domingo, 2 de março de 2014

12 Anos de Escravidão, antiga e moderna

Ricardo Icassatti Hermano

Little Mary propôs e eu topei fazermos uma "Maratona do Oscar" para tentar assistir a todos os filmes concorrentes antes da cerimônia de entrega da premiação em Los Angeles. Acho que não vamos conseguir, mas estou tentando. Hoje falo do aclamado 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave). Na minha opinião, não creio que o filme propriamente dito mereça o Oscar de melhor filme. Meu voto incondicional já foi para o Gravidade. A história que ele conta, por outro lado, merece a nossa mais completa atenção e preocupação.

Cartaz do filme

Trata-se de uma história real, contada em livro pelo protagonista daquele terror, que traz à tona um outro aspecto da escravidão americana que era totalmente desconhecido para mim: o sequestro de homens livres para voltarem à condição de escravos em outros estados dos EUA. A prática se dava antes da guerra civil americana e antes da abolição definitiva da escravatura. Estados do Norte já haviam libertado os escravos, mas os estados do Sul ainda mantinham a exploração dos negros nas fazendas. Não consigo imaginar pesadelo pior. 

Num dia, homem livre e dono do próprio nariz ...

O filme não deixa dúvida quanto à insanidade daquilo tudo. Pessoas que tinham como guia em suas vidas os fundamentos do cristianismo serem capazes das maiores atrocidades contra outros seres humanos apenas pela diferença de cor em suas peles. E o Estado mantendo institucionalmente aquele horror, dando poderes de vida, tortura e morte sobre os escravos. Isso era o Século 19. Muitas guerras, muitas mortes e muito sofrimento depois, as sociedades aprenderam com os erros e evoluíram desde então. Será?

... no outro, escravo vendido como animal pelo maior lance

Tivemos escravidão aqui no Brasil e tudo indica que não aprendemos nada. Temos trabalho escravo no campo e exploração análoga à escravidão de prostitutas menores de idade. Notícias nos dão conta de escravidão sendo praticada em plena São Paulo, inclusive com venda de seres humanos, garotos bolivianos. Realmente não aprendemos nada. Que país é este?

Escravidão é igual em qualquer lugar ou tempo

As atrocidades físicas mostradas no filme não são piores que as atrocidades impostas aos escravos modernos, sejam salariais, condições de trabalho ou violência. A humilhação e a degradação humanas são exatamente as mesmas. E igualmente inaceitáveis, imperdoáveis. Mas, tendo em vista o abismo existente entre o que pregam comunistas e socialistas e o que realmente praticam, a coisa não vai melhorar. Vejam o que está acontecendo no mundo. Ninguém quer viver sob o jugo dessas ideologias "de esquerda". Ninguém que seja minimamente esclarecido ou que tenha vivido em país comunista/socialista engole mais essa baboseira tirânica. 

Relação de completa insanidade

O filme conseguiu algo difícil, me arrancar lágrimas. Não se preocupe. No meu caso foi apenas uma determinada cena em que fica concentrada e evidenciada toda a insanidade da escravidão. Eu não sei como os atores e atrizes conseguem lidar com aquilo. Little Mary chorou o filme inteiro, mas ela é uma manteiga derretida mesmo. Preste atenção nas técnicas de dominação empregadas pelos escravocratas. É aterrorizantemente eficiente e eficaz. Mas, há aqueles que conseguem resistir. São poucos, mas conseguem fazer a diferença e mudar ao menos os seus próprios destinos. Um dia, séculos depois, talvez sirvam de exemplos para uma massa ignorante. Talvez.

Esta cena terrível resume tudo

Gostaria que alguém fizesse um filme como esse sobre a nossa escravidão, passada e/ou moderna. Sem "artistas" de novela, por favor. Certamente há relatos escritos e guardados que podem servir de referência. E não estou falando de documentários maçantes que ninguém vê. Estou falando de uma história bem contada e dramatizada para nos impactar emocionalmente, para aprendermos algo que jamais deveria ser repetido, sob qualquer pretexto. Para aprendermos a reconhecer o mal que se esconde por trás dos disfarces, dos discursos, da propaganda, da ideologia cor de rosa e das falsas promessas.

Essa moça linda concorre ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante

O Café & Conversa assistiu ao filme 12 Anos de Escravidão, reconheceu padrões, ficou alarmado com a realidade atual e recomenda a todos que querem viver suas vidas livremente. Cotação cinco canecas. Veja o trailer.


Um comentário:

Débora Molliet disse...

Concordo: o filme é uma crítica social imensa, tapaço na cara da sociedade americana que tanto condena outros países, principalmente os mais pobres, pela escravidão antiga e moderna, porém tenta esconder um passado terrível. Porém não acho que deveria levar o Oscar de Melhor Filme, pois um filme não deve apenas denunciar, mas também ser algo interessante... Em suma, é um filme ótimo, muito bem dirigido e produzido e não tem como assistir sem render-se às lagrimas por não acreditar na miséria que o ser humano pode ser.