quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Slow Food & Good Coffee


Há alguns anos tomei conhecimento de um movimento iniciado na Itália que havia se tornado uma Associação Internacional chamada Slow Food. O nome já diz quase tudo o que esse movimento representa, uma contraposição ao estressante e sem graça fast food. Nas próprias palavras da Associação:

"O Slow Food está justamente na encruzilhada entre a ética e o prazer, entre a ecologia e a gastronomia. Ele se opõe à padronização do paladar, ao poder irrestrito das multinacionais, à agricultura industrializada e à estupidez da vida agitada. Ele restaura a dignidade cultural do alimento e os ritmos mais lentos da convivência à mesa. É um universo de pessoas que trocam conhecimentos e experiência. Ele acredita que todo prato que comemos deve ser o resultado de escolhas feitas nos campos, a bordo de embarcações, em vinhedos, em escolas e parlamentos."


Uma proposta tão sonhadora, tão lúdica, tão romântica, só poderia ter surgido na Itália, onde a comida é tratada com reverência e onde as mamas e nonas são guardiãs de segredos culinários que são um tesouro da família passado somente às filhas e netas. Uma verdadeira máfia ...

"Non se meta com mia mama, capicce?"

Sendo eu descendente de italianos e um bocado sonhador e romântico, é claro que procurei me associar ao Slow Food. Mas, naquela época o movimento ainda estava restrito a poucos países europeus. Assim, me resignei a acompanhar as notícias ocasionais.

Há pouco tempo assisti a um programa culinário na TV que falou do Slow Food e deu o endereço do site (www.slowfood.com). Acessei apenas para ver se havia algumas receitas e tive a grata surpresa de saber que o Brasil já abrigava uma entidade nacional e uma Convivia em Brasília!

Hoje recebi a minha carteirinha de filiado e um manual ensinando que o movimento cresceu e não apenas em tamanho. O Slow Food foi fundado em 1986 como uma associação enogastronômica (vinhos e alimentos) pelo ativista alimentar Carlo Petrini na pequena cidade de Bra, situada no Piemonte, norte da Itália. É lá que também acontece, a cada dois anos, a feira internacional Cheese, só de queijos e leite.

O Paraíso deve ser mais ou menos assim

Presente em 132 países, com mais de mil Convivias e 85 mil associados, aquele pequeno movimento de idealistas do sabor e da vida digna ampliou seu objetivo inicial para abranger a qualidade de vida e, como consequência lógica, a própria sobrevivência do planeta em que vivemos.

Além de comer e beber muito bem, os associados se comprometem com a proteção dos alimentos tradicionais e sustentáveis de qualidade, dos ingredientes primários, na conservação de métodos de cultivo e processamento e na defesa da biodiversidade, tanto de espécies cultivadas como silvestres.

Batatinha quando nasce ... vai parar no meu caldeirão

O Slow Food organiza e constrói redes que conectam produtores e co-produtores; educa consumidores; promove seminários locais e internacionais, feiras, eventos e mercados; e atua politicamente junto a parlamentos de todo o mundo. Além disso, criou a editora Slow Food Editore e a Fundação Slow Food para a Biodiversidade, que tem promovido projetos como a Arca do Gosto, as Fortalezas e o Terra Madre, voltados à conservação da nossa preciosa herança alimentar.

Agora, o blog Café & Conversa tem a honra e a satisfação de fazer parte dessa enorme rede mundial e defender os mesmos princípios que a norteiam. Esse é o nosso desejo e essa é a nossa missão.

Ricardo Icassatti Hermano

Degustação de café


Cafés do Brasil, Guatemala, Nicarágua, Honduras, Tanzânia e Gana serão postos à prova para degustação, em curso que utiliza metodologias aprovadas pelo Specialty Coffee Association of America (SCAA).

A programação que vai de 27 a 30 de outubro, no Centro de Preparação do Café do Sindicafé, em São Paulo, e vai de análises de percepção sensorial, à torra e os efeitos do café, a acidez e a interação dos sabores básicos.

Serviço:
Data: de 27 a 30 de outubro de 2009
Local: Sindicafé-SP - Centro de Preparação do Café - Praça Dom José Gaspar, 30, 22º andar - Centro - São Paulo (SP)
Valor: R$ 1.500,00
Mais informações: cpcsp@sindicafesp.com.br; (11) 3258-7443, com Adriana

O que é isso?

Acidez – explorar a natureza dos diferentes ácidos e sua interação com o café;

Percepção sensorial – descobrir como os aromas são percebidos. A influência no paladar. Os principais sabores do café, desde o mais simples ao mais complexo;

Torra – descobrir a função e os efeitos da torra na definição do café.

A Música do Dia - Yawlidi - Souad Massi


Por seu ativismo popular na Argélia, de onde foi expulsa, Souad Massi muitas vezes é comparada a Joan Baez e Tracy Campman. Mas as comparações param por aí. Souad Massi tem uma voz excessivamente mais suave que as duas divas, com quem ela se identifica.

Nascida em uma família de músicos, Souad Massi canta folk com a mesma doçura com que dedilha o violão em canções de protesto. O primeiro sucesso veio depois de integrar o festival "Femmes d'Algérie (Mulheres da Argélia).

A argelina Souad Massi, e sua Yawlidi, é a recomendação do Café & Conversa para esta quinta-feira. Bons cafés a todos!


Romoaldo de Souza

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

No Cafezinho da Câmara


O blend Antonello Monardo, servido a R$ 2,00 a xícara no “Cafezinho” da Câmara dos Deputados, continua sem personalidade, apesar do esforço da barista. O curto é inconsistente, ácidoNegrito e com sabor de torra velha.

A jornalista Jamila Gontijo achou que o café, “tem certa acidez, mas só a partir do segundo gole”. Isso porque ela entulhou a xícara com um envelope de açúcar, apesar de estar tomando um curto.

A barista se desculpou dizendo que "acidez não é sinal de café ruim". Ela lembrou que o "novo" blend tem grãos da região da Mata de Minas, como se essa informação fosse suficiente para definir o padrão de um café.

A Música do Dia - Sin Condiciones - San Telmo Lounge


A música para esta quarta-feira, é Sin Condiciones, com o grupo argentino San Telmo Lounge.

Quando se apresentou em Brasília, 9 e 10 de outubro, o líder do San Telmo Lounge, Martín Delgado, foi tomar café espresso, no Eldorado Café, acompanhado da reportagem do Café & Conversa.



Veja o clipe:


Romoaldo de Souza

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Genesis, by R. Crumb


Todo gênio tem um tanto de loucura embutida. Faz parte do pacote. Somente essa loucura é capaz de fornecer o grau de obssessão, perfeccionismo e foco que um gênio precisa para levar adiante e terminar uma obra.

Este é o caso de um dos ícones da contra cultura dos anos 1970, o desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos Robert Crumb. Acabo de receber o seu mais recente trabalho, O Livro do Genesis. É aquele primeiro livro da Bíblia mesmo, com todos os 50 capítulos!

Auto retrato

Crumb havia pensado em fazer algo apenas com a história de Adão e Eva, mas ficou fascinado com a linguagem da Bíblia: "a text so great and so strange that it lends itself readly to graphic depictions". Assim, decidiu ilustrar todo o Livro do Genesis, mantendo o texto original.

Capa do livro

Quem conhece o trabalho de R. Crumb, dono de um traço único, sabe que não foi uma tarefa qualquer. O quadrinista dedicou cinco anos a esse livro e nos presenteou com uma obra de arte. Ainda não consegui fechar a boca e tirar meu queixo do chão. Seguem algumas das ilustrações.


Em seu site (http://www.crumbproducts.com/) Crumb avisa que a obra está sendo traduzida para várias línguas, inclusive o português, e deve ser editada em breve no Brasil.

Quem, como eu, não conseguir esperar até lá, pode comprar na Amazon:

Custa apenas US$ 13.72. Caro é o frete. Imagine o preço aqui no Brasil ...

Ricardo Icassatti Hermano

A Música do Dia - All in One - Bebel Gilberto



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tempo fechado



Essa bela imagem captada pela fotógrafa Márcia Foletto, de O Globo, retrata bem o atual momento vivido pelo Rio de Janeiro. Clique na foto para vê-la em tamanho maior.

Mousse de Cappuccino


Confesso que não provei dessa mousse que o pessoal do R7 está recomendando, mas é sempre bom provar uma Mousse de Cappuccino. Quem provar primeiro, mande considerações e uma fatia aqui para a redação do blog.

Ingredientes

- 2 envelopes de gelatina em pó incolor;
- 4 xícaras (chá) de café bem forte;
- 1 ½ xícara (chá) de leite condensado;
- 3 colheres (sopa) de leite em pó;
- 3 claras em neve

Para a calda

- 1 xícara (chá) de creme de leite fresco;
- 2 xícaras (chá) de chocolate meio amargo picado

Modo de Preparo

Mousse - Prepare 4 xícaras (chá) de café bem forte. Separe 1 xícara (chá) de café e hidrate a gelatina. Misture ao restante do café. Misture bem a gelatina com o café. Em uma tigela, misture o leite em pó com o leite condensado. Junte a mistura de café e gelatina. Incorpore, por último, as claras em neve. Unte uma fôrma de pudim, com furo no meio, com óleo. Despeje a mistura na forma, cubra com filme plástico e leve ao freezer por aproximadamente 40 minutos para firmar. Retire do freezer e leve à geladeira por mais uma hora antes de servir. Desenforme em um prato e cubrar com a calda de chocolate.

Calda - Aqueça o creme de leite até começar a levantar fervura. Desligue o fogo, junte o chocolate picado e mexa bem até obter um creme liso e brilhante.

Fran's Café

Estive ontem (domingo, 18) no Fran’s Café, localizado no Deck Brasil, à QI 11 do Lago Sul. Fui tomar meu café da manhã e avaliar o local para os leitores do Blog Café & Conversa. Um dos motivos da escolha foi que o Fran’s tem um cardápio específico para café da manhã.

A palavra “café” incorporada ao nome dos estabelecimentos comerciais foi perdendo a sua conotação original e hoje significa algo entre um bistrô e uma lanchonete, pois o foco principal não é mais a bebida café e sim a comida servida. O café passou a ser um mero coadjuvante.

Embora sirva um blend de marca própria, o Fran’s não é diferente e oferece uma grande e saborosa variedade de comidas, que vai do onipresente pão de queijo, passa pelos sanduíches quentes e frios e chega a refeições completas como saladas, caldos, cremes e massas.

Os doces também chamam a atenção pela beleza, gostosura e quantidade de opções. São tortas e mais tortas, sorvetes, mousses, creamcheeses e pudins. As mulheres e as crianças adoram.

Mas, apesar da ênfase na comida, o Fran’s não tem cozinha. Todos os produtos são semi-prontos refrigerados e/ou congelados.

As bebidas são igualmente abundantes, com sucos, sodas, refrigerantes, cervejas, vinhos e destilados. O café é apresentado de diversas formas, desde o espresso – que o Fran’s chama de “expresso” – e o cappuccino até outras misturas mais exóticas.

O estabelecimento tem Wi-Fi, mas segundo uma das atendentes, é para uso exclusivo dos proprietários. As moças também não sabiam explicar como se faz a conexão com um certo provedor “Vex”, que me parece ser o Wi-Fi do Deck Brasil, se entendi direito. Mas, na terceira tentativa, consegui descobrir a senha para o roteador "exclusivo".

O atendimento é simpático, feito apenas por moças. Mas, o conhecimento sobre café não é lá essa Brastemp. Após uma breve entrevista, fiquei sabendo que as funcionárias passaram por um “curso” com uma barista de São Paulo chamada Estela. As moças me disseram que o tal “curso” as fez baristas, mas não receberam qualquer certificado. Hummm... Eu classificaria esse “curso” algo como um treinamento.

Seguindo o questionamento, descobri que duas das moças não fizeram o treinamento e uma delas é que fez os meus cappuccino, espresso e espresso curto, sobre os quais tratarei mais adiante.

O Fran’s tem como slogan: “Estilo e arte de servir café”, e garantem servir café gourmet. Infelizmente não foi o que experimentei.

O café propriamente dito também é vendido em grão e moído. Segundo informação contida na embalagem, é distribuído por Andorinha Comércio Importação e Exportação Ltda., de São Paulo, e industrializado por Irmãos K Ltda.

Tomei o café em três versões: cappuccino, espresso e espresso curto. Nenhum dos três me agradou, mas devo destacar que a temperatura estava correta. Todos tinham sabor extremamente ácido, pouquíssimo aroma e apenas no curto, crema inconsistente que não durou 30 segundos e, duas horas depois, gosto de carvão.

O espresso curto ocupava mais da metade da xícara, o que descaracteriza completamente o “curto”, que deve ter 30ml. Certamente o café não é gourmet.

Acredito que parte do problema está no fato da moça que os preparou não ter feito nem o tal treinamento e a desculpa que outra atendente me deu foi que “a máquina está desregulada”. Também me pareceu que os grãos tenham sido torrados além da conta e que o tempo na máquina não foi observado.

Além disso, vi que o recipiente do moedor estava um tanto embaçado. Sinal de que não havia sido devidamente limpo recentemente.

O Fran’s Café aceita todos os cartões de crédito e fica aberto 24h todos os dias.

Ricardo Icassatti Hermano