terça-feira, 21 de setembro de 2010

Super-Gêmeos! Ativar!


Ricardo Icassatti Hermano

A amiga do blog, Clara Favilla está em Haia, na Holanda, curtindo seu período sabático e paparicando a filhota, a excelente flautista Bebel. Aproveitando a viagem, fez a gentileza de dar uma carona para a caneca personalizada do Café & Conversa, que tem conhecido cafeterias incríveis por lá.

A caneca checando o cappuccino da Clara e o mochaccino da Bebel

Mas, como não existe almoço grátis, Clara e Bebel já beberam tanto café que estão parecendo aquele desenho animado em que um casal de irmãos super-heróis gritava sempre que precisavam dos seus super-poderes: "Super-Gêmeos, ativar!"

O resultado é que Clara já arrumou trabalho na forma de um freela. Não sabemos sobre o que. Além disso, tem tido a consideração e a generosidade de nos abastecer com fotos e informações valiosíssimas. A cafeína está fazendo efeito ... No caso delas, o grito é: "Cafeína! Ativar!"

A caneca do Café & Conversa se sentiu em casa na Coffee Company

A novidade de hoje é a cafeteria de uma rede holandesa, chamada Coffee Company, que tem tudo o que a gente gosta. Apesar de fazer o estilo Starbuck's, servem bons cafés, guloseimas deliciosas, têm ambientes bacanas e baristas que tratam bem os clientes.

Poltronas de couro harmonizam perfeitamente com café

Segundo a nossa correspondente especial, essa cafeteria fica bem no centro da cidade de Haia, ali na rua Koten Poter, 21, e é bem agradável. Clara nos disse que os puristas torcem o nariz para essa cafeteria porque os baristas perguntam se o cliente deseja o espresso pequeno, médio ou grande.

- Coisa que na Itália não aconteceria - revoltou-se a viajada jornalista.

Clara disse ainda que adorou a decoração da cafeteria e que é possível ficar horas lá dentro fazendo nada, lendo, conversando, trabalhando, estudando ou namorando ... O local disponibiliza acesso grátis à internet, jornais, revistas e livros sobre café.

Belas vitrines, rua simpática, internet grátis, café .. quer mais o que?

Agora só falta ela aparecer por aqui vestida de camponesa holandesa, calçando tamancos de madeira e com um holandês a tiracolo ... ou trazer umas torcedoras holandesas pra gente : )

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Músicas do Dia - Deu Pra Ti - Kleiton e Kledir - Hino do Rio Grande do Sul


Romoaldo de Souza

O Rio Grande do Sul é mesmo um estado privilegiado. É uma das poucas unidades da Federação que tem dois hinos. O oficial, que fala de uma terra que quer ser modelo, "Ser forte, aguerrido e bravo" e o canto oficioso “Deu Pra Ti”.

Mas é sempre bom ressaltar que esse "Deu Pra Ti", dos irmãos (quase) siameses Kleiton e Kledir é no sentido "Chega, não é?" ou ainda, "Está bom, assim, pra você?". Os caras sentem saudades do Paulo Roberto Falcão, o ex-rei de Roma, e do ex-prefeito e compositor nas horas vagas, José Fogaça. Aliás, não erraria se eu dissesse que Fogaça poderia, também, ser o rei de Poa (como os gaúchos chamam Porto Alegre), quando ele canta "Porto Alegre é demais".

Essa Farroupilha, aí, que os gaúchos comemoram hoje, tem o mesmo significado da “Revolta de Princesa”, no interior da Paraíba, quando o Coronel Zé Pereira decretou independência por 72 dias. Não é nada, não é nada, mas o interior da Paraíba já foi um país, com direito a Ministério da Marinha, em pleno sertão paraibano.

Vem daí a famosa história de que as mulheres que ajudaram o Zé Pereira, na revolta contra as tropas federais, eram machos como os homens do Coronel. “Paraíba masculina, mulher macho sim, senhor”, deu uma confusão danada, por causa do duplo sentido. Assim como pode dar dupla interpretação esse “Deu Pra ti”.

Deu Pra Ti
Kleiton Ramil e Kledir Ramil

Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre
Tchau!

Quando eu ando assim meio down
Vou pra Porto e bah! Tri legal
Coisas de magia, sei lá
Paralelo 30

Alô tchurma do Bonfim
As gurias tão tri afim
Garopaba ou Bar João
Bela dona e chimarrão

Que saudade da Redenção
Do Fogaça e do Falcão
Cobertor de orelha pro frio
E a galera do Beira-Rio



Hino do Rio Grande do Sul
Francisco Pinto da Fontoura / Joaquim José de Mendanha

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra


Arroz de China Pobre e a Revolução Farroupilha


Ricardo Icassatti Hermano

Hoje, os gaúchos comemoram o 175º aniversário da declaração de independência da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, que deu início à chamada Revolução Farroupilha, ou ainda Guerra dos Farrapos. Um belo movimento de caráter republicano e de resistência à monarquia, o governo imperial do Brasil, corrupto e abusado.

Tela "Carga de Cavalaria Farroupilha", de Guilherme Litran (1893)

Embora não tivesse, originalmente, intenção separatista, a revolução acabou por inspirar movimentos separatistas em outras províncias brasileiras. Foi o caso da revolução chamada Sabinada, na Bahia em 1837, e a Revolução Liberal, em São Paulo em 1842.

A Revolução Farroupilha, por sua vez, foi inspirada pela Guerra de Independência do Uruguai, mantendo conexões com a nova República do Rio da Prata, alem de províncias argentinas independentes como Corrientes e Santa Fé. O movimento chegou a se expandir para Laguna, onde foi proclamada a República Juliana, e Lages no planalto catarinense.

Tela "A Batalha dos Farrapos", de Wasth Rodrigues

Como sempre, a razão principal de qualquer guerra é a economia. Desde a independência do Brasil, o Sul vinha se queixando de ficar relegado a produzir para o mercado interno, basicamente charque e couro. Enquanto isso, o Sudeste e o Nordeste se dedicavam a produzir ouro, café e açúcar para exportação e enriqueciam.

Cheios da grana, os "empresários" do Sudeste e do Nordeste passaram a importar charque da Argentina e do Uruguai. O charque gaúcho não conseguia competir com o produto importado, devido à pesada tributação e a um câmbio supervalorizado. Parece familiar? É que pouca coisa mudou desde então.

Farrapos ou Farroupilhas era o termo pejorativo com que eram chamados os sul-riograndenses vinculados ao Partido Liberal, que fazia oposição radical ao governo imperial. Dentro do partido, ainda se destacavam os chamados Jurujubas. Oriundo do Parlamento Imperial, o termo acabou sendo adotado pelos próprios revolucionários. Estes, por sua vez, chamavam de Caramurus ou Camelos os parlamentares do Partido Restaurador.

A Revolução Farroupilha serviu como um grande guarda-chuva para todas as causas da época, abrigando de produtores rurais insatisfeitos, escravos em busca de liberdade e defensores da democracia sob o regime republicano. O movimento teve como líderes Bento Gonçalves, General Neto, Onofre Pires, Lucas de Oliveira, Vicente de Fontoura, Pedro Boticário, Davi Canabarro, Afonso José de Almeida Corte Real, Teixeira Nunes, Vicente Ferrer de Almeida e José Mariano de Matos, dentre outros.

Retrato de Bento Gonçalves, autor desconhecido, século XIX

Minha amiga gaúcha @Daniela_Miller está feliz hoje. O seu querido Grêmio desencantou e ganhou de goleada (3 X 0) do Avaí. Ela deve estar na rede, com as belas pernas para cima, aproveitando o feriado no Rio Grande do Sul e se recuperando da churrascada de ontem na inauguração do apartamento do primo.

E a receita de hoje na Trincheira da Resistência não é o Arroz Carreteiro. Essa já saiu no post sobre as Diretas Já. Encontrei uma outra receita da culinária gaúcha que me atraiu pelo nome exótico e original.

Aproveito até para homenagear o amigo Zé Ramos, nordestino de boa cepa, que recentemente revelou um lado, digamos, pouco republicano ao exaltar o hábito de algumas pessoas que adoram sentar no colo de uma certa autoridade ... "coisa boa", "colo paterno", classificou. Bah guri!!! Resista!!! Vamos à receita.

Arroz de China Pobre

Ingredientes

- 500 g de arroz
- 500 g de linguiça
- 600 ml de água quente
- 30 ml de óleo
- Sal a gosto

Preparo

Cortar a linguiça em rodelas grossas e dourar em óleo quente. Acrescentar o arroz, mexendo bem. Adicionar a água. Provar e verificar o tempero. Se desejar, acrescentar pimenta. Tampar a panela e abaixar o fogo.

Quando a água secar, estará pronto. O arroz pode ser servido com salsa, cebolinha e ovos cozidos bem picados.

Harmoniza com chimarrão.

Água, arroz e linguiça. Tri-Legal Tchê!!!

domingo, 19 de setembro de 2010

A música do Dia - Segue o Seco - Carlinhos Brown


Romoaldo de Souza


Estava atualizando as mensagens no Facebook, quando fui informado que duas amigas trocavam impressões sobre a falta de chuva em Brasília e que alternativas seriam viáveis, agora que estamos há mais de 100 dias sem ver um sereno, sequer.


- Alguém aí saber fazer a dança da chuva?!? Socorro… - apelou Patrícia Mezzaroba, jornalista, nascida em 31 de março, casada, e que tem Chico Xavier como um dos seus ídolos.


É. Porque nesses sites de relacionamento a gente se aproxima das pessoas que se tornam nossas "amigas" com uma facilidade ímpar. Não que eu já seja amigo de Patrícia. Mas essas virtualidades todas nos tornam íntimos até de mais da conta, como se diz no interior de Goiás.


Sei, também, que Patrícia estudou no Uniceub e fez o antigo 2º grau no Colégio Leonardo da Vinci. Tudo aqui em Brasília. Acho que já estive em uma ou outra pauta no Congresso Nacional ou na Esplanada dos Ministérios com Patrícia Mezzaroba. Pela foto… Ela não me é estranha.


- ‎"ô chuva, vem me dizer... se eu fosse lá em cima derramar vc..." - respondeu, assim mesmo, desse jeitinho, Kátia Maia.


Ah, essa Kátia Maia eu conheço. Tem um blog bacana de aventuras, colabora sempre com a Revista 100,9 uma experiência com pitadas acadêmicas que levamos para a Rádio Cultura FM. Durante anos, foi uma das vozes com maior credibilidade na Rádio CBN.


Bom, entre aspas, significa para que tem ética, como Kátia Maia, que essa frase ela sacou de algum escrito. Clama, gente, eu tenho 80 mil música no computador. Não é assim, lembrar, lembra, de onde vem, quem é... Não... ‎"ô chuva, vem me dizer... se eu fosse lá em cima derramar vc..." assim entre essas aspas tinha tudo para ser MPB.


Pronto. Encontrei. A letra é de Carlinhos Brown. Ou cara chato, meu Deus. No jornalismo, o genro de Chico Buarque - Oh, Chico, você também, heim? - esse Carlinhos Brown é o mestre do "nariz de cera". Enche linguiça que é uma beleza. Em vez de ir direto ao assunto. Em vez de cantar logo Segue o Seco, ele passou quase cinco minutos enrolando. Mas cantou. Pelo menos isso. Parou de falar, falar, falar e cantou.


Mas voltando ao diálogo de Kátia Maia com Patrícia Mezzaroba. Só quem mora em Brasília para saber o significado da conversa das meninas. O tempo é quente durante o dia, chegando a 35º. Faz moderado frio na madrugada, uns 13º, 14º. A umidade relativa do ar é que já chegou a 10%, 11%, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda estado de alerta de emergência quando chega a 12º.


Essa recomendação vai ficando no papel. Não vi qualquer providência nem da OMS nem do Ministério da Saúde, Defesa Civil, do Ministério Público. Nem a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que fala de diferentes assuntos, ninguém reclamou da umidade relativa do ar. De concreto, tenho os dois comentários das meninas, aí acima.


Uma heineken gelada, nesse calor infernal que está fazendo em Brasília, heim?!?


Esse chato desse Carlinhos Brown estava se apresentando no festival "Heineken de Música", no Rio de Janeiro. Eu não tomo cerveja, mas só para ficar na indústria holandesa, assim como é a Heineken, acho que com essa secura, cairia bem, um Häagen-Dazs de doce de leite. Quem se habilita?


Hummmm. Esse Häagen-Dazs de cappuccino
pode levar você a cair numa deliciosa gelada

Ah, eu queria colocar um vídeo da Marisa Monte, cantando Segue o Seco, ela é mais, digamos, suportável que Carlinhos Brown, mas não deu. No Youtube o link não está autorizado. Vai esse mesmo.


E, para terminar, tomamos um espresso Santo Grão no Fellini Caffè? Ah, a água com gás é São Lourenço.


Se você não quiser ir de jeep pegue um táxi


Bom domingo! Tomara que chova!



Segue o Seco

Carlinhos Brown


A boiada seca

Na enxurrada seca

A Trovoada seca

Na enxada seca


Segue o seco sem sacar que o caminho é seco

Sem tirar o espinho é seco

Sem tirar que seco é o Ser Sol

Sem tirar que algum espinho seco secar

E a água que sacar será um tiro seco

E secar o seu destino secar


Ó chuva, vem me dizer

Se Posse ir lã em cima prá derramar Você

Ó chuva, preste atenção

Se o povo la de cima vive na solidão


Se acabar não acostumando

Se acabar parado calado

Se acabar baixinho chorando

Se acabar meio abandonado

Pode ser lágrimas de São Pedro

Ou talvez um grande amor chorando

Você pode ser o desabotoada Céu

Pode ser coco derramando




sábado, 18 de setembro de 2010

Arroz a Grega e a Lição de Resistência de 300 Espartanos


Ricardo Icassatti Hermano

Um dos mais famosos casos de resistência da história da humanidade remonta a 480 A.C. Trata-se da Batalha das Termópilas, travada no contexto da II Guerra Médica. No Verão daquele ano, sob o comando do seu rei Leônidas, 300 guerreiros espartanos escolheram morrer como homens livres a viver como escravos.

Lutaram até a morte contra centenas de milhares de soldados do império persa, comandados por Xerxes, filho de Dario. A batalha foi uma aula de estratégia. Antes de serem totalmente aniquilados, os 300 espartanos infligiram pesadas baixas às forças persas e impediram seu avanço pelo território grego.

Esse óleo sobre de tela do pintor Jacques-Louis David
retrata Leônidas e seus soldados nas Termópilas.
Está exposto no Museu do Louvre, em Paris.
Tive o prazer de ver esse quadro ao vivo.

O sacrifício daqueles guerreiros foi decisivo para o resultado final do conflito. Conseguiram atrasar por três preciosos dias o avanço das tropas persas, permitindo a salvação de Atenas e da nascente civilização ocidental. A luta dos 300 espartanos se tornou lenda.

Quem legou o relato dessa batalha ao mundo foi o historiador Heródoto de Halicarnasso (485 - 420 A.C.), em sua obra "As Histórias de Heródoto". Essa obra foi reconhecida como uma nova forma de literatura pouco depois de ser publicada.

Busto de Heródoto, também conhecido como "Pai da História"

Ele nos conta que Xerxes buscava vingar a derrota anterior do seu pai para os gregos. Preparou cuidadosamente o plano de invasão da Grécia, utilizando tropas terrestres e força naval. Mas, 31 cidades-estado gregas deixaram de lado suas desavenças e se uniram para combater os persas, o inimigo comum. Dentre elas estava Esparta, que não havia participado da guerra contra o imperador Dario.

Foi formada uma Liga, cujo comando foi entregue ao rei Leônidas, que governava Esparta. Os espartanos eram soldados profissionais, condicionados desde o berço para a vida militar e para o combate.

Após invadir e dominar a Macedônia, a Calcídica e a Tessália, as tropas persas marcharam para o centro da Grécia, até encontrar aqueles 300 espartanos casca grossa nas Termópilas. Aí os persas (atualmente iranianos) viram a coisa ficar feia para o lado deles. O pau comeu. Como vocês podem ver, os conflitos entre Oriente e Ocidente são bem anteriores às Cruzadas.

As Termópilas são um desfiladeiro localizado bem no centro da Grécia, encravado entre as cadeias montanhosas do Eta e do Calídromo e o Golfo de Mália. Seu nome se deve à existência de fontes sulfurosas em seu interior. O estreito tinha apenas 10 metros de largura e consistia de uma simples faixa de areia entre o mar e a parede maciça do desfiladeiro.

Os espartanos eram phoda ...

Estrategicamente falando, os espartanos estavam em uma posição vantajosa, pois mesmo tendo 200 mil soldados, as forças persas teriam que se afunilar na faixa de 10 metros para passar pelo desfiladeiro. Os 300 espartanos eram mais que suficientes para defender a passagem, além de serem guerreiros muito superiores aos soldados persas.

Essa história de resistência definiu o que é o Ocidente hoje e atravessou o tempo. É um exemplo de inteligência, de estratégia, de heroísmo, de coragem, de honra, de sacrifício e de resistência. Um exemplo a ser seguido por todo aquele que ama a liberdade e não admite ser subjugado por quem quer que seja. Muito menos por projeto de ditadorzinho vagabundo.

Os 300 de Esparta foram retratados por Frank Miller em uma HQ simplesmente fantástica, espetacular e imprescindível. Depois, essa HQ serviu de base para um filme muito bom, de muito sucesso, e que teve a participação do ator brasileiro Rodrigo Santoro, interpretando o imperador persa Xerxes. O governo iraniano até ensaiou um protesto pelo antigo imperador ter sido retratado de maneira, digamos, meio bichona.

Isso não é um gibi. É uma obra de arte!

Depois dessa impressionante história, a Trincheira da Resistência não poderia trazer hoje outra receita que não fosse essa. Sempre utilizando o arroz como ingrediente principal, é claro. Aqui, somos fãs de carteirinha dos 300 espartanos.

Arroz a Grega
8 porções

Ingredientes

- 2 copos de arroz lavado e escorrido
- 
2 colheres sopa de óleo de Canola
- 
1 dente de alho amassado
- 
6 copos de água fervente
- Sal
- 
2 cenouras cozidas e cortadas em cubos pequenos
- 
2 colheres sopa de ervilha
- 
1/2 pimentão vermelho picado em cubos pequenos

Preparo

Em uma panela, refogue o arroz no óleo, juntamente com o alho, por 3 minutos. Cubra o arroz com a água fervente, acrescente o sal e deixe cozinhando.

Depois de cozido, acrescente a cenoura, a ervilha e o pimentão. Misture delicadamente e sirva.

Quem nunca comeu esse clássico levanta a mão!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A música do Dia - Cajun - Carencro (Louisiana)


Romoaldo de Souza


Cansado de ouvir a mesma batida de sempre? O velho brazilian groove que vai da batida do violão, eternizada por João Gilberto, quando o rio São Francisco ainda era um riacho, lá para as bandas de Juazeiro (BA), ao inteligente movimento da marcação do surdo no pagode de letras duvidosas e cerveja quente?


Hoje, abri minha "caixa de pandora" musical, joguei fora, dando um "delete definito" nesses ritmos que só ocupam espaço no meu possante drive externo, exclusivamente para guardar música, e "desenterrei" o Cajun. Calma revisor. É assim, mesmo. Cajun com "ene" no final e a pronúncia é como está escrito. Isso aqui não é curso de inglês do CCAA, não. É Cajun, mesmo. É. Conversei com uma amiga de cursinho de inglês e ela teimou comigo que o correto seria "keijun". É de rir!


E antes de mais nada, parte deste texto que os meus animados leitores do Café & Conversa vão ler hoje, está numa pesquisa que fiz para o quadro Música do Mundo, apresentado semanalmente, na Revista 100,9 na Rádio Cultura FM, de Brasilia. O programa vai ao ar às sextas-feiras, das cinco da tarde às sete da noite.


Chega de "nariz de cera". Nossa, nariz de cera é da época que estudante de jornalista ia à faculdade para ser jornalista. Hoje, muitos querem passar em concurso. Aí danou-se tudo.


Bom, mas na história da humanidade, grandes migrações são também sinônimos de fusões musicais marcantes, como foi o blues levado da África para as plantações de algodão nos Estados Unidos ou como é o Zydeco, levado pelos franceses para a região de Toronto, no Canadá.


E assim foi também com o Cajun, quando os Acadianos foram expulsos do Canadá, no final do século 18 e se enraizaram na Louisiana, no Sul dos Estados Unidos, carregando os costumes da culinária e não esquecendo o estilo musical que corre na veia daquele povo.


O Cajun preserva os sons da rabeca, uma forma rústica do violino; o acordeón, também conhecido como sanfona; a guitarra metálica; o triângulo, destinado a realçar o contratempo da música; a gaita; o bandolim e o tradicional banjo.


Fale a verdade; quem mora numa cidadezinha bucólica
como essa Carencro, na Luisiana, precisa mesmo fazer um
casamento camuflado? Ou melhor, ainda, precisa mesmo se casar?

Nesse vídeo, os moradores da cidadezinha de Carencro, na Louisiana, celebram um casamento bem camuflado. Eu acho que todo casamento deveria ser assim, camuflado. Se não desse certo seria mais fácil descasar. Mas não, as pessoas fazem uma festa, gastam um dinheiro danado e antes mesmo de acabar de pagar as contas o casamento já está por um fio (de cabelo, no paletó dele ou na saia plissada que ocasionalmente ela veste).


A música dessa animada festa é um tradicional Cajun. Divirta-se que eu vou passar mais um Santo Grão, Sul de Minas. Sim, um Santo Grão. Meu estoque de Bourbom Vermelho acabou quando terminou o Rally Internacional dos Sertões.




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pudim de Arroz Arbóreo com Mel e Laranja e a 2ª Reunião da Trincheira da Resistência no Bunker de Clara


Ricardo Icassatti Hermano

A Trincheira da Resistência fez sua segunda reunião extraordinária na noite de ontem. O local previamente acertado foi o bunker da jornalista Clara Favilla, uma casa belíssima e tremendamente aconchegante. Marcaram presença as beldades Leda Flora, Leda Berlim, Candida Bittencourt e Little Mary, além da anfitriã, é claro.

Foi uma noite de aprendizado para mim. Aprendi com a Leda Flora um molho novo, simples e saboroso para pasta, como recomenda a boa gastronomia. Excesso de ingredientes não resultam obrigatoriamente em um bom prato. Junte e bata num liquidificador, suco de limão, azeite, salsa, cebolinha, sal e umas raspadas de Noz Moscada. Cozinhe a pasta al dente - no nosso caso foi penne - e misture com o molho. Pronto!

Vocês não imaginam como essa pasta ficou boa : )

Mas, a cozinha de Clara Favilla se assemelha muito em alguns pontos com a cozinha de Little Mary. As duas chamam suas facas pelos nomes de Ray Charles e Stevie Wonder. Como se vê, entendem tudo sobre afazeres domésticos. Utensílios básicos, como um espremedor de laranja e limão, simplesmente inexistem. E aí eu entrei pelo cano. Único homem na casa, fui obrigado a arregaçar as mangas e fazer as vezes de espremedor ...

No longo bate papo que adentrou a madrugada, aprendi com as meninas que as fontes de informação podem ser aquelas que a gente menos espera e conversamos bastante sobre as eleições e os descalabros dos últimos dias. Dentre eles a revelação do real projeto de poder do PT, pelo nefasto chefe de quadrilha José Dirceu. Leia no link abaixo a íntegra da palestra que o trevoso deu ontem (14) a sindicalistas em Salvador.


Analisamos o cenário político e me atrevi a prever que o Lula havia dado um tiro no pé ao pregar, a extirpação do partido Democratas (DEM). Dias antes, havia debatido com o colega jornalista e amigo de longa data Eli Peixeira, justamente sobre a extinção natural de alguns partidos. O futuro aponta para a existência de apenas dois grandes partidos e alguns pequenos tradicionais renitentes, que não morrerão tão cedo, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Assim como as empresas, que para não desaparecer se fundem, os partidos não são diferentes.

Ao ir à casa do adversário, ofendê-lo e pregar a sua morte, Lula deu sobrevida ao DEM. Os catarinenses, por mais que possam não gostar do DEM - e não é o caso, pois o candidato Raimundo Colombo está liderando folgado a disputa -, não aceitarão jamais que um "forasteiro" destrate um dos seus daquela maneira. Com isso, acabou de afundar também a candidatura do seu partido, a ainda senadora Ideli Salvatti. Registre-se que ela não saiu em defesa dos seus conterrâneos.

A isso, o falecido coronel Antonio Carlos Magalhães, popularmente conhecido como ACM, chamava de "baianidade". Para ele, essa "baianidade" estava acima de qualquer disputa política e qualquer ataque a um baiano era ferozmente revidado por ACM. Por isso, ele convivia harmoniosamente com todas as colorações partidárias baianas. Acredito que o povo catarinense entende esse sentimento também.

Como eu disse às meninas, Lula estava há tempos chamando todo mundo pra porrada e esticando a cordinha. Uma hora alguém iria se cansar de tanta "valentia" e toparia a briga. Quem fala o que quer, ouve o que não quer, já diz o ditado popular. E Lula acabou ouvindo o conselho de evitar o consumo - sempre exagerado - de bebidas alcoólicas antes de subir nos palanques ... Nada melhor para garantir a sobrevivência de um partido do que uma boa briga, porque aglutina, emociona, envolve, motiva.

Além da pasta, que abriu os trabalhos da noite, a metida Clara Favilla exibiu sua musculatura culinária oferecendo aos convivas uma Paella maravilhosa. E a noite correu suave com o vinho que corria generosamente. Foi uma noite memorável e serviu como um "até logo" a Clara Favilla, que sai de cena por breves três meses. Vai rever sua querida Itália junto com a amada filha e leva na mochila a caneca personalizada do Café & Conversa.

Clara garante que passou a tarde inteira preparando essa delícia ...

Há meses venho alertando para as nuvens negras no horizonte. A coisa não melhorou desde então e a situação chegou a tal ponto que foi preciso criar a Trincheira da Resistência. Vamos decidir muito mais que uns cargos nas próximas eleições. Vamos decidir sobre a liberdade que conquistamos com sangue, suor e lágrimas.

Deveríamos ter museus que mostrassem a história recente, a ditadura e a atuação dos atuais "políticos" naquela época. Esses museus deveriam reproduzir as prisões e salas de tortura para que os jovens profissionais de hoje entendam o que é não ter liberdade para valorizá-la. O maior crime da sociedade brasileira foi não manter viva essa memória.

Dito isso, vamos a mais uma receita com arroz, o ingrediente da Resistência.

Pudim de Arroz Arbóreo com Mel e Laranja
4 porções

Ingredientes

- 1/2 xícara de arroz arbóreo
- 3 xícaras de leite
- Cascas de duas laranjas cortadas em uma longa fita
- 1 xícara de creme de leite
- 1/4 xícara de açúcar
- 1/4 xícara de mel
- 1 ovo grande
- 1 gema de ovo
- 1/2 colher chá de extrato de baunilha
- 1/4 colher chá de sal

Preparo

Em banho-maria, misture 2 1/2 xícaras de leite, o arroz e a casca de uma laranja. Tampe o vasilhame que estiver utilizando e deixe cozinhar por 50-60 minutos, mexendo ocasionalmente, até que o arroz esteja macio e a maioria do líquido tenha sido absorvida. Retire a casca de laranja e reserve o arroz.

Bata o açúcar, o mel, o ovo e a gema. Reserve

Numa panela pequena de molho, aqueça o creme de leite com a 1/2 xícara de leite restante e a casca da outra laranja, até o início da fervura. Adicione lentamente essa mistura de leite à mistura de açúcar mel e ovos, misturando sempre.

Retorne a mistura à panela de molho e, em fogo MÉDIO, cozinhe mexendo sempre até que engrosse (deixa uma camada nas costas da colher). Retire e imediatamente junte ao arroz. Descarte a casca de laranja. Adicione o extrato de baunilha e o sal e misture bem.

Deixe esfriar e leve à geladeira em vasilhame fechado. Antes de servir, decore com geleia, cascas de laranja confit e/ou castanhas moídas.

Nóis é pobre, mas não é de espírito ...