domingo, 17 de outubro de 2010

Marina, morena Marina, você vacilou ...


Ricardo Icassatti Hermano

A notícia do final de semana é a "neutralidade" proclamada pela "verde" Marina Silva. Aceito como escolha legítima a neutralidade do eleitor, mas confesso que tenho uma dificuldade intransponível para entender políticos profissionais que se dizem neutros em determinadas situações. Em eleição então eu considero de uma hipocrisia cavalar, para ficar nos limites do politicamente correto ...

Como é que um político se submete às exigências de um processo eleitoral, sem qualquer crítica, legitimando-o do início ao fim; divulga a sua mensagem ou "utopia" no caso da Marina; compete, faz propaganda, pede voto, tenta conquistar o eleitorado e depois que perde resolve se rebelar e proclamar neutralidade? Onde está a coerência?

Escolha, decisão, compromisso. Tudo isso só é bom quando votam nela

Para a Marina, só é bom quando votam nela? Prefere não conseguir qualquer avanço para sua "utopia" em nome da "neutralidade"? Ou será que ela acha que a "neutralidade" é um avanço? Até onde pude saber, a neutralidade política - para um político - vem da discordância com todo o processo e não apenas por ter ficado fora do segundo turno de uma eleição. Para ser coerente, Marina não deveria nem ter cogitado ser candidata.

Além disso, ela não ajuda em nada o desenvolvimento e aperfeiçoamento da democracia brasileira ou do partido que escolheu para se abrigar após ter sido chutada porta afora do PT. Ao contrário, o cheiro ruim que fica é o de sabotagem. Marina age como uma menina mimada, que não gosta das regras ou do resultado das suas empreitadas e resolve que nada daquilo vale para ela. Emburrada, prende a respiração ou bate a cabeça na parede na tentativa de modificar a realidade até que atenda aos seus desejos.



Os clássicos são assim chamados porque nos deixaram lições universais. Para a religiosa Marina, fui buscar em A Divina Comédia, obra imortal de Dante Alighieri (1265-1321), uma lição, um lembrete ou um alerta.

Dante Alighieri, em retrato de Sandro Botticelli (1495)

Tendo Virgílio (autor de Eneida) como guia e mentor, Dante faz sua jornada espiritual percorrendo todo o trajeto da Esfera Armilar que, de acordo com a crença medieval, sairia da Terra e passaria pelo Inferno, pelo Purgatório e chegaria ao Paraíso, que era o sentido original de "Comédia".

Afresco de Domenico di Michelino mostra Dante na entrada
de Florença, ao lado da Catedral Santa Maria del Flore e
apontando para uma fila de pecadores

Após atravessar o Portal do Inferno, o poeta italiano adentra o Vestíbulo do Inferno, a morada dos indecisos, covardes e que passaram a vida em cima do muro. Aqueles que nunca quiseram assumir compromissos, tomar decisões firmes, por acharem que assim perderiam a oportunidade de fazer alguma coisa. Ali, os covardes são condenados a correr em filas atrás de uma bandeira que corre rapidamente, picados por vespas e moscões.

E foi ao conhecer os Nove Círculos do Inferno, que Dante cunhou o seguinte alerta:

"Os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que, nos momentos de crise, se mantêm neutros" - Dante Alighieri

4 comentários:

Tyago de Paula disse...

Eu no lugar da Marina fazia o mesmo. Na grande maioria, senão na totalidade, sempre que um candidato derrotado apoia um outro em segundo turno, é por interesse pessoal.
O eleitor ficar neutro pode, o ex candidato não? Ela pediu voto pra ela. Não pra Dilma ou Serra.
A coerencia é ela se manter neutra, pois no primeiro turno ela criticou veementemente esses dois, por serem 'iguais'.

Café & Conversa disse...

Caro Tyago de Paula,

O problema da coerência é que a Marina é uma política profissional e como tal disputa eleições exatamente como os demais candidatos. Ela é incoerente por não defender a neutralidade enquanto está na disputa, fazendo isso apenas depois de derrotada. Assim, ela deslegitima a sua própria participação na eleição pois ao escolher a neutralidade, nega todo o sentido da disputa política.

Quanto ao eleitor, esse pode se posicionar como bem entender e deve assumir a responsabilidade por isso. Quem escolhe a neutralidade também escolheu não participar do jogo e perde o direito de cobrar. Ao se posicionar como "neutro", o eleitor passa uma procuração para que outros decidam por ele sem a sua participação ativa através do voto.

Abraço

Ricardo Icassatti Hermano

Distribuidor DeMillus RN disse...

Eita blog arretado! Dante considerou a omissão um crime tão grave como o ladrcinio, os estrupadores. Os omissos vão para o circulo dos crimes mais perigosos. A omissão é um deles. Marina, escolha um dos dois, compare os programas ambientais e veja que o de Serra é superior e mais seguro para proteger os habitantes naturais. Porem, leia e faça sua analise.

Pablo Munky disse...

Marina RULES!!!