domingo, 13 de fevereiro de 2011

El Secreto de Sus Ojos - Oscar de 2010 com música de Soledade Villamil


Romoaldo de Souza

Reuni os elementos de que necessitava para escrever sobre esse filme, que me chamou atenção desde o dia em que a atriz principal, Soledad Villamil, esteve no Programa do Jô Soares para falar do disco dela, Morir de Amor.

Falo primeiro dos elementos ou da cantora? Bem, dia desses nossa espiã Giselle Montfort foi à Ilha de Páscoa, a pretexto de fazer umas fotos com a caneca do Café & Conversa e voltou com uma aliança no dedo e um pacote de café, em grão da Costa Rica.

Portanto, não me perguntem onde mademoiselle Montfort se enganchou com o nativo. Só sei que passou “num lugar desses quaisquer” e nos apresentou o Café Britt. Orgânico, produzido debaixo das árvores da floresta. “Bajo Sombra”. Nada mal. O Café Britt é 100% arábica, com certificado internacional da Skal, com sede na Holanda.

Preparei o meu Britt, na french press, água com gás e escutando a voz de Soledad Villamil cantando Que Pena.

- Qué pena, que no me duela tu nombre ahora. Qué pena, que no me duela el dolor -

Com uma voz de quem rasga as entranhas da alma para convencer quem a escuta. Assim como faz um bom pregador. Convincente!

Eu tinha passado horas, conversando com meu pai, e ele ao acordeon, tocando músicas da época em que ganhava o dinheiro que sustentava os cinco filhos, animando bailes pelo interior de Pernambuco, e me lembrei de um livro que ganhei há uns cinco anos atrás: Memórias de Mis Putas Tristes.


Uma Maestrina zerada, para voltar a tocar forró, nas bailes da vida


Em Memórias de Mis Putas Tristes, o escritor Gabriel Garcia Marquez começa narrando o desejo que teve, quando acorda.

“El año de mis noventa años, quise regalarme una noche de amor loco con una adolescente virgen”.

E foi aí que recordei o Natal passado, quando meu pai confidencidou que em vez de uma adolescente virgem ele se contentaria com uma sanfona usada. Ganhou essa acordeón novinha em folha

Água, fotografias, lembranças, música, café e inspiração. É assim que quero começar a falar do filme que deixei um gancho, lá em cima, ainda no primeiro parágrafo.


Água, café e um MacBook Pro de inspiração,
ouvindo Soledad Villamil e vendo El Secreto...

Benjamín Espósito é um advogado de meia idade, recém aposentado do Juizado Penal, levando na memória histórias de uma justiça corrupta e um sonho: escrever uma novela. Seria como uma novela da vida real, já que Espósito quer contar uma história que se passou nos tribunais na década de 1970, quando uma jovem recém casada é estuprada e morta.

El Secreto de Sus Ojos começa a fugir da narrativa açucarada que Benjamín Espósito imaginava contar. O que seria apenas uma história de amor com final infeliz, como é a maioria dos romances, vai ganhando conotações intrigantes, com perseguições, violência e desencontros afetivos.

Determinado, Benjamín Espósito, vivido pelo premiadíssimo Ricardo Darín, quer conquistar, na vida real, a mulher que perde na novela que está escrevendo e começa uma jornada para desvendar o mistério do assassinato de Liliana Colotto, mas também conquistar a chefe, Irene Hastings, interpretada por Soledad Villamil.

Benjamín Espósito quer escrever uma novela baseada
no amor que sente pela chefe, no Tribunal do Juri

Benjamín Espósito esbarra em duas barreiras para desvendar o crime e conquistar Irene. A bela assistenta da Justiça é casada e o assassino de Liliana Colotto acabara de se tornar guarda-costas da então presidente María Estela Martínes de Perón.



No Segredo dos Seus Olhos, nome que o filme argentino ganhou no Brasil, Soledad Villamil nem sequer balbucia frases como:

Yo guardé tu vida también tu corazón, tu camisa en mi ropero, tu amor en mi colchón. Guardo yo tus cartas para recordar ese juramento que mie hiciste tiempo atrás”, tiradas de Santa Rita, seu mais novo sucesso.

Mas, Café & Conversa foi atrás da música da mulher que desorientou Jô Soares, na TV Globo e abala as estruturas do Doutor Espósito, no Tribunal do Júri de Buenos Aires. Tomara que você goste do ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2010 e da música de Villamil. Bons cafés.


Morir de Amor

Hoy que el tiempo ya pasó,
hoy que ya pasó la vida,
hoy que me río si pienso,
hoy que olvidé aquellos días,
no sé por qué me despierto
algunas noches vacías
oyendo una voz que canta
y que, tal vez, es la mía.
Quisiera morir –ahora– de amor,
para que supieras
cómo y cuánto te quería,
quisiera morir, quisiera… de amor,
para que supieras…

Algunas noches de paz,
–si es que las hay todavía–
pasando como sin mí
por esas calles vacías,
entre la sombra acechante
y un triste olor de glicinas,
escucho una voz que canta
y que, tal vez, es la mía.



6 comentários:

Kassati disse...

Caro amigo Romoaldo,

Beleza de post : ) Emocionante : )

fotos by paulo ajuz disse...

Só posso agradecer, por ter o acesso a este blog, que sempre se supera na qualidade de seus post, parabéns.

Fernanda disse...

Amei, te conhecer, deejo que você e todos que te cercam sejam envolvdos sempre pelo requinte que desilas, um abraço da mas nova aluna Fernanda, , Quisera estar exatamente onde estou hoje, valeu.

Heloisa Helena disse...

Adooooorei. Lindo. Espero, agora que você grave um video. Um abraço Heloisa Helena

Anônimo disse...

Só agora li esse post, me questionando o porquê de me "vingar" e não ligar no dia do seu aniversário "só pq" vc não me ligou no ano passado no meu dia... Não sabia que S.Alexandre era sanfoneiro.. E já me peguei imaginando os bailes, a terra seca, as sandálias de couro "lustrando" o chão... Parabéns, inclusive pela evolução, do notebook defeituoso a um Apple.
FB

ELIAS disse...

Parabéns pelo blog inteligente. Em especial pela foto do seu pai, belíssima. O estilo, o gosto, O Segredo de Seus Olhos... remetendo a O Filho da Noiva... Conversando com Mamãe... Bom gosto, bom compartilhar as ideias vindas do blog. Um abraço.

se houver disposição, visitem minhas ideias no blog http://eliasguara.blogspot.com