domingo, 16 de dezembro de 2012

O Hobbit

Ricardo Icassatti Hermano

Imagine 13 anões feios, barbudos, sujos e mal educados à procura de um ladrão que os ajude a roubar uma montanha cheia de ouro. Eu sei, mas não, não estou falando de mais um escândalo de corrupção. Até porque os anões e anãs indiciados pela Polícia Federal são bandidos. Os 13 anões a que me referi são os herois do primeiro filme da trilogia O Hobbit, uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey), baseado em premiado livro do filólogo e professor britânico J. R. R. Tolkien, publicado em 1937. A trilogia foi dirigida por Peter Jackson, o mesmo diretor da trilogia O Senhor dos Anéis

Cartaz do filme

O fato de ser o mesmo diretor garantiu a manutenção da uniformidade na narrativa e da atmosfera geral. Meu filho Gabriel e eu sentimos a mesma emoção da trilogia anterior - e lá se vão 10 anos - assim que o filme começou. Foi um enorme prazer mergulhar naquele universo novamente, rever alguns personagens, as novas técnicas de filmagem e os novos efeitos digitais, vibrar com a aventura. 

Bilbo, Gandalf e os 13 anões

Uma das novidades é que o filme foi rodado em 48 fps (frames por segundo), o dobro  da velocidade tradicional. Com isso, o grau de realismo é imenso, prolonga o movimento não percebido pelos olhos e ressalta a qualidade dos efeitos digitais. No início é meio estranho. Afinal, não estamos acostumados. Mas, logo normaliza. As cenas com o Gollum chamado Sméagol, são fantásticas. Apenas não vi necessidade do filme ser em 3D. Não acrescentou absolutamente nada alem de lucro ao cinema, que cobra mais caro a entrada.

Sméagol cada dia mais real

Jackson também repetiu o esquema de trabalho, rodando os três filmes de uma vez e entregando ao ávido público um por ano. Assim, teremos em 2013 The Hobbit: The Desolation of Smaug, e em 2014 The Hobbit: There and Back Again. Ainda sem título em português. 

Gandalf meio que revela o que fuma naquele cachimbo ...

A história é anterior ao Senhor dos Anéis, quando o hobbit Bilbo Bolseiro era mais jovem. Ele é convocado pelo mago Gandalf para ajudar aqueles 13 anões a recuperar a montanha cheia de ouro de onde foram expulsos pelo dragão Smaug. O hobbit se incorpora à troupe como "ladrão", pois os anões precisam de alguém com essa expertise para enganar o dragão. 

Para ajudar os anões, Bilbo precisa se transformar num ladrão

Daí em diante, começa a grande viagem, que sempre é a melhor maneira de se contar uma história. Como toda viagem que se preze, o percurso é cheio de perigos e os personagens passam por um processo de amadurecimento. Bilbo, por exemplo, aprende muito sobre o que é realmente valioso na vida. Estão lá os famigerados Orcs e os Trolls comedores de gente. 

Um dos Trolls, muito humor também

Os Orcs agora são digitais. Eram mais assustadores no Senhor dos Anéis porque eram atores caracterizados. Ainda temos a novidade dos lobos Warg, que servem de montaria para os Orcs. Também estão lá os Elfos e sua fabulosa cidade Lothlórien, além da belíssima rainha élfica Galadriel, interpretada pela não menos bela Cate Blanchett.

É uma deusa? É uma elfa? É tudo isso. É Cate Blanchett ...

E mais não contarei, porque seria uma deslealdade para com os fãs de Tolkien. Mesmo aqueles que leram o livro. O filme, claro, não é absolutamente fiel ao livro. Algumas situações precisam ser alteradas para se adaptar à linguagem cinematográfica. Mas, como teremos uma trilogia, é bom saber que a história não será diminuída. 

Anões são grandes guerreiros e totalmente selvagens

O que posso dizer é que se trata de mais uma obra prima, um filmaço, uma aventura fantástica e imperdível, com todos os ingredientes que apreciamos. O Café & Conversa assistiu, gostou, aplaudiu, quer mais, vai assistir novamente e recomenda. Veja o trailer:


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Café e clareamento dos dentes

Ricardo Icassatti Hermano - Texto
Romoaldo de Souza - Locução do podcast

Natalí Soares nos procurou com uma dúvida. Ela quer saber se o seu prazer de tomar café pode comprometer o clareamento de dentes que vai fazer para ficar bem bonita no seu casamento. 


Você sabia que tirar o açúcar do cafezinho, além de colaborar com a boa forma, ajuda a proteger os seus dentes?

Isso porque o café, quando tomado sem açúcar ou com adoçante, apenas suja superficialmente os dentes, sendo que essa sujeira é removida facilmente com a higiene bucal diária. Enquanto o café com açúcar promove descalcificação pelo acúmulo de placa e mancha muito mais.

Portanto, é sempre bom consultar um dentista, porque o consumo de café deve ser evitado nos primeiros dias de tratamento. Assim como o vinho, o chimarrão e o chá. Mas, a sua preocupação maior, Natalí, deve ser com os males que o açúcar provoca ao organismo.

Um abraço e bom café!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Goleiro do Palmeiras toma café na despedida do futebol

Romoaldo de Souza

Mesmo quem torce contra ou aqueles que não têm o futebol na veia sabem que Marcos foi um dos mais adorados goleiros do Parque Antárctica. Na última terça-feira (11), na presença de 40 mil torcedores, ele mostrou porque é tão querido até mesmo pelos adversários. Caráter e profissionalismo foram marcantes na sua carreira.

Agora, com um Pacaembu abarrotado de torcedores que foram se despedir de "São Marcos", o goleiro do Palmeiras repetiu uma cena que ficou marcante na Libertadores da América. Em 2000, o Palmeiras vencia o The Strongest, da Bolívia, por 4 a 0 quando o juiz foi alertado que o goleiro brasileiro tomava café durante a partida.


No jogo de terça-feira, do Palmeiras 1999 contra o Brasil de 2002, Marcos defendeu bolas difíceis, atacou, marcou um gol de pênalti, se emocionou, chorou e tomou café.

"Tá ruim, pra caramba", disse Marcos ao provar o cafezinho servido
a ele no jogo de despedida

PALMEIRAS DE 1999 (2) X (2) BRASIL DE 2002
Titulares: Marcos; Amaral, Cléber, Júnior, Galeano, César Sampaio, Edmundo, Pedrinho, Paulo Nunes, Alex e Evair. 
Titulares: Dida; Cafu, Edmilson, Roque Junior, Roberto Carlos, Belleti, Ricardinho, Juninho Paulista, Rivaldo, Edílson e Ronaldo 
Reservas: Sérgio, Rivarola, Euller, Asprilla, Agnaldo Liz, Tiago Silva, Dudu, Ademir da Guia, Neném, Oseas, Tonhão, Rubens Júnior e Adãozinho 
Reservas: Velloso, Denilson, Luizão, Djalminha, Antônio Carlos e Zé Roberto 
Técnico: César Maluco
Técnico: Luiz Felipe Scolari
Gols: Marcos, aos 21, e Paulo Nunes, aos 41 minutos do 1º tempo; Edilson, aos 16, e Luizão, aos 24 minutos do 2º tempo
Arbitragem: Ana Paula Oliveira 
Local: Pacaembu 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Café, conforto da alma

Ricardo Icassatti Hermano - Texto
Romoaldo de Souza - Locução do podcast

Enquanto as floradas dos cafezais, nesse início de dezembro, nos apontam um futuro com safra recorde, o Brasil perdeu mais um dos seus pouquíssimos gênios. Morreu o arquiteto Oscar Niemeyer

Não vamos aqui repetir tudo aquilo que já foi dito e escrito sobre o arquiteto. Vamos destacar o que ele apreciava em sua mais básica simplicidade. A esposa do arquiteto, Vera Lúcia Niemeyer, revelou que pouco antes de falecer, Oscar lhe disse que desejava comer um pastel e tomar uma xícara de café. 



Outro que se voltou para a simplicidade básica quando se viu encrencado, foi John McAfee, pioneiro na indústria dos anti-vírus para computador. Acusado de ter assassinado um vizinho, fugiu de Belize, onde vivia, e foi se refugiar na Guatemala. Lá, foi preso sob suspeita de ter entrado no país de forma ilegal. Já em cana, fez quatro postagens em seu blog. Em uma delas, escreveu o seguinte:

"Estou na prisão na Guatemala. Muito superior às de Belize. Eu pedi um computador e um apareceu magicamente. O café também é excelente".

Esses são dois exemplos de como nos voltamos para o básico e para aquilo que nos faz bem quando as coisas estão complicadas. Além de todas as qualidades já conhecidas, o café tem esse apelo e o dom de nos confortar. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Paraná quer e incentiva café especial

Ricardo Icassatti Hermano - Texto
Romoaldo de Souza - Locução do podcast

O Paraná é um exemplo para todos os estados brasileiros que produzem café, notadamente quanto aos cafés classificados como especiais, de alta qualidade. O governo estadual mantém avançado laboratório que analisa e produz mudas de variedades raras para abastecer os cafeicultores. Só isso já seria o bastante para colocar o Paraná ombro a ombro com São Paulo e Minas Gerais, deixando outros estados para trás. 

Agora, o estado inova e dá mais um passo importante para assumir a dianteira no incentivo aos produtores. A Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento do Governo do Paraná anunciou ontem (31) que vai comprar com ágio de 25%, todos os lotes de café especial premiados no Concurso Café Qualidade Paraná. E não parou por aí. O governo do estado também vai investir R$ 2,5 milhões na implantação de 330 unidades demonstrativas de tecnologia cafeeira. 




A Secretaria lembrou que o volume de produção caiu drasticamente desde a década de 1970, passando de 22 milhões de sacas por ano para apenas 2 milhões. Segundo o governo, o Paraná não deseja mais ser um grande produtor de café, na quantidade, mas sim investir na qualidade. O café premiado será comprado com base na cotação da Bolsa de Mercadorias e Futuro do último dia 30 de outubro. Com o ágio de 25%, cada saca alcançará o preço de R$ 515,00.

Esse é um belo exemplo que nós, aqui no blog, aplaudimos. Precisamos aprofundar a cultura do café de qualidade no Brasil. Esperamos que outros estados sigam o exemplo. Esse é um jogo em que todos ganham, do produtor ao consumidor. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Matando suavemente ...

Ricardo Icassatti Hermano

Uma crise econômica é ruim para todo mundo. Até para o crime organizado, onde se reproduz a mesma escala de negócios do mundo corporativo formal. Poucos ganham muito e a maioria sobrevive com os resultados da labuta diária. Volta e meia, um esperto aparece e tenta se dar bem. Pouquíssimos conseguem. A maioria se lasca. Exatamente igual nos dois mundos.

A diferença é que no universo do crime, todo mundo se acha esperto e a idiotice, beirando o retardamento mental, impera. Esse aspecto está muito bem retratado no filme O Homem da Máfia, título pessimamente escolhido porque o original, mesmo traduzido literalmente, seria infinitamente melhor: Killing Them Softly (Matando-os Suavemente). O Homem da Máfia não diz absolutamente nada e nem remete a qualquer coisa no filme.

Cartaz do filme

O ano é 2008. Três idiotas, sendo um drogadaço, resolvem roubar uma casa de pôquer. Explico, casa de pôquer é um lugar onde pessoas não muito bem vistas pela sociedade vão relaxar jogando pôquer com muito dinheiro vivo. Como é uma atividade ilegal, outros criminosos cuidam de tudo para que os jogadores possam se divertir em paz e segurança. Mas, os três patetas se acham muito espertos e querem que o sujeito responsável pela casa, Markie Trattman (Ray Liotta), pague o pato. Como todo mundo é meio retardado, é claro que dá merda.

Ray Liotta, o eterno mafioso

Por causa da insegurança gerada, todas as outras casas fecham e a "crise econômica" chega ao mundo do crime. A solução é chamar um especialista em amarrar pontas soltas e garantir o retorno da paz e dos ganhos financeiros. Exatamente como o então candidato Barack Obama faz no filme em aparições televisivas irônicas, discursando aqui e ali. Bush também dá o seu recado. O especialista é o assassino Jackie Cogan, bem interpretado por Brad Pitt, o que garante a presença maciça de mulheres no cinema. 

Nada que uma boa escopeta não resolva

Ao chegar na cidade, Cogan toma ciência do tamanho da encrenca, pois os chefões locais só tomam decisões colegiadas, ou seja, não decidem. Um advogado sem nome, interpretado por Richard Jenkins, faz a ponte entre os chefões o assassino, é quem acaba decidindo tudo. Assim, ele traz um outro assassino para ajudá-lo, Mickey, vivido pelo já conhecido "mafioso" da TV, James Gandolfini. Acontece que Mickey está em meio a uma crise conjugal, bebendo muito e perigosamente instável para o trabalho. Mais um problema.

Gandolfini é o próprio mafioso italiano de Nova Iorque

Mas, é justamente por isso que organizações contratam assassinos profissionais. E valem cada centavo quando são realmente bons. Eles resolvem tudo de maneira limpa, sem rastros que levem aos mandantes e deixam os recados que precisam ser dados. Exatamente como Obama faz com seus agentes secretos e drones. Uma coisa boa, se é que isso é possível, no mundo do crime é que apesar de tudo seus habitantes têm os pés bem plantados no chão. Grande sacada a cena em que o assassino Cogan antecipa e questiona a fala no discurso do então candidato Obama. Sensacional!

As mina pira ...

O filme é brutal, violentíssmo, realista e até engraçado devido ao surrealismo de algumas situações. Embora as poucas cenas de violência - sim, o mundo do crime é violento - possam causar mal estar em almas e estômagos sensíveis, elas foram muito bem feitas e dirigidas. Vi pelo menos um casal saindo no meio do filme. Ter contato com essa realidade, realmente incomoda. Mas, a coisa pode ser ainda pior quando entra o tráfico de drogas no meio. 

Dois dos retardados que se acham espertos

O diretor e roteirista é Andrew Dominik, que abraçou a herança deixada por Quentin Tarantino à indústria do cinema, a plasticidade cinematográfica da violência e os longos diálogos que revelam completamente a alma dos personagens. Mas, o que parece ser aparentemente fácil, na verdade é difícil. Especialmente os diálogos. É preciso ter o que dizer ou vira apenas uma maneira de baratear a produção. A trilha sonora é igualmente espetacular. O Café & Conversa viu, gostou e recomenda com cotação cinco canecas. Veja o trailer:


Café ajuda avanço da tecnologia

Ricardo Icassatti Hermano - Texto
Romoaldo de Souza - Locução do podcast

O café é bom para muita coisa, mas você sabia que a nossa bebida preferida é responsável por um grande avanço tecnológico? Pois saiba que a webcam, tão comum hoje em dia, foi criada graças à necessidade de alguns cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, saberem se havia café quente na cafeteira, que ficava em outra sala distante dos laboratórios.

Os cientistas Quentin Stafford-Fraser e Paul Jardetzky colocaram uma câmera para “vigiar” a cafeteira, tomando três imagens por minuto. Os dois cientistas elaboraram um programa que permitiu aos demais colegas ver as imagens da cafeteira pela Rede Interna da Universidade, evitando assim que saíssem de seus laboratórios e encontrassem a cafeteira vazia. No dia 22 de novembro de 1993, as imagens da cafeteira foram colocadas na ainda incipiente Internet.




E assim, com algumas imagens borradas de uma cafeteira foi realizada a primeira transmissão de imagens pela Internet. As “empolgantes” imagens da cafeteira logo começaram a fazer sucesso e os cientistas receberam um e-mail do Japão sugerindo que colocassem uma luz na sala para que as imagens ficassem nítidas para os diversos fusos horários. Em seguida, foram organizadas até visitas aos laboratórios para que se observasse in loco a cafeteira.

Apesar da chuva de reclamações, após 10 anos de filmagem diária e milhões de acessos, os cientistas britânicos encerraram as transmissões em agosto de 2001, com a última imagem de uma pessoa desligando a cafeteira. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Cafeteria aluga moças para dormir

Ricardo Icassatti Hermano - Texto
Romoaldo de Souza - Locução do podcast

Começamos a semana falando sobre cafeterias que disponibilizam gatos e cachorros para a convivência harmoniosa com a clientela. São as chamadas Cat Cafés ou Dog Cafés. Esse tipo de novidade sempre começa pelo Japão e vai se espalhando pelo mundo. Esse tipo de cafeteria estão pipocando pela Europa. E agora os japoneses saem na frente mais uma vez com o Cuddle Café, ou Café do Abraço. Dessa vez, só para seres humanos.

Em Tóquio, um café chamado Soineya, cuja tradução é "lugar para dormir junto", é a prova da solidão dos moradores de grandes metrópoles  A cafeteria foi feita para homens que não querem dormir sozinhos e gostariam de ter uma companhia feminina na cama. Mas, é só para dormir. 




O cliente entra num quarto bem pequeno, que tem apenas um colchão e uma garota vestida; ele se deita ao lado dela e pode cochilar em paz. Se quiser, pode conversar um pouco. A cochilada não é barata. Por 20 minutos, o cliente vai desembolsar US$ 40. Para dormir abraçado, de conchinha, custa mais caro: três minutos de conchinha vão custar US$15 a mais. 

Para repousar a cabeça no colo da garota, são mais US$15. Se ela colocar a cabeça no colo do cliente, o preço dobra. E ainda tem um monte de opções, como massagem no pé. Mas, sexo não faz parte do pacote de jeito nenhum. O negócio é sério e o cliente só vai dormir acompanhado. A cafeteria vive lotada com homens cansados ou carentes demais para pensar em algo que exija algum esforço. Imagine se essa moda chega por aqui ...

O efeito "Dupla Sertaneja"

Ricardo Icassatti Hermano - Texto
Romoaldo de Souza - Locução do podcast

Pesquisa feita pelo Instituto Max Planck de Desenvolvimento Humano, em Berlim, na Alemanha, e publicada semana passada pela revista científica Frontiers of Neuroscience (Fronteiras da Neurociência), revelou um efeito que poderia ser batizado de "Dupla Sertaneja". É o que acontece quando duas pessoas executam uma canção juntos: seus cérebros entram em sincronia. 

A experiência envolveu 32 violinistas, que tiveram a atividade cerebral monitorada por eletrodos enquanto executavam partes diferentes da mesma canção. Cada um tocava uma parte pré-determinada e tinha que prestar atenção ao que o outro estava tocando para saber quando começar. Seus cérebros apresentaram as mesmas oscilações, independentemente de quem estivesse tocando no momento. As áreas do cérebro mais ativadas foram aquelas ligadas às relações sociais e à produção musical. 



Para os pesquisadores, é provável que fenômenos semelhantes ocorram também em outras situações, como em esportes coletivos ou mesmo em uma conversa corriqueira. Desconfiamos que esse efeito também deve ocorrer entre músicos e plateia em shows. Bem que os cientistas poderiam fazer essa experiência numa conversa regada a café. Temos certeza que os resultados seriam surpreendentes.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cafe da Condessa e os detalhes preciosos

Ricardo Icassatti Hermano

Gosto da modernidade tecnológica, mas não gosto dos modismos, do ego desesperado para ser notado. Gosto das tradições que passaram pelo teste do tempo e permaneceram porque têm algo de bom. É o caso da educação. Não estou falando da educação formal, do banco da escola, que está completamente falida. Falo daquela educação da família, que é passada para a próxima geração.

Esse tipo de educação privilegia o recato, a discrição, o conhecimento, a elegância, o trabalho, o respeito, a gentileza. Para isso, é preciso uma longa história familiar, uma lapidação constante. E como identificamos essa educação? Simples, preste atenção aos detalhes. Admiro quem a possui.

No meio da semana recebi uma amostra de café. Recebo muitas de produtores de todo o país. Felizmente e graças a um trabalho árduo, o Café & Conversa adquiriu a confiança de todos os envolvidos no setor cafeeiro. Os produtores, em especial, sempre querem nossa opinião sobre seus cafés pois sabem que escrevemos para os consumidores.

Essa cobertura evita que os grãos tenham contato com o solo e sofram contaminação microbiológica

A amostra que recebi vem da Fazenda Santo Antonio, localizada no municipio de Jacutinga, Sul de Minas Gerais. O cafezal fica a mais de mil metros de altitude, na fachada Leste das terras, onde recebe doses generosas de sol pela manhã. A fazenda pertence à mesma família desde o século XIX e só vendia o café verde. Mas, isso foi só até que Maria Carolina, a filha única do proprietário, assumisse o negócio. E aqui é preciso abrir um parêntese.

Embalagem bacana

Maria Carolina é arquiteta, foi produtora de moda e é globetrotter. Abandonou parte dessas atividades para se tornar cafeicultora e morar em Jacutinga. Após um ano à frente da fazenda, resolveu que teria um produto com marca própria. Surgiu o Café da Condessa, uma homenagem à avó paterna, descendente de condes e barões do café. Nas palavras da própria Maria Carolina:

- Só aquilo de commoditie era muito chato. Não interagia com o mundo. Só documentos para cá e para lá. Zero de criatividade. Daí eu criei o "Café da Condessa". Fiquei um ano montando a empresa. Criei a logomarca, a embalagem etc. Minha empresa é bem artesanal. Foi tudo feito por mim e continua sendo. Levo o café a um laboratório para fazer o laudo. Acompanho a separação do café nas peneiras. Posteriormente passa por uma mesa eletrônica que lê os grãos e escolhe o que está maduro. Depois junto o que eu acho que fica bom e saio para vender. Agora é mais divertido - sorri.

Maria Carolina no comando do cafezal,
sem perder a ternura jamais

No dia seguinte, meu café da manhã foi de testes. A embalagem do Café da Condessa traz as informações necessárias e é muito bonita. Os grãos são do tipo Arábica, variedade Mundo Novo, tamanho bastante uniforme, com torra média e bem aromáticos. Lembra muito café sombreado. A torra é terceirizada e feita pela Grão de Ouro, em Espírito Santo do Pinhal.

Não me canso de admirar a beleza disso

Na minha french press, apresentou uma coloração agradavelmente achocolatada e próxima de café passado num coador Hario. Na boca, o Café da Condessa não abandona as boas maneiras e se revela com acidez pronunciada, doçura prolongada e corpo curvilíneo. Nem mais, nem menos. Na medida. 

Delícia : )

Resumindo, um café elegante como o cartão que o acompanhou. Escrito com caneta tinteiro em papel especialmente timbrado. Palavras escolhidas com aparente casualidade. Verbo provocante, "Delicie-se", e caligrafia esmerada. Detalhes ... 

Detalhes ...

Por enquanto, o Café da Condessa pode ser encontrado em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Pernambuco e Ceará. Maria Carolina me garantiu que, em pouco tempo, teremos no Rio de Janeiro e em Brasília também. E ela ainda nos presenteou com uma das suas receitas prediletas, a Taça de Café.

Taça de Café

Capacidade da xícara: 200ml
Capacidade e tipo do recipiente: taça de 150ml 
Rendimento: cerca de 4 porções

Ingredientes
Gelatina de café

- 1⁄2 litro de água (500ml)
- 5 colheres (sopa) café em pó (40g)
- 4 colheres (sopa) rasadas de açúcar UNIÃO (40g)
- 3 colheres (chá) de gelatina em pó incolor (9g)
- 4 colheres (sopa) de água, para hidratar a gelatina (75ml)


Creme
- 2 xícaras (chá) de leite integral (400ml)
- 2 colheres (sopa) rasadas de açúcar UNIÃO (20g) 2 gemas, - peneiradas (40g)
- 2 colheres (sopa) rasadas de amido de milho (16g) 1⁄2 colher (sopa) de essência de baunilha (7,5ml)
- 1⁄2 lata de creme de leite (150g)


Preparo da Gelatina
Coe um café de acordo com a medida de água e pó. Ainda quente, adicione o açúcar e a gelatina previamente hidratada na água. Misture bem e reserve até esfriar. Despeje em um recipiente untado com óleo, medindo 13 x 24 e leve à geladeira por cerca de 2 horas ou até o completo endurecimento. Desenforme e corte em cubos de 1,5cm. Distribua nas taças e cubra com o creme. Decore a gosto.


Preparo do Creme
Com exceção da baunilha, misture os ingredientes e leve ao fogo, mexendo sempre até engrossar. Fora do fogo adicione a baunilha e reserve até esfriar.
Utilize frio.


Dica
Caso queira, adicione ao creme depois de frio, 1 colher (sopa) de licor de laranja.

Não aconselhamos CONGELAMENTO/DESCONGELAMENTO 

Elaborada pelo Centro de Inovação Culinária UNIÃO