terça-feira, 19 de julho de 2011

Morte na Esplanada - Capítulo 14


Ricardo Icassatti Hermano

Pessoalmente atingidos pela canalhada que tentou matar o delegado Alexandre Dantas e sua equipe, Kassatti e Romoaldo partiram para a ignorância (no bom sentido, nada a ver com a nova gramática do MEC). Agora a conversa é outra, a poesia tem outra rima, não tem mais esse negócio de "mimimi", nada de pegar leve, acabou a diplomacia, o bicho vai pegar e a dupla do Café & Conversa vai botar pra F.

São muitos anos de estrada, muita poeira, muita pancadaria no couro, muito rock'n roll na veia, muita luta, muito aprendizado, muitas cicatrizes, muitos amigos, muita quilometragem, muitas histórias. E lá na roça tem um ditado que é o seguinte: "Não mexe com quem tá quieto". E pra piorar, "They fucked with the wrong journalists".

Todo o poder de fogo da dupla agora estava a serviço do delegado e sua equipe para aniquiliar qualquer um suficientemente estúpido para tentar impedir a investigação do assassinato da ministra Sueli Sandoval, a famigerada SS.

Para isso, eles acionaram um amigo, um irmão em armas, do tempo em que a estrada era muito mais perigosa e letal, do tempo em que gente como Miguel Brochado e sua quadrilha já teriam virado couro de pandeiro ou estariam rodando bolsinha em algum cabaré na fronteira com o Paraguai. E amigo é para essas horas.

E aí? Estão gostando? Espero ter causado um monte de calafrios em vocês : ) Até eu já estou com raiva desse Miguel Brochado e sua malta. Daqui pra frente a Blog-Novela não vai dar mole pra mané. Aqui, quem não chora, não mama; aqui, ninguém mija fora do pinico; aqui, escreveu não leu, o pau comeu; aqui, ajoelhou tem que rezar; aqui, tudo tem consequência, não tem lugar para a impunidade.

Então, encham suas canecas com algo bem quente, vistam seus pijamas-ceroulas, calcem as meias, enfiem-se debaixo do edredon, apaguem as luzes, liguem o som do computador e gritem com as aventuras de "Morte na Esplanada", ao som de Bachman Turner Overdrive. Porque o bicho tá pegando ...




Morte na Esplanada

Capítulo 14

O delegado Alexandre Dantas voltou a se encontrar com a dupla do Café & Conversa em meio às obras de recuperação da Grenat Cafés Especiais. Como a gatíssima Gabriela havia prometido, não faltou café para turbinar as reuniões de pauta do blog. Sua mãe, Luciana, também já havia providenciado uma escopeta para ficar atrás do balcão. Disse que não ficou assustada com o tiroteio e que teria reagido se tivesse uma arma. Mulher brava ... baixinha então é fogo!

- Delegado, agora essa briga é nossa também - disse Kassatti.

- Não gostamos nem um pouco dessa história de destruirem a Grenat e colocarem as meninas daqui em perigo, especialmente a Gabriela - emendou Romoaldo.

- Não esqueça das manchas no seu terno risca de giz novo em folha.

- Tem razão. O meu terno ...

- Pelo o que eu vi naquele dia, a ajuda de vocês é muito benvinda. O que vocês podem fazer por nós?

- Vamos colocá-lo em contato com um amigo de outros tempos, quando a gente aventurava pelo mundo em busca de lutas que valessem a pena. A gente ainda continua fazendo isso, mas está difícil encontrar uma luta que valha a pena. No máximo, um entrevero aqui e ali, como naquele dia - disse Kassatti.

- E que amigo é esse?

- Alguém que conheceu a ministra lá no início e poderá apontar o caminho, mostrar o fio da meada para você chegar aonde quer. Nos falamos - disse Romoaldo.

Os três se despediram e seguiram cada um numa direção. Alexandre voltou para junto de sua equipe para saber se havia algum avanço na identificação dos atiradores.

- Alguma novidade dos atiradores?

- São dois matadores do tráfico. Ex-policiais que entram para quadrilhas no Rio de Janeiro, andaram recebendo treinamento das FARC nas favelas. Devem ter sido sub-contratados para despistar a fonte da encomenda - disse Rômulo.

- Já estava desconfiado. Pela sutileza e finesse do atentado ... Se tivesse dado certo, provavelmente iriam nos implicar com o tráfico de drogas. Mortos, como iríamos nos defender?

- As fichas deles na Polícia Militar não dizem muita coisa. Eles saíram de lá há muito tempo. Só umas faltas disciplinares e mais nada. Acho que vamos conseguir mais informações com nossos informantes lá no Rio - acrescentou Gabriel.

- E as notícias na imprensa? Alguma coisa?

- Sobre o atentado, só o trivial e a completa falta de informação sobre os atiradores e a motivação. A sua foto saiu de novo no jornal daquela jornalista.

- Mais alguma coisa?

- Só mais um grande escândalo. Dessa vez, com um figurão lá em Nova Iorque -Gabriel mostra a manchete e a foto do sujeito algemado, um senhor idoso e completamente grisalho.

- O que foi?

- O presidente de um desses bancos internacionais de fomento foi preso. A camareira do hotel onde ele estava hospedado, está acusando o cara de estupro. A polícia pegou o cara dentro do avião. Já estava fugindo.

- Lá nos Estados Unidos não tem lero-lero. Se fosse aqui, esse cara seria escoltado pelo presidente da República até o avião para ir embora e com um pedido de desculpa formal do governo brasileiro - disse Pablo, ajeitando a tipoia.

- Você morou lá um tempo, né?

- Foi na adolescência.

- Como é o esquema lá?

- O cara vai ficar preso. O advogado dele vai pedir ao juiz que estabeleça uma fiança e ele possa responder o processo em liberdade. A Promotoria vai esperar o resultado da investigação policial para apresentar a peça de acusação. Enquanto isso, o cara fica em cana.

- E pelo jeito, vai perder o cargo. Nenhuma instituição de ajuda a países pobres pode ter um presidente tarado estuprando camareiras de hotel. Ficou muito configurado o estereótipo do coroa rico e depravado que abusa da mulher jovem e pobre. Como é que um sujeito desse nível tropeça desse jeito? Já já começa a pipocar outras denúncias contra ele.

- Mas, o cara não é americano. É francês. Ele pode ficar preso? - perguntou Rômulo.

- Os jornais estão dizendo também que o cara é figura de ponta do Partido Comunista francês. Falam até que ele estava cotado para disputar a Presidência da França -completou Gabriel.

- Dentro do território americano não tem conversa. Cometeu crime? Foi pêgo? Vai preso. Ainda por cima em flagrante. Aí é que não tem conversa mesmo. Não interessa se é americano ou estrangeiro. E a justiça é rápida. Não tem essa lerdeza daqui não - disse Pablo.

- Aqui, até terrorista assassino confesso ganha proteção e tem vida boa. Pelo menos, esse escândalo ajuda a abafar um pouco o atentado e podemos investigar com mais calma e sem muita gente pentelhando ou atrapalhando. Vamos à luta?

No dia seguinte, o delegado recebeu um telefonema do blog Café & Conversa. Marcaram encontro numa rádio comunitária localizada no bairro chamado Lago Sul. A rádio tem duas características interessantes: é especializada em rock'n roll e é comandada por um padre.

Kassatti e Rômulo aguardavam o delegado na entrada do pequeno prédio onde ficava a rádio, atrás de uma igreja. Foram até um dos dois únicos estúdios. Através do vidro duplo, puderam ver um padre de bata preta, olhos fechados, com fones de ouvido e dançando alucinadamente ao som da trilha sonora de hoje. Alexandre ficou sem ação diante da cena.

- O que é isso? - perguntou o estupefato delegado.

- É o amigo do qual falamos, aquele que queremos te apresentar e que conheceu a ministra nos tempos da clandestinidade - respondeu Kassatti.

- É esse padre aí quem vai me ajudar?

- O próprio - sorriu Romoaldo.

Alexandre olhou novamente pelo vidro duplo do estúdio e viu em cima da mesa uma placa onde se lia: "Vive la mort, vive la guerre, vive le sacré mercenaire".

♦♦♦

Estamos recebendo colaborações importantíssimas. Vocês nem acreditariam o quanto. Uma delas veio da leitora Elina Rodrigues, que pegou a Blog-Novela já adiantada. Ele sugeriu que disponibilizássemos os links dos capítulos anteriores ao final de cada novo capítulo para facilitar a leitura. Adotamos imediatamente a brilhante ideia : )

Outra colaboração emocionante chegou poucas horas antes de postarmos esse capítulo. A nossa leitora e ativista ambiental de primeira linha, Telma Monteiro, não sabemos como, conseguiu arranjar tempo para ler a nossa Blog-Novela e deixar um comentário. Explico: há três dias, ela e seu marido foram vítimas de um atentado real. Incendiaram criminosamente a área de Mata Atlântica que ela protege e onde fica a sua residência. Por pouco não perdeu a vida.

Continuem enviando suas críticas, sugestões, ideias, sonhos, desejos, dicas, direções, alucinações. Aqui não tem miséria. Aproveitamos tudo! Também não esqueçam de utilizar o espaço reservado aos COMENTÁRIOS, logo aí embaixo. Abaixo dele, o Blogger criou uma novidade. Tem um quadradinho azul com o sinal + e o número 1. Clicando nele, ganhamos prioridade nas buscas do Google. Se você achar que merecemos, por favor clique lá : )

E como nos recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço e bom café!

Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado:














segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vitamina de café


Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

O café parece ter usos infinitos mesmo. Desde sua versão mais simples, o cafezinho coado, até drinques com nomes exóticos. Além disso, o café entra na culinária como ingrediente importante também.

Mas, hoje vamos tratar do seu café da manhã. Você sabia que pode juntar o café com frutas numa bela vitamina batida e conseguir uma bebida altamente nutritiva e energética? Comece o seu dia com todo o pique, especialmente no Inverno friorento que estamos atravessando.

Segue a receita, que é só uma sugestão. Você pode adicionar e misturar as frutas que desejar e, inclusive, aveia. Se você estiver saindo para malhar, acrescente uma dose de proteína em pó. Arrisque, experimente. A vida é uma aventura e com café fica melhor ainda.



Ingredientes
- Suco de 2 laranjas
- Suco de 1 mexerica/tangerina/bergamota
- 1/4 de xícara de chá de café frio
- 1 carambola picada
- 1 fatia grossa de abacaxi
- 1 xícara de chá de mamão formosa picado
- Açúcar a gosto

Preparo
No liquidificador, bata os sucos de laranja e mexerica com café, carambola, abacaxi e mamão. Passe por uma peneira e adoce. Se não gostar dessa vitamina, crie a sua própria mistura com as frutas que mais goste.

Um abraço e bom café!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Café requentado? Nem pensar!


Romoaldo de Souza


Nós pedimos à jornalista Jac Bodzevicius, em viagem por Curaçao, para que pedisse um café da manhã reforçado antes de molhar os pezinhos de princesa nas águas caribenhas.


Hotel cinco estrela, atendimento de primeira, garçons bilingues, mas o café... Bem, escute esse podcast que rodamos hoje, na CBN Recife.




Um abraço e bom café!


Morte na Esplanada - Capítulo 13


Ricardo Icassatti Hermano

O bicho pegou! A coisa ficou séria. Assassinos profissionais estão tentando matar o delegado Alexandre Dantas e sua equipe, os chamados "Intocáveis". Eles estão encurralados numa cafeteria famosa e várias pessoas estão em perigo. Conseguirão escapar dessa? E a jornalista Mércia Trancoso? E o diretor Miguel Brochado? Qual será a responsabilidade dos dois nesse atentado violento?

A Blog-Novela entra em nova fase. Aqui não tem mais espaço para brincadeira e mimimi. Essa é a investigação mais difícil da vida de Alexandre. Ele terá as condições necessárias para desvendar um crime com tantas implicações políticas? E vocês? Querem o que? Qual é a sua opinião? Deixe seu comentário no final do capítulo e ajude a encaminhar essa história.

Agora, como é do nosso costume, prepare-se para atravessar a madrugada com os perigos, tramas, aventuras e fortes emoções da sua Blog-Novela preferida. Esquente a sua bebida, vista seu pijama e as meias. Enfie-se debaixo do edredon, ligue o som do computador para ouvir a trilha sonora e estremeça com "Morte na Esplanada"...




Morte na Esplanada

Capítulo 13

Os tiros pipocavam pelas paredes e as balas estouravam tudo o que encontravam pela frente. Era apenas uma questão de tempo para que os atiradores resolvessem invadir a cafeteria Grenat Cafés Especiais e liquidassem todos, policiais e funcionários.

Os atiradores pareciam saber o que faziam. Um começou a atirar antes do outro. Assim, enquanto um parava para recarregar, o outro seguia atirando. Mas, o intervalo no fogo cruzado permitia que Alexandre e os demais reagissem com alguns tiros a esmo, sem nenhuma eficácia. Estavam tentando se orientar em meio ao caos.

Na verdade, os tiros eram mais para manter os atiradores do lado de fora. Eles não invadiriam de qualquer maneira sabendo que tinha gente armada dentro da cafeteria. Talvez nem fosse a intenção deles invadir, mas como saber naquela altura dos acontecimentos? Cada policial só conseguia pensar naquele momento em sua arma pesada predileta. Com elas, aquele tiroteio seria bem diferente.

Haviam se passado alguns minutos, quando de repente os tiros cessaram. Meio surdos com a artilharia ininterrupta, os policiais não ouviram o gemido esquisito e o som parecido com um côco atirado ao chão, que vieram da porta de entrada. Na lateral, onde estava o segundo atirador, outro som esquisito também não chegou a ser ouvido. Os policiais se prepararam para a invasão.

Foram momentos aflitivos de espera. Em seguida, ouviram vozes vindas de fora.

- Tem alguém ferido aí dentro?

- Cuidado! Pode ser um truque dos atiradores - alertou Rômulo.

- Acho que conheço essa voz - disse Alexandre.

- Tem alguém ferido aí dentro? - insistiu a voz.

- Está parecendo a voz de um daqueles jornalistas do Café & Conversa ...

- Delegado Alexandre! Somos nós, Romoaldo e Kassatti.

- São eles mesmo. Um dos nossos está levemente ferido. Não sabemos do pessoal aqui da cafeteria.

O choro irrompeu atrás do balcão.

- Nós vamos entrar OK? Não atirem. Os atiradores já foram dominados. Podem ficar tranquilos.

Kassatti e Romoaldo entraram na cafeteria completamente destruída. Era um cenário de guerra. Paredes furadas, móveis depedaçados, vidros estilhaçados, comida e bebida espalhadas pelo chão. Não se dirigiram aos policiais. Procuravam por alguém específico. Ao olhar por cima do balcão, viram algumas funcionárias e as proprietárias Luciana e Gabriela deitadas no chão. Todas estavam apavoradas e choravam muito.

Assim que viram a dupla do Café & Conversa, as funcionárias e as proprietárias se levantaram e saíram detrás do balcão. Gabriela correu e se abraçou a Romoaldo, chorando copiosamente. Ele estava estreando seu terno risca de giz e não conseguia esconder a contrariedade por tê-lo manchado com sangue. Também não conseguia esconder sua alegria por ter a moça em seus braços.

Alexandre e Gabriel ajudavam Pablo, que estava ferido, a se levantar. Colocaram uma cadeira em pé para que ele pudesse sentar. Rômulo foi para o lado de fora da cafeteria verificar o que havia acontecido. Encontrou os dois atiradores deitados no chão. Estavam mortos. Um deles tinha uma caneta BIC enfiada na têmpora. O outro tinha uma perna partida ao meio e um pequeno canivete enterrado no pescoço. Ainda esguichava sangue pela carótida seccionada.

- Tudo bem aí, delegado? - perguntou Kassatti.

- Está ... agora está tudo bem. O ferimento do Pablo é superficial, mas tiro de AR 15 sempre causa algum estrago. Ainda está sangrando um pouco.

- Como está esse ferimento Pablo?

- Já fiz uma atadura improvisada aqui, mas está OK. Amanhã deve doer um bocado. Por enquanto, a adrenalina está segurando a dor.

- Aperte bem aí para estancar o sangramento. Já chamaram a polícia?

- Foi tudo tão rápido que nem me ocorreu de pegar o celular e pedir ajuda. Eles não paravam de atirar e a nossa prioridade era tentar se defender da melhor maneira possível.

- Já liguei para a Superintendência. Está todo mundo vindo aí. Até o Dr. Hamilton - disse Gabriel.

- Kassatti, o que aconteceu lá fora? - perguntou Rômulo, que havia acabado de retornar.

- Tivemos que tomar uma providência ... vocês entendem, né? Estávamos vindo para cá, depois de estacionarmos nossos carros lá na quadra. Chegamos e vimos esses caras atirando feito loucos. Na hora, só nos preocupamos com a segurança das meninas, especialmente a Gabriela, claro (risos). Ela quebrou o pulso recentemente (mais risos). E a mãe dela também, a Luciana. Depois, pela ordem de importância, é aqui que compramos nosso café, é aqui que nos reunimos para escolher as pautas da semana. Ficamos desesperados. Esses caras não sabiam com quem estavam mexendo. Assim, o Romoaldo escolheu um atirador e eu fiquei com o outro. Eles estavam de costas para nós e o barulho dos tiros não deixou que ouvissem a gente chegando. Dei uma rasteira, na verdade um chute lateral, nas pernas do cara quando estava recarregando a arma. Minhas botas são especialmente fabricadas para isso. A perna dele partiu no meio e ele rodou no ar para a direita. Ainda no ar, enterrei meu canivete no pescoço dele, bem na jugular. Minha mira está até boa. Quando ele caiu, ainda bateu a cabeça no chão com tanta força que, pelo barulho, deve ter partido o crânio. O sangue jorrava a um metro de altura. Saí de perto para nem sentir o cheiro. Não vi como o Romoaldo fez com o dele. Como foi Romoaldo?

- Bem, eu não tinha um canivete nem o chute do Kassatti. Daí, peguei a minha caneta BIC, com tinta preta, e enfiei na têmpora do sujeito. Enfiei até o talo de tanta raiva que fiquei. O sujeito nem gritou, mas a cabeça dele fez um barulho de pneu esvaziando. Se eles tivessem machucado a Gabriela, eu era capaz de voltar lá e matar o sujeito de novo (risos).

Alexandre e sua equipe estavam boquiabertos. Os dois jornalistas tinham matado dois assassinos profissionais com facilidade porque estavam preocupados com a segurança das funcionárias da cafeteria e das suas proprietárias, além do café que bebiam ali. E ainda riam.

- Como assim? Vocês chegaram e mataram os caras, assim sem mais nem menos?

- Acho que demos sorte e eles realmente nos irritaram. Além disso, delegado, você não é o único que treina artes marciais por aqui ... Mas, alguém precisava fazer alguma coisa. Todo mundo correu e se escondeu em algum lugar. Sobrou pra gente. Agora, ficamos sem ter onde tomar café, por culpa desses vagabundos ...

- Não se preocupem - se apressou Gabriela, enxugando as últimas lágrimas -, até a próxima semana estaremos de pé novamente. Não nas condições ideais, mas vocês não ficam sem o nosso café de jeito nenhum. Isso eu garanto!

- A única coisa que não sei se tem jeito é o meu terno novo de risca de giz - lamentou Romoaldo.

- Acho que uma boa lavanderia tira essas manchas - disse Gabriela, tentando remover uma mancha com um guardanapo molhado com água.

Romoaldo sorriu. Em seguida, a barulheira de sirenes das viaturas policiais e ambulâncias interrompeu a conversa. Policiais entraram correndo na cafeteria com armas em punho, como num desses filmes baratos de ação. O povo morbidamente curioso começava a se aglomerar na rua, tirando fotos e filmando com seus telefones celulares. Logo mais, o YouTube estaria cheio de vídeos tremidos e depoimentos idiotas repletos de risadinhas nervosas e palavrões do tipo "carái véio". Alexandre gritou:

- Acalma esse pessoal aí! O tiroteio já acabou e os bandidos são aqueles dois mortos lá fora. Guardem essas armas, porra! Antes que algum nervoso atire na gente. Aqui dentro só tem um ferido. Cadê o Hamiltão? Afasta essa gente daqui, porra!

- Ôpa, tô aqui! Quem tá ferido? - gritou o Dr. Hamilton, acompanhado de outros paramédicos.

- Aqui, o Pablo. Cuida dele Hamiltão ... e pede para alguém atender as moças. Elas estão bem nervosas.

- Deixa comigo! Vocês, vão lá cuidar das moças. E aí Pablo? Vamos ver isso aqui. Hummmm ... que belo ferimento de bala. AR 15 faz um estrago mesmo, né? - Hamilton sorriu daquele jeito que os médicos legistas sorriem e deixam todo mundo grilado.

- Delegado, nós vamos ficar muito encrencados por causa dos caras lá fora? - perguntou Romoaldo.

- Vai ter um processo, mas não se preocupem. Vocês salvaram as nossas vidas. Isso é legítima defesa. Só tem a chatice da investigação, burocracia jurídica, essas coisas, vocês entendem, né? E o meu relatório vai deixar bem clara a participação de vocês.

- Eu sei, mas é bom garantir ...

- Uma coisa me ocorreu agora ... preciso ligar para a Lígia. Ela pode estar em perigo também.

No dia seguinte, o diretor Miguel Brochado convocou Alexandre para uma reunião. O delegado estava furioso com o "vazamento" das informações que o colocaram na primeira página do jornal Notícias do Brasil. Aquilo levou os assassinos até a cafeteria. Ele sabia que a jornalista Mércia Trancoso havia conseguido as informações com o diretor e se algum integrante da sua equipe tivesse morrido no atentado, Brochado seria o próximo a conhecer a mesa de autópsia do Dr. Hamilton.

Ao entrar no gabinete do diretor, Alexandre viu o circo montado com todos os palhaços. Estava lá toda a cadeia hierárquica que vinha do diretor até ele. Um monte de "chefes" e "sub-chefes" lambedores de botas e sem espinha dorsal cuja única preocupação era manter o cargo que ocupavam a qualquer custo. Logo percebeu qual era o "tema" da reunião. Alguém deveria ter sugerido colocar o "guizo" no pescoço do gato. Ainda não tinham escolhido qual dos ratos faria o serviço. Nenhum deles queria a missão.

Alexandre ouviu toda aquela tertúlia efeminada, aquela prosopopeia sem graça, aquela verborragia pusilânime e própria de homens emasculados. Cada um falou o quanto quis e quando um não conseguia se explicar, o seguinte tentava explicar o que o outro havia dito. O resultado era mais pegajoso e nauseabundo ainda. "O fulano quis dizer que ... ou, está tentando dizer que ...". Quando seu saco se encheu, o delegado falou.

- Não sei porque vocês me chamaram para essa palhaçada. Porque isso aqui não é uma reunião de trabalho, é uma palhaçada. É isso o que vocês fazem enquanto estamos arriscando nossas vidas lá na rua? Se reunem para esse espetáculo bizarro, vexaminoso? Vocês deveriam ter mais vergonha na cara, fazer uma reposição hormonal, sei lá. Um pouco de testosterona lhes faria muito bem.

- Não, não, isso aqui é uma reunião de trabalho sim e ...

- ... e porra nenhuma! Você, Brochado, vazou as informações para aquela jornalista. Por causa disso, quase morremos ontem. Graças a dois sujeitos que nos ajudaram, não estamos agora no necrotério cheios de balas.

- Mas ...

- Mas é o caralho! A próxima vez que você aprontar outra babaquice dessas, venho resolver pessoalmente com você.

- A hora que você quiser, delegado, a hora que você quiser. Acha que tenho medo de você?

- Não acho não. Aliás, até conto com isso. A sua valentia é lendária por aqui ... Agora, se me dão licença, tenho mais o que fazer e sequer gosto de circo. Minha equipe precisa de mim. Passar bem.

Alexandre sequer olhou para trás quando saiu daquele antro de vermes. Tinha muito trabalho ainda pela frente. Ele havia falado com Lígia e alertado para o perigo que poderia estar correndo. Ela resolveu tirar umas longas férias e foi para uma cabana nos Alpes suíços que havia comprado há alguns anos para montar o seu refúgio secreto e o lugar onde viveria na velhice. Ninguém sabia daquele lugar. O delegado pediu que não revelasse nem mesmo para ele.

Reunido com a equipe, todos quiseram saber como havia sido a reunião. Alexandre relatou o que ouviu e resumiu tudo de maneira curta e grossa.

- Vamos fazer um bolão para ver qual daqueles babacas vai aderir ao crossdressing primeiro (gargalhada geral).

Dias depois, o delegado viu que a investigação estava chegando a um beco sem saída. Além disso, o atentado havia tomado muito do seu tempo com providências burocráticas da investigação. Teve que conseguir outra pistola e sempre trazia no carro uma sub metralhadora UZI SMG. Todos os integrantes da equipe faziam o mesmo com seu armamento predileto.

Alexandre não pestanejou. Ligou para a dupla do Café & Conversa em busca de ajuda, mais uma vez. Marcaram o encontro na Grenat Cafés Especiais, que aos poucos se recuperava da destruição. As meninas eram realmente corajosas e não se deixaram intimidar pelo ocorrido. Felizmente, nenhuma delas se feriu.

Foi servido um fabuloso Geisha, coado na French Press. Os grãos foram trazidos pela Luciana quando esteve no Campeonato Mundial de Barismo, na Colômbia. O café fôra cultivado no Valle del Cauca, a uma altitude que varia de 1,5 mil a 1,95 mil metros em plena Cordilheira dos Andes. Os grãos foram torrados pela empresa Café Palo Alto S/A, sob a responsabilidade da talentosíssima Mestre de Torra, Rubiela Alvarez. O suave e marcante aroma de jasmin surpreendeu a todos.

- Meus caros, preciso da ajuda de vocês. De novo ...

- Estamos ao seu dispor, delegado. Em que podemos ajudá-lo? - disse Kassatti.

- Primeiro, quero saber onde eu compro uma bota igual a sua (risos).

- Comprei pela internet numa loja americana. Anote aí o endereço ...

- Segundo, onde vocês aprenderam tanta coisa?

- Eu tive uma infância difícil (gargalhada geral). A desculpa do Romoaldo eu não sei qual é (mais gargalhadas).

- É mais ou menos por aí. Junte a isso, muitas viagens pelo mundo, muita ralação, muitas amizades e inimizades. Somos sobreviventes profissionais, delegado. Mas, qual é o seu problema? - perguntou Romoaldo.

- O meu problema é que a investigação sobre a morte da ministra está enfrentando dificuldades. Chegamos a um ponto delicado e ... sem saída.

- Alexandre, como dissemos quando nos conhecemos, aqui mesmo na Grenat, é preciso nunca perder a trilha do dinheiro. Toda essa confusão foi financiada de alguma maneira e o dinheiro é a trilha mais segura a perseguir. Nela, você vai encontrar todos os personagens principais dessa trama - disse Romoaldo.

- Mas, onde acho essa trilha?

- Você terá que voltar ao passado, lá onde tudo começou. Temos um amigo que pode ajudá-lo nessa busca. Ele foi guerrilheiro em El Salvador e deve ter conhecido a ministra Sueli Sandoval. Na época, todos os movimentos revolucionários latino americanos tinham um só financiador: Cuba. Lá também era o centro de treinamento de todos os guerrilheiros. Todos se conheciam. Depois, os países que eram conquistados por esses movimentos, passaram a ajudar também. Se tem alguém que conhece bem esse bastidor, é o nosso amigo - disse Kassatti.

♦♦♦

Êpa! Mais um personagem chega na trama. Vai complicar ou vai facilitar? Um ex-guerrilheiro? Alguém que conhece o passado de Sueli Sandoval? E essa dupla do Café & Conversa? Quem são esses caras realmente? Será que são apenas jornalistas? A trama esquentou de vez! Traga a sua contribuição também, deixando na área reservada a COMENTÁRIOS a sua opinião, sugestão, crítica, dica ou até um elogio : ) Aguardamos ansiosamente.

E como nos deseja o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço e bom café!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Café com Rock'n Roll


Ricardo Icassatti Hermano


Ontem foi o Dia Internacional do Rock. Acredito que algumas áreas profissionais não conseguiriam sobreviver sem o café. Entre elas, eu cito o jornalismo e a música. Jornalistas não conseguem pensar e escrever sem doses maciças de café. Os músicos também não conseguiriam atravessar madrugadas sem a cafeína com algumas adições aqui e ali.


Em homenagem ao Rock’n Roll, resolvemos harmonizar café e música, porque não se harmoniza apenas com comida. Um bom café deve ser bebido com boa comida, boa música e boa companhia. Primeiro uma receita vinda diretamente de Nova Orleans, uma cidade que respira música da melhor qualidade. O nome da bebida é Cajun Coffee.


Junte numa panela, três xícaras de café com seis colheres de sopa de melaço de cana de açúcar. Leve ao fogo até que o melaço derreta completamente. Coloque uma colher de sopa de rum em cada uma das seis canecas. Depois, coloque o quanto quiser de creme chantilly por cima.



A música não poderia ser outra, o mais puro rock dos bons e velhos Rolling Stones: It’s Only Rock’n Roll But I Like It

http://www.youtube.com/watch?v=mM616tVbjyk


Um Abraço e Bom Café!


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Café com rapadura


Romoaldo de Souza

Eu me recordo de uma época que no interior de Pernambuco as pessoas tinham o costume de torrar café com rapadura. O meu avô me dizia que era para economizar açúcar na hora de beber o café. Minha vó sustentava que era para fazer render o café.

Eram costumes que hoje em dia já não são tradicionais assim. Dia desses, estava admirando um presentinho que ganhei da jornalista Mellyna Reis, que veio de Recife a Brasília e me trouxe uma rapadura do Engenho São Pedro em Triunfo, lá em cima da serra. Com um selo de qualidade dizendo que é rapadura orgânica, sem adubos químicos ou agrotóxicos. Esse interior de Pernambuco está cada vez mais sofisticado. Então pensei, um presente sofisticado como a rapadura de Triunfo exige um café diferente.

Rapadura é doce, é mole e pode fazer um boa combinação com o café

Foi aí que pesquisei, pesquisei e encontrei um grão da Chapada Diamantina, no Sertão da Bahia, premiadíssimo o café, que já vem com gosto de melaço de cana de açúcar. Pronto, é o complemento que me faltava. Café com rapadura. Tomo uma xícara de café e mordo um pedaço de rapadura. E assim vamos vivendo a vida, desfrutando das belezas da natureza. Café com rapadura... Nunca pensei que a combinação fosse ser tão gostosa, Mellyna Reis.

Um abraço, bom café!!!