terça-feira, 2 de agosto de 2011

Morte na Esplanada - Capítulo 18

Ricardo Icassatti Hermano

Agora, a minha, a sua, a nossa Blog-Novela está parecendo uma roda de capoeira. É pernada pra todo lado. O delegado Alexandre Dantas resolveu partir pra cima com tudo. Afinal, se a pancadaria é na base do vale-tudo, não dá para ficar observando cada filigrana da lei quando se está lidando com criminosos sociopatas. Ou então ele se tornará um forte candidato a presunto.

Como resolveu entrar no jogo, o delegado topou jantar com a jornalista Mércia Trancoso. Ele já havia previsto o que aconteceria e preparou uma armadilha para a profissional de imprensa. Ela estava prestes a instalar um "Cavalo de Tróia" em seu próprio computador, que permitiria aos investigadores saber tudo o que ela guardava, escrevia, pesquisava e com quem se correspondia.

Alexandre chegou a uma "encruzilhada" em seu caminho na vida. A vida é o somatório das nossas escolhas. O delegado passou por muita coisa, viu outras tantas, conheceu gente que ele nem imaginava existir. Boa ou ruim, ele fez sua escolha. No final, essas classificações não terão qualquer importância ou significado. No final, é tudo aprendizado.

Mas, você já deve estar doida(o) para saber o que vai acontecer neste capítulo. Calce suas meias, vista seu pijama, prepare sua caneca, agarre-se ao seu ursinho de pelúcia ou à sua boneca inflável, ligue o som do computador, apague as luzes, aperte o play aí embaixo e estremeça com mais um capítulo da "Morte na Esplanada".


Morte na Esplanada

Capítulo 18

A equipe de investigadores estava reunida no apartamento de Alexandre. O agente Gabriel mostraria o que conseguiu apurar com o "Cavalo de Tróia" instalado no computador da repórter Mércia Trancoso.

- E então Gabriel? Conseguiu alguma coisa? - perguntou Alexandre.

- Muita coisa ... mais do que imaginam. Vocês vão ficar surpresos.

- Ôba! Finalmente vamos ter alguma ação por aqui - disse Pablo.

- Está na hora de devolvermos algumas porradas - disse Rômulo.

- Você tem toda razão, Rômulo. Chega de apanhar calado. Vamos à forra! - disse Alexandre.

- A Mércia até que tentou esconder as informações. Mas, quando ela foi arquivar os vídeos que você deu naquele pendrive, descobri que ela usa um servidor que aluga espaço para armazenamento. Ela toma o cuidado de não deixar nada arquivado no computador.

- E como vamos ter acesso a esses arquivos armazenados em um servidor? - perguntou Pablo.

- O "Cavalo de Tróia" que estava no pendrive e foi instalado no computador, gravou a senha que ela usa no servidor. Assim, tive acesso a tudo, entrei lá e baixei para nós.

- Eu não disse? Esse menino é um gênio! - falou Alexandre.

- Mas, o melhor foi o que eu encontrei. Cara, essa gente é foda. Ninguém confia em ninguém e todo mundo quer passar a perna nos outros.

- Explica isso aí - pediu Rômulo.

Gabriel então mostrou cópias de documentos, gravações de áudio e vídeo feitas pela própria Mércia. Especialmente telefonemas entre ela e a ministra e entre ela e o ex-presidente de banco Dometien Salaun Klein, o famigerado DSK.

- Agora é que vocês vão cair de costas mesmo - avisou Gabriel.

- O que você descobriu? - perguntou Rômulo.

- A Mércia não só conhecia como estava de caso com o Dometien.

- Não sacaneia ... - espantou-se Pablo.

- Ela também gravou vídeos transando com ele. Mas, o melhor são as gravações das conversas entre os dois. Eles estavam planejando passar a perna na Sueli. 

- Passar a perna? Em que? Como? - perguntou Alexandre.

- Na comissão sobre a venda dos caças franceses. 

- Bem que o Padre Avellar me disse. Como é que esses caras sabem dessas coisas e nós, a Polícia, não sabemos de nada? Precisamos ler mais jornal ...

- Mas, agora estamos sabendo. Tem uma conversa dos dois que é bem esclarecedora. Segundo o Dometien, houve uma grande fraude na licitação dos caças. Envolve os dois presidentes, parlamentares daqui e da França, ministros e o escambau. Mas, o Dometien disse também que a comissão para essa venda é de um bilhão de euros. Então, tinha dinheiro de corrupção para todo mundo. Como ele é um expert em transações bancárias internacionais, conseguiu que o financiamento fosse realizado pelo banco de fomento que ele presidia.

- Mas esses bancos não são para financiar projetos no terceiro mundo de saúde, habitação, saneamento, essas coisas? - questionou Rômulo.

- São, mas ele deu um jeito, não sei como, mas deu. 

- O Padre Avellar me contou que o Dometien dava treinamento em Cuba sobre operações financeiras para as guerrilhas. 

- Mas, o grande lance era a comissão de um bilhão de euros.

- O que tem essa grana?

- Ela tinha vários destinos, seria repartida entre vários personagens. Mas, o Dometien estava querendo passar a perna em todo mundo. 

- E como ele conseguiria isso? - perguntou Pablo.

- Para cada um ele prometia alguma coisa. Para a Sueli, por exemplo, prometeu financiar a campanha dela à Presidência da República, inclusive financiando uma enorme bancada também.

- Com essa grana, eles poderiam comprar e eleger todo o Congresso Nacional - disse Rômulo.

- Pois é, o Dometien espertamente dourava a pílula de acordo com as ambições de cada um. Parte dessa grana também financiaria a campanha dele à Presidência da França. Como toda a engenharia financeira foi elaborada e estava nas mãos dele, na verdade ele era o dono da grana. Ele é quem faria o dinheiro chegar às mãos dos envolvidos.

- O cara soube manobrar todo mundo ... - pensou alto Pablo.

- E a Mércia? O que ela ganharia?

- Ele prometeu resgatar a credibilidade dela, que ficou manchada depois de ser desmentida pela ONU, sobre uma matéria em que ela mentiu descaradamente. Quando fosse eleito presidente da França, prometeu nomeá-la sua assessora de imprensa e a ghost writer da sua biografia.

- Rapaz, que história doida ... É como me disseram os caras do Café & Conversa, está tudo lá na sordidez humana, toda a motivação. Grana e poder. Lembrei da última cena do filme "Advogado do Diabo", quando o próprio diz: "Vaidade, meu pecado predileto". 

- Pelos últimos acontecimentos, dá para deduzir que o plano dele falhou - disse Pablo.

- Miseravelmente ... - completou Rômulo.

- Agora está claro que armaram para ele com a camareira. Isso tirou ele do banco e da jogada com os caças. Além disso, acabou com as pretensões políticas dele - disse Pablo.

- E o presidente da França escolheu outro da confiança dele para presidir o tal banco de fomento. Com isso, manteve a posse da grana, limpou a área política e, quem sabe, garantiu a própria reeleição - deduziu Rômulo.

- E o nosso presidente? - perguntou Pablo.

- O babaca quase arruinou tudo quando estava bêbado e fez aquela declaração desastrosa, inclusive cometendo crime de prevaricação. Mas, ele vai conseguir eleger seu sucessor e manter alguns cargos-chave para garantir que tudo saia do jeito que estava combinado - disse Alexandre.

- E nós, os contribuintes, somos uns otários mesmo ... - revoltou-se Rômulo.

- Mas, podemos fazer um estrago também - disse Alexandre, deixando todos de orelha em pé. 

- O que precisamos fazer? - perguntaram quase ao mesmo tempo.

- É o seguinte ...
♦♦♦

Estamos nos encaminhando para o final de mais uma eletrizante Blog-Novela. A sua colaboração, seus comentários, suas críticas e sugestões foram decisivas para o processo de criação da trama, dos personagens e tudo o mais. Agradeço de coração a todos que acompanharam e vibraram com "Morte na Esplanada".

E como diz o Romoaldo todas manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no podcast: Um abraço e bom café!

Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado:















Macarronada ao molho de café

Romoaldo de Souza

Nesse final de semana, a gente fez um experimento e os resultados são supreendentes! Nós descobrimos que não é facil preparar molhos usando o café, temperos e azeite.

Você que anda cansado do molho de tomate e já não quer mais nem ouvir falar em molho branco, não desanime, porque o experimento que fizemos, vai deixar sua macarronada, como a gente costuma dizer: "nos trinques"! Uma macarronada para não ser esquecida nem tão cedo.  Macarrão com molho de café!

Você só vai precisar de carne moída, champignon, cebola, salsa, azeite, orégano, sal, açúcar e claro! Café. Os entendidos no assunto de gastronomia reconhecem que a criatividade na cozinha é um ingrediente que não pode faltar.

Aqui, nesse caso de macarronada com molho de café, além de criatividade, é preciso, também, ser um pouco ousado. Porque você vai sair da sua rotina de despelar tomate, e abrir latas e mais latas de creme de leite.



- 700g de carne moída
- 1 cebola grande picada
- 100g ou meio copo de champignons cortados
- 150ml ou três xícaras pequenas de café sem açúcar
- 3 colheres de sopa de salsa picada
- 3 colheres de sopa de azeite
- 1 colher de sobremesa rasa de orégano
- 1/2 colher de sobremesa de sal
- 1 pitada de açúcar
- Uma boa pitada de pimenta do reino moída
- Queijo parmesão ralado a gosto

Numa panela pequena, aqueça o azeite em fogo MÉDIO e, mexendo sempre, refogue a cebola até que fique dourada. Acrescente a carne moída e misture bem com a cebola por três minutos. Adicione metade da salsa picada e mexa bem. Coloque o café e misture novamente. Reduza o fogo para MÉDIO-BAIXO e cozinhe por oito minutos. Se ressecar, diminua mais ainda o fogo e acrescente um pouco de água.

Acrescente os champignons e misture delicadamente porque os cogumelos são frágeis. Adicione o orégano, o sal, a pimenta do reino e a pitada de açúcar. Misture até que todos os ingredientes estejam bem incorporados. Cozinhe com a panela destampada por mais cinco minutos.

Agora basta cobrir a massa da sua preferência com esse molho, salpicar com o restante da salsa picada, polvilhar o parmesão ralado e se preparar para os aplausos! 

Um abraço e bom café!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Milk shake de café!



O frio já vai indo embora e dando lugar à temporada de calor. E às vezes, é difícil tomar nosso café de todo dia quente ou sapecando a língua, como geralmente é servido por aí. Mas, se esse é o problema, ele não existe mais, pois café também se bebe frio ou até gelado. As receitas são muitas, inclusive com sorvete de café.

Nós queremos começar agosto, trazendo para vocês uma receita básica, com gosto de infância, com cheiro da cozinha de casa, com a lembrança do carinho de mãe. 

É o velho conhecido café com leite, que certamente adoçou as suas manhãs sonolentas na meninice. A nossa receita é feita para enfrentar aqueles dias que já nascem tremendamente quentes e que você acorda literalmente suando. Especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Faça o seu café costumeiro, espere esfriar, coloque numa forma de gelo e leve ao congelador. Depois de congelado, coloque dois ou três cubos de gelo de café no liquidificador. Adicione leite frio na medida que desejar, açúcar e bata bem. Fica quase um refrescante milk shake de café ou um saboroso ar condicionado instantâneo. Garanto que você vai começar o seu dia com menos calor e mais alegria pelas recordações da infância que o café com leite certamente vai lhes trazer.

Nem todo café precisa ser quente. Hoje, tem uma dica de café gelado que é uma maravilha!!!


Um abraço e bom café!

sábado, 30 de julho de 2011

Café, Gente e Papos Bacanas 4 - TNT, uma festança barista

Ricardo Icassatti Hermano

Na semana passada, fui convidado para um evento conhecido em todo o mundo pela sigla TNT, que quer dizer Thursday Night Throwdown. Trata-se de uma competição amigável entre baristas para testar suas habilidades em Latte Art, que é aquele desenho feito na superfície dos cappuccinos. Você pode conferir do que se trata nas fotos abaixo.





Tomei banho, passei perfume, penteei a cabeleira (apesar de não ser jogador da seleção), vesti uma roupa mais caprichada e me despenquei para o restaurante ZUU, onde seria realizado o evento. Aí você vai me perguntar: "Mas, pra que tanto capricho?". Por dois motivos muito simples.

Galera animada pela cafeína

Primeiro, o evento foi organizado pela Bebel Hamu, junto com os baristas Daniel Viana, Paulinho Lima e com uma força do mestre de torra e barista Márcio Dias, representando o patrocinador oficial do evento: Quitinete Café, que forneceu o leite e o café. Também foi disponibilizada uma máquina profissional de espresso La Spaziale de dois grupos.

A Bebel Hamu tem tanta luz própria 
que até atrapalha na hora de fotografar

O segundo motivo é que lá estaria também a Gabi Sturba, uma das proprietárias da Grenat Cafés Especiais, a sala de reunião do blog. Precisa dizer mais? Além disso, o evento é uma festa, uma balada da melhor qualidade cheia de gatas fãs do Café & Conversa, como agradavelmente descobri.

Café, Rock'n Roll, Bebel e Gabi. Achei que tinha
morrido e ido para o Paraíso : )

Mas, voltando ao TNT, a competição é bem limitada. Os baristas só podem utilizar o espresso e o leite vaporizado, porque o que conta é a habilidade de fazer belos desenhos nas xícaras de cappuccino. Eu fiz o curso de barista há muitos anos, mas não foi para seguir a profissão e fazer carreira. Sou jornalista e meu negócio é escrever. 

Tem mulher barista competindo também

Mesmo assim, sou amigo dos baristas e, junto com o Romoaldo, o Café & Conversa trabalha incansavelmente no Congresso Nacional pela regulamentação da profissão. Assim, os baristas insistiram e me pilharam até que acabei cedendo e me inscrevi para a competição, apenas pela farra e para ajudar a engordar o caixa. O vencedor do TNT leva o que total arrecadado pelas inscrições. 

Daniel com a xícara e Paulinho de camiseta preta,
baristas e organizadores de primeira

Esta foi apenas a terceira edição do TNT em Brasília. Muitos ainda virão. A competição foi criada em 2008 pelo barista Ben Helfen, da Octane Coffee, em Atlanta (EUA). Desde então, tornou-se uma febre no meio barista de todo o mundo. A Suplicy Cafés Especiais trouxe o evento para o Brasil e já se espalhou por várias capitais. O TNT é realizado toda última quinta-feira do mês.

Um momento de criação e habilidade

A característica mais marcante do TNT é o clima de amizade e camaradagem entre todos. Esse clima de confraternização e troca de informações contribui - e muito - para o fortalecimento da comunidade do café. Apesar de ser quase uma brincadeira, todos os baristas levam a sério as suas performances e treinam bastante antes do evento. O resto é festa, balada, gandaia : )

O bom é a gandaia. Momento da entrega da grana ao Márcio

Após a minha previsível eliminição, me colocaram como jurado. Enquanto os baristas preparam suas Latte Arts, os jurados não podem ver. Quando ficam prontas, as duas xícaras são colocadas lado a lado e os juízes apenas apontam para aquela que considerarem mais bonita.

E como deveria ser sempre, venceu o amor ...
a Latte Art do Márcio é a de cima

O vencedor da noite foi o barista e mestre de torra Márcio Dias, da Quitinete Café. Parabéns a todos os organizadores, patrocinadores e apoiadores. O TNT foi maravilhoso, um verdadeiro sucesso e mostrou que veio para ficar.

O barista Márcio Dias, o grande vencedor da noite

Lá também conheci várias fãs do Café & Conversa, que me reconheceram no ato. O que, devo confessar, me surpreendeu : )

- Você é o Ricardo do Café & Conversa?

- Sim, sou eu (sorriso largo).

- Tira uma foto comigo?

- Claro (sorriso mais largo)!

Estou sempre disponível para fãs e colegas como a
Thays Martins, do blog Cheirinho de Café

Ao final da festa, Bebel ficou absolutamente chocada com a minha sofrível performance (só consegui fazer uma bola torta) e gentilmente ofereceu ajuda no treinamento para que eu faça bonito no próximo TNT. Me aguardem ...
.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Brasileiros tomam mais café

Romoaldo de Souza

Que feijão com arroz, que nada. É do café que os brasileiros mais gostam. Pesquisa do IBGE, divulgada na quinta-feira (28), indica que o alimento mais consumido pelos brasileiros é o café. 

Em média, cada brasileiro bebe, por dia quatro xícaras de café. Na lista aparecem, ainda, o feijão, em segundo lugar e o arroz em terceiro. Mas volto a destacar: o café está em primeiro lugar. Ainda aparecem nessa lista, sucos, refrigerante e carne bovina. 

É bom destacar que essa pesquisa do IBGE vem reforçar o empenho de alguns setores da gastronomia brasileira e de pequenos empreendedores que não se contentam somente com a estatística de que o Brasil é o maior produtor de grãos do mundo e o segundo maior consumidor de café.

Está mais que na hora de começarmos a provocar uma virada nesse quadro, não apenas do ponto de vista da quantidade, mas da qualidade. É que o café que os brasileiros consomem ainda não é um café de primeira. 

A explicação para isso é que os governos se preocupavam em ganhar volume de negócios e não levaram em consideração que era precisa ser visto não somente como exportador, mas consumidor de bons cafés. 

Graças a esses pequenos, embora importantes esforços, o estigma de que o Brasil vende o que é bom para exportação e deixa o café ruim por aqui está, aos poucos, se transformando. 

É verdade que boa parte do grão consumido internamente no Brasil é da pior espécie, não passaria em qualquer controle de qualidade lá fora. Mas, da mesma forma é importantíssimo ressaltar que aos poucos o hábito das pessoas de sentarem-se a uma mesa para degustar café de primeira já é uma realidade em muitas partes do país. 

A gente tem acompanhado esse crescimento do número de pessoas que não aceitam qualquer café. Tem de ser brasileiro e do melhor.


Um abraço e bom café!!!

Morte na Esplanada - Capítulo 17

Ricardo Icassatti Hermano

O delegado Alexandre Dantas decidiu enfrentar os poderes de sedução da jornalista Mércia Trancoso? Será que ele resiste aos encantos dela? E Lígia Dupont? Por onde andará a musa de Alexandre? Ela se refugiou em sua cabana nos Alpes Suiços e acompanha os acontecimentos através de relatos esporádicos do delegado.

O que eu sei mesmo é que já estabeleci o final dessa trama. E ela se encerrará no 20º capítulo. Bem a tempo de iniciar a cobertura do Rally dos Sertões 2011 para o blog Café & Conversa. Vamos levar muito café, moedor e cafeteiras French Press. Só pode sair coisa boa daí.

Portanto, quem ainda tiver alguma colaboração a dar, a hora é agora ou se cale para sempre : ) Por enquanto, fique com o novo capítulo de "Morte na Esplanada", que vai esquentar feito a nossa internacionalmente famosa receita de Chili con Carne.

Então vista o seu pijama, encha a sua caneca, calce as meias, ligue o som do computador, apague as luzes, enfie-se debaixo do edredon e estremeça com as emoções emocionantes da sua Blog-Novela preferida.


Morte na Esplanada

Capítulo 17

Às 21h em ponto, Alexandre chegou ao restaurante Nero. Um lugar sofisticado, com aquela meia luz equivocada que realça o avanço da idade, toalhas impecavelmente brancas, garçons atenciosos e educados. No salão, arranjos florais e a clientela que se esforçou para aparentar riqueza exagerando na maquiagem e nos perfumes. Certamente é um restaurante caro.

O delegado olhou o relógio, que marcava 21h07. Ele não gostava de esperar. Tinha rigor com horários agendados. Se uma pessoa marca a hora de um encontro, não há justificativa para o atraso, pois teve todo o tempo do mundo para se preparar e se antecipar. A não ser, claro, que haja um acidente. Mas, obviamente não era o caso.

Ele trajava uma calça social azul marinho, camisa branca e um paletó de couro preto. Estreava um par de botas que havia comprado pela internet numa loja americana, conforme recomendação de Kassatti.

O delegado era avesso a perfumes, da mesma maneira que não conseguia ouvir música com headphone no meio da rua. Não entendia como alguém abria mão de um sentido importante como a audição e se expunha a diversos perigos decorrentes dessa carência sensorial. Ele aprendera nas artes marciais que precisava estar atento a tudo e as distrações não faziam parte da sua vida.

Enquanto observava o ambiente, Alexandre pensou que conforme a corrupção crescia em Brasília, graças a um presidente que elevou o patamar da cara-de-pau a níveis impensáveis, mais surgiam bons restaurantes, ou pelo menos que posavam como tal. O jantar caro ainda era uma ferramenta poderosa dos lobistas para conquistar políticos e autoridades governamentais.

Embora o restante do país veja Brasília como uma "ilha da fantasia", todos os políticos que ali se encontram vieram de outros lugares. A grande maioria é formada de jecas gananciosos que se deslumbram com o falso luxo desses restaurantes. Imaginam terem alcançado os píncaros da elite ao verem seu jantar sendo pago por uma empreiteira ou empresa de consultoria.

Encantam-se com vinhos e uísques, cujos nomes são incapazes de pronunciar, inclusive os nacionais, e as sonoras taças de cristal. Olhos brilham e bocas salivam diante de camarões e lagostas mal cozidos. Falam e riem alto para chamar a atenção ou por falta de educação básica mesmo.

Ficam absolutamente fascinados com a infinidade de talheres e os preços cobrados. Fingem entender tudo que lhes é explicado pelo Maitre e pelo Sommelier, previamente azeitados com polpudas gorjetas. O jecas são fisgados como peixes numa bacia.

Alexandre voltou a consultar o relógio: 21h38. Como aquilo era um jantar e ele não era o noivo numa cerimônia de casamento, decidiu ir embora. Estava se levantando quando Mércia chegou. Estava lindíssima num vestido de seda champanhe. As alças finíssimas denunciavam a ausência de soutien e davam um ar de perigo eminente, podendo romper a qualquer momento.

- Eu sei, estou atrasada né?

- Muito ...

- Me desculpa Alexandre, mas é que tivemos um probleminha no fechamento, sabe como é né?

- Na verdade, não sei como é. Foi você quem marcou o horário e eu respeito muito a pontualidade.

- Ah, desculpa, vai ... mas, o importante é que estamos aqui. O restaurante é lindo não? Você gostou?

- Ainda não consegui ver muito ... pouca luz ...

Alexandre puxou a cadeira para que Mércia sentasse. Ela ficou meio sem saber o que fazer. Mas, foi apenas por um instante. Não estava acostumada com gestos gentis. Ao contrário, sua vida sempre fôra marcada pela brutalidade, a grosseria e a rudeza. Os homens com quem se relacionou, de qualquer forma, só queriam uma coisa dela e não era preciso cortejá-la para isso.

Ela também não era menos rude. Apenas se utilizava de uma personagem meio inocente para atiçar ainda mais os impulsos e fantasias dos mesmos jecas que tinham seus jantares pagos em restaurantes como aquele. Era uma luta, uma troca grosseira de interesses e todos se davam por satisfeitos.

O jantar transcorreu com naturalidade. Ela pediu um prato com camarões e ele foi de filé de atum grelhado com crosta de castanhas. Embora o delegado estivesse mais inclinado para o Pinot Noir, consumiram uma garrafa de vinho chileno, uva Cabernet Sauvignon, safra 2008. Um ano na madeira, deu-lhe estrutura e manteve os taninos suavemente domesticados.

- Mas, com esses pratos, não deveríamos estar tomando vinho branco? - perguntou a jornalista.

- Isso é um mito largamente difundido por aqui. Mas, é possível sim harmonizar frutos do mar com vinhos tintos. Só é preciso saber como e aqui na América Latina pouca gente sabe. Temos excelentes tintos frutados que harmonizam muito bem.

- É mesmo?

- Experimente, arrisque, descubra possibilidades, novos parâmetros, destrua mitos paralisantes ...

- Nossa ... que delícia! Casou perfeitamente com o meu prato. E o seu?

- Perfeito.

A conversa girou em torno de amenidades e recordações de viagens. Quando a sobremesa pousou sobre a mesa, o assunto também chegou onde estava planejado chegar. Mércia pediu Creme Brûllée e duas colheres.

- Então, Alexandre. Tenho uma proposta para te fazer. Temos interesses em comum e poderíamos trabalhar juntos, compartilhar informações e lucrarmos juntos. Seria bom para nós dois. O que você acha? - perguntou a repórter olhando nos olhos do delegado e levando a colher cheia de creme à boca.

- Depende Mércia, depende - respondeu Alexandre mantendo olhar fixo no dela.

- De que? - a colher foi enterrada no creme, estalando a crosta de açúcar queimado.

- Do que você tiver para compartilhar. Um negócio só é bom quando é bom para todo mundo - a colher do delegado também penetrou fundo o creme, quebrando a fina crosta açucarada.

- Tenho muita informação de bastidor que pode ajudar na sua investigação - a repórter encheu a boca de creme.

- Tipo o que? - a colher do delegado parou a meio caminho da boca.

- Tipo quem levou, de onde, quanto ... - falou com dificuldade a repórter por estar com a boca cheia.

- Me dê uma amostra grátis - a colher do delegado continuava parada no ar.

- Só se você me der uma também - ela enfiou com força a colher no creme.

- É justo. Combinado. Você primeiro - o delegado finalmente abocanhou a sua porção de creme.

Mércia contou verdades e mentiras sobre as festas da ministra. Ela não sabia que a ministra gravava e que Alexandre estava com as gravações. Assim, relatou aquilo que lhe interessava. Mas, como todo bom jogador de pôquer, o delegado sabia administrar o jogo para tirar o máximo possível do oponente.

Alexandre tirou um pendrive do bolso da camisa e ficou rodando o dispositivo entre os dedos. Os olhos de Mércia se arregalaram. Ela largou a colher e não tocou mais no Creme Brûlée.

- Tenho gravações das festas aqui neste pendrive. São vídeos reveladores.

A expressão no rosto de Mércia era um misto de espanto e curiosidade. Como uma criança diante dos presentes embaixo da árvore de Natal. Ela chegou a levantar a mão, como que querendo pegar o pendrive, mas recuou em seguida. Algo parecido com vergonha ruborizou por um instante a sua face.

- Como assim? Vídeos?

- Sim, vídeos. Muitas pessoas interessantes aparecem neles e fazendo coisas que até Deus duvida ... interessa?

- Claro, interessa sim ... mas, me conte mais sobre o conteúdo desses vídeos ...

- A ministra gravava as bizarrices, perversões e taras dos convidados para poder chantagear depois. Você não sabia?

- Não! Como eu poderia saber?

- Por que você está em alguns deles.

Mércia já pressentira que a revelação estava a caminho. No momento, ela tentava controlar o pânico, que nunca havia sentido. Sempre estivera no controle das situações. O embaraço era sempre dos outros. Assim que acalmou os milhares de pensamentos que se agitavam como um furacão em sua mente, ela se perguntou: "o que esse delegado está pretendendo?"

- Você assistiu os vídeos?

- Quase tudo. É muita coisa. Ainda estou assistindo, mas o que já vi dava para derrubar mais da metade desse governo e colocar numa saia justa - sem trocadilho - boa parte do corpo diplomático, brasileiro e estrangeiro.

- E o que você pretende fazer com isso?

- Você falou em compartilhar informações e lucrarmos juntos ...

- O que você quer de mim?

- Eu tenho meus problemas internos lá na polícia. Desconfio que o diretor Miguel Brochado e seus vermes estão querendo me queimar. Então preciso me proteger e à minha equipe, entende? Você esteve com ele, deve ter ouvido alguma coisa que possa me ajudar.

- Realmente, ele te odeia. Babaca foi o palavrão mais suave que ele usou para se referir a você. Também foi dele a ideia de colocar a sua foto na primeira página do jornal. Ele insistiu nisso. Era como se ele soubesse que isso facilitaria o atentado contra vocês. Disse várias vezes que te queria morto.

- Como você conseguiu que ele te desse as informações sobre a investigação?

- Ora, delegado, se você assistiu os vídeos, já sabe como consegui. Aliás, eu consegui, mas ele fez jus ao sobrenome (risos). Ele ainda tomou umas doses de whisky, mas não adiantou. Pelo tempo que ele ficou enrolando, acho que estava esperando que o Viagra fizesse efeito. Esforço jogado fora (risos).

- Você tem alguma evidência que eu possa usar?

- Infelizmente não. 

- O que mais você tem para me dar?

- Olha Alexandre, nós bem que poderíamos complementar esse nosso acordo com alguns benefícios extras ...

- Se eu não estivesse comprometido, talvez até rolasse, mas não vai dar. Vou lhe dar esse pendrive em confiança. Assim que você tiver mais informações que possam me ajudar, é só me ligar nesse número - o delegado entregou o pendrive junto com um cartão onde havia impresso apenas um número de telefone. 

- Garçon! A conta por favor - pediu o delegado.

- Pode deixar essa comigo, Alexandre. O jornal paga por esses encontros com fontes e você é hoje a maior de todas as fontes. Posso usar o material desse pendrive?

- Fique à vontade.

Alexandre deixou o restaurante e entrou em seu carro. Pegou o celular e ligou para Gabriel

- Pronto Gabriel, ela está com o pendrive.

- Agora é só esperarmos ela plugar no computador e teremos acesso total a tudo que estiver armazenado lá. O vírus que coloquei no pendrive vai remeter tudo automaticamente para o meu computador e ainda posso monitorar à distância e em tempo real.

- Rapaz, você é um gênio!

♦♦♦

Ééééé ... queridas(os) leitoras(es). Viver é perigoso e quem vive mentindo um dia se atrapalha, experimenta do próprio veneno. A lei do retorno não falha. E não é nada esotérico, é Física pura mesmo. O que será que nossos bravos policiais vão encontrar no computador de Mércia Trancoso?

Ajude-nos a pensar nisso : )

E como nos bem recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast : Um abraço e bom café!


Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado:














quinta-feira, 28 de julho de 2011

Atendimento em cafeterias

Romoaldo de Souza

A ouvinte Nadja Nascimento,  moradora de Cabo de Santo Agostinho, confessa que depois que passou a acompanhar a CBN Recife e o nosso quadro de café, ela tem se tornado, aos poucos, uma consumidora mais exigente e uma tomadora de café de qualidade.

Bom, isso é ótimo, Nadja. Agora, ela revela que mesmo em Recife, tem dificuldades de ser bem atendida por pessoas que saibam o que estão fazendo e, mais que isso, nossa ouvinte tem uma bronca com quem entrega a xícara de café na mesa e não tem a menor noção do que está fazendo.

Eu já tinha alertado, aqui, outro dia, que um ouvinte foi numa cafeteria em Brasília e depois que o garçom entregou a xícara com café e um copo de água com gás, sequer sabia a utilidade da água. Eu insisto, é para preparar as papilas gustativas, limpar o paladar para que você possa saborear o seu café.

Pois bem, quando você chega numa loja de roupa pergunta se o tecido encolhe, se cede, se desfia, essas coisas comuns que o atendente responde na ponta da língua.

Assim, considero importante o que diz nossa ouvinte de Cabo de Santo Agostinho. Quem serve café tem de saber de onde vem o grão se é ácido ou não, se tem aroma de frutas, se é achocolatado, com leve toque de melaço de cana-de-açúcar, enfim tem que saber quando foi torrado, onde foi produzido e em que condições, em cima da serra, debaixo das árvores.

Informações sobre os fatores que interferem no sabor do café. Por isso, é imprescindível que quem está atendendo tenha essas informações para o cliente. Faça como nossa ouvinte, Nadja Nascimento seja exigente!


Um abraço e bom café!