sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Expedição ao Monte Roraima - Parte 4

Ricardo Icassatti Hermano

Pensei que na noite/madrugada em que cheguei ao topo do Monte Roraima, a minha alma retornaria da mesma maneira como deixou o meu corpo. Mas, nada aconteceu nesse sentido e nem fiquei preocupado. Ela certamente estava se divertindo. O que tem de ser, será. A noite começou com chuva, frio e vento. Na madrugada piorou muito. Como estávamos instalados mais para dentro da caverna, sequer ouvimos a ventania. Mas, quem ficou mais para fora sofreu um bocado. 

Por onde andará minha alma?

O grupo que havia chegado e pernoitado no acampamento base passou apertado a noite. Barracas voaram e o rancho deles ficou semi destruído com a ventania, conforme soubemos por eles mesmos quando chegaram ao Hotel Guacharo no meio da tarde.

Viver no meio das nuvens é ter o melhor nebulizador do mundo

O nosso dia começou nublado e frio. Aliás, frio é uma constante no topo, pois estamos a mais de 2,7 mil metros de altitude. A adaptação ao ar rarefeito foi rápida. Já não sentíamos o peso de respirar do primeiro dia. Assim, enquanto uma pequena e disposta parte do grupo se dirigiu ao marco das três fronteiras, Brasil, Venezuela e Guiana, para fazer o chamado "passeio longo" com 12 quilômetros para ir e 12 km para voltar, o resto - eu incluído -  foi para o "passeio curto", uns 10 km no total. 

Eu vou, eu vou, explorar o Roraima eu vou ...

Não me arrependi. O passeio curto nos levou a vários lugares diferentes, como as jazidas de cristal, onde contou o nosso guia já foram extraídos diamantes. Hoje é proibido tirar qualquer coisa lá de cima ou sequer do Parque Nacional Canaima. Também conhecemos cachoeiras e as famosas Jacuzzis, uma série de banheiras naturalmente escavadas na rocha cheias de água transparente e geladíssima. Apenas um integrante do nosso grupo teve coragem de entrar.

Essas são as Jacuzzis

Também tivemos aula sobre a flora e a fauna únicas ali no topo. Percorremos o famoso local da queda de um helicóptero que levava a equipe do programa Globo Ecologia. Danton Melo, irmão do ator, dublador, roteirista, produtor e diretor Selton Melo, era o apresentador do programa e quase morreu no acidente. Um local chamado Jardim do Éden ficou marcado. Segundo nosso guia, Adão e Eva se banhavam ali. Nosso almoço foi servido no meio do caminho. Não sei como fizeram aquilo, mas chegou ainda quente. 

Alguns exemplares da flora do Roraima 

Insetos e pássaros se alimentam dessas flores 

Uma espécie de pássaro faz uma cirurgia nessa flor para comer o néctar 

Mais um belo exemplar 

Essas são carnívoras ...

Ao voltarmos para o Hotel, mais um grupo havia chegado. Era o que havia sofrido com a tempestade da noite anterior. Era um grupo barulhento e exigente. Não queira dormir na caverna e logo surgiram uns claustrofóbicos. Como eu estava muito longe daquela vibe, fui tomar meu banho em outra caverna onde havia uma cachoeira interna. Não encontrei o caminho que levava à cachoeira porque minha lanterna é muito fraca. Tomei o banho, junto com o resto do grupo, numa pequena banheira que fica logo na entrada.

Rosinha incorporou Gene Kelly e fez seu famoso cover de Singin' in the Rain

A água estava cheia de grilos gigantes que nadam debaixo d'água. Espantei os bichos para que as meninas não vissem. Seria um auê danado. Uma delas já estava sentindo os sintomas da claustrofobia trazida pelo novo grupo, o que levou a uma ciranda de barracas até que ela voltasse para o lugar onde estava inicialmente. Um dos integrantes do novo grupo não conseguiu ficar dentro da caverna e também teve que dormir na beirada. Ele desistiu do resto da viagem e pediu para descer junto com o nosso grupo no dia seguinte.



O guia Marcelo nos contou o caso de um integrante de outro grupo que estancou no acampamento base e não houve meio de convencê-lo a subir o Roraima. Como não seria possível retornar, deixaram comida suficiente para ele e o pegaram na volta. Não é apenas uma questão de forma física,. Os índios dizem que quem não estiver bem de cabeça e de alma, não conseguirá subir e descer a montanha. 

Eram os deuses astronautas? Alienígenas no Mundo Perdido ...

O jantar foi animado. Estávamos felizes por estar ali, por ter concluído aquela etapa inteiros. O dia havia transcorrido com tranquilidade e sorrisos. Até banho a gente tomou. A chuva deu uma trégua e comi como um cachorro vira-lata faminto. Ainda bem que Rosinha não come muito e me dá metade do prato. E eu ainda repito : ) Mas, como já disse, nada dessas calorias ficou. Perdi bastante peso, confirmado pelos buracos do cinto. Após uma boa conversa com o pessoal, o sono me pegou.

Amanhã conto mais.

Café orgânico e o valor agregado

Romoaldo de Souza

Na quinta-feira, em um supermercado, numa daquelas gôndolas, o cliente pede uma dica sobre café. Nas prateleiras, demos de cara com um café orgânico do Sul de Minas Gerais.

O café orgânico é café cultivado, todo ele, sem o emprego de agrotóxico nem na prevenção de pragas nem antes, na hora do adubo, ou seja, é um café sem qualquer produto químico.

Produtores estão apostando no mercado economicamente ecológico

 O mercado de cafés especiais, entre eles, o café orgânico, ganha cada vez mais destaque porque quem consome um produto assim sabe que o produtor trocou a adubação química pela orgânica, que usa borra do próprio café e/ou o bagaço da cana de açúcar, essa compostagem orgânica que além de barata é uma boa colaboração no processo de proteção ao meio ambiente. 

Para saber mais, escute o podcast



Um abraço, bom café!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Expedição ao Monte Roraima - Parte 3

Ricardo Icassatti Hermano

O dia começou cedo. A noite foi de vento forte e chuva no acampamento base. Nada preocupante, mas acordou a todos com as barracas sacolejando de um lado para o outro. Houve quem se assustasse. Rosinha e eu dormimos feito anjos, sem susto e sem medo de ser feliz, mas checando de vez em quando se a barraca resistiria ao vendaval. 

Depois de uma noite tempestuosa, a surpresa da manhã

A manhã nos surpreendeu com sol e vento gelado, o cenário do nosso desejejum. O chão era um tapete escorregadio de lama preta. Como sempre, tínhamos que comer rápido e partir para o Roraima. Tinha início a parte mais dura e perigosa da expedição. 

De blusa amarela, nosso guia Tirso mostra o caminho que faríamos em seguida

Não tenho costume de tomar café da manhã pois enjôo facilmente com comida antes do meio-dia. Mas, naquelas condições, eu comia o máximo que conseguia e conforme avançava na caminhada o enjôo ia passando. Precisava daquelas calorias para obter e queimar energia. A musculatura doía e os pés doíam, mas o ferimento coberto com uma armadura de esparadrapo estava tranquilo. 

As nuvens foram chegando devagarinho ...

Atravessamos o primeiro rio e dali em diante só conhecemos subida íngreme. 6,5 quilômetros nos aguardavam, sendo que a parte do paredão era uma escalada de quase um quilômetro sobre rocha e pedras soltas. A trilha tinha cerca de um metro de largura. À minha esquerda, um despenhadeiro. À minha direita, um paredão reto de rocha. Ainda levava uma mochila nas costas. 

Rosinha não se intimidou com a montanha

Na metade do caminho passamos por baixo de uma cachoeira que vem lá do topo. O local se chama "Passo das Lágrimas". Não sei se o nome é por causa da água que chega ali em enormes gotas ou se é porque ali que o povo senta e chora, pois a dificuldade de seguir ou de voltar é a mesma. Não deu nem para fotografar porque meu iPhone não é à prova d'água. 

O Passo das Lágrimas fica logo ali na frente

Decidi manter o foco sempre no passo seguinte, sem me importar com quanto tempo ou distância faltavam, e agradeci ter feito o curso de escalada. Um amigo me chamou para fazer o curso porque não queria ir sozinho. Acabei topando porque gosto de aprender coisas novas. Nunca se sabe quando serão úteis. Graças a isso pude escalar com relativa facilidade e velocidade, pois sabia me agarrar em qualquer ranhura na rocha e como distribuir o peso para obter equilíbrio. As pernas já estavam falhando em relação às ordens do cérebro quando cheguei ao topo. Os últimos 50 metros foram extenuantes.

De repente o sol se foi, o tempo fechou e passamos a fazer parte do Mundo Perdido

Mas, como valeu a pena! Parecia que eu acabara de desembarcar de uma nave espacial em outro planeta. Ambiente pra lá de hostil. Imagine entrar dentro de uma nuvem onde está havendo uma tempestade gelada com ventania. Adicione a isso a falta de oxigênio. É mais ou menos isso. Fiz uma oração de agradecimento e pedi ao "Senhor do Ventos, Kukenan" que nos poupasse um pouco. 

Cheguei ao paredão e nem sei onde estou, 
não enxergo mais que dois metros à frente

Não sei se foi isso ou apenas uma feliz coincidência, mas o tempo melhorou um pouco e até o sol deu as caras. As pedras se aqueceram enquanto lanchávamos e aguardávamos o resto do grupo. Melão e goiabada "roraimera". Nosso guia Tirso dizia que tudo o que comíamos era "roraimero". Um dos sujeitos mais engraçados que já conheci. 

Estou quase lá ...

Após comer, escolhi um vão na rocha e deitei com as pernas para cima. Estava aquecido e mais ou menos abrigado do vento gelado. Logo outros me seguiram. Deu até para tirar um cochilo. Uma parte do grupo chegou quando já nos aprontávamos para partir em direção ao acampamento final. A fome apertava meu estômago e ainda tínhamos alguns quilômetros para andar. 

Chegamos sãos e salvos ao topo do Monte Roraima

O topo do Monte Roraima tem 30 quilômetros quadrados, fauna e flora únicas no planeta, cachoeiras enormes, lagos e é onde vários rios nascem. Toda a água que desce do Roraima vem unicamente da chuva incessante. O monte é parecido com uma esponja, cheio de cavernas e nunca secou. É um fenômeno da natureza e inabitável para os seres humanos. Só dá mesmo para visitar.

Uma pequena amostra da flora local

O almoço e o jantar vieram nos confortar. O problema é que o vento e o frio nos permitiam comer muito pouca comida quente. Comi tão rápido que engasguei. Nunca bebi tanta água e suco. Um dos grandes perigos do Roraima é justamente não percebemos a desidratação por causa da umidade constante. Atento a isso, enchia sempre o meu cantil, mas ainda assim sentia uma sede enorme. 

Almoço: Pasta Roraimera : )))

Nossas barracas estavam montadas na entrada de uma grande caverna chamada "Hotel Guacharo". Segundo o guia Marcelo, Guacharo é o nome de um pássaro que vive naquelas cavernas junto com escorpiões e tarântulas enormes. O guia Marcelo sequer tinha uma barraca. Dormia apenas com um saco de dormir estendido no chão.

Pode parecer estranho, mas ficamos bem abrigados aqui

Perguntei a ele sobre as tarântulas e ele me respondeu apenas que as comia fritas. Caímos na gargalhada. Tudo o que vi por lá foram uns grilos gigantescos que nadavam sob a água. Fui dormir sem tomar banho. Estava frio demais e eu cansado demais. Teríamos todo o dia seguinte para explorar o topo do Roraima. 

Rosinha enchia o prato, mas me dava a metade


Não é uma cozinha planejada Kitchens, mas alimentou muito bem a todos nós
e na hora certa. Uma façanha digna dos maiores elogios

Amanhã conto mais.

Garrafa térmica, uma boa utilidade

Romoaldo de Souza

Griselda, a personagem new rich da novela Fina Estampa, no capítulo de quarta-feira, mandou servir café em garrafa térmica, na cena em que ela vestiu a roupa de Pereirão só para dar uma orientada no trabalho das maridas. Mas, foi aí que a personagem de Lilia Cabral pecou e pecou feio. Aquele café na garrafa térmica, vou te falar...

Griselda tem dinheiro suficiente para deixar de lado
hábitos que "Pereirão" ainda não perdeu
Saiba mais dos efeitos que a garrafa térmica causa no café e qual a utilidade que recomendo para o utensílio que (por acaso) você ainda tenha em casa.


Um abraço, bom café!

Laselva Café

Ricardo Icassatti Hermano

Toda vez que vou ao meu dentista, Dr. Luquete, no Conjunto Nacional Brasília, ao final ele me convida para tomarmos um café num daqueles balcões espalhados pelo térreo. Não é o melhor café do mundo, mas o que vale é a companhia e a conversa sempre divertida. Hoje não foi diferente.

Luquete queria saber sobre a expedição ao Monte Roraima, que fiz junto com a nossa amiga em comum Rosa Costa. Ficou feliz em saber que parte da viagem já está aqui no blog e prometeu ler tudo. Em seguida, sempre vamos à Livraria Laselva para comprar o jornal do dia. Dessa vez, reclamei com ele para que renovasse o estoque de revistas disponibilizadas ao clientes em seu consultório. A mais nova é de 2007 ...

Rosa Costa, nossa amiga em comum, com sua mochila
cheia de truques e mágicas 

Ajudei a escolher algumas revistas e o aconselhei a evitar as que trazem mulheres peladas, pois as clientes não gostam dessas coisas nem em oficina mecânica. Ao nos dirigirmos ao caixa, Luquete chamou minha atenção para um banner anunciando uma promoção: um café espresso e um pão de queijo por R$ 2,50. Onde? No café localizado no andar superior da livraria. 

Laselva Café, ambiente amplo e confortável

A junção de café + livraria começou nos Estados Unidos e se tornou um padrão de sucesso no mundo todo. Café e cultura têm tudo a ver, assim como café e conversa. Afinal, a cafeína estimula o cérebro. Como eu desconhecia a existência desse café, fui conhecer mais essa opção para os leitores e leitoras do Café & Conversa. 

As instalações da Laselva Café são espaçosas e confortáveis. Duas TVs de LCD exibem videoclipes musicais - só vi sertanejo - e propaganda da própria livraria sugerindo quitutes do cardápio. Infelizmente, escrevendo "eXpresso" no lugar de "eSpresso"... 

A estante ao fundo tem livros e revistas

Não há WI-FI, mas uma pequena estante disponibiliza alguns livros e revistas para a clientela. Também não há Barista, apenas uma moça que recebeu um "treinamento". Ela não soube me dizer qual era a marca do café servido ali, mas devo dizer que não estava ruim. A tortinha de palmito também estava honesta. Ao lado de uma Italian Coffee, uma máquina automática da Nestlé faz bebidas a partir de misturas prontas, como cappuccino, mochaccino etc. 

Esse é o tipo de iniciativa que deve ser incentivada

Laselva Café é mais uma opção para quem, assim como nós aqui da redação, gosta de apreciar um bom livro, jornal ou revista com uma xícara de café e/ou um quitute num ambiente confortável. Aproveitem!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Expedição ao Monte Roraima - Parte 2

Ricardo Icassatti Hermano

O dia amanheceu com sol e gelado. Rosinha e eu tivemos a brilhante ideia de deixar as toalhas e algumas peças de roupa para secar penduradas do lado de fora da barraca. Apesar de ser uma savana com solo tão pobre que só dá para os índios cultivarem mandioca, a umidade é de selva tropical. 

Nossos dias começavam e terminavam cedo

Tremenda contradição ambiental que levou pelo menos um ambientalista a pagar mico internacional ao acusar o Brasil de ter "desmatado" o estado de Roraima ... O resultado é que nossas toalhas e roupas estavam mais molhadas do que quando as penduramos para secar. 

Terra pobre e difícil de andar

O café da manhã da manhã seguiu o padrão do jantar da noite passada. Muito carboidrato para dar energia e proteína para alimentar os músculos. Trash food altamente calórica. O bom é que o exercício puxado queimava tudo e algo mais. Meu cinto apertou dois buracos. Ainda não tínhamos ideia do que iríamos enfrentar nos próximos nove quilômetros de caminhada até o acampamento base. 

Esse foi o trecho fácil ...

O terreno acidentado é marcado pela travessia de dois grandes rios, além  de subidas e descidas íngremes, longas. Como temos ritmos diferentes, sempre me distancio da Rosinha e chego primeiro. Mas, um guia segue à frente e outro no final da fila. Ninguém se perde. Tenho que agradecer às aulas de Yoga. A caminhada ficou mais fácil ao trocar a respiração curta da cidade pela respiração longa, que diminui os batimentos cardíacos e supre de oxigênio os músculos das pernas.

Esta senhora índia sorriu e me disse algo no seu idioma
Acho que que me desejou uma boa jornada

Apesar das dificuldades e talvez até por conta delas, o grupo foi se aproximando nas ajudas possíveis e necessárias, quebrando resistências que nascem sabe-se lá como ou porquê. Estávamos na mesma canoa e o sucesso da nossa empreitada dependia da colaboração e da tolerância de todos. Além disso, a humanidade está numa canoa um pouco maior, chamada planeta Terra. É sempre bom lembrarmos disso.

Rosinha segue em direção ao Roraima e à chuva

O acampamento base não dá nem para chamar de acampamento. Charco seria mais apropriado. O bom é que as barracas estão sempre montadas quando chegamos, embora de maneira aleatória e sobre a lama. E chegamos debaixo de uma chuva que nos acompanhou por quase toda a trilha. Estávamos exaustos, sujos e famintos. As primeiras bolhas apareciam em alguns pés. Os meus ainda estavam intactos, mas muito doloridos pelo castigo do terreno irregular. 

A lona azul é o nosso rancho, o paredão é o Roraima

Ao tirar as botas para tomar um banho gelado no rio, descobri que a unha do dedão do pé esquerdo havia quebrado com o esforço da caminhada e pela pressão dos dedos contra o bico da bota. Tudo indicava que o modelo da minha bota não era o mais adequado para aquele tipo de caminhada. Mas, agora era tarde e vou perder essa unha. 

Mais uma visão geral do acampamento base e as meninas
se preparando para tomar banho no rio

Vesti sandálias e fui para o rio. Lá chegando, vi uma pequena piscina ideal para um banho, só que estava uns dois metros abaixo. Ao descer, meu esquerdo escorregou no limo e desceu entre duas pedras. Meu primeiro ferimento foi um corte no tornozelo. Precisaria levar uns dois ou três pontos cirúrgicos, mas como? Bandaid, iodo e esparadrapo deram conta do recado. Eu ainda tinha que escalar o Roraima para recuperar minha alma e não seria um corte qualquer que me impediria. A sorte é que a água do rio estava tão gelada que o sangramento foi imediatamente estancado e os pés ficaram anestesiados. 

Meu primeiro ferimento

Nossa barraca tinha um riacho bem na porta. Os índios haviam capinado uma área para montar o rancho, onde fica a cozinha do acampamento. Peguei o capim cortado e fiz um tapete na entrada da barraca, isolando a água. Assim, garanti um interior limpo e seco. quando Rosinha chegou, as nossas mochilas e os isolantes térmicos já estavam instalados.

Nossa barraca com o tapete de capim sobre o riacho
Esse solzinho foi a maior enganação

Um aspecto curioso é que os índios permitem esse tipo de turismo num local que consideram sagrado. Porém, impõem exigências como a não existência de bancos para sentarmos. Se quisermos comer sentados, precisamos procurar um monte, uma pedra ou uma árvore caída. Os índios querem que o turismo seja em condições absolutamente selvagens. Todo o lixo e dejetos que produzimos são recolhidos e levados de volta. A única coisa que podemos levar de lá são as fotos e os vídeos que fizermos.

O grupo acabou de jantar. Logo veio uma tempestade
e todo mundo foi dormir.

A noite chegou rápido, com muito vento e chuva. Nada de conversa após o jantar. Todos correram para as suas respectivas barracas e se enfiaram nos seus sacos de dormir. No dia seguinte iríamos escalar o paredão do Monte Roraima. Do acampamento base até o chamado "Hotel Guacharo" seriam mais 6,5 quilômetros, sendo um quilômetro totalmente vertical. 

Amanhã eu conto mais.

Café Artesanal

Romoaldo de Souza 

Nosso leitor, Pedro Teixeira, viajou ao interior de Pernambuco, foi até a região de Triunfo e Santa Cruz da Baixa Verde e trouxe de lá uns cafés artesanais, plantados e colhidos por agricultores que estão se juntando em uma pequena cooperativa.
Dentre as características do café, conforme contou o nosso ouvinte, destacam-se a baixa acidez e um ligeiro toque de melaço de cana-de-açúcar, justamente porque naquela região, já perto da divisa com a Paraíba, houve um período de plantação de cana.
Os agricultores do pólo de Triunfo fizeram cursos na Bahia com o pessoal do Sebrae da região da Chapada Diamantina e aprenderam técnicas de torra do café, o que mostra a preocupação em ter um produto de qualidade.
Localizada no Sertão do Pajeú, Triunfo mais parece um balneário italiano
Eu só não sei se era preciso ir tão longe assim, quando em Recife, já estão sendo formadas turmas para aprender o domínio da técnica de torra café,  imprescindível para ressaltar a qualidade do grão. Afinal, por mais saboroso que seja um café, se não houver um refino na hora de torrar você pode colocar tudo a perder.
Para saber mais sobre essa aventura, escute o podcast



Um abraço, bom café! 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Expedição ao Monte Roraima - Parte 1

Ricardo Icassatti Hermano

Estava de pé, ali no meio do acampamento à margem do Rio Ték, nas terras das tribos Paurepane, Kamarakoto e Arekuna, dentro do Parque Nacional Canaima, na Venezuela. Finalmente parei para olhar demoradamente o Monte Roraima, que traduzido quer dizer "Verde Azulado". Ao seu lado, o não menos imponente Kukenan, que quer dizer "Senhor dos Ventos". Rosinha se ocupava com arrumações na nossa barraca. 

Parque Nacional Canaima, na Venezuela

Finalzinho de tarde no acampamento. O sol já ultrapassara a linha do horizonte. Fazia frio e ventava. Os cachorros procuravam comida e abrigo. Naquela região só faz frio, venta e chove. Independente do sol ou da estação. E eu havia esquecido o casaco. De repente, veio aquela sensação de que algo importante iria acontecer.

Final de tarde no acampamento do Rio Ték. Frio e vento.

No dia seguinte, nosso grupo iria escalar aquele gigantesco maciço de rocha e arenito coberto por nuvens e encravado há mais de dois bilhões de anos no meio da savana venezuelana. Essa formação é chamada pelos índios de Tepuy e tem o formato característico de "mesa", pois o topo é plano com mais de 90 quilômetros de extensão. Lugar absolutamente inóspito com fauna e flora únicas. 

Monte Roraima, escondido pelas nuvens

Achei que dormiria logo devido à caminhada inicial de 14 quilômetros, saindo de Paraitepuy até o acampamento do Rio Ték. Mas, estava ainda bastante excitado com tudo. Eram muitas novidades a serem absorvidas e muitos assuntos na bagagem. Aos poucos estava me desligando do mundo que havia deixado para trás. O exercício puxado obrigava meu corpo a se livrar das toxinas urbanas. Até a urina cheirava diferente.

As barracas do nosso grupo no acampamento do Rio Ték

Minha memória foi se apagando, os problemas desaparecendo. Não havia mais o passado. Apenas o presente e o objetivo à frente. Não importava quanto dinheiro eu tinha, minha idade, meus sonhos, realizações e desejos. Não tinha mais família, casa, carro ou qualquer meio de comunicação com o resto do mundo. Tinha a minha amiga Rosinha, uma mochila, aquele grupo e aqueles guias. Uma calma foi descendo sobre mim como um manto. A paz estava a caminho.

Rio Ték, o primeiro que atravessamos em direção ao acampamento base

Na madrugada, minha alma flutuou um metro acima do meu corpo adormecido dentro do saco de dormir. Em seguida, atravessou o teto da barraca e, com apenas um sorriso, se transportou instantaneamente para o topo do Monte Roraima. Agora eu teria que recuperá-la ou me tornaria um desalmado, um corpo sem alma. Mais um entre tantos que vagam por aí como zumbis. E um corpo vazio pode ser ocupado por qualquer coisa.

Era uma dessas tardes modorrentas no Congresso Nacional. Não havia nenhum debate importante ou votação significativa. Era algo mais parecido com um "esquenta" para o recesso de final de ano. 

A jornalista Rosa Costa - Rosinha para os íntimos - me chamou do lado de fora da sala. Queria me falar em particular. Logo pensei: vem bomba aí. Mas, ela queria apenas me provocar com uma proposta de viagem. Ela sabe que gosto de aventuras, especialmente quando envolvem imensidões.

- Quer conhecer o Monte Roraima?

- Aquele do livro "O Mundo Perdido", do Arthur Conan Doyle?

- Esse mesmo. Quer?

- Huuummmm ... (pensativo). Preciso pensar ... grana, tempo, essas coisas.

- Entra nesse site da Roraima Adventures, dá uma olhada e depois me fala.

Bom, o resto é história. Claro que aceitei. Ainda não havia percebido o efeito provocado na minha alma. Apesar de ter tido uma infância feliz em fazendas, sou um homem urbano. Gosto dos confortos e da velocidade das cidades. Mas, a minha alma, de vez em quando, necessita das vastidões dos desertos, dos oceanos, das savanas, das montanhas. E aquele era um desses momentos de levá-la para passear.

Como é de praxe, um monte de dificuldades e de pessoas surgem para tentar atrapalhar e/ou impedir esse tipo de viagem. Iluminar a alma parece incomodar um certo tipo de "energia" das sombras. O importante é que, apesar das forças contrárias, no final tudo dá certo. Como já dizia Nicholas Sparks, "nada que vale a pena é fácil"

Amanhã eu continuo : )

Café Aromatizado


Um leitor do blog Café & Conversa vai dar um jantar, em casa, para comemorar o aniversário da mulher dele. E olha que Aroldo já começou inovando porque vai servir cuscuz marroquino com abobrinhas recheadas. Escolha surpreendente.

Aí, o nosso ouvinte da CBN Recife mandou uma mensagem, pedindo sugestão de café. "Que tipo de café combina com o jantar?", quis saber. Bem, para uma ocasião especial como essa, eu fui atrás de um presente que ganhei no Natal, do barista Bruno Okamoto. Café aromatizado.


Um abraço, bom café!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Café ajuda a curar ressaca

Romoaldo de Souza

Você bebeu mais que o copo e ainda hoje está com uma ressaca daquelas, por causas das comemorações da virada do ano?

Pois nós fizemos um levantamento, para ver se era verdade ou se não passava de uma lenda, as histórias que viram contos populares de que café é bom para curar ressaca

O professor Michael Oshinske, da Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia, concluiu que essa dor de cabeça que as pessoas sofrem depois de beber é fruto do acetato produzido pelo álcool.

Experimentos com pessoas que ingeriram café, depois na ressaca, apontam significativa melhora e sem qualquer efeito colateral.

O professor também recomenda ingerir um anti-inflamatório, junto com o café, para reduzir aquele peso na cabeça, que parece pesar mais que o corpo, a não ser que tenha contra–indicação e que o seu médico não recomende.

Mas café com anti-inflamatório funciona bem para combater aquela sensação desagradável depois de umas doses de bebida alcoólica.

Agora que você já tem essa dica, a outra é nunca misturar direção com álcool, a não ser no tanque de combustível, e olhe lá, do jeito que o preço do combustível está ...


Um abraço, bom café e Feliz Ano Novo!