Pense num dia feliz. Nada a ver com a propaganda de um fast food americano. Um dia feliz é balizado pelo café da manhã. Os americanos, que são um povo criativo, inventaram o Brunch (breakfast + lunch) porque perceberam a importância do café da manhã para estabelecer o ritmo do resto do dia. Assim, estenderam essa refeição até quase o meio da tarde.
Bebel arrumou ...
Mas, retomando o dia feliz. Pensou? Pois é. E um café da manhã para ser memorável precisa de baguetes, croissants e amanditas da Tradition Boulangerie, queijo mozzarela, presunto de peito de peru, bolo de aipim com requeijão, sucos de frutas orgânicos, manteiga Aviação, água com gás e cafés. Sim, cafés, no plural. E não estou falando de quantidade, que também deve ser enorme, mas da variedade de tipos de grãos, de torra e de extração. Isso, na área da comida e da bebida.
... ajeitou ...
Mas, um café da manhã que vai fazer o seu dia feliz precisa de companhia. Afinal, será consumida uma boa dosagem de cafeína e não existe nada melhor que conversar à beira de uma mesa farta de guloseimas. E esse quesito é importantíssimo, porque a companhia errada pode transformar o dia de feliz para infeliz. Assim, um café da manhã impregnado de felicidade será compartilhado com pessoas especiais.
... enfeitou ...
Foi o que nos aconteceu ontem, sexta-feira (22). A convite da barista-empresária Bebel Hamu, fomos tomar nosso café da manhã no escritório da sua empresa CORACI, que representa as máquinas italianas de espresso La Marzocco. Ela acabou de chegar de um giro pela Europa, onde foi trocar informações com torrefadores e conhecer novas cafeterias. Na mala, trouxe algumas preciosidades que, generosamente, quis nos mostrar preparando uma degustação.
... até ficar bonito do jeito que ela queria : )
Sentiu? Pois é. Tínhamos a mesa farta, os cafés e a companhia da Bebel, que ainda trouxe um primo que estuda a possibilidade de abrir uma cafeteria na cidade. Boa comida, cafés excepcionais e pessoas inteligentes e gentis. A conversa fluiu como água de cachoeira.
Agora, pense num privilégio. O privilégio é estar vivo numa manhã clara de Inverno em Brasília, tomando café da manhã na companhia dos amigos Romoaldo de Souza, André Brandão e, especialmente, da Bebel Hamu ... Diversão e papos bacanas garantidos.
Café, Gente e Papos Bacanas : )
Fomos presenteados com cafés maravilhosos, com destaque para um 100% Caturra, da fazenda panamenha Los Lajones, com torra clara do tipo Scandinavian Roast. Esse tipo de torra se presta maravilhosamente para o café coado, que foi o que experimentamos. O café tem aroma e sabor de morango. E é absolutamente natural. A cor lembra mel claro ou o syrup canadense. Esse, a Bebel trouxe de Amsterdam.
Isso é quase ouro líquido, com sabor de morango!!!
Também experimentamos dois Bourbon africanos, ambos de Ruanda. Um foi o St. Ali, torrado e embalado na Austrália, e o outro foi o Has Been Coffee, da Ruanda Musasa Cooperative. Estavam muito bons, mas o da fazenda Los Lajones matou a pau e não deixou espaço para mais ninguém. Inclusive os espressos tirados em sua invejável La Marzocco de um grupo.
Os africanos não foram páreo para o Caturra panamenho
Assim, queridas(os) leitoras(es) teve início um dia que, além de ser uma sexta-feira, nada e ninguém poderia estragar. Quando nos demos conta, o relógio já marcava 13h10 e foi com relutância que saímos de lá. Um dia feliz que agradecemos de joelhos à Bebel Hamu e sua infinita generosidade. Isso é o que chamamos de Café, Gente e Papos Bacanas.
Está com pouco tempo? Vive na correria? Não deu para tomar um café decente pela manhã? A resposta para a sua aflição é a nossa receita de Pão de Café. Mate dois coelhos com uma só paulada e não se atrase para os seus compromissos, mesmo quando tiver dormido mais que a cama.
Nós sabemos como é estressante a vida no século 21. Os dias deveriam ter 48 horas para darmos conta de tudo. Especialmente quando precisamos estar informados de tudo o que acontece. Apesar de termos as facilidades da internet, ainda temos que ler vários jornais e agências de notícias, acompanhar a Blog-Novela "Morte na Esplanada" do Café & Conversa, checar e-mail, dar uma olhada nas redes sociais e ainda nos ocupar da vida real.
Ufa! É muita coisa. Mas, podemos ganhar uns minutos aqui e ali. A nossa receita de Pão de Café ajuda nisso. Num dia de poucas horas, não dá para esperar a água esquentar, moer grãos e fazer um bom café. Assim, coma esse pão e o café já está incorporado. Não é o ideal, claro. Mas, quebra um galho. Veja como fazer.
Ingredientes
- 1/4 xícara de manteiga - 1 xícara de açúcar - 1 colher chá de sal - 2 xícaras de leite morno - 3 tabletes de fermento biológico (de padeiro) diluído em um pouco de água - 4 ovos batidos - 6 a 8 xícaras de farinha de trigo - 6 sementes de cardamomo amassadas ou uma colher chá de cardamomo em pó - 1 xícara de café forte - 1/2 xícara de açúcar
Preparo
Misture na batedeira a manteiga com o açúcar e o sal. Adicione leite, fermento, ovos, farinha de trigo e sementes de cardamomo. Bata por 10 a 15 minutos até que a massa não grude nas mãos. Se ainda estiver grudando, adicione mais farinha de trigo. Deixe descansando em um local mais quente, tipo o forno, até que a massa dobre o tamanho.
Amasse a massa com as mãos. Corte em dois ou três pedaços e faça rolos ou tranças. Deixe descansar mais um pouco.
Leve ao forno pré-aquecido a 200º por 40 minutos ou até que esteja dourado.
Pincele os pães com uma calda feita com café e açúcar, fervida por alguns minutos para engrossar. Polvilhe açúcar cristal por cima.
A nossa Blog-Novela agora entra em ritmo acelerado. As coisas esquentaram um pouco, a violência pesou, mas é inerente a esse tipo de investigação. Além disso, sou fã declarado do Quentin Tarantino : ) O delegado Alexandre Dantas será apresentado ao amigo da dupla do Café & Conversa e pode ser a chave para a solução do assassinato da ministra Sueli Sandoval, a famigerada SS.
Então deixemos de churumelas e lenga-lenga. Passemos diretamente para a sua caneca fumegante, o seu pijama, as suas meias e o seu edredon. Liguemos o som do seu computador, apaguemos as luzes e entremos no mundo sinistro da política e seus interesses nada republicanos. Som na caixa e arrepie-se!!!
Morte na Esplanada
Capítulo 15
O delegado Alexandre Dantas estava sem ação diante da inusitada cena de um Padre, em sua batina preta, dançando o mais genuíno Rock'n Roll dentro do estúdio de uma rádio. Mas, ficou estupefato mesmo quando viu a placa sobre a mesa, onde estava se lia: "Vive la mort, vive la guerre, vive le sacré mercenaire". Esse é o lema dos mercenários, os soldados da fortuna, os especialistas em missões impossíveis.
- O que está acontecendo aqui? Que Padre é esse? - pensou Alexandre.
- Você deve estar um tanto confuso agora, delegado. Deve estar se perguntando o que está acontecendo e quem é o nosso amigo Padre. Mas, não se preocupe. Assim que ele sair dali, vamos conversar e você vai entender tudo - disse Kassatti.
- Vocês também lêem pensamento?
- Às vezes, delegado. Só quando é preciso (risos).
O Padre terminou de dançar junto com a música. Pegou o microfone com uma mão, levantou a outra em direção ao teto e disse com voz rouca:
- Vocês acabaram de ouvir Bachman Turner Overdrive, com um dos seus maiores sucessos "Taking Care of Business". E assim, vamos encerrando o programa Jornadas do Dinossauro de hoje. Obrigado pela companhia e até amanhã, se Deus assim permitir. Paz e amor! Tchau!
O assistente de estúdio colocou a vinheta do programa. O Padre tirou o headphone e só então viu que o esperavam do lado de fora. Sorriu ao reconhecer os amigos do Café & Conversa e acenou. Arrumou alguns CDs, mexeu no computador, colocou seus óculos escuros, devido a uma fotofobia que o acompanha desde a adolescência, e saiu do estúdio.
- A que devo tão honrosa visita? Faz tempo que não vejo vocês, por onde andam?
- Padre Avellar, como vai? - disse Romoaldo.
- Um pouco mais velho, mas estou ótimo. E você Kassatti? O que anda aprontando?
- Pára com isso Padre ... continuo o mesmo pecador de sempre (risos).
- A essa altura, você já deveria saber que não existe pecado no amor, mas está precisando de aconselhamento (risos)?
- De certa forma, mas não para mim. Esse aqui é o delegado Alexandre Dantas. Ele é o responsável pela investigação do assassinato da ministra Sueli Sandoval e precisa da sua ajuda.
O Padre Avellar assumiu um ar sério e compenetrado.
- Sei ... eu li nos jornais sobre o atentado que você e sua equipe sofreram e só agora, vendo vocês todos juntos, entendo como conseguiu escapar. Estão todos bem?
- Felizmente, só um dos agentes ficou levemente ferido. Tivemos uma ajuda providencial dos amigos aqui, Padre - disse Alexandre.
- Vamos até a minha sala.
- Você ainda tem aquela cafeteira French Press que lhe demos de presente? - perguntou Romoaldo.
- Ainda tenho, mas o café ...
- Não se preocupe, eu trouxe um presente.
Romoaldo tirou da mochila dois pacotes de 500g de café colombiano, grãos da variedade Geisha. O Padre abriu um sorriso de orelha a orelha.
- Deus ouviu minhas preces (risos).
- Ele não ouve sempre? - brincou Romoaldo.
- Sempre, Ele sempre ouve. Mas, vocês só podem estar de brincadeira. Isso é quase um suborno (risos).
- Cadê a French Press?
O perfume de jasmin preencheu toda a sala quando a água quente foi derramada sobre os grãos recém-moídos. Enquanto aguardavam salivando os quatro minutos para completar a infusão do café, deram início à conversa. O Padre Avellar pediu informações sobre o caso e Alexandre lhe entregou um dossiê que havia preparado para o encontro. Ele folheou rapidamente, fazendo algumas pausas em determinadas partes. Depois fechou a pasta e devolveu ao delegado.
- O que exatamente você quer saber delegado?
- Eles me disseram que o senhor conheceu a ministra nos tempos da clandestinidade. Minha investigação chegou a um ponto em que qualquer informação pode ajudar. A partir de um determinado momento, passamos a tatear no escuro. A ministra aprontou muito e muita gente tinha medo dela pelas informações que possuía. Mas, não acredito que ela tenha sido morta por causa disso. Ela sabia jogar com essas informações de modo que todo mundo saísse satisfeito, usando como freio político para controlar aliados e opositores.
- Se ela não foi morta por causa disso - e nisso concordamos - você supõe que tenha sido porque ...
O café foi servido em doses generosas. Canecas expelindo um suave e cheiroso vapor, trouxeram algo de cerimonioso ao ambiente.
- Acredito que ela estivesse envolvida em algo diferente desse métier de corrupção política, compra de votos, cargos etc. Isso sempre fez parte de qualquer governo, em maior ou menor grau, conforme o medo de perder o poder. Tem que ser outra coisa.
- Delegado, você não está totalmente certo nem totalmente errado. Precisa apenas rearranjar o raciocínio. O motivo será sempre o mesmo, porque o ser humano é o que é. O que você está procurando é o mesmo, só que maior, muito maior, tão grande que conseguiu unir todas as forças contra ela. A ministra se tornou um perigo assustador demais, a ponto de não sobrar alternativa que não fosse matá-la.
- Mas, o que poderia ser tão grande assim? Maior que o governo?
- Maior que os projetos de poder de vários grupos.
- Aliados e oposição?
- Mais ...
- Mais? De onde?
- Delegado, não fui Padre a minha vida inteira. Antes disso, ainda bem jovem, tentei a carreira militar. Mas, as condições no Brasil ... você sabe. Assim, me desliguei das Forças Armadas e fui correr o mundo. Quando cheguei à África do Sul, recebi e aceitei um convite para trabalhar como "consultor" da Executive Outcomes, empresa de segurança privada baseada em Pretória. Não larguei mais a "carreira".
- Eu vi a placa lá no estúdio.
- Na verdade, aquela frase foi copiada de um lema da Legião Estrangeira e foi usada no filme Cães de Guerra, de 1981, com um final diferente. A frase original diz: "Vive la mort, vive la guerre, vive la Légion Etrangère".
- Então você foi mercenário mesmo?
- Não gosto muito do termo. O cinema criou um mito bobo. Prefiro soldado ou profissional da guerra, especializado em intervenções militares rápidas e contra espionagem. Cumpria missões. Lá na Executive Outcomes eu conheci esse Gaston Perrin. um tipo perigoso. Por várias vezes, colocou em risco os próprios companheiros e foi dispensado. De lá, ele foi trabalhar na Vukan, que usa muito esse tipo de ... especialista. Até então, não tinha mais notícias dele. Virou assassino profissional, pelo que vi. Parece que nessa atividade, ele se deu bem. Talvez por trabalhar sozinho.
- Ele era bom em algumas coisas, como a coisa do veneno e os disfarces. Ele nos despistou várias vezes.
O Padre deu uma gargalhada. Não quis polemizar com o delegado, pois sabia que a polícia jamais poderá superar um especialista treinado em táticas de guerra e sobrevivência em condições totalmente adversas. O assassino profissional é treinado em artes que a polícia sequer desconfia.
- Lutei em vários países africanos, fui até condecorado. Trabalhei muitos anos com os israelenses e lutei na América Latina, incluindo a Nicarágua, onde participei mais intensamente da área de inteligência e informações. Foi quando conheci a Sueli Sandoval, ou SS, como era chamada. Na época, ela era bem jovem e parecia ter um certo fervor ideológico. Era muito inteligente e não era muito afeita aos exercícios físicos e ao combate. Logo se destacou no treinamento de contra espionagem, pois identificou ali uma fonte imensa de poder. Hoje, sabemos que era só o que ela e sua turma queriam. Mas, ela também se interessou muito pelas finanças das guerrilhas, onde estavam as fontes do dinheiro para a compra de armas, custo de operações, esconderijos, documentação falsa, essas coisas. Cuba tinha levado um calote das "esquerdas" brasileiras e não financiava mais nada. Sueli então teve a ideia de buscar dinheiro no Oriente Médio. Líbia e OLP passaram a injetar muita grana naqueles grupos e, depois, partidos políticos.
- Deve ser por isso que esses países e outros daquela região transitam com tanta desenvoltura por aqui e ditadores são chamados de "irmãos" pelo presidente - pensou alto Alexandre.
- É por aí. Eles têm uma conta enorme pendurada no gancho e estão cobrando. O importante é que foi nesse trâmite da grana que a Sueli conheceu um outro sujeito que também ajudava no treinamento de obtenção de informações. Era um francês, comunista, que entendia muito de finanças internacionais, procedimentos bancários etc. Tinha muitos contatos nessa área. Os dois chegaram a ter um caso, eu diria, intenso. Os dois tinham, digamos, muitas semelhanças na área sexual ...
- E quem era esse francês? Era o Gaston?
- Não (risos)! O nome dele era Dometien Salaun Klein. A Sueli chamava ele de DSK. Era a dupla DSK e SS. Eles até usaram isso como código.
- O presidente de banco que está preso em Nova Iorque?
- Esse mesmo. Mundo pequeno, não?
- Mas, o que ele teria a ver com o assassinato da Sueli?
- Ele? Pouco ou nada. Mas, devem ter alguma conexão. Ele e ela estavam no poder em seus respectivos países. Os dois são especialistas em finanças internacionais. Os dois são ambiciosos. Basta ligar os pontos.
- Então os dois estavam envolvidos em alguma coisa muito grande ...
- Vocês viram uma entrevista coletiva dos presidentes do Brasil e da França há uns seis meses? O presidente francês fez uma visita estranha aqui, tipo relâmpago e sem uma agenda política que justificasse o esforço diplomático. Mas, aí o presidente brasileiro tomou umas a mais e deu com a língua nos dentes. Perguntado sobre a licitação para compra de aviões caça, ele disse que já tinha decidido que os caças franceses Rafale eram os vencedores. E a licitação ainda estava acontecendo. Aliás, nunca entendi como o Ministério Público Federal ou o Congresso Nacional nunca tomaram qualquer providência contra o crime de prevaricação cometido pelo presidente em rede nacional de televisão ao vivo.
- Eu me lembro dessa entrevista e me fiz a mesma pergunta. Todo mundo se fez de surdo e cego. Soltaram umas notas oficiais ridículas, a licitação voltou atrás e está indefinida até hoje.
- O governo francês tem um grande interesse em revigorar sua indústria de armamentos, especialmente a de aviação, mas esse avião Rafale é um fiasco. Já caíram dois no Sudoeste da França quando voavam em teste e outro no Paquistão. O Brasil é a bola da vez na economia mundial e tem muitos bilhões para gastar na modernização e reaparelhamento das Forças Armadas. Vocês podem imaginar a briga de foice. A França já vendeu para o Brasil submarinos totalmente ultrapassados e fechou contrato de 1,8 bilhão de Euros para a compra de helicópteros. Se dois presidentes se dão ao trabalho de firmar compromisso sobre contratos de bilhões é porque a coisa é séria. Alguém estava sonhando com uma comissão gorda e alguém estava querendo se meter no negócio.
- Você acha que esse seria o motivo?
- Estamos apenas raciocinando, mas é uma hipótese bem plausível, não?
- Seria, mas ...
- Delegado, você não conseguirá responder a todas as perguntas e solucionar todos os mistérios. Contente-se em descobrir o motivo do assassinato da ministra e deixe as outras tramas para outros investigarem. Até porque, o pouco que você já mexeu quase lhe custou a vida.
A segunda leva de café terminou e a conversa também.
- Meus amigos, foi bom vocês terem vindo hoje aqui.
- Por que? - perguntou Romoaldo.
- Estou de partida do Brasil. A minha Congregação vai se reunir em Roma e vocês sabem como esse tipo de reunião é longa. Pelo menos seis meses. E eu vou participar de um Capítulo também.
- Capítulo? O que é isso? - perguntou Kassatti.
- É um curso sobre Direito Canônico.
- Você está sendo preparado para alguma coisa?
- Após esse Capítulo, estarei apto a ser o Provincial da minha Congregação no Brasil.
- Uau! Está subindo na vida, hein Padre Avellar!
- Espero que em direção ao Paraíso, meus amigos (risos). Mas sei que, se for confirmado mesmo, assumirei uma cruz pesada ...
- Boa sorte então!
Alexandre se despediu do Padre Avellar e pensou como era fascinante a vida daquele homem. Não resistiu e perguntou.
- Padre, uma última pergunta.
- Faça, delegado.
- Como se deu essa transformação de soldado a Padre?
- Na verdade, não me sinto muito afastado da minha especialidade. Continuo um soldado, agora um soldado de Deus. Continuo usando meus conhecimentos de estratégia e de contra espionagem. Você sabe que a Igreja não é um grupo de escoteiros. O que mudou foram as armas. Não vi mais sentido na destruição e me voltei para a construção. Para isso, era preciso mudar também a sintonia para o amor e foi na fé em Deus que consegui encontrar esse novo "armamento". Agora luto com outros propósitos. Ainda quero construir um mundo melhor, mas sem destruir nada, apenas transformar.
- E a rádio especializada em Rock'n Roll?
- Ah ... o Rock é a trilha sonora da minha vida. Mas, é o Rock dos bons tempos.
O delegado foi obrigado a concordar que a música era a trilha sonora perfeita para aquele Padre inusitado. Ele e a dupla do Café & Conversa saíram da rádio.
- Bem, delegado, acredito que agora você tem as informações necessárias para tirar a sua investigação do beco sem saída em que se encontra - disse Kassatti.
- Tive uma boa ideia de qual caminho seguir. Quero agradecer a ajuda de vocês e retribuir de alguma maneira.
- Não se preocupe delegado. Um dia poderemos entrar em contato e lhe pedir um favor como esse que você acabou de receber. Talvez você precise conversar com alguém e dar alguma informação. Nada ilegal ou que o comprometa profissionalmente. Apenas ajudar alguém a seguir adiante - explicou Romoaldo.
- Sem problema. Estou ao dispor de vocês.
- Então, é aqui que nos despedimos. Desejamos boa sorte na sua investigação e se precisar da nossa ajuda, sabe onde nos encontrar.
Alexandre saiu animado, mal podia esperar chegar ao escritório e reunir a equipe. Graças às informações do Padre Avellar, ele agora sabia quais passos seriam necessários para elucidar o assassinato da ministra.
- Pessoal, tive uma reunião esclarecedora com um amigo dos caras do Café & Conversa. Já sei o que precisamos fazer e onde procurar pistas. Gabriel, pegue todo o material que temos daqueles pen drives da ministra e reparta em quatro partes. Cada um de nós vai passar um pente fino naquilo tudo e ver se acha esse sujeito ou qualquer referência a ele.
Alexandre apontou a foto estampada no jornal de Dometien Salaun Klein algemado e sendo conduzido por policiais para a prisão em Nova Iorque.
- Procurem também por qualquer referência a "DSK", as iniciais do nome desse cara.
♦♦♦
Será que agora o delegado Alexandre Dantas conseguirá a pista que vai levar à solução da misteriosa morte da ministra Sueli Sandoval? Qual é o papel de Dometien Salaun Klein nessa trama diabólica? O que mais nos reserva esse caso?
Respondam vocês : ) Deixem suas críticas, sugestões, dicas, sacadas e comentários. Apontem direções e possíveis soluções. Estamos aguardando e sempre lembrando que, apesar de tudo o que temos visto nos últimos nove anos, essa Blog-Novela é apenas e tão somente uma obra de ficção científica ... Hahahahahahahaha!!! (risada do Vincent Price)
"Não perca a cabeça, delegado ..."
E como nos recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço e bom café!
Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado:
Na noite de quarta-feira, um grupo de amigos saiu para comemorar a data. O Dia Internacional da Amizade, criada para celebrar a chegada do homem, à Lua. E quando chegamos à cafeteria, fomos recebidos como se estivéssemos na Lua.
Eu tenho reclamado muito aqui da falta de pessoal capacitado para atender clientes exigentes como tomadores de café! Também tenho feito elogios a iniciativas como os Amigos do Café, em Recife que sempre se reúnem para provar drinks, degustar grãos diferentes e conversar muito.
O Brasil está se preparando para receber os turistas da Copa do Mundo de 2014, é o maior produtor de café do mundo, o segundo maior consumidor mas, convenhamos, quando a gente sai de casa para tomar um bom café, tem de escolher a dedo o local aonde ir.
Voltando à cafeteria. O atendimento foi tão automático que logo percebi que a pessoa que servia à mesa, decorou os passos, mas não sabia o que estava fazendo. A prova? Ele serviu o café como eu havia pedido e trouxe junto um copinho pequeno, como se fosse de pinga, mas estava com água com gás.
Eu me fingi a peguntei para que a água com gás e se eu deveria tomar antes ou depois do café. A única resposta foi. "A água é pro senhor beber!"
-Ufa! - pensei - com o frio que fazia, se eu tivesse que tomar um banho àquela hora da noite, iria sair tremendo da cafeteria...
Meu instinto de professor me fez chamar o garçon de volta e contar a ele - e aproveito para reproduzir aqui o que disse ao atendente.
Naquele copinho tem água com gás para ser tomada antes do café... Para limpar as papilas gustativas e preparar o paladar para tomar o café. Se você não gosta de água com gás, pode ser sem gás, claro. Mas, quem toma um bom café precisa preparar o paladar e a mente.
Hoje é o Dia Internacional da Amizade, data que foi criada na Argentina, para comemorar a chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969.
Por isso, tanto para lembrar o primeiro passo da tripulação da nave Apolo 11 na Lua, a gente quer ressaltar que o café é uma das bebidas que, ao longo da história da humanidade, esteve presente nos principais acontecimentos.
No século 17, o músico alemão, Johann Sebastian Bach, escreveu a Cantata do Café, para celebrar a amizade que tinha por Karl Schlendriane a filha Leixem, que tinham mania de tomar café a qualquer hora.
Na Europa do século 18, era comum amigos como os filósofos J. J. Rousseau e A. M. de Voltaire e até Napoleão Bonaparte, sentarem-se nos cafés de Paris e de Veneza para celebrar a amizade.
No Brasil, a Corte de Dom João 6º trouxe esse hábito de Portugal e era comum, no Rio de Janeiro, do século 19, rodas literárias se formarem nos cafés para leituras de crônicas, recitais de poesias e improvisos. Machado de Assis e Rui Barbosa gostavam de freqüentar o Café Lamas, no centro do Rio de Janeiro.
Portanto, no passado, como no presente, o café une, integra, instiga, suscita amizades. Celebre esse momento!
Uma pesquisa científica identificou uma “substância misteriosa” existente no café que, interagindo com a cafeína, aumentou os níveis de um fator do sangue chamado GCSF, responsável por evitar o progresso do Mal de Alzheimer. Por enquanto, a pesquisa foi feita apenas em camundongos.
O coordenador desse estudo, Dr. Chuanhai Cao, disse que o café com cafeína proporciona um aumento natural dos níveis de GCSF no sangue. Ele salientou que ainda não se sabe como isso acontece, mas há uma “interação sinérgica” entre a cafeína e essa substância desconhecida.
A pesquisa foi feita com café coado quatro a cinco xícaras por dia foi foram suficientes para neutralizar a patologia e a perda de memória nos camundongos com Alzheimer. Para ser eficiente contra a doença, o consumo da bebida pode ter início na idade adulta, entre os 30 anos e 50 anos. Mas, quanto antes começar a beber café, melhor.
Outros estudos feitos com humanos já haviam demonstrado que a ingestão diária de café por adultos e idosos diminui os riscos da demência.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Flórida do Sul, nos Estados Unidos, também descobriu que a cafeína é o provável ingrediente do café responsável pela proteção. Segundo o estudo, a substância reduz a produção no cérebro de uma proteína anormal chamada beta-amiloide, que, acredita-se, é responsável por causar o Alzheimer.
Portanto, além de todo o prazer que um bom café nos proporciona, ele ainda nos ajuda a manter a boa saúde do cérebro.
Pessoalmente atingidos pela canalhada que tentou matar o delegado Alexandre Dantas e sua equipe, Kassatti e Romoaldo partiram para a ignorância (no bom sentido, nada a ver com a nova gramática do MEC). Agora a conversa é outra, a poesia tem outra rima, não tem mais esse negócio de "mimimi", nada de pegar leve, acabou a diplomacia, o bicho vai pegar e a dupla do Café & Conversa vai botar pra F.
São muitos anos de estrada, muita poeira, muita pancadaria no couro, muito rock'n roll na veia, muita luta, muito aprendizado, muitas cicatrizes, muitos amigos, muita quilometragem, muitas histórias. E lá na roça tem um ditado que é o seguinte: "Não mexe com quem tá quieto". E pra piorar, "They fucked with the wrong journalists".
Todo o poder de fogo da dupla agora estava a serviço do delegado e sua equipe para aniquiliar qualquer um suficientemente estúpido para tentar impedir a investigação do assassinato da ministra Sueli Sandoval, a famigerada SS.
Para isso, eles acionaram um amigo, um irmão em armas, do tempo em que a estrada era muito mais perigosa e letal, do tempo em que gente como Miguel Brochado e sua quadrilha já teriam virado couro de pandeiro ou estariam rodando bolsinha em algum cabaré na fronteira com o Paraguai. E amigo é para essas horas.
E aí? Estão gostando? Espero ter causado um monte de calafrios em vocês : ) Até eu já estou com raiva desse Miguel Brochado e sua malta. Daqui pra frente a Blog-Novela não vai dar mole pra mané. Aqui, quem não chora, não mama; aqui, ninguém mija fora do pinico; aqui, escreveu não leu, o pau comeu; aqui, ajoelhou tem que rezar; aqui, tudo tem consequência, não tem lugar para a impunidade.
Então, encham suas canecas com algo bem quente, vistam seus pijamas-ceroulas, calcem as meias, enfiem-se debaixo do edredon, apaguem as luzes, liguem o som do computador e gritem com as aventuras de "Morte na Esplanada", ao som de Bachman Turner Overdrive. Porque o bicho tá pegando ...
Morte na Esplanada
Capítulo 14
O delegado Alexandre Dantas voltou a se encontrar com a dupla do Café & Conversa em meio às obras de recuperação da Grenat Cafés Especiais. Como a gatíssima Gabriela havia prometido, não faltou café para turbinar as reuniões de pauta do blog. Sua mãe, Luciana, também já havia providenciado uma escopeta para ficar atrás do balcão. Disse que não ficou assustada com o tiroteio e que teria reagido se tivesse uma arma. Mulher brava ... baixinha então é fogo!
- Delegado, agora essa briga é nossa também - disse Kassatti.
- Não gostamos nem um pouco dessa história de destruirem a Grenat e colocarem as meninas daqui em perigo, especialmente a Gabriela - emendou Romoaldo.
- Não esqueça das manchas no seu terno risca de giz novo em folha.
- Tem razão. O meu terno ...
- Pelo o que eu vi naquele dia, a ajuda de vocês é muito benvinda. O que vocês podem fazer por nós?
- Vamos colocá-lo em contato com um amigo de outros tempos, quando a gente aventurava pelo mundo em busca de lutas que valessem a pena. A gente ainda continua fazendo isso, mas está difícil encontrar uma luta que valha a pena. No máximo, um entrevero aqui e ali, como naquele dia - disse Kassatti.
- E que amigo é esse?
- Alguém que conheceu a ministra lá no início e poderá apontar o caminho, mostrar o fio da meada para você chegar aonde quer. Nos falamos - disse Romoaldo.
Os três se despediram e seguiram cada um numa direção. Alexandre voltou para junto de sua equipe para saber se havia algum avanço na identificação dos atiradores.
- Alguma novidade dos atiradores?
- São dois matadores do tráfico. Ex-policiais que entram para quadrilhas no Rio de Janeiro, andaram recebendo treinamento das FARC nas favelas. Devem ter sido sub-contratados para despistar a fonte da encomenda - disse Rômulo.
- Já estava desconfiado. Pela sutileza e finesse do atentado ... Se tivesse dado certo, provavelmente iriam nos implicar com o tráfico de drogas. Mortos, como iríamos nos defender?
- As fichas deles na Polícia Militar não dizem muita coisa. Eles saíram de lá há muito tempo. Só umas faltas disciplinares e mais nada. Acho que vamos conseguir mais informações com nossos informantes lá no Rio - acrescentou Gabriel.
- E as notícias na imprensa? Alguma coisa?
- Sobre o atentado, só o trivial e a completa falta de informação sobre os atiradores e a motivação. A sua foto saiu de novo no jornal daquela jornalista.
- Mais alguma coisa?
- Só mais um grande escândalo. Dessa vez, com um figurão lá em Nova Iorque -Gabriel mostra a manchete e a foto do sujeito algemado, um senhor idoso e completamente grisalho.
- O que foi?
- O presidente de um desses bancos internacionais de fomento foi preso. A camareira do hotel onde ele estava hospedado, está acusando o cara de estupro. A polícia pegou o cara dentro do avião. Já estava fugindo.
- Lá nos Estados Unidos não tem lero-lero. Se fosse aqui, esse cara seria escoltado pelo presidente da República até o avião para ir embora e com um pedido de desculpa formal do governo brasileiro - disse Pablo, ajeitando a tipoia.
- Você morou lá um tempo, né?
- Foi na adolescência.
- Como é o esquema lá?
- O cara vai ficar preso. O advogado dele vai pedir ao juiz que estabeleça uma fiança e ele possa responder o processo em liberdade. A Promotoria vai esperar o resultado da investigação policial para apresentar a peça de acusação. Enquanto isso, o cara fica em cana.
- E pelo jeito, vai perder o cargo. Nenhuma instituição de ajuda a países pobres pode ter um presidente tarado estuprando camareiras de hotel. Ficou muito configurado o estereótipo do coroa rico e depravado que abusa da mulher jovem e pobre. Como é que um sujeito desse nível tropeça desse jeito? Já já começa a pipocar outras denúncias contra ele.
- Mas, o cara não é americano. É francês. Ele pode ficar preso? - perguntou Rômulo.
- Os jornais estão dizendo também que o cara é figura de ponta do Partido Comunista francês. Falam até que ele estava cotado para disputar a Presidência da França -completou Gabriel.
- Dentro do território americano não tem conversa. Cometeu crime? Foi pêgo? Vai preso. Ainda por cima em flagrante. Aí é que não tem conversa mesmo. Não interessa se é americano ou estrangeiro. E a justiça é rápida. Não tem essa lerdeza daqui não - disse Pablo.
- Aqui, até terrorista assassino confesso ganha proteção e tem vida boa. Pelo menos, esse escândalo ajuda a abafar um pouco o atentado e podemos investigar com mais calma e sem muita gente pentelhando ou atrapalhando. Vamos à luta?
No dia seguinte, o delegado recebeu um telefonema do blog Café & Conversa. Marcaram encontro numa rádio comunitária localizada no bairro chamado Lago Sul. A rádio tem duas características interessantes: é especializada em rock'n roll e é comandada por um padre.
Kassatti e Rômulo aguardavam o delegado na entrada do pequeno prédio onde ficava a rádio, atrás de uma igreja. Foram até um dos dois únicos estúdios. Através do vidro duplo, puderam ver um padre de bata preta, olhos fechados, com fones de ouvido e dançando alucinadamente ao som da trilha sonora de hoje. Alexandre ficou sem ação diante da cena.
- O que é isso? - perguntou o estupefato delegado.
- É o amigo do qual falamos, aquele que queremos te apresentar e que conheceu a ministra nos tempos da clandestinidade - respondeu Kassatti.
- É esse padre aí quem vai me ajudar?
- O próprio - sorriu Romoaldo.
Alexandre olhou novamente pelo vidro duplo do estúdio e viu em cima da mesa uma placa onde se lia: "Vive la mort, vive la guerre, vive le sacré mercenaire".
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Estamos recebendo colaborações importantíssimas. Vocês nem acreditariam o quanto. Uma delas veio da leitora Elina Rodrigues, que pegou a Blog-Novela já adiantada. Ele sugeriu que disponibilizássemos os links dos capítulos anteriores ao final de cada novo capítulo para facilitar a leitura. Adotamos imediatamente a brilhante ideia : )
Outra colaboração emocionante chegou poucas horas antes de postarmos esse capítulo. A nossa leitora e ativista ambiental de primeira linha, Telma Monteiro, não sabemos como, conseguiu arranjar tempo para ler a nossa Blog-Novela e deixar um comentário. Explico: há três dias, ela e seu marido foram vítimas de um atentado real. Incendiaram criminosamente a área de Mata Atlântica que ela protege e onde fica a sua residência. Por pouco não perdeu a vida.
Continuem enviando suas críticas, sugestões, ideias, sonhos, desejos, dicas, direções, alucinações. Aqui não tem miséria. Aproveitamos tudo! Também não esqueçam de utilizar o espaço reservado aos COMENTÁRIOS, logo aí embaixo. Abaixo dele, o Blogger criou uma novidade. Tem um quadradinho azul com o sinal + e o número 1. Clicando nele, ganhamos prioridade nas buscas do Google. Se você achar que merecemos, por favor clique lá : )
E como nos recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço e bom café!
Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado:
Romoaldo de Souza e Ricardo Icassatti Hermano são jornalistas especializados em política, sendo que Ricardo também é barista e provador amador, e Romoaldo é juiz oficial da Associação de Baristas do Centro Oeste. Descobriram o interesse comum e passaram a procurar em Brasília uma cafeteria onde pudessem realmente degustar um bom café e conversar sobre política e a vida. Nesses encontros surgiu a idéia de um blog que auxiliasse as pessoas a tomar um bom café e, se possível, ajudar a desenvolver o mercado interno para os cafés especiais. Além, é claro, de "conversar" sobre os assuntos e as pessoas do momento.