Nossa leitora Rita Sardi passou uns dias no Norte, trouxe de lá amêndoas e agora, quer saber como harmonizá-las com café. "Que tipo de café combina com amêndoas?", quis saber a jornalista. A explicação está no podcast logo aí abaixo.
Que similaridade pode existir entre café, cardamomo e Cleópatra? Tudo. Cleópatra foi uma das mais influentes mulheres da história. Cardamomo é uma especiaria usada, como tempero, mesmo antes de Cristo. E, como perfume, pela Rainha do Egito.
E aí você vai perguntar: "Sim, mas e o café"?
Escute esse podcast que a gente fez, especialmente para seduzir você.
Depois de uns dias no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha, voltamos a ação. Lígia e Alexandre passaram por duras provas em suas vidas, mas reencontraram motivos para amar. Até porque ambos conhecem a dor, o prazer e querem conhecer o amor. Não aquele amor idealizado, mas o de verdade. Esse é difícil. Se você tem, segure com as duas mãos. Se não tem, não perca a esperança : )
O cenário é perfeito. Conheço bem o arquipélago e posso dizer que é um dos poucos lugares do mundo feitos para iniciar um romance. Tudo é tremendamente bonito e inspirador. Me lembra quando visitei a ala dos impressionistas no Museu do Louvre e percebi claramente nas telas de Paul Gauguin o que ele viu e o fez ficar para sempre no Tahiti.
Com os recentes acontecimentos na política, muita gente está se perguntando se a Blog-Novela imita a vida ou se a vida imita a Blog-Novela. Não é incrível? Quando eu começo a achar que a imaginação é uma loucura sem limites, a realidade vem e me surpreende.
Mas, agora é hora de preparar a sua caneca cheia de algo quente, cheiroso e gostoso. Afinal, ainda estamos no Inverno e o frio está pegando. Vista o seu pijama de flanela ou seda vermelha e calce as meias para não matar alguém de susto com os pés gelados. Enfie-se debaixo do edredon, ligue o som do computador e nem pisque ao ler as aventuras mirabolantes de "Morte na Esplanada", a sua Blog- Novela imperdível. Divirta-se!
Morte na Esplanada
Capítulo 11
O delegado Alexandre Dantas reuniu sua equipe na cafeteria Grenat Cafés Especiais. Havia novidade e ele precisaria ainda fazer um relatório para o diretor Miguel Brochado, que estava cobrando. Gabriel foi o primeiro a falar.
- Meu pessoal conseguiu entrar nos computadores do serviço secreto francês.
- Como vocês conseguiram isso? Não vai dar nenhuma complicação não, né?
- Pode ficar tranquilo. A gente entra e sai de um jeito que apaga todos os rastros. Ninguém nem percebeu.
- Mas, o serviço secreto? Esses caras devem ter tudo blindado, protegido.
- Tem nada. Isso é o que todo mundo acha. Lembra dos computadores da Abin? Os caras guardavam pornografia neles. Se você soubesse como os governos são desleixados com a segurança ... acho que é coisa de serviço público mesmo. Os caras bons de verdade estão trabalhando em empresas de ponta e ganhando bem.
- Peraí ... mas, você é funcionário público e também consegue invadir computador do serviço secreto francês.
- Mas, eu vivo no Brasil, né? Eu só aproveito as oportunidades. A Polícia paga meus estudos. Senão eu não teria condição, como têm os estudantes americanos e judeus. Eles têm contato com tecnologia de ponta desde criança e acesso à informação na própria escola. É outro mundo.
- E o que vocês conseguiram?
- Pegamos a ficha completa do Gaston Perrin. Você sabe que todo agente do serviço secreto tem que ser completamente identificável. Assim, o arquivo dele tem uma ficha médica completa para que possa ser identificado de todas as maneiras possíveis. Tem tudo sobre o sangue dele, por exemplo, arcada dentária, cicatrizes, tatuagens, sinais, impressões digitais, biotipia e o DNA.
- É disso que precisamos para comparar com o nosso exame.
- Já fiz isso - disse o Dr. Hamilton.
- E aí?
- Bateu 100%. O corpo que foi resgatado é dele mesmo.
- Então, a nossa investigação empacou?
- Ainda não - adiantou-se Gabriel.
- Desembucha ...
- O Gaston não estava mais no serviço secreto.
- Não?
- Não. Ele saiu de lá há três anos e foi trabalhar numa grande empresa de segurança particular chamada Vukan, que trabalha com espionagem industrial e segurança pessoal de empresários, banqueiros e autoridades governamentais.
- Tipo a Blackwater americana?
- Não, a Blackwater trabalha com mercenários no Iraque e no Afeganistão. Essa empresa até emprega mercenários, mas não trabalha com guerra. O negócio da Vukan é mais civil e contrata pessoal de vários serviços secretos. Tem gente do Mossad, do MI-6, da CIA e por aí vai.
- Isso quer dizer que alguém contratou a empresa para matar a ministra? E por que essa Vukan se envolveria no assassinato de uma autoridade estrangeira? O cliente que pagou pelo serviço deve estar muito bem escondido.
- Vocês conseguem hackear essa empresa?
- Impossível. Aí vamos entrar naquele nível que te falei. Ali, o pessoal realmente toma conta da segurança dos computadores. Impenetrável.
- Bom , mas com essas informações já podemos continuar a investigação. Gabriel, é melhor não enviar o nosso exame de DNA e a ficha médica do Gaston para a Lígia. Ela pode correr perigo tendo esse material. Essa gente é extremamente perigosa. Vamos ver se conseguimos mais alguma coisa sobre essa empresa Vukan. Vamos conhecer melhor o nosso inimigo.
- Também consegui encontrar a câmera oculta no gabinete da ministra.
- Conseguiu recuperar alguma coisa?
- Como a gente suspeitava, tinha a gravação do Gaston entrando no gabinete e servindo o café envenenado.
- Passa aí pra gente ver.
Gabriel abriu seu laptop e acionou o vídeo. Nele era possível ver a ministra ao telefone. Gaston disfarçado de dona Carmelita entra na sala e coloca a xícara de café sobre a mesa. Falando alto, Sueli Sandoval sequer olha para Carmelita, que sai em seguida. A ministra pega a xícara e para a meio caminho da boca. Fala mais um pouco. Traz a xícara até os lábios, afasta novamente e dá uma risada. Fala uns palavrões, concorda com alguma coisa. Desliga o telefone e toma o café. Cinco segundos depois ela engasga, leva as mãos à garganta. O corpo chacoalha, se retesa na cadeira. Sua cabeça tomba para trás. Seus olhos se esbugalham. O corpo treme e aos poucos vai se aquietando. O último suspiro sai da sua boca com um ruído apavorante. Ela tem espuma nos cantos da boca.
Dez minutos depois, entra a verdadeira dona Carmelita. Distraída, coloca a xícara sobre a mesa e estranha a presença de outra xícara ali. Ela finalmente olha para a ministra. Fica estática. Olha para os lados. Esfrega as mãos no vestido. Olha para os lados. Seu rosto aparenta medo e confusão mental. Ela sai devagar, andando de ré, e desaparece da cena. Em seguida, o grito horripilante que gelou o sangue de toda a equipe e de alguns fregueses nas mesas próximas.
- Rapaz, que grito escroto esse ... (risos nervosos de todos). Tem mais alguma coisa?
- Tem vários dias gravados, reuniões e até sexo ...
- Sexo?
- É, a ministra pegando uma outra mulher.
- É uma das assessoras? Cadê? Mostra aí - se apressou Rômulo.
- Não, essa é uma nova. Não tinha visto ainda.
- Nem naquelas festas e orgias?
- Ainda não assisti tudo, mas está parecendo uma jornalista que foi fazer uma entrevista ...
- Então deixa o vídeo comigo que vou dar uma olhada com mais calma nisso em casa.
- Aaaaaaah ... (todos ao mesmo tempo)
- O que é isso, moçada? Faz parte da investigação ... (risos) Agora, tenho que fazer meu relatório para o Brochado. Vamos nos concentrar na Vukan. Estou pressentindo mais perigo pela frente.
Após mais um relatório sobre os últimos acontecimentos - exceto a parte dos hackers e o vídeo do gabinete -, Alexandre foi para casa assistir o tal vídeo. Pegou uma garrafa de cerveja na geladeira e espetou o pen drive na televisão de LCD. Sentou-se no velho sofá e assistiu a ministra Sueli Sandoval iniciar uma entrevista com a jornalista Mércia Trancoso. As duas sorridentes sentadas em cadeiras, frente a frente, falando sobre preconceito contra a mulher, violência contra a mulher, tudo contra a mulher.
- Coitadas dessas mulheres. Parece que não fazem outra coisa na vida que não seja apanhar, serem subjugadas, preteridas, enganadas, mal tratadas, espoliadas e escravizadas. Que mundo cruel. Olha só essas duas aí como são discriminadas -resmungou entre um gole e outro de cerveja.
A jornalista não era linda, mas também não era feia. Morena de cabelos curtos, tinha um belo corpo e atitude. A boca se destacava no rosto angulado, lábios carnudos. Os olhos negros pequenos e sempre semi cerrados lhe davam uma languidez felina. Mas, não de uma gata de raça bem cuidada e sim de uma gata vira-lata com boa pelagem. Trajava uma blusa de seda cor de rosa clara, botões de madrepérola, mangas compridas dobradas, e calça jeans. Claramente não usava soutien, pois os bicos dos pequenos seios apontavam quase para o teto. A ministra não conseguia tirar os olhos deles.
Alexandre anotou mentalmente que precisaria se informar mais sobre a jornalista.
Em determinado momento, a entrevista acabou. Mas, a conversa entre as duas continuou. Aos poucos, Mércia percebeu o interesse de Sueli e se aproveitou da situação. Colocando-se em determinadas posições, deixava aparecer aqui e ali um pouco daquilo que tanto chamava a atenção da ministra. Segundos depois, Sueli pulou sobre a repórter, que se afastou rapidamente e fingiu estar assustada. A ministra investiu novamente. Outra vez Mércia se afastou o suficiente para que Sueli continuasse avançando.
Em seguida, Sueli corria pelo gabinete atrás de Mércia, que se atirou sobre o o sofá. A ministra se atirou sobre a repórter. Botões de madrepérola voaram pela sala. O que aconteceu depois todo mundo já sabe. Parecia música de Roberto Carlos: roupas pelo chão, amantes se encontram, aquelas coisas da sacanagem "romântica". Consumado o ato, a ministra convidou a repórter para passarem juntas o final de semana. Ela ainda se fez de difícil, mas o convite foi aceito. Alexandre foi dormir nervoso com tanta criatividade.
No dia seguinte, o delegado estava em seu escritório quando Pablo veio lhe avisar que a imprensa estava ali à sua procura. Alexandre pediu a ele que mandasse entrar.
- Bom dia delegado Alexandre. Meu nome é Mércia Trancoso, do jornal Notícias do Brasil - apresentou-se a repórter com olhar lânguido e estendendo a mão. Ela vestia a mesma blusa de seda cor de rosa clara.
♦♦♦
Éééééé ... a coisa esquentou para o lado do delegado. Qual será o papel dessa nova personagem na trama? Alexandre resistirá aos encantos de Mércia? E ela? Vai usar seu poder de sedução no delegado? E o resto da equipe com os ouvidos colados na porta? Ou vocês acham que o Gabriel não fez cópias do vídeo para todo mundo? E vocês? O que acham? Vai dar praia?
A leitora Telma Monteiro me alertou para a falta de uma descrição física do delegado Alexandre. Foi uma falha minha. Mas, sempre é tempo de corrigir. E vocês poderão me ajudar nisso também. Coloquem no espaço aí embaixo para comentários como vocês vêem o delegado, quais suas principais características físicas, tipo de roupa que veste etc. Botem a imaginação para funcionar!
E como recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço e bom café!
Paulo da Vilia mora em Camaragibe, na Região Metropolitana de Recife, e disse que passou uns dias no interior do estado, no agreste, mais precisamente. Ele trouxe de lá uma boa variedade de grãos e não sabe como guardar o café.
Fez bem nosso ouvinte Paulo da Vilia ao comprar café em grão, que é muito mais fácil de ser acomodado e aí você vai moendo cada vez que for passar um cafezinho em casa.
Agora, a gente sabe que nem todo mundo tem um moedor em casa e se o seu café já estiver moído, guarde em um recipiente bem fechado – que não receba luz. Por isso, é bom guardar numa lata. Dentro da geladeira.
É que tanto a luz natural como a artificial aceleram a oxidação do café e quando os grãos ou mesmo o pó se oxidam, os óleos perdem o poder de preservar aromas e sabores. Por isso, café deve ser guardado longe da luz.
Hoje, nós tratamos desse assunto, na CBN Recife. Faça um clique aqui e escute o podcast.
Será que você precisa, mesmo, de tanta sofisticação para fazer um bom café na sua casa? Para receber os amigos? O segredo de um bom café tem a ver, também, com a forma como você prepara, que cafeteira usa etc.
Suzane Durães, moradora do bairro de Afogados, em Recife, disse que não pretende aposentar, "nem tão cedo" o coador. Então, sendo assim, a melhor alternativa ainda é o coador de pano.
Está cada vez mais claro que nosso objetivo é levar mais pessoas a consumirem bons cafés. Hoje, na CBN Recife, falamos de uma pesquisa feita por cientistas franceses, em parceria com a Universidade São Paulo (USP), com mulheres que têm o costume de tomar café após o almoço. A conclusão é de que elas estão mais distantes de desenvolver doenças como câncer e diabetes tipo 2.
O podcast também fala do costume, nem sempre republicano, dos restaurantes que se esmeram no cardápio, mas negligenciam no café que servem após as refeições.
Assim não dá! As leitoras da Blog-Novela estão desenvolvendo poderes telepáticos ou se tornando videntes, porque ou estão lendo meus pensamento ou adivinhando o futuro. Estão descobrindo até o pouco que consigo imaginar para o próximo capítulo. Assim vocês me dão muito trabalho ... para enganá-las com reviravoltas mirabolantes : )
Mas, eu vou tentar. Quem mandou inventar de escrever Blog-Novela, né? Agora aguenta. As sugestões são todas fantásticas. Vou aproveitar bastante porque coincidem com a direção que eu já vinha imaginando. Agradeço a ajuda valiosa das colegas de trabalho Isabela, Elina e Paola; das jornalistas Raquel Alves e Luciana Cobucci; e das fiéis leitoras Telma Monteiro, Lígia David, Memélia Moreira, Marven Braga, Nora Sinátora e Adriana Zapparoli.
Todas têm me ajudado bastante na composição das personagens femininas e das masculinas também, trilha sonora etc. Além, é claro, das mulheres que me inspiraram e em quem me baseio na hora de criar as personagens. Tanto as deslumbrantes quanto as bandidas : ) Ééééé ... elas existem ... mas, é tudo ficção, lembrem-se. Apenas pesco uma característica aqui, fisgo outra ali. É um mosaico virtual.
Agora, prepare o seu cafofo, uma caneca de chá, café, chocolate ou sopa, desde que esteja quente. Vista o seu pijama de flanela ou seda vermelha, calce as meias, ligue o som do computador, toque a música da trilha sonora e divirta-se com mais um eletrizante capítulo da minha, da sua, da nossa Blog-Novela predileta!
Morte na Esplanada
Capítulo 10
Alexandre não sabia o que fazer. Sabia apenas que tinha pisado na bola. E feio. Na sua cabeça, a cena se repetia sem parar. Ele tentava descobrir onde estava o sinal que ignorou e que o levou àquela situação absurda. Em algum ponto daquela noite estava a resposta para a grosseria que acabara de fazer com Lígia.
- Eu não sou assim. Eu não sou isso - dizia desesperadamente para si mesmo.
O delegado fechou os olhos e rezou para que tudo fosse apenas um sonho ruim e quando despertasse, encontraria Lígia entrando luminosa no saguão da pousada, acelerando seu coração e tirando todo o ar dos seus pulmões. Com medo, ele abriu vagarosamente os olhos. Parado à sua frente estava o Dr. Hamilton, olhando curiosamente para Alexandre como faz com os cadáveres que examina.
- Estava aqui imaginando por que você estaria dormindo em pé no meio no jardim (risos).
- Porra Hamilton, fiz merda com a Lígia ...
- Com a investigadora francesa? A gatona? O que você fez?
- Pisei na bola ... a gente foi jantar ... ia dançar e aí ... puta que pariu!
- Alex, se você não completar as frases, fica difícil entender o que aconteceu.
- Eu pisei feio na bola ...
- Isso você já disse. Só não explicou ainda.
- Não sei onde eu estava com a cabeça ...
- Calma, ela continua aí em cima do seu pescoço. Por que a gente não vai até o bar da pousada e lá você me conta tudo, hein? Estou precisando repor a minha cota de álcool para conseguir pensar direito e parece que você também.
A conversa seguiu até a madrugada. O porre também foi arrasador. Hamilton foi o amigo que se precisa numa hora dessas. Bebeu junto com Alexandre até não aguentar mais. Pareciam dois irlandeses e não brasileiros. Mas, no meio de tudo isso, o bom doutor sugeriu uma saída viável. Um plano foi traçado e como já era manhã foi logo executado. Depois de alguns litros de café e água, claro.
A cumplicidade de diversos empregados(as) da pousada foi comprada. Os arranjos foram feitos e uma verdadeira operação de guerrilha foi iniciada. Lígia acordou cedo, como de costume, e foi para a praia andar um pouco antes de tomar o seu desejum. Espiões estrategicamente posicionados, seguiram cada passo da investigadora e relatavam por rádio diretamente à central de operações montada no quarto de Hamilton.
- QTC, QTC, central. Carcará chamando. Câmbio.
- QAP, QAP. Como estão indo as coisas por aí, Carcará? Câmbio.
- Batom chegou na praia. Câmbio.
- Okapa, Carcará. Mantenha a vigilância e avise assim que o batom estiver voltando para a pousada. Câmbio.
- Okapa. Câmbio.
Lígia andou por uma hora e retornou à pousada para o café da manhã. O café foi rápido, cerca de 20 minutos. Ao entrar em seu quarto, ficou paralisada na porta. O quarto estava repleto de multicoloridas flores silvestres. Em cima da cama, um envelope escrito à mão: Pardon. Ela não conseguiu conter as lágrimas, que agora banhavam seu rosto por um motivo diferente. Abriu cuidadosamente o envelope. Dentro havia um cartão de Alexandre.
"Ontem, fui um idiota, um egoísta. Você tem todas as razões para nunca mais querer me ver, mas eu jamais me recuperarei se não puder tentar desfazer a má impressão que deixei. Não sou aquele homem, que nem mesmo eu reconheço. Por favor, perdoe o meu comportamento da noite passada e aceite o convite para jantarmos hoje e conversarmos. Alexandre"
Lígia recolocou o cartão no envelope. Pegou sua agenda e inseriu o envelope na página correspondente àquele dia. Em seguida, separou a roupa que usaria no centro de resgate e foi tomar um banho. Um leve sorriso se instalou em seu rosto e lá ficou. Um peso enorme havia sido removido da sua alma.
Os dois só se viram na reunião do final da tarde. O helicóptero do navio de resgate estava atrasado e todos estavam um tanto apreensivos até que o piloto fez contato por rádio e disse que estava a caminho da ilha e chegaria na madrugada ou pela manhã. Trazia mais três corpos. Os últimos. Os trabalhos de resgate na superfície do oceano estavam suspensos devido ao mau tempo.
Alexandre estava especialmente ansioso, pois se aqueles fossem os últimos corpos resgatados significava também que poderia ser a última chance de confirmar a presença do assassino no avião. Foram exaustivos e longos dias de espera na ilha. O prazo final das buscas estava chegando ao fim. Ele foi procurar o Dr. Hamilton.
- Hamilton, essa pode ser a nossa última chance. Quero que você dê prioridade a esses últimos corpos.
- Pode deixar, mas você sabe que nem sempre é possível fazer um reconhecimento visual. Dependendo do estado do corpo, só pelo DNA ...
- Temos que dar um jeito. Se tiver alguém que se encaixe na descrição e na foto que temos, recolha material para o DNA. Vou falar com o Gabriel e ver o que ele já conseguiu por lá.
- Não se preocupe. Ainda vai demorar para esses corpos chegarem aqui e você tem um problema para resolver. Já falou com a Lígia?
- Ainda não. Estivemos ocupados o dia todo com o resgate e aqui não é o melhor lugar para tratar desse assunto.
- Então, meu amigo, vai atrás dela e deixa o resto comigo. Vou ficar por aqui trocando umas ideias com os legistas franceses. Os caras têm uns equipamentos de primeira e um deles também pesquisa venenos. Disse até que conhece meus estudos e que é meu fã. É mole?
Alexandre procurou por Lígia, mas ela havia retornado à pousada logo após o comunicado do piloto do helicóptero. Ele até achou que era melhor falar com ela fora do Centro. Chegando na pousada, telefonou para o quarto dela.
- Oi Lígia.
- Oi Alexandre. Obrigada pelas flores. São lindas.
- Não tanto quanto você ...
- Obrigada ... é um exagero e assim você me deixa sem graça ...
- Mas, é verdade. Você aceita o meu convite para jantar e conversar?
- Eu pensei bastante sobre isso ... e ... tudo bem. Eu aceito o seu convite.
- Às 20h está bom?
- Pode ser 20h30?
- OK. Estarei esperando no saguão.
Alexandre desligou o telefone e se sentiu radiante como há muito tempo não sentia. Pelo menos não desde a sua separação. De lá para cá não se envolveu seriamente com nenhuma mulher. Teve uns namoros rápidos, dois meses no máximo, mas foi só. Houve uma mulher que ele até pensou que poderia dar certo, mas logo percebeu o erro e saiu fora. Desde então, dedicou-se apenas ao trabalho, ao estudo e aos treinos.
Lígia desligou o telefone sorrindo como há muito tempo não sorria, sem sentir e se dar conta. Só percebeu quando se olhou no espelho do banheiro. Seu rosto tinha um brilho diferente, os olhos estavam mais claros. Checou seu corpo e viu que era realmente bonito, com curvas bem delineadas e nos lugares certos. Seios fartos e nádegas firmes. Como toda mulher, gostaria que fosse diferente em alguns detalhes, mas no conjunto era uma belíssima mulher. Ela se cuidava bastante, malhava regularmente e se alimentava de maneira saudável. Não fumava e só bebia como acompanhamento de algumas refeições.
A entrada no saguão foi mais espetacular que na noite anterior. Alexandre mais uma vez boquiaberto e sem palavras. Lígia vestia uma calça jeans e uma blusa branca. Os cabelos soltos e levemente enrolados esvoaçavam a cada passo. Nada mais simples. Nada mais deslumbrante. Todos que estavam no saguão se calaram diante daquela visão. Era o seu poder paralisante. Paris faz isso com algumas mulheres.
- Você está linda!
- Obrigada ...
O jantar transcorreu com amenidades. Falaram sobre o atraso no resgate e outros assuntos relacionados. Claramente estavam adiando o momento de abordar o assunto principal. A conversa entrou pela madrugada. Ele mencionou sua preocupação.
- Talvez essa seja a nossa última oportunidade de achar o assassino. Mas, o reconhecimento não tem sido fácil. A maioria terá de ser feita através de DNA.
- E qual é a dificuldade? Vocês têm como fazer esse exame. não?
- Sim. Apesar de limitado, temos. Mas, o problema é que precisamos do DNA do assassino para comparar com o nosso exame.
- A polícia francesa não pode providenciar isso? Vocês já identificaram o, se não me engano, Gaston Perrin?
- Sim, mas tem um outro problema. Ele é ou era do serviço secreto francês.
- Mon Dieu! Agora entendo a sua apreensão. Mas, talvez eu possa ajudá-lo.
- Como?
- A comunidade de informação se ramifica por várias áreas e de vez em quando trabalhamos juntos. Conheço algumas pessoas e poderia ver se é possível obter o DNA desse Gaston para comparar com o exame de vocês. Caso consigam encontrá-lo, claro.
- Seria de grande ajuda, mas também estamos trabalhando nisso. Os dois governos estão se entendendo a respeito.
Lígia riu.
- Isso pode levar anos e não dar em nada. Serviços secretos não abrem essas informações muito facilmente. Pelo menos não através dos canais oficiais. Tem que ser uma troca muito vantajosa para os dois lados e o Brasil não tem muito o que trocar nessa área. Não está no circuito internacional da espionagem.
- Eu sei e esse é o meu receio. Por isso, estamos tomando providências e procurando outros canais. Até porque a espionagem hoje é muito mais eletrônica do que com James Bond. Se você puder nos ajudar, eu agradeço muito.
- Vou tentar ... mas, sobre o que você queria conversar?
Alexandre engoliu seco.
- Ontem ... primeiro quero pedir desculpa. Aquilo foi de uma grosseria imperdóavel e me mostrou muito a meu respeito. Essa profissão nos embrutece um bocado. Lidamos com um lado da humanidade que a maioria das pessoas desconhece. Temos que ser profissionalmente desconfiados, paranóicos e violentos muitas vezes. Se não ficarmos muito atentos, cometemos absurdos como o de ontem. Tenho passado por experiências reveladoras, já lhe contei sobre a minha quase morte. Outra dessas experiências reveladoras foi conhecer você. Não estava procurando ou sequer vislumbrando algo assim na minha vida. Ao contrário, estava até evitando qualquer relação que passasse do trivial rápido. Por isso, foi um choque e, por um segundo, perdi a cabeça. Talvez até pela contradição que se estabeleceu. A razão me dizia que não queria se envolver, mas meu coração não ouvia. Sou inexperiente nessa área. Meti os pés pelas mãos. Você poderia me perdoar?
- Alexandre, não procure pela perfeição nas pessoas. Se fôssemos perfeitos, não estaríamos aqui. A vida é aprendizado e só se aprende errando. É claro que te perdôo. Eu também cometo erros e acho que o mais importante é ter consciência deles, saber qual foi o erro e porque o cometeu. Está dado o primeiro passo para corrigi-lo. Exatamente como você está fazendo agora. Não vou dizer que não me decepcionei. Eu havia criado uma expectativa para aquela noite. Mas, isso é um problema meu. Você não sabia da minha expectativa. É que as mulheres são sonhadoras românticas mesmo, querem que tudo seja perfeito e que os homens correspondam a todas as nossas fantasias. É complicado, eu sei ... e eu também tenho a minha história. Há pouco mais de um ano eu estava noiva com casamento marcado e peguei meu noivo com minha melhor amiga. Foi arrasador. Como você, não estava procurando por nada, mas tenho sentido um calor aconchegante no coração desde que te conheci e não sei o que fazer ...
- Sei que não é possível esquecer, mas será que poderíamos recomeçar a partir daqui?
- Esquecer não é possível, mas é possível escolher o que prefiro lembrar. E eu quero lembrar desse Alexandre de hoje, sincero, arrependido, disposto a fazer o melhor, carinhoso, atencioso, gentil, um homem ... como se diz aqui? ... bacana.
Alexandre estendeu a mão e segurou a mão de Lígia. Os olhares se procuraram, se encontraram e se fixaram. Os rostos foram se aproximando e um esbaforido Dr. Hamilton entra correndo no restaurante.
- Alexandre! Alexandre!
- O que foi?
- Acho que encontramos o Gaston ... arf ... arf ...
- Você reconheceu o Gaston?
- Quase isso ... arf ... arf ... o corpo está bem danificado ... arf ... arf ... mas várias características estão batendo ... arf ... arf ...
Hamilton pegou uma das taças, encheu de vinho e virou de um só gole.
- Você recolheu material para o exame de DNA?
- Já está na embalagem.
- Quando podemos ter o resultado?
- Em três ou quatro dias ...
- Lígia, para onde podemos enviar o resultado?
- Aqui no meu cartão tem todos os telefones e endereço de e-mail.
- Pode deixar que eu mando assim que sair.
- Valeu Hamiltão. Agora, precisamos retornar a Brasília o mais rápido possível.
- Tem um jatinho saindo em uma hora.
- Lígia ...
- Eu entendo. Vá arrumar suas malas. Eu levo vocês até o aeroporto.
Na pista do aeroporto, o jato está com as turbinas ligadas. Alexandre e Lígia se despedem.
- Assim que vocês me enviarem o resultado do DNA, vou procurar algumas pessoas que conheço no serviço secreto e que me devem um ou dois favores. Vamos ver no que dá.
- Obrigado mais uma vez Lígia ...
- Quando puder, venha me ver em Paris ...
- Não importa o que aconteça, espere por mim.
- Vou esperar. Eu quero que você venha ...
Alexandre não deixou que ela terminasse a frase. Os dois se beijaram apaixonadamente.
♦♦♦
Está ficando difícil manter o nível de surpresas nessa Blog-Novela porque as leitoras são muito espertas ou eu é que não sei mesmo como funciona cabeça de mulher. Acho que são as duas coisas : ) Mas, a ajuda de vocês está sendo valiosíssima! E, pelo jeito, continuarei precisando, principalmente nos detalhes de roupas e comportamentos femininos. Portanto, não me deixem só!
Parece que Alexandre e Lígia finalmente conseguiram se acertar. Vamos ver ... afinal, esse negócio de relação à distância tem pouquíssimas chances de dar certo. O desgaste é alto. O que vocês acham? Façam suas apostas! E o DNA? Vai confirmar a identidade do assassino Gaston Perrin? Êita caso complicado! Ainda tem a confusão política em Brasília. Alexandre estará seguro? Até quando? Emoções ...
E como diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço! Bom café!
Não que eu tenha essa veneração toda por futebol, mas aproveitei os laços de amizade com a Argentina, a Copa América, minha paixão pelo café e trouxe uma receita de Mousse de Café, tirada de uma antiga publicação que as traças estavam começando a traçar.
Estava acompanhando ontem, a jogo do Brasil com a Venezuela, pela Copa América, na Argentina, quando me lembrei de revirar minha biblioteca e folhear El Libro de Cocina, Femirana, editado em Buenos Aires, em 1969. E não é que encontrei uma receita de Mousse de Café?
Quem sabe os brasileiros que estão acompanhando a seleção possam preparar essa receita que, com certeza, tem bons ingredientes para aquecer o frio argentino dessa época e esfriar o calor do inferno recifense.
Pois bem, vamos preparar uma Mousse de Café, para seis pessoas e que leva só dez minutinhos.
Você vai precisar de 2 copos de creme de leite
Meio copo de açúcar.
Uma pitada de sal
E meio copo de café forte.
Em um pirex, bata o creme de leite, o sal e o açúcar até ficar bem espesso.
Junte o café e bata mais uma vez.
Deixe repousar na geladeira e sirva às suas visitas. Você vai fazer sucesso e ainda vai dizer que essa receita foi publicada pela primeira vez, em 1969, numa revista argentina chamada Femirama, que nem existe mais.
A revista não existe, mas eu fiz questão de lembrar a receita para unir, argentinos, café mousse e Copa América.
Romoaldo de Souza e Ricardo Icassatti Hermano são jornalistas especializados em política, sendo que Ricardo também é barista e provador amador, e Romoaldo é juiz oficial da Associação de Baristas do Centro Oeste. Descobriram o interesse comum e passaram a procurar em Brasília uma cafeteria onde pudessem realmente degustar um bom café e conversar sobre política e a vida. Nesses encontros surgiu a idéia de um blog que auxiliasse as pessoas a tomar um bom café e, se possível, ajudar a desenvolver o mercado interno para os cafés especiais. Além, é claro, de "conversar" sobre os assuntos e as pessoas do momento.