocês já conseguiram?
Gabriel foi o primeiro a falar. Era o mais novo e o mais nerd da equipe. Talvez por isso, todos se sentiam na obrigação de protegê-lo. Ele foi falando e mostrando fotos que retirou de uma pasta. Uma delas era do rosto do assassino.
- Recebi o retorno da polícia francesa. As impressões digitais são de um ex-militar chamado Gaston Perrin. Não me deram a patente nem a qual unidade ele serviu. Mas, a partir da tatuagem que você me descreveu, descobri que ele certamente foi do Commando Hubert, uma força de elite da Marinha Francesa, criada em 1947 e formada por fuzileiros, mergulhadores e paraquedistas. Casca grossa e muito bem treinado para matar.
- Mas, essas forças especiais não ensinam nada sobre venenos ou maquiagem. O negócio deles é a força bruta, armamento pesado, explosivos, guerrilha, operações rápidas.
- Pois é, mas ele está afastado do Commando Hubert há muitos anos. Chequei nos arquivos da Marinha. Ele deve ter sido recrutado para o serviço secreto porque não tem mais nada a respeito dele nos arquivos oficiais. Lá é o único lugar onde ele receberia esse tipo de treinamento com venenos e disfarces.
- Um assassino oficial ...
- Isso mesmo. Ele é um matador do serviço secreto francês.
- Mas, por que o governo francês iria querer matar a ministra? Que ameaça ela poderia representar ao estado da França? Assassinos desse tipo só agem nessa situação. São assassinos de estado, praticam assassinatos políticos. O que o embaixador disse?
- Que o governo francês está consternadíssimo e deu ordens para iniciar uma investigação rigorosa. Colocou a embaixada à disposição e pediu discrição até que tenham mais informações.
- É ... vão nos cozinhar em banho-maria. Essa é a típica resposta diplomática. Se o assassino é do serviço secreto, eles estão querendo ganhar tempo e não vão colaborar com a gente. E o governo brasileiro já deve ter sido avisado que estamos atrás de informação. Ainda vou ter que aguentar o Brochado pentelhando. Pelo menos já podemos eliminar os crimes passionais e vingança pessoal. Fica de fora também uma volta do passado da ministra. Isso é coisa recente.
- Também fiz as três cópias do pen drive que você pediu. Elas estão bem escondidas em servidores espalhados pelo mundo.
- Ótimo. E o que tinha no pen drive?
- Os arquivos estão encriptados. Nada muito difícil, mas como levaria algum tempo, precisei pedir ajuda para uns amigos.
- Que amigos?
- O pessoal com quem eu montei um time para jogar games on line ...
Risada geral.
- São confiáveis?
- Esses eu garanto. Além disso, todos são hackers de primeira linha.
- E quando vamos ter alguma coisa?
- Em três ou quatro dias. Também estamos tentando entrar no banco de dados do serviço secreto e descobrir quem é esse cara.
- Vocês são bons assim?
- Os melhores (risos).
- Rômulo, e o alerta nas saídas e fronteiras?
- Reforço todo dia. Está todo mundo de olho e estou em contato direto com alguns agentes de confiança para redobrar o cuidado. Sabe como é. Não é todo mundo que vai ficar ligado nessa caçada. Basta uma distraída e o cara escapa. Além disso, o francês é o mestre dos disfarces, mas pelo menos agora temos a foto do rosto dele.
- Bom, agora podemos tomar o nosso café.
A garçonete se aproximou. Eles perguntaram sobre os vários tipos de café que eram servidos ali. A moça explicou as particularidades de cada um, suas procedências e principais características de aroma e sabor. Eles optaram pelo mesmo Bourbon Vermelho que a ministra apreciava e cada um também resolveu comprar um pacote do grão.
Ao ler o rótulo, Alexandre viu que aquele grão tinha notas e nuances de sabores variados, inclusive azeitona. Tentou perceber o gosto no espresso, mas não conseguiu. Perguntou aos demais na mesa se haviam conseguido identificar a tal azeitona, mas foram unânimes em não encontrar o fruto da oliveira. Dr. Hamilton interrompeu a investigação sobre o sabor do café, chamando a atenção para outra mesa não muito distante onde dois homens haviam acabado de se acomodar e conversavam.
- Estão vendo aqueles dois ali? São os caras daquele blog, o Café & Conversa.
- É mesmo?
- É, não estão reconhecendo? Aquele é o Romoaldo e outro é o Kassatti.
- É mesmo ... eles são bem parecidos com aquela ilustração do blog.
- Se alguém entende de café, são aqueles dois. Pergunta lá da azeitona.
- Boa ideia. Os dois não são jornalistas especializados em política?
- É o que diz lá no blog.
- Então tenho algumas perguntas para fazer a eles. Esperem aqui. Peçam alguma coisa para comer. Vi uma massa com molho de cogumelos frescos aí que deve ser o bicho.
Alexandre se encaminhou para a mesa onde os dois jornalistas conversavam com uma linda jovem. Gabriela, uma das sócias na cafeteria, mostrava a cicatriz de uma cirurgia feita no punho devido a várias fraturas provocadas por uma queda de skate. Eles batiam com os dedos para sentir uma placa de titânio sob a delicada pele da jovem.
- Olá. Vocês são os jornalistas do Café & Conversa?
- Sim - respondeu Romoaldo, enquanto Kassatti se ocupava de examinar a cicatriz da Gabriela.
- Meu nome é Alexandre Dantas. Sou delegado da Polícia Federal e ...
- Peraí! O que fizemos dessa vez? (risos) - perguntou Kassatti, enquanto Gabriela saía de fininho.
- Vocês não fizeram nada (risos). Mas, estou precisando de uns conselhos para um caso que estamos investigando.
- Estamos sabendo. É o assassinato da ministra, né? - disse Romoaldo.
- Esse mesmo. Como entendo pouco de política, estou querendo me aconselhar com quem entende do assunto e possa me dar alguma informação adicional.
- Delegado, o Jaílson Madeira já nos falou a seu respeito. Você foi bem recomendado e tem uma boa reputação, credibilidade. No que podemos ajudá-lo? - perguntou Kassatti.
- Eu o chamo de Jail Bond por causa de um outro caso em que acabou investigando mais que a polícia. Lembram daquele deputado fujão?
- Lembro. Até escrevi uma crônica sobre o caso. Foi muito engraçada a matéria do Jaílson (risos). O deputado estava escondido num hotel a um quilômetro do Palácio da Alvorada - disse Kassatti.
- Mas, o que você precisa saber? - perguntou Romoaldo.
- O que vou contar a vocês é informação sigilosa e não deve sair daqui. Está claro?
- Sim, você pode falar em off com a gente - disse Romoaldo.
- A ministra foi morta por um assassino do serviço secreto francês.
Romoaldo e Kassatti se entreolharam e sorriram. Alexandre ficou intrigado com a reação dos dois.
- Delegado, você sabe que assassinos de serviços secretos só entram em ação quando a morte, devidamente autorizada, envolve questões de estado, né? - disse Kassatti.
- Sei, e aí é que está o problema. Em que assunto de estado a ministra estaria envolvida e que representasse alguma ameaça ao governo francês?
- É preciso lembrar que "estado" é uma abstração, uma entidade virtual. São pessoas que fazem o "estado" existir e que o operam. Então, não se apegue muito a esse chavão "questões de estado". O Brasil e a França não são inimigos naturais. A França não oferece qualquer perigo ao Brasil e vice-versa. Portanto, procure pela boa e velha sordidez humana que você vai encontrar o motivo da morte da ministra - disse Kassatti.
- E eu já havia eliminado alguns, como o crime passional e a vingança ...
- Por enquanto, não descarte nada e fique bem atento. A política é a arte da mentira e da traição. O discurso é um e a ação é outra - acrescentou Romoaldo.
- É, o tempo de Esparta acabou. Agora vivemos o tempo dos espertos ... - completou Kassatti.
- Então voltei à estaca zero?
- Temos uma máxima no jornalismo. Foi cunhada pelos americanos e diz o seguinte: "Follow the money" - disse Romoaldo.
- Vocês acham que foi por causa de dinheiro?
- Delegado, ninguém faz política sem dinheiro, muito dinheiro. E quando esse dinheiro alcança determinadas quantias, as pessoas que têm acesso a ele perdem a cabeça e começam a pensar em melhorar o próprio padrão de vida. Se é que você me entende. Encontre a confluência do dinheiro com a necessidade política e talvez obtenha as respostas que procura - disse Kassatti.
- Acho que já entendi ... só mais uma coisa. Como vocês conhecem café, me expliquem essa informação na embalagem. Aqui diz que esse grão bourbon vermelho tem sabor de azeitona. Tem mesmo? Porque eu não consegui sentir gosto nenhum de azeitona.
- Não conheço ninguém que goste mais de azeitona e de azeite do que eu. Também nunca senti sabor de azeitona nesse café. Credito esse tipo de informação a um certo exagero promocional, uma pseudo sofisticada para agregar valor e ajudar a justificar o preço. Tem gente que adora um marketing. Mas, faz parte do jogo (risos) - disse Kassatti.
- Se precisar falar com a gente, use esse telefone ou esse e-mail - Romoaldo entregou um cartão ao delegado.
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E aí? Estão gostando? Falem alguma coisa! São tantas reviravoltas que já estou me sentindo um acrobata do Cirque du Soleil : )
O delegado Alexandre Dantas foi salvo do envenenamento, mas passou por uma experiência mística profunda. Isso trará consequências para a investigação? Por que a ministra foi assassinada? O motivo ainda está encoberto. E o assassino? Onde estará? O cara é perigoso. E qual será o papel da imprensa nessa trama? O que acontecerá no próximo capítulo?
Parem de perguntar e comecem a enviar sugestões, críticas, dicas, reclamações e opiniões. Pode deixar tudo aí embaixo, na área dos "COMENTÁRIOS". Até sexta-feira, se eu aguentar esse ritmo : )
E como bem diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife: Um abraço! Bom café!
A ouvinte desse podcast na Rádio CBN Recife, Thaís Sprovieri, conta que toda vez que vai a uma cafeteria, percebe o "despreparo total dos atendentes" tão logo servem o espresso e perguntam "com açúcar ou adoçante?".
- Ora, o meu espresso, desde que passei a ser leitora do blog Café & Conversa, será sempre sem açúcar. Considero um despreparo sem tamanho. Por que os atendentes fazem caretas quando dizemos que é sem açúcar ou adoçante? Acho isso incrível! Amargo por favor!
Pensando nesse comentário de Thaís Sprovieri é que fizemos esse post, rodado hoje na CBN Recife.
Poucas coisas me deixam tão feliz quanto comprar bons livros. Tenho mais livros do que consigo ler. Mas, a simples presença deles perto de mim já me faz bem. Acompanhados de uma bela caneca fumegante de café então, é perfeito.
Hoje fui à Livraria Cultura para comprar três livros que me foram indicados pela jornalista Raquel Alves. É a chamada "trilogia Millennium", editado no Brasil pela Companhia das Letras. Acabei levando também a última edição da minha revista predileta, WIRED, e um comic book inédito do Wolverine, contando sua história desde o início e com alguns rascunhos originais.
Na saída, mantive a tradição e fui tomar um espresso curto na Saborella. O serviço continua atencioso e rápido, mas os dois espressos que pedi chegaram frios e ... decepcionantes. Pretendia tomar apenas um, mas pedi o segundo para confirmar. Aroma fraco, sabor equilibrado, ou seja, sem personalidade e não tinha gosto de nada. Sobrou apenas o sabor de carvão da torra que, no meio do nada, sobressaiu com força total.
Revista WIRED: maravilhosa
Bolo de Fubá: delicioso
Café: decepcionante
Sou freguês do Saborella desde o tempo em que serviam o café da marca italiana Illy, que era muito bom. Os proprietários me disseram que deixaram de servir o Illy por problemas com o fornecimento. Depois partiram para tentar um blend próprio, o que é uma iniciativa louvável. Mas, parece que continuam tentando e não estão acertando. No mais, o bolo de fubá estava delicioso, como sempre, e desejo boa sorte ao Saborella com o café.
Já em casa e a bordo de um bom charuto, comecei a ler o primeiro volume da trilogia, que no Brasil recebeu o título de "Os homens que não amavam as mulheres". O original em sueco é "Os homens que odeiam as mulheres". Há uma diferença gigantesca entre "odiar" e "não amar" e isso faz uma diferença enorme na nossa expectativa. Se os livros não me tivessem sido recomendados pela Raquel, jamais compraria baseado no título.
Para mim, homem que não ama as mulheres está
condenado a arder no mármore do inferno ...
Não se sabe porquê as editoras resolvem estragar os títulos originais dos livros - e filmes - com essas invencionices. Deve ter algum gênio do marketing por trás disso, claro. Pessoalmente, prefiro o nome que deram nos Estados Unidos: "A garota com tatuagem de dragão". Isso é um título de romance policial.
Por falar nisso, acompanhem aqui no Café & Conversa a Blog-Novela "Morte na Esplanada", que também está repleta de tramas, perigos, emoções fortes e com o diferencial de ter homens que amam as mulheres. Com e sem tatuagens : )
Vejam abaixo o trailer da versão americana do filme da trilogia Millennium. A produção traz um elenco estelar e trilha sonora arrasadora. Tem um filme sueco, mas esse americano parece ser bom e vai estrear nos Estados Unidos no dia 21 de dezembro. Aqui? Ainda não sabemos, mas avisaremos logo que for anunciado.
Jacu Bird! O café do jacu, o café das fezes do jacu. O café exótico que, mesmo com receio, você precisa tomar para por essa informação no seu portifolio.
O Jacu é um pássaro nativo da Mata Atlântica e pode ser encontrado em quase todo o país. No Espírito Santo, os cafeicultores derrubaram a mata nativa para plantar café, reduzindo fortemente as fontes de alimentação do pássaro.
O Jacu teve que se adaptar ao novo meio ambiente e passou a comer a cereja do café, que é o fruto ainda no pé. Sabe-se lá porque, os cafeicultores sentiram-se prejudicados e passaram a matar os pobres Jacus.
Agora é bom ser Jacu
O ser humano é terrível. Só muda quando enxerga alguma vantagem na mudança. Se a vantagem for financeira então ... Assim, quando um cafeicultor descobriu o preço do caféKupi Luwac, comido, digerido e evacuado por uma espécie de gato selvagem da Indonésia, a vida dos Jacus melhorou muito. Hoje, aqueles pássaros têm tratamento VIP.
O processo é simples. Assim como o tal gato, o Jacu come a cereja do café, digere e expele. Esse processo enzimático elimina a acidez do grão e proporciona um café bem suave. O outro aspecto positivo é que o Jacu seleciona o que come, ou seja, o sábio pássaro escolhe apenas as cerejas que estão em seu ponto ideal de amadurecimento. Afinal, é a comida dele e os grãos têm um grau inimitável de padronização.
Os grãos recolhidos passam por um processo seguro de higienização antes de serem colocados à venda, é claro.
O café realmente é suave, mas não empolga. Falta-lhe corpo e a crema é fraca. Retirar demais a acidez nem sempre é bom, pois essa característica é importante para a personalidade do café. Não sei se foi influência, mas o aroma final lembrou o cheiro de penas de pássaro.
Mas, é preciso assinalar que tratava-se de um espresso feito a partir de um único tipo de grão. Utilizado como parte de umblend,é possível conseguir resultados melhores.
Romoaldo de Souza e Ricardo Icassatti Hermano são jornalistas especializados em política, sendo que Ricardo também é barista e provador amador, e Romoaldo é juiz oficial da Associação de Baristas do Centro Oeste. Descobriram o interesse comum e passaram a procurar em Brasília uma cafeteria onde pudessem realmente degustar um bom café e conversar sobre política e a vida. Nesses encontros surgiu a idéia de um blog que auxiliasse as pessoas a tomar um bom café e, se possível, ajudar a desenvolver o mercado interno para os cafés especiais. Além, é claro, de "conversar" sobre os assuntos e as pessoas do momento.