Assim não dá! As leitoras da Blog-Novela estão desenvolvendo poderes telepáticos ou se tornando videntes, porque ou estão lendo meus pensamento ou adivinhando o futuro. Estão descobrindo até o pouco que consigo imaginar para o próximo capítulo. Assim vocês me dão muito trabalho ... para enganá-las com reviravoltas mirabolantes : )
Mas, eu vou tentar. Quem mandou inventar de escrever Blog-Novela, né? Agora aguenta. As sugestões são todas fantásticas. Vou aproveitar bastante porque coincidem com a direção que eu já vinha imaginando. Agradeço a ajuda valiosa das colegas de trabalho Isabela, Elina e Paola; das jornalistas Raquel Alves e Luciana Cobucci; e das fiéis leitoras Telma Monteiro, Lígia David, Memélia Moreira, Marven Braga, Nora Sinátora e Adriana Zapparoli.
Todas têm me ajudado bastante na composição das personagens femininas e das masculinas também, trilha sonora etc. Além, é claro, das mulheres que me inspiraram e em quem me baseio na hora de criar as personagens. Tanto as deslumbrantes quanto as bandidas : ) Ééééé ... elas existem ... mas, é tudo ficção, lembrem-se. Apenas pesco uma característica aqui, fisgo outra ali. É um mosaico virtual.
Agora, prepare o seu cafofo, uma caneca de chá, café, chocolate ou sopa, desde que esteja quente. Vista o seu pijama de flanela ou seda vermelha, calce as meias, ligue o som do computador, toque a música da trilha sonora e divirta-se com mais um eletrizante capítulo da minha, da sua, da nossa Blog-Novela predileta!
Morte na Esplanada
Capítulo 10
Alexandre não sabia o que fazer. Sabia apenas que tinha pisado na bola. E feio. Na sua cabeça, a cena se repetia sem parar. Ele tentava descobrir onde estava o sinal que ignorou e que o levou àquela situação absurda. Em algum ponto daquela noite estava a resposta para a grosseria que acabara de fazer com Lígia.
- Eu não sou assim. Eu não sou isso - dizia desesperadamente para si mesmo.
O delegado fechou os olhos e rezou para que tudo fosse apenas um sonho ruim e quando despertasse, encontraria Lígia entrando luminosa no saguão da pousada, acelerando seu coração e tirando todo o ar dos seus pulmões. Com medo, ele abriu vagarosamente os olhos. Parado à sua frente estava o Dr. Hamilton, olhando curiosamente para Alexandre como faz com os cadáveres que examina.
- Estava aqui imaginando por que você estaria dormindo em pé no meio no jardim (risos).
- Porra Hamilton, fiz merda com a Lígia ...
- Com a investigadora francesa? A gatona? O que você fez?
- Pisei na bola ... a gente foi jantar ... ia dançar e aí ... puta que pariu!
- Alex, se você não completar as frases, fica difícil entender o que aconteceu.
- Eu pisei feio na bola ...
- Isso você já disse. Só não explicou ainda.
- Não sei onde eu estava com a cabeça ...
- Calma, ela continua aí em cima do seu pescoço. Por que a gente não vai até o bar da pousada e lá você me conta tudo, hein? Estou precisando repor a minha cota de álcool para conseguir pensar direito e parece que você também.
A conversa seguiu até a madrugada. O porre também foi arrasador. Hamilton foi o amigo que se precisa numa hora dessas. Bebeu junto com Alexandre até não aguentar mais. Pareciam dois irlandeses e não brasileiros. Mas, no meio de tudo isso, o bom doutor sugeriu uma saída viável. Um plano foi traçado e como já era manhã foi logo executado. Depois de alguns litros de café e água, claro.
A cumplicidade de diversos empregados(as) da pousada foi comprada. Os arranjos foram feitos e uma verdadeira operação de guerrilha foi iniciada. Lígia acordou cedo, como de costume, e foi para a praia andar um pouco antes de tomar o seu desejum. Espiões estrategicamente posicionados, seguiram cada passo da investigadora e relatavam por rádio diretamente à central de operações montada no quarto de Hamilton.
- QTC, QTC, central. Carcará chamando. Câmbio.
- QAP, QAP. Como estão indo as coisas por aí, Carcará? Câmbio.
- Batom chegou na praia. Câmbio.
- Okapa, Carcará. Mantenha a vigilância e avise assim que o batom estiver voltando para a pousada. Câmbio.
- Okapa. Câmbio.
Lígia andou por uma hora e retornou à pousada para o café da manhã. O café foi rápido, cerca de 20 minutos. Ao entrar em seu quarto, ficou paralisada na porta. O quarto estava repleto de multicoloridas flores silvestres. Em cima da cama, um envelope escrito à mão: Pardon. Ela não conseguiu conter as lágrimas, que agora banhavam seu rosto por um motivo diferente. Abriu cuidadosamente o envelope. Dentro havia um cartão de Alexandre.
"Ontem, fui um idiota, um egoísta. Você tem todas as razões para nunca mais querer me ver, mas eu jamais me recuperarei se não puder tentar desfazer a má impressão que deixei. Não sou aquele homem, que nem mesmo eu reconheço. Por favor, perdoe o meu comportamento da noite passada e aceite o convite para jantarmos hoje e conversarmos. Alexandre"
Lígia recolocou o cartão no envelope. Pegou sua agenda e inseriu o envelope na página correspondente àquele dia. Em seguida, separou a roupa que usaria no centro de resgate e foi tomar um banho. Um leve sorriso se instalou em seu rosto e lá ficou. Um peso enorme havia sido removido da sua alma.
Os dois só se viram na reunião do final da tarde. O helicóptero do navio de resgate estava atrasado e todos estavam um tanto apreensivos até que o piloto fez contato por rádio e disse que estava a caminho da ilha e chegaria na madrugada ou pela manhã. Trazia mais três corpos. Os últimos. Os trabalhos de resgate na superfície do oceano estavam suspensos devido ao mau tempo.
Alexandre estava especialmente ansioso, pois se aqueles fossem os últimos corpos resgatados significava também que poderia ser a última chance de confirmar a presença do assassino no avião. Foram exaustivos e longos dias de espera na ilha. O prazo final das buscas estava chegando ao fim. Ele foi procurar o Dr. Hamilton.
- Hamilton, essa pode ser a nossa última chance. Quero que você dê prioridade a esses últimos corpos.
- Pode deixar, mas você sabe que nem sempre é possível fazer um reconhecimento visual. Dependendo do estado do corpo, só pelo DNA ...
- Temos que dar um jeito. Se tiver alguém que se encaixe na descrição e na foto que temos, recolha material para o DNA. Vou falar com o Gabriel e ver o que ele já conseguiu por lá.
- Não se preocupe. Ainda vai demorar para esses corpos chegarem aqui e você tem um problema para resolver. Já falou com a Lígia?
- Ainda não. Estivemos ocupados o dia todo com o resgate e aqui não é o melhor lugar para tratar desse assunto.
- Então, meu amigo, vai atrás dela e deixa o resto comigo. Vou ficar por aqui trocando umas ideias com os legistas franceses. Os caras têm uns equipamentos de primeira e um deles também pesquisa venenos. Disse até que conhece meus estudos e que é meu fã. É mole?
Alexandre procurou por Lígia, mas ela havia retornado à pousada logo após o comunicado do piloto do helicóptero. Ele até achou que era melhor falar com ela fora do Centro. Chegando na pousada, telefonou para o quarto dela.
- Oi Lígia.
- Oi Alexandre. Obrigada pelas flores. São lindas.
- Não tanto quanto você ...
- Obrigada ... é um exagero e assim você me deixa sem graça ...
- Mas, é verdade. Você aceita o meu convite para jantar e conversar?
- Eu pensei bastante sobre isso ... e ... tudo bem. Eu aceito o seu convite.
- Às 20h está bom?
- Pode ser 20h30?
- OK. Estarei esperando no saguão.
Alexandre desligou o telefone e se sentiu radiante como há muito tempo não sentia. Pelo menos não desde a sua separação. De lá para cá não se envolveu seriamente com nenhuma mulher. Teve uns namoros rápidos, dois meses no máximo, mas foi só. Houve uma mulher que ele até pensou que poderia dar certo, mas logo percebeu o erro e saiu fora. Desde então, dedicou-se apenas ao trabalho, ao estudo e aos treinos.
Lígia desligou o telefone sorrindo como há muito tempo não sorria, sem sentir e se dar conta. Só percebeu quando se olhou no espelho do banheiro. Seu rosto tinha um brilho diferente, os olhos estavam mais claros. Checou seu corpo e viu que era realmente bonito, com curvas bem delineadas e nos lugares certos. Seios fartos e nádegas firmes. Como toda mulher, gostaria que fosse diferente em alguns detalhes, mas no conjunto era uma belíssima mulher. Ela se cuidava bastante, malhava regularmente e se alimentava de maneira saudável. Não fumava e só bebia como acompanhamento de algumas refeições.
A entrada no saguão foi mais espetacular que na noite anterior. Alexandre mais uma vez boquiaberto e sem palavras. Lígia vestia uma calça jeans e uma blusa branca. Os cabelos soltos e levemente enrolados esvoaçavam a cada passo. Nada mais simples. Nada mais deslumbrante. Todos que estavam no saguão se calaram diante daquela visão. Era o seu poder paralisante. Paris faz isso com algumas mulheres.
- Você está linda!
- Obrigada ...
O jantar transcorreu com amenidades. Falaram sobre o atraso no resgate e outros assuntos relacionados. Claramente estavam adiando o momento de abordar o assunto principal. A conversa entrou pela madrugada. Ele mencionou sua preocupação.
- Talvez essa seja a nossa última oportunidade de achar o assassino. Mas, o reconhecimento não tem sido fácil. A maioria terá de ser feita através de DNA.
- E qual é a dificuldade? Vocês têm como fazer esse exame. não?
- Sim. Apesar de limitado, temos. Mas, o problema é que precisamos do DNA do assassino para comparar com o nosso exame.
- A polícia francesa não pode providenciar isso? Vocês já identificaram o, se não me engano, Gaston Perrin?
- Sim, mas tem um outro problema. Ele é ou era do serviço secreto francês.
- Mon Dieu! Agora entendo a sua apreensão. Mas, talvez eu possa ajudá-lo.
- Como?
- A comunidade de informação se ramifica por várias áreas e de vez em quando trabalhamos juntos. Conheço algumas pessoas e poderia ver se é possível obter o DNA desse Gaston para comparar com o exame de vocês. Caso consigam encontrá-lo, claro.
- Seria de grande ajuda, mas também estamos trabalhando nisso. Os dois governos estão se entendendo a respeito.
Lígia riu.
- Isso pode levar anos e não dar em nada. Serviços secretos não abrem essas informações muito facilmente. Pelo menos não através dos canais oficiais. Tem que ser uma troca muito vantajosa para os dois lados e o Brasil não tem muito o que trocar nessa área. Não está no circuito internacional da espionagem.
- Eu sei e esse é o meu receio. Por isso, estamos tomando providências e procurando outros canais. Até porque a espionagem hoje é muito mais eletrônica do que com James Bond. Se você puder nos ajudar, eu agradeço muito.
- Vou tentar ... mas, sobre o que você queria conversar?
Alexandre engoliu seco.
- Ontem ... primeiro quero pedir desculpa. Aquilo foi de uma grosseria imperdóavel e me mostrou muito a meu respeito. Essa profissão nos embrutece um bocado. Lidamos com um lado da humanidade que a maioria das pessoas desconhece. Temos que ser profissionalmente desconfiados, paranóicos e violentos muitas vezes. Se não ficarmos muito atentos, cometemos absurdos como o de ontem. Tenho passado por experiências reveladoras, já lhe contei sobre a minha quase morte. Outra dessas experiências reveladoras foi conhecer você. Não estava procurando ou sequer vislumbrando algo assim na minha vida. Ao contrário, estava até evitando qualquer relação que passasse do trivial rápido. Por isso, foi um choque e, por um segundo, perdi a cabeça. Talvez até pela contradição que se estabeleceu. A razão me dizia que não queria se envolver, mas meu coração não ouvia. Sou inexperiente nessa área. Meti os pés pelas mãos. Você poderia me perdoar?
- Alexandre, não procure pela perfeição nas pessoas. Se fôssemos perfeitos, não estaríamos aqui. A vida é aprendizado e só se aprende errando. É claro que te perdôo. Eu também cometo erros e acho que o mais importante é ter consciência deles, saber qual foi o erro e porque o cometeu. Está dado o primeiro passo para corrigi-lo. Exatamente como você está fazendo agora. Não vou dizer que não me decepcionei. Eu havia criado uma expectativa para aquela noite. Mas, isso é um problema meu. Você não sabia da minha expectativa. É que as mulheres são sonhadoras românticas mesmo, querem que tudo seja perfeito e que os homens correspondam a todas as nossas fantasias. É complicado, eu sei ... e eu também tenho a minha história. Há pouco mais de um ano eu estava noiva com casamento marcado e peguei meu noivo com minha melhor amiga. Foi arrasador. Como você, não estava procurando por nada, mas tenho sentido um calor aconchegante no coração desde que te conheci e não sei o que fazer ...
- Sei que não é possível esquecer, mas será que poderíamos recomeçar a partir daqui?
- Esquecer não é possível, mas é possível escolher o que prefiro lembrar. E eu quero lembrar desse Alexandre de hoje, sincero, arrependido, disposto a fazer o melhor, carinhoso, atencioso, gentil, um homem ... como se diz aqui? ... bacana.
Alexandre estendeu a mão e segurou a mão de Lígia. Os olhares se procuraram, se encontraram e se fixaram. Os rostos foram se aproximando e um esbaforido Dr. Hamilton entra correndo no restaurante.
- Alexandre! Alexandre!
- O que foi?
- Acho que encontramos o Gaston ... arf ... arf ...
- Você reconheceu o Gaston?
- Quase isso ... arf ... arf ... o corpo está bem danificado ... arf ... arf ... mas várias características estão batendo ... arf ... arf ...
Hamilton pegou uma das taças, encheu de vinho e virou de um só gole.
- Você recolheu material para o exame de DNA?
- Já está na embalagem.
- Quando podemos ter o resultado?
- Em três ou quatro dias ...
- Lígia, para onde podemos enviar o resultado?
- Aqui no meu cartão tem todos os telefones e endereço de e-mail.
- Pode deixar que eu mando assim que sair.
- Valeu Hamiltão. Agora, precisamos retornar a Brasília o mais rápido possível.
- Tem um jatinho saindo em uma hora.
- Lígia ...
- Eu entendo. Vá arrumar suas malas. Eu levo vocês até o aeroporto.
Na pista do aeroporto, o jato está com as turbinas ligadas. Alexandre e Lígia se despedem.
- Assim que vocês me enviarem o resultado do DNA, vou procurar algumas pessoas que conheço no serviço secreto e que me devem um ou dois favores. Vamos ver no que dá.
- Obrigado mais uma vez Lígia ...
- Quando puder, venha me ver em Paris ...
- Não importa o que aconteça, espere por mim.
- Vou esperar. Eu quero que você venha ...
Alexandre não deixou que ela terminasse a frase. Os dois se beijaram apaixonadamente.
♦♦♦
Está ficando difícil manter o nível de surpresas nessa Blog-Novela porque as leitoras são muito espertas ou eu é que não sei mesmo como funciona cabeça de mulher. Acho que são as duas coisas : ) Mas, a ajuda de vocês está sendo valiosíssima! E, pelo jeito, continuarei precisando, principalmente nos detalhes de roupas e comportamentos femininos. Portanto, não me deixem só!
Parece que Alexandre e Lígia finalmente conseguiram se acertar. Vamos ver ... afinal, esse negócio de relação à distância tem pouquíssimas chances de dar certo. O desgaste é alto. O que vocês acham? Façam suas apostas! E o DNA? Vai confirmar a identidade do assassino Gaston Perrin? Êita caso complicado! Ainda tem a confusão política em Brasília. Alexandre estará seguro? Até quando? Emoções ...
E como diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço! Bom café!
Não que eu tenha essa veneração toda por futebol, mas aproveitei os laços de amizade com a Argentina, a Copa América, minha paixão pelo café e trouxe uma receita de Mousse de Café, tirada de uma antiga publicação que as traças estavam começando a traçar.
Estava acompanhando ontem, a jogo do Brasil com a Venezuela, pela Copa América, na Argentina, quando me lembrei de revirar minha biblioteca e folhear El Libro de Cocina, Femirana, editado em Buenos Aires, em 1969. E não é que encontrei uma receita de Mousse de Café?
Quem sabe os brasileiros que estão acompanhando a seleção possam preparar essa receita que, com certeza, tem bons ingredientes para aquecer o frio argentino dessa época e esfriar o calor do inferno recifense.
Pois bem, vamos preparar uma Mousse de Café, para seis pessoas e que leva só dez minutinhos.
Você vai precisar de 2 copos de creme de leite
Meio copo de açúcar.
Uma pitada de sal
E meio copo de café forte.
Em um pirex, bata o creme de leite, o sal e o açúcar até ficar bem espesso.
Junte o café e bata mais uma vez.
Deixe repousar na geladeira e sirva às suas visitas. Você vai fazer sucesso e ainda vai dizer que essa receita foi publicada pela primeira vez, em 1969, numa revista argentina chamada Femirama, que nem existe mais.
A revista não existe, mas eu fiz questão de lembrar a receita para unir, argentinos, café mousse e Copa América.
De quantos motivos você precisa, para tomar um cafezinho? O escritor Darcy Roberto Lima escreveu pelo menos 101, no livro publicado no ano passado pela Café Editora.
A pesquisa do médico e escritor não está direcionada somente aos apaixonados pelo café não. Darcy Lima trata de estudos inéditos sobre os benefícios dessa maravilhosa bebida, publica "causos", receitas e a história dos grãos em diferentes países. É nesse livro que está publicado levantamento concluindo que café ajuda a prevenir o câncer, a obesidade, a gripe e é bom até para o coração.
Mas, 101 Razões para Tomar Café não é um livro que fala somente dos benefícios para cuidar da saúde. O autor se apropria de uma linguagem bem humorada para falar da cultura do café, comparações com outras bebidas, enfim, desperta no leitor o interesse próprio em descobrir por que tanta gente gosta de café.
Por isso, da próxima vez que for tomar um café, não invente desculpa. Crie seu próprio motivo.
Espero que vocês estejam gostando dessa Blog-Novela. Estou me esforçando, porque meu processo criativo é confuso. Quando começo a escrever, é rápido. Mas, até chegar lá, enrolo um bocado. A parte difícil é começar. Antes de escrever a primeira letra, leio os e-mails, passeio pelo Twitter, pela internet, arrumo uma coisa, arrumo outra, leio uma revista.
E o pior é que quando termino um capítulo, não tenho a menor ideia do que vai acontecer no capítulo seguinte. Ou melhor, tenho apenas uma vaga ideia. A partir dela, vou construindo com o que aparece na minha cabeça enquanto escrevo. Às vezes, paro no meio, ou vou ler os e-mails, passear pela internet, dou uma olhada no Facebook e volto a escrever.
Como vocês viram é confuso mesmo, mas ao mesmo tempo é uma prazer indescritível ficar zanzando pela imaginação, onde tudo é possível. Ah, esqueci de dizer que sempre escrevo ouvindo uma rádio americana que só toca Blues : )
Agora, reitero o pedido de colaboracão, ajuda, comentários, críticas, dicas, sugestões etc. É tudo muito benvindo e bem aproveitado. Incorporo isso ao meu processo criativo. A sobrevivência de um blog está na interação com os leitores e se alimenta dos comentários deixados lá.
Mas, vocês já devem estar prontos para ler o nono capítulo de "Morte na Esplanada", sempre preparando antes uma caneca fumegante de qualquer coisa, vestindo um pijama de flanela ou seda (depende do seu humor), um edredon e o som ligado no computador para ouvir a trilha sonora de hoje. Divirtam-se!
Morte na Esplanada
Capítulo 9
O delegado Alexandre Dantas está em Fernando de Noronha, onde acompanha o resgate de destroços e corpos do vôo 447 da Air France que caiu no meio do Oceano Atlântico. Ele está interessado apenas em saber se o assassino Gaston Perrin estava naquele avião. Dr. Hamilton o acompanhou e ajuda nas autópsias.
Mas, lá na ilha, ele conheceu Lígia Dupont, a investigadora da companhia responsável pelo seguro das aeronaves da Air France. A beleza daquela mulher causou comoção entre os homens que trabalham no resgate. O delegado e a investigadora se encontram na praia e se falam pela primeira vez.
- Posso me juntar a você?
- Claro ... fique à vontade ...
Lígia caminhou calmamente até onde Alexandre estava e sentou ao seu lado, bem próximo. A brisa constante soprava e atravessou os cabelos dourados da investigadora. Imediatamente, trouxe até o delegado a discreta e suave fragância de um perfume.
- J'Adore, de Dior ... inconfundível - pensou Alexandre, enquanto fechava os olhos e lembrava das ruas de Paris nas tardes de Outono.
- Você escolheu um belo lugar para meditar.
Alexandre abriu rapidamente os olhos.
- É ... eu venho aqui todas as manhãs para pensar um pouco, organizar as ideias, antes de começar a trabalhar. Melhor, começar a angústia da espera.
- E o que você está esperando?
- Espero confirmar a presença de um suspeito naquele avião.
- Você é policial?
- Sou delegado da Polícia Federal brasileira.
- Ontem, quando cheguei no centro onde estava ocorrendo a reunião, achei engraçada a forma como me apresentaram a todos e ninguém se apresentou a mim.
- Acho que foi porque tinha muita gente e a reunião já havia começado ... -Alexandre não falou sobre o efeito paralisante que ela havia causado em todos os presentes, mas certamente já sabia disso.
- Esse suspeito fez o que? Se é que posso perguntar ...
- Ele é suspeito do assassinato de uma ministra de estado.
- Ah ... Li algo a respeito. Se não me engano, ela era ministra de ... de ...
- ... Assuntos Femininos.
- Sim! Assuntos Femininos! E que assuntos seriam esses?
- Eu realmente não saberia lhe dizer (risos).
Lígia continuou perguntando e Alexandre resumiu toda a história aos fatos mais importantes e que já eram de conhecimento público. Em seguida, o delegado mudou o rumo da conversa.
- Mas, onde você aprendeu a falar português tão bem?
- Sou filha de mãe brasileira e pai canadense. Minha mãe fazia questão que eu falasse as duas línguas. Nasci em Quebec e meu pai é de um pequeno distrito chamado Pointe du Lac. Ele foi estudar em Quebec, onde conheceu minha mãe. Os dois se casaram e foram trabalhar na mesma empresa, uma multinacional francesa do ramo petroquímico. Quando eu tinha quatro anos de idade, meus pais foram transferidos para a sede da empresa e fomos morar em Paris. Aos 13 anos de idade, meu pai foi designado para a direção da filial no Brasil, onde fiquei até os 18 anos. Depois retornamos a Paris, onde moro hoje.
Alexandre acompanhava o relato como se ouvisse uma sonata de Mozart.
- Essa empresa não tem nada a ver com seu sobrenome, né?
- Não, não! (risos) Esse sobrenome é bem comum na parte francesa do Canadá. A família do meu pai começou com os primeiros colonos franceses que chegaram à região onde hoje é Pointe du Lac. Você já tomou café da manhã?
- Ainda não. Só tomo café depois que medito um pouco por aqui.
- Podemos tomar café juntos? Eu trouxe a minha cafeteira French Press, caso não tivessem aqui.
- Eu trouxe café especial em grão, vendido numa cafeteria lá de Brasília, e moedor. Também comprei uma French Press. Graças ao caso da ministra, estou aprendendo a gostar de bons cafés. Sem veneno, claro (risos).
- Ótimo! Adoro os cafés brasileiro e africano. Quero experimentar esse que você trouxe. Podemos ir então?
- Será um prazer.
Após a reunião de praxe no final da tarde, Lígia se aproximou de Alexandre.
- O que se faz aqui à noite?
- Não há muita coisa para se fazer mas, se você gosta de dançar, tem um forró muito bom.
- Você dança?
- Não sou dançarino profissional, mas arrisco uns passos. Você gostaria de ir comigo?
- Que hora?
- Jantamos às 20h e vamos em seguida. Está bom assim? - ousou Alexandre.
- Está ótimo! Nos encontramos no saguão da pousada? - Lígia não conseguiu evitar o rubor que tomou conta do seu rosto.
- Perfeito.
Alexandre achou que nada conseguiria ofuscar a beleza de Lígia naquela noite. Ela surgiu no saguão da pousada simplesmente deslumbrante. Seu corpo estava coberto por um vestido simples de algodão com estampas de pequenas flores azuis, leve, sem mangas e com um decote que deixava parte do colo à mostra. Ela contou que comprara o vestido numa pequena loja local, a Ilha Artes. Era a típica roupa para turistas, mas nela o vestido obteve a mais perfeita tradução da beleza.
Os cabelos presos num coque atrás da cabeça, com alguns fios soltos nas laterais e uma flor do lado direito, emolduravam um rosto que beirava o divino. O baton vermelho dava um toque sensual. Nos pés, um par de sandálias Havaianas brancas e azuis, que ela achou baratíssimo em relação ao preço cobrado na França. Era uma visão suavemente perfumada.
Alexandre trajava uma calça de linho branco, uma camisa azul de mangas curtas e estava boquiaberto.
Para o jantar não havia muitas escolhas e Alexandre optou pelo Restaurante Maravilha, da pousada de mesmo nome onde estavam hospedados. Além disso, era considerado o "melhor da ilha". A atração principal dos restaurantes - e não poderia ser diferente - são os frutos do mar e Lígia fez questão de pratos da culinária regional. Assim, a entrada foi uma porção de bolinhos de carne seca e uma salada de camarões e manga.
Em seguida, Lígia escolheu o peixe do dia assado em crosta de castanha de caju, servido com molho de manteiga cítrica e caponata de legumes. Alexandre optou pelo peixe da ilha com salada de feijão verde e côco, farofa de cuscuz e molho pesto de coentro e castanha de caju. Claro que a investigadora experimentou o peixe do delegado também.
Para acompanhar os pratos, decidiram por um vinho branco brasileiro. A escolha recaiu sobre o Chardonnay Premium 2008, da Casa Valduga, que a investigadora adorou. Os dois conversaram bastante em francês, para que Alexandre matasse a saudade do som das palavras.
Lígia disse que não queria sobremesa, mas comeu mais que a metade do cheesecake com crosta de granola, coberto por calda de pitanga colhida no jardim da pousada e sorvete de creme, escolhido por Alexandre. Prevenido, ele havia solicitado ao garçon que trouxesse duas colheres junto com a sobremesa.
Após o jantar, caminharam um pouco pelo jardim. Como a pousada fica numa posição elevada, o visual é simplesmente fantástico. Dali puderam ver a lua prateada nascendo e iluminando o mar sem fim. Devido à pouca iluminação artificial, o céu se apresentava absurdamente estrelado.
Alexandre não resistiu e ... cometeu o erro dos apressados.
- Lígia, vamos deixar esse forró pra lá e vamos para o meu quarto ...
- O que é isso Alexandre? Acho que você bebeu demais. Que tipo de mulher você está pensando que sou?
- Ah, deixa disso ... somos dois adultos ...
- Não! Aqui tem uma adulta e um menino que não consegue se segurar. Boa noite!
Lígia saiu em direção à pousada sem olhar para trás. Alexandre lá ficou, em pé no jardim, meio atordoado com a reação. Passando as duas mãos pelo rosto até o alto da cabeça ele exclamou:
- Merda! Fiz merda ... - lamentou o inconsolável delegado.
Lígia bateu forte a porta atrás de si. Parou no meio do quarto e olhou em volta. Seus olhos projetavam a mais sentida tristeza. Sentou-se na beira da cama, suspirou, escondeu o rosto entre as mãos e chorou.
♦♦♦
Pô delegado! Que pisada feia na bola ... E agora? Será que tem conserto? É difícil saber o que vai pela cabeça das mulheres. E vocês sabem? Eu já desisti de descobrir porque assumo que sou incapaz de tal tarefa : ) Mas, o delegado foi dar uma de Wando logo com uma mulher inteligente, independente e civilizada? Uma mulher de sonho! O que esse cara tem na cabeça? Vamos esperar que o destino trace os caminhos para que os dois se reencontrem? Ou não? Aguardo seus comentários para solucionar o problema.
E como diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço! Bom café!
Nós, aqui do Café & Conversa, resolvemos fechar, como se diz no futebol, com chave de ouro a série de receitas de Santo Antonio, São João e São Pedro, falando em nossa coluna diária na CBN Recife, da Cocada de Café.
Finalzinho das festas juninas, a gente que passou esse período escrevendo receitas à base de café, pulando fogueira e casando mesmo de mentirinha, hoje trouxemos a colaboração da estudante de Jornalismo, Andrea Felinni, de Pedra Azul, no interior do Espírito Santo. Nossa ouvinte ouve rádio o tempo todo e escuta a CBN Recife, pela internet e acabou mandando e-mail recomendando fazer cocada de café.
Olha, eu confesso que a Andrea, que tem sobrenome de diretor de cinema e curiosidade pelo mundo do rádio, vai dar uma boa contribuição para a gente encerrar essa série de receitas para as festas juninas.
Então, você vai precisar de ...
-1 kgde açúcar
- 1 pacote de coco ralado
- 1 lata de leite condensado
-100gde margarina
- 1/2 copo de café bem forte
Preparo
Leve todos os ingredientes ao fogo numa panela e mexa com uma colher de pau até soltar do fundo. Forre a bancada pia com margarina e coloque o conteúdo da panela sobre a bancada. Com uma faca, corte a cocada em formato de losango. Espere esfriar para servir e comer.
Nesta quinta-feira (30) é dia, quer dizer, é noite de um campeonato saudável, cheio de novidades. É quando os baristas preparam suas ferramentas de trabalho - xícara, leite vaporizado e café e vão participar do TNT – sigla que em inglês quer dizer, Thursday Night Throwdow.
Sempre na última quinta-feira do mês, o TNT - essa competição amigável - serve para que os baristas mostrem aos clientes o que estão aprendendo principalmente na arte de fazer desenhos nas xícaras de cappuccino.
Em Brasília, este mês, o TNT vai ser no Rayuela Restaurante Cultural, Livraria e Bistrô • 412 Sul Bls. A e B Ljs. 3 e 37
Segundo o portal da Revista Espresso, em outras capitais rola TNT nas seguintes cafeterias:
Romoaldo de Souza e Ricardo Icassatti Hermano são jornalistas especializados em política, sendo que Ricardo também é barista e provador amador, e Romoaldo é juiz oficial da Associação de Baristas do Centro Oeste. Descobriram o interesse comum e passaram a procurar em Brasília uma cafeteria onde pudessem realmente degustar um bom café e conversar sobre política e a vida. Nesses encontros surgiu a idéia de um blog que auxiliasse as pessoas a tomar um bom café e, se possível, ajudar a desenvolver o mercado interno para os cafés especiais. Além, é claro, de "conversar" sobre os assuntos e as pessoas do momento.