sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Um café sob medida

Romoaldo de Souza

Quem nunca errou a dose, na hora de passar um café que levante a primeira xícara. Eu me recordo bem que o mestre Francisco de Assis, um barista que entendia tudo de café, costumava dizer, quando frequentávamos o Café Eldorado, no centro de Brasília, que as medidas foram feitas para serem usadas. A prática de fazer uma receita colocando os ingredientes, como se diz no ditado popular, no olho, sem determinar a quantidade, mais cedo ou mais tarde vai dar errado.

O colombiano Juan Valdez é um café ideal para essas exigentes horas de Carnaval
Por isso, para começar bem o Carnaval, prepare um café em casa e use as medidas que vou dar no podcast abaixo: 


Um abraço, bom café! 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sul de Minas ou Mogiana, qual é o seu café?

Romoaldo de Souza

Aí você chega numa cafeteria, a atendente pergunta se você prefere um café do Sul de Minas Gerais ou um Mogiana.

Características de um café são detalhes importantes e o cliente não precisa saber todos. Mas, quem está servindo tem de se preocupar com a maneira como oferece as diferentes alternativas.

Dia desses, um leitor do blog Café & Conversa chegou numa importante cafeteria e foi recebido com uma pergunta, no mínimo diferente.

- Prefere um Sul de Minas ou posso servir um café mogiano? – sapecou a atendente. 

Essas informações são genéricas demais para o cliente, que só está ali para provar um bom café. O ideal seria quando o cliente se sentasse à mesa fosse recebido mais ou menos assim.

- Olá, bom dia, boa tarde! Hoje nós temos duas opções. Um café do Sul de Minas Gerais, encorpado, levemente ácido e com notas de frutas vermelhas. Ou um café da região Mogiana de São Paulo, mais suave, baixa acidez e com um leve toque de azeite de oliva.

É bom o cliente ter alternativas para poder decidir por tomar o café que mais lhe agradar!


Um abraço, bom café!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Interatividade na Cafeteria

Ricardo Icassatti Hermano

Para avaliar se a interatividade é inteligente, essencial ou desejável, a cafeteria finlandesa Kauko Cafe montou um espaço no Forum Shopping, em Helsinque, ligado a um site com transmissão ao vivo.


Através do site, internautas podem interferir no design do ambiente, aumentando ou diminuindo o tamanho de cadeiras e mesas, modificando a intensidade das luzes e até escolhendo as músicas. Os clientes também podem acessar o site e brincar com o vizinho de mesa através de uma rede Wi-Fi instalada no local.


O espaço ficará disponível ao público até o final do mês e é parte das comemorações pela designação da cidade como a Capital Mundial do Design . Os clientes se submeteram à experiência com muito bom humor e os melhores momentos podem ser vistos no vídeo abaixo:

Bob Marley Coffee

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Vocês sabiam que o compositor e cantor jamaicano Bob Marley era um grande fã de café e sonhava em ter uma fazenda de café? Infelizmente, ele não conseguiu realizar o sonho. Mas, em 2009, o seu filho Rohan Marley levou adiante o projeto e hoje comanda uma torrefadora na Jamaica, a Marley Coffee, onde utiliza grãos orgânicos jamaicanos, de países da América Central e da Etiópia. A empresa também apoia pequenas cooperativas de produtores e as práticas de sustentabilidade e éticas na produção de café.

Rohan costuma lembrar como a sua avó secava os grãos de café ao sol e depois os torrava para preparar sua xícara de café de todas as manhãs. Ele espera que o Marley Coffe possibilite aos consumidores experimentar o mesmo aroma exuberante, além do rico e suave sabor que ele conheceu com o café da sua avó.


A Marley Coffee tem uma extensa linha de produtos, cuja principal característica é que todos levam nomes de músicas do Bob Marley, como “One Love” e “Lively Up!”. Assim, quando for tomar a sua próxima caneca de café, ouça “One Love” e sonhe com um café cremoso, encorpado e que tenha notas de chocolate e frutas vermelhas.


Um abraço, bom café!

Cante com Bob Marley o rei do reggae:

One love, One heart
Let's get together and feel all right
Hear the children crying (One Love)
Hear the children crying (One Heart)
Sayin' give thanks and praise to the Lord and I will feel all right
Sayin' let's get together and feel all right


Let them all pass all their dirty remarks (One Love)
There is one question I'd really love to ask (One Heart)
Is there a place for the hopeless sinner
Who has hurt all mankind just to save his own?
Believe me


One Love, One Heart
Let's get together and feel all right
As it was in the beginning (One Love)
So shall it be in the end (One Heart)
Give thanks and praise to the Lord and I will feel all right
One more thing


Let's get together to fight this Holy Armageddon (One Love)
So when the Man comes there will be no no doom (One Song)
Have pity on those whose chances grove thinner
There ain't no hiding place from the Father of Creation


Sayin' One Love, One Heart
Let's get together and feel all right
I'm pleading to mankind (One Love)
Oh Lord (One Heart)


Give thanks and praise to the Lord and I will feel all right
Let's get together and feel all right

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Bronzeador de café

Romoaldo de Souza

Paulo Dourado, apesar do nome, está um pouco, por assim dizer, desbotado de tanta chuva que tem caído em Brasília. Nosso ouvinte escutou outro dia uma reportagem que fizemos com uma empresária de Minas Gerais, que está fazendo creme e sabonete de café.

Nesses dias de fevereiro, o céu de Brasília fica com esse jeitão de que vai chover, e chove!

Interessado em pegar um bronze e fazer inveja aos amigos de Brasília quando retornar do frevo pernambucano no Carnaval, Paulo Dourado quer saber quando chega ao mercado um bronzeador feito de café. 

Pelo o que me disseram as meninas do site Mexido de Ideias, nesse Carnaval você vai seguir os blocos de Recife, usando ainda o bronzeador que costumeiramente tem usado. Mas, a expectativa do Instituto Agronômico de Campinas é de que o caveol, óleo extraído dos grãos do café, em breve vai começar a fazer sucesso nas piscinas e praias desse Brasil de tanto Sol.

A foto é de divulgação, mas a praia é bonita assim mesmo

Taís Wagmaker fez a pós-graduação dela, provando que o caveol bloqueia os raios ultravioleta e pode ser usado como protetor solar da pele. O pessoal do Instituto Agronômico já pediu o registro da patente. Quem sabe, já no Carnaval de 2013, você não estará fazendo jus ao nome, bronzeado com um produto do grão que você toma.


Um abraço, bom café!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas

Ricardo Icassatti Hermano

Convidado pela mulherada - Clarita, Little Mary e Ruth -, fui assistir Histórias Cruzadas. O filme é baseado em uma história real, uma semi auto biografia belissimamente retratada pela escritora Kathryn Stocett em seu livro The Help. Ela inclusive faz uma figuração no filme.

Cartaz do filme

Antes, jantamos num dos piores estabelecimentos que já conheci. Nem me lembro o nome, mas fica no shopping Liberty Mall, onde era a loja Richards. Atendimento péssimo e comida ruim. Não recomendo aos amigos, só aos inimigos.

Mas, o filme é belíssimo, dirigido por Tate Taylor, que também assina o roteiro com a autora do livro. O elenco surpreende pela performance e só fui entender quando assisti a atriz Viola Davis receber o prêmio de melhor atriz do Critics' Choice Movie Awards, uma das prévias do Oscar, para o qual também está indicada.

Viola Davis recebendo o prêmio de melhor atriz
no Critics' Choice Movie Awards

Ao receber o prêmio ela lembrou, banhada por lágrimas, da escolha profissional que fez e dos sacrifícios enfrentados por seus pais e avós para que pudesse estar ali, naquele momento. Comovente. Vi que foi dali que ela tirou toda a profundidade dos sentimentos utilizados na composição da sua personagem no filme. O seu intenso e breve discurso mudou todos os que vieram em seguida. 

O filme nos conta uma história feminina. São mulheres atuando no restrito e misterioso universo feminino das relações entre patroas e empregadas domésticas, mas que traz nas suas entranhas o contexto social do mundo exterior: a segregação racial nos Estados Unidos. O ano era 1963. Parece um passado distante, mas não é. Eu era um garoto nessa época e as notícias me impressionavam. Estudantes negros eram enforcados em universidades. A população negra tinha lugares separados nos ônibus, assim como banheiros e até bebedouros próprios.

Relações de preconceito e segregação disfarçadas de convivência consensual 

Toda mudança exige sacrifícios. Aquele(a) que ousa quebrar o paradigma, sabe que pagará um preço alto para que as gerações seguintes possam desfrutar de algo que ele(a) mesmo talvez sequer chegue a conhecer. E os sacrifícios foram enormes. Desde a empregada doméstica que perdeu seu sustento, até o presidente americano John Kennedy e o pastor Martin Luther King, que perderam a vida em assassinatos covardes. Mas a mudança veio e ficou.

Kennedy e Luther King na Casa Branca

E o que mantém uma situação absurda como a que vemos no filme e que existiu por décadas em absoluto silêncio? Uma cidade inteira dividida entre as patroas brancas e as empregadas domésticas negras, que inclusive criavam as crianças rosadas daquelas patroas. Uma escravidão velada, onde o chicote e os grilhões foram substituídos pelo salário e o medo de não ter um emprego.

Muitas crianças brancas foram bem criadas por essas mulheres negras

É nesse cenário que uma garota branca, amorosamente criada por uma empregada negra, resolve escrever um livro sobre aquilo que viveu e conhece bem. Toda a rede de cumplicidade entre as patroas brancas e a rede de cumplicidade entre as empregadas negras. Todos os absurdos e abusos. Todo o medo e acomodação.

Felizmente, algumas mulheres querem mais da vida
do que um casamento (ruim) e jogar baralho com as amigas

Como qualquer coisa errada feita pelo ser humano nesse mundo, basta jogar uma luz para que o mal se desfaça. O ser humano é essencialmente covarde, se tem a certeza da impunidade e da não publicidade dos seus mal feitos, é capaz de tudo. Os Estados Unidos fervilham com a campanha pelos direitos civis dos negros. Os embates começam a ficar sangrentos. Embora o universo feminino pareça não se envolver na política, é justamente o acirramento das tensões no mundo exterior que leva ao rompimento do silêncio que encobre aquelas relações domésticas.

Elas resolvem falar e começam a mudar o futuro

A partir dos depoimentos das empregadas negras, a moça branca escreve um livro revelando histórias que se mantinham ocultas pelo medo e pelo comodismo. Algo que lembra muito o comportamento dos brasileiros diante de várias situações aviltantes, como a corrupção desvairada e o descaso do governo para com as necessidades básicas da população.

Pense numa convivência tensa ...

O filme é magnífico. O elenco arrasador. No início, cheguei a duvidar de algumas atrizes escolhidas. Pensei que não dariam conta do recado. A história é confinada ao universo feminino e, por isso mesmo, altamente complexa. Mas, as moças foram simplesmente espetaculares. Nota-se a mão firme do diretor, que não deixou a coisa desandar para o piegas.

As garotas se saíram muito bem

Saí do cinema completamente ensopado pelas lágrimas da Little Mary de um lado e da Ruth de outro. Clarita nos abandonou sem o menor pudor alegando ter esquecido de um jantar previamente agendado. Perdeu um filmão que o Café & Conversa recomenda sem pestanejar. Veja o trailer.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Café na campanha eleitoral russa

Romoaldo de Souza

Latte art é a genial habilidade de fazer desenhos nas xícaras de cappuccino e que agora está chegando à campanha eleitoral da Rússia.  E eu pergunto: já pensou se a moda pega? Os candidatos que disputam a presidência da Rússia ganharam contornos do rosto na xícara de café servida pela rede de cafeteria Kofein, de Moscou.

Os baristas, aquele pessoal que prepara o café com arte, pergunta ao eleitor se prefere Vladimir Putin, Gennady Zyuganov, Vladimir Zhirinovsky, Sergei Mironov ou Mikhail Prokhorov, e por aí vai.

Candidatos a presidente da Rússia estampados nas xícaras de cappuccino, em Moscou

Aqui no Brasil, com tantos candidatos de semblantes duvidosos, será que faria sucesso? 




Um abraço e bom café!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Guardando café empacotado a vácuo

Romoaldo de Souza

Idalice Ribeiro, de Olinda (PE), não perde um programa do Café & Conversa na CBN Recife e, sempre que pode, acessa o blog. Ontem, ela mandou um e-mail querendo saber uma boa maneira para guardar café em casa sem perder o sabor.

Compro sempre café embalado a vácuo e procuro mantê-lo sempre fechado. Mas como devo mesmo guardar? Pode ser na geladeira? - pergunta.

Deste cenário Patrimônio da Humanidade, Idalice vai a Recife comprar
café a vácuo e quer saber como guardar para não perder o sabor


Pode. O ideal é deixar seu café em casa num ambiente longe da luz e bem fechado. Prefira em lata.




Um abraço, bom café!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Torra clara ou escura

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Modismos vêm e vão. Diversos torrefadores americanos estão agora unidos em um movimento por torras mais claras no café. E a ideia cresceu tanto que já reúne desde as pequenas boutiques de café até grandes redes, como a Starbucks. Torrefadores e clientes reclamam das torras escuras alegando que o café fica com gosto de carvão.

Claudia Cardinali tomando um café forte, depois de acordar das
noitadas de gravação do seu maior sucesso Goya

Sempre desconfiamos de um café muito torrado. Geralmente esse tipo de torra é feita para esconder defeitos do grão e acaba acrescentando um defeito pior. Já experimentamos cafés africanos cuja torra era bem escura, mas o aroma e o sabor eram simplesmente fantásticos. Assim, o que podemos dizer é que há grãos que suportam bem uma torra escura e outros não; há torrefadores que sabem o que estão fazendo e outros não.

Chico Buarque quando o tempo permitia posar de gato

A moda está chegando ao Brasil. Já encontramos em algumas cafeterias disponibilizando cafés com torra mais clara. Às vezes até o mesmo grão com torras diferentes. A parte divertida disso tudo é justamente experimentar. 

Escute o podcast e diga o que achou





Um abraço, bom café! 

Enquanto a moda não se instala de vez por aqui, fique com essa receita de Pavê de Café e Chocolate, que encontramos na revista M de Mulher:

Ingredientes

- 3 xícaras (chá) de leite
- 2 colheres (sopa) de amido de milho
- 2/3 de xícara (chá) de açúcar
- 8 gemas
- 300 g de chocolate meio amargo picado
- Essência de baunilha a gosto
- 200 g de pão tipo brioche esfarelado
- 1 copo (americano) de café coado
- 100 g de morangos.



Preparo

Aqueça o leite e junte o amido, o açúcar e as gemas. Mexa até engrossar. Retire do fogo e divida o creme em duas partes. Em uma delas, junte o chocolate picado. Mexa até formar um creme liso. Na outra metade misture a baunilha.

Em uma taça, espalhe metade do creme de chocolate no fundo. Umedeça o brioche com o café e ponha sobre o creme de chocolate. Cubra com o creme de baunilha e faça uma última camada com o creme de chocolate. Decore com os morangos e conserve na geladeira até o momento de servir.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Café nas alturas


O renomado barista de Recife, Guilherme Azevedo, pergunta sobre a influência da altitude da região em que o grão é plantado para o sabor e o aroma do café que nós tomamos. Especialistas costumam usar a expressão "vital", quando se referem à altitude onde o café é produzido.

Na foto do pessoal do Cultura Mix, grãos de café produzido nas montanhas
de Minas Gerais, acima de 1,2 mil  metros de altitude 

Estudos realizados aqui no Brasil por duas pesquisadoras, Sara Chalfoun e Vania Déa, da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, concluíram que a altitude "é um fator importante para determinar se a região está ou não apta a produzir bons cafés". Porque também influi diretamente sobre a temperatura e, claro, as chuvas. Ainda conforme os estudos das pesquisadores mineiras, "a cada 100 metros que sobre a altitude, a temperatura cai perto de 0,7ºC"

Para saber mais, escute o podcast



Um abraço, bom café!