sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Morte na Esplanada - Capítulo 19

Ricardo Icassatti Hermano

Penúltimo capítulo ... Mais uma Blog-Novela se vai. Como sempre, foi um imenso prazer conduzir essas duas experiências: "Broken Heart's Brodo" e agora "Morte na Esplanada". Especialmente porque contei com a valiosíssima participação das(os) leitoras(es), que contribuíram para a estafante missão de entregar dois capítulos por semana. Eu só posso agradecer muito e de coração. 

Assim, sem mais delongas, prepare ... ah! Você já está careca de saber qual é o procedimento. Divirta-se!!!


Morte na Esplanada

Capítulo 19

Mércia Trancoso era o nome do momento. Seu jornal, o Notícias do Brasil, fez uma festa com os arquivos que estavam no pendrive entregue pelo delegado Alexandre Dantas à repórter. Algumas figuras importantes da República foram ejetadas dos seus respectivos cargos na velocidade da luz. Outras demoraram um pouco mais. Tudo dependia do interesse envolvido. 

Na política não há espaço para o vácuo de poder. Logo um bando de hienas já rondava a presa ferida. Em seguida, vinha o ataque. O presidente, como de costume, não sabia de nada. Sem perceber, ele havia criado a figura do "corno político". Sempre é enganado e nunca sabe de nada.

Fortalecida pela própria base de governo, a oposição coseguiu colher as assinaturas necessárias para uma CPI, que a imprensa logo apelidou de "CPI da Sem Vergonhice" ou "da Putaria" em off. No dia seguinte, alguns retiravam as assinaturas sob a descarada alegação de estar "fazendo o que é melhor para o Brasil". Alguns dias depois, mudavam de ideia, mas a argumentação continuava a mesma. 

Vídeos das orgias eram acessados milhões de vezes na internet. Sites de agências, jornais, revistas, TVs e blogs do mundo inteiro disponibilizavam tudo o que outros sites eram impedidos de veicular. A cada medida judicial restritiva, milhares de sites eram criados apenas para continuar divulgando as fotos e vídeos de autoridades em situações nada republicanas, diplomatas extravasando suas fantasias mais loucas e parlamentares patriotas exercendo a sua canalhice desvairada. 

Os programas humorísticos tinham material para anos (sem trocadilho) e até as novelas incorporaram algumas daquelas situações. Cineastas corriam atrás de roteiros sobre os escândalos, diretores de teatro se apressavam em escrever peças e todo mundo querendo uma "ajudinha" do Ministério da Cultura.

Pelo menos três produtoras de filmes pornô já haviam anunciado seus próximos lançamentos claramente baseados nos vídeos das orgias da ministra Sueli Sandoval, com os títulos: "As Pantufas do Senhor Ministro"; "A República da Sacanagem"; "Despacha no meu Ministério que Eu Despacho no Seu"; "A Ministra Devassa"; "Detonando a Assessoria"; e "Penetrando no Corpo Diplomático".

O clima em Brasília era de "barata voa". Os políticos acusavam a imprensa de ser "golpista" e de estarmos vivendo "um clima de denuncismo". Mas, dois ex-ministros mais "safadenhos" deram entrevistas absurdamente chocantes para uma revista semanal de grande circulação nacional e adiantaram que pretendiam escrever livros em que contariam tudo. Aquilo soou mais como ameaça do que projeto real. Afinal, o negócio mais lucrativo da política é a extorsão pura e simples e a posterior venda de apoio ocasional. 

A maioria dos políticos adere e apóia quem estiver no poder, não interessando coloração partidária ou viés ideológico. Desde que possam meter a mão no dinheiro público, claro, e manter o governante sob controle. Talvez seja por isso que qualquer avanço na qualidade de vida dos brasileiros seja imediatamente chamado de "milagre".

Alexandre chegou cedo ao seu escritório e sua equipe já estava a postos. Todos os preparativos já haviam sido feitos. Agora só lhes restava aguardar. Ao abrirem os jornais do dia, ouviram Rômulo exclamando surpresa. 

- Olha só! Esse Padre Avellar aqui não é aquele com quem você foi conversar Alexandre? - perguntou Rômulo.

- Cadê?

Ao ver a foto estampada na primeira página do jornal, o delegado caiu na gargalhada.

- É ele mesmo. Vejam o que ele fez lá no Vaticano! Que doido!

O texto de uma agência italiana de notícias, relatava o atentado sofrido pelo Papa Bento XVI  durante viagem à África. Segundo a agência, o Papa havia acabado de realizar uma missa campal para milhares de fiéis e, quando se retirava, foi atacado por quatro assassinos armados. 

O líder da Igreja Católica foi salvo graças à ação de um padre que fazia parte da sua comitiva e que surpreendentemente sacou duas pistolas calibre .45 de dentro da sua batina, colocou-se entre os atiradores e o Papa e, num rápido tiroteio, abateu os assassinos. Cada um deles tombou com um tiro certeiro entre os olhos.

A assessoria do Papa disse que o padre é um segurança disfarçado, mas através de fotos tiradas por fiéis que se encontravam no local, foi possível identificar o dito segurança como sendo um sacerdote brasileiro, conhecido como Padre Avellar Dolber. Segundo fontes, o padre bom de mira integrava a comitiva papal como assessor para assuntos africanos.

- Cara, eu tenho até medo de investigar o passado desses caras que conhecemos nos últimos tempos. Devem ter aprontado muito pelo mundo afora. A imprensa deve estar doidinha para saber quem é esse Padre Avellar. Mas, a Igreja é expert em guardar segredos, né? - disse Alexandre.

- Quem sabe um dia eles escrevem um livro - disse Pablo.

- Duvido. O estilo deles não é esse. O que eles sabem vai junto para o túmulo. Mas, temos uma dívida com eles e só posso desejar boa sorte a todos. Eles sabem se virar, isso eu garanto. O que mais tem aí nos jornais? Como está o nosso escândalo?

- Já está perdendo força. As notícias já estão ficando repetitivas e os leitores gostam de novidades, revelações - disse Pablo.

- Então está na hora de darmos mais munição para a nossa querida jornalista. Gabriel, ligue para ela fazendo o papel do informante que vaza informações e diga o seguinte ...

No dia seguinte, o jornal Notícias do Brasil trazia a manchete em letras garrafais: "Presidente sabia de tudo". Foi o suficiente para detonar uma crise política com todos os ingredientes para chegar ao impeachment. O presidente da República fez um pronunciamento à nação e sua linguagem corporal revelou traços fortes de comportamento autista e sociopatia, revirando os olhos a cada mentira.

Com essa, Mércia Trancoso foi indicada às principais categorias da maior premiação jornalística do país, Jornalista do Ano e Reportagem do Ano. Para quem tinha a carreira marcada por reportagens inverídicas e mau caratismo aberto, aquilo era a redenção. 

Além do prêmio em dinheiro, tinha a glória entre os colegas de profissão e, claro, mudança de emprego. Logo saiu do pequeno jornal local e passou para um de alcance nacional com um salário invejável, status de repórter especial e uma coluna. A vida finalmente lhe sorria e ela tinha quase tudo o que sempre almejou, fama, dinheiro, prestígio. Para isso, mandou às favas tudo o que tinha de bom e decente, abraçou a desfaçatez, vendeu a alma ao diabo e usou seu corpo como instrumento para conseguir o que queria.

Mas, tudo tem um preço nessa vida. Ao chutar para longe todo e qualquer escrúpulo, Mércia eliminou a possibilidade do amor. Como qualquer pessoa gananciosa, sentiu-se esvaziada assim que atingiu seus objetivos. Agora, queria mais. Queria o que ficou de fora das suas metas. Queria um homem bacana e gentil ao seu lado. Queria viver o amor na sua mais verdadeira e profunda expressão. Ela queria o delegado Alexandre Dantas. Afinal, fora ele o responsável por tudo aquilo.

- Alô ... Alexandre?

- Pois não. Delegado Alexandre Dantas falando.

- Sou eu ... Mércia.

- Olá jornalista. Como está você? Está gostando dos holofotes da fama e do sucesso? Cuidado para não virar, como é que estão chamando mesmo? Ah! Já sei, personalidade da mídia (risos).

- Para, vai! Eu não ligo para essas coisas. Além do que jornalista nunca pode ser a notícia. Mas, não posso negar que tem lá suas vantagens. As portas se abrem mais facilmente, tive muitos convites para participar de talk shows, algumas mordomias e, claro, a premiação que vai acontecer daqui uma semana.

- É mesmo. Você ainda foi premiada. Parabéns, você merece.

- Pois é Alexandre, eu queria te agradecer por tudo. Se não fossem as informações que você me deu, eu não estaria recebendo esses prêmios. Muito obrigada mesmo por ter confiado em mim.

- Não precisa agradecer. Como você mesma disse, nós dois saímos lucrando com essa parceria, né?

- É mesmo. Já tinha até esquecido disso. A única lembrança que ficou daquele jantar foi a de um homem íntegro, culto e gentil. Poderia dizer até mesmo de um homem viril, um homem de verdade.

- Agora sou quem diz: para com isso, vá!

- Sério! Eu liguei para te convidar para a cerimônia de premiação da Jornalista do Ano. Diga que aceita, por favor ...

- Infelizmente não posso. Ficaria claro de onde vieram as suas informações. E o que eu menos preciso agora é de mais um problema.

- Por que? Está acontecendo alguma coisa aí?

- Só o regulamentar. Fui afastado do caso depois das suas reportagens sobre as orgias.

- Se você quiser, eu arrebento com esses caras, faço uma matéria denunciando o seu afastamento e...

- Não precisa Mércia, não precisa. Na verdade, minha equipe e eu até gostamos de largar esse caso. Já deu o que tinha que dar e isso nos tirou da alça de mira de muita gente que agora está mais preocupada em salvar o próprio rabo, se é que sobrou alguma coisa digna de salvamento (risos). Isso também está nos permitindo focar em outras coisas. Não está acontecendo nada que eu não tenha previsto. Esses idiotas são muito previsíveis e desconhecem estratégia.

- Tá bom.Você tem razão, mas se precisar de ajuda é só me falar, viu?

- Pode deixar. Não vou esquecer disso.

- Mas, então vou te convidar para outro jantar. Que tal?

- Isso é possível. Quando?

- Depois da premiação. Está bom pra você?

- Está ótimo. No mesmo restaurante?

- Sim! Uma hora depois do final da premiação, está bem?

- OK ...

- Beijo grande!

- Beijão ...

♦♦♦

Como diziam meus filhos quando eram pequenos: "Êpa, ôpa!". Vamos parar um pouco e respirar fundo umas 10 vezes. É impressão minha ou está rolando um clima entre o delegado Alexandre Dantas e a jornalista Mércia Trancoso? Ou não? Me digam vocês o que está acontecendo. E façam isso rápido, porque essa Blog-Novela acaba no próximo capítulo : ) Estamos aguardando as suas considerações.

E como diz o Romoaldo todas as manhãs, de segunda à sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui em nosso podcast: "Um abraço e bom café!"

Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado:
















quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O café e a arte da Cafeomancia

Romoaldo de Souza 

Hoje, eu queria lembrar que além de instigar um bom papo, uma boa conversa, o café também marca presença no mundo esotérico, no mundo da adivinhação.

Existem pessoas que são especializadas em ler a sorte, a partir da borra que fica na xícara do café, e essa arte chama-se Cafeomancia.

Ciganos do Leste Europeu, quando de passagem pela Arábia e Oriente Médio, trouxeram costumes de leitura do fundo da xícara que, em alguns casos, podem ser decisivos para tomar importante decisão, como largar uma namorada, trocar de emprego ou mudar de cidade.

A primeira dica dos manuais de Cafeomancia é que a xícara tem de ser de porcelana, com a boca mais larga que o fundo, que é para facilitar a leitura. É importante que o café não seja muito coado não, já que o pó que restar é que vai ajudar na formação das figuras para a leitura da sorte.

São muitas as figuras que se formam e eu vou pegar somente três exemplos.

Se quando você terminar de tomar um café, aparecer a figura, no fundo da xícara de um cachimbo, pronto, você vai viver, nos próximos dias, um amor proibido.

Caso a figura se pareça com um cadeado, é bem provável que você esteja de mudança de uma cidade para outra e, finalmente, uma cruz no fundo da xícara, cuidado!!! É bom você não tomar decisões importantes, nos próximos dias.


Um abraço, bom café e boa sorte!!!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Crendices do café!

Romoaldo de Souza

Tem algumas crendices sobre o café que só contando, mesmo! Nos livros, nos terreiros e nas roças de plantação de café corre cada lenda...

Como a do fazendeiro que só tomava café sentado para não perder a riqueza e todo ano, quando vai começar a colheita, os três primeiros grãos têm de ser guardados debaixo de sete chaves, para preservar a sorte.

Tem ainda, a história da noiva que quando vai fazer a lista de presentes do casamento, o primeiro que quer ganhar é um coador de café. Lembro de uma prima que, no interior de Pernambuco. Uma vez ela passou o café na meia de um namoradinho e não é que se casaram e vivem felizes para sempre? Foi com ela que me iniciei no mundo do café. 

E a irmã dela? Que quando queria que uma visita daquelas bem demoradas fosse embora, era só jogar três punhadinhos de café moído, no fogo.

Agora cuidado! Essa é para moças que estão se preparando para o casamento. Se, num dia desses, seu noivo for visitá-la, nunca deixe cair o bule ou a cafeteira... se isso acontecer, já era. Aí é que o casamento não sai mesmo.

É claro que tudo isso é superstição e eu resolvi contar só porque, outro dia, fui no interior de Minas Gerais, numa colheita de café e ouvi cada história.



Um abraço, sorte e bom café!!!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Morte na Esplanada - Capítulo 18

Ricardo Icassatti Hermano

Agora, a minha, a sua, a nossa Blog-Novela está parecendo uma roda de capoeira. É pernada pra todo lado. O delegado Alexandre Dantas resolveu partir pra cima com tudo. Afinal, se a pancadaria é na base do vale-tudo, não dá para ficar observando cada filigrana da lei quando se está lidando com criminosos sociopatas. Ou então ele se tornará um forte candidato a presunto.

Como resolveu entrar no jogo, o delegado topou jantar com a jornalista Mércia Trancoso. Ele já havia previsto o que aconteceria e preparou uma armadilha para a profissional de imprensa. Ela estava prestes a instalar um "Cavalo de Tróia" em seu próprio computador, que permitiria aos investigadores saber tudo o que ela guardava, escrevia, pesquisava e com quem se correspondia.

Alexandre chegou a uma "encruzilhada" em seu caminho na vida. A vida é o somatório das nossas escolhas. O delegado passou por muita coisa, viu outras tantas, conheceu gente que ele nem imaginava existir. Boa ou ruim, ele fez sua escolha. No final, essas classificações não terão qualquer importância ou significado. No final, é tudo aprendizado.

Mas, você já deve estar doida(o) para saber o que vai acontecer neste capítulo. Calce suas meias, vista seu pijama, prepare sua caneca, agarre-se ao seu ursinho de pelúcia ou à sua boneca inflável, ligue o som do computador, apague as luzes, aperte o play aí embaixo e estremeça com mais um capítulo da "Morte na Esplanada".


Morte na Esplanada

Capítulo 18

A equipe de investigadores estava reunida no apartamento de Alexandre. O agente Gabriel mostraria o que conseguiu apurar com o "Cavalo de Tróia" instalado no computador da repórter Mércia Trancoso.

- E então Gabriel? Conseguiu alguma coisa? - perguntou Alexandre.

- Muita coisa ... mais do que imaginam. Vocês vão ficar surpresos.

- Ôba! Finalmente vamos ter alguma ação por aqui - disse Pablo.

- Está na hora de devolvermos algumas porradas - disse Rômulo.

- Você tem toda razão, Rômulo. Chega de apanhar calado. Vamos à forra! - disse Alexandre.

- A Mércia até que tentou esconder as informações. Mas, quando ela foi arquivar os vídeos que você deu naquele pendrive, descobri que ela usa um servidor que aluga espaço para armazenamento. Ela toma o cuidado de não deixar nada arquivado no computador.

- E como vamos ter acesso a esses arquivos armazenados em um servidor? - perguntou Pablo.

- O "Cavalo de Tróia" que estava no pendrive e foi instalado no computador, gravou a senha que ela usa no servidor. Assim, tive acesso a tudo, entrei lá e baixei para nós.

- Eu não disse? Esse menino é um gênio! - falou Alexandre.

- Mas, o melhor foi o que eu encontrei. Cara, essa gente é foda. Ninguém confia em ninguém e todo mundo quer passar a perna nos outros.

- Explica isso aí - pediu Rômulo.

Gabriel então mostrou cópias de documentos, gravações de áudio e vídeo feitas pela própria Mércia. Especialmente telefonemas entre ela e a ministra e entre ela e o ex-presidente de banco Dometien Salaun Klein, o famigerado DSK.

- Agora é que vocês vão cair de costas mesmo - avisou Gabriel.

- O que você descobriu? - perguntou Rômulo.

- A Mércia não só conhecia como estava de caso com o Dometien.

- Não sacaneia ... - espantou-se Pablo.

- Ela também gravou vídeos transando com ele. Mas, o melhor são as gravações das conversas entre os dois. Eles estavam planejando passar a perna na Sueli. 

- Passar a perna? Em que? Como? - perguntou Alexandre.

- Na comissão sobre a venda dos caças franceses. 

- Bem que o Padre Avellar me disse. Como é que esses caras sabem dessas coisas e nós, a Polícia, não sabemos de nada? Precisamos ler mais jornal ...

- Mas, agora estamos sabendo. Tem uma conversa dos dois que é bem esclarecedora. Segundo o Dometien, houve uma grande fraude na licitação dos caças. Envolve os dois presidentes, parlamentares daqui e da França, ministros e o escambau. Mas, o Dometien disse também que a comissão para essa venda é de um bilhão de euros. Então, tinha dinheiro de corrupção para todo mundo. Como ele é um expert em transações bancárias internacionais, conseguiu que o financiamento fosse realizado pelo banco de fomento que ele presidia.

- Mas esses bancos não são para financiar projetos no terceiro mundo de saúde, habitação, saneamento, essas coisas? - questionou Rômulo.

- São, mas ele deu um jeito, não sei como, mas deu. 

- O Padre Avellar me contou que o Dometien dava treinamento em Cuba sobre operações financeiras para as guerrilhas. 

- Mas, o grande lance era a comissão de um bilhão de euros.

- O que tem essa grana?

- Ela tinha vários destinos, seria repartida entre vários personagens. Mas, o Dometien estava querendo passar a perna em todo mundo. 

- E como ele conseguiria isso? - perguntou Pablo.

- Para cada um ele prometia alguma coisa. Para a Sueli, por exemplo, prometeu financiar a campanha dela à Presidência da República, inclusive financiando uma enorme bancada também.

- Com essa grana, eles poderiam comprar e eleger todo o Congresso Nacional - disse Rômulo.

- Pois é, o Dometien espertamente dourava a pílula de acordo com as ambições de cada um. Parte dessa grana também financiaria a campanha dele à Presidência da França. Como toda a engenharia financeira foi elaborada e estava nas mãos dele, na verdade ele era o dono da grana. Ele é quem faria o dinheiro chegar às mãos dos envolvidos.

- O cara soube manobrar todo mundo ... - pensou alto Pablo.

- E a Mércia? O que ela ganharia?

- Ele prometeu resgatar a credibilidade dela, que ficou manchada depois de ser desmentida pela ONU, sobre uma matéria em que ela mentiu descaradamente. Quando fosse eleito presidente da França, prometeu nomeá-la sua assessora de imprensa e a ghost writer da sua biografia.

- Rapaz, que história doida ... É como me disseram os caras do Café & Conversa, está tudo lá na sordidez humana, toda a motivação. Grana e poder. Lembrei da última cena do filme "Advogado do Diabo", quando o próprio diz: "Vaidade, meu pecado predileto". 

- Pelos últimos acontecimentos, dá para deduzir que o plano dele falhou - disse Pablo.

- Miseravelmente ... - completou Rômulo.

- Agora está claro que armaram para ele com a camareira. Isso tirou ele do banco e da jogada com os caças. Além disso, acabou com as pretensões políticas dele - disse Pablo.

- E o presidente da França escolheu outro da confiança dele para presidir o tal banco de fomento. Com isso, manteve a posse da grana, limpou a área política e, quem sabe, garantiu a própria reeleição - deduziu Rômulo.

- E o nosso presidente? - perguntou Pablo.

- O babaca quase arruinou tudo quando estava bêbado e fez aquela declaração desastrosa, inclusive cometendo crime de prevaricação. Mas, ele vai conseguir eleger seu sucessor e manter alguns cargos-chave para garantir que tudo saia do jeito que estava combinado - disse Alexandre.

- E nós, os contribuintes, somos uns otários mesmo ... - revoltou-se Rômulo.

- Mas, podemos fazer um estrago também - disse Alexandre, deixando todos de orelha em pé. 

- O que precisamos fazer? - perguntaram quase ao mesmo tempo.

- É o seguinte ...
♦♦♦

Estamos nos encaminhando para o final de mais uma eletrizante Blog-Novela. A sua colaboração, seus comentários, suas críticas e sugestões foram decisivas para o processo de criação da trama, dos personagens e tudo o mais. Agradeço de coração a todos que acompanharam e vibraram com "Morte na Esplanada".

E como diz o Romoaldo todas manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no podcast: Um abraço e bom café!

Links dos capítulos já postados. Basta clicar no capítulo desejado: